revista Apólice #205

revistaapolice

editorial

Ano 20 - nº 205

Novembro 2015

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O que fica na

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A fatalidade não pode ser explicada de forma racional. Ela,

simplesmente, acontece. Ninguém sabe o que está reservado para

si ou quando e porque as coisas acontecem.

Assim, sem mais nem menos, o mercado de seguros perdeu

dois de seus principais executivos. Em um dia em que tudo parecia

normal. Todos trabalharam, estavam em casa ou em algum

outro local quando a trágica notícia começou a circular.

Incrédulos, todos buscavam a confirmação de algo que parecia

não ser verdade. Como pessoas tão vivas, gentis, competentes

podiam partir assim? Nem menciono aqui o sofrimento da família

e das pessoas mais chegadas, cujo amor é potencializado pelos

laços afetivos. Falo aqui dos entes do mercado de seguros, que

acompanhavam a trajetória dos dois executivos no dia-a-dia e que

os admiravam imensamente.

Marco Antonio Rossi e Lucio Flavio Condurú de Oliveira nos

deixaram de forma abrupta, inexplicável. Vai demorar muito tempo

para digerirmos esta perda e transformar este aperto no coração.

Entretanto, quando esta angústia se transformar em saudades,

teremos a oportunidade de lembrar de seus feitos, de sua luta pela

transformação do mercado através do diálogo.

Certamente, o dia 10 de novembro ficará marcado como um

dos mais tristes da história do seguro brasileiro!

Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

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sumário

08

entrevista

CEO da It’sSeg, Thomaz Menezes, comemora

um ano da empresa no Brasil e fala sobre

os desafios de continuar crescendo

especial riscos diversos

26 crise

Especialistas apontam soluções para

que o Brasil volte a prosperar. Pouco

atingido pelas instabilidades, mercado

permanece otimista

28 atualidade

32 compliance

22

capa

Descarte Ecológico para segurados resolve

40 longevidade

42 comemoração

6

44

10 | painel

18 | gente

Iniciativa da Mapfre visa promover a saúde

no esporte com o apoio de diversos jogadores

20 | direto de Londres

o problema da destinação dos itens inutilizados

36 benefícios

e contribui com o meio ambiente

Ao invés de se aposentar, idosos querem

continuar no mercado de trabalho e viver

novas experiências

Mitsui Sumitomo completa 50 anos no

Brasil planejando entrar para o grupo das

maiores seguradoras do País

e médicos de renome

48 | evento

47 homenagem 49 | saúde

Apólice lembra bons momentos dos exe-

50 | comunicação

cutivos Marco Antonio Rossi e Lucio Flavio

Condurú de Oliveira

Empresas sentem o impacto da crise

hídrica do Brasil. Ao mesmo tempo,

são ameaçadas pela resistência a

cultura de seguros cibernéticos

Lei Anticorrupção incentiva boas

práticas de governança que ajudam

a manter a carteira de D&O saudável

e executivos protegidos

Companhias, que recorrem aos

planos de saúde para atrair e reter

talentos, necessitam mitigar o risco

do Capital Humano e seus impactos

financeiros

38 riscos

O momento não poderia ser mais

propício para o bom gerenciamento

de riscos, sejam eles de engenharia

ou dos desafios de multinacionais


entrevista | Thomaz Menezes

Crise traz desafios

e oportunidades

It’sSeg completa um

ano e seu CEO, Thomaz

Menezes, fala sobre os

desafios de continuar

crescendo; em 2015 a

consultoria arrecadou

mais de R$ 1 bilhão em

prêmios diretos

8

Kelly Lubiato

APÓLICE: Como foi a integração das

empresas para a formação da It´sSeg?

Thomaz Menezes: A integração

dos três grupos complementares em

uma operação, com muito cuidado desde

a concepção do programa, há três anos,

não foi difícil. Integramos as áreas de

share services – financeira, administrativa,

recursos humanos, marketing,

tecnologia, gestão de projetos e estratégia

e o time de vendas. Além destas

áreas, temos também uma única equipe

de relacionamento e de vendas. Em um

ano fizemos bastante, com avanço do

posicionamento da marca.

APÓLICE: Quantas pessoas integram

o quadro de colaboradores?

Thomaz Menezes: São 320 pessoas

e crescendo, com dois escritórios em

São Paulo e um em Manaus.

APÓLICE: Qual é o foco da companhia?

Thomaz Menezes: Somos uma

gestora de benefícios que busca a me-


lhor solução aos seus clientes. Temos

uma forma de entregar e de gerir o

produto diferenciado. Sabemos que

o custo é importante, mas queremos

mostrar valor nos produtos e serviços.

Queremos a excelência, porque estamos

em um mercado altamente burocrático,

com demanda operacional grande.

APÓLICE: Como é possível desenhar

produtos novos em saúde?

Thomaz Menezes: É possível

adequar dentro da legislação atual o que

melhor atende o seu cliente. É preciso

ter a real consciência do custo do seu

risco. Estratégias não muito acertadas,

que antes era estimulada pelo grande

número de operadores, já não são mais

a solução. É preciso saber o valor certo

do risco, baseado na população, na faixa

etária, nos doentes crônicos, enfim, um

bom diagnóstico do perfil de risco e de

utilização da população. Com o custo

correto é possível mapear na população

os crônicos, os propensos a se tornarem

crônicos, os saudáveis e montar um

programa de gerenciamento e acompanhamento

de uso de farmácia, saúde

ocupacional, programa de qualidade de

vida, gestão do dia-a-dia. Tem condição

melhor de gerir o custo futuro.

O ser humano quer viver mais, há

novos procedimentos e acesso mais fácil

a tratamentos. Isso tudo faz com que a

pressão de custo suba mais ainda. Por

isso, o programa integrado de gestão de

saúde é necessário.

APÓLICE: Um programa deste tipo

pode ser aplicado a empresas de que

porte:

Thomaz Menezes: A partir de 500

vidas é possível traçar um diagnóstico.

Mas atuarialmente falando, sabemos

que 5% da população gasta mais do

que todos, por conta dos crônicos. A

estatística da carteira mostra isso e

outros dados.

APÓLICE: Este trabalho é realizado

em parceria com os operadores?

Thomaz Menezes: Este é um

desafio complexo porque por ter vivido

dos dois lados da mesa, sei que não é

possível fazer isso sozinho. Se tiver a

pretensão de fazer sem o cliente e a

parceria da operadora, vai se cometer

erros. Da mesma forma que algumas

operadoras acham que conseguem fazer

isso sozinhas. Se não unir a operadora,

o cliente e a consultoria, tudo fica mais

difícil, porque buscamos melhor serviço,

melhor tratamento para clientes e

colaboradores.

“ Queremos que

o beneficiário

saiba exatamente

os custos

dos serviços

utilizados por

ele”

APÓLICE: Em um período de crise

econômica, a concorrência entre as

consultorias de benefícios tende a

aumentar? Continua o processo de

consolidação?

Thomaz Menezes: A consolidação

do mercado é uma consequência

natural. Todos os setores passaram por

isso, porque tamanho é importante,

assim como recursos, expertise, acesso

a capital, capacidade de investimento,

poder de atração e retenção de talentos.

A indústria de corretagem de seguros

já vem neste movimento. A concorrência

é, ao mesmo tempo, um desafio

e uma oportunidade, não só os clientes

passam por redesenhos de planos e

realinhamento de custos, mas também

O elefante

O logotipo da It’sSeg utiliza este grande animal

para ilustrar a sua comunicação visual, com valores

alinhados à sua filosofia:

√ ele é bem rápido, podendo atingir até 40 km/h;

√ sem predadores naturais;

√ vive em manadas

todos olham o que podem fazer melhor,

diferente e com mais eficiência.

APÓLICE: Como é o investimento em

tecnologia?

Thomaz Menezes: Nesta associação

temos uma empresa que trouxe

a tecnologia, com sistema proprietário

para a gestão do seguro-saúde, que é

complicada. Temos o sistema It´sSeg,

que faz o mapeamento da carteira. Estamos

desenvolvendo um aplicativo para

o usuário ter acesso via smartphone aos

custos do seu plano de saúde. Queremos

que o beneficiário saiba exatamente os

custos dos serviços utilizados por ele.

APÓLICE: Uma inovação em saúde seria

não deixar as pessoas adoecerem?

Thomaz Menezes: Temos que

cuidar dos propensos para que eles não

se tornem crônicos. Quando se fala em

programa de qualidade de vida é difícil

mostrar o que de fato vai influenciar nos

custos futuros da carteira. A visão é

meio míope, de cuidar da sinistralidade

apenas naquele momento.

APÓLICE: Você acha que é possível

criar ações efetivas para melhorar a

saúde das pessoas?

Thomaz Menezes: Acho que sim.

Basta ver os jovens de hoje, a forma como

eles se comportam, como se comunicam,

o que esperam de empresas sustentáveis.

As expectativas deles são diferentes das

nossas. Ninguém mais quer uma carreira,

entregue por uma empresa. As pessoas

querem fazer aquilo que lhes faz bem.

Nós temos aqui um projeto novo, com

desafio e visão diferentes, com muita

gente querendo se juntar a nós.

9


painel

produto

Proteção para bikes

esportivas

A Argo Seguros Brasil lançou um

seguro voltado para cobrir bicicletas

esportivas. O produto abrange todo o

território nacional e cobre três principais

momentos: enquanto a bicicleta

está guardada, sendo transportada ou

quando em uso nas ruas, inclusive

em competições. As coberturas são

tanto para acidentes, quanto roubo

qualificado.

O seguro também tem a cobertura

de Responsabilidade Civil por danos

que, eventualmente, causem a terceiros

em decorrência de acidentes com as

bicicletas seguradas.

“Nosso seguro é procurado por

praticantes de bike e atletas que buscam

garantir a integridade de seu equipamento,

bem como a tranquilidade em

seus treinos e provas por todo o País.

O ciclismo vem ganhando visibilidade

no Brasil e o seguro foi desenvolvido

para ser a melhor solução para proteção

deste patrimônio”, explica a gerente de

Riscos Patrimoniais da companhia,

Janete Tani.

A novidade ainda oferece facilidades

e benefícios para o segurado, como

contratação online e interatividade, que

pode ser realizada por meio do desktop

ou smartphone com os aplicativos nas

versões iOS e Android, possibilitando

fazer a gestão completa do seguro e

realizar a notificação de um sinistro.

A FenaCap realizou, nos meses

de abril e maio de 2015, uma pesquisa

qualitativa que traçou o perfil e o comportamento

de consumo dos clientes de

títulos de capitalização. O levantamento

foi realizado pelo Instituto Overview e

ouviu 15 grupos de clientes e não clientes,

das classes C e D, sem distinção de

gênero, em sete capitais.

O resultado mostra que a aquisição

da casa própria continua sendo o principal

sonho do brasileiro. A surpresa ficou

por conta do segundo lugar, que ficou

com custeio dos estudos e desbancou a

compra de um carro.

Os resultados indicaram ainda

que, neste momento de incertezas da

economia, as pessoas estão planejando

e guardando mais dinheiro. Outro fato

importante revelado pela pesquisa se

refere ao prazo de carência, presente na

maior parte das modalidades de títulos

de capitalização, tendo em conta que foi

apontado como um dos principais atricapitalização

Sonho de quem conta com sorteios

butos positivos dos produtos, sinalizando

que a maior parte dos consumidores

precisa de um mecanismo como esse

para desenvolver o hábito de economizar.

A possibilidade de ser sorteado é vista

como um incentivo adicional para manter

o dinheiro guardado.

profissional

Câmara protocola PL que regula atividade do

corretor de planos privados de saúde

O deputado Lucas Vergilio (SD-

-GO) apresentou o Projeto de Lei 3223/15

na Câmara, que regula a atividade e a

profissão de corretor de seguros de planos

privados de saúde suplementar.

De acordo com o texto, o corretor de

planos privados de saúde, pessoa física ou

jurídica, é o intermediário autorizado a

promover contratos de planos privados

de assistência à saúde.

Ainda segundo o texto, para exercer

a profissão de corretor de planos

privados de saúde suplementar, por

exemplo, o profissional irá depender

de certificado de habilitação técnico-

-profissional, em curso presencial ou

à distância, emitido pela Funenseg, ou

em outras instituições de ensino devidamente

autorizadas.

A proposta ainda prevê que a Agência

Nacional de Saúde (ANS) autorize

a expedição do registro e a identidade

profissional, no caso de pessoa física, e a

autorização para funcionamento, quando

for pessoa jurídica.

10


painel

mobilidade

Produto ganha aplicativo para smartphone e

tablet

A SulAmérica lançou uma novidade

para as imobiliárias que integram as

carteiras dos corretores parceiros da

seguradora: o aplicativo SulAmérica

Garantia de Aluguel. A ferramenta traz

informações sobre as diferentes modalidades

de garantia locatícia, além de

permitir fazer simulações do Garantia de

Aluguel no smartphone ou tablet.

Disponível nas lojas Google Play

(Android) e App Store (iOS), o aplicativo

possibilita que se compare o SulAmérica

Garantia de Aluguel com outras opções

disponíveis no mercado como fiador,

depósito e seguro-fiança. Há ainda informações

adicionais sobre o produto e

um vídeo que destaca seus diferenciais,

como o retorno de 100% do valor pago

pelo título e os sorteios mensais.

“A inovação está sempre presente na

SulAmérica, que criou o Garantia de Aluguel

e agora traz mais um diferencial para

o corretor trabalhar junto a esse público”,

destaca o vice-presidente de Capitalização

da empresa, André Lauzana. “O mercado

imobiliário traz diversas oportunidades de

novos negócios, e tanto o produto quando

o aplicativo podem ser instrumentos de

aproximação para potenciais clientes”.

