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4 months ago

Revista Apólice #208

mercado Mercado oportuno

mercado Mercado oportuno O resseguro se expande cada vez mais. Saiba quais são as tendências do setor e como está a atuação do País junto aos players mundiais Lívia Sousa Desde o fim do monopólio do IRB, em 2007, o mercado de resseguros cresceu: dos R$ 8 bilhões somados há oito anos, passou para algo em torno de R$ 9,5 bilhões em 2015 – valor não oficial, mas já estimado pela Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber). “Vínhamos crescendo a dois dígitos anuais e, por conta do cenário econômico atual, esperamos alta de um dígito em 2016”, projeta o presidente da entidade, Paulo Pereira. Um dos pontos que se destacam nessa evolução é o desempenho dos resseguradores nacionais, que diversificam seus portfólios e se expandem para outras regiões do globo, como a América Latina. A região e outras economias emergentes, onde a penetração de seguro em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ainda está aquém quando comparado às economias desenvolvidas (na ordem de 4,5%), são uma grande oportunidade para o setor. “Temos companhias brasileiras com capacidade para atender riscos fora do 28 Brasil, mais especificamente na América Latina, e essa é uma forte tendência”, declara Paula Lopes, diretora de Placement e Resseguro da Marsh Brasil. Somado a isso, o mercado global de catástrofe, com as mudanças climáticas, urbanização e melhores proteções para os ativos em crescimento podem proporcionar uma nova dimensão de negócios para o segmento. Em solo brasileiro, a ❙❙Paulo Pereira, da Fenaber observação deste tipo de risco no processo de subscrição tem crescido, visto que mesmo não contribuindo com o câmbio climático o local é um dos mais afetados com as consequências das catástrofes naturais. Embora haja capacidade internacional disponível e know-how a ser dividido, no Brasil a oferta de coberturas diretas sobre este tipo de risco ainda é pequeno, e mesmo com uma exposição crescente, a demanda também é pequena. Além disso, o governo, que seria um grande comprador para este tipo de cobertura, paga do próprio bolso o que poderia ser compartilhado com o mercado internacional. “É uma área de grande oportunidade, ainda pouco explorada de forma prática, ❙❙Paula Lopes, da Marsh Brasil

❙❙Luiz Araripe, da Aon mas que vem chamando a atenção dos executivos do setor. Para o nosso tipo de catástrofe, como enchentes, inundações e deslizamentos, existem muitos estudos e modelagem catastrófica em criação para tentarmos mensurar de forma mais objetiva a exposição desses riscos”, diz Luiz Araripe, Chief Commercial Officer da unidade de negócio de Resseguros da Aon. Mesmo sem um modelo avançado como em territórios com exposição catastrófica conhecida, alguns resseguradores já diferenciam certas áreas do País, especialmente na região Sul, devido a exposições a vendavais e enchentes. “Essa é uma tendência que deve ser acompanhada por todos os players do mercado e em breve teremos modelagens de risco ainda mais precisas em relação a exposições catastróficas no território brasileiro, com potencial de agravo de taxas em áreas de maior exposição”, frisa o gerente de Resseguro da Cooper Gay, Frederico Braz. ❙❙Frederico Braz, da Cooper Gay ❙❙Conrado Trajano Malburg, da Willis Onde estão as oportunidades? O resseguro funciona como porta de entrada tanto para produtos novos quanto para clausulados de produtos tradicionais. “Tudo o que traz beneficio e opções ao segurado é uma oportunidade e deve ser observado com atenção”, destaca Conrado Trajano Malburg, diretor executivo da área de Facultative Reinsurance da Willis Towers Watson. Neste sentido, produtos de necessidade como o Cyber, os novos produtos de vida, além dos segmentos de agricultura, créditos e garantias, podem ser oportunos. Araripe chama a atenção pelo fato de que muitos players competem por uma fatia de mercado que, embora seja estável e cresça gradualmente, ainda é menor do que a inicialmente projetada na abertura do mercado de resseguros. “Aliado ao fato que os grandes grupos seguradores compram cada vez menos resseguro de forma tradicional, o espaço é pequeno e a competição é acirrada. A inovação é a chave do sucesso aqui. A questão mais crucial não é qual área de atuação em si, mas sim como as empresas vão lidar com essas áreas”, argumenta. A lista contempla ainda os investimentos em formação técnica, conhecimento e internacionalização das capacidades locais, inicialmente na América Latina e, posteriormente, em outras regiões. “A criação de um novo hub de resseguros mundial será crucial para aumentar a entrada de prêmios nos resseguradores locais e a relevância do Brasil no mercado de seguros global”, declara Braz. ❙❙Rodrigo Protasio, da JLT Re Brasil O resseguro também pode ser uma eficiente ferramenta de transferência de riscos e de alavancagem para o mercado financeiro e para as áreas de saúde e previdência. Rodrigo Protasio, CEO da JLT Re Brasil, acredita no potencial da transferência do risco de longevidade, do resseguro da tábua de sobrevivência, assim como do resseguro saúde, para ajudar a proteger os planos de saúde da variação súbita de sinistralidade e para viabilizar os planos de auto-gestão, como substitutivo de capital. Nesta área, o desafio maior será no âmbito regulatório. Fusões, aquisições e mercado soft As fusões e as aquisições devem continuar, principalmente com as baixas taxas mundiais de juros. “Este é um mercado em um ciclo longo de soft market, ou seja, mercado leve, onde as taxas caem a cada renovação, que está diretamente ligado às taxas de juros baixas e a anos bons para os resseguradores que tiveram poucas catástrofes naturais nos últimos cinco anos”, aponta Protasio. Apesar de ainda comportar-se de maneira volátil em relação a sinistros ou adversidades, o mercado ressegurador brasileiro tem uma situação de soft market nunca antes vista. “Para se fazer negócios por aqui, os mercados precisam operar com margens apertadíssimas. E acho que essa situação acaba nos empurrando para uma curva de maturidade mais aberta”, pontua Malburg, da Willis Towers Watson, acreditando que este cenário não deverá mudar a curto prazo. 29