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Revista Copiosa Redenção

Matéria de Capa

Matéria de Capa SILÊNCIO Você está disposto a ouvir o seu? Durante um estágio em um hospital de Roma, no Pronto Socorro Psiquiátrico, uma médica de plantão discutia sobre as práticas da psicoterapia com seus estagiários, então disse: “O silêncio nunca é passivo”. Esta frase talvez seja muito conhecida nos diversos contextos, esse silêncio que produz algo, pode ser refletido de diversas formas e nos diversos âmbitos de nossa vida. Um silêncio sempre ativo! Podemos pensar no silêncio de Deus, por exemplo. Falamos popularmente que quando Deus está em silêncio, na realidade está trabalhando por nós, ou ainda que, Deus criou o mundo quando tudo era um profundo silêncio! Se voltarmos o nosso olhar para a Sagrada Escritura como um todo, conseguiremos também perceber essa linha condutora, silenciosa, mas, ativa, de “um Deus que nos ama até as últimas consequências!”. Se pensarmos nos psicoterapeutas, onde naquele espaço terapêutico existe um silêncio que por sua vez é profundamente relação, um silêncio que movimenta tudo dentro de nós, que ativa nossas emoções, podemos pensar também na oração, um silêncio que produz grandes reflexões, uma relação com Deus, que nos traz à vida! O silêncio sempre quer nos dizer algo. No silêncio podemos encontrar respostas singulares para nossos questionamentos internos, pois esse nos coloca em contato com o que há de profundo em nós, que somente se toca nesses momentos. Nos dias de hoje existe um silêncio que envolve todos nós. Um silêncio dentro do vazio que nos faz ficar de 8 Revista COPIOSA REDENÇÃO Fevereiro Março 2018 2018

cabeça baixa sorrindo ou chorando diante da mensagem que enviamos ou recebemos, que nos faz passar horas em nossos quartos ou qualquer outro lugar postando fotos de momentos importantes da nossa vida, ou na maioria das vezes, de situações de nosso cotidiano. Mas o que será que este silêncio quer nos dizer? Qual é o movimento, qual é a atividade que podemos perceber quando entramos em um ônibus, metrô, carro onde todos estão de cabeça baixa conversando com alguém que não está ali? Existem muitos escritos sobre essa realidade e a ela podemos dar diversos nomes, como por exemplo: Individualismo, Solidão, Isolamento, Superficialidade e etc. Embora possamos explicá-la muito bem com esses termos, poderíamos acrescentar mais um: Solução. É uma solução! Sim, o ser humano busca sempre uma forma de solucionar as dificuldades da vida, sendo assim, poderíamos dizer que todos esses meios sociais de comunicação podem ser uma busca de solucionar a dor de vínculos frágeis, de relações pobres e muitas vezes vazias. É o que chamaríamos de um paliativo e paliativos não acabam, sabemos que a indústria farmacêutica sempre inventa um ainda melhor para o alívio rápido de nossas dores. Portanto, a tecnologia nos dará com certeza outro paliativo para o alívio da dor de nossas pobres ou frágeis relações. Podemos estar buscando esses meios para aliviar nossas dores e continuaremos a buscá-los porque vivemos “de e para” a relação, nossa essência e estrutura é relacional, não suportamos a dor de vivermos isolados, como diz Thomas Merton, “Homem algum é uma ilha”. As relações frágeis podem ser frutos do medo que trazemos dentro, e são tantos: o medo de não sermos aceitos, o medo de como os outros nos veem, o medo do que o outro irá pensar de nós, medo de errar, entre outros. Sendo assim, podemos através dos meios de “comunicação” estabelecer relações a partir daquilo que queremos mostrar, porque sempre será mais fácil mandar um emoticon com raiva do que estar pessoalmente diante da pessoa com a qual temos dificuldade de dialogar sobre aquilo que sentimos diante deste ou de um outro comportamento. Talvez não tenhamos apenas medo do outro, mas nós mesmos, do que sentimos, e não podemos controlar: a raiva , tristeza, indiferença, e até mesmo o amor. Ao menos podemos dizer que encontramos uma forma de expressar o que sentimos, mesmo não falando. O silêncio atual pode nos falar muito de uma atividade intensa de diferentes emoções que se movem dentro de cada um de nós. Contudo, toda estas reflexões não fazem da tecnologia e de tudo o que ela nos oferece algo ruim, sempre vai depender de como a usamos, e a serviço do que ela está. O silêncio sempre deve estar a serviço da palavra, uma palavra que dá fruto, uma palavra boa, que traz vida. Assim, a palavra vai produzir o silêncio e o silêncio uma boa palavra. Dietrich Bonhoeffer um teólogo luterano alemão diz em um de seus escritos: “Façamos silêncio, depois da escuta da Palavra, porque ela continua a falar-nos, a viver e a permanecer em nós, Façamos silêncio logo de manhã cedo, porque Deus deve receber a primeira palavra, Façamos silêncio antes de nos deitarmos, porque a última palavra pertence a Deus, Façamos silêncio só por amor à Palavra.” O silêncio é sempre ativo e o silêncio de hoje grita: cabe a nós estarmos atentos para escutá- -lo. Tal processo exige de nós a coragem de voltarmos a entrar em contato com a pessoa que somos, com o que sentimos dentro, para compreender o que o nosso silêncio com as pessoas que estão ao nosso lado, em nossas comunidades, nas nossas famílias, fala sobre nós. Portanto, se os meios de comunicação social, são expressões das minhas frágeis relações e dos meus medos, devo rever a forma como estou usando esses meios, pois eles não tem sido expressão de um valor - estão muito mais a serviço de uma falsa imagem de mim e do outro. Depois de tudo você deve escolher: continuar escondido no silêncio das redes sociais ou dar voz aos seus valores e começar a estabelecer relações a partir de quem você realmente é. Ouça, com atenção o seu próprio silêncio. Bibliografia: Merton, Thomas. Homem algum é uma ilha. Editora Verus, 2003. Bonhoeffer, Dietrich .Com o silêncio de quem ouve [accesso: 1.2.2018], http://www.osservatoreromano.va/pt/news/com-o-silencio-dequem-ouve. Ir. Silvia Cristina Maia, CR Acadêmica de Psicologia da Pontificia Università Gregoriana - Roma/Itália irsilviacr@hotmail.com Março 2018 Revista COPIOSA REDENÇÃO 9

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