A novidade dispensa análise de

crédito do locatário na aquisição e na

renovação anual, possui renovação automática

e conta ainda com a Assistência

Residencial (serviços como chaveiro,

eletricista e encanador) e uma rede de

descontos em empresas parceiras. Já

imobiliárias e locadores podem contar

gratuitamente com a Assistência Locatícia,

que oferece auxílio para cobrança

de aluguel e de taxas em atraso ou até

eventual desocupação do imóvel alugado.

destaque

Seguros na

América Latina

O Rio de Janeiro sediará, pela

primeira vez, o 26º Congresso Panamericano

Copaprose, em uma

parceria entre a instituição de seguros

latina americana e Fenacor. Com o

tema “Para onde caminha o seguro

na América Latina?”, o evento acontecerá

entre 20 e 22 de abril e reunirá

mais de 400 profissionais de seguros

de 20 países da América Latina, além

de Canadá, Espanha e Portugal.

O Brasil foi escolhido para sediar

o evento por suas provisões de

destaque no mercado de seguros na

região, que movimentam mais de R$

800 bilhões. Em uma comparação,

México e Argentina juntos somam

R$ 300 bilhões.

publicidade

Campanha reforça importância do seguro no dia a dia

A Mapfre estreou

sua campanha publicitária

que reforça a importância

de se contar com

um seguro em caso de

acidentes e imprevistos

do dia a dia. As peças

alertam de que maneira

os seguros de automóvel,

vida e residencial podem

ajudar na rotina e ‘salvar’ as pessoas

em situações cotidianas. A campanha

também traz uma série de ações inéditas

para a marca no meio digital.

Sob o mote “Se tem Mapfre, tem

jeito”, a peça conta com vídeos de 60

segundos e 30 segundos que ilustram a

12

primeira reação das pessoas diante de

situações inesperadas, como colisões

de veículos motivadas por distrações ou

imprevistos em estradas, incidentes em

estacionamentos, tentativas malsucedidas

de consertos domésticos, entre outros

deslizes capazes de provocar acidentes.

A campanha é veiculada

em TV aberta e canais

pagos, além de contemplar

spots de rádio em todo o

País, peças para veículos

impressos e digitais e interações

nos perfis da marca

no Facebook, Twitter, Instagram

e Youtube.

“A campanha reflete

a comunicação clara e transparente que

temos com nossos clientes. Além disso,

é possível mostrar que podemos oferecer

apoio nas mais diferentes situações rotineiras

e imprevistas, sempre com profissionais

preparados e apoio seguro”, afirma Wilson

Toneto, CEO da Mapfre Regional Brasil.


painel

A Academia Nacional de Seguros e

Previdência (ANSP) completou 22 anos

de atuação no mercado segurador. Fundada

por um grupo de 30 pessoas, hoje

a entidade conta com 188 acadêmicos

e tem como principal papel fomentar

a cultura do seguro, além de promover

estudos, debates e pesquisas que buscam

o aprimoramento institucional do

seguro, da previdência privada e das

atividades afins.

“Esses 22 anos de existência, têm

sido uma caminhada de muitas realizações

e muita perseverança da diretoria e

dos acadêmicos na busca do aperfeiçoamento

institucional”, afirma o presidente

da Academia, Mauro César Batista.

“Esperamos continuar essa caminhada

com adesão de novos acadêmicos que

venham com o espírito de comprometimento

com o aperfeiçoamento institucomemoração

22 anos de atuação no mercado segurador

cional que a Academia trabalha e, com

isso, contribuam para que a entidade

galgue os degraus da ascensão. Tudo em

prol do seguro”, completa o executivo.

comemoração 2

Noite do Seguro marca chegada do SindSeg

BA/SE/TO ao Tocantins

A “Noite do Seguro” marcou a

chegada oficial do Sindicato das Seguradoras

da Bahia, Sergipe e Tocantins

(SindSeg BA/SE/TO) no Estado

do Tocantins. Realizado no início de

novembro, o evento foi marcado pela

apresentação das ações e objetivos do

Sindicato junto ao mercado local e pela

celebração do aniversário de 16 anos

do Sincor-TO. Mais de 190 pessoas

estiveram presentes, entre seguradores,

corretores, representantes de entidades

e autoridades.

Em seu discurso, o presidente do

SindSeg BA/SE/TO, João Giuseppe

Esmeraldo, pontuou o cenário pujante da

região. “O seguro já é objeto de desejo

dos brasileiros. Cabe a nós, seguradores,

corretores e demais profissionais superarmos

os desafios e aproveitarmos as

oportunidades que se apresentarem. O

Tocantins é um grande polo de investimentos,

com destaque para a agropecuária,

comércio exterior, extrativismo e,

aos poucos, do comércio também. Esse

progresso caminha lado a lado com o

mercado de seguros”,

disse.

O executivo apresentou

ainda o novo

delegado que representará

o SindSeg na

região. O executivo da

HDI Seguros, Marcos

Borges Dias, será responsável

por conduzir

as ações da entidade a

partir de 2016.

resseguro

Setor sente

desaceleração do

crescimento de

prêmios

A Terra Brasis Resseguros

divulgou mais uma edição do

levantamento Terra Report. O

documento analisou os resultados

do mercado de resseguros no

primeiro semestre de 2015.

Nos 12 meses findos em

junho de 2015, as seguradoras

brasileiras cederam em resseguros

(bruto de comissão) R$

9,28 bilhões, um crescimento de

apenas 3,1% frente ao mesmo

período do ano anterior. Desde

o fim de 2013, a elevação de prêmio

de resseguro não era menor

que o crescimento de prêmio de

seguros.

Outro ponto preocupante, segundo

a análise do Terra Report,

é o aumento na sinistralidade

bruta. Nos seis primeiros meses

deste ano, 12 das 14 resseguradoras

locais que operam há mais

de um ano apresentaram piora na

sinistralidade, comparado com o

primeiro semestre de 2014.

Ganhos com operações de

retrocessão e o resultado de

investimento aliviaram o resultado

das resseguradoras locais,

mantendo o índice combinado

em níveis controlados. Entretanto,

o documento ressaltou, mais

uma vez, que esta dinâmica não

é sustentável por muito tempo.

14


painel

mudança

De casa nova

A MDS Insure Brasil passou a

funcionar em uma nova sede, com

os funcionários de São Paulo e as

operações da broker realocados para

Pinheiros (SP). A mudança física

é consequência de transformações

conceituais pelas quais a companhia

vem passando: desenvolvimento de

ferramentas para entender os diferentes

negócios dos clientes e entregar

soluções customizadas em seguros.

Na outra ponta, a empresa aposta em

um ambiente onde se valoriza a troca

de informações, espaços favoráveis

ao conhecimento, estações flexíveis e

mobilidade para home-office.

aquisição

Em andamento

A Mercer anunciou a intenção de

aquisição da empresa de consultoria de

previdência Gama Consultores Associados.

Com a união, a Mercer pretende

fortalecer a presença em Brasília (DF) e

estender os serviços às operações já existentes

em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Crescer no mercado brasileiro faz

parte do nosso objetivo de trazer inovação

e soluções de liderança de mercado aos

clientes em todos os locais que eles operam,”

diz David Anderson, presidente de

Mercados em Crescimento da Mercer. “O

resultado desta combinação proverá um

parceiro de negócios para o crescimento

de clientes multinacionais que operam

no Brasil, bem como clientes locais e

regionais que procuram expandir fora da

América Latina”.

doação

Seguradora

participa de

campanha pela

AACD

Pelo quarto ano consecutivo, a

Tokio Marine Seguradora participou

do Teleton. O diretor-executivo

Comercial, Valmir Rodrigues, e o

diretor-executivo de Estratégia Corporativa,

Masaaki Itakura, entregaram

um cheque de R$ 210 mil em prol da

Associação de Assistência à Criança

Deficiente (AACD) aos apresentadores

Ratinho e Carlos Alberto de Nóbrega

e a atriz Andrea Nóbrega.

A Yasuda Marítima recebeu o selo

Frota Neutra de Carbono. O certificado

foi entregue pelo Instituto Brasileiro de

Defesa da Natureza (IBDN) em reconhecimento

ao esforço da companhia

em minimizar os efeitos dos poluentes

emitidos por sua frota de veículos.

Durante o mês de setembro, a seguradora

realizou uma ação de plantio de

árvores baseada em um levantamento

feito pela Unidade de Patrimônio da

empresa, que calculou a quantidade que

deveria ser plantada para neutralizar

todo o gás carbônico emitido por sua

frota de veículos. A partir disso, colasustentabilidade

Selo de frota neutra de carbono

boradores e seus familiares convidados

aderiram à campanha e foram até o

Parque do Tietê (SP) para o plantio de

mil mudas de árvores nativas da mata

atlântica.

“O selo Frota Neutra de Carbono é

um diferencial importante para a nossa

companhia que tanto valoriza as ações

sustentáveis. O plantio de árvores que

realizamos foi, além de uma ação de

responsabilidade social, uma ótima

oportunidade de integração entre os

colaboradores da companhia”, declara a

gerente de Recursos Humanos da Yasuda

Marítima, Roberta Cristina Caravieri.

16


GENTE

Prêmio de especialista

A diretora da Revista Apólice, Kelly

Lubiato, figurou entre os vencedores do

Prêmio Especialistas, na categoria Seguros.

O prêmio foi criado pela revista Negócios

da Comunicação, que é editada pelo

Centro de Estudos da Comunicação – CE-

COM, e reconheceu jornalistas experts em

32 áreas da economia, entre eles os setores,

Agropecuário, Cosméticos, Farmacêutico,

Papel e Celulose, Petróleo e Gás, Saúde,

Seguros e Turismo e Hotelaria.

O Prêmio visa valorizar os profis-

sionais que contribuem com a sociedade

disseminando informações setoriais

relevantes. A escolha dos ganhadores

foi realizada por meio de voto livre e

direto dos jornalistas e profissionais de

comunicação que indicaram espontaneamente

até três jornalistas por categoria.

O Prêmio Especialistas foi auditado pela

BDO Brazil, com realização da H2R

Pesquisas Avançadas, garantindo transparência

e credibilidade, com votos de 60

mil profissionais de todo o País.

Nova fase

250 pessoas, entre associados, convidados

e autoridades, acompanharam

a posse festiva da nova diretoria da

Associação Paulista dos Técnicos de

Seguro (APTS), realizada na noite de 29

de outubro, no Circolo Italiano, na capital

paulista. O evento marcou o retorno

de Osmar Bertacini à presidência da

entidade, 18 anos depois de ter cumprido

duas gestões consecutivas, entre 1993

e 1997. Quarto presidente em 32 anos

de existência da entidade, Bertacini foi

eleito por aclamação, em setembro, juntamente

com sua diretoria, para cumprir

a gestão 2015/2017.

Responsável

pela América

Latina

Urs Baertschi foi nomeado

para o novo cargo de presidente

de Resseguro para a América

Latina da Swiss Re. O executivo

vai assumir o posto em janeiro

de 2016 e terá a responsabilidade

geral pelo negócio de resseguros

da companhia no México, na

América Central e na América

do Sul.

Baertschi, que dividirá seu

tempo entre os escritórios da

Swiss Re em Bogotá, Cidade

do México, Miami e São Paulo,

atualmente é o managing director,

head dos departamentos

de Investimentos Principais &

Aquisições da empresa para toda

a região Américas. Ele atuou

em aquisições da Swiss Re na

América Latina, estabeleceu

relações com clientes executivos

da região e esteve nos departamentos

Investimentos Principais

& Aquisições desde 2008, além de

trabalhar com a Securitas Capital,

LLC/Swiss Re Capital Partners e

Cutlass Capital, LLC no início de

sua carreira.

O novo executivo irá se reportar

ao presidente e CEO da Swiss

Re Américas, Eric Smith, e será

um membro da Equipe de Gestão

das Américas.

18


Subscritora para

aviação

A seguradora XL Catlin lançou

uma nova área de atuação no Brasil, que

será comandada por Daniela Murias.

Residente em São Paulo, a executiva

foi nomeada subscritora sênior para os

produtos de aviação.

Conselheira brasileira

A Mapfre SA passa a contar com

sua primeira conselheira brasileira e

a única das Américas. A consultora

Letícia Costa ingressa no Conselho

de Administração da empresa e traz

ao board da companhia sua experiência

no setor corporativo, com destaque

para sua atuação no segmento

industrial.

Letícia é sócia na Prada Assessoria

Empresarial, especializada em

consultoria de gestão. Foi diretora

dos programas de pós-graduação lato

sensu do Insper e integrou ainda o time

da consultoria Booz Allen Hamilton

(atual Strategy&), onde foi presidente

no Brasil de 2001 até 2010, data de

sua aposentadoria. Pela consultoria,

iniciou sua carreira em Londres antes

de voltar ao Brasil, com atuação em

diversas empresas do setor industrial.

Além disso, a nova conselheira

da Mapfre SA liderou projetos que

englobaram questões estratégicas, operacionais

e organizacionais. Leticia é

conselheira de empresas como Localiza,

Marcopolo e Technip e também membro

independente em comitês de empresas

como Votorantim Cimentos e Votorantim

Metais.


direto de londres

por Luciano Máximo*

Bola de cristal do

resseguro mundial

No mercado ressegurador, o futuro é

mais que um conceito. É um componente

praticamente concreto nos negócios, assim

como a assinatura de uma apólice ou

a entrega de um serviço contratado. Saber

como vai estar o mundo nos próximos meses,

nos próximos anos, não é tarefa fácil,

mas é fundamental para o sucesso nesse

setor, logo profissionais do resseguro estão

sempre recorrendo às suas bolas de cristal.

No fim do verão europeu, um grupo

global de líderes resseguradores se reuniu

no Principado de Mônaco para o tradicional

Rendez-Vous Monte Carlo, maior

encontro mundial do setor que ocorre

desde 1957. A atividade que chamou mais

atenção (o hot topic do evento) foi a tentativa

de prever como estará o mercado de

resseguros em dez anos. De maneira geral,

as bolas de cristal de grandes executivos

e corretores anteciparam que na próxima

década o mercado ressegurador será marcado

por movimentos de fluxos de capital

e de talentos ainda mais rápidos e que os

riscos serão tratados ainda mais como

commodity. Além disso, uma resseguradora

cumprirá cada vez mais um papel de

consultoria aos clientes, não apenas cobrir

sinistros, ponto que coloca desafios para

o papel corretor de resseguros na cadeia

do negócio.

