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REVISTA-MARÇO-EDIÇÃO152-FINALIZADA

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ÍNDICE<br />

EDIÇÃO N°152 - <strong>MARÇO</strong>/2018<br />

CAPA<br />

Parabéns HDZ<br />

ECONOMIA<br />

Marque na agenda<br />

PERSPECTIVAS<br />

Recuperação econômica<br />

HONRARIA<br />

Orlando Bonifácio Martins<br />

10 8 16<br />

HDZ comemora três anos e com<br />

empreendedorismo e cidadania,<br />

ela trabalha para realizar os<br />

sonhos dos araraquarenses.<br />

Empresários de Araraquara e<br />

Região já podem comprar seus<br />

estandes dentro da Facira 2018,<br />

que ocorre entre 21 e 26 agosto.<br />

19<br />

Shoppings Jaraguá e Lupo<br />

ultrapassam marca de<br />

crescimento determinada<br />

pela Abrasce.<br />

22<br />

Contabilista renomado, fundador<br />

do SINCOAR e AESCAR e diretor<br />

da JUCESP, recebeu o Prêmio<br />

Annibal de Freitas, em São Paulo.<br />

CIESP<br />

08| Informativo deste mês foca<br />

o trabalho da Luma Peças e<br />

Serviços, destaque no mercado<br />

agrícola regional.<br />

Sincomercio<br />

14| Novo prédio do Sincomercio,<br />

também na Rua 5, visa capacitar<br />

e atender com mais atenção os<br />

empresários de Araraquara.<br />

Empreendorismo<br />

20| Durante a Páscoa, as irmãs Rossi<br />

produzem ovos e doces e ganham<br />

um dinheirinho extra; as três são<br />

profissionais de outras áreas.<br />

Sindicato Rural<br />

37| Sucesso absoluto em nossa<br />

cidade, a Feira do Produtor Rural<br />

pode aportar na vizinha Américo<br />

Brasiliense neste ano.<br />

A Nativa também está no Shopping Jaraguá<br />

A Rádio Nativa FM montou um estúdio em um dos<br />

corredores do Jaraguá Araraquara, de onde vem<br />

transmitindo parte da sua programação até final de<br />

março. Inteiramente de vidro, o estúdio permite que os<br />

clientes do shopping acompanhem a transmissão da<br />

rádio ao vivo. As equipes estão a postos das 8h às 11h e<br />

das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira. Aos sábados, a<br />

