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Revista Apólice #206

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produto | escolas Educação protegida Manter as despesas com educação privada é um desafio para os brasileiros. Por isso, seguradoras buscam aprimorar seus produtos voltados para instituições de ensino 20 Amanda Cruz Dezembro é época de férias escolares, mas antes disso é tempo de pensar nas rematrículas e no impacto que as despesas com estudos terão no próximo ano. O mercado de seguros escolares e educacionais ganham espaço com o passar do tempo, principalmente por conta das apólices voltadas para garantir o pagamento das mensalidades. A Fenep – Federação Nacional das Escolas Particulares realizou uma pesquisa que demonstra que as escolas particulares poderão perder de 10% a 12% das matrículas em 2016, devido à crise econômica que gerou dificuldades para pais e responsáveis arcarem com os custos das mensalidades. A inadimplência dos alunos destas instituições nos três níveis, fundamental, médio e superior, aumentou 22,6% no primeiro semestre de 2015 em comparação com o período anterior, de acordo com levantamento da Serasa Experian. Esses dados reforçam a necessidade de proteção aos clientes e o Seguro Educacional é a alternativa do mercado para melhorar esses índices. O produto existe para conceber o benefício do pagamento das mensalidades em caso de morte, invalidez permanente total por acidente ou desemprego involuntário do responsável pelo pagamento. Entre os planos, estão os que podem cobrir o ano letivo, o ciclo atual do curso ou até mesmo o ciclo completo, até a universidade. “Normalmente, as instituições de ensino firmam negociações junto às corretoras e seguradoras, através de planos coletivos, e apresentam aos pais e alunos no momento da matrícula. Com isso, os pais garantem o estudo e o futuro profissional dos filhos, ficando tranquilos, assim como a instituição se respalda também de eventuais inadimplências, considerando as coberturas apresentadas”, explica Eliane Escudero, gerente de Massificados da corretora de seguro Willis. “É importante ressaltar que o seguro cobre estas ocorrências e não a inadimplência de modo geral, mas sim aquela que foi originada por um evento coberto, como o desemprego”, completa a executiva. Paulo Umeki, vice-presidente de Riscos Corporativos da Liberty, explica que há duas maneiras de garantir o seguro: na primeira, a escola é que contrata esse seguro como estipulante e os pais dos alunos já arcam com ele de forma compulsória; a outra opção é deixar que os responsáveis decidam se querem ou não aderir. “É importante lembrar que quando a aceitação do seguro é compulsória o ❙❙Eliane Escudero, da Willis

❙❙Paulo Umeki, da Liberty preço a ser pago cai muito, pois é uma garantia de contratação que otimiza as despesas”, ressalta. Outros detalhes também podem ser contemplados nessas apólices, como destaca Karina Massimoto, superintendente executiva de Seguros Individuais e Coletivos do Grupo BB e Mapfre. Os gastos adicionais para matrícula, repetência, formatura e pré-vestibular, que constam na lista de coberturas adicionais, além de um serviço específico para os responsáveis financeiros que é um serviço de apoio para atualização e divulgação de currículos, por exemplo. “Se a escola optar por contratar também o seguro de ‘Proteção Escolar’, além das coberturas de acidentes pessoais, o aluno conta com serviços como Assistência Escolar, Carteirinha Personalizada e Assistência Funeral”, completa Karina. A segurança das escolas Para além das mensalidades, outros riscos também estão presentes nas instituições de ensino, como os patrimoniais e aqueles que causam danos a terceiros. “O nicho de patrimônio é muito importante para as escolas, que contam com as coberturas tradicionais de roubo, danos elétricos, vendavais, guarda de veículos e equipamentos”, lembra Umeki. As instituições devem sempre ter um seguro de RC com uma importância segurada que preveja todas as atividades desenvolvidas em seu ambiente, sua estrutura e seus profissionais, garantindo a indenização no caso de haver alguma situação de acidente com terceiros, que no caso são os alunos. Bullying, por exemplo, é uma prática que vem sendo combatida e que encontra em algumas seguradoras a cobertura, mas deixa outras em alerta, pois há risco de exploração excessiva em cima do assunto, dificultando a confirmação dos fatos que levem à indenização adequada. É o sinal amarelo para as seguradoras, já que o risco existe e tem demandado essa cobertura, mas o desenho ainda precisa de ajustes. Tanto, que algumas não utilizam o termo, mas já disponibilizam, dentro da apólice de RC, coberturas para danos morais que possam ser causados pela ou ❙❙Karina Massimoto, do BB e Mapfre dentro da instituição de ensino. “Essa cobertura de Responsabilidade Civil cobre eventuais reclamações na esfera civil de danos corporais ou materiais contra a escola causados involuntários a terceiros”, esclarece Eliane, da Willis. Karina lembra também que “já há no mercado seguradoras que oferecem especificamente este produto e, como cada vez mais é um tema recorrente nas escolas, a cobertura se faz muito presente, cobrindo danos físicos e morais, além de fisioterapia, apoio psicológico, transporte para freqüência de aulas e aulas domiciliares, se necessário”. Além do Educacional, há também um seguro intitulado Escolar, que guarda algumas diferenças. É o caso do Pepper, seguro promovido pela Metlife que não arca com as parcelas pendentes dos bene- ficiários, mas funciona como um seguro para acidentes pessoais com assistência para estudantes, professores e funcionários. Entre suas ofertas, estão assegurados acidentes ocorridos nas escolas, trajeto de ida e volta dos alunos e uma proteção 24 horas, que garante cobertura de acidentes dentro e fora das dependências da escola durante todos os dias, inclusive finais de semana e feriados no Brasil e no exterior. “O objetivo é garantir cobertura securitária e assistências médico-hospitalar e odontológica especializada em caso de acidentes”, diz Cássia Gil, diretora executiva de Planos Odontológicos e Benefícios Corporativos da MetLife. Quem contrata esse seguro é a própria instituição de ensino, que deve arcar com todos os custos. Momento oportuno O aumento da inadimplência não assustou o mercado e não deverá assustar. O aumento do desemprego servirá como motor para aquelas que querem investir nesse nicho. A mudança de mentalidade do brasileiro em relação à educação começa a acontecer. Mesmo em momentos difíceis, a prioridade ainda é fazer com que os filhos possam ter acesso a boas instituições de ensino que, infelizmente, são escassas na educação pública. “Esse cenário não nos prejudica porque o mercado se prepara para isso. É claro que isso será refletido no valor do prêmio cobrado para o próximo ano, mas nada atinge a vigência atual”, finaliza Umeki. ❙❙Cássia Gil, da MetLife 21