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5 months ago

Revista Apólice #208

especial | Dia da Mulher

especial | Dia da Mulher Elas avaliam o setor Participação das mulheres no mercado de seguros saltou 8 pontos percentuais em 12 anos. Executivas analisam o impacto da presença feminina no segmento e comentam os desafios para se chegar a cargos de alta direção Lívia Sousa Elas são maioria da população brasileira, dos eleitores e cada vez mais ocupam cargos importantes no mercado de trabalho. Ao longo das últimas décadas, as mulheres se tornaram mais independentes, respeitadas e preparadas para conquistar espaço na sociedade e nas empresas. Essa tendência, que ganhou impulso principalmente no final dos anos 60, quando sua aprovação começou a ser marcante nas universidades e nos cursos técnicos, só tem crescido. E a busca por capacitação profissional, formação acadêmica e por oportunidades igualitárias aos homens continua sendo o caminho para atingir este cenário de mudança nas companhias. Em algumas profissões, elas predominam em relação ao público masculino e, em outras, se tornaram famosas graças à competência e à disciplina. Mas é cada vez mais frequente vê-las assumindo cargos em áreas tradicionalmente ocupadas por eles. O mercado de seguros é uma dessas áreas: de acordo com o 34 estudo Balanço Social, divulgado pela CNseg, entre 2000 e 2012 a participação das mulheres no setor saltou de 49% para 57%. “No caso específico do mercado segurador, alguns fatores podem explicar o aumento da presença feminina nos postos de trabalho. As profundas transformações pelas quais o setor tem passado nos últimos anos proporcionaram um crescimento sustentável e superior ao de outros setores. Essas mudanças tornam o segmento cada vez mais atraente a uma nova geração de executivas que investiram em capacitação e buscam melhores salários e ambientes que possibilitem o seu crescimento profissional”, explica Fátima Lima, executiva de Sustentabilidade do Grupo BB e Mapfre. Segundo ela, as empresas já perceberam que o crescimento sustentável do negócio passa, necessariamente, pela implementação de ações e processos que promovam a igualdade de gênero em seu quadro de colaboradores. E esse processo não envolve apenas a ampliação da presença feminina no mercado, mas também o desenvolvimento de mecanismos que permitam que as mulheres cresçam profissionalmente. Nos seguros, elas também passaram a assumir papeis cruciais e cargos de

chefia, como postos de CEO e o comando de grandes empresas. Mas apesar dos números animadores, ainda esbarram em desafios para assumir altos cargos. “São poucas as mulheres que ocupam cargo de alta direção no mercado segurador. Temos inúmeras delas no segmento em cargos gerenciais e diretoria, mas na alta cúpula são poucas as oportunidades”, diz Simone Favaro Martins, segunda vice- -presidente Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP). Patricia Marzullo, diretora regional de Engenharia para a América do Sul da AGCS, também acredita que a presença de mulheres na liderança das empresas possa crescer. “Ainda que na AGCS a presença feminina em altos cargos seja bastante expressiva, em outras seguradoras e resseguradoras é mais frequente encontrarmos mais líderes homens”, declara ela, que foi a primeira executiva a ocupar este cargo na companhia. Em resseguros, a igualdade já é bem expressiva, tanto em ocupação de cargos quanto em salários igualitários entre homens e mulheres. Mas em curto e longo prazo, a tendência é de que a presença de mulheres aumente ainda mais nas lideranças e suas participações no setor como um todo. Em contrapartida, no setor de corretoras de seguros, muitas empresas são geridas com sucesso por mulheres. A quantidade de profissionais filiadas aos Sincors, inclusive, aumentou. Em São Paulo, por exemplo, o Sindicato conta com 2.009 associadas de um total de 8.549 corretoras profissionais de seguros, número que Simone considera relevante para o mercado. Já os últimos registros do Sindicato dos Corretores de Seguros de Pernambuco (Sincor-PE) revelam que dos 1545 corretores de seguros cadastrados no Estado, 395 são mulheres. Ou seja, quase 30% do universo de negócios de seguros locais estão nas mãos do gênero feminino. A presidente da entidade, Claudia Candido, afirma que grande parte dessas profissionais pertence a famílias que atuam no segmento há décadas, mas a maioria é de jovens empreendedoras. “Vejo com otimismo a presença feminina neste mercado, a curto e a longo prazo. A cada ano, cresce o número de mulheres que se ajustam no setor. Ontem éramos um traço nas estatísticas e hoje marcamos presença em mais de 30% do número de corretores cadastrados na Superintendência de Seguros Privados (Susep)”, diz Claudia, completando que as mulheres romperam a barreira dos preconceitos e estão oferecendo uma contribuição notável ao desenvolvimento político e econômico das nações modernas. “Esse processo é irreversível e a tendência é positiva”. A visão feminina A capacidade de liderar, inovar e realizar bons desempenhos de trabalho é indiferente ao gênero. Para Patricia, apesar de mulheres e homens possuírem o mesmo potencial nestas questões, um dos entraves que intimidam o crescimento delas no mercado securitário são as visões pré-estabelecidas. “Ainda que não seja tão comum quanto no passado, muitos executivos encaram a mulher que ocupa ou está prestes a ocupar um cargo de liderança com julgamentos que não seriam feitos a um homem, como ‘será que ela dá conta?’, ‘tendo uma família, será que ela consegue se dedicar ao cargo e conciliar com a vida pessoal?’ ou ‘será que ela vai conseguir liderar uma equipe predominantemente masculina?”, lembra a executiva. Algumas profissionais, no entanto, destacam que certas características femininas podem se sobressair neste segmento – como a atenção ao detalhe, a criatividade, o cuidado com a valorização do aspecto social que o seguro proporciona e a capacidade de se concentrar e executar tarefas simultâneas. “Ao mesmo tempo, enquanto se preocupa em fechar uma estratégia, a profissional ainda se preocupa com outros dois, três ou quatro deveres, o que é sempre uma vantagem em uma equipe”, afirma Patrícia. A mulher também tende a possuir uma sensibilidade maior, sem esquecer-se do profissionalismo, que engloba preocupações com o conforto no ambiente de trabalho e com seus colaboradores. Mas mesmo sendo uma vantagem mais atribuída às mulheres, há profissionais homens com estas mesmas preocupações. Quanto à sua experiência na área, Patricia afirma não ter sentido diferença na tratativa do mercado. “Comecei trabalhando em uma corretora de seguros, que atendia uma das maiores construtoras do País, viajava muito por esses projetos e nunca tive problemas em obras ou nas reuniões que fazíamos, inclusive em cargos que ocupei depois, em outras companhias. Acredito que toda mulher consegue o que quer. Se ela quer investir na carreira e ainda ter sua família, ela consegue. Basta vontade e esforço”. Já na opinião de Claudia, a disciplina e a serenidade são traços marcantes entre as corretoras de seguros e ajudam na hora em que determinam a cumprir uma meta e traçar um plano. Elas sabem enfrentar as dificuldades e até mesmo antevê-las do mesmo modo como vislumbram as saídas e as soluções. Além disso, são capazes de propor equações ajustadas a cada caso, o que facilita na hora de montar uma estratégia que deixe o cliente satisfeito com o seguro adquirido. Para Solange Zaquem, diretora da regional Rio de Janeiro/Espírito Santo da SulAmérica, qualquer equipe de 35