“Dez anos atrás, nós vimos a transição

dos sindicatos diretos de resseguros

[tradicionalíssimos compartilhadores de

grandes riscos que atuam no Lloyd’s of

London, por exemplo] e um monte de

start-ups de resseguros abrindo capital

em bolsas de valores. Isso resultou, agora,

num volume enorme de capital de terceiros

compondo diretamente os balanços das

resseguradoras como subscrição de risco.

20

Em dez anos, o componente câmbio será

muito mais interessante que agora para a

indústria. Outra coisa que vai ser muito,

muito importante, é que o lado consultivo

do negócio vai crescer. A gente vai precisar

dizer algo que os nossos clientes não

sabem se quisermos crescer, temos que

apresentar oportunidades que eles não

têm. Nesse sentido, o papel do corretor vai

mudar significativamente”, projeta David

Flandro, chefe de análises da JLT Re.

Davied Priebe, vice-presidente da

Guy Carpenter, também foca o lado financeiro

do negócio em suas previsões.

“Eu acho que continuaremos a ter um

processo de transformação do setor, com

um mercado cada vez mais dinâmico,

com um maior e mais livre fluxo de capital

e investidores. Temos que continuar

convencendo os investidores que o seguro

é um ativo importante e abrangente, do

ponto de vista de classe de investimento e

de garantia de risco”, prevê Priebe.

De olho no futuro dos fundamentos

macroeconômicos do mundo nos

próximos anos, o economista-chefe da

Swiss Re, Kurt Karl, aposta nos mercados

emergentes como grande fonte de

receitas para as grandes resseguradoras

globais, principalmente China. Ele também

vê um cenário com taxas de juros

mais favoráveis para os investimentos

das companhias. “Não estou esperando

que o Fed [Banco Central dos Estados

Unidos] suba juros na semana que vem,

mas é algo que acontecerá no fim do ano,


início de 2016. Isso deve ser acompanhado

pelos bancos centrais do Reino Unido e

da Europa, mas só irá favorecer os ativos

dos portfólios das resseguradoras mais

para frente”, acredita Karl.

Já Denis Kessler, CEO da francesa

Scor, vê um mercado de resseguros mais

consolidado e concentrado em um número

cada vez menor de empresas. “Mas isso

não ocorrerá apenas via fusões e aquisições,

mas porque o fluxo de negócios

se encaminhará para cada vez menos

players, grandes players. Hoje temos

vários gaps que separam as empresas na

indústria de resseguros, em termos de

tamanho do negócio, expertise, poder de

mercado. Então, projetamos o mercado

com poucas empresas globais com bastante

poder de fogo, oferecendo capacidade e

serviços em todas as linhas. Companhias

médias menores se manterão no negócio

pela expertise, enquanto resseguradores

pequenos terão dificuldade de continuar.

Basta olhar para o segmento vida de

resseguros hoje, com mais de 80% dos

negócios nas mãos de cinco, seis companhias.

Isso deve acontecer em dez anos,

15 anos, no segmento de propriedades e

casualidades”, avalia Kessler.

CEO de um pequeno sindicato

recém-aprovado no Lloyd’s of London,

David Reeves, do grupo segurador inglês

Barbican Insurance, discorda do colega

David Reeves, da Barbican Insurance

da Scor. “A questão que está na boca de

todos do mercado é como os pequenos

resseguradores se manterão na ativa com

tamanha concorrência. Minha resposta

como líder de uma pequena resseguradora

é: ‘o detalhe está nos serviços.

Onde há serviços a serem prestados, há

oportunidade. Onde há oportunidade,

há margem. Há espaço para a gente, há

um nicho. Nós vamos continuar usando

o formato de negócio do Lloyd’s, assim

como várias outras empresas, e tenho

certeza que os clientes continuarão tendo

boas experiências com a gente. Portanto,

o mercado em dez anos será excitante.

O mercado do Lloyd’s deverá dobrar de

tamanho em relação ao fluxo que tem

hoje, com cerca de cem sindicatos em

operação. Em dez anos, vamos estar bastante

orgulhosos das nossas conquistas

”, promete Reeves.

>> Mais informações sobre o tradicional

encontro de resseguradores

Rendez-Vouz Montecarlo acesse: www.

rvs-monte-carlo.com/welcome

Governo Dilma e os (re)seguros 1

O ministro da Fazenda, Joaquim

Levy, não estava brincando quando colocou

o mercado de seguros e resseguros

em sua agenda na área econômica. Em

várias oportunidades, o ministro destacou

a importância desses dois setores

num contexto de um desenvolvimento

econômico mais dinâmico para o Brasil.

Mais especificamente, Levy quer que

seguradoras e resseguradoras sejam

protagonistas do financiamento do crescimento

da economia do país usando seus

enormes portfólios de investimento para

bancar projetos de infraestrutura.

Levy veio a Londres em maio deste

ano e discutiu o assunto com lideranças

do setor. O ministro retornou à capital

inglesa em outubro e deu um passo mais

concreto. Voltou a se encontrar executivos

de grandes empresas e representantes do

governo britânico, inclusive o ministro

das Finanças, George Osborne, para discutir

como fazer os mercados de seguros

e resseguros dos dois países avançar.

Esse compromisso foi formalizado em

um documento de intenções produzido

pelos dois governos.

“O Brasil e o Reino Unido reconheceram

os benefícios do fomento de um

setor de seguros e resseguros inovador,

além do potencial das tecnologias financeiras

como meio para tanto. Ambas as

partes comprometem-se a estabelecer

um grupo de trabalho integrado por representantes

dos governos do Brasil e do

Reino Unido, além de lideranças do setor

privado. O Reino Unido viu-se motivado

mediante as alterações regulatórias

recentemente introduzidas pelo Brasil

no sentido de liberalizar seu mercado

de seguros e resseguros”, declarou Levy.

Governo Dilma e os (re)seguros 2

Em sua segunda passagem por Londres

em menos de seis meses, o ministro

da Fazenda, Joaquim Levy, também falou

sobre o Instituto de Resseguros do Brasil

(IRB Brasil Re). Em entrevista coletiva

a jornalistas brasileiros e britânicos,

Levy disse que a venda ou a abertura

de capitais do IRB estão na agenda do

governo. O ministro falou, brevemente,

que uma transação envolvendo o IRB

“será positivo” para o esforço fiscal atual

empreendido pela equipe econômica do

governo federal como forma de reequilibrar

as contas públicas.

Denis Kessler, da Scor

* Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o setor de

seguros e resseguros na Gazeta Mercantil

21


capa | sustentabilidade

Descarte

ecológico

auxilia o mercado

a preservar o

meio ambiente

Seguradoras inovam ao oferecer o serviço de Descarte Ecológico

aos seus segurados, resolvendo o problema da destinação dos itens

inutilizados de seus clientes e contribuindo com a natureza

Kelly Lubiato

Certamente, você já viu aquele

monte de entulho e resíduos

descartados em local indevido,

como em terrenos baldios,

ruas e calçadas. Ou, em uma matéria

sobre enchentes na televisão, a cena de

um sofá boiando próximo a córregos e

rios. Combater esta realidade brasileira

é um desafio, até mesmo para os órgãos

públicos, e as empresas que buscam se

diferenciar no mercado e alavancar as

vendas de seguros começam a recorrer

a serviços ambientais agregados aos

seus produtos.

22

Diante desse cenário, surgiu o serviço

de descarte ecológico, cujo objetivo

é coletar e destinar o que for recolhido

para não prejudicar o meio ambiente.

Um sofá velho, por exemplo, depois de

coletado é desmontado, descaracterizado

e separado por tipo de matéria. Cada

coisa segue seu destino: o tecido volta à

indústria têxtil; a borracha é triturada,

podendo virar manta asfáltica; a espuma

pode ser aplicada em pisos e pistas de

atletismo e, a madeira, depois de triturada,

pode servir de combustível através

de biomassa.

A percursora na utilização deste

recurso foi a Itaú Seguros Auto e Residência,

que em 2011 incorporou o Descarte

Inteligente como serviço de sua apólice

do seguro Residencial. A evolução da utilização

do serviço cresce a cada ano. De

acordo com Ricardo Fernandes, gerente

de produto residencial da seguradora, algumas

regiões têm apelo maior, seja pela

dificuldade em descartar alguns itens ou

mesmo pela consciência ecológica. Além

de contribuir com o meio ambiente, a Itaú

Seguros Auto e Residência foi a primeira

seguradora a utilizar o serviço de des-


carte também para a coleta de salvados

provenientes de sinistros residenciais.

Para as seguradoras, aderir a produtos

inovadores, que ao mesmo tempo

oferecem uma percepção de valor aos

seus clientes, é essencial. Ou seja, ofertar

produtos aos seus clientes que não tenha

apenas cunho ambiental, mas que faça

diferença na vida deles, e assim gerar

uma experiência positiva na utilização

do serviço. O Descarte Ecológico, por

exemplo, pode ser oferecido aos segurados

em forma de assistência para seguros

residenciais, seguros empresariais, seguro

auto, seguros de condomínios, além de

garantia estendida – ponto de partida da

Zurich Seguros, que se tornou pioneira

ao lançar serviços sustentáveis no seu

produto distribuído por lojas de varejo.

Sabendo de sua responsabilidade

em destinar de maneira ecologicamente

correta todos os resíduos que são gerados

através de suas atividades, a Zurich

Seguros passou a coletar e tratar os itens

indenizados através do Descarte Ecológico.

“Além de diminuir a frequência de

sinistros e fraudes, a retirada domiciliar

e avaliação do produto sinistrado ajudam

nossos parceiros a corrigirem erros do

processo de fabricação”, conta Walter

Pereira, diretor executivo Comercial e

Multirriscos/Equipamentos.

Outra seguradora que inovou e

lançou os serviços sustentáveis para um

segmento que, até então, não haviam

beneficiários, foi a Liberty Seguros,

que desde 2013 oferece o benefício para

❙❙Walter Pereira, da Zurich

clientes do seguro auto. Os segurados

das apólices de seguro residencial e seguro

empresarial também contam com o

Descarte Responsável. Além do auxílio

na destinação correta de móveis, eletroeletrônicos,

eletrodomésticos, entulhos e

restos de obras, os segurados contam com

o apoio de consultores especializados,

que irão orientá-los com dicas práticas

para o consumo consciente de água,

energia elétrica, reciclagem de lixo, entre

outras iniciativas.

Alguns materiais têm uma quantidade

de retirada maior. Sofás e colchões são

itens mais descartados pelos segurados,

mas os tipos de resíduos não se limitam

a eles. Segurados da Allianz Seguros,

por exemplo, assim como de outras

seguradoras que aderiram ao produto,

podem solicitar o serviço de retirada e

descarte de itens como sofás, colchões,

móveis, geladeiras, eletrodomésticos,

eletroeletrônicos, entre muitos outros.

“Caso ainda estejam em condição de

uso, são doados a entidades assistenciais

previamente cadastradas e aprovadas

pela companhia. Já os utensílios que

não puderem ser reutilizados são descaracterizados,

os seus componentes são

separados por tipo e categoria e retornam

à cadeia produtiva como matéria-prima

ou subprodutos”, explica Mario Ferrero,

diretor executivo de Massificados, Saúde

e Vida da Allianz Seguros.

Os materiais que não puderem ser

reaproveitados são destinados de maneira

ambientalmente adequada. Ferrero

acrescenta que, no final do processo,

a seguradora emite um certificado em

nome do segurado garantindo que os

bens coletados seguirão as mais rigorosas

normas de sustentabilidade.

A Allianz Seguros, que foi a pioneira

no lançamento dos serviços sustentáveis

para os seguros de condomínio e seguro

empresarial, também foi a primeira

seguradora a realizar a ação do Fim de

Semana Sustentável, na qual, em parceria

com a Ecoassist (empresa especializada

neste serviço), são dedicados um ou dois

dias para que o condomínio segurado e

seus moradores possam descartar objetos

inutilizados de seus apartamentos. Vão

desde itens volumosos como sofás, armários

e geladeiras, até itens portáteis como

celulares, cafeteiras e demais resíduos,

❙❙Mario Ferrero, da Allianz

Foto: Gerardo Lazzari

23


capa | sustentabilidade

além de revistas, roupas, entulho e restos

de obras. Os condôminos podem descartar

de forma correta tudo aquilo que não

utilizam mais e o corretor de seguro da

apólice do condomínio tem a oportunidade

de manter contato e oferecer novos

seguros aos moradores. “Apesar de ser

mais comum acontecer em condomínios,

essa ação também está disponível às empresas”,

esclarece Ferrero.

O que realmente garante a boa utilização

do serviço é a sua divulgação.

Por isso, é fundamental que o corretor

explique ao seu segurado que o Descarte

Ecológico está disponível na sua apólice,

isso poderá fazer a diferença na hora de

vender o produto. Aquele que tiver maior

valor agregado será preferido pelo consumidor.

“Oferecer seguros que tenham

essa preocupação com o meio ambiente é

fundamental. Além de ser uma inovação,

resolver um problema real do consumidor

é de extrema importância” diz Walter Nemer

Júnior, diretor da Nemer Corretora

de Seguros.

Arma contra fraudes

No mercado de seguros é difícil

estimar quanto é perdido por conta das

fraudes. A maioria dos pequenos delitos

não são percebidos pelas seguradoras.

Neste ponto, o Descarte Ecológico também

pode se tornar uma ferramenta capaz

de diminuir a quantidade de fraudes e,

portanto, pode melhorar o resultado das

seguradoras.

José Augusto Garutti, Sócio Fundador

da Ecoassist, destaca que, de acordo

com a Susep, a partir do momento que a

seguradora indeniza o segurado, torna-se

responsável pelo salvado. Assim como

nos seguro auto e de garantia estendida,

no seguro residencial, empresa e condomínio,

também, existe a necessidade

de recolher os salvados provenientes

dos sinistros. “Nestes casos, o Descarte

Ecológico entra como parte da regulação

do sinistro. Ele deixa de ser um custo

e passa para a conta de resultados das

companhias”, avalia o executivo.

