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9 months ago

Revista Apólice #207

mobilidade adaptação

mobilidade adaptação é curto perto da rapidez com que tudo muda nesse mercado. Customização Para cada demanda individual uma solução. É assim que a maioria dos mercados quer atuar daqui por diante. O perfil dos consumidores mudou, especialmente no que diz respeito à utilização dos gadgets do mercado, os e-commerce já é utilizado para a maioria dos setores e pequenos empreendedores muitas vezes apostam apenas no meio digital para ofertar seus produtos. Mas há um conceito que ainda é pouco difundido no Brasil e menos ainda no mercado de seguros, mas que começa a ganhar olhares: a Internet das Coisas - mundo físico e digital se tornando um só. O executivo da Pan Seguros identifica esse momento de descoberta das novas tecnologias para o mercado preliminar, apesar de já serem bem consolidadas em outras áreas. “Internet das Coisas, Big Data, por exemplo, já são uma realidade, mas o mercado segurador precisa mudar um pouco suas concepções para adotar essas medidas. Além de acompanhar, precisa investir e apostar mais nessas soluções”, aponta. O seguro residencial, com a casa e os bens dentro dela monitorados, responsivos e inteligentes e os automóveis, com 26 A Internet das Coisas é a ideia de conectar e integrar objetos: carros, geladeiras, relógios, câmeras de segurança que fazem reconhecimento facial, monitoramento de elevadores, entre outros. Ou seja, todos os objetos e dispositivos integrados, conversando e interagindo uns com os outros através de redes. Hoje, apenas 1% deles estão conectados entre si. Esses canais poderão se tornar uma fonte importante de coleta, recebimento e comunicação com clientes em potencial através de dados disponíveis. ❙❙Cristiano Barbieri, da SulAmérica uso da telemetria (técnica que monitora o comportamento dos motoristas) talvez sejam as áreas que estão mais perto de incorporar a Internet das Coisas. Grandes montadoras de automóveis já começam a integrar nos carros, de fábrica, GPS com rastreamento nos carros, aplicativos de busca de hospitais, entre outras possibilidades que geram dados que podem ser utilizados pelo mercado para melhorar sua precificação, seu processo de interação com clientes, a análise de risco e tantos outros fatores que podem deixar de ser generalizados para serem soluções únicas a partir da extração dessas informações. O perfil do segurado deixaria de ser um amontoado de características gerais de uma faixa etária, por exemplo, e passaria a levar a conduta pessoal em conta, agraciando com prêmios menores aqueles que forem mais responsáveis e cobrando mais, ajudando ao mesmo tempo a conscientizar, daqueles que são imprudentes. “Esses sistemas de telemática já podem fornecer informações relevantes sobre a conduta dos segurados. A pergunta que fica é: será que essas informações fazem tanta diferença na precificação do seguro? Acredito que em mais alguns anos teremos essa resposta”, pondera Monteiro. Um exemplo de sucesso que é constantemente apontado em fóruns de discussão mundo afora sobre a utilização de informações é o de um supermercado na Coreia do Sul, que criou um código de programação para verificar e catalogar produtos que suas consumidoras gestantes consumiam antes da gravidez, antecipando promoções e anunciando que essas eram feitas especialmente para elas. No Brasil, a agência Hi-midia realizou uma pesquisa em junho de 2012 que indicava que 55% dos usuários de redes acha correto que empresas monitorem seus perfis, desde que essas informações sejam utilizadas para personalizar produtos e conteúdos. 41% acham interessante que os anúncios publicitários sejam baseados no seu histórico de busca. Esse é um bom indicador de que as pessoas se sentem à vontade para deixar que seus dados sejam utilizados desde que tenham vantagens com isso. Essas pegadas digitais que são encontradas pelas empresas são úteis porque não são deixadas propositalmente, é o movimento espontâneo de uma busca rápida que, junto com outro montante de dados, gera um perfil único. Em setores como o de saúde e seguro de vida, as investidas devem ser mais cautelosas, já que abordam questões que são muito pessoais e podem ser assuntos sensíveis para os clientes. “Esse é um campo bem delicado. Saúde é diferente de seguros de coisas, quando você pensa em monitorar dados para traçar perfis. Por outro lado, ela pode ser muito bem utilizada se pensarmos em monitoramento para idosos que corram risco de sofrer um mal súbito ou que precisem de qualquer tipo de cuidado mais atento”, destaca Barbieri. Esse obstáculo ético é uma preocupação global e de todos os mercados. Os ❙❙Marcelo Blay, do Sincor-SP

