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Moda & Negócios_EDIÇÃO 11 PARA IMPRESSÃO

Bento R. P. de

Bento R. P. de Albuquerque Artesões e Artesanatos Um dos mais interessantes trabalhos que eu desenvolvi vidades e nas funções desenvolvidas, o que põe em grande destaque as figuras do Mestre artesão, do Artesão e do ao longo dessas décadas de vida profissional está relacionado com o mercado do artesanato. O meu interesse e Aprendiz, além do Artista Artesão. paixão por esta atividade nasceram, não apenas em função O mestre artesão é aquele que cria um estilo e um conceito próprio, sendo reconhecido como tal por toda a comu- da grande importância do setor no contexto econômico e social de cada estado brasileiro, mas também pelas características específicas e por toda a mística que envolve este nidade, pela sociedadwe e pelo mercado. Todos os estados brasileiros têm os seus mestres artesões como referência e tipo de atividade. Devo ressaltar que, do ponto de vista econômico, o artesanato é de extrema importância para o país, suas peças são sempre altamente valorizadas. Aqui em Pernambuco muitos artesões de destaque podem ser citados, a pois movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano e, do ponto de vista social ele emprega mais de 8 milhões de pessoas, exemplo de Vitalino de Caruaru, o grande mestre do artesanato do barro que deixou um grande legado cultural e um profissionais que trabalham e vivem exclusivamente da renda gerada no setor. incontável acervo de obras produzidas, e do seu discípulo, o mestre Manuel Eudocio, recentemente falecido, que também Analisando de perto o trabalho desenvolvido pelos artesões, criou um acervo de obras diferenciadas, num padrão que logo se descobre que há uma clara hierarquia nas suas ati-

eflete bem a cultura da região e um estilo próprio caracterizado pela inovação e criatividade das suas peças. Os filhos e outros sucessores, que ainda dão continuidade às obras desses mestres, podem ser considerados como artesãos e não como mestres, a exemplo da grande maioria de profissionais do setor que copiam e duplicam modelos criados por um mestre e que são apoiados pelos aprendizes da profissão, provenientes das suas próprias famílias ou das comunidades onde eles trabalham. Na citação desses dois importantes nomes do artesanato pernambucano, observa-se o detalhe do local onde o mestre artesão nasceu ou onde ele residiu. Neste caso, a localidade aparece como um destaque a mais para o produto, quase como um certificado de origem e um valor agregado de alta relevância. Mas, ao contrário dos mestres artesões, os artistas artesões, que sempre assinam suas obras, são profissionais geralmente oriundos de outras regiões que se estabelecem numa determinada comunidade com o objetivo de aprender a técnica do artesanato local. E, como artistas, suas peças são únicas e nunca são reproduzidas em escala comercial. Outro detalhe interessante a se observar no ambiente de trabalho dos artesões são os agrupamentos sociais que vão sendo formados a partir do desenvolvimento e da expansão da atividade. A necessidade de se aumentar a oferta do produto, por conta da demanda gerada, implica na formação de alguns núcleos de produção familiar que logo se expandem para grupos maiores de produção, chegando até mesmo a provocarem a criação de empresas artesanais. O risco quando se chega a este ponto, é que a atividade do artesanato logo se transforme em industrianato. Ainda há muito mais a se escrever sobre o artesanato, mas o espaço é limitado. Depois eu falo um pouco sobre a colocação de peças artesanais nos produtos ligados à moda, gerando valor extra para o produto. Prof. Bento R. P. de Albuquerque Diretor da J&B Consultores. Vice-diretor da Faculdade de Administração da UPE. bento@jbconsultores.com.br