A especialista

Com sede em São Paulo e atendimento

em todo o território nacional, a

Ecoassist Serviços Sustentáveis, presta

24

serviços ambientais como o Descarte

Ecológico. Desde 2009, atua junto às

seguradoras para dar um destino àquilo

que os segurados não utilizam mais.

Através da central telefônica, o

segurado recebe todas as orientações

necessárias para a realização do Descarte

Ecológico. As coletas são feitas através de

agendamento de acordo com a necessidade

do solicitante. Após o agendamento,

para maior segurança, o cliente recebe

por e-mail, uma ordem de serviço com os

dados e foto do motorista e do ajudante

que realizarão a retirada.

O serviço oferece total comodidade

ao segurado, que não precisa se preocupar

para se desfazer de seus itens inutilizados.

“O atendimento é realizado em todo

território nacional. Todo item coletado é

trazido para um de nossos galpões em

São Paulo, onde recebem tratamento e

destinação adequada”, explica Garutti.

Segundo o executivo, para uma empresa

atuar corretamente neste setor, ela

precisa de todas as licenças ambientais

necessárias, além de se enquadrar na

Política Nacional de Resíduos Sólidos,

que envolve todos os setores, inclusive a

área de seguros.

Garutti destaca que o Descarte

Ecológico é um serviço capaz de tornar

tangíveis as apólices de seguros. “Além

disso, valores como sustentabilidade e

comodidade estão cada vez mais em alta

no conceito dos consumidores”.

❙❙José Augusto Garutti, da Ecoassist

❙❙Fatima Lima, da CNseg

“Hoje, coletamos desde pequenos

itens, como celulares e eletroportáteis,

itens de grande porte, como sofás, geladeiras,

fogões, até resíduos automotivos

provenientes de sinistros e reparos em

oficinas, evitando assim que as peças

sejam reparadas e vendidas no mercado

paralelo, conclui o executivo.

Precursora no descarte de

automóveis

Outra empresa inovadora e com o

cunho ambiental é a Renova Ecopeças,

que recicla os veículos irrecuperáveis da

Porto Seguro, Azul e Itaú, processando e

destinando peças ou outros subprotudos

decorrentes da desmontagem automotiva.


Atualmente, a empresa recicla 200

veículos por mês. Para ilustrar e trazer

esse número para a nossa realidade, apenas

um carro reciclado significa deixar de

emitir 3.700 Kg de CO2, o que equivale

ao que sete árvores neutralizariam durante

toda a sua vida.

“Temos em vista uma segunda

fase do projeto quando expandiremos

o conceito, desmontagem e destinação

ambientalmente correta dos veículos para

produtos como eletrodomésticos e eletrônicos”,

afirma Fabio Frasson, diretor.

Solução para o cliente final

Estima-se que, mensalmente, no

Brasil sejam comercializados mais de 13

milhões de produtos novos, como sofás,

geladeiras, maquinas de lavar, televisores,

computadores, entre outros. O que fazer

com os produtos antigos, sem uso, quebrados

ou obsoletos?

O Descarte Ecológico é a solução

adequada para este tipo de problema.

Alguns varejistas já oferecem este serviço

aos seus clientes, como benefício dentro

das apólices de seguros residenciais e de

garantia estendida comercializados em

suas lojas e sites. O serviço se tornou um

forte aliado na argumentação de vendas

de seguro no varejo.

O varejista pode, ainda, comercializar

o Descarte Ecológico separadamente no

momento da venda do item novo, resolvendo,

assim, um problema do consumidor

que não tem o que fazer com o item velho.

De acordo com PNRS

A Política Nacional de Resíduos

Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº

12.305/2010, estabelece regras para a

destinação e disposição correta de todos

os tipos de resíduos gerados em diversos

setores da economia. Ao incentivar uma

gestão integrada entre os participantes

da cadeia produtiva, a PNRS promove o

compartilhamento de responsabilidades

e, com isso, a geração de novos desafios

e oportunidades. Para o setor de seguros,

o conceito da corresponsabilidade é um

desses desafios. Isso porque os papeis

e deveres das seguradoras nesse novo

cenário podem variar de acordo com

cada situação.

“Cada vez mais, as seguradoras estão

percebendo que é estratégico integrar a

sustentabilidade no centro de sua atuação

e manter um olhar atento para as questões

socioambientais, econômicas, geopolíticas,

tecnológicas e de governança corporativa”,

explica Fatima Lima, presidente da

comissão de Sustentabilidade da CNseg.

Pesquisa realizada pela CNseg com

20 seguradoras, que representam quase

Números que o Meio Ambiente agradece

+ de 3,6 MIL toneladas de resíduos sólidos coletados e destinados de

forma ecologicamente correta;

+ de 33 MIL descaracterização e viabilização de reciclagem de poltronas

e sofás;

+ de 110.540 kg de CO2 foi evitado que chegassem a atmosfera;

+ de 30 MIL clientes foram orientados a economizar cerca de 8.512.000 kw

de energia e 986.000 m³ de água com o serviço de Consultoria Ambiental

80% do mercado segurador brasileiro,

revela que três das quatro metas para

a concretização dos Princípios para

Sustentabilidade em Seguros (PSI) foram

alcançadas um ano antes do prazo

previsto:

>> Meta 1: 40% das seguradoras

integrarão as questões ASG (ambientais,

sociais e de governança) em sua política

de subscrição de riscos

>> Meta 2: 30% das seguradoras

terão um programa de engajamento de

corretores nas questões ASG

>> Meta 4: 50% das seguradoras

reportarão questões ASG

“Esse fato mostra o alto grau de

comprometimento das companhias de

seguros brasileiras, que estão trabalhando

para a integração dos aspectos

ambientais, sociais e de governança em

sua política de subscrição de riscos e em

seus programas de engajamento para os

corretores, além de estarem comprometidas

com a publicação dessas iniciativas

em seus relatórios”, define Fátima.

A presidente aponta que é muito

importante para as seguradoras estarem

atentas às legislações, buscando conhecer

e se atualizar constantemente. “É preciso

conhecer as operações dos clientes, seus

resíduos, fluxos e riscos. A subscrição é

uma etapa fundamental, pois neste ponto

é que os riscos de geração e destinação de

resíduos devem ser corretamente mensurados

e avaliados”, conclui.

25


especial riscos diversos evento

❙❙Gaudêncio Torquato

O seguro em tempos

de crise

Especialistas apontam soluções para que o

Brasil volte a prosperar. Pouco atingido pelas

instabilidades política e econômica, mercado

securitário permanece otimista

Em meio ao descompasso entre os

poderes Legislativo e Executivo,

da economia dependente do

Congresso e da judicialização

da política, a pergunta da vez é: há luz

no fim do túnel? Especialistas da área

política e econômica acreditam que sim.

Acreditam, inclusive, que o País pode sair

mais forte da crise atual.

Lívia Sousa

Durante a Zurich Corporate Conference

2015, realizada pela seguradora no

Guarujá (SP), especialistas apontaram

possíveis soluções para os riscos em

curto prazo, sendo uma delas a renúncia

da presidente da República, Dilma

Rousseff. “Diante da situação praticamente

insustentável, isso facilitaria a

solução do atual entrave político. Mas,

pessoalmente, entendo que seja pouco

provável. Tudo indica que a presidente

vai permanecer no cargo, se possível,

completando inteiramente o seu mandato”,

disse a ministra Ellen Gracie,

frisando que a renúncia voluntária não

significaria uma condenação por mal

feitos ou irregularidades.

O impedimento perante o Tribunal

Superior Eleitoral (TSE) seria a segunda

alternativa, seguida do impeachment,

visto por Ellen como a última saída. No

entanto, a ministra deixou claro que “a

solução para a crise é muito mais política

do que jurídica”.

O Brasil, que atravessou épocas de

redemocratização, de estabilização econômica

e política e de melhoria social,

26


passa agora pelo esgotamento do ciclo

econômico, razão que, para o jornalista

político Gaudêncio Torquato, faz desta

a maior crise da contemporaneidade.

“Temos problemas na área da política,

da gestão, da economia e na área social.

Essa conjugação de fatores resulta na

crise mais grave já enfrentada pelo País”,

pontuou. O especialista acredita que o

quadro se agravará ainda mais quando

os efeitos da deterioração da economia

começar a aparecer mais fortemente no

bolso dos cidadãos, principalmente das

camadas mais carentes.

Amplificada em função da Operação

Lava Jato, a crise atual também permitirá,

na visão dele, um impacto sobre a

esfera política que poderá gerar lições

positivas. Uma profunda reforma nas

áreas partidária e eleitoral, além da gestão

mais transparente e do choque de ética e

moral na política com a conscientização

da sociedade para a democracia participativa,

levarão o Brasil a fazer reformas

fundamentais.

Para o economista Paulo Rabello,

o Brasil está devendo a si mesmo este

salto. Entretanto, é preciso analisar o

timing da explosão de frustrações que o

País enfrenta e entender a consequência

da transição da explosão econômica para

a política. “Temos um custo financeiro

explosivo no governo e no setor privado

e este talvez seja o maior combustível de

❙❙Ellen Gracie

❙❙Paulo Rabello

todo o processo. Com o desgoverno em

alta e a arrecadação em baixa, Estados

encontram crescente dificuldade em

honrar compromissos e os consumidores

desaparecem”, explicou.

“Desengavetar” o Brasil seria uma

solução? Para Rabello a medida é válida,

desde que executada fora deste cenário: a

previsão é de que, ainda em 2015, a dívida

pública alcance a marca R$ 530 bilhões,

valor que corre o risco de dobrar no ano

seguinte, caso a situação persista.

“Quem se preocupou com o investimento

de uma Copa do Mundo agora

terá que se preocupar com o valor de 21

Copas do Mundo em um único ano”, comparou,

apontando como único caminho

um balanço fiscal total igual a zero, com

equilíbrio orçamentário. “A estrutura e

a composição do endividamento público

brasileiro, adiada desde o governo de

Fernando Henrique Cardoso, é a grande

revolução a se fazer. Os partidos políticos

não estudaram essas alternativas e até

o momento não há nenhum programa

organizado”.

Seguro Garantia e

investimento

O Brasil teve sua nota de crédito

rebaixada por duas agências de classificação

de risco. A primeira foi em setembro

deste ano, quando a Standard & Poor’s

retirou o selo de bom pagador do País.

No mês seguinte, a Fitch também colocou

o rating sob perspectiva negativa, mas

manteve o grau de investimento do Brasil.

Com a credibilidade em baixa, o

ramo securitário também é atingido.

Indiretamente, isso afeta na queda do

número de apólices de performance,

principalmente as ligadas a contratos públicos.

Mas a mesma crise fez com que as

empresas busquem formas de economia

nas garantias judiciais.

Por outro lado, o cenário atual afeta

as companhias no que tange aos seus

balanços e as apólices de seguro garantia

judicial levam em consideração o resultado

financeiro das empresas. Uma vez o

balanço afetado, os resultados pioram e

as seguradoras ficam mais tímidas em relação

a assumir riscos de crédito e riscos

judiciais. “A balança se contrapõe a todo

momento: aquece e desaquece, está desta

forma. É uma busca constante pelo seguro

garantia judicial com o desaquecimento

das garantias de performance”, explica

Rodrigo Loureiro, diretor de garantia

– Surety Bonds da Willis, que esteve

presente no XI Seminário Internacional

da Associação Brasileira de Gerência de

Riscos (ABGR), em São Paulo.

Já o mercado securitário, como um

todo vai na contramão deste cenário: projeções

feitas pela CNseg e divulgadas em

setembro deste ano apontam que o segmento

deverá atingir 12% de crescimento

até o final de 2015. “O seguro passa a ter

mais apelo em momentos de crise, pois é

nessa hora que as empresas e os investidores

têm interesse em transferir tudo o que

27


especial riscos diversos evento

❙❙Rodrigo Loureiro, da Willis

conseguem”, justifica a diretora de M&A,

Privaty Equity Financial Institutions da

JLT Brasil, Lygia Muriel.

Os investidores, aliás, continuam de

olho no Brasil, que de janeiro a agosto

somou 513 transações de fusões e aquisições,

sendo 49% deste volume oriundas

de capital estrangeiro – a maioria dos

Estados Unidos. “Para os Estados Unidos,

Europa e outros países o Brasil está

barato, então mesmo com as incertezas

ainda é um País que tem apelo. Os estrangeiros

compram setores bem específicos.

Vemos uma movimentação muito forte

em tecnologia e os asiáticos olhando para

investimentos em infraestrutura. Com

todo esse cenário de empreiteiras, construtoras,

e o Brasil um país do tamanho

que é, a única certeza é de que sem obra

de infraestrutura não dá para ficar”.

As novas

preocupações

do mercado

Empresas sentem o impacto direto de uma

das piores crises hídricas do Brasil. Ao mesmo

tempo, são ameaçadas pela violação de

dados, mas ainda encaram com resistência a

cultura de seguros ciberméticos

Lívia Sousa

❙❙Lygia Muriel, da JLT Brasil

28

Os ataques cibernéticos se

tornam cada vez mais frequentes

no Brasil. Segundo

um estudo realizado pela

empresa americana de tecnologia Akamai

Technologies, somos um dos países

mais atingidos pela prática, recebendo

7% de todos os crimes cibernéticos

mundiais. Outro levantamento, da

PWC, mostra que apenas em 2014 estes

ataques cresceram 48%.

Apesar de o Brasil estar entre os

países mais visados no que diz respeito

à violação de dados, a demanda por seguro

cibernético é baixa. Detentoras de

informações confidenciais, as empresas

acabam sendo as grandes afetadas pela

prática e, ainda assim, poucas contam


especial riscos diversos evento

com apólices de cyber segurança. “O

principal motivo é a falta de conscientização

sobre o tamanho e impactos do risco

cibernético”, afirma Flavio Sá, gerente de

Linhas Financeiras da AIG Brasil.

