Revista Apólice #208

revistaapolice

Roberto

Posternak,

diretor

comercial

Alon

Lederman,

vicepresidente


editorial

Ano 21 - nº 208

Março 2016

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Será que as

mudanças virão?

O Brasil atravessa um momento político crítico. Enquanto uns

clamam pela saída da presidente Dilma, seja por impeachment

ou por anulação do resultado da eleição, eu me pergunto: quem

ficaria no seu lugar? Entregar o País nas mãos do Michel Temer e

do PMDB é a melhor opção? Um partido que nada conforme a

corrente do oportunismo é capaz de governar pelos próximos dois

anos e meio sem acabar de adernar este navio já tão danificado?

Não vejo nenhum movimento no sentido da formação de

novas lideranças. O que há de jovem na política já está viciado

com os padrões de comportamento do passado (vide ACM Neto

ou João Campos). Será que uma operação anticorrupção como a

Lava-Jato será esta bomba VAP de limpeza que esperamos?

Sou completamente a favor da manifestação popular. Acredito

que esta seja uma das melhores maneiras de demonstrar o inconformismo

com o status quo. Entretanto, não adianta ir para a rua

protestar e não fazer a lição de casa, cometendo pequenos ‘delitos’

na intimidade.

Nosso compromisso com aquilo que tanto queremos (educação

para todos, saúde, qualidade de saúde) tem que ser praticado

no nosso cotidiano. Ser ético, generoso com o próximo, sustentável

e resiliente. E, é claro, não esquecer de praticar a cidadania em

todos os momentos, principalmente, na hora do voto. Cabe a nós,

também, fomentarmos o aparecimento de novas lideranças. Não

podemos ter medo das mudanças.

Boa leitura

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3


sumário

06 entrevista

A CNseg e demais Federações do

mercado empossam nova diretoria

e os presidentes falam sobre os desafios

para o triênio 2016-2019

30 encontro

Personalidades influentes do mercado

de seguros se reúnem na

Bahia para discutir temas políticos

e econômicos que afetam o setor

e todo o País

22

capa

Empresa evolui em sua atuação e busca

alternativas para disseminar o seguro de

40 eventos

automóvel entre as pessoas sem seguro

Cruzeiro da Família, novidades e

atualizações do setor e números do

DPVAT marcam o mês do mercado

de seguros

26 resseguro

Desafios econômicos chegam ao mercado

de resseguros levando as companhias

41 análise

a direcionar foco para projetos de longo

Oscar Schimidt, presidente da Metprazo

Life na América Latina, comenta o

crescimento do mercado na região

e o futuro do setor no Brasil

28 corretoras

Pelos olhos dos corretores de resseguros,

saiba as tendências do setor e como está a

atuação do País junto aos players mundiais 10 | painel

16 | gente

34 mulheres 20 | direto de Londres

Participação feminina no mercado de

seguros saltou 8% em 12 anos. Executivas

analisam o impacto da presença delas no

segmento

42

|

comunicação

4


entrevista | CNseg

Continuando a

João Francisco Borges da Costa

(FenSeg), Marco Barros (FenaCap),

Solange Beatriz Palheiro Mendes

(FenaSaúde), Marcio Coriolano

(CNseg), Edson Franco (FenaPrev)

CNseg e federações de seguros empossam

novas diretorias e, ao mesmo tempo que

pretendem dar continuidade ao trabalho

das gestões anteriores, querem mudanças

para alcançar a modernização

Amanda Cruz

APÓLICE: Todos os setores da economia

procuram se aproximar de processos

de modernização. Como a CNseg pretende

fazer isso?

Marcio Coriolano: A modernização

da CNseg significa, principalmente, dar

estabilidade para o quadro de colaboradores.

E auxiliar na formação, capacitação e

treinamento dos servidores da entidade.

6


mudar

Precisamos privilegiar os servidores de

nosso quadro e ter capacidade de contratar

estagiários e pessoas que possam fazer

carreira dentro da entidade.

Outra perspectiva em curso é a área

de estudos e projetos, que vai agregar à

expectativa que temos de fornecer estatísticas

para o mercado. O terceiro pólo

de modernização, que talvez seja hoje o

mais importante, é a Central de Serviços

da Confederação, que são diversos bancos

de dados estruturados. Essa Central é

fonte de renda e já representa uma etapa

da modernização da CNseg.

APÓLICE: Para manter o processo de

continuidade almejado, o que precisa

ser mudado?

Marcio Coriolano: Não vamos

inventar a roda, o mercado segurador já

sabe o que quer. A questão é saber priorizar

diante de um cenário de dificuldade

econômica grave que nós temos hoje. Foi

um ano difícil e vai ser mais difícil ainda

em 2016. Precisamos unir mais as federações

para acelerarmos aquilo que está na

Susep, no parlamento, e também na ANS.

As mudanças se darão em propor

a melhoria do DPVAT, do DEPEN e do

Seguro Rural. Temos que captar quais

são as melhores oportunidades nesse

cenário sem descuidar do futuro.

APÓLICE: Os cuidados serão mais com

os produtos que já estão saindo ou a

criação de novos?

Marcio Coriolano: Fundamentalmente,

focaremos aqueles que estão

prontos. Em período de dificuldade não

podemos economizar esforços. Evidentemente,

acreditamos que os outros

produtos vão acontecer também, mas

acho que a principal mensagem que

queremos passar é organizar e ir mais

forte naquilo que for mais importante

no curto prazo.

APÓLICE: Como a CNseg e o mercado,

em geral, podem conversar com o

governo para se posicionar como um

auxílio para esse momento?

Marcio Coriolano: O plano de

curto prazo é a estruturação de nosso escritório

em Brasília. Vamos colocar mais

gente capacitada para poder acompanhar

os processos legislativos, unir forças

com o poder executivo e ter interlocução

com o judiciário, como existe em outras

confederações. Acredito que estejamos

um pouco atrasados nesse aspecto, mas

já tomamos a primeira medida.

Temos que nos aproximar mais desses

três poderes com informações. Meu

diagnóstico é que eles não entendem

ainda muito bem o mercado de seguros e

o quanto ele produz e favorece a sociedade.

Toda nossa linha será de produção de

7


CNseg

workshops, seminários, congressos e literatura.

Queremos inundar o legislativo

e o judiciário com nossas informações.

Da mesma forma que queremos fazer

na imprensa.

APÓLICE: A fomentação da cultura é

uma das esperanças para 2016?

Marcio Coriolano: Não tenho a

menor dúvida. Pretendemos focar e

falar de educação do seguro. Uma coisa

é educação financeira, que se confunde

muito com como você administra seu

orçamento, como deve fazer para investir,

aplicar para se proteger da inflação

etc. Nós queremos levar à população a

educação do seguro: a importância da

mutualidade, gerenciamento de risco,

prevenção. Temos que focar nessas

premissas do seguro, dentro do guarda-

-chuva da educação financeira.

< FenaSaúde >

APÓLICE: Como a nova diretoria pretende

lidar com questões como inflação

médica e judicilização nesse momento

de crise?

Solange Beatriz: A questão da

judicialização nós precisamos combater

com informação, quer seja informação

para os segurados, para população, quer

para a própria magistratura. Essa deverá

ser a nossa base, o caminho que temos

que adotar para fazer frente a essa questão

do judiciário.

Com relação aos custos, nós temos

um trabalho intenso em relação às órteses

e próteses, esse trabalho vai desde

o combate a fraude até a políticas com

órgãos reguladores como Anvisa, para

promovermos discussão e, também, informação

e troca de conhecimento com

a cadeia produtiva.

APÓLICE: Quais as principais metas

da gestão da FenaSaúde para esse

triênio?

Solange Beatriz: Entre as nossas

bandeiras de atuação destaco a ampliação

das frentes de interlocução com

os órgãos de defesa do consumidor, a

parceria com as autoridades de mercado

e o contato permanente com os veículos

de comunicação para esclarecer, ouvir

e gerar conteúdo de interesse da sociedade

em geral. Intensificar o foco na

informação para toda a cadeia produtiva,

basicamente. Além de uma política

mais estratégica com relação às Órteses,

Próteses e Materiais Especiais e modelo

de remuneração.

APÓLICE: Em seu discurso de posse,

foi enfatizado que é preciso rever o que é

pago aos prestadores de serviço. Quais

serão as medidas?

Solange Beatriz: Serão sobre o

modelo de remuneração. Sempre se

adotou o modelo do Fee-for-service,

no qual você paga por procedimento

(serviço prestado, serviço pago). Isso foi

muito tradicional no mercado segurador

do mundo todo e aqui também é assim.

Em outros países, como EUA, já houve

mudanças nesse modelo. Lá, a mensuração

se dá por efetividade, por qualidade

e é isso que vamos buscar aqui. É difícil.

Em vinte anos que lido com mercado de

saúde sempre houve essa discussão e

ela sempre esteve patinando. Mas agora

estamos, efetivamente, mais alinhados

e próximos dos prestadores para poder

encontrar uma solução.

< FenaCap >

APÓLICE: O que você acha que a FenaCap

precisa fazer para que a população

entenda a capitalização como um

instrumento de educação financeira?

Marco Barros: Acho que temos

que intensificar nosso programa de

educação em seguros, logicamente

inserindo a capitalização dentro desse

contexto. Seja para ações de educação

no ato de poupar, de programar, objetivos

temporais, criar as poupanças da

forma correta para que você possa usar

mais adiante.

Entendemos que esse programa

é fundamental. Mas ele só não basta.

Acho que temos que estar antenados

com a demanda da sociedade, com o

entendimento das suas expectativas e

gerar valor através de inovação, através

da entrega de novas soluções em capitalização.

Sempre ancorado nesse novo

posicionamento, que é da capitalização

como solução de negócios com sorteio.

“Precisamos

unir ainda mais

as federações

para acelerarmos

aquilo que está

para ser aprovado

na Susep, no

parlamento e

também na ANS”

MARCIO CORIOLANO

presidente da CNseg

APÓLICE: Acredita que a capitalização

tem regulamentação suficiente para ser

compreendida no Brasil?

Marco Barros: Essa é outra discussão

que facilita o entendimento da

sociedade: redefinir os marcos regulatórios.

A gente vem discutindo isso

com intensidade há algum tempo, junto

com a Susep, e nós temos expectativa

que em 2016 possamos estar sentados

juntos, criando grupos estratégicos para

entender qual o grau de necessidade que

o mercado tem, dada à sua maturidade,

complexidade e momento econômico.

Temos que gerar coisas externas positivas

para que possamos alavancar o

segmento de capitalização. Aí sim ele

será um grande instrumento de educação

para a sociedade. Nosso primeiro

passo é investir na lógica da formação

da poupança, para criar valor por meio

da disciplina financeira e entendendo

que os objetivos são alcançados com

o tempo.

APÓLICE: Quais as expectativas e

novidades para 2016?

Marco Barros: Destacamos a definição

do novo posicionamento estratégico

da capitalização que consiste na

oferta de um conjunto de soluções de

negócios com sorteios e atendimento às

novas demandas dos consumidores e da

sociedade. Temos uma agenda positiva

par aos próximos anos’. A educação em

8


seguros continuará sendo a linha de

frente das prioridades da FenaCap e ela

já prepara uma campanha muito forte

para o ano de 2016. Queremos inovar

e criar soluções para novas demandas

de consumidores, aprimorando nossa

comunicação com os consumidores para

que eles saibam o que estão comprando.

Aperfeiçoar o processo de esclarecimento

para consumidores e distribuidores,

por meio de um sólido programa de

educação em seguros.

< FenSeg >

APÓLICE: Quais serão as prioridades

da gestão da FenSeg?

João Francisco: A prioridade básica

da nossa gestão será, realmente, dar

continuidade ao bom trabalho que vem

sendo executado pela FenSeg durante a

gestão do Paulo Marraccini, e que toda

a equipe realizou.

Queremos dar ênfase à questão do

seguro de auto popular, que está em audiência

publica. Nós já fizemos as nossas

sugestões, recomendações e esperamos

que, em um curto espaço de tempo,

este produto possa entrar no mercado

para darmos continuidade ao plano de

expansão e aumento de penetração da

carteira de seguros na base da população

e da sociedade no Brasil.

APÓLICE: Para além do que já está

sendo feito, quais serão os outros pilares

da gestão?

João Francisco: Não menos importante,

nós trataremos de outros pilares

do segmento de seguros de ramos

elementares, como o seguro agrícola,

seguro rural, seguros de grandes riscos,

principalmente as linhas financeiras,

D&O e seguros industriais. O segmento

de garantia, que vem se expandindo com

taxas expressivas, e também o segmento

habitacional.

APÓLICE: Como a entidade agirá

dentro do mercado?

João Francisco: Faremos uma

aproximação maior da FenSeg com os

sindicatos estaduais das seguradoras,

fazendo com que nossa pauta se insira

mais nas pautas dos sindicatos estaduais

e que as necessidades e os problemas

estaduais também façam parte da agenda

nacional da federação.

< FenaPrevi >

APÓLICE: Você já fazia parte da gestão

de Osvaldo Nascimento. Como será

a FenaPrevi daqui em diante?

Edson Franco: O projeto que nós

vamos levar nos próximos três anos

é de continuidade da gestão anterior.

Inauguramos um plano estratégico bastante

detalhado que se divide em várias

dimensões, produtos e distribuição, com

diversos desafios que tratamos junto com

os nossos corretores, que são nossas

forças de vendas.

