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4 months ago

Revista Apólice #208

esseguros | mercado

esseguros | mercado Redesenhando estratégias Desafios econômicos chegam ao mercado de resseguros levando as companhias a direcionar foco para projetos de longo prazo Amanda Cruz O fim do monopólio do mercado de resseguros ainda é muito recente do ponto de vista histórico, embora complete dez anos em 2017. Por isso, é preciso trazer para o setor mudanças estruturais necessárias, um desafio que a situação política e econômica brasileira atual pode retardar ainda mais. Para os executivos do setor, a abertura desse mercado é um processo que deve ser continuado para obtenção de um espaço para transações mais abertas e mais maduras, buscando o aumento da rentabilidade, que sempre foi uma das principais prioridades do setor desde 2007, conforme aponta Marcos Fugise, diretor da AIG Resseguros Brasil. “Assim, novos produtos e serviços poderão ser ofertados, bem como uma melhor qualificação profissional, gestão globalizada, ajudando a geração de novos empregos. Outro movimento fundamental para o setor é o aperfeiçoamento de sua regulamentação, o que passou a ter extrema relevância, uma vez que estabelece a igualdade entre concorrentes e possibilita a consolidação de grandes grupos financeiros”, completa o executivo. Com base nisso, como será que esse mercado tem encarado as incertezas e oscilações que a política e a economia nacional apresentaram em 2015 e devem continuar mostrando em 2016? 26 Fugise destaca que, de acordo com levantamento da consultoria Rating de Seguros em parceria com o Sincor-SP, em 2015 (até novembro), o faturamento de resseguro local cresceu 29% em comparação a 2014. Se o foco for para o patrimônio líquido, o crescimento foi de 26% no mesmo período. “É claro que, assim como o próprio mercado de seguros, o Brasil ainda dispõe de grande capacidade para se desenvolver em resseguros nos próximos anos”, afirmou.

Fazendo um raio-x entre resseguradoras locais e estrangeiras, de acordo com dados divulgados pela Susep referentes ao primeiro semestre de 2015, é possível observar alguns dados que demonstram as diferenças entre elas com relação a 2014, como aumento de 3,7% no volume de resseguro cedido pelas companhias brasileiras enquanto o volume de resseguro cedido diretamente a resseguradoras estrangeiras caiu 57%. Outro dado importante é referente ao volume de resseguro aceito do exterior, que passou de R$ 48,5 milhões para R$ 192,4 milhões, um crescimento expressivo de 297%, que, segundo o executivo da AIG Re, “evidencia a estratégia de internacionalização de algumas resseguradoras locais”. Paul Conolly, vice-presidente de Resseguros do IRB Brasil RE, destaca que o longo prazo é o trunfo do mercado. A resseguradora pretende alinhar seu posicionamento estratégico para manter seus clientes próximos e protegidos de eventuais volatilidades ou interrupções de negócios. “Dessa forma, quando a economia do País voltar a crescer e demandar novas ideias, a nossa visão de longo prazo terá valido a pena. Precisamos, a todo momento, pensar fora da caixa.” É difícil comparar o mercado brasileiro a qualquer outro mercado internacional, desde a regulação até o envolvimento dos players, a cultura de contratação e os riscos de cada região podem apresentar muitas diferenças. Mas há uma base de amadurecimento que pode servir para tentar apontar o caminho que deverá ser seguido. Conolly acredita que “ainda faltam passos importantes para que o mercado brasileiro chegue a um nível semelhante ao internacional”. Para ele, questões como produtos muito amarrados na maneira como são desenhados, pouco claros, que acabam dando margem a interpretações erradas de cobertura, e algumas estruturas que não são utilizadas no mercado internacional são as lacunas que os resseguradores precisam preencher. “Existe também o fato de que a compra de capacidades para contratos locais são muito maiores do que grande parte da capacidade das companhias internacionais”, exemplifica. Mercados emergentes Durante anos, Brasil, Rússia, Índia e China foram observados como as prováveis novas potências mundiais e despertaram interesses também no mercado de seguros. Porém, esse cenário mudou, o ritmo de crescimento dessas economias está mais lento ou até mesmo regredindo. Com ou sem período crítico, o caminho do desenvolvimento do setor não pode ter retrocessos. Sem dúvidas, as oportunidades diminuirão, entretanto, Conolly acredita que a pulverização do resseguro será a salvaguarda nesse momento de turbulência. “O IRB tem 24% de sua receita vinda de resseguros feitos fora do Brasil, em países onde a atual crise não existe ou é bem menor do que vemos aqui”, explica. Talvez um pouco mais complicadas sejam questões econômicas e financeiras como a alta do dólar, pois, como em todos os outros setores produtivos, produtos de resseguro estão atrelados a custos no exterior e sofrem impactos de depreciação. Áreas como a de Grandes Riscos e Property, que estão atreladas à moeda estrangeira, têm perda de rentabilidade. Mas o que pode parecer mais um obstáculo tem outro lado, conforme destaca Fugise. “No momento, este impacto é favorável às seguradoras brasileiras, pois torna possível comprar a mesma capacidade em reais com menos dólares, já que grande parte dos contratos automáticos de resseguro é feito em moeda local”, destaca. O IRB, por exemplo, não consolida seus resultados no País, então a desvalorização do Real não é sentida. Oportunidades precisam de espaço Capacitação profissional também é um tema que toca esse mercado. A criação da primeira certificação para profissionais de resseguros, que é uma espécie de teste de proficiência do conhecimento técnico na área, promovido pela Fenaber em conjunto com a Funenseg e a Escola Nacional de Seguros, são avanços que dão mais credibilidade ao trabalho que é feito no setor. “A partir do momento que o mercado permite uma equidade de concorrência por meio de uma regulamentação avançada, a consolidação do setor se torna evidente. Essas diretrizes ❙❙Marcos Fugise, da AIG oferecem aos grandes grupos financeiros um crescimento ainda mais significativo”, apoia Marcos Fugise, da AIG Re. A concorrência atrai mais resseguradores a se registrarem no País disputando a mesma fatia de mercado das que já atuam aqui. Essa realidade pede inovação, especialmente na área de produtos, que vêm sendo, aos poucos, apresentados ao mercado. A AIG Re colabora para alavancar as iniciativas da AIG Seguros, como tem feito em produtos de D&O, Ambiental e outros. A linha de Vida vem sendo explorada pelas resseguradoras. O executivo do IRB Re adianta que a companhia tem investido na área com planos de trabalhar produtos alinhados aos conceitos de longevidade para carteira de previdência, além de desenhos sobre um plano de resseguro financeiro para atender situações de grande complexidade. ❙❙Paul Conolly, do IRB Brasil Re 27