Vale frisar que, mesmo sendo um

importante componente para salvaguardar

empresas, a cobertura de seguro não

substitui a necessidade de uma política de

segurança cibernética para organizações.

Por isso, é necessária a conscientização

interna de que segurança é uma responsabilidade

de todos e não apenas questão

a ser tratada pelo departamento de Tecnologia

da Informação. “Ter diferentes

áreas de negócios envolvidas na gestão de

riscos cibernéticos fortalece a defesa de

uma companhia contra ameaças”, alerta

Ana Canovas, International Financial

Lines do XL Catlin.

O planejamento de contenção de crises

deve envolver ainda um treinamento

aos colaboradores sobre como tratar

informações confidenciais, onde estão

as principais ameaças, como utilizar o

ambiente cibernético corporativo e, inclusive,

como responder a um incidente,

além de mapear vulnerabilidades e definir

o nível de tolerância da companhia

frente a um ataque.

O caminho parece simples, mas o

ceticismo quanto à existência de exposição

e de perigo dificulta a tomada de

medidas de prevenção e proteção por

parte das empresas. De acordo com

Sá, as empresas precisam desenvolver

a cultura de gestão de risco, ao passo

que a regulamentação do Marco Civil

da Internet é um fator recente, com a

implementação ainda em curso. No

entanto, ele acredita que fatores como o

desenvolvimento deste novo regulamento,

a educação para ajudar as empresas a

responderem ameaças por meio da transferência

de risco, o desenvolvimento de

capacidades específicas para enfrentar

os riscos em evolução e a exposição

que muitas companhias brasileiras têm

quando fazem negócios com outros

países (os quais têm leis rigorosas de

proteção de dados e de privacidade)

ajudarão a aumentar a consciência sobre

os riscos cibernéticos e a demanda pela

cobertura será adequada.

Para Ana, o quadro já começa a mudar

com a demanda por conhecimentos

cibernéticos e oferta de produtos cada vez

maior entre as empresas brasileiras, que

querem entender melhor os riscos cibernéticos

e até que ponto seus negócios podem

ser afetados. “Estamos convencidos

de que o interesse na proteção cibernética

vai continuar a aumentar nos próximos

meses e anos”, diz a executiva.

Crise hídrica

No Brasil, a crise hídrica prevalece

como um risco provável de alta severidade

há pelo menos dois anos, impactando

diretamente no custo dos produtos, na

lucratividade e nos planos de crescimento

e desenvolvimento das empresas. De

acordo com Carlos Cortés, Head of Risks

Engineering da Zurich Brasil, o País

ainda ocupa uma posição privilegiada

quanto a este assunto, em comparação

com outras regiões do mundo, mas o tema

não deve ser desconsiderado.

Nos negócios, as empresas com alta

dependência da água começam a vivenciar

a desaceleração de operações. Em um futuro

mais longo, pode-se pensar inclusive

na ameaça da resiliência dos negócios,

em custos de realocação para áreas que

tenham uma crise hídrica mais branda.

“Os setores mais impactados pela

crise hídrica são as companhias de

manufatura de produtos básicos, as de

utilidades e as empresas de geração de

energia. Uma minoria delas está saindo

da caixa e incluindo a comunidade e os

demais usuários da água para avaliar

o risco dos outros players”, diz Cortés,

completando que essas avaliações ainda

estão muito fechadas e não consideram

aspectos internos relevantes.

A falta d’água preocupa não apenas

as empresas em funcionamento no Brasil

como também aquelas que pretendem

se instalar no País, sendo que os futuros

investidores já estão de olho nas medidas

realizadas pelas companhias para driblar

a crise hídrica. Como este não é um risco

nominado e sim uma falha do fornecimento

de água, não há cobertura de seguros

– um grande motivo para que as empresas

avaliem possíveis riscos antes de iniciar

suas atividades no local.

❙❙Flavio Sá, da AIG Brasil

30

❙❙Ana Canovas, da XL Catlin

❙❙Carlos Cortés, da Zurich Brasil


especial riscos diversos D&O

Compliance:

aliado do D&O

Boas práticas de governança podem garantir a proteção

dos executivos das companhias

Amanda Cruz

32


Deixando os aspectos econômicos

temporariamente de lado,

as questões políticas são talvez

o ponto de maior destaque da

crise que o Brasil enfrenta nos últimos

anos. Segundo um estudo feito pelo Valor

Econômico, a corrupção no Brasil consome

2,3 pontos do PIB anual, incluído

nessa conta um montante considerável

de gastos do poder público para tentar

prevenir essa prática. Mesmo se tirarmos

da conta as questões financeiras, casos de

corrupção podem afetar diversos mercados

e prejudicar seriamente empresas

estatais, as que têm grande parte do seu

faturamento vindo de contratos públicos

e principalmente aquelas que têm histórico

de investigação de irregularidades

ou até mesmo algum sinistro na apólice

de D&O. “Uma cotação de seguro novo

ou de renovação para empresas com esse

perfil se tornam um pouco mais difíceis,

porque as seguradoras acabam fazendo

mais perguntas do que faziam antes”,

destaca Celso Júnior, da Zurich Seguros.

A lei anticorrupção, criada em 2013

e que entrou em vigor no início de 2015,

traz à tona a necessidade de proteger

empresas e estar atentas às possíveis

fraudes que possam comprometer a

imagem de uma companhia, mas vai

muito além disso. Como proteção para

as empresas, todas as atividades mais

complexas, envolvendo um maior volume

de valores de dinheiro, sejam sempre

tomadas com mais de uma pessoa. Os

próprios contratos sociais já devem

❙❙Márcia Cicarelli, do Demarest

trazer restrições. A partir do momento

que a decisão não pode ser de apenas

uma pessoa na qualidade de gestor, já

se divide a responsabilidade. Até mesmo

as chamadas comfort letters, cartas

que as empresas outorgam, dão a seus

administradores uma promessa de que

elas assumem a responsabilidade por

toda e qualquer indenização que eles

venham a pagar a terceiros, desde que

estejam agindo no exercício regular de

suas funções.

Por que a Lei Anticorrupção é

importante

O Brasil aprovou a lei em uma época

em que uma série de países também está

aprovando. O País não está atrasado,

já que EUA e Inglaterra também aprovaram

suas leis recentemente e as três

são bastante similares. “Mesmo assim,

com o cenário recessivo e de buscas por

resultados, muitos gestores confessam

que se sentem pressionados a corromper

de forma a conseguir os resultados efetivamente

exigidos pelas suas corporações”,

conta Marcia Cicarelli, advogada

do Demarest. As punições se dão por

comprovação de atos lesivos à administração

pública nacional ou estrangeira,

não prevendo a corrupção privada. “Os

crimes previstos na lei são amplos justamente

para que todo e qualquer tipo

de corrupção, envolvendo a organização

pública, estejam previstos e possam ser

enquadrados facilmente dentro dessa

tipologia”, elucida. Os crimes ocorridos

contra administrações públicas estrangeiras

também devem ser penalizados

e abrangidos.

Segundo ela, os programas de compliance,

que visam combater a corrupção

nas empresas aliados a boas práticas de

governança corporativa, podem ter a

possibilidade de reduzir em até 50% o

índice de corrupção.

A Lei trata apenas de duas esferas:

a responsabilização da administrativa

e civil das pessoas jurídicas, não se

confundindo com a responsabilização

penal. A novidade é que ela se incumbe

de responsabilizar as Pessoas Jurídicas,

ou seja, a empresa, o tomador do seguro

D&O. Para que isso ocorra, é exigido que

exista a cobertura do administrador seja

ela por ação ou por omissão e negligência,

mas quem responde é a companhia. “Ela

trouxe a noção de que se houver efetivamente

um ato de corrupção, a empresa

será responsabilizada objetivamente,

independentemente da culpa dela, responderá

pelo administrador que for o agente

corruptor da empresa”, explica Márcia.

Entre as principais infrações que

podem ser cometidas e punidas pela Lei

Anticorrupção estão questões como: oferecer

ou financiar vantagens indevidas,

ocultação ou dissimulação de interesses,

fraudar a licitação e dificultar investigações.

A multa para esse tipo de conduta

é bastante alta, sendo um percentual do

faturamento e nunca inferior à vantagem

auferida. “A vantagem que se busca nesse

procedimento é que vai ser o principal

ponto a ser considerado na aplicação da

multa”, diz Márcia.

Aplicação no D&O

Todas as seguradoras estão tendo de

lidar com o aumento de sinistralidade

da carteira de D&O, é um movimento

uniforme em todo o mercado, ainda mais

porque empresas contratantes de grande

porte não têm seus riscos alocados em

uma única seguradora. “O que acontece

nessa situação é que a subscrição precisa

de mais cuidados, ser mais detalhada. A

situação que existia há alguns anos, de

soft market, ou seja, de condições abertas

e preço caindo, é muito diferente agora”,

analisa Júnior. Ele percebe que as seguradoras

estão adequando sua precificação

❙❙Celso Junior, da Zurich

33


especial riscos diversos D&O

e focando principalmente nos programas

existentes de compliance antes de abraçar

o risco. Essa aferição leva também

à aplicação de algumas cláusulas excludentes

na apólice. “Escuto de corretores e

clientes que o mercado está muito restrito,

que eles não conseguem colocar uma empresa

de capital aberto, que seja estatal,

ou que tenha contratos com governos”,

conta o executivo. Mas, ao que parece, as

empresas também têm se dado conta da

delicadeza do assunto e se preparado mais

para evitar esses acontecimentos.

Algumas exclusões em apólices de

D&O advêm da análise do subscritor. Se

ele identificar algum indício histórico,

uma investigação contra a empresa ou

até mesmo a volatilidade de seu setor,

tentará se proteger ou aplicar uma

excludente de cobertura. Além disso,

irregularidades de processos e práticas

anticoncorrenciais também acendem o

sinal amarelo na cabeça do subscritor. O

conhecimento desse profissional proporciona

a tomada de medidas necessárias

de acordo com cada caso, como a exclusão

absoluta, que pode ocorrer por causa

do setor em que a empresa atua, ainda

que as respostas sejam satisfatórias ou

a inversão do adiantamento de custos

de defesa, no D&O esse pagamento é

34

adiantado e se no final do processo for

verificado algum excludente de cobertura,

a seguradora tem direito ao regresso,

mas nos casos de risco maior, o contratante

tem que arcar com essas despesas

e após comprovar sua inocência, recebe

o pagamento retroativo.

Como experiência, Júnior conta que

um de seus clientes estava envolvido nesses

escândalos recentes de corrupção,

mas precisava das apólices de proteção

para casos futuros. A seguradora teve,

então, que estudar uma maneira de dar a

ele a apólice sem comprometer a saúde

da carteira. “Fizemos muitas perguntas

e percebemos que a empresa estava fazendo

um esforço muito grande para a

implementação de práticas de compliance.

Então, chegamos ao acordo: iniciar

excluindo riscos, já que não podíamos

visualizar se esses esforços estavam dando

resultados e, em seis meses, fazer uma

nova discussão sobre o avanço dessas

práticas, da conscientização dentro da

companhia e a construção de um novo

cenário”, exemplifica.

Se o programa de compliance

existe, outras questões são levantadas,

por exemplo, quais são os canais de denúncias,

se eles existem, são internos ou

independentes e a quem eles são ligados.

Porque código de ética e conduta muitas

empresas têm, mas a implementação

dele e o treinamento da força de trabalho

é fundamental. Ao observar isso,

percebe-se que as próprias empresas

estatais de capital aberto não têm essas

questões bem estabelecidas, que seriam

as maiores interessadas. Que dirá se isso

for transportado para empresas privadas,

de capital fechado e que muitas vezes

têm como acionistas componentes de

uma mesma família. A instalação da

área de compliance e risco é obrigatória

e muitas empresas ainda não têm.

“A nossa distância é muito grande. A

realidade do mercado brasileiro, onde

grande parte das empresas é de capital

fechado, então ainda há muito chão para

correr”, salienta.

A conclusão apresentada na paletra

da ABGR é a de que é preciso atenção do

mercado para empresas que constituem

relações com estatais, seja como clientes

ou fornecedores, intensificando a fiscalização

e o controle dessa relação. “Esse é

o grande desafio que nós temos. As leis

anticorrupção e a postura das seguradoras

hoje em dia precisam contribuir para

que a implementação dessas políticas e

dessas novas práticas ocorram de maneira

bem sucedida”, finaliza Júnior.


especial riscos diversos benefícios

Redução de custos

Companhias que

recorrem aos planos de

saúde para atrair e reter

talentos necessitam

mitigar o risco do

Capital Humano e seus

impactos financeiros

36

Lívia Sousa

A

assistência médica continua

sendo um dos mais importantes

meios para se atrair e reter

talentos dentro das empresas:

um estudo realizado pela consultoria Aon

aponta que o benefício é concedido por

99% das companhias em todo o mundo.

“Um dos desafios das empresas está na

escolha da contratação do plano, pois

esse momento exige atenção dos Recursos

Humanos (RHs) para avaliar se a operadora

possui a capacidade necessária para

atender o volume de demandas da carteira

com qualidade e excelência”, lembra o

diretor de Projetos de Saúde e Odonto da

SulAmérica, Roberto Cardoso.

Segundo o executivo, o desafio da

saúde suplementar no Brasil é enorme

e tem como um dos entraves a atuação

como gestores de saúde para a melhora

de hábitos da população e também

para a sustentabilidade dos negócios.

É justamente por isso que, ao mesmo

tempo em que lidera a preferência dos

colaboradores, o plano de saúde demanda

considerável desembolso. Para se ter

ideia, os custos das operadoras de planos

de saúde com consultas, exames, terapias

e internações, apurado pelo Índice de

Variação de Custos Médico-Hospitalares

(VCMH) do Instituto de Estudos de Saúde

Suplementar (IESS), cresceram 15,4%

nos 12 meses encerrados em março de

2015. O crescimento é bastante superior

à variação da inflação geral no País,

medida pelo IPCA, que registrou alta de

8,1% no mesmo período.