APÓLICE: O Universal Life e o Previsaúde

estão perto de serem aprovados.

Qual será a abordagem da entidade

para informar a sociedade?

Edson Franco: Do ponto de vista de

produtos, tanto de acumulação como de

risco, temos primeiramente que tirá-los

da boca do forno e continuar trabalhando

nos desafios que nós temos de modernização

desse segmento. E, sobretudo, nos

apropriarmos da responsabilidade que eu

acho que temos de alertar e conscientizar

os consumidores brasileiros em relação

à importância e urgência de se tratar das

questões de proteção financeira familiar

e proteção de renda em função, principalmente,

das irreversíveis transformações

demográficas e econômicas pelas quais

nosso país está passando.

APÓLICE: O momento é propício para

esses lançamentos?

Edson Franco: Talvez esse não seja

o momento mais propício para fazer

o lançamento de um produto, mas, no

longo prazo, a mudança e renovação do

portfólio podem se tornar trunfos importantes.

Em um primeiro momento, o

impacto que sentimos é o consumo, mas,

ao mesmo tempo, as pessoas ficam mais

prudentes, pensando mais em proteção

para o futuro. Agora, se o País não crescer

e se continuarmos com desemprego,

isso não é benéfico para nenhum setor

da economia, nem o nosso.

9


painel

Oferta de seguros

O Google desativou o Google

Compare, seu site nos Estados Unidos

de comparação de seguro automotivo

que entrou em operação há um ano.

Na Grã-Bretanha e no próprio Estados

Unidos, os serviços diminuiram seu

ritmo gradualmente e se encerraram no

dia 23 de março.

De acordo com o presidente do Sincor-SP,

Alexandre Camillo, a decisão

do Google comprova de modo inquestionável

a importância do corretor de

seguros como elo entre as companhias

seguradoras e o consumidor, na contratação

de uma apólice. Trata-se de uma

reversão em uma tendência em relação

ao papel dos corretores de seguros. Não

dá para ter uma venda 100% online.

“A venda de seguros exige profissionais

capacitados, aptos a entender e

interpretar em minúcias as necessidades

específicas de cada consumidor e assim

oferecer apólices com coberturas e con-

10

online

reconhecimento

Selo de educação financeira

Após ser reconhecido pelo programa

estatal Estratégia Nacional de

Educação Financeira (Enef), ligado ao

Comitê Nacional de Educação Financeira

(Conef), o My Finance Coach (MFC),

programa criado pelo Grupo Allianz,

recebeu a autorização para a utilização

do selo em sua comunicação.

A utilização do selo exalta a importância

do recebimento da certificação,

conquistada em novembro do ano passado.

Criado em 2014, o selo Enef identifica

iniciativas que cumprem objetivos

e diretrizes da Estratégia Nacional de

Educação Financeira – política pública

com a finalidade de contribuir para o

fortalecimento da cidadania, eficiência

e solidez do sistema financeiro nacional

e a tomada de decisões conscientes por

parte dos consumidores.

Para receber o reconhecimento

Enef, o programa My Finance Coach

dições que proporcionem a melhor relação

custo-benefício para o consumidor e

a fidelização de clientes às seguradoras.”,

afirma o executivo.

deveria obedecer a critérios como ser

inclusivo e gratuito, trabalhar conteúdos

voltados à cidadania, consumo responsável,

orçamento pessoal e familiar,

poupança e investimento, planejamento

financeiro, entre outros.

resseguro

Licença para operar

no Brasil

A RGA recebeu, no dia 1º de

março, a licença da Susep para operar

como resseguradora admitida de vida

e saúde no Brasil. “Estamos satisfeitos

em expandir nossa presença no Brasil”,

disse Ronald Poon Affat, CEO

da representante da RGA baseada em

São Paulo. “Vários dos nossos grandes

clientes globais já operam aqui ao lado

de muitas seguradoras locais fortes.

Estamos ansiosos para operar com

estes clientes e ajudá-los a crescer e a

gerenciar suas empresas”.

A resseguradora oferece produtos

e serviços, incluindo atividades de

vida individual, resseguro de benefícios

de vida, saúde individual, resseguro

em grupo e soluções financeiras.

Prêmios da

Previdência Complementar

Aberta

cresce 18%

^

congresso

1º Conseg-NE

O Sincor-RN será o anfitrião

do 1º Congresso de Corretores de

Seguros do Nordeste (1º Conseg-

-NE). O evento, que terá como tema

“Os desafios do setor de seguros e o

fortalecimento do mercado na região”,

acontecerá entre os dias 9 e 10 de

junho em Natal (RN) e será realizado

em conjunto com os Sincor’s de

Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba,

Pernambuco, Piauí e Sergipe.

As inscrições já estão abertas.

Para corretores de seguros sócios ou

acompanhantes, os investimentos são

de R$ 200 (até 31/03), R$ 250 (até

30/04) e R$ 300 (até o evento). Já para

os corretores de seguros não sócios ou

acompanhantes, os valores passam

para R$ 300 (até 31/03), R$ 350 (até

30/04) e R$ 400 (até o evento).


painel

nicho

Proteção para

perfumarias

A Porto Seguro lançou o Porto

Seguro Perfumarias, o primeiro

seguro voltado às perfumarias de

pequeno, médio ou grande porte.

O novo seguro possui coberturas

que atendem o segmento, começando

com a básica, que conta

com incidentes de diversas naturezas

como incêndio, explosão,

implosão e fumaça, até as coberturas

adicionais e especiais, que

podem ser contratadas de acordo

com a necessidade de cada estabelecimento.

“O setor mostra que seu desenvolvimento

e potencial são

constantes e as empresas, independentemente

de seus tamanhos,

entendem que a proteção aos seus

estabelecimentos é essencial,

pois permite mais segurança e

estabilidade diante de imprevistos”,

comenta Jarbas Medeiros,

superintendente de Ramos Elementares

da seguradora.

De acordo com a Euromonitor

International, especializada

em pesquisas estratégicas para o

mercado de consumo, o Brasil é

o terceiro maior mercado consumidor

de produtos de perfumaria,

higiene e cosméticos e possui

mais de 180 mil empresas ativas

no País.

resultados

Relatório anual de riscos políticos

Em 2015, alguns países viram boas

reduções de seus riscos políticos para

2016, de acordo com os resultados do

Mapa Anual de Risco Político, desenvolvido

pela Aon. O relatório analisou

168 mercados emergentes e mostrou

que, apesar do aumento dos riscos econômicos

causados pela baixa no preço

de commodities, reformas políticas e

econômicas ajudaram muitos mercados

emergentes a reduzir os riscos políticos,

segundo Karl Hennessy, presidente

da Aon Broking e CEO da Aon Global

Broking Centre em Londres. “Contudo, a

fraqueza na economia global pode causar

aumentos significativos nos riscos políticos

dentro dos países e efeitos colaterais

em outros estados”, comentou o executivo

no comunicado.

Para a companhia, a duradoura

recessão no Brasil é um risco que se

sobressai, especialmente porque será a

sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Hoje,

o País está classificado como de “médio”

risco no mapa. “No longo prazo, o am-

evento

Celebração da nova marca

A seguradora Chubb deu início às

comemorações da sua nova marca com

a realização de um coquetel, em São

Paulo. O evento contou com a presença

dos principais executivos da companhia,

entre eles, o presidente Regional da

América Latina, Jorge Luis Cazar, e o

presidente da Chubb no Brasil, Antonio

Trindade.

“É um verdadeiro prazer poder estar

aqui compartilhando o nosso primeiro

evento como a nova Chubb, em que duas

empresas que antes operavam separadamente

estão trabalhando em um processo

de integração para passar a ser uma

biente de negócios está sendo enfraquecido

pelo desempenho econômico ruim,

e isso pode se tornar um problema cada

vez maior para as empresas que operam

no Brasil”, apontou Paul Domjan, diretor

executivo da Roubini Global Economics,

empresa que auxiliou a corretora a realizar

a pesquisa. O especialista acrescentou

ainda que “os mecanismos que poderiam

amortecer a crise do Brasil estão se desgastando,

e o potencial enraizamento

da corrupção está trazendo danos com

efeitos colaterais significativos, como

casos que demandam trabalho pelas vias

jurídicas e legais”.

só grande companhia”, afirmou Cazar.

Trindade afirmou que o evento é

uma oportunidade de reunir os parceiros

e apresentar a nova seguradora, que

nasce com um DNA compartilhado que

se baseia em três premissas: subscrição,

atendimento e execução superiores.

“Aproveito para ressaltar a importância

de todos que têm participado previamente

deste processo de integração e,

principalmente, a contribuição constante

dos nossos corretores e centrais

de negócios que representam parcerias

imprescindíveis para o crescimento

desta nova operação”, complementou.

12


índice

Alta de confiança no setor

No primeiro bimestre de 2016, o

Índice de Confiança do Setor de Seguros

(ICSS) teve alta de 1,8%, de acordo

com uma pesquisa da Fenacor. “Nosso

setor continua na expectativa do que

pode acontecer nos próximos meses. Os

dois primeiros meses do ano são sempre

marcados por férias, Carnaval. Agora

sim, o ano começará e queremos checar

como estará a confiança dos empresários”,

comenta o presidente da entidade,

Armando Vergilio.

Os percentuais são calculados a

partir de pesquisa realizada pela Federação

com 100 grandes empresas do setor,

que optaram por percentuais de zero

a 200 para a confiança na economia,

rentabilidade e faturamento. Também

foram apurados outros três indicadores:

ICSS (de confiança do setor de seguros

no Brasil), ICER (Índice de Confiança

e Expectativas das Resseguradoras) e

ICGC (Índice de Confiança das Grandes

Corretoras).

No ano, a variação do ICES foi a

maior: 4,8%. Mas ainda não há o que

comemorar pelo fato dos índices estarem

muito baixos. No cálculo do ICSS, o ICES

foi o fator que puxou o indicador para

baixo, com variação negativa de -1,4%.


painel

seguradora

Corretores para produtos alternativos

A seguradora Suhai pretende incrementar a cobertura de roubo e

furto de veículos de baixo valor, normalmente rejeitados pelo mercado,

para dar continuidade ao seu crescimento, que foi de 100% em 2015,

atingindo a marca de 40 mil itens no período. Ela deve acrescentar os

itens de perda total por colisão e o seguro para terceiros – apontados em

pesquisa feita pela empresa, com clientes e não clientes, como itens que

também atraem quem não tem nenhum tipo de proteção. As coberturas

devem ser inseridas no portfólio da empresa ainda no primeiro semestre.

As assessorias e os corretores de seguros serão a base para a seguradora

expandir seus negócios. “As grandes companhias de seguros focam

em um mercado com menos sinistralidade e, às vezes, até com menos

problemas, o que é correto dentro da estratégia. Por outro lado, isso

gera oportunidade e uma grande falta para quem não possui seguro”,

explicou Marco Suhai, presidente do Conselho de Administração do

Grupo Suhai, deixando claro que a empresa não pretende concorrer com

as companhias tradicionais. “Os produtos são alternativos e também

foram feitos para acrescentar à carteira dos corretores”.

A seguradora participou de eventos promovidos por duas entidades:

a Aconseg - Associação das Consultorias de Seguros - e o Clube

dos Corretores dos Corretores de Seguros de São Paulo.

diretoria

Detecção de problemas financeiros

O superintendente da Susep, Roberto Westenberger, anunciou em

evento da CNseg, no Rio de Janeiro, que trabalha para criar a Diretoria

de Conduta de Mercado, cujo objetivo será detectar sinais de problemas

em relação à saúde financeira das seguradoras. “Quando os problemas

chegam aos números, nem sempre há tempo para se agir com eficiência”,

disse Westenberger.

O superintendente afirmou

que “é na conduta desviante

que é possível perceber

os primeiros sinais da saúde

financeira de uma seguradora”.

Temos que usar um

conceito de supervisão prudencial,

a ‘Smart Regulation’,

com uso intensivo de tecnologia

da informação.

Em dezembro,

a saúde suplementar

registrou

perda de 766 mil

beneficiários

^

Espaço no mercado de

seguros para frotas

A exemplo do que vem acontecendo

com as soluções tecnológicas para o ramo de

vida, a GTI Solution vem conquistando espaço

no mercado de seguros para frotas. A empresa

iniciou a implantação da solução em mais um

novo cliente, a seguradora Mitsui Sumitomo.

Para Giuliano Borro, diretor de tecnologia,

operações e sinistros da Mitsui Sumitomo, o

objetivo da companhia é aumentar o nível de

automação da operação, para que a equipe

técnica fique cada vez mais focada nos casos

em que a avaliação do risco é mais complexa

e precisa de um olhar mais apurado na cotação.

“Fomos ao mercado e, depois de avaliar

as ofertas, vimos que a solução da GTI apresentava

a melhor relação de custo-benefício”.

Segundo Marina Handa Machado, diretora

de Operações da GTI Solution, as possibilidades

de customização do sistema são um

diferencial. “A ferramenta recebe os dados

do corretor, que, muitas vezes, chegam de

maneira desestruturada, processa e entrega

uma cotação. A partir daí é possível realizar

alterações, de valor de franquia, por exemplo,

e o sistema recalcula o prêmio automaticamente

em segundos.

