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3 months ago

revista Apólice #205

capa | sustentabilidade

capa | sustentabilidade além de revistas, roupas, entulho e restos de obras. Os condôminos podem descartar de forma correta tudo aquilo que não utilizam mais e o corretor de seguro da apólice do condomínio tem a oportunidade de manter contato e oferecer novos seguros aos moradores. “Apesar de ser mais comum acontecer em condomínios, essa ação também está disponível às empresas”, esclarece Ferrero. O que realmente garante a boa utilização do serviço é a sua divulgação. Por isso, é fundamental que o corretor explique ao seu segurado que o Descarte Ecológico está disponível na sua apólice, isso poderá fazer a diferença na hora de vender o produto. Aquele que tiver maior valor agregado será preferido pelo consumidor. “Oferecer seguros que tenham essa preocupação com o meio ambiente é fundamental. Além de ser uma inovação, resolver um problema real do consumidor é de extrema importância” diz Walter Nemer Júnior, diretor da Nemer Corretora de Seguros. Arma contra fraudes No mercado de seguros é difícil estimar quanto é perdido por conta das fraudes. A maioria dos pequenos delitos não são percebidos pelas seguradoras. Neste ponto, o Descarte Ecológico também pode se tornar uma ferramenta capaz de diminuir a quantidade de fraudes e, portanto, pode melhorar o resultado das seguradoras. José Augusto Garutti, Sócio Fundador da Ecoassist, destaca que, de acordo com a Susep, a partir do momento que a seguradora indeniza o segurado, torna-se responsável pelo salvado. Assim como nos seguro auto e de garantia estendida, no seguro residencial, empresa e condomínio, também, existe a necessidade de recolher os salvados provenientes dos sinistros. “Nestes casos, o Descarte Ecológico entra como parte da regulação do sinistro. Ele deixa de ser um custo e passa para a conta de resultados das companhias”, avalia o executivo. A especialista Com sede em São Paulo e atendimento em todo o território nacional, a Ecoassist Serviços Sustentáveis, presta 24 serviços ambientais como o Descarte Ecológico. Desde 2009, atua junto às seguradoras para dar um destino àquilo que os segurados não utilizam mais. Através da central telefônica, o segurado recebe todas as orientações necessárias para a realização do Descarte Ecológico. As coletas são feitas através de agendamento de acordo com a necessidade do solicitante. Após o agendamento, para maior segurança, o cliente recebe por e-mail, uma ordem de serviço com os dados e foto do motorista e do ajudante que realizarão a retirada. O serviço oferece total comodidade ao segurado, que não precisa se preocupar para se desfazer de seus itens inutilizados. “O atendimento é realizado em todo território nacional. Todo item coletado é trazido para um de nossos galpões em São Paulo, onde recebem tratamento e destinação adequada”, explica Garutti. Segundo o executivo, para uma empresa atuar corretamente neste setor, ela precisa de todas as licenças ambientais necessárias, além de se enquadrar na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que envolve todos os setores, inclusive a área de seguros. Garutti destaca que o Descarte Ecológico é um serviço capaz de tornar tangíveis as apólices de seguros. “Além disso, valores como sustentabilidade e comodidade estão cada vez mais em alta no conceito dos consumidores”. ❙❙José Augusto Garutti, da Ecoassist ❙❙Fatima Lima, da CNseg “Hoje, coletamos desde pequenos itens, como celulares e eletroportáteis, itens de grande porte, como sofás, geladeiras, fogões, até resíduos automotivos provenientes de sinistros e reparos em oficinas, evitando assim que as peças sejam reparadas e vendidas no mercado paralelo, conclui o executivo. Precursora no descarte de automóveis Outra empresa inovadora e com o cunho ambiental é a Renova Ecopeças, que recicla os veículos irrecuperáveis da Porto Seguro, Azul e Itaú, processando e destinando peças ou outros subprotudos decorrentes da desmontagem automotiva.

Atualmente, a empresa recicla 200 veículos por mês. Para ilustrar e trazer esse número para a nossa realidade, apenas um carro reciclado significa deixar de emitir 3.700 Kg de CO2, o que equivale ao que sete árvores neutralizariam durante toda a sua vida. “Temos em vista uma segunda fase do projeto quando expandiremos o conceito, desmontagem e destinação ambientalmente correta dos veículos para produtos como eletrodomésticos e eletrônicos”, afirma Fabio Frasson, diretor. Solução para o cliente final Estima-se que, mensalmente, no Brasil sejam comercializados mais de 13 milhões de produtos novos, como sofás, geladeiras, maquinas de lavar, televisores, computadores, entre outros. O que fazer com os produtos antigos, sem uso, quebrados ou obsoletos? O Descarte Ecológico é a solução adequada para este tipo de problema. Alguns varejistas já oferecem este serviço aos seus clientes, como benefício dentro das apólices de seguros residenciais e de garantia estendida comercializados em suas lojas e sites. O serviço se tornou um forte aliado na argumentação de vendas de seguro no varejo. O varejista pode, ainda, comercializar o Descarte Ecológico separadamente no momento da venda do item novo, resolvendo, assim, um problema do consumidor que não tem o que fazer com o item velho. De acordo com PNRS A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, estabelece regras para a destinação e disposição correta de todos os tipos de resíduos gerados em diversos setores da economia. Ao incentivar uma gestão integrada entre os participantes da cadeia produtiva, a PNRS promove o compartilhamento de responsabilidades e, com isso, a geração de novos desafios e oportunidades. Para o setor de seguros, o conceito da corresponsabilidade é um desses desafios. Isso porque os papeis e deveres das seguradoras nesse novo cenário podem variar de acordo com cada situação. “Cada vez mais, as seguradoras estão percebendo que é estratégico integrar a sustentabilidade no centro de sua atuação e manter um olhar atento para as questões socioambientais, econômicas, geopolíticas, tecnológicas e de governança corporativa”, explica Fatima Lima, presidente da comissão de Sustentabilidade da CNseg. Pesquisa realizada pela CNseg com 20 seguradoras, que representam quase Números que o Meio Ambiente agradece + de 3,6 MIL toneladas de resíduos sólidos coletados e destinados de forma ecologicamente correta; + de 33 MIL descaracterização e viabilização de reciclagem de poltronas e sofás; + de 110.540 kg de CO2 foi evitado que chegassem a atmosfera; + de 30 MIL clientes foram orientados a economizar cerca de 8.512.000 kw de energia e 986.000 m³ de água com o serviço de Consultoria Ambiental 80% do mercado segurador brasileiro, revela que três das quatro metas para a concretização dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI) foram alcançadas um ano antes do prazo previsto: >> Meta 1: 40% das seguradoras integrarão as questões ASG (ambientais, sociais e de governança) em sua política de subscrição de riscos >> Meta 2: 30% das seguradoras terão um programa de engajamento de corretores nas questões ASG >> Meta 4: 50% das seguradoras reportarão questões ASG “Esse fato mostra o alto grau de comprometimento das companhias de seguros brasileiras, que estão trabalhando para a integração dos aspectos ambientais, sociais e de governança em sua política de subscrição de riscos e em seus programas de engajamento para os corretores, além de estarem comprometidas com a publicação dessas iniciativas em seus relatórios”, define Fátima. A presidente aponta que é muito importante para as seguradoras estarem atentas às legislações, buscando conhecer e se atualizar constantemente. “É preciso conhecer as operações dos clientes, seus resíduos, fluxos e riscos. A subscrição é uma etapa fundamental, pois neste ponto é que os riscos de geração e destinação de resíduos devem ser corretamente mensurados e avaliados”, conclui. 25