Agora, com a crise instaurada, o

modelo de coparticipação (em que o

funcionário paga uma parte da consulta

médica) tem sido ainda mais procurado,

com o crescente reajuste também repassado

à classe funcionária. “Qual empresa

suporta um crescimento no reajuste quando,

na folha de pagamento, o funcionário

recebe 7% de aumento de salário, mas é

repassado 20% a mais no valor de um

plano de saúde?”, questiona Maurício

Vinhão, diretor de Desenvolvimento de

Novos Negócios da Willis Brasil. “É uma

sensação de perda, uma conta que não

fecha”, argumenta o executivo.

É preciso, então, controlar o risco e

o sinistro para se reduzir o reajuste sem

impactar no bolso dos trabalhadores – a

principal dificuldade das organizações.

Entretanto, a gestão deve ser compartilhada

e não mais uma tarefa isolada da

área de Recursos Humanos: os setores

de compras, de gerenciamento e a área

médica também estão envolvidos no processo,

que busca equilibrar os custos, a

qualidade e a satisfação dos funcionários.

Para Vinhão, apenas será possível reduzir

e controlar sinistros quando todas essas

peças estiverem “encaixadas”, incluindo

o usuário final.

“O quadro não mudará enquanto o

funcionário não entender que ele é quem

financia os aumentos, consequentes do

mau uso do plano de saúde. Por isso, esses

setores devem fazer a ‘lição de casa’, que

é justamente engajar os colaboradores,

criar programas preventivos e dar abertura

para que seguradora e corretora

implementem essas medidas”, explica

o executivo “Quanto mais tivermos as

equipes integradas e cada um fazendo o

seu papel dentro da empresa, conseguiremos

efetivamente, em 12 ou 24 meses,

alcançar este resultado”.

Programas de prevenção

Segundo o diretor, cerca de 10% da

massa apresenta excesso de consultas e,

por isso, é imprescindível ter um plano

de controle de atestados e um programa

de medicamento, que podem ser traçados

por meio de entrevistas com o usuário,


❙❙Roberto Cardoso, da SulAmérica

aplicados por um questionário. Mas

somente o questionário não identifica

se o paciente fuma ou é sedentário, por

exemplo, até porque muitos omitem

informações ao preencher o documento.

“É necessário mapear o perfil de vida

dele para saber seus riscos nas outras

pontas: se ele toma alguma medicação,

o que mais utiliza no plano de saúde ou

se já se encaixa em uma classificação de

patologia”, explica Vinhão.

Não menos importante é o incentivo

ao check up, que negligenciado pelos

colaboradores pode se tornar um grande

aliado tanto às faixas-etárias que necessitam

de exames preventivos; como às

empresas, que desembolsam menos ao

identificar o problema do paciente logo

no início.

Também merece destaque o redesenho

de plano e de gestão de saúde, que

analisa o contrato e a prestadora ideais

para cada empresa, visto que em algumas

situações esta é a principal causa

do alto custo das empresa. “Quando

falamos em redesenho de contrato, não

falamos em só fazer uma cotação de

mercado para tentar reduzir o custo e

apresentar uma faixa menor ao cliente.

Primeiro, temos que entender como os

sinistros se comportam e quais riscos

se têm no contrato. Depois, olhar as

❙❙Mauricio Vinhão, da Willis

tendências, porque não adianta falar que

a empresa vai pagar um determinado valor

hoje se, após 12 meses, haverá outro

reajuste”, finaliza Vinhão, reiterando

que a ideia do mapeamento é justamente

mostrar como o futuro do usuário está

projetado nos próximos anos.


especial riscos diversos abgr

Gerenciamento pelo mundo

O momento não

poderia ser mais

propício para o bom

gerenciamento de

riscos, sejam eles

de engenharia ou

dos desafios de

multinacionais

Amanda Cruz e Kelly Lubiato

O

mercado de Engenharia não

vive seus melhores dias no

Brasil. Como sempre é otimista,

o mercado ainda vê

possibilidades de ampliação com novas

obras que deverão surgir nos próximos

anos, mas o alerta é claro: os números

deverão cair com o impacto do momento

atual. Conforme Enzo Ferracini, diretor

Comercial da JLT, explicou em sua

apresentação durante a ABGR, sem essas

obras, o PIB da construção deverá cair

8,6% e a indústria prevê fechamento de

mais de 610 mil vagas no ano de 2015.

Mesmo assim, os riscos que cercam

essa área ainda precisam ser muito bem

estudados e levados em conta. Se o bom

gerenciamento já é crucial em todos os

casos de apólice, o mercado deve entender

que quando está mais volátil esse

cuidado deve ser ainda maior. “É preciso

compreender tecnicamente o projeto a ser

implantado, fazer a organização de dados

e informações, identificação de todos os

riscos que envolvem o projeto”, explicou o

executivo. E esse, segundo ele, é o papel do

consultor, que deverá também analisar a

possibilidade de aproximação entre segurador

e ressegurador, além das coberturas

e limites que cabem ao projeto, corrigindo

possíveis desvios de padrões identificados

na execução. Tudo isso é feito visando

“evitar surpresas em eventual sinistro”.

Estudo de caso

Durante sua apresentação, Ferracini

mostrou estudos de caso para explicar

38

melhor o que pode acontecer no mercado.

Um dos exemplos foi um caso de

incêndio com prejuízo de R$ 4 milhões

causada por um ato doloso. Porém, a

apólice foi emitida com a cláusula particular

de exclusão para perdas e danos

causados por sabatagem. Como resolver

essa questão? “Identificada a possibilidade

de falta de cobertura, atuamos perante

a seguradora para demonstrar que essa

cláusula particular adicional às demais

exclusões da apólice não fazia sentido

devido os riscos expostos do segurado

e o momento que estávamos vivendo no

país, com diversos tumultos ocorrendo

nos canteiros. Assim, demonstramos que

a clausula era nula e de pleno direito. A

regulação do sinistro transcorreu normalmente”,

contou.

É verdade que a situação poderia ter

sido evitada se essa possibilidade tivesse

sido analisada e levada em consideração

anteriormente. Mas o caso serve para demonstrar

que o mercado pode apresentar

alguma flexibilidade.

“Há sempre uma margem de risco

imperceptível que surge no momento do

planejamento ou da execução do projeto”,

alertou o head de Engenharia da Axa,

Gerson Raymundo, também presente no

evento. O executivo falou sobre o momento

do Brasil, afirmando que “o crescimento

que o mercado terá dependerá da

escolha de prioridades. Principalmente de

grandes projetos que dependem de aprovação

do governo. A expectativa existe

e o futuro próximo nos dirá como será”,

disse e ainda completou: “o investimento

é uma questão política que foge do nosso

controle, mas novos projetos estão preparados

para o futuro, permitindo a nós

oferecer soluções corporativas.”

O mercado está alinhado e as preocupações

durante a ABGR tinham muito

em comum. Raymundo puxou um gancho

que também foi abordado em outra

ocasião do evento: a internacionalização

das empresas. “Acredito que o mercado

de engenharia, mundialmente, tende a se

internacionalizar, principalmente tendo

coberturas em comum. É uma cultura

que deve amadurecer com a abertura

do mercado, porque o comportamento

tende a ficar igual no exterior, mas num

futuro próximo a cultura de seguro vai ser

igualitária no mundo”, constatou.


❙❙Gerson Raymundo, da AXA

❙❙Kevin Strong, da XL Catlin

❙❙Angel Torres, da AIG

A cultura das multinacionais

As maiores empresas no mundo são

multinacionais. Isso significa que elas

têm que desenvolver um programa global

para que suas pretensões de vender

seus produtos e serviços em qualquer

lugar do mundo se tornem uma realidade

efetiva e lucrativa. O desenvolvimento

desse programa requer a colaboração

conjunta de seguradoras, brokers, gerentes

de risco, além de consultores

internacionais sobre finanças e taxas. É

preciso também que ele seja baseado em

um cenário onde todos os participantes

tenham plena compreensão da operação

em caso de sinistro.

Durante o Seminário da ABGR, Kevin

Strong, diretor de programas globais

e network da XL Catlin, afirmou que

esses programas são baseados em quatro

palavras com c: consistência, cumprimento,

custos e controles. Strong citou

o exemplo de uma fábrica na África que

teve um sinistro em sua apólice de seguro,

contratada em sua matriz da empresa,

Riscos em projetos de engenharia

• Riscos de Construção

• Riscos Ambientais e Sociais

• Riscos Financeiros e de Viabilidade

• Riscos Contratuais

• Riscos de Fornecimento e Transporte

• Riscos de Design do Projeto

• Riscos a Pessoas e Terceiros

em Londres. “O sinistro foi pago, mas

apenas um terço da indenização chegou

ao destino final, porque as autoridades

locais entenderam que o dinheiro estava

entrando como capital”, contou.

A lição que fica é a da necessidade de

estar atento à legislação dos países onde a

companhia atua. Ainda que a matriz possua

uma apólice suficiente para abranger

diversos sinistros, cada nação tem a sua

particularidade legal que quando não é

observada pode causa prejuízos maiores,

que vão além do sinistro. No caso brasileiro,

Strong ressalta que “se houver perda

que não possa ser coberta localmente,

as autoridades brasileiras podem taxar

o valor da indenização como aporte de

capital. Por isso, é necessário fazer uma

adequação legal para que o dinheiro seja

pago diretamente à unidade que sofreu o

dano”, esclareceu.

A ONU afirma que existem 100 mil

empresas multinacionais no mundo, sendo

o setor da construção civil um dos mais

importantes. Agora é tempo de começar

a expandir horizontes e sair dos eixos

conhecidos para essas grandes empresas,

conforme afirma Angel Torres, head de

multinacionais na AIG América Latina.

“Temos que começar a pensar na África,

no sudeste da Ásia, porque nos próximos

dez anos esses locais estarão em fase de

desenvolvimento. Muitas companhias

com menos de 500 funcionários já não se

concentram mais em seu próprio mercado”,

afirmou.

Torres acredita que nada é mais importante

do que está no país do cliente,

com pessoas e especialização necessárias

para atendê-los. “Empresas multilatinas

e multinacionais dependem de várias

linhas de negócios e temos que entender

todas. Cliente e empresa deveriam montar

o programa global para ser cumprido”,

aconselhou.

Dentro desse contexto, ressalta-se

que mais de 50% das maiores empresas

multinacionais da América Latina são

brasileiras. Isso dá ao mercado muita

visibilidade, o que acabou fazendo dele

o de maior interessa para a Mapfre fora

da Espanha, de acordo com Alfredo

Arán Iglesia, gerente geral da Mapfre

Global Risks. “O maior problema são os

riscos regulatórios. É preciso cumprir as

condições das apólices locais, porque se

for algum problema pequeno podemos

questionar, mas se ocorrer um grande

risco vira um problema quase insolúvel”,

afirmou. O executivo disse ainda que é

preciso considerar também as questões

de linguagem, o controle e a verificação

de riscos nas apólices.

39


evento | Fórum da Longevidade

Longevos devem

permanecer ativos

Ao invés de se

aposentar, idosos

querem trabalhar

e viver novas

experiências

Amanda Cruz

Um mundo mais amigável ao

idoso. O Fórum de Longevidade

da Bradesco Seguros

chegou a sua 10ª edição abordando

um tema que para muitos pode

ser delicado e até tabu, com delicadeza

e cuidado: envelhecer e cuidar para que

idosos tenham um mundo melhor a seu

alcance, especialmente nas relações de

trabalho. Isso vale também na indústria,

no turismo, com a imprensa e em outros

setores que sejam capazes de abraçar o

idoso e também ver oportunidades na

longevidade, já que eles hoje têm poder

aquisitivo e disposição para participar do

mercado econômico, seja como consumidor,

seja como mão-de-obra. Além disso,

o tema central do evento, “Inspirando

um mundo melhor para todas as idades”,

lembra que a preocupação tem que estar

em toda a sociedade.

Alexandre Kalache, médico e gerontólogo,

foi um dos palestrantes e apresentou

o conceito de Age Friendly (amigo

da idade, em tradução livre) ressaltando

a importância da inclusão de idosos na

logística de transporte, no amparo social,

mas também no entendimento do que é

essa longevidade. “Não vai ser a vida

monótona, feita para trabalhar até se

aposentar. Hoje estudamos e trabalhamos

por mais tempo, mas continuamos

aposentando cedo. Temos que mudar e

responder à revolução da longevidade”,

afirma. Depois das fases que hoje vivemos,

os longevos terão a oportunidade de

40

tirar um ano sabático, dedicar-se às novas

possibilidades profissionais, manter a

carreira sem amarras de outras responsabilidades.

Inúmeras são as opções para

essas pessoas.

Para falar mais a fundo sobre as necessidades

e probabilidades de trabalho

e relação com a cidade, Ruth Finkelstein,

professora da Universidade de Columbia,

em New York (EUA), e coordenadora do

programa Cidade Amiga do Idoso, do

prefeito Michael Bloomberg, participou

do evento.

Como bem se sabe, a proporção

de população jovem tem diminuído em

relação à idosa. “Hoje essas linhas se


cruzam, a população está envelhecendo.

Cabe a nós descobrir como fazer as

coisas de forma diferente. Se fizermos

as coisas da maneira antiga, elas não

funcionarão bem. Mas se respondermos

à transição demográfica, com mudança de

instituições, cidades e famílias, teremos

oportunidade porque é o que os idosos

são”, concluiu

A pesquisa desenvolvida em Nova

York aponta que os idosos que deixam

de trabalhar sentem falta dos amigos de

profissão e de algo para fazer todos os

dias. Eles querem e precisam ocupar seu

tempo. Além disso, a questão financeira

também é crucial, pois o dinheiro da seguridade

social não é suficiente para que

eles conduzam sua vida nessa nova fase.