Fica a cargo do cliente escolher se a ferramenta

será acessada somente pela equipe

interna ou se será também uma interface de

trabalho para o corretor, que poderá fazer a

cotação e enviar a proposta para o segurado

sem a necessidade de interação direta com

a companhia, o que torna o processo mais

ágil e seguro.

Giuliano Borro, diretor de tecnologia, operações e

sinistros da Mitsui Sumitomo

14


operadora

Gestão Profissional inicia 6º ano de atuação

O projeto Gestão Profissional Ameplan

é baseado nos conceitos elencados

pelo Instituto Brasileiro de Governança

Corporativa (IBGC) de transparência,

equidade, responsabilidade corporativa

e “working together”, criando valor na

qualidade da gestão, na longevidade da

organização e no posicionamento efetivo

da marca da empresa.

Desde sua implantação, e durante

os cinco anos da Gestão Profissional

Ameplan, foram realizadas diversas

ações de reestruturação interna em

recursos humanos e no aprimoramento

do modelo de negócio, produtos e rede

de atendimento, além de investimentos

diversos, que influenciaram no crescimento

da operadora, com consequente

reposicionamento da marca no mercado

e aumento da carteira de beneficiários.

José Silva dos Santos, diretor Administrativo

Financeiro da Ameplan e

responsável pela implantação do projeto

Gestão Profissional na empresa, informou

que um dos fatores fundamentais do sucesso

deste programa foi a valorização

dos profissionais da casa, onde foram delegadas

autonomias e responsabilidades,

além de treinamentos e profissionalização

de todas as áreas, criando um conjunto

eficiente de mecanismos culturais, incentivos,

especializações e monitoramento,

para que o foco da equipe estivesse sempre

alinhado com o objetivo principal da

empresa, de ser reconhecida no mercado

pela ética, profissionalismo e excelência

no atendimento.

“Como exemplo”, comenta Silva,

“podemos citar projetos de reformulação

total em Tecnologia da Informação,

revisão e melhoria de contratos com

prestadores, reestruturação de setores

internos e, principalmente, a adoção do

conceito “working together”, com comprometimento

de todos e visão geral do

todo como um elemento único de gestão.

Neste 6º ano de atuação, a equipe

se prepara para mais ações estratégicas,

consolidando a evolução nos setores de

atendimento, que são um dos principais

pilares da operadora, alinhado às melhores

práticas de mercado, sustentabilidade

e responsabilidade social.


GENTE

Novidades para

comercial em

Varejo

Diretor para a área

de Property

A resseguradora Allianz Global

Corporate & Specialty (AGCS

Brasil) apresentou seu novo diretor

da área de Property para o Brasil:

Felipe Orsi. Com aproximadamente

15 anos de atuação profissional em

grandes multinacionais das áreas de

seguros e resseguros, o executivo

continuará baseado no escritório

da AGCS em São Paulo, onde já

dedicava-se na área de Engenharia

da AGCS desde 2014.

João Luiz de Lima

A Tokio Marine anunciou João

Luiz de Lima como diretor Comercial

Nacional Varejo. Com 36 anos de

carreira na área de seguros, sendo 17

anos na própria seguradora, Lima foi

escolhido para ocupar uma posição

estratégica e terá como uma de suas

missões manter a expansão do canal

Varejo, que hoje representa 71,5% da

produção da companhia, que foi de R$

3,82 bilhões em 2015.

George Dutra, que atua no mercado

de seguros desde 2005, foi o escolhido

para assumir a mesma função para São

Paulo – Capital e tem como principais

desafios dar continuidade ao trabalho realizado

pela gestão anterior e fortalecer

o relacionamento com corretores e assessorias

das oito sucursais da regional.

George Dutra

Superintendente

comercial para

RJ e ES

Karine Brandão chega a

Axa Brasil para a superintendência

comercial do Rio de Janeiro

e Espírito Santo.

Entre os desafios iniciais,

Karine terá a missão de consolidar

a sinergia SulAmérica e Axa,

que desde 2006 mantêm uma

parceria no País em seguros de

ramos elementares e anunciaram

recentemente que fecharam o

acordo de aquisição por parte da

seguradora francesa, através da

Axa Corporate Solutions Brasil

e América Latina, da divisão

de grandes riscos da seguradora

brasileira.

Diretor na regional

de Minas Gerais

Sérgio Prates é o novo diretor da

Regional Minas Gerais da Icatu Seguros.

Há 12 na companhia, Sérgio ocupava o

cargo de Superintendente de Produtos

de Previdência.

À frente da Icatu Seguros em Minas

Gerais, cuja sede da filial é em Belo

Horizonte, Prates planeja um crescimento

de mais de 30% no faturamento

da regional em 2016. Para conquistar

esse objetivo, sua missão é aumentar a

penetração da Icatu Seguros no mercado

mineiro de Seguros de Vida, Previdência

Privada e Capitalização, conquistando

novos clientes, captando novos distribuidores

e ampliando as parcerias atuais

com corretores.

16


GENTE

Diretoria para Auto

e Massificados

A SulAmérica anunciou a criação da

diretoria de Precificação e Subscrição de

Riscos para a vice-presidência de Auto e

Massificados. Amanda Senedesi assume

como executiva responsável pela área,

reportando-se ao vice-presidente de Auto

e Massificados, Eduardo Dal Ri.

Amanda integra os quadros da

companhia há dois anos, tendo ocupado

anteriormente o cargo de superintendente

na mesma vice-presidência. Além da

atuação no setor de seguros, a diretora

foi responsável por estratégia e análise de

riscos no setor bancário e em consultorias

especializadas.

Anúncio de novo

gerente nacional

comercial

Marco Antônio Vieira

Mattos assumiu a gerência nacional

comercial do GBOEX.

Em sua nova função, o executivo

auxiliará no desenvolvimento de

novos produtos e vai assessorar

todas as atividades comerciais

da entidade.

Atuando desde 2014 na empresa,

Mattos inicialmente assumiu

a gerência da unidade de

negócios de Florianópolis e a

gerência regional Sul do GBOEX,

cargo que ocupava até então.

Renovação na

presidência

Renato Pedroso assumiu a presidência

da Previsul Seguradora. O executivo

passou a ocupar a posição de diretor de

negócios da mesma companhia.

“O desafio é ter 32 anos e estar à

frente de uma empresa com 109 anos”,

diz Pedroso. “Estamos vivendo em um

mundo com muitas mudanças tecnológicas

e o jovem tem o perfil de se atualizar

mais. Agora a experiência do profissional

é medida de outra maneira, além da

tecnologia, está atrelada a maior preocupação

com o relacionamento pessoal

e não apenas com a entrega do produto”,

lembra ele.

Comando do próximo triênio

Mauro César Batista

O Sindseg-SP teve a aprovação do

mandato da sua diretoria para o triênio

2016-2019 que, reunida em chapa única,

foi eleita por unanimidade pelas empresas

do setor. “Todos nós mantemos

a firme vontade de ser contributivos e

convergentes na busca de novas conquistas

para a indústria seguradora, para

o Estado e para a população do País”,

disse o presidente da entidade, Mauro

César Batista.

Para o Sudeste e o Centro-Oeste,

Augusto de Matos foi reeleito presidente

do Sindseg MG/GO/MT/DF. “Somos

gratos às companhias associadas pelo

reconhecimento e pela confiança depositada

em nós, para mais um mandato à

frente da entidade, declarou Matos.

Augusto de Matos

18


direto de londres

por Luciano Máximo*

Solvência II

entra em vigor

Na coluna Direto de Londres desta edição eu

resolvi me aventurar por um tema complexo, mas

vital para a operação do mercado segurador europeu

a partir deste ano. Desde 1º de janeiro, finalmente

começou a valer a regra Solvência II para as seguradoras

com negócios na União Europeia. Finalmente

porque a Solvência II é uma legislação aprovada pelo

Parlamento Europeu em abril de 2009 na esteira da

crise financeira internacional de 2008, que devido a

um frágil ambiente regulatório provocou quebradeiras

generalizadas de instituições financeiras, tendo

seguradoras no olho do furacão. Quem não se lembra

da quase-falência da AIG nos Estados Unidos ou da

necessidade de socorro estatal da gigante holandesa

ING Group?

Simplificando, a regulamentação Solvência II,

como diz o próprio nome, tem como objetivo tornar

as seguradoras financeiramente mais solventes em

relação aos riscos segurados em suas apólices. É

a mudança mais importante dos últimos 30 anos,

desde Basileia I, em termos de regulação do mercado

financeiro, incluso o setor de seguros. Solvência II é

um arcabouço de regras mais exigentes no que diz

respeito à análise de risco e ao cálculo de solvência

de capital, além de estabelecer uma supervisão

muito mais ativa que os tempos pré-crise por parte

dos órgãos reguladores e critérios que trazem mais

transparência e governança – os chamados 3 Pilares

da Solvência II. Desde a aprovação pelos políticos

europeus, como resposta às causas da crise financeira

internacional, as seguradoras europeias trabalhavam

intensamente para o pontapé inicial da Solvência II a

partir de 2016, inclusive passando por muitos testes

de estresse feitos por autoridades em níveis nacional

e continental (Parlamento Europeu, Banco Central

Europeu, por exemplo).

Em resumo, nos últimos sete anos as seguradoras

vinham se esforçando para ter uma maior adequação

de seu capital em face aos riscos assumidos. Ou

seja, se desdobraram para atender às novas e mais

complexas exigências de capital: revendo modelos e

cálculos de análise de risco, criando novos processos,

vendendo ativos, cortando custos, aumentando

preços de apólices etc. Por exemplo, Solvência II

prevê que o Requisito de Capital de Solvência (SCR

na sigla em inglês) seja correspondente ao valor do

risco assumido pela seguradora em sua carteira de

negócios (Value-at-Risk, VaR), com um nível de

confiança de 99,5% para o horizonte temporal de um

ano (bem superior ao vigente anteriormente). Prevê

também um limite mínimo absoluto para o Requisito

Mínimo de Capital (MCR na sigla em inglês) para

atuação no setor. Além de todas essas transformações

quantitativas, Solvência II introduz também

critérios qualitativos de governança e processo de

supervisão (exigência de maior transparência na

prestação de informação às autoridades reguladoras

e “stakeholders”).

“É uma verdadeira renovação com o objetivo de

tornar o negócio seguro mais sólido e transparente.

Solvência II começa com requerimento de capital,

que é uma parte fundamental de um sistema de

solvência, pois se caracteriza como instrumento

absorvente de choques contra perdas não esperadas

e garante cumprimento de obrigações com segurados

e financiamento do crescimento da empresa

e da economia como um todo. Essa noção de adequação

de capital do negócio é complementada por

melhores processos internos e mais transparência na

operação empresarial e na sua relação com supervisores

do setor”, explica Mark Wendan, professor

de finanças e especialista em seguros baseado em

Londres.

Na prática, a implementação da Solvência II

vem sendo gestada desde 2009 e todas as seguradoras

europeias já operam conforme a nova regulamentação,

das pequenas às multinacionais. As grandes

empresas nadaram de braçada nesse processo.

Na teleconferência de imprensa que anunciou os

resultados de 2015, o diretor financeiro da Allianz,

Dieter Wemmer, disse que o nível de capitalização

(coeficiente de capital) da empresa, motivado pelas

exigências da Solvência II, chegou a 200% no ano –

isso quer dizer que a Allianz é solvente o suficiente

20


para cobrir em até duas vezes todos os

seus riscos operacionais, capacidade

bem superior à exigida pelas novas

regras do setor.

“O forte desempenho em nossas

operações de seguros, somado às taxas

de desempenho em gestão de ativos

no quarto trimestre, conduziu nosso

resultado operacional do ano todo a

um nível próximo do topo da meta

estabelecida. A gestão ativa de riscos

levou a um forte coeficiente de capital

na marca dos 200% sob as regras da

Solvência II, nos deixando bem preparados

para os mercados voláteis da

atualidade”, declarou Wemmer.

Já a realidade das pequenas seguradoras

é diferente no contexto da

Solvência II e há até uma grita: por

terem menos capacidade técnica para

implementar mudanças e menos margem

financeira para elevar o coeficiente

de capitalização, empresas de seguro

de menor porte na Europa argumentam

que a competitividade do setor estará

prejudicada neste ano. E quando o

assunto é competitividade, a vantagem

no negócio é, claramente, das grandes

empresas, como a Allianz. “Nesse

contexto, as seguradoras menores estarão

permanentemente brincando de

caça e caçador com as empresas mais

poderosas do mercado”, confidenciou

um corretor do Lloyd’s of London.

No estudo “Implicações estratégicas

decorrentes da Solvência II”,

recentemente divulgado pela KPMG,

o responsável global pela área de seguros,

Gary Reader, sentenciou que

o novo cenário regulatório acelerará

incorporações de pequenas seguradoras

pelos grandes grupos. “Nosso

departamento de fusões e aquisições

identificou uma nova tendência num

futuro próximo. Solvência II funcionará

como um acelerador da dinâmica

de consolidação de mercado [fusão e

Os três pilares do Solvência II

Pilar 1:

Aborda requisitos

quantitativos, onde se

incluem critérios harmonizados

de cálculo

de provisões técnicas

e outros mecanismos

de segurança, como

o requisito de capital

de solvência e o

requisito de capital

mínimo.

Pilar 2:

Contempla requisitos

qualitativos:

termos de governança,

controle

interno, gestão de

risco e processo de

supervisão.