transmissão é das 8h às 11h e das 15h às 22h, enquanto<br />

aos domingos é das 15h às 20h. “É um projeto muito<br />

interessante. Muita gente quer saber como funciona uma<br />

emissora de rádio e agora tem esta oportunidade. Tenho<br />

certeza que as crianças também gostam muito. E ainda<br />

teremos promoções para os clientes e ouvintes”, afirma<br />

Cleiton Martins, superintendente do shopping.<br />

Nativa no<br />

Shopping<br />

A Feira dos Pneus<br />

Empresários do setor em Araraquara<br />

preparados para visitar em junho a<br />

13ª Pneushow - Feira Internacional de<br />

Pneus, no Expo Center Norte, em São<br />

Paulo. Único evento da América do Sul<br />

direcionado ao mercado específico de<br />

pneus, a feira oferece o que há de mais<br />

inovador em pneus novos e reformados,<br />

máquinas, equipamentos e soluções.<br />

Em 2017, segundo a Associação<br />

Nacional da Indústria de Pneumáticos,<br />

foram vendidas 4 milhões de unidades<br />

para do segmento e 642 mil pneus<br />

para o ramo de reposição.<br />

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DA REDAÇÃO<br />

por: Sônia Maria Marques<br />

TEATRO/REPRESSÃO<br />

Nos tempos da ditadura<br />

29<br />

O dramaturgo araraquarense Zé<br />

Celso Martinez Corrêa comenta<br />

os 50 anos de sua polêmica<br />

adaptação para ‘Roda Viva’.<br />

Canasol<br />

46| O presidente Luís Henrique<br />

Scabello de Oliveira participa em<br />

Brasília da posse da presidente da<br />

Frente Parlamentar da Agricultura.<br />

MÚSICA<br />

Pelos ‘bailinhos’ da cidade<br />

52<br />

Especial Bandas e Grupos<br />

Musicais da Cidade traz a história<br />

da Condor Boys. Você já dançou<br />

ao som deles?<br />

Vida social<br />

62| Confira os destaques na<br />

coluna de Maribel Santos;<br />

e também fotos dos eventos<br />

mais badalados da nossa cidade.<br />

O trabalho de Eliana Honain<br />

Ano após ano vêm as promessas e<br />

situação da Via Expressa continua<br />

As chuvas que caíram sobre a nossa cidade na tarde de 27<br />

de fevereiro, causando estragos, é mais uma demonstração<br />

de descaso com a segurança da comunidade. Na verdade,<br />

entra ano, sai ano, a história se repete sem que medidas<br />

sejam adotadas, visando o bem-estar de uma população<br />

que sofre as consequências da mazela não é de hoje.<br />

São vários os gestores que passaram e cada vez mais se<br />

acentuam os pontos críticos das enchentes. As causas são<br />

perfeitamente perceptíveis e não espelham uma enorme<br />

quantidade de áreas atingidas, sendo sempre a de maiores<br />

consequências a nossa Via Expressa. De cinco ou seis anos<br />

para cá, ela sofre com o acúmulo de água e o problema<br />

permanece. Para justificar os danos, sempre vem a nota<br />

- vamos providenciar. Providência sem resultados práticos<br />

representa uma afronta à sociedade. Inventaram um<br />

tal Plano de Contingência Operação Chuvas de Verão,<br />

cuja sabedoria técnica prevê 10 milímetros e desaba 77<br />

milímetros de água. Isso é como jogar na megasena - não<br />

acerta nunca. Não podemos mais subestimar a inteligência<br />

do povo. Não é de hoje que o Poder Público empurra com<br />

a barriga as enchentes na Via Expressa e não apresenta<br />

soluções; num destes anos é que deu-se o desaparecimento<br />

de uma mulher nas enxurradas que desaguavam no<br />

Córrego do Ouro e depois disso o que apresentaram de<br />

positivo? Nada, pois a situação persiste. Mais uns dias e as<br />

chuvas cessam, aí todo mundo esquece. O negócio é rezar<br />

para que o verão deixe de existir...<br />

A secretária municipal da<br />

Saúde, Eliana Honain, tem<br />

ressaltado a importância<br />

da presença diária de um<br />

médico pediatra na UPA<br />

do Valle Verde, durante<br />

as 24 horas. Isso vem<br />

ocorrendo desde o dia<br />

16 de fevereiro. Antes,<br />

a Pasta mantinha com<br />

certa dificuldade, segundo<br />

afirmou, um pediatra<br />

apenas três vezes por<br />

semana – as segundas,<br />

quartas e sextas-feiras - e<br />

somente durante o dia.<br />

“Agora, com a Fungota<br />

assumindo a gestão das<br />

UPAs, foi possível dar este<br />

salto de qualidade para a<br />

população do Valle Verde,<br />

que tem a Unidade como<br />

um dos únicos centros<br />

de atendimento público<br />

naquela região”, disse.<br />

A presença do médico<br />

pediatra na UPA do Valle<br />

Eliana Honain, secretária<br />

municipal de Saúde<br />

Verde também desafoga a<br />

UPA Central. É que muitas<br />

crianças da região Norte<br />

da cidade, incluindo os<br />

núcleos do Selmi Dei e do<br />

entorno (o que contabiliza<br />

cerca de 50 mil pessoas),<br />

também eram atendidas<br />

na UPA da Via Expressa,<br />

principalmente nos casos<br />

de urgência e emergência.<br />

Diretor Editorial: Ivan Roberto Peroni<br />

Supervisora Editorial: Sônia Marques<br />

Editor: Matheus Vieira (MTB 67.923/SP)<br />

Design: Bete Campos e Érica Menezes<br />

PARA ANUNCIAR: (16) 3336 4433<br />

Tiragem: 5 mil exemplares<br />

Impressão: Grafinew - (16) 3322-6131<br />

A Revista Comércio, Indústria e Agronegócio<br />

é distribuida gratuitamente em Araraquara e região<br />

* COORDENAÇÃO, EDITORAÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE<br />