Pensando nisso, o projeto começou

um programa para mapear as empresas

que valorizam todas as idades e que

exaltam a troca de experiências e aprendizados.

Hoje, isso ainda é incipiente

porque a mão-de-obra a partir dos 50

anos já começa a ser descartada e é

preciso fazer um esforço para que essas

empresas voltem a perceber o valor que

tem um profissional com mais tempo de

carreira. Além disso, muitas profissões

têm se tornado mais escassas. “A situação

é que os jovens também estão deixando

de aprender muita coisa. Jovens não estão

se tornando encanadores, pedreiros. Mas

alguém precisa construir os prédios e

precisa ser alguém que tenha habilidades

para isso... Mas eles só querem ser

empresários”, lamentou Ruth. Para a

❙❙Marcio Coriolano

pesquisadora, esses profissionais podem

enriquecer e ajudar a empresa a ter mais

sucesso com sua expertise. Embora o estudo

tenha sido feito em Nova York, Ruth

reiterou que esse movimento é global e

que suas soluções podem ser aplicadas

em outras nações.

Questões de trabalho

A escritora Márcia Tavares, autora

do livro “Trabalho e Longevidade: como

o novo regime demográfico vai mudar

a gestão de pessoas e a organização do

trabalho”, indagou: e se todos os baby

boomers (nascidos entre 1946 e 1964)

se aposentarem em massa? Ela mesma

responde: a aposentadoria precoce poderia

desestruturar o mercado de trabalho,

bem como a previdência social, que não

teria condições de arcar com esses novos

integrantes todos de uma vez.

Outra questão importante é que

“tantas gerações trabalhando juntas ao

mesmo tempo é muito importante para

que seja mantida uma boa gestão da

força de trabalho”, comenta. Para esses

longevos não há motivos para parar ou

abandonar o trabalho. Se eles fizerem isso,

acabam ficando deprimidos ao se afastar

da atividade. Eles continuam produtivos e

criativos e isso não deve ser desperdiçado,

além de ser uma oportunidade para as

empresas que precisam da mão-de-obra

qualificada e muitas vezes não percebem

isso. “Nós mudamos o perfil, mas não a

mentalidade. Continuamos com a história

que torna difícil para o jovem arrumar um

trabalho por causa da falta de experiência,

mas ainda descartamos os mais velhos

que já têm essa bagagem. São questões

que herdamos, aceitamos e não sabemos

exatamente porque, a sociedade ainda não

questiona e não muda”, constata Márcia.

Durante discussão sobre o assunto,

esteve presente também Gabriel Martinez,

cineasta e autor do filme Envelhescência,

que retrata justamente o que o

Fórum propõe: ver o idoso como um ser

capaz e dono de suas próprias vontades,

nunca achando que se está velho demais

para algo. “A conclusão de se achar velho

demais para algo é nociva. A personagem

que começou a surfar com 58 anos, por

exemplo, mudou minha perspectiva.

Temos que encarar as limitações, mas

❙❙Jair Lacerda

sempre existirá uma porta aberta para

você, algo que você possa fazer”, afirmou

o cineasta.

Para o mercado de seguros, a longevidade

traz desafios e oportunidades. A

carteira de saúde da Bradesco, por exemplo,

hoje conta com 257 segurados acima

dos 100 anos. É um número grande e que

deve crescer ao longo do tempo. Por isso,

é importante que esses envelheçam bem e

que o trabalho seja algo produtivo, como

acredito Marcio Coriolano, presidente da

Bradesco Saúde. “É preciso focar na rede

de atendimento, é disso que se trata. Saúde

não é cura, é prevenção, consciência

e solidariedade entre as pessoas. Se isso

correr bem, não há estresse de trabalho

que vá agravar a carteira, pelo contrário

teremos seres humanos mais repletos e

felizes”, acredita.

O mercado de previdência privada,

conforme conta Jair Lacerda, diretor de

Vida e Previdência da seguradora, também

deve trazer ao setor soluções que

beneficiem essa nova maneira de organização

da sociedade. “As pessoas ainda

vão viver muito, mas precisamos reverter

esse quadro em que há mais gente dependente

do que produzindo”, alerta. Por isso,

a prevenção citada vem também nessa

carteira. Hoje, idosos gastam em cinco

anos em questões de saúde praticamente

o mesmo montante que gastaram durante

toda a vida. Uma previdência planejada

pode ser a salvaguarda dessas pessoas

e fazer crescer a taxa de longevos com

independência financeira, prontos para

consumir e fazer o mercado girar.

41


comemoração | 50 anos

Objetivo: entrar no Top10

Mitsui Sumitomo completa 50 anos de

atividades no Brasil planejando entrar para o

seleto grupo das maiores seguradoras do País

A

visita de Yasuyoshi Karasawa,

CEO mundial do grupo

Mitsui Sumitomo & Aioi

Dowa (MS&AD) teve um

motivo especial: a comemoração dos

50 anos da seguradora no Brasil. A

empresa, que é a 1º colocada no ranking

japonês, quer ocupar um lugar de destaque

também na operação brasileira.

“Queremos estar entre as 10 maiores

seguradoras brasileiras, enfrentando as

necessidades dos clientes de seguros e

avarias”, afirmou o executivo, acrescentando

que a intenção do grupo é crescer

também em função de aquisições de

empresas que comunguem da mesma

filosofia da Mitsui Sumitomo.

Dados do balanço anual do Grupo, fechado

em março deste ano, mostram que o

faturamento foi de US$ 24,5 bilhões, com

lucro de US$ 1,1 bilhão. Esse fôlego financeiro

aliado às oportunidades do mercado

brasileiro (população jovem com renda e

baixa penetração de seguro), colocam o

País em uma posição privilegiada. Em

2014, foi colocado em prática o Challenge

2017, um plano de ações de médio e longo

42

prazo para a companhia. “Em maio de

2015, a meta de lucro foi revista para US$

1,7 bilhão, com destaque para as operações

no exterior”, informou Karasawa.

Sobre a crise econômica brasileira,

o CEO ressaltou que o mais importante

é que o país ainda possui alto potencial

de penetração dos seguros. Além disso,

trata-se de uma região sem incidência

de catástrofes e com muita riqueza de

recursos naturais. Agora, a estratégia da

seguradora é crescer com um portfolio

❙❙Yasuyoshi Karasawa

diferenciado. “Em outubro de 2014 realizamos

um aporte de capital para consolidação

da base financeira, no valor de R$

340 milhões. O Brasil é a maior economia

da América do Sul e por isso merece uma

estratégia especial”, revelou Karasawa.

O vice-presidente da Mitsui Sumitomo

no Brasil, Helio Kinoshita, afirmou

que nos últimos três anos a empresa

ganhou musculatura para o atendimento.

Agora, chegou a fase de expansão e

aumento das vendas.

“A estratégia do Grupo MS&AD é

formar um grupo financeiro e de seguros

em nível de líder mundial. Consideramos

o Brasil como uma base extremamente importante

para avançar com a estratégia de

negócios internacionais”, disse Karasawa.

A companhia no Brasil vem registrando

bons resultados no país. No primeiro

semestre deste ano, obteve R$ 7,3

milhões de lucro líquido, além de 23% de

crescimento em prêmios emitidos, ante

3% registrado pelo mercado.

“A missão de uma empresa de seguros

é apoiar a vida do povo e as atividades

corporativas do país, contribuindo assim

para seu desenvolvimento econômico. A

Mitsui Sumitomo Seguros cumpre essa

missão, oferecendo produtos e serviços de

seguros que atendem necessidades diversas

dos clientes”, finalizou Karasawa.


campanha | Fundación Mapfre

Combate à morte súbita

no esporte

O aplicativo

ensina técnicas de

ressuscitação para

leigos

Kelly Lubiato

A Fundación Mapfre trouxe para o

Brasil a campanha Jogue Seguro – uma

iniciativa com foco na promoção da

saúde, que vai trazer mais segurança

para a prática do futebol, prevenindo as

mortes súbitas.

A partir de uma parceria entre a entidade

e especialistas do Centro Médico

de Excelência FIFA Ripoll e De Prado

Sport Clinic e do Centro FIFA F-MARC

(Medical Assessment and Research

Center), foi desenvolvido o aplicativo

CPR11, que apresenta um guia com 11

passos básicos sobre como agir durante

os primeiros minutos de uma parada

cardiorrespiratória.

O objetivo do aplicativo é ajudar a

salvar vidas, evitando a chamada morte

súbita, que acomete atletas durante a prática

desportiva, principalmente o futebol.

Disponível para iOS, Android e Windows

Phone, o app é gratuito e está disponível

para download nas lojas virtuais de cada

sistema operacional. Os usuários que

baixarem o aplicativo também poderão

compartilhar o conteúdo com seus

contatos por meio das redes sociais, via

Whatsapp, e-mail ou SMS.

A campanha já foi lançada na Espanha

e em Portugal e agora chega ao Brasil

com a parceria do Instituto de Ortopedia

e Traumatologia do Hospital das Clínicas

da Faculdade de Medicina da Universidade

de São Paulo, que é um dos centros

médicos de excelência da FIFA no Brasil.

Nos países onde a campanha foi lançada,

a Fundación Mapfre conta com o

apoio de jogadores de destaque no futebol

❙❙Lançamento do CPR11, no Museu do Futebol, em São Paulo

mundial como Sérgio Ramos, jogador do

Real Madrid e da seleção espanhola; Luís

Figo, ex-capitão da Seleção de Portugal;

Tiago, jogador do Atlético de Madrid

e da seleção portuguesa; Pepe e Fábio

Coentrão, jogadores do Real Madrid e

da seleção portuguesa. Outro importante

nome a aderir à campanha na Espanha

foi Rubem de la Red, jovem revelação

espanhola que defendia o Real Madrid,

mas que teve aposentadoria precoce em

2009, aos 24 anos, após um desmaio em

uma partida.

No lançamento na Espanha, realizado

em dezembro de 2014, o aplicativo

CPR 11 atingiu 16 milhões de pessoas

apenas no Twitter. Já a versão portuguesa

do vídeo, lançado em março deste ano,

alcançou mais de 100.000 visualizações

na primeira semana.

A participação desses atletas e

demais personalidades de renome do

mundo esportivo acontece por meio de

depoimentos realizados para o vídeo

oficial da campanha. A versão brasileira

do vídeo conta com o depoimento de

diversos jogadores e médicos de renome

ligados ao mundo do esporte como os

jogadores Kaká, Alexandre Pato, Marcelo,

Elias, além da jogadora Formiga, do

jogador de futsal Falcão, do técnico Tite,

do ex-goleiro Marcos e do ex-jogador Roberto

Rivelino, além de médicos ligados

ao esporte como Dr. Pedrinelli, Dr. Runco

e Dr. Hernandez.

“Em todo o mundo, são alarmantes

os altos índices de morte causados por

paradas cardiorrespiratórias súbitas,

provocadas muitas vezes pela prática

esportiva sem acompanhamento médico.

Para prevenir essas ocorrências e tornar

os hábitos saudáveis de vida ainda mais

seguros, a Fundación Mapfreuniu-se aos

mais respeitados especialistas em medicina

esportiva para oferecer recomendações

simples e didáticas que possam

salvar vidas”, diz Wilson Toneto, CEO

Mapfre Brasil.

No futebol profissional, por exemplo,

nos últimos 10 anos foi registrada ao

menos uma parada cardíaca a cada mês

em todo o mundo.

44


memória | homenagem

Seguros em luto

Mercado perde Marco Antonio Rossi e Lucio Flávio Condurú, executivos

do Bradesco, em acidente aéreo. Jatinho da companhia, que seguia de

Brasília para São Paulo, caiu em divisa de Minas Gerais com Goiás

Amanda Cruz e Lívia Sousa

❙❙Marco Antonio Rossi, ao centro, é homenageado no Prêmio Melhores do Seguro, em 2013

Às vésperas de fechar esta

edição, a Revista Apólice,

assim como todo o mercado

segurador, foi surpreendida

pelo trágico acidente que vitimou Marco

Antonio Rossi e Lucio Flávio Condurú

de Oliveira. Os dois executivos atuavam

no Grupo Bradesco como presidente de

Seguros e presidente da divisão de Vida e

Previdência, respectivamente, e viajavam

a bordo de um jatinho modelo Citation

7 (prefixo PT-WQH), que caiu em uma

46

fazenda na cidade de Guarda-Mor, na divisa

entre Minas Gerais e Goiás, na noite

do dia 10 de novembro. Rossi e Condurú

estavam acompanhados por dois tripulantes:

o piloto Ivan Morenilla Vallim, de 63

anos, que trabalhava para o Bradesco há

33 anos; e o copiloto Francisco Henrique

Tofoli Pinto, de 32 anos.

Pertencente ao Bradesco, a aeronave

saiu às 18h39 do aeroporto de Brasília

com destino a São Paulo e desapareceu

dos radares do controle de tráfego às

19h04, segundo informações da Força

Aérea Brasileira (FAB). O Registro

da Agência Nacional de Aviação Civil

(Anac) atesta que o jatinho, com capacidade

para transportar oito pessoas,

estava com todas as licenças em situação

regular. As causas do acidente ainda estão

sendo apuradas.

A Bradesco Seguros divulgou uma

nota de pesar na manhã seguinte ao

acidente, declarando que “reconhecidos

pelo talento, competência e entusiasmo


no trabalho, fraternal convivência com

suas equipes e plena dedicação às suas

famílias, eles [Rossi e Condurú] cumpriram

carreiras brilhantes. Os desaparecimentos

prematuros interrompem

tragicamente trajetórias profissionais

marcadas por vitórias e conquistas,

exemplares para todos os que com eles

conviveram e que serão referência para

as nossas novas gerações”.

Trajetórias de sucesso

Nascido em 7 de março de 1961 em

Bariri, no interior de São Paulo, Marco

Antonio Rossi somava comandos simultâneos

ao currículo. Além de estar à

frente da Bradesco Seguros, o executivo

ocupava a vice-presidência do banco e

presidia a Confederação Nacional das Seguradoras

(CNseg). Em outubro passado,

Rossi deixou a presidência da Federação

Interamericana de Seguros (Fides), cargo

que ocupava desde novembro de 2013. Foi

também diretor-presidente da Bradesco

Seguros S.A. e da BSP Affinity Ltda.