Dieter Wemmer, da Allianz

Pilar 3:

Engloba requisitos

de transparência

e de prestação

de informação às

autoridades de

supervisão e aos

demais “stakeholders”.

aquisição]. É difícil fazer previsões,

mas sem dúvida não haverá surpresas.

Agilidade e rapidez de execução

serão características decisivas das

seguradoras a liderar a indústria nos

próximos dois anos”, projeta Reader.

Não se trata apenas de uma grita

das pequenas seguradoras. O Banco

Central da Inglaterra e o Ministério

da Fazenda britânico manifestaram

publicamente preocupação sobre o

eventual impacto que o novo regimen

Solvência II terá em termos de

competitividade e, também publicamente,

solicitaram revisão das regras

aos reguladores europeus.

De acordo com nota oficial do

BC inglês, “nossa experiência de

aplicação da Solvência II já está

levantando questões em torno do

impacto do quadro de investimento

a longo prazo e da competitividade

do setor segurador europeu”. O

comunicado oficial da Fazenda

britânica foi mais direto: “Qualquer

aplicação incoerente irá minar o

princípio econômico do mercado

único europeu. O impacto da

Solvência II sobre a competitividade

dos membros da comunidade

econômica europeia, na ausência

contínua de um padrão global para

a regulamentação de seguros, deve

ser considerado”.

Não é novidade que uma mudança

das proporções do regime

de Solvência II, mesmo feita a

conta-gotas e ao longo de vários

anos, nunca será unanimidade, pois

exige trabalho duro e saída da zona

de conforto por parte dos atores

envolvidos no processo. O momento

é de olhar para frente e incorporar

mudanças com um olhar positivo

e empreendedor, pois melhor um

mercado seguro – solvente, de fato

– do que reviver incertezas de um

tempo não muito distante em que

regulação não era um pilar levado

muito a sério.

* Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o

setor de seguros e resseguros na Gazeta Mercantil

21


capa | automóvel

Novas alternativas

para o seguro de carro

22


Empresa evolui em

sua atuação e busca

alternativas para

disseminar o seguro

de automóvel entre

as pessoas que não

têm seguro

Kelly Lubiato

O

cenário do seguro de automóvel

no Brasil sempre patinou

na casa dos cerca de 30% de

penetração na frota nacional,

estimada pelo Departamento Nacional de

Trânsito em 88 milhões de veículos (entre

carros, motos, ônibus e caminhões). Em

outras palavras, a quantidade de veículos

com algum tipo de cobertura de seguro,

além do oficial, é pequena. Ampliar as

opções de produto para o consumidor

foi a maneira encontrada pela Ituran de

atingir um novo público. A empresa, que

atua como solução em rastreamento e

recuperação veicular para as operações

de seguradoras desde sua chegada ao

Brasil em 2000, conseguiu agregar aos

seus produtos a cobertura de seguro.

“Ainda hoje somos o maior fornecedor de

rastreadores para o mercado segurador”,

enfatiza Alon Lederman, vice-presidente

da empresa.

Há cerca de seis anos, a empresa

identificou um mercado inexplorado,

com grande potencial: os veículos sem

nenhum tipo de seguro. Isso aconteceu

porque além das seguradoras, a empresa

atende também o varejo de forma geral.

O produto Ituran com Seguro surgiu

justamente para atender a este mercado.

“Em parceria com duas grandes seguradoras

internacionais (Mapfre e BNP Paribas

Cardif), criamos o produto perfeito

para este público”, conta o executivo. Se

o veículo for roubado e não recuperado,

uma das duas seguradoras parceiras indenizará

o segurado em 100% do valor

do veículo referenciado na Tabela Fipe.

O público do Ituran com Seguro são

os clientes que não querem ficar sem

nenhuma cobertura no seu veículo, mas

não conseguem pagar o prêmio do seguro

tradicional. São, na grande maioria,

jovens, moradores de áreas consideradas

de maior risco e com veículos com mais

de cinco anos de uso.

Ituran com Seguro

O produto é comercializado junto

com o rastreador distribuído pela empresa.

Com um pagamento adicional,

o segurado adquire a cobertura contra

roubo e furto qualificado, com indenização

de 100% do valor do veículo. Além

disso, o segurado ainda tem o direito a

fazer cinco acionamentos da Assistência

24 horas durante a vigência da apólice

para serviços de guincho, pane elétrica,

troca de pneus e transporte alternativo.

No ano passado, a Ituran passou a

oferecer aos seus clientes a opção de

contratação de coberturas adicionais

de terceiros e/ou perda total por colisão

pagando apenas R$ 50,00 (cada) a mais

na mensalidade, ampliando ainda mais

a proteção do veículo e também, se

protegendo contra despesas envolvendo

terceiros com direito a indenizações

contra Danos Materiais (R$ 50.000,00),

Danos Corporais (R$ 50.000,00) e Danos

Morais (R$ 5.000,00).

É provável que a queda do nível da

atividade econômica no Brasil e as constantes

retrações na indústria automotiva

colaborem para aumentar a penetração

deste produto. O próprio mercado segurador

busca alternativas para baratear o

seu custo, como o seguro auto popular,

que permite que sejam utilizadas peças

recicladas ou novas sem a marca da

montadora. “Acreditamos que o seguro

auto popular vai contribuir ainda mais

com a expansão do Ituran com Seguro,

visto que poderemos agregar ao produto

coberturas que hoje não são ofertadas”,

esclarece Lederman.

Ao contrário do que acontece com

os seguros tradicionais, a cobertura da

apólice é para Perda Total decorrente

de Roubo/Furto. Se o veículo for recuperado

danificado e com partes e peças

faltantes com montante superior a 75%

do seu valor (o que caracteriza a Perda

Total), o cliente será indenizado. Se os

❙❙Alon Lederman, vice-presidente e Roberto Posternak, diretor comercial

23


automóvel

danos forem abaixo de 75% (que caracteriza

a perda parcial), o cliente não será

indenizado.

Com a palavra, os corretores!

Produto para caminhões

O produto Ituran com Seguro para

Caminhões foi lançado em fevereiro, depois

de muita análise de mercado. “Percebemos

que este nicho de caminhões

carece de uma solução semelhante à

que já vínhamos oferecendo aos carros

de passeio. Agora os caminhoneiros já

podem contratar esta opção com mensalidades

a partir de R$ 239,00”, avisa

Lederman.

O conceito é o mesmo. A cobertura

é contra Perda Total decorrente de

Roubo/Furto com indenização de 100%

da FIPE em casos de não recuperação

do caminhão. O caminhoneiro pode

optar por uma cobertura opcional de

RCF com indenizações contra Danos

Materiais (R$ 100.000,00), Danos

Corporais (R$ 100.000,00) e Danos

Morais (R$ 5.000,00) pagando apenas

R$ 99,00 a mais na mensalidade. Não há

cobertura dos implementos adicionados

ao caminhão.

Corretores: Longa Parceria

com a Ituran

A parceria com os corretores de

seguro é um dos grandes diferenciais

da Ituran. A empresa foi a primeira do

setor a contar com a força dos corretores

para divulgar o produto. “Nossa parceria

24

“Começamos a operação

com eles mais recentemente,

porque dependíamos da integração

dos sistemas, dado que

nosso processo tem um fluxo

operacional. Percebemos que

de um curto espaço de tempo

para cá, há maior interesse do

público pelo produto, porque é

um produto que acaba atingindo

uma faixa de clientes que não

é atendida pelas seguradoras.

Nós não queremos canibalizar

os produtos de seguros

que temos aqui. Quando percebemos

que o cliente não consegue

colocar seu risco numa

seguradora, ou está com algum

problema de falta de dinheiro,

nós partimos para um plano B.

Temos algumas ofertas neste

segmento, mas a Ituran lidera

neste nicho.

Este produto não deve ser

concorrente do seguro popular,

que visa um nicho que busca

a cobertura compreensiva. É

um produto bastante flexível,

porque ele não vê perfil, não

verifica Serasa, então facilita o

atendimento a uma parcela de

clientes.”

Marcelo Blay

Minuto Seguros

“O produto atende as necessidades

e as exigências do novo

consumidor. É um produto inovador,

com condições excepcionais

para os proprietários de veículos,

principalmente para aqueles que

não têm condições de contratar

um plano completo.

É importante ressaltar que

no momento da venda deve ser

levada em consideração a credibilidade

da Ituran, uma empresa

israelense com o propósito de

evoluir junto com o mercado de

automóvel, proporcionando a

novos consumidores a oportunidades

de proteger seu bem.”

Pedro Barbato

presidente da Câmara dos

Corretores de Seguros

iniciou-se há 13 anos! Hoje são mais de

3 mil corretores cadastrados e ativos.

Os corretores de seguros identificaram

na Ituran uma excelente oportunidade

para não perder negócios. A famosa

“carta na manga”. Ao ver que seu

cliente não tem condições de contratar

um seguro compreensivo, os corretores

apresentam o Ituran com Seguro. Uma

opção que não é completa como o seguro

compreensivo, mas que garante

os principais riscos e garante uma


emuneração média de 15% sobre o valor

do prêmio”, comenta Roberto Posternak,

diretor comercial da Ituran.

Apesar da Ituran ter sido a pioneira

deste mercado, já existem outras empresas

comercializando produtos similares.

O executivo acredita que a maior diferença

está nas seguradoras parceiras.

“A solidez de duas parcerias comerciais

como a Mapfre e BNP Paribas vale

muito para a Ituran, corretoras e segurados,

nos diferenciando ainda mais dos

demais players do mercado”, classifca

Posternak. Além disso, a possibilidade

de optar por coberturas como RCF e

PT Colisão é outro grande diferencial.

As condições comerciais, facilidades

de pagamento e contratação através da

ferramenta de e-commerce completa e

simples de usar, contemplando etapas

de cotação, cobrança, agendamento,

funcionam como um diferencial. “Tudo

muito rápido. Todos os corretores recebem

um Login e Senha e passam a

usufruir da facilidade de contratação

com possibilidades de agendamento

da instalação do rastreador até para o

mesmo dia da venda. Somos pioneiros e

únicos em nosso mercado a disponibilizar

um sistema com estas características

e com possibilidades de integração via

webservice com os sites das corretoras,

viabilizando vendas on line para os segurados

dos nossos parceiros”, aponta o

diretor comercial.

Ituran com Seguro é o mais barato

seguro do mercado, com valor de mensalidades

a partir de R$ 69,90 e pagos

em 12 parcelas sem juros. Outro ponto

importante é que o atendimento e apoio

comercial aos corretores é feito por uma

equipe atuante e presente através da qual

são feitos treinamentos, capacitações,

orientações estratégicas para crescimento

em vendas, sem falar em distribuição

de material de apoio às vendas.

A empresa conta também com uma

equipe estruturada de pós-venda, disponível

para atendimentos relacionados

aos produtos e a regulação dos sinistros

junto às seguradoras parceiras.

25


esseguros | mercado

Redesenhando

estratégias

Desafios econômicos

chegam ao mercado

de resseguros levando

as companhias a

direcionar foco para

projetos de longo

prazo

Amanda Cruz

O

fim do monopólio do mercado

de resseguros ainda é

muito recente do ponto de

vista histórico, embora complete

dez anos em 2017. Por isso, é preciso

trazer para o setor mudanças estruturais

necessárias, um desafio que a situação

política e econômica brasileira atual pode

retardar ainda mais. Para os executivos

do setor, a abertura desse mercado é um

processo que deve ser continuado para

obtenção de um espaço para transações

mais abertas e mais maduras, buscando

o aumento da rentabilidade, que sempre

foi uma das principais prioridades do

setor desde 2007, conforme aponta Marcos

Fugise, diretor da AIG Resseguros

Brasil. “Assim, novos produtos e serviços

poderão ser ofertados, bem como uma

melhor qualificação profissional, gestão

globalizada, ajudando a geração de novos

empregos. Outro movimento fundamental

para o setor é o aperfeiçoamento de

sua regulamentação, o que passou a ter

extrema relevância, uma vez que estabelece

a igualdade entre concorrentes e possibilita

a consolidação de grandes grupos

financeiros”, completa o executivo.

Com base nisso, como será que esse

mercado tem encarado as incertezas e

oscilações que a política e a economia

nacional apresentaram em 2015 e devem

continuar mostrando em 2016?

26

Fugise destaca que, de acordo com

levantamento da consultoria Rating de

Seguros em parceria com o Sincor-SP,

em 2015 (até novembro), o faturamento

de resseguro local cresceu 29% em comparação

a 2014. Se o foco for para o patrimônio

líquido, o crescimento foi de 26%

no mesmo período. “É claro que, assim

como o próprio mercado de seguros, o

Brasil ainda dispõe de grande capacidade

para se desenvolver em resseguros nos

próximos anos”, afirmou.


Fazendo um raio-x entre resseguradoras

locais e estrangeiras, de acordo

com dados divulgados pela Susep referentes

ao primeiro semestre de 2015,

é possível observar alguns dados que

demonstram as diferenças entre elas

com relação a 2014, como aumento de

3,7% no volume de resseguro cedido

pelas companhias brasileiras enquanto o

volume de resseguro cedido diretamente

a resseguradoras estrangeiras caiu 57%.

