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6 months ago

Revista Apólice #208

Dia da Mulher trabalho

Dia da Mulher trabalho marcada pela diversidade, não apenas de gênero, mas também de perfis e interesses, é mais criativa e inovadora. “Sem a intenção de criar rótulos, já que cada indivíduo é único e pode contribuir de formas diferentes, posso dizer que, na área comercial, noto que as mulheres costumam apresentar uma facilidade fora do comum de gerar empatia em negociações e de adotar uma postura consultiva com o cliente”. Produtos específicos Uma pesquisa recente divulgada pelo IFC (Corporação Financeira Internacional, membro do World Bank Group) e desenvolvida pela Accenture em parceria com o IFC e o Grupo Axa, mostrou que elas movimentarão até US$ 1,7 trilhão no setor até 2030. Para aproveitar essa oportunidade de negócios, o mercado segurador tem investido em produtos e serviços voltados especificamente para mulheres. “Esta ampla oferta de produtos voltados a públicos específicos é muito positiva e demonstra uma mudança de mentalidade das empresas. As companhias que atuam no mercado brasileiro já perceberam que, para crescer em um cenário cada vez mais competitivo, será necessário ampliar os investimentos em pesquisas que visem o desenvolvimento de produtos que atendam a demandas específicas de cada público”, explica Fátima Lima, do Grupo BB e Mapfre. Segundo ela, na prática, isso contribui para a modernização das apólices já consolidadas e permite que os clientes optem por proteções personalizadas. Mais do que oferecer proteções exclusivas, a maior questão seria levar as necessidades deste público para dentro dos produtos já disponíveis no mercado. Solange acredita o processo envolvido no desenvolvimento do produto, ou seja, se o público-alvo foi ouvido com atenção e teve suas reais necessidades identificadas, é mais importante que o formato final do produto de seguro. Neste cenário, discute-se também o preço estabelecido para o público feminino. As seguradoras europeias, por exemplo, passaram a comercializar seguros com o mesmo preço para homens e mulheres. No Brasil, algumas proteções contam com descontos para as clientes – como o seguro de automóvel, em que a principal variável que pode interferir no valor está no comportamento diante do volante. Dados de mercado apontam que, por aqui, as mulheres se envolvem menos em colisões do que os homens. Além disso, tendem a buscar alternativas como carona ou táxi quando não estão em condições de dirigir. Já os homens, principalmente os jovens, tendem a adotar uma postura diferente, segundo as mesmas pesquisas. “Concordo que, havendo estudos estatísticos, comprovando diferenciais para a mulher, deva haver estas distinções. Com comprovação de que mulheres são mais cuidadosas no trânsito, defendo que deve haver um contrato diferenciado. No entanto, não concordo com um cenário no qual a mulher precisa pagar menos só pelo fato de ser mulher. Defendo a igualdade entre os gêneros, dentro e fora do mercado de trabalho”, frisa Patricia, da AGCS. A superintendente comercial Varejo Minas Gerais da Tokio Marine, Andreia Padovani, entende que variáveis devem ser consideradas para uma boa subscrição. Se a premissa gênero puder contribuir positivamente para melhorar o resultado, seria adequado contemplar condições diferenciadas que sejam favoráveis a essa premissa. Mas de qualquer forma, os resultados podem ser distintos dependendo de locais e culturas diferentes e, desta forma, não é possível ter estereótipo, mas sim pautar essa medida em leitura de resultados. Em contrapartida, Claudia Candido defende que não há como distinguir gêneros no mercado de seguros, embora sejam oferecidos produtos que eventualmente possam se identificar mais com o temperamento feminino e outros com o masculino. Para a executiva, o seguro é um instrumento de equilíbrio para as famílias, para as empresas e até para as nações. “Os conceitos modernos de seguros enxergam os gêneros dentro de uma mesma ótica de necessidades”, conclui. Carteiras promissoras A diversificação da carteira se faz necessária e exige que as profissionais atuantes no setor aprendam a lidar com esta questão e estejam aptas a comercia- ❙❙Claudia Candido, do Sincor-PE 36 ❙❙Solange Zaquem, da SulAmérica ❙❙Simone Favaro Martins, do Sincor-SP

❙❙Andreia Padovani, da Tokio Marine lizar todos os segmentos. “A capacidade da mulher lhe permite operar em todas as frentes que desejar”, destaca Andreia. “Entretanto, em virtude da sensibilidade feminina, penso que as carteiras mais promissoras sejam as de linha pessoal e/ ou benefícios. Pelo cuidado de trabalhar se atentando ao detalhe, a mulher pode desenvolver carteiras que exijam mais ❙❙Fátima Lima, do Grupo BB e Mapfre atenção e criatividade, despertando as vantagens de seguros que venham ao encontro de atender as necessidades de todos os públicos”, explica. Em resseguros, Patricia afirma ser difícil apontar uma área que seja mais promissora, já que todas têm presença forte de profissionais femininas. “Em minha área, que é de Engenharia, já ❙❙Patricia Marzullo, da AGCS Brasil se pode ver muitas mulheres ocupando cargos de Gerente de Projetos, por exemplo, que passam todo o período da obra trabalhando em canteiros de obras, uma área que culturalmente já é associada ao homem. Neste setor, depende mais de qual é a expertise da mulher e de suas escolhas do que uma tendência igualitária específica”, finaliza.