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4 months ago

Revista Apólice #206

vida | benefício

vida | benefício Obrigatoriedade reforça o seguro Empresas precisam garantir o seguro de vida de seus funcionários e cumprir com exigências de sindicatos Amanda Cruz A presença do seguro de vida no cotidiano do brasileiro começa a crescer. A tendência de se preocupar com o futuro e o patrimônio deixado para entes queridos são considerações cada vez mais levadas em conta. Um dos entraves para a comercialização do seguro de vida é falar sobre ele. Todos os produtos de seguro estão vinculados a um sinistro que pode ir além dos danos materiais. Quando as questões estão ligadas à morte e à invalidez esse 28 tabu é ainda maior. Como transpor essa barreira? As empresas e os sindicatos de trabalhadores podem ser grandes aliados do mercado nesse caso. Isso porque muitas convenções coletivas exigem que as empresas contratem seguro de vida para seus funcionários (veja na tabela). Com especificação por lei, a empresa que não cumprir essa obrigação poderá ser autuada. Cada sindicato tem sua particularidade, pois esses tratados não são nacionais. Alguns atuam apenas em esfera estadual, outros, municipal. As empresas procuram seus corretores, que, consequentemente, procuram as seguradoras para verificar o que elas têm a oferecer para seus clientes. Prova disso é o que afirma Manes Erlichman, da Minuto Seguro: “é raro nos depararmos com uma renovação quando a empresa tem essa obrigação. As empresas sempre chegam com seguros novos. Muitas não sabem ou não estão cumprindo essa

exigência”, afirma. As empresas buscam a consultoria de um corretor de seguros apenas quando passam por algum tipo de fiscalização. Atento a esse movimento, Priscila Mackenzie, da PAN Seguros, afirma que o mercado está trabalhando para ter este serviço sob medida. “Existem diversas empresas que já exigem a consultoria. O mercado, cada vez, mais está olhando para as convenções e fazendo produtos. Por exemplo, existe uma lei que torna Convenção coletiva de trabalho, ou CCT, é um ato jurídico pactuado entre sindicatos de empregadores e de empregados para o estabelecimento de regras nas relações de trabalho em todo o âmbito das respectivas categorias (econômica e profissional). Veja alguns ramos que normalmente exigem a contratação do Seguro de Vida • Contadores; • Estagiários; • Frentistas; • Hoteis, motéis, flats e similares; • Casas Lotéricas • Bares e Restaurantes • Buffet • Construção Civil • Cyber Lan House • Mão de Obra • Motoboy – Motofretes • Padarias e Confeitarias • Pizzaria e Esfiharias • Sorveterias e Docerias • Quadras esportivas * Sempre importante consultar cada Convenção Coletiva de acordo com área de atuação e Estado o seguro de vida obrigatório para motoristas, independente do sindicato da empresa”, conta. Por que importa? Para o corretor essa é uma venda tranqüila, porque, de maneira geral, quando alguém decide fazer o seguro de vida, já tomou a decisão. A obrigatoriedade faz com que elas já estejam mais preocupadas em fazer com que tudo saia da maneira correta. “A pessoa sabe que precisa seguir a legislação. Mas há também as empresas que usam o seguro de vida como ferramenta de retenção. Essas já têm uma preocupação diferente com o benefício, é outro enfoque do contratante”, destaca Erlichman. Via de regra, estas condições são respeitadas pela maioria das empresas, pois os sindicatos laborais fiscalizam muito de perto a política de benefícios estipulada nestes acordos. É o que acredita o superintendente Comercial da Capemisa, Fábio Lessa. “Os seguros de vida, planos de saúde e odontológicos são utilizados pelos sindicatos patronais nas negociações coletivas como alternativa aos aumentos nominais de salário, que possuem grande impacto financeiro no orçamento das empresas em função da tributação incidente”, explica. Em época de instabilidade econômica, como a atual, esse movimento ganha mais força, uma vez que as empresas precisam minimizar o aumento de despesas na folha de pagamento. As seguradoras que se dispõem a operar neste segmento estão munidas de bons conhecimentos sobre as Convenções Coletivas de trabalho, pois é preciso cobrir todas as exigências feitas. A experiência de Erlichman como corretor é bastante positiva nesse aspecto, pois as seguradoras têm ajudado a compilar essas convenções coletivas e saber o que cada segmento exige. “Se estou com determinada demanda, a seguradora já sabe o que o sindicato indica. Presta um serviço para nós. Por isso, quem trabalha nessa área geralmente encontra tudo customizado”, conta. Essas cotações geralmente vêm com o básico exigido. Cabe ao corretor estudar o caso e tentar oferecer mais do que o estipulado. ❙❙Manes Erlichman, da Minuto Seguros Com essas exigências dentro da mesma atividade laboral, as seguradoras têm uma capacidade aumentada de precificar os riscos de acordo com a exposição de cada atividade. “O seguro pode ter como estipulante o sindicato (laboral ou patronal), entretanto as empresas sempre terão que aderir individualmente ao produto ou apólice”, esclarece Lessa. Democratização A obrigatoriedade nesse caso é benéfica? Os entrevistados acreditam que sim. Embora as empresas possam ficar contrariadas com a obrigação inicialmen- ❙❙Priscila Mackenzie, da Pan Seguros 29