Outro dado importante é referente ao

volume de resseguro aceito do exterior,

que passou de R$ 48,5 milhões para R$

192,4 milhões, um crescimento expressivo

de 297%, que, segundo o executivo

da AIG Re, “evidencia a estratégia de

internacionalização de algumas resseguradoras

locais”.

Paul Conolly, vice-presidente de

Resseguros do IRB Brasil RE, destaca

que o longo prazo é o trunfo do mercado.

A resseguradora pretende alinhar seu

posicionamento estratégico para manter

seus clientes próximos e protegidos de

eventuais volatilidades ou interrupções

de negócios. “Dessa forma, quando a economia

do País voltar a crescer e demandar

novas ideias, a nossa visão de longo prazo

terá valido a pena. Precisamos, a todo

momento, pensar fora da caixa.”

É difícil comparar o mercado brasileiro

a qualquer outro mercado internacional,

desde a regulação até o envolvimento

dos players, a cultura de contratação

e os riscos de cada região podem

apresentar muitas diferenças. Mas há

uma base de amadurecimento que pode

servir para tentar apontar o caminho que

deverá ser seguido. Conolly acredita que

“ainda faltam passos importantes para

que o mercado brasileiro chegue a um

nível semelhante ao internacional”. Para

ele, questões como produtos muito amarrados

na maneira como são desenhados,

pouco claros, que acabam dando margem

a interpretações erradas de cobertura,

e algumas estruturas que não são utilizadas

no mercado internacional são as

lacunas que os resseguradores precisam

preencher. “Existe também o fato de que

a compra de capacidades para contratos

locais são muito maiores do que grande

parte da capacidade das companhias

internacionais”, exemplifica.

Mercados emergentes

Durante anos, Brasil, Rússia, Índia e

China foram observados como as prováveis

novas potências mundiais e despertaram

interesses também no mercado de

seguros. Porém, esse cenário mudou, o

ritmo de crescimento dessas economias

está mais lento ou até mesmo regredindo.

Com ou sem período crítico, o caminho

do desenvolvimento do setor não pode

ter retrocessos. Sem dúvidas, as oportunidades

diminuirão, entretanto, Conolly

acredita que a pulverização do resseguro

será a salvaguarda nesse momento de turbulência.

“O IRB tem 24% de sua receita

vinda de resseguros feitos fora do Brasil,

em países onde a atual crise não existe ou

é bem menor do que vemos aqui”, explica.

Talvez um pouco mais complicadas

sejam questões econômicas e financeiras

como a alta do dólar, pois, como em todos

os outros setores produtivos, produtos

de resseguro estão atrelados a custos no

exterior e sofrem impactos de depreciação.

Áreas como a de Grandes Riscos e

Property, que estão atreladas à moeda

estrangeira, têm perda de rentabilidade.

Mas o que pode parecer mais um obstáculo

tem outro lado, conforme destaca

Fugise. “No momento, este impacto é

favorável às seguradoras brasileiras,

pois torna possível comprar a mesma

capacidade em reais com menos dólares,

já que grande parte dos contratos automáticos

de resseguro é feito em moeda

local”, destaca. O IRB, por exemplo, não

consolida seus resultados no País, então

a desvalorização do Real não é sentida.

Oportunidades precisam de

espaço

Capacitação profissional também é

um tema que toca esse mercado. A criação

da primeira certificação para profissionais

de resseguros, que é uma espécie

de teste de proficiência do conhecimento

técnico na área, promovido pela Fenaber

em conjunto com a Funenseg e a Escola

Nacional de Seguros, são avanços que

dão mais credibilidade ao trabalho que

é feito no setor. “A partir do momento

que o mercado permite uma equidade

de concorrência por meio de uma regulamentação

avançada, a consolidação do

setor se torna evidente. Essas diretrizes

❙❙Marcos Fugise, da AIG

oferecem aos grandes grupos financeiros

um crescimento ainda mais significativo”,

apoia Marcos Fugise, da AIG Re.

A concorrência atrai mais resseguradores

a se registrarem no País

disputando a mesma fatia de mercado

das que já atuam aqui. Essa realidade

pede inovação, especialmente na área

de produtos, que vêm sendo, aos poucos,

apresentados ao mercado. A AIG Re

colabora para alavancar as iniciativas

da AIG Seguros, como tem feito em

produtos de D&O, Ambiental e outros. A

linha de Vida vem sendo explorada pelas

resseguradoras. O executivo do IRB Re

adianta que a companhia tem investido

na área com planos de trabalhar produtos

alinhados aos conceitos de longevidade

para carteira de previdência, além de

desenhos sobre um plano de resseguro

financeiro para atender situações de

grande complexidade.

❙❙Paul Conolly, do IRB Brasil Re

27


mercado

Mercado oportuno

O resseguro se expande cada vez mais.

Saiba quais são as tendências do setor

e como está a atuação do País junto aos

players mundiais

Lívia Sousa

Desde o fim do monopólio do

IRB, em 2007, o mercado de

resseguros cresceu: dos R$ 8

bilhões somados há oito anos,

passou para algo em torno de R$ 9,5

bilhões em 2015 – valor não oficial, mas

já estimado pela Federação Nacional das

Empresas de Resseguros (Fenaber). “Vínhamos

crescendo a dois dígitos anuais

e, por conta do cenário econômico atual,

esperamos alta de um dígito em 2016”,

projeta o presidente da entidade, Paulo

Pereira.

Um dos pontos que se destacam

nessa evolução é o desempenho dos resseguradores

nacionais, que diversificam

seus portfólios e se expandem para outras

regiões do globo, como a América Latina.

A região e outras economias emergentes,

onde a penetração de seguro em relação

ao Produto Interno Bruto (PIB) ainda está

aquém quando comparado às economias

desenvolvidas (na ordem de 4,5%), são

uma grande oportunidade para o setor.

“Temos companhias brasileiras com

capacidade para atender riscos fora do

28

Brasil, mais especificamente na América

Latina, e essa é uma forte tendência”, declara

Paula Lopes, diretora de Placement

e Resseguro da Marsh Brasil.

Somado a isso, o mercado global de

catástrofe, com as mudanças climáticas,

urbanização e melhores proteções para

os ativos em crescimento podem proporcionar

uma nova dimensão de negócios

para o segmento. Em solo brasileiro, a

❙❙Paulo Pereira, da Fenaber

observação deste tipo de risco no processo

de subscrição tem crescido, visto que

mesmo não contribuindo com o câmbio

climático o local é um dos mais afetados

com as consequências das catástrofes

naturais.

Embora haja capacidade internacional

disponível e know-how a ser dividido,

no Brasil a oferta de coberturas diretas

sobre este tipo de risco ainda é pequeno,

e mesmo com uma exposição crescente,

a demanda também é pequena. Além

disso, o governo, que seria um grande

comprador para este tipo de cobertura,

paga do próprio bolso o que poderia ser

compartilhado com o mercado internacional.

“É uma área de grande oportunidade,

ainda pouco explorada de forma prática,

❙❙Paula Lopes, da Marsh Brasil


❙❙Luiz Araripe, da Aon

mas que vem chamando a atenção dos

executivos do setor. Para o nosso tipo de

catástrofe, como enchentes, inundações e

deslizamentos, existem muitos estudos e

modelagem catastrófica em criação para

tentarmos mensurar de forma mais objetiva

a exposição desses riscos”, diz Luiz

Araripe, Chief Commercial Officer da

unidade de negócio de Resseguros da Aon.

Mesmo sem um modelo avançado

como em territórios com exposição

catastrófica conhecida, alguns resseguradores

já diferenciam certas áreas do

País, especialmente na região Sul, devido

a exposições a vendavais e enchentes.

“Essa é uma tendência que deve ser

acompanhada por todos os players do

mercado e em breve teremos modelagens

de risco ainda mais precisas em relação

a exposições catastróficas no território

brasileiro, com potencial de agravo de

taxas em áreas de maior exposição”, frisa

o gerente de Resseguro da Cooper Gay,

Frederico Braz.

❙❙Frederico Braz, da Cooper Gay

❙❙Conrado Trajano Malburg, da Willis

Onde estão as oportunidades?

O resseguro funciona como porta de

entrada tanto para produtos novos quanto

para clausulados de produtos tradicionais.

“Tudo o que traz beneficio e opções ao

segurado é uma oportunidade e deve ser

observado com atenção”, destaca Conrado

Trajano Malburg, diretor executivo da

área de Facultative Reinsurance da Willis

Towers Watson. Neste sentido, produtos

de necessidade como o Cyber, os novos

produtos de vida, além dos segmentos de

agricultura, créditos e garantias, podem

ser oportunos.

Araripe chama a atenção pelo fato

de que muitos players competem por

uma fatia de mercado que, embora seja

estável e cresça gradualmente, ainda é

menor do que a inicialmente projetada

na abertura do mercado de resseguros.

“Aliado ao fato que os grandes grupos

seguradores compram cada vez menos

resseguro de forma tradicional, o espaço

é pequeno e a competição é acirrada.

A inovação é a chave do sucesso aqui.

A questão mais crucial não é qual área

de atuação em si, mas sim como as

empresas vão lidar com essas áreas”,

argumenta.

A lista contempla ainda os investimentos

em formação técnica, conhecimento

e internacionalização das

capacidades locais, inicialmente na

América Latina e, posteriormente, em

outras regiões. “A criação de um novo

hub de resseguros mundial será crucial

para aumentar a entrada de prêmios nos

resseguradores locais e a relevância do

Brasil no mercado de seguros global”,

declara Braz.

❙❙Rodrigo Protasio, da JLT Re Brasil

O resseguro também pode ser uma

eficiente ferramenta de transferência de

riscos e de alavancagem para o mercado

financeiro e para as áreas de saúde e

previdência. Rodrigo Protasio, CEO da

JLT Re Brasil, acredita no potencial da

transferência do risco de longevidade,

do resseguro da tábua de sobrevivência,

assim como do resseguro saúde, para

ajudar a proteger os planos de saúde da

variação súbita de sinistralidade e para

viabilizar os planos de auto-gestão, como

substitutivo de capital. Nesta área, o desafio

maior será no âmbito regulatório.

Fusões, aquisições e mercado

soft

As fusões e as aquisições devem

continuar, principalmente com as baixas

taxas mundiais de juros. “Este é um mercado

em um ciclo longo de soft market,

ou seja, mercado leve, onde as taxas caem

a cada renovação, que está diretamente

ligado às taxas de juros baixas e a anos

bons para os resseguradores que tiveram

poucas catástrofes naturais nos últimos

cinco anos”, aponta Protasio.

Apesar de ainda comportar-se de

maneira volátil em relação a sinistros

ou adversidades, o mercado ressegurador

brasileiro tem uma situação de

soft market nunca antes vista. “Para se

fazer negócios por aqui, os mercados

precisam operar com margens apertadíssimas.

E acho que essa situação acaba

nos empurrando para uma curva de maturidade

mais aberta”, pontua Malburg,

da Willis Towers Watson, acreditando

que este cenário não deverá mudar a

curto prazo.

29


A

Praia do Forte, na Bahia, foi

palco para a posse dos presidentes

das Federações de

Seguros para o triênio 2016

- 2019. A cerimônia aconteceu no dia 25

de fevereiro e fez parte do 21º Encontro

de Líderes do Mercado Segurador.

A presidência da CNseg passa de

Jayme Garfinkel, que assumiu o cargo

após a tragédia que acometeu o então prelíderes

| encontro

Fernando Schuler, Gustavo Loyola, Dony de Nuccio, Luís Roberto Barroso e Edson Franco em painel sobre cenário político e econômico

O que será do

presente?

Personalidades do mercado de seguros se

reúnem na Bahia para discutir temas que

afetam o setor e todo o País

Amanda Cruz

sidente Marco Antônio Rossi, em novembro

de 2015, para Márcio Coriolano, que

presidia a Fenasaúde até então. Garfinkel

lembrou conquistas importantes para a

Confederação no ano de 2015, como a integração

com a Federação Interamericana

de Empresas de Seguros (Fides) e com os

países Ibero-americanos, o equacionamento

das questões financeiras e jurídicas

relacionadas ao seguro habitacional e o

seguro rural. Além disso, foi destacada a

reformulação e ampliação das estatísticas

do mercado segurador, com a criação do

Caderno de Estatísticas e do Relatório

Interativo. “Muitos foram os desafios

enfrentados pelo setor de seguros e não

podemos deixar de lembrar algumas conquistas.

Muitas delas feitas com base na

crença de Rossi, a crença que ele tinha na

importância do entendimento entre todos

e na aproximação do seguro com nossas

autoridades e os poderes legislativo, executivo

e judiciário”, relembrou.

O superintendente da Susep, Roberto

Westemberger, reafirmou o interesse em

desenvolver mais produtos junto com

seguradores e corretores de seguros, para

que a população receba incentivo para

30


Painel: O horizonte do Brasil no Século XXI

continuar acreditando na proteção do

setor. Isso pode garantir um crescimento

real significativo nos próximos anos”,

enfatizou.

O presidente do Grupo Bradesco,

Luis Carlos Trabuco Cappi, estava presente

para relembrar seus momentos

no mercado de seguros. Ele ressaltou o

quanto é preciso que cada setor trabalhe

e encontre em conjunto uma maneira de

contribuir para que o Brasil saia dessa

situação crítica.

O ano de 2016 começa com renovações

no mercado. Os novos presidentes

das Federações do mercado de seguros,

juntamente com suas diretorias, foram

empossados à frente das entidades, bem

como a Confederação Nacional das Seguradoras

já conta com novos dirigentes.

