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revista Apólice #205

especial riscos diversos

especial riscos diversos benefícios Redução de custos Companhias que recorrem aos planos de saúde para atrair e reter talentos necessitam mitigar o risco do Capital Humano e seus impactos financeiros 36 Lívia Sousa A assistência médica continua sendo um dos mais importantes meios para se atrair e reter talentos dentro das empresas: um estudo realizado pela consultoria Aon aponta que o benefício é concedido por 99% das companhias em todo o mundo. “Um dos desafios das empresas está na escolha da contratação do plano, pois esse momento exige atenção dos Recursos Humanos (RHs) para avaliar se a operadora possui a capacidade necessária para atender o volume de demandas da carteira com qualidade e excelência”, lembra o diretor de Projetos de Saúde e Odonto da SulAmérica, Roberto Cardoso. Segundo o executivo, o desafio da saúde suplementar no Brasil é enorme e tem como um dos entraves a atuação como gestores de saúde para a melhora de hábitos da população e também para a sustentabilidade dos negócios. É justamente por isso que, ao mesmo tempo em que lidera a preferência dos colaboradores, o plano de saúde demanda considerável desembolso. Para se ter ideia, os custos das operadoras de planos de saúde com consultas, exames, terapias e internações, apurado pelo Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), cresceram 15,4% nos 12 meses encerrados em março de 2015. O crescimento é bastante superior à variação da inflação geral no País, medida pelo IPCA, que registrou alta de 8,1% no mesmo período. Agora, com a crise instaurada, o modelo de coparticipação (em que o funcionário paga uma parte da consulta médica) tem sido ainda mais procurado, com o crescente reajuste também repassado à classe funcionária. “Qual empresa suporta um crescimento no reajuste quando, na folha de pagamento, o funcionário recebe 7% de aumento de salário, mas é repassado 20% a mais no valor de um plano de saúde?”, questiona Maurício Vinhão, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Willis Brasil. “É uma sensação de perda, uma conta que não fecha”, argumenta o executivo. É preciso, então, controlar o risco e o sinistro para se reduzir o reajuste sem impactar no bolso dos trabalhadores – a principal dificuldade das organizações. Entretanto, a gestão deve ser compartilhada e não mais uma tarefa isolada da área de Recursos Humanos: os setores de compras, de gerenciamento e a área médica também estão envolvidos no processo, que busca equilibrar os custos, a qualidade e a satisfação dos funcionários. Para Vinhão, apenas será possível reduzir e controlar sinistros quando todas essas peças estiverem “encaixadas”, incluindo o usuário final. “O quadro não mudará enquanto o funcionário não entender que ele é quem financia os aumentos, consequentes do mau uso do plano de saúde. Por isso, esses setores devem fazer a ‘lição de casa’, que é justamente engajar os colaboradores, criar programas preventivos e dar abertura para que seguradora e corretora implementem essas medidas”, explica o executivo “Quanto mais tivermos as equipes integradas e cada um fazendo o seu papel dentro da empresa, conseguiremos efetivamente, em 12 ou 24 meses, alcançar este resultado”. Programas de prevenção Segundo o diretor, cerca de 10% da massa apresenta excesso de consultas e, por isso, é imprescindível ter um plano de controle de atestados e um programa de medicamento, que podem ser traçados por meio de entrevistas com o usuário,

❙❙Roberto Cardoso, da SulAmérica aplicados por um questionário. Mas somente o questionário não identifica se o paciente fuma ou é sedentário, por exemplo, até porque muitos omitem informações ao preencher o documento. “É necessário mapear o perfil de vida dele para saber seus riscos nas outras pontas: se ele toma alguma medicação, o que mais utiliza no plano de saúde ou se já se encaixa em uma classificação de patologia”, explica Vinhão. Não menos importante é o incentivo ao check up, que negligenciado pelos colaboradores pode se tornar um grande aliado tanto às faixas-etárias que necessitam de exames preventivos; como às empresas, que desembolsam menos ao identificar o problema do paciente logo no início. Também merece destaque o redesenho de plano e de gestão de saúde, que analisa o contrato e a prestadora ideais para cada empresa, visto que em algumas situações esta é a principal causa do alto custo das empresa. “Quando falamos em redesenho de contrato, não falamos em só fazer uma cotação de mercado para tentar reduzir o custo e apresentar uma faixa menor ao cliente. Primeiro, temos que entender como os sinistros se comportam e quais riscos se têm no contrato. Depois, olhar as ❙❙Mauricio Vinhão, da Willis tendências, porque não adianta falar que a empresa vai pagar um determinado valor hoje se, após 12 meses, haverá outro reajuste”, finaliza Vinhão, reiterando que a ideia do mapeamento é justamente mostrar como o futuro do usuário está projetado nos próximos anos.

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