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9 months ago

Revista Apólice #206

produto | previdência

produto | previdência privada Mercado resiste à crise Consumidores pensam no longo prazo e mantêm seus aportes nos planos de previdência privada Amanda Cruz O mercado de Previdência Privada se desenvolveu muito e muito bem nos últimos anos. Crescimentos de dois dígitos levaram um mercado muito jovem a ser uma alternativa confiável para as necessidades que a Previdência Social não consegue suprir. Mais pessoas, a cada ano, ingressam nessa medida que poupa e prepara as pessoas para que estejam amparadas no futuro. De repente, a crise. A primeira impressão que se tem, quando o País entra em uma crise econômica, é que as pessoas passando por dificuldades disponibilizarão de suas economias para conseguir vencer o período. Mas isso não se tornou realidade no caso dos planos de previdência. “Não podemos reclamar, 32 principalmente esse ano, por incrível que pareça. 2013 foi um ano muito mais complicado, mesmo com a economia mais estável”, conta Maristela Gorayb, diretora de Vida e Previdência da Mapfre. Entre os fatores que contribuíram para esse avanço, a executiva cita o fato de a sociedade ter discutido bastante sobre previdência social, o que chama atenção das pessoas para o longo prazo e faz com que elas reflitam sobre o tema. Em segundo, há a questão dos juros elevados, que agora estão em 3%. Isso faz com que as pessoas pensem mais em poupar e, sentindo a instabilidade do momento, precisem gastar menos e guardar o que sobra de alguma maneira. Fabiano Lima, diretor de Vida e Previdência da SulAmérica, afirma que, ao contrário do que muitos pensam, embora não esteja imune à instabilidade, a previdência não é a primeira fonte a qual as pessoas recorrem na hora do aperto. “Quem faz sabe que esse é um investimento de longo prazo, não são acessados primeiramente. Cientes disso, as pessoas não fazem esses saques porque percebem que não estão suficientemente protegidos pela previdência social”, alerta. Quem depende de renda de oito a dez salários mínimos, por exemplo, terão redução na aposentadoria por conta do novo teto do INSS e precisará desse complemento. “Com todas essas discussões vindo à tona, as pessoas param para pensar, de verdade, nessas necessidades”, aponta Lima. Na Mapfre, os planos VGBL continuam sendo o produto com a maior

parcela de aportes, 87,7% de toda receita. Isso acontece porque a maioria da população faz sua declaração de IR pelo formulário simplificado, que contempla a modalidade. Além disso, quase 87% dos planos são individuais, apenas 11% são empresariais. Longevidade A pesquisa realizada pelo censo de 1991 apontou uma mudança importante no perfil etário brasileiro: o País começou a envelhecer mais rápido. A taxa de natalidade caiu enquanto as pessoas passaram a viver mais e o mercado teve que acompanhar essa mudança enquanto começava a se estruturar melhor no Brasil, mas Lima acredita que isso foi benéfico e que o mercado hoje já é bem preparado para enfrentar essa questão. “A empresa sempre tem uma reserva. O cálculo do benefício previa certo período de sobrevivência médio, se essa longevidade aumenta, é preciso aportar recursos”, afirma o executivo da SulAmérica. A Susep faz uma rigorosa fiscalização para manter essa solidez, com simulações que conseguem identificar se faltará reserva já levando em consideração esse tipo de mudança. Há também as chamadas tábuas de mortalidade, que a partir de 2010 ganharam sua versão brasileira por acadêmicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – que levam a sigla BR-EMS. Com elas, é possível que a empresa possa ❙❙Maristela Gorayb, da Mapfre estipular a sobrevida que um beneficiário poderá ter a partir de certa idade e com a estimativa fará aportes que cubram esse tempo, bem como adequando as contribuições. “Quando você adquire o plano de previdência, ele já prevê isso. As empresas estão preparadas para esse volume”, aponta Lima. O chamado risco de viver mais é cada vez maior. Executivos apontam dois riscos importantes: morrer e deixar entes queridos desassistidos e o de viver demais e sobreviver às próprias reservas financeiras, ficando dependente de outros membros da família. Marystela lembra ainda que é preciso lançar um olhar diferente sobre a necessidade de pensar no longo prazo. “Ainda há muita dificuldade de planejamento financeiro. Mas quando as pessoas conseguem fazer esse planejamento, deparam-se com a realização de seus sonhos, fazem as ideias saírem do papel”, diz. O perfil do brasileiro Por conta dessa cultura menos abrangente, mesmo os brasileiros que já fazem algum tipo de investimento tendem a ser bastante conservadores e se arriscarem pouco, ficando na zona de conforto. Em outros países, como os EUA, o perfil englobava modelos mais arriscados, mas essa tendência vem mudando, mesmo lá, depois da crise de 2008. “Após essa crise houve um período de muita recessão no mercado de renda variável. Se o consumidor não quer tomar riscos, não adianta. Às vezes, investimentos mais ousados podem trazer bons retornos, mas não há como trabalhar em cima dessa teoria se o perfil não absorve o risco envolvido”, acredita Marystela. A SulAmérica atesta isso. Fabiano Lima afirma que 90% dos clientes da companhia estão em fundos conservadores de renda fixa, muito também por causa dessa turbulência. “As pessoas que têm um período de acumulação maior têm mais espaço para arriscar e ter mais rentabilidade, porque têm também um período maior para se recuperar e diversificar mais”, aponta. Por essas razões, além de ser uma garantia para o futuro, a previdência também é uma maneira de ensinar as ❙❙Fabiano Lima, da SulAmérica pessoas a começarem a administrar seu orçamento e serem capazes de reservar recursos. Junto com os planos vêm também os benefícios fiscais na declaração. Os descontos de impostos apenas no momento do resgate são características importantes de lembrar. Não é preciso fazer sozinho O medo do desemprego tem crescido. Enquanto as empresas dispõem de menos recursos para reter funcionários por meio de pagamento de salários maiores, a previdência, especialmente entre funcionários mais especializados, é um diferencial, mas é um dos últimos benefícios que as empresas praticam. “Esse movimento gerou bastante demanda para a nossa carteira. O aumento do desemprego ao invés de frear o nosso crescimento nos deu oportunidade. Acredito que deverá ter algum impacto nesse segmento, mas as crises são cíclicas”, destaca a executiva da Mapfre A previdência como benefício tem o valor de contribuição definido pelo funcionário, que estipula o limite de seu pagamento e a empresa entra com o mesmo valor complementando. Se o vínculo empregatício acabar, o trabalhador poderá resgatar sua parcela e manter no plano por conta própria ou fazer a portabilidade para outro. A previdência é um seguro que pode proteger as pessoas do risco de viver demais. É possibilidade de dar à nova fase da vida qualidade e conforto. 33