Duas coisas são certas, diante do que foi

dito no discurso de posse de cada um dos

novos presidentes: os projetos anteriores

foram bem desenvolvidos e consolidados,

mas eles estão dispostos a mudar o que

for preciso para trazer mais resultados.

O setor, que em 2015 foi responsável

pela movimentação de R$ 364 bilhões e

teve crescimento nominal de 11,4% e um

crescimento real em 1,24%, é também

responsável pela discussão de assuntos

importantes que dizem respeito ao País.

A crise afeta a todos os setores e, embora

o mercado de seguros sofra um impacto

tardio, os danos poderão se agravar caso

nada seja feito. “O setor de seguros mantém

crescimento consistente, acima do nível

da economia brasileira em geral. Essa

resiliência é reflexo do comportamento

do brasileiro, de priorizar a proteção de

sua saúde e de seu patrimônio”, acredita

Coriolano. Em um momento como

esse, a reunião de líderes foi pautada

pela discussão do panorama político e

econômico. Crescer dois dígitos é a fala

comum do setor e continua fazendo parte

do discurso otimista de seus principais representantes,

mesmo que eles não deixem

de ressaltar que o que antes era feito de

maneira quase orgânica, agora se tornou

um desafio maior.

Sobre os produtos de previdência

complementar, Coriolano assegura que

o governo ainda não entendeu as novas

propostas, tanto do Universal Life quanto

do Previsaúde, e que isso tem dificultado

uma aprovação mais rápida. “O VGBL

“o Brasil irá realizar

seu projeto de

nação em um

mundo complexo,

conectado e

multipolar”

MIRIAM LEITÃO

Saúde, como é chamado, não é apenas

um produto de acumulação previdenciária,

mas a principal garantia de que

as pessoas com idade avançada tenham

recursos complementares para arcar com

seu plano de saúde”, destacou.

Apesar de a saúde ter um papel importante

na vida de todos, especialmente

dos idosos, estes não querem, nem podem,

ser vistos como fardos. Mais ativos do que

nunca, a jornalista Miriam Leitão, que

participou do primeiro painel do evento,

cunhou como “talentos maduros” aqueles

que envelhecem, mas se mantêm ativos

e interessados em se desenvolver. Sem

medo de pensar no futuro, ela destacou

que “o Brasil irá realizar seu projeto de

nação em um mundo complexo, conectado

e multipolar, onde as potências médias,

antes caladas, agora têm voz”, constatou.

Energias limpas e renováveis, como eólica

e solar, também farão parte desse processo

de amadurecimento, pois o setor de

energia é fundamental e as hidrelétricas

têm, aos poucos, se mostrado inviáveis

ecologicamente. O perfil demográfico

dos habitantes, as questões climáticas que

demoram a ser resolvidas (e nesse quesito

entram vendavais e enchentes que assolam

o País há décadas) são temas que, para ela,

devem ser encarados.

Mas nem só de fatores ambientais e

econômicos vivem os temores brasileiros.

A crise política também assombra o País

e um novo momento se desenha, no qual

os poderes estão em conflito, os projetos

colidem e a população tenta acompanhar

quais serão os próximos capítulos e como

isso afetará o seu dia a dia. Entre pedidos

de impeachment e novas descobertas de

casos de corrupção, a fala de Miriam não

embarca em posturas radicais, ao mesmo

tempo em que deixa claro que atitudes

precisam ser tomadas. A democracia,

para ela, é a única saída para que o País

retome seu rumo. “Nada é melhor em

uma ditadura”, afirmou para enfatizar

que o País tem pouca tolerância com a

corrupção e esse momento será decisivo

para que novas diretrizes sejam tomadas.

Ainda que esse futuro tão esperado

possa ser diferente, ele está sendo

moldado não só pelos acontecimentos

políticos e econômicos, mas também

pelos inesperados casos de saúde pública,

31


encontro

Painel: Epidemias

como o Zika. Além de se preparar para

riscos que podem ser previstos, como

as crises econômicas e políticas, mais

do que tudo é preciso se atentar para os

riscos de baixa probabilidade e grande

impacto, como os casos da barragem

da Samarco e o mosquito que, ao que

tudo indica, pode deixar uma geração de

crianças com microcefalia, se a doença

continuar a se proliferar. Se for verdade

que, mesmo com baixa probabilidade,

todo dano que pode causar grandes tragédias

deve ser prevenido, o Brasil tem

muito dever de casa para fazer, já que o

“risco de pandemia” é real, de acordo

com subsecretário da subsecretaria de

Vigilância em Saúde do Estado do Rio

de Janeiro, Alexandre Chieppe, durante

painel que abordou o assunto.

A falta de informações sobre o Zika

e a chikungunya torna quase impossível

o desenho de um plano efetivo para o

combate. O que é descoberto deve ser

exposto para colaboração da população, o

que é mito ou boato, deve ser combatido.

Embora o impacto deva ser grande, dar o

maior número de informações confiáveis

e relevantes para os beneficiários deve ser

uma medida imediata das seguradoras.

Outra medida, já anunciada pela ANS, é

que as operadoras ofereçam aos pacientes

os testes para identificar a doença que, se

feitos fora do plano podem custar de R$

800 a R$2 mil.

32

Com a presença do ministro do

STF, Luís Roberto Barroso, o último

painel discutiu de maneira efetiva o

cenário político e econômico brasileiro.

Se, por um lado, o primeiro painel, de

Miriam Leitão, era realista com traços

de otimismo, o encerramento foi realista

com grandes doses de preocupação. O

economista Gustavo Loyola, por exemplo,

explicou que o contexto é difícil para o

Brasil por três razões: queda do preço

das commodities, queda do crescimento

global e depreciação do real.

“O caso é que o Brasil praticou políticas

erradas e tem problemas estruturais.

No curto prazo, o quadro tende a persistir

pelos próximos anos. Não há como gerar

medidas que possam trazer mudanças

substantivas”. Por outro lado, Loyola diz

que o pessimismo de empresários deve

se agravar, especialmente pela taxa de

desemprego.

O único setor que traz algo de positivo

é o externo. O Brasil não corre o risco

de ter crise de pagamentos, a posição

externa do país é sólida porque vai zerar

o déficit existente.

No médio e longo prazo as reformas

seriam fundamentais. Passado o período

em que o Brasil atravessava um momento

favorável por conta de commodities, agora

se mostram seus problemas estruturais, que

necessitam de mudanças. “Economia com

baixa produtividade, cheia de gargalos”.

Fernando Schuler, cientista político,

destacou que a agenda é reforma estrutural.

“Nós precisamos de uma reforma

na estrutura política. Esta crise é do

modelo político que o país construiu,

presidencialismo de coalizão, e nós

vivemos um esgotamento do modelo.

Mais de dez por cento dos deputados

vai trocar de partido”. Essa situação

dificulta a chance de conseguir governar

e compor uma maioria nas votações de

interesse do País.

A última fala, feita pelo ministro,

abarcou pontos importantes do cenário

atual, como o processo de impeachment,

recusado pelo STF, sobre o qual Barroso

afirma que o procedimento adotado foi

“seguir rigorosamente as regras do processo

de 1992, contra Fernando Collor”,

e completou dizendo que a dicotomia

com que a política é abordada hoje no

País não traz benefícios e que é urgente

que a política eleitoral seja revista. O

ministro é a favor do fim do voto proporcional,

que faz com que os votos

excedentes de um candidato migrem

para outro do seu partido, possibilitando

que ele seja eleito sem que o cidadão

tenha, efetivamente, votado e também

citou a incompatibilidade existente nos

financiamentos de campanha: “Impedir

que uma mesma empresa apoie todos os

candidatos evita que ela compre ou cobre

favores futuros”, pontuou.


especial | Dia da Mulher

Elas avaliam

o setor

Participação das

mulheres no mercado

de seguros saltou 8

pontos percentuais

em 12 anos. Executivas

analisam o impacto da

presença feminina no

segmento e comentam

os desafios para se

chegar a cargos de alta

direção

Lívia Sousa

Elas são maioria da população

brasileira, dos eleitores e cada

vez mais ocupam cargos importantes

no mercado de trabalho.

Ao longo das últimas décadas, as mulheres

se tornaram mais independentes,

respeitadas e preparadas para conquistar

espaço na sociedade e nas empresas.

Essa tendência, que ganhou impulso

principalmente no final dos anos 60,

quando sua aprovação começou a ser

marcante nas universidades e nos cursos

técnicos, só tem crescido. E a busca por

capacitação profissional, formação acadêmica

e por oportunidades igualitárias

aos homens continua sendo o caminho

para atingir este cenário de mudança nas

companhias.

Em algumas profissões, elas predominam

em relação ao público masculino

e, em outras, se tornaram famosas graças

à competência e à disciplina. Mas é cada

vez mais frequente vê-las assumindo

cargos em áreas tradicionalmente ocupadas

por eles. O mercado de seguros

é uma dessas áreas: de acordo com o

34

estudo Balanço Social, divulgado pela

CNseg, entre 2000 e 2012 a participação

das mulheres no setor saltou de 49%

para 57%.

“No caso específico do mercado segurador,

alguns fatores podem explicar o

aumento da presença feminina nos postos

de trabalho. As profundas transformações

pelas quais o setor tem passado

nos últimos anos proporcionaram um

crescimento sustentável e superior ao de

outros setores. Essas mudanças tornam o

segmento cada vez mais atraente a uma

nova geração de executivas que investiram

em capacitação e buscam melhores

salários e ambientes que possibilitem o

seu crescimento profissional”, explica

Fátima Lima, executiva de Sustentabilidade

do Grupo BB e Mapfre.

Segundo ela, as empresas já perceberam

que o crescimento sustentável

do negócio passa, necessariamente, pela

implementação de ações e processos que

promovam a igualdade de gênero em seu

quadro de colaboradores. E esse processo

não envolve apenas a ampliação

da presença feminina no mercado, mas

também o desenvolvimento de mecanismos

que permitam que as mulheres

cresçam profissionalmente.

Nos seguros, elas também passaram

a assumir papeis cruciais e cargos de


chefia, como postos de CEO e o comando

de grandes empresas. Mas apesar dos

números animadores, ainda esbarram em

desafios para assumir altos cargos. “São

poucas as mulheres que ocupam cargo

de alta direção no mercado segurador.

Temos inúmeras delas no segmento em

cargos gerenciais e diretoria, mas na alta

cúpula são poucas as oportunidades”, diz

Simone Favaro Martins, segunda vice-

-presidente Sindicato dos Corretores de

Seguros de São Paulo (Sincor-SP).

Patricia Marzullo, diretora regional

de Engenharia para a América do Sul da

AGCS, também acredita que a presença

de mulheres na liderança das empresas

possa crescer. “Ainda que na AGCS a

presença feminina em altos cargos seja

bastante expressiva, em outras seguradoras

e resseguradoras é mais frequente

encontrarmos mais líderes homens”,

declara ela, que foi a primeira executiva

a ocupar este cargo na companhia.

Em resseguros, a igualdade já é bem

expressiva, tanto em ocupação de cargos

quanto em salários igualitários entre homens

e mulheres. Mas em curto e longo

prazo, a tendência é de que a presença

de mulheres aumente ainda mais nas

lideranças e suas participações no setor

como um todo.

Em contrapartida, no setor de corretoras

de seguros, muitas empresas

são geridas com sucesso por mulheres.

A quantidade de profissionais filiadas

aos Sincors, inclusive, aumentou. Em

São Paulo, por exemplo, o Sindicato

conta com 2.009 associadas de um total

de 8.549 corretoras profissionais de

seguros, número que Simone considera

relevante para o mercado.

Já os últimos registros do Sindicato

dos Corretores de Seguros de Pernambuco

(Sincor-PE) revelam que dos 1545

corretores de seguros cadastrados no

Estado, 395 são mulheres. Ou seja, quase

30% do universo de negócios de seguros

locais estão nas mãos do gênero feminino.

A presidente da entidade, Claudia

Candido, afirma que grande parte dessas

profissionais pertence a famílias que

atuam no segmento há décadas, mas a

maioria é de jovens empreendedoras.

“Vejo com otimismo a presença feminina

neste mercado, a curto e a longo

prazo. A cada ano, cresce o número de

mulheres que se ajustam no setor. Ontem

éramos um traço nas estatísticas e hoje

marcamos presença em mais de 30%

do número de corretores cadastrados na

Superintendência de Seguros Privados

(Susep)”, diz Claudia, completando que

as mulheres romperam a barreira dos

preconceitos e estão oferecendo uma

contribuição notável ao desenvolvimento

político e econômico das nações modernas.

“Esse processo é irreversível e

a tendência é positiva”.

A visão feminina

A capacidade de liderar, inovar e

realizar bons desempenhos de trabalho

é indiferente ao gênero. Para Patricia,

apesar de mulheres e homens possuírem

o mesmo potencial nestas questões, um

dos entraves que intimidam o crescimento

delas no mercado securitário são as

visões pré-estabelecidas.

“Ainda que não seja tão comum

quanto no passado, muitos executivos

encaram a mulher que ocupa ou está

prestes a ocupar um cargo de liderança

com julgamentos que não seriam feitos

a um homem, como ‘será que ela dá

conta?’, ‘tendo uma família, será que ela

consegue se dedicar ao cargo e conciliar

com a vida pessoal?’ ou ‘será que ela

vai conseguir liderar uma equipe predominantemente

masculina?”, lembra

a executiva.

