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4 months ago

revista Apólice #205

especial riscos diversos

especial riscos diversos evento ❙❙Gaudêncio Torquato O seguro em tempos de crise Especialistas apontam soluções para que o Brasil volte a prosperar. Pouco atingido pelas instabilidades política e econômica, mercado securitário permanece otimista Em meio ao descompasso entre os poderes Legislativo e Executivo, da economia dependente do Congresso e da judicialização da política, a pergunta da vez é: há luz no fim do túnel? Especialistas da área política e econômica acreditam que sim. Acreditam, inclusive, que o País pode sair mais forte da crise atual. Lívia Sousa Durante a Zurich Corporate Conference 2015, realizada pela seguradora no Guarujá (SP), especialistas apontaram possíveis soluções para os riscos em curto prazo, sendo uma delas a renúncia da presidente da República, Dilma Rousseff. “Diante da situação praticamente insustentável, isso facilitaria a solução do atual entrave político. Mas, pessoalmente, entendo que seja pouco provável. Tudo indica que a presidente vai permanecer no cargo, se possível, completando inteiramente o seu mandato”, disse a ministra Ellen Gracie, frisando que a renúncia voluntária não significaria uma condenação por mal feitos ou irregularidades. O impedimento perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seria a segunda alternativa, seguida do impeachment, visto por Ellen como a última saída. No entanto, a ministra deixou claro que “a solução para a crise é muito mais política do que jurídica”. O Brasil, que atravessou épocas de redemocratização, de estabilização econômica e política e de melhoria social, 26

passa agora pelo esgotamento do ciclo econômico, razão que, para o jornalista político Gaudêncio Torquato, faz desta a maior crise da contemporaneidade. “Temos problemas na área da política, da gestão, da economia e na área social. Essa conjugação de fatores resulta na crise mais grave já enfrentada pelo País”, pontuou. O especialista acredita que o quadro se agravará ainda mais quando os efeitos da deterioração da economia começar a aparecer mais fortemente no bolso dos cidadãos, principalmente das camadas mais carentes. Amplificada em função da Operação Lava Jato, a crise atual também permitirá, na visão dele, um impacto sobre a esfera política que poderá gerar lições positivas. Uma profunda reforma nas áreas partidária e eleitoral, além da gestão mais transparente e do choque de ética e moral na política com a conscientização da sociedade para a democracia participativa, levarão o Brasil a fazer reformas fundamentais. Para o economista Paulo Rabello, o Brasil está devendo a si mesmo este salto. Entretanto, é preciso analisar o timing da explosão de frustrações que o País enfrenta e entender a consequência da transição da explosão econômica para a política. “Temos um custo financeiro explosivo no governo e no setor privado e este talvez seja o maior combustível de ❙❙Ellen Gracie ❙❙Paulo Rabello todo o processo. Com o desgoverno em alta e a arrecadação em baixa, Estados encontram crescente dificuldade em honrar compromissos e os consumidores desaparecem”, explicou. “Desengavetar” o Brasil seria uma solução? Para Rabello a medida é válida, desde que executada fora deste cenário: a previsão é de que, ainda em 2015, a dívida pública alcance a marca R$ 530 bilhões, valor que corre o risco de dobrar no ano seguinte, caso a situação persista. “Quem se preocupou com o investimento de uma Copa do Mundo agora terá que se preocupar com o valor de 21 Copas do Mundo em um único ano”, comparou, apontando como único caminho um balanço fiscal total igual a zero, com equilíbrio orçamentário. “A estrutura e a composição do endividamento público brasileiro, adiada desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, é a grande revolução a se fazer. Os partidos políticos não estudaram essas alternativas e até o momento não há nenhum programa organizado”. Seguro Garantia e investimento O Brasil teve sua nota de crédito rebaixada por duas agências de classificação de risco. A primeira foi em setembro deste ano, quando a Standard & Poor’s retirou o selo de bom pagador do País. No mês seguinte, a Fitch também colocou o rating sob perspectiva negativa, mas manteve o grau de investimento do Brasil. Com a credibilidade em baixa, o ramo securitário também é atingido. Indiretamente, isso afeta na queda do número de apólices de performance, principalmente as ligadas a contratos públicos. Mas a mesma crise fez com que as empresas busquem formas de economia nas garantias judiciais. Por outro lado, o cenário atual afeta as companhias no que tange aos seus balanços e as apólices de seguro garantia judicial levam em consideração o resultado financeiro das empresas. Uma vez o balanço afetado, os resultados pioram e as seguradoras ficam mais tímidas em relação a assumir riscos de crédito e riscos judiciais. “A balança se contrapõe a todo momento: aquece e desaquece, está desta forma. É uma busca constante pelo seguro garantia judicial com o desaquecimento das garantias de performance”, explica Rodrigo Loureiro, diretor de garantia – Surety Bonds da Willis, que esteve presente no XI Seminário Internacional da Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR), em São Paulo. Já o mercado securitário, como um todo vai na contramão deste cenário: projeções feitas pela CNseg e divulgadas em setembro deste ano apontam que o segmento deverá atingir 12% de crescimento até o final de 2015. “O seguro passa a ter mais apelo em momentos de crise, pois é nessa hora que as empresas e os investidores têm interesse em transferir tudo o que 27