Falar com a RCIA: (16) 3336 4433<br />

Rua Tupi, 245 - Centro<br />

Araraquara/SP - CEP: 14801-307<br />

marzo@marzo.com.br<br />

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EDITORIAL<br />

por: Ivan Roberto Peroni<br />

Araraquara na contramão da história<br />

‘Amora’ é o nome de uma criança que em uma quarta-feira de fevereiro, gostaria de ter nascido em<br />

Araraquara, pois sua família é domiciliada aqui e seria plenamente justo que sua naturalidade fosse<br />

cercada pelo orgulho de se apresentar como araraquarense. No entanto, ‘Amora’, por conta do plano<br />

de saúde que sua família possui, teve como destino um hospital de São Carlos e veio ao mundo graças<br />

à Deus com muita saúde e disposição para entender um dia, como são traçados os caminhos dos<br />

seres humanos dependentes de sistemas em nosso País.<br />

Em 2016 quando me acidentei e dependia<br />

logicamente de atendimento<br />

e procedimentos médico-hospitalares,<br />

o São Francisco Saúde do qual<br />

faço parte desde os tempos da Benemed,<br />

insistia em me transferir da<br />

sua unidade de emergência da Via<br />

Expressa para Ribeirão Preto. A posição<br />

enérgica dos meus familiares e<br />

a interferência dos amigos, um deles<br />

Valter Cury Rodrigues, permitiram<br />

que a Santa Casa disponibilizasse<br />

o atendimento, o que considero<br />

até hoje como presteza e assistência<br />

de primeiro mundo. Longe de<br />

previsões, calculo a imbecilidade<br />

de se transportar um paciente com<br />

três fraturas na bacia e outras tantas<br />

em um dos ombros, atravessando<br />

as esburacadas ruas de Araraquara<br />

e Ribeirão Preto, além dos riscos<br />

de uma rodovia em noite de chuva.<br />

Consegui ficar por aqui e vivo para<br />

contar a história.<br />

Recentemente, Antônio Ersio Faccio,<br />

o ‘Tonhão’, um dos nomes mais importantes<br />

da história da Ferroviária,<br />

passou por drama semelhante. Contudo, não teve a mesma sorte e acabou<br />

por força do mesmo plano, em um quarto de hospital em Ribeirão Preto<br />

e para onde a família tinha que se deslocar todos os dias para visitá-lo. E<br />

assim sucessivamente tem ocorrido situações semelhantes vitimando em<br />

triplicidade em pleno século XXI, os nossos pacientes: estar doente, ter que<br />

viajar e não ter o ressarcimento dos custos das viagens. Está certo que a<br />

regra é clara: não está satisfeito troque o plano. Ora, mas o contrato feito<br />

entre as partes - e na época era Benemed - não estabelecia que o paciente<br />

teria que ser atendido em São Carlos ou Ribeirão.<br />

Em fevereiro, o nascimento de uma criança cujos pais são residentes em<br />

Araraquara, abre espaço para outro debate, pois usuários do São Francisco,<br />

tiveram a filha ‘Amora’ em um hospital de São Carlos. Concordamos que<br />

o São Francisco, embora seja uma potência como operador na área de<br />

saúde e portador de enorme respeitabilidade em nosso país, vive momentaneamente<br />

em Araraquara um período de turbulências, buscando acertar<br />

e reacertar os rumos fragmentados da Beneficência Portuguesa.<br />

No entanto, não podemos entender a omissão das nossas autoridades,<br />

principalmente políticas, vendo Araraquara perder seu crescimento populacional<br />