Algumas profissionais, no entanto,

destacam que certas características

femininas podem se sobressair neste

segmento – como a atenção ao detalhe,

a criatividade, o cuidado com a

valorização do aspecto social que o

seguro proporciona e a capacidade de

se concentrar e executar tarefas simultâneas.

“Ao mesmo tempo, enquanto se

preocupa em fechar uma estratégia, a

profissional ainda se preocupa com outros

dois, três ou quatro deveres, o que é

sempre uma vantagem em uma equipe”,

afirma Patrícia. A mulher também tende

a possuir uma sensibilidade maior, sem

esquecer-se do profissionalismo, que

engloba preocupações com o conforto

no ambiente de trabalho e com seus

colaboradores. Mas mesmo sendo uma

vantagem mais atribuída às mulheres, há

profissionais homens com estas mesmas

preocupações.

Quanto à sua experiência na área,

Patricia afirma não ter sentido diferença

na tratativa do mercado. “Comecei trabalhando

em uma corretora de seguros,

que atendia uma das maiores construtoras

do País, viajava muito por esses

projetos e nunca tive problemas em obras

ou nas reuniões que fazíamos, inclusive

em cargos que ocupei depois, em outras

companhias. Acredito que toda mulher

consegue o que quer. Se ela quer investir

na carreira e ainda ter sua família, ela

consegue. Basta vontade e esforço”.

Já na opinião de Claudia, a disciplina

e a serenidade são traços marcantes

entre as corretoras de seguros e ajudam

na hora em que determinam a cumprir

uma meta e traçar um plano. Elas sabem

enfrentar as dificuldades e até mesmo

antevê-las do mesmo modo como vislumbram

as saídas e as soluções. Além

disso, são capazes de propor equações

ajustadas a cada caso, o que facilita

na hora de montar uma estratégia que

deixe o cliente satisfeito com o seguro

adquirido.

Para Solange Zaquem, diretora da

regional Rio de Janeiro/Espírito Santo

da SulAmérica, qualquer equipe de

35


Dia da Mulher

trabalho marcada pela diversidade, não

apenas de gênero, mas também de perfis

e interesses, é mais criativa e inovadora.

“Sem a intenção de criar rótulos, já que

cada indivíduo é único e pode contribuir

de formas diferentes, posso dizer que,

na área comercial, noto que as mulheres

costumam apresentar uma facilidade

fora do comum de gerar empatia em

negociações e de adotar uma postura

consultiva com o cliente”.

Produtos específicos

Uma pesquisa recente divulgada

pelo IFC (Corporação Financeira Internacional,

membro do World Bank

Group) e desenvolvida pela Accenture

em parceria com o IFC e o Grupo Axa,

mostrou que elas movimentarão até US$

1,7 trilhão no setor até 2030. Para aproveitar

essa oportunidade de negócios,

o mercado segurador tem investido em

produtos e serviços voltados especificamente

para mulheres.

“Esta ampla oferta de produtos

voltados a públicos específicos é muito

positiva e demonstra uma mudança de

mentalidade das empresas. As companhias

que atuam no mercado brasileiro

já perceberam que, para crescer em um

cenário cada vez mais competitivo, será

necessário ampliar os investimentos em

pesquisas que visem o desenvolvimento

de produtos que atendam a demandas

específicas de cada público”, explica

Fátima Lima, do Grupo BB e Mapfre.

Segundo ela, na prática, isso contribui

para a modernização das apólices já

consolidadas e permite que os clientes

optem por proteções personalizadas.

Mais do que oferecer proteções exclusivas,

a maior questão seria levar as

necessidades deste público para dentro

dos produtos já disponíveis no mercado.

Solange acredita o processo envolvido

no desenvolvimento do produto, ou seja,

se o público-alvo foi ouvido com atenção

e teve suas reais necessidades identificadas,

é mais importante que o formato

final do produto de seguro.

Neste cenário, discute-se também

o preço estabelecido para o público feminino.

As seguradoras europeias, por

exemplo, passaram a comercializar seguros

com o mesmo preço para homens e

mulheres. No Brasil, algumas proteções

contam com descontos para as clientes

– como o seguro de automóvel, em que

a principal variável que pode interferir

no valor está no comportamento diante

do volante. Dados de mercado apontam

que, por aqui, as mulheres se envolvem

menos em colisões do que os homens.

Além disso, tendem a buscar alternativas

como carona ou táxi quando não estão

em condições de dirigir. Já os homens,

principalmente os jovens, tendem a

adotar uma postura diferente, segundo

as mesmas pesquisas.

“Concordo que, havendo estudos

estatísticos, comprovando diferenciais

para a mulher, deva haver estas distinções.

Com comprovação de que mulheres

são mais cuidadosas no trânsito,

defendo que deve haver um contrato

diferenciado. No entanto, não concordo

com um cenário no qual a mulher precisa

pagar menos só pelo fato de ser mulher.

Defendo a igualdade entre os gêneros,

dentro e fora do mercado de trabalho”,

frisa Patricia, da AGCS.

A superintendente comercial Varejo

Minas Gerais da Tokio Marine, Andreia

Padovani, entende que variáveis

devem ser consideradas para uma boa

subscrição. Se a premissa gênero puder

contribuir positivamente para melhorar

o resultado, seria adequado contemplar

condições diferenciadas que sejam favoráveis

a essa premissa. Mas de qualquer

forma, os resultados podem ser distintos

dependendo de locais e culturas diferentes

e, desta forma, não é possível ter

estereótipo, mas sim pautar essa medida

em leitura de resultados.

Em contrapartida, Claudia Candido

defende que não há como distinguir

gêneros no mercado de seguros, embora

sejam oferecidos produtos que eventualmente

possam se identificar mais com

o temperamento feminino e outros com

o masculino. Para a executiva, o seguro

é um instrumento de equilíbrio para as

famílias, para as empresas e até para

as nações. “Os conceitos modernos de

seguros enxergam os gêneros dentro

de uma mesma ótica de necessidades”,

conclui.

Carteiras promissoras

A diversificação da carteira se faz

necessária e exige que as profissionais

atuantes no setor aprendam a lidar com

esta questão e estejam aptas a comercia-

❙❙Claudia Candido, do Sincor-PE

36

❙❙Solange Zaquem, da SulAmérica

❙❙Simone Favaro Martins, do Sincor-SP


❙❙Andreia Padovani, da Tokio Marine

lizar todos os segmentos. “A capacidade

da mulher lhe permite operar em todas

as frentes que desejar”, destaca Andreia.

“Entretanto, em virtude da sensibilidade

feminina, penso que as carteiras mais

promissoras sejam as de linha pessoal e/

ou benefícios. Pelo cuidado de trabalhar

se atentando ao detalhe, a mulher pode

desenvolver carteiras que exijam mais

❙❙Fátima Lima, do Grupo BB e Mapfre

atenção e criatividade, despertando as

vantagens de seguros que venham ao

encontro de atender as necessidades de

todos os públicos”, explica.

Em resseguros, Patricia afirma ser

difícil apontar uma área que seja mais

promissora, já que todas têm presença

forte de profissionais femininas. “Em

minha área, que é de Engenharia, já

❙❙Patricia Marzullo, da AGCS Brasil

se pode ver muitas mulheres ocupando

cargos de Gerente de Projetos, por

exemplo, que passam todo o período da

obra trabalhando em canteiros de obras,

uma área que culturalmente já é associada

ao homem. Neste setor, depende

mais de qual é a expertise da mulher e

de suas escolhas do que uma tendência

igualitária específica”, finaliza.


Dia da Mulher

Seguro de Automóvel

Geralmente as mulheres contam

com algumas vantagens nesta carteira.

Por serem mais cautelosas ao volante,

registram menores taxas de sinistralidade

e, por isso, recebem descontos

no valor final do seguro. Para elas, são

oferecidos ainda serviços adicionais:

38

assistência 24 horas;

motorista disponível caso a cliente não esteja em condições

físicas ou psicológicas para dirigir;

táxi em caso de acidente ou pane;

acompanhante à delegacia em caso de roubo e furto

do veículo;

desconto em estacionamentos e academias;

reparos em eletrodomésticos e serviços emergenciais

à residência;

troca de pneus e auxílio reboque ilimitados;

consulta gratuita para pets;

cobertura para cadeira infantil;

leva e traz em caso de manutenção do veículo;

help desk para tablets, notebooks, smartphones e vídeo

game;

Central de Relacionamento Exclusiva;

serviço de guincho em caso de pane sem limitação de

número de eventos por vigência.

Seguro para Bolsas

Indenização em caso de roubo ou

furto qualificado da bolsa ou pasta, a

fim de repor os itens perdidos como

carteira, documentos, celular, óculos de

sol ou de grau, cosméticos, perfume e

chaves. Na maioria das vezes, o produto

é comercializado por instituições financeiras

e lojas de varejo.

Produtos exclusivos

Elas estão mais dispostas a contratar seguros e, de olho nessa tendência, o mercado cria produtos exclusivos para

as mulheres. Veja como funcionam algumas das proteções destinadas exclusivamente ao público feminino:

Assistência à Mulher

Conta com alguns dos serviços já oferecidos no

seguro de automóvel (como socorro mecânico e

reboque, troca de pneus e transportes emergenciais,

e chamados residenciais como encanador, eletricista

e chaveiro), mas também disponibiliza serviços

específicos para a saúde e o

bem-estar da mulher. Estão

inclusas assistência nutricional

e farmacêutica, delivery de

medicamentos e descontos

em compras de remédios

e segunda opinião médica

internacional.

Seguro de Vida

Além das coberturas tradicionais (indenização por

invalidez permanente total ou parcial por acidente, por

morte natural ou acidental e seguro de assistência funeral),

o seguro de vida voltado às mulheres cobre os custos em

casos de diagnóstico de câncer de útero, ovário ou mama,

capitais que variam de R$ 10 mil a 500 mil (dependendo da

seguradora) e sorteios semanais ou mensais em dinheiro.

Em caso de falecimento, há a assistência funeral, na qual a

família recebe assistência integral e gratuita. Assim como nos

serviços de assistência à mulher, oferece segunda opinião

médica e assistência nutricional.

Nesta carteira, algumas companhias disponibilizam

ainda descontos em clínicas de estética e beleza, serviço de

descarte ecológico a produtos que atingem o fim de sua

vida útil, personal fitness e amparo em caso de problemas

decorrentes de assalto, agressão, roubo ou furto envolvendo

o segurado, seu automóvel ou

residência. Além disso, estendem

a cobertura de doenças

graves como acidente

vascular cerebral agudo,

cirurgia coronariana tipo

Bypass, infarto agudo

do miocárdio, insuficiência

renal terminal,

paralisia total e irreversível,

perda total

da audição, fala ou

visão e transplante

de órgãos.

Fontes: Ace Group, BB Seguros, BNP Paribas Cardif, Bradesco Seguros, Brasil Assistência, Mapfre, MetLife, Seguros Unimed e SulAmérica


eventos

dia internacional da mulher

Família comemora unida em cruzeiro

Em 2016, a comemoração pelo Dia

Internacional da Mulher tradicionalmente

realizada pelo Sincor-SP ganhou

novas dimensões e se tornou um evento

para toda a família, com duração de três

dias, em alto mar. A ideia do Cruzeiro da

Família Sincor-SP foi apresentada às corretoras

de seguros na comemoração do

ano passado e a inovação escolhida pela

maioria. Além de incluir homenagem às

mulheres, a viagem foi uma maneira de

agregar também a parcela masculina dos

corretores de seguros e seus familiares.

“Nós corretores de seguros trabalhamos

com proteção, e não existe

lugar onde estamos mais protegidos nem

pessoas que queremos mais proteger do

que nossa família. Porém, muitas vezes

temos a vida tão corrida que deixamos

de aproveitar o que nos é mais valioso”,

disse o presidente da entidade, Alexandre

Camillo.

O cruzeiro aconteceu entre os dias

26 e 29 de fevereiro, com percurso de

Santos a Búzios, passando pelo Rio de

Janeiro, e voltando ao ponto de partida.

O Sincor-SP reservou quase a metade

das cabines de passageiros do navio

Sovereign, da Pullmantur, numa aposta

do sucesso da iniciativa. As inscrições

foram lançadas no primeiro mês somente

para as mulheres corretoras de

seguros, depois abertas aos demais

associados do Sindicato, e em pouco

tempo as vagas foram esgotadas. Estiveram

reunidas mais de 800 pessoas,

entre corretoras e corretores de seguros

e seus convidados.

“Pelo sucesso do evento, devemos

repetir a iniciativa. Quem sabe então

conseguimos fechar um navio todo para

o nosso público e aí teremos liberdade

para personalizar ainda mais as atrações”,

afirma o presidente do Sincor-SP,

afirmou Camillo.

seguro obrigatório

Indenizações de DPVAT caem 15% em 2015

Pela primeira vez na história da seguradora Líder,

houve uma redução no volume de indenizações pagas em

2015, de cerca de 15% em relação ao ano de 2014. Deste

total, a maior queda aconteceu no sinistros de morte, que

auferiu baixa de 19%. Os casos de invalidez permanente

registraram redução de 13% no mesmo período e as despesas

médicas, 18%.