❙❙Sandro Ribeiro, da Lojacorr dados podem estar disponíveis, mas isso não isenta a necessidade de privacidade e sigilo, a preocupação das próprias empresas que retêm esses dados em utilizá-los para o que se propõem e não deixar que caiam nas mãos de hackers e fraudadores. “Gradativamente a tecnologia vai sendo abraçada e melhorada, ficando mais segura. Há 15 anos o internet banking era tabu, mas agora é uma prática comum. A medida que as companhias mitigam esses riscos de danos ela mostra que a importância é maior do que o receio”, destaca Ulisses Campos, da Europ Assistance. Dos riscos de uso do próprio aplicativo da seguradora no trânsito até ao desenho de um produto que regule sinistros causados por carros sem motorista, só a carteira de automóvel já tem muito o que inovar e investir, e as outras precisarão acompanhar. Aguardar a demanda para compreender o cliente é importante, mas só isso não basta mais, é preciso que as companhias se antecipem a essas necessidades. Moraes, da HDI, lembra para além das tecnologias elaboradas, que o começo é simples e baseia-se em investimentos em hardware e software. “Acredito que o maior desafio é definir de maneira claro o que se quer oferecer, discutir detalhadamente com a área de sistemas e homologar profundamente as entregas. Se sua homologação é superficial, pode colocar em produção um problema, ao invés de uma solução”, afirma. Falando sobre os corretores As iniciativas das companhias devem que ser pensadas em conjunto com os corretores, a principal ponte para os clientes. Marcelo Blay, coordenador da comissão de tecnologia do Sincor-SP, sente falta dessa interação mais próxima. “Vemos seguradoras dando passos, desenvolvendo aplicativos e trazendo soluções interessantes, mas não vejo uma interação com o corretor”, afirma. Algumas seguradoras têm aplicativos voltados a esses profissionais, mas são exclusivos. Ainda é preciso ligar as três pontas: seguradora, consumidor e corretor. Sandro Ribeiro, responsável pela área de tecnologia da Lojacorr, também acredita que facilitar essa integração com o consumidor final é a melhor saída, já que ele pode facilitar a troca de informações, imagens e orientações nos momentos de sinistro, por exemplo. “É muito comum quando o segurado tem um sinistro ligar para o corretor. Um aplicativo que facilitasse esse processo seria um ótimo diferencial”, indica. Outro ponto apontado por Ribeiro diz respeito as possibilidade de negócio que podem surgir, o cross-selling ganharia novos contornos com o avanço das ferramentas. “A Internet das Coisas possibilitará novas formas de relacionamento entre corretores e segurados, bem como o Big Data e a tendência OmniChannel [quando o consumidor deixa de diferenciar loja física e digital e utilizam todos os canais de venda simultaneamente]”, completa. Corretoras de qualquer porte podem ter soluções tecnológicas efetivas e quanto mais elas interagirem com o resto do mercado, melhor ele funcionará. “O corretor já entendeu e percebeu que é necessário ter um sistema de gestão integrado e que existem opções para atender desde a gama mais simples de produtos até a mais sofisticada”, acredita Blay. Por último, Ribeiro levanta outro ponto: a gameficacação, que proporciona aos clientes um espaço lúdico dentro da relação com o mercado de seguros e entre scores, atividades de interação social que levam ao cuidado no volante, com a saúde ou com o futuro, o compartilhamento com amigos e colegas ajudará a difundir o mercado e a sua importância. “Internet das Coisas, gameficação e redes sociais: podem ser os atrativos para o mercado nos próximos anos”, finaliza Ribeiro. 27