Formado em Tecnologia em Gestão

de Marketing, com Pós-Graduação Lato

Sensu em Gestão de Cliente pela Universidade

Paulista (UNIP), e em Altos

Estudos de Estratégia e Geopolítica pela

Fundação Armando Alvares Penteado

(FAAP), Rossi iniciou suas atividades

no Bradesco aos 20 anos, na Bradesco

Vida e Previdência, passando por todos

os escalões da carreira e eleito diretor,

em 1999.

Em 2013, foi homenageado pela

Revista Apólice no Prêmio Melhores

do Seguro por sua atuação à frente da

CNseg, e atribuiu o reconhecimento ao

trabalho de toda a diretoria da CNseg e

da Bradesco Seguros. “Nossa missão é

continuarmos crescendo, desenvolvendo

o mercado de seguros e ocupando um

espaço”, declarou ele, completando que

a mídia especializada “também tem um

papel importante para que possamos

pavimentar este crescimento e desenvolvimento”.

Na edição comemorativa de 20 anos

da publicação, o executivo fez um balanço

do mercado de seguros nas últimas décadas

e revelou o que esperava do segmento

pelos próximos 20. “Os avanços do setor

estão sempre muito ligados às dinâmicas

❙❙Lucio Flávio Condurú comemora o Prêmio Melhores do Seguro, recebido pela BVP,

❙❙em 2010

do cenário contemporâneo mundial. Os

desafios impostos pela globalização, os

novos meios de comunicação que transformaram

as relações de consumo, as

mudanças climáticas e os movimentos

que emergem no cotidiano das grandes

cidades estão entre os fatores que se

impõem como agentes para a constante

inovação das operações do mercado”.

A trajetória de sucesso fez com que,

internamente, Marco Antonio Rossi fosse

cotado para suceder o atual presidente

do banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco

Cappi, em 2017. Rossi deixa esposa e

quatro filhos.

Já Lucio Flávio Condurú cursou Gestão

de Pessoas pela FIB Administração e

ingressou na empresa como assistente de

vendas. Antes de ser escolhido para presidir

a divisão de Vida e Previdência da

companhia, comandou os segmentos de

Previdência e de Seguros de Vida, além

da diretoria executiva. Além disso, era

vice-presidente da FenaPrevi da atual diretoria

(2013 a 2016). Nascido em Belém

(PA) em 17 de janeiro de 1961, Condurú

deixa esposa e seis filhos, entre eles uma

filha sete anos e outra recém-nascida, de

quatro meses.

Um dos últimos compromissos

que cumpriu em sua agenda foi o 19º

Congresso Brasileiro dos Corretores de

Seguros, promovido pela Fenacor em

Foz do Iguaçu (PR), em outubro passado,

quando debateu sobre longevidade. Na

ocasião, ele disse que a preocupação

com o futuro começa apenas para pessoas

em torno dos 50 anos e destacou

a necessidade que o País tem de trazer

produtos inovadores para o portfólio,

como o Universal Life, essencial para

uma população que está envelhecendo.

“Quando falamos de vida, saúde e previdência

nós estamos falando de produtos

de longo prazo. Precisamos construir

uma proposta de sustentabilidade”.

Acidentes aéreos

com executivos

do setor não são

inéditos

Camillo Marina, então com 53

anos e vice-presidente da Generali

Brasil, foi uma das vítimas do Fokker

100 da TAM, vôo 402, que seguia

de São Paulo para o Rio de Janeiro

e caiu no bairro residencial de

Jabaquara, na zona sul da cidade,

segundos depois de decolar do

Aeroporto de Congonhas. 90 passageiros,

seis tripulantes e três pessoas

em solo morreram. Falhas mecânicas

foram apontadas como a causa do

acidente.

47


projeto | Liberty

Mulheres seguras aposta

nas empreendedoras

O empoderamento das

mulheres é o principal

mote do novo projeto

da seguradora

Kelly Lubiato

O

empoderamento feminino

é o principal mote do novo

projeto da Liberty Seguros,

lançado em outubro, 21,

em São Paulo. Através do blog www.

mulheresseguras.com.br a companhia

criou uma plataforma para trazer conteúdos

informativos que permitam a

transferência de conhecimentos sobre

assuntos genéricos e novos, que possam

contribuir para o desenvolvimento

profissional das novas. Segundo dados

do SEBRAE, o número de mulheres

empreendedoras cresceu 80% no Brasil

nos últimos 10 anos.

48

Rosy Herzka, diretora de property da

seguradora, disse que o foco da Liberty

em projetos de forte apelo social, como

os de mobilidade urbana, levaram seus

esforços para as mulheres empreendedoras.

“Ele foi criado para mulheres que

❙❙Rosy Brode Herzka, da Liberty Seguros

decidiram encarar o desafio de começar

o próprio projeto”, ressaltou.

A linha editorial do Mulheres Seguras

irá se apoiar em três pilares:

empoderamento das mulheres, ‘não’ ao

perfeccionismo e autossuficiência.

Herzka avisou que este é apenas o

começo de várias iniciativas voltadas

especialmente ao público feminino, e que

este projeto quer mostrar que a Liberty é

uma seguradora de serviços.

Para elaborar o projeto, foram realizadas

pesquisas com diversas instituições,

como SEBRAE, IBGE, Fecomércio

etc, para entender as necessidades do

público feminino.

A gerente de comunicação e marca

institucional da seguradora, Larissa Vecchi,

disse que o principal é que este é um

projeto perene, para médio e longo prazos.

“No futuro, queremos agregar experiências

de seguradas da Liberty que tenham

algo a compartilhar”, adiantou.


painel saúde

saúde

Otimismo para encontrar soluções

Na última reunião da Gestão Profissional

da Ameplan Assistência Médica

Planejada, realizada em 29 de outubro,

foi apresentada aos gestores uma informação

muito importante: apesar do

cenário econômico ameaçador lá fora, o

planejamento estratégico da operadora

para 2015 está sendo cumprido com

resultados satisfatórios.

Esta constatação não foi de fato

uma novidade, pois desde o início do

ano a equipe vem sendo orientada para

potencializar seus talentos, entusiasmo e

sabedoria com otimismo, sem se deixar

abater pelas notícias sobre crise.

“Não significa que estamos ignorando

os fatos econômicos que ocorrem no

mercado”, comenta José Silva dos Santos,

diretor Administrativo Financeiro da

operadora, acrescentando que “a idéia é

não ser influenciado pelo pessimismo ou,

muito menos, cruzar os braços achando

que não há mais saída. A equipe da Ameplan

é corajosa, criativa e está muito engajada

para vencer obstáculos e encontrar

oportunidades.”

“Sabíamos que o ano seria difícil”,

continua, “mas, a despeito dos anos anteriores,

em que as previsões também não

eram animadoras, a Ameplan cresceu com

consistência, apresentando um resultado

muito acima do crescimento conquistado

pelo próprio segmento de saúde.”

O grande segredo, segundo o administrador,

é trabalhar com transparência

e ética, adaptando produtos, estrutura

e rede para oferecer o que o mercado

precisa e entregar um produto confiável e

com qualidade. A operadora acredita que

a premissa da excelência no atendimento

foi absorvida completamente pela equipe

e está impregnada de tal forma que já faz

parte do cotidiano.

Celebrando os resultados até o terceiro

trimestre de 2015, a Ameplan já

prepara estudos e previsões no seu planejamento

estratégico para 2016.

inflação

Custo médico-hospitalar aumenta

Os custos das operadoras de planos de saúde com consultas,

exames, terapias e internações, apurado pelo Índice de

Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) do Instituto

de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), cresceram 15,4%

nos 12 meses encerrados em março de 2015. Um crescimento

bastante superior à variação da inflação geral no País, que

registrou alta de 8,1% no mesmo período.

gestantes

Taxa de partos normais cresce 7,4%

Os primeiros resultados das ações para incentivar o

parto normal e melhorar a assistência à saúde de gestantes e

bebês nos hospitais que integram o projeto Parto Adequado

já mostram alguns avanços. Em seis meses de implantação, a

iniciativa, desenvolvida pela ANS, Hospital Albert Einstein e

Institute for Healthcare Improvement (IHI), ajudou a aumentar

em 7,4 pontos percentuais a taxa de partos normais nos estabelecimentos

participantes.

Nos 42 hospitais públicos e privados que desenvolvem a

iniciativa, a taxa de partos normais está em uma curva ascendente:

de 19,8% em 2014 (média) para 27,2% em setembro

de 2015. A redução da taxa de cesáreas para 72,8% após a

implantação do projeto equivale ao salto que o índice deu em

uma década -, período em que passou de 75,5% para 85,5%.


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

“Digitatore Traditore”

Certamente você nunca viu nem ouviu essa frase! Por uma

simples razão: ela não existe! É uma paráfrase da expressão

italiana – esta sim, bem conhecida – “traduttore traditore”:

“tradutor traidor”!

Ocorre que, por várias razões, é inevitável ao tradutor não

“trair”, alterara ideia, o conceito do autor cuja obra está passando

para outra língua ou versão.

Um antigo livro, publicado pela igualmente antiga Edições

Melhoramentos, intitulado “A arte de traduzir”, do professor

Brenno Silveira, traz um rico acervo de “traições” – em sua

maior parte devidas à incompetênciaou ao açodamento – praticadas

por tradutores “meia-boca”! Um deles traduziu a frase

em espanhol “Maria se que dó enojada”, que significa Maria

ficou magoada, como sendo “Maria ficou enojada”. Por sua vez,

um jornal de São Paulo publicou, anos atrás, esta manchete:

“violenta tempestade de azoto sobre a Argentina” – e causou espanto!

Ora, azoto é outro nome para nitrogênio, quinto elemento

mais abundante no universo, encontrado em estado gasoso, em

sua fórmula molecular biatômica (N2)! A notícia original, em

castelhano, dizia “violenta tempestad azotó la argentina”, isto

é: violenta tempestade açoitou a Argentina! Ele comenta outra

aberração: a frase inglesa “The expenses of the churches are

defrayed by the community”: “Os gastos das igrejas são pagos

pela comunidade”, foi traduzida assim: “Os gastos das igrejas

são defraudados pela comunidade”! A traição do sentido se

deu em razão de o tradutor ter confundido o verbo to defray:

pagar custas ou gastos com to defraud: enganar, defraudar. Outro

exemplo: ao traduzir a descrição de um personagem, certo

texto diz: “O detetive era um homem de reconhecida surdez”!?

Convenhamos que, para um detetive, a falta de acuidade auditiva

deve ser um sério embaraço! Ora, o original inglês, ao se

referir à peculiaridade do detetive, usa a palavra deftness, que

significa agilidade, destreza, vivacidade! O possivelmente afoito

e malformado tradutor tomou esse termo com deafness: surdez!

Talvez o caso mais célebre, e que possivelmente esteja

ligado à origem da frase, tenha sido o que ocorreu no século

XVIII, mais precisamente no ano de 1766. E se deu com a mais

conhecida das obras da área criminal do Direito:o famoso livro

“Dei Delitti e delle Pene” (Dos delitos e das Penas), do chamado

“pai do Direito Penal moderno” Cesare Beccaria (1738-1794).

Seus conceitos são tão extraordinários que permanecem válidos

até hoje! (E disse válidos. Não seguidos!). À guisa de exemplo,

aí vão apenas três: “Quereis prevenir delitos? Fazei com que as

leis sejam claras e simples. ”; “Quanto mais a pena for rápida e

próxima do delito, tanto mais justa e útil será.” “ A certeza de

um castigo, mesmo moderado, causará sempre impressão mais

intensa do que o temor de outro, mais severo, aliado à esperança

de impunidade. ”O livro teve sua tradução para o francês feita

pelo Abade André Morellet (1727-1819). Para se ter uma ideia de

quem era essa ilustre figura, basta dizer que ele foi o tradutor de

uma obra de 1376, em latim, de Nicolau Eymeric (1320-1399),

intitulada “Directorium Inquisitorum”: Manual do Inquisidor,

responsável pela primeira e literal “caça às bruxas” da história!

O abade Morellet tinha mente tão mordaz e persecutória, que

Voltaire (François Marie Arouet – 1694-1778) chamava-o de

“L’Abbé Mords-les” (O abade morde-os). O interessante e curioso

da questão é que a tradução modificou profundamente a obra de

Baccaria, mas, devido ao sucesso que teve a referida tradução, a

ordem proposta por Morellet passou a servir de referência para a

tradução em outras línguas, dentre elas o Português! Ainda mais

curioso: a obra original fora publicada em 1764. Entretanto, após

a edição de 1776 – cujo curador foi o próprio Cesare Beccaria –

mesmo algumas edições em italiano adotaram como referência

a tradução de Morellet!

Vale a pena comparar algumas dessas alterações, por exemplo,

nos títulos dos capítulos 1 e 7:

ITALIANOFRANCÊS

Capítulo 1:

ORIGINE DELLE PENE DE L’ORIGINE DES PENES,

ET DU FONDEMENT

DU DROIT DE PUNIR

ERRORI NELLA

MISURA DE PENE

Capítulo 7:

DES TÉMOIS

E a que título vêm todas essas considerações nesta coluna?

Ah! É que ao escrever o título de meu artigo na edição

anterior, o “digitattore” foi “traditore”! O título que dei era: “O

jovem e a educação: um binômio crítico”. Saiu: “O jovem e a

educação: um patrimônio crítico”! E aí não bateu com o fecho:

“...pois sem este segundo fator, não há falar em binômio! ”

Isso faz lembrar o caso de um zeloso pai, que pôs a correr

o quase noivo de sua filha. Quando lhe indagaram o motivo,

respondeu: “É que, em vez de tratar de consumar o matrimônio,

ele só cuidava de consumir o patrimônio”!

50

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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