O presidente da companhia, Ricardo Xavier, disse que

vários fatores contribuíram para este resultado, como a

menor produção de automóveis, a adoção de equipamentos

de seguranças e diminuição da velocidade nas vias, além

da lei seca. O perfil predominante das vítimas é de homens

jovens em idade ativa.

O executivo explicou que a seguradora enfrenta o

uso indevido da sua imagem, por atravessadores e fraudadores.

O índice de fraudes é de 1,3% a 1,5%, nada

preocupante. “O monitoramento é feito através de filtros

que pegam as informações de acordo com a entrada delas

em nosso banco de dados”, declarou Xavier.

Ele também afirmou que a penetração do seguro DPVAT

na frota brasileira é satisfatória. Foram segurados em 2015

mais de 61,3 mi de veículos, de um total de 86 mi na frota.

Este dado não preocupa porque a maior parte destes carros

que ficam de fora já não fazem parte frota circulante.

Novo logotipo

O diretor de Relações Institucionais da seguradora Líder,

Carlos Guerra, apresentou a nova marca da companhia e do

do seguro DPVAT. “Esta nova identidade visual traz mais

segurança para o consumidor, pois evita o uso indevido em

dois grupos: atravessador, que pega uma procuração ou autorização

para intermediar o recebimento da indenização do

seguro; e o fraudador, indivíduo que está nos ambientes em

que acontecem o início do processo, que incentiva as pessoas

a declararem que foram vítimas do trânsito”, esclareceu.

39


eventos

lançamento

Auto Supremo é o primeiro produto da

linha Premium

O segmento de alta renda já é explorado

por algumas seguradoras do mercado.

Agora, ele passa a fazer parte do portfólio

da Yasuda Marítima. O produto Auto

Supremo será oferecido com condições

especiais por cerca de 400 corretores de

seguros parceiros, para automóveis com

valor de mercado acima dos R$ 100 mil.

Em breve, outros produtos desta mesma

linha serão lançados, como o seguro residência

Supremo.

No desenho deste produto, a seguradora

fez parceria com outras quatro empresas

para oferecer coberturas especiais

de vidros, assistência, locação de veículos

e serviços de concierge.

Ao contratar o produto, o segurado

passa a contar com uma série de

coberturas e serviços personalizados,

a exemplo da cobertura completa de

vidros (comuns ou blindados), no qual

estão incluídos para-brisa, vidros laterais,

traseiros, faróis, lanternas e retrovisores

convencionais, além dos faróis,

incluindo faróis de milha, lanternas, teto

solar, estendendo cobertura para os itens

xênon ou led.

Fernando Grossi, que assumiu a

diretoria comercial Brasil da seguradora,

afirmou que uma grande empresa

só se constrói ouvindo muito o corretor,

porque com ele é possível criar

produtos e sanar as necessidades dos

consumidores.

Vem aí a marca Sompo

O presidente da seguradora, Francisco

Vidigal Filho, avisou que a marca

Yasuda Marítima em breve deve dar

lugar à Sompo Japão. A seguradora tem

a alma brasileira com a organização nipônica.

“O Brasil é a maior operação da

Sompo fora do Japão. Um dos principais

valores da companhia é a diversidade, e é

isto que a empresa carrega em seu DNA”,

disse o executivo durante lançamento

do produto.

autorização

Seguros Sura passa a operar no Brasil

No Brasil, a operação da Sura começa

com prêmios de US$ 136 milhões,

com 1,4 milhão de clientes, com ponto

forte em transportes, PME’s, frotas e

automóveis. Para a aquisição da operação

da América Latina da RSA, foram

desembolsados US$ 614 milhões nos seis

países (Colômbia, Brasil, México, Chile,

Uruguai e Argentina).

“Estamos felizes por concretizar este

processo e poder iniciar a operação da

Seguros Sura no Brasil. Esta é a primeira

operação finalizada da RSA dentro de

toda a plataforma regional que faz parte

da aquisição que anunciamos em 2015.

Os brasileiros poderão contar, desde

agora, com um aliado que manterá e

fortalecerá a operação atual. Damos as

boas-vindas especialmente aos novos

integrantes da nossa equipe que chegam

para somar conhecimento e talento à

nossa organização, e aos clientes que

40

Thomaz Batt e Gonzalo Alberto Pérez

continuaremos acompanhando, agregando

valores, fornecendo bem-estar e competitividade”,

garantiu Gonzalo Alberto

Pérez, presidente da Suramericana.

As vendas serão feitas através de

corretores de seguros e de parceiros de

affinities. “Este é um momento de analisar

o Brasil, as suas oportunidades e

junto com a matriz fazer um estudo sobre

quais soluções podemos trazer ao País”,

explicou Pérez.

“Temos confiança de que o futuro,

independente do ciclo de mercado, será

melhor. As oportunidades são efetivas.

Somos responsáveis pela construção da

América Latina”, continuou.

Uma das razões da aquisição da RSA

foi capitalizar o conhecimento global da

companhia para somar o melhor dos dois

mundos: o conhecimento de mais de 300

anos da RSA com a visão latinoamericana

da Suramericana.

No Brasil, os 312 colaboradores

têm autonomia para tomar decisões que

tenham influência na inovação da companhia.

Não há modelos de organogramas

ou estruturas. “Quem decide é a equipe

brasileira”, definiu Pérez. Na indústria

seguradora há várias ciências envolvidas,

porque são seres humanos tomando decisões

para criar valores para a companhia.


internacional | seguradora

Companhias miram

na América Latina

Oscar Schimidt,

presidente da MetLife

na América Latina,

comenta sobre o

crescimento do

mercado na região

Lívia Sousa

“A decisão de se investir na

América Latina implica em

aceitar e conviver com os riscos

e administrá-los”

Como pode ser definida a atuação

das empresas de seguros latino-americanas

e a evolução de seu desempenho?

Schimidt: A América Latina passou

por uma etapa do que se chama de “vento

em popa”; resultado do aumento do volume

dos preços das commodities como o

cobre no Chile, o petróleo no México e

uma combinação de minérios e agricultura

para negócios no Brasil. Os volumes e os

preços das commodities exportadas para

a China também ajudaram e, com isso,

a classe média se expandiu e começou a

consumir seguros. Ainda por conta deste

efeito, as seguradoras cresceram mais

rápido do que o produto e passaram a desfrutar

do evento, visto que há mais pessoas

consumindo seguros pela primeira vez.

Quais devem ser os pontos que

os players precisam ficar atentos ao

investir em países latino-americanos?

Schimidt: Em uma região emergente

como a América Latina, o crescimento é

mais alto do que nos países mais maduros

e, consequentemente, os riscos se tornam

mais elevados. Eles são fundamentalmente

sistêmicos, como a moeda, a taxa de

câmbio, a regulamentação (muitas vezes

inconveniente imposta pelos governos),

além da volatilidade na economia e na política.

Por isso, a decisão de se investir no

local implica em aceitar e conviver com

os riscos e administrá-los. É importante

estarmos preparados para conviver com a

atividade dos ciclos econômico e político

quando acontece esse tipo de coisa.

A agência de classificação de risco

Moody’s, assim como a Standard &

Poor’s e a Fitch, rebaixaram o grau de

investimento do Brasil. Como isso pode

afetar o mercado segurador?

Schimidt: O Brasil passa por um

ciclo fraco na economia e na política, o

que nem sempre é bem vindo, mas espe-

rado, e muitas vezes as pessoas deixam

de enxergar que essas coisas acontecem.

Acreditamos que o País vai retomar o

caminho estratégico e, para nós, o que

está acontecendo agora é compreensível.

Como investidores, temos que continuar

a dar suporte e investir no local.

A Metlife é uma das empresas que

administram a previdência obrigatória

no Chile, país que adotou a medida

como segundo pilar. No Brasil, o que

pode ser aproveitado dessa experiência?

Schimidt: Os antigos modelos de

seguridade social pública eram viáveis,

pois as pessoas trabalhavam até os 65

anos e viviam entre 70 e 75. Hoje elas se

aposentam aos 65 e vivem mais 20 ou

30 anos. Quando a população passa a ter

menos filhos e a viver mais na Europa e

em países como o Brasil, que nunca reformularam

o sistema de seguridade social,

o défict fiscal cresce e a única forma de

reduzi-lo seria aumentar as contribuições

dos trabalhadores, diminuir os benefícios

para os aposentados ou elevar a idade da

aposentadoria, medidas politicamente

complexas. Os governos vão adiando decisões

porque não querem arcar com o custo

e isso cresce como uma bola de neve. Outro

problema do Brasil são os sistemas de previdência

privada, que apesar de serem uma

boa ferramenta são fundamentalmente

voluntários. Se as pessoas decidem não se

protegerem, mais tarde as consequências

passam para a ser de toda a sociedade. Esse

espaço deixado pelo voluntariado deveria

ser revisado.

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comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Expressões: idiomáticas e dilmáticas...

Expressão idiomática é um modo peculiar de fala

de um determinado idioma, às vezes sem a menor condição

de tradução ou de compreensão em outra língua.

Isso porque, no caso, o sentido – quando existe – não

corresponde à forma, às palavras.

Já tecemos considerações sobre estas duas

formas de linguagem: ad litterame ad sensum. Na

primeira, há plena correspondência entre a forma

e o sentido. É a chamada linguagem literal ou – de

modo mais popular – “ao pé da letra”: a palavra e

o sentido se correspondem harmonicamente e não

há necessidade de interpretação. Já na segunda, a

situação é outra. Trata-se da linguagem figurada e

quem levá-la ao pé da letra “vai dar com os burros

n’água”, isto é, “vai entrar em canoa furada” ou, no

popular, “vai se ferrar”!

Conta-se do cidadão português que estava a

passear no bondinho de San Francisco e ouviu o motorneiro

dizer, claramente, “look out!”. Traduzindo

mentalmente a expressão, olhou para fora...e deu com

a cabeça em um poste! Ora pois, embora “look out”

signifique literalmente “olhar para fora”, trata-se de

uma expressão idiomática de advertência, que se traduz

por “cuidado”!

“To put cat out of the bag”, se traduzido pelas

letras, significa “pôr o gato fora da bolsa”. Seu sentido,

porém, é “contar um segredo”!

A expressão francesa “poser um lapin” que, ao pé

da letra, seria “colocar um coelho”, figurativamente

significa “dar o bolo”, “faltar a um compromisso” ou,

como dizemos nós, “furar”!

E por falar em nós, também devemos dar muito

trabalho a quem queira traduzir nossas expressões

populares, sempre figuradas, ao estilo de “vá plantar

batata”; “vá ver se estou na esquina”; “é nóis na fita”;

“pôr as barbas de molho”; “molhar o biscoito”; “afogar

o ganso” e por aí afora.

Aí acima estão alguns exemplos de expressão

idiomática – também chamada de idiotismo – de difícil

compreensão por causa da incoerência, ou incongruência

entre a forma e o sentido. Mas há também as expressões

dilmáticas. Algumas classificadas de idiotice.

O que dizer, por exemplo, da fala proferida por

ocasião da Reunião do G20, em São Petersburgo: “Ontem

eu disse pro presidente Obama que era claro que ele

sabia que depois que a pasta de dente sai do dentifrício

dificilmente ela volta para dentro do dentifrício”! Em

outro momento, retornando de viagem à Europa, proclamou:

“Em Portugal, da onde... aonde... de onde eu acabei

de vir, o desemprego “bera” 20%, ou seja: um em cada

quatro portugueses estão (sic) desempregados”. Noutro

pronunciamento, também envolvendo a matemática,

declarou: “Na Ucrânia, pagam 13 dólares o milhão de

BTU. Quatro para treze dá sete!...

Sobre o empolgante tema da ecologia, foi taxativa:

“O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça

ao desenvolvimento sustentável, e isso significa que é

uma ameaça pro futuro do nosso planeta e dos nossos

países”. Nessa mesma linha de despautério, pronunciou-

-se sobre outro sério problema: “Eu quero dizer a vocês

que a inflação foi uma conquista destes 10 últimos anos

do governo do presidente Lula e do meu governo.”

Memorável, também, esse primor, proferido em

2015: “Uma vez uma companheira me disse que essa

questão de homem e mulher não tinha problema algum,

porque as mulheres eram a maioria, mas a outra parte, a

outra parte da maioria era integrada por homens, todos

provenientes de uma mulher e, por isso, ficava tudo em

casa: mulher com mulher. Porque os homens podem ter

filhas e mulheres, esposas, mas têm necessariamente – aí

não é pode, têm, necessariamente – uma mãe”!

Na sensível área da saúde, não poupou emoção:

“Nós temos 1,8 médico por mil habitantes, na média

geral. Você sabe que, na média, o cara pode estar com a

cabeça na geladeira e o pé no fogareiro e no meio, aqui,

no umbigo, ele estar com a temperatura normal. Na

distribuição é a mesma coisa, tem gente que tem muito

médico, no Brasil, e tem gente que não tem nenhum,

mas é 1,8.”

Para fechar, voltemos à matemática: “Porque a

matemática, ela tem um poder muito interessante. Ela é

a base de todas as ciências, ou seja, a matemática pode

ser usada em todas as áreas da ciência. Pode também...

é um elemento fundamental para que nós tenhamos

capacidade e melhor condição de usar isso que nos

distingue, que é o conhecimento e que é a aplicação da

lógica e de todos os recursos que a matemática pode

trazer para o país”!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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