e desprezando a representatividade de uma Santa Casa, Hospital<br />

São Paulo e Maternidade Gota de Leite que são ignorados e depreciados,<br />

pois têm eles serviços a serem vendidos aos portadores do São Francisco<br />

e também de tantos outros planos de saúde. É verdade que há a questão<br />

comercial em jogo e num mundo capitalista, a economia se sobrepõe de<br />

forma até mesmo agressiva aos direitos e respeito ao ser humano. Em sua<br />

nota a nós enviada, o São Francisco não explicou até quando as crianças<br />

que teriam que nascer aqui, terão como terra natal São Carlos ou Ribeirão.<br />

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INFORME<br />

Celso, Doca, Beto e Catuto<br />

O PROJETO DA HDZ PARA A CIDADE:<br />

VIABILIZAR E ADMINISTRAR SONHOS<br />

Quando Celso Haddad abre a boca<br />

para falar de Araraquara algo nele se<br />

transforma: é como se algum espírito<br />

pioneiro se apossasse dele e o transformasse<br />

num inflamado porta-voz da cidade.<br />

Chega a se exaltar enquanto enumera suas<br />

muitas soluções, projetos, perspectivas,<br />

ideias e planos. Tudo o que faz pulsar o<br />

coração da HDZ Imobiliária e Consultoria<br />

Empresarial, a empresa que comanda com<br />

os três outros sócios, e que ele gostaria que<br />

contagiasse a todos os investidores e<br />

empreendedores locais, regionais e – por<br />

que não? – nacionais e mesmo internacionais,<br />

no sentido de dar a Araraquara o futuro<br />

e o desenvolvimento sustentáveis que a<br />

cidade merece e comporta.<br />

A HDZ vê a cidade como um<br />

terreno fértil demais, onde semear sonhos<br />

equivale a ter a certeza de boas safras. Por<br />

isso pratica em tempo integral a avaliação<br />

de novos negócios e está francamente<br />

aberta a formas inovadoras de realizá-los,<br />

Spot Miami<br />

sejam imobiliários, a primeira vocação dos<br />

irmãos Haddad, sejam de consultoria,<br />

especialidade do sócio Catuto. Para o<br />

pessoal da HDZ sonhar, portanto, não é<br />

uma questão de querer o impossível, mas,<br />

ao contrário, trata-se de perseguir o óbvio.<br />

Para uma empresa tão jovem,<br />

apostar na cidade jamais significou<br />

considerar correr algum risco. Sempre foi,<br />

e no que depender dos três Haddads e do<br />

Zambon, sempre será a crença e a missão<br />

que os move.<br />

NOVOS TEMPOS, NOVAS IDEIAS:<br />

INOVAR É PALAVRA DE ORDEM<br />

Há exatos três anos a HDZ nasceu<br />

dessa necessidade vital – característica que<br />

está no sangue, herdada do patriarca Chafik<br />

– de trabalhar pela cidade, de criar<br />

condições para sonhos se realizarem, de<br />

estabelecer laços claros entre o empreendedorismo<br />

e a cidadania.<br />

Por isso nunca pense na HDZ,<br />

Quintas do Salto<br />

Imobiliária e Consultoria Empresarial,<br />

apenas como uma empresa que vende e<br />

aluga casas e terrenos, lotes, condomínios,<br />

escritórios ou apartamentos. Sim,<br />

está envolvida e comprometida com<br />

esses negócios também, aliás, com a<br />

eficácia e a experiência adquiridas ao longo<br />

de mais de trinta anos de mercado e<br />

reconhecidas em toda a região. Mas não só.<br />

Desde o início de 2015, quando os<br />

irmãos Haddad - Celso, Doca e Beto, mais o<br />

amigo e consultor Catuto - abriram as<br />

portas da HDZ para os mercados local e<br />

regional, um claro objetivo os norteou e<br />

uniu: manter os pés fincados no chão e a<br />

cabeça nas nuvens, tecendo ideias que<br />

gerassem novos modelos de negócios e<br />

criassem competências inovadoras em<br />

áreas pouco afeitas a inovações, como a<br />

imobiliária e a de consultoria.<br />

.<br />

A MARCA HDZ SE CONSTRÓI A<br />

CADA NOVO EMPREENDIMENTO<br />

Somente três anos depois de<br />

criada, a HDZ, mais do que um “player”<br />

respeitável, com peso indiscutível no<br />

mercado imobiliário, é uma marca, hoje,<br />

plenamente consolidada. Sua expressiva<br />

participação nos empreendimentos mais<br />

importantes da cidade apenas confirma o<br />

dinamismo de uma atuação cada vez mais<br />

intensa. A marca está presente nos<br />

lançamentos atuais mais relevantes, como o<br />

Edifício Attuale, da Bild; o Residencial Volpi e<br />

o Vistas do Horto, da NR; ou o Quatro<br />

Residence e o Tríade, da Avelar Couto, bem<br />

como no Spot Residence Miami, da AVR;<br />

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Cedros do Campo, Modal; Quinta do Salto,<br />

Grupo CEM, Altos do Jardim Botânico, da<br />

WKJ e Jardim São Bento, da RPS.<br />

Mas os lançamentos futuros<br />

também estão constantemente na mira dos<br />

Haddad, justamente por fazerem parte da<br />

estratégia “agadeziana” de apoiar todos os<br />

impulsos de desenvolvimento gerados na<br />

cidade. Entre esses empreendimentos estão<br />

os edifícios La Vie e Cristóvão Colombo,<br />

ambos da Bild; o Smart Dom Pedro, da<br />

Avelar Couto; o Tivoli, da Zituni; o edifício e o<br />

condomínio de lotes da Stefani Nogueira, e<br />

ainda o condomínio da Pagano.<br />

ARARAQUARA NO CORAÇÃO E OS<br />

OLHOS ABERTOS PARA O MUNDO<br />

Na outra ponta, no ramo das<br />

consultorias empresariais, a demanda,<br />

segundo Catuto, tem sido cada vez mais<br />

frequente, na medida em que os empresários<br />

e clientes vão descobrindo as vantagens<br />

de contar com profissionais especializados<br />

na intermediação de negócios e tomadas de<br />

decisões estratégicas.<br />

No planejamento e desenvolvimento<br />

da expansão de redes varejistas, por<br />

exemplo, o destaque vai para as dez novas<br />

lojas dos Supermercados São Vicente, a<br />

serem inauguradas até 2023, nas cidades de<br />

Piracicaba, Sorocaba, Jundiaí, Campinas e<br />

São Paulo. Mas a atuação da HDZ abrange<br />

ainda, na área da consultoria, desde a<br />

captação de recursos financeiros até gestão<br />

patrimonial, sem esquecer a implantação<br />

de plantas industriais, como foi o caso da<br />

Caldo Nobre Alimentos, em Valinhos.<br />

Atualmente, quatro importantes operações<br />

estão em curso em Ribeirão Preto, em<br />

avançado processo de finalização.<br />

Hoje a HDZ Consultoria já conta<br />

com escritórios associados em São Paulo,<br />

Ribeirão Preto, Campinas, Americana e<br />

Curitiba, mas a ideia é expandir para as<br />

cidades acima de duzentos mil habitantes.<br />

Esse tipo de atuação, ao mesmo<br />

tempo dinâmica e planejada, tem ampliado<br />

muito os horizontes da empresa, levando a<br />

bandeira HDZ cada vez mais longe – mas,<br />

claro, sem nunca se distanciar da origem e<br />

Residencial Volpi<br />

do compromisso com Araraquara.<br />

Aliás, como parte desse compromisso,<br />

duas grandes surpresas, que vão<br />

movimentar a cidade e dar o que falar, estão<br />

no radar da HDZ e serão anunciadas em<br />

breve. A primeira delas, da qual já se ouvem<br />

fortes rumores, está ligada a uma conhecida<br />

loja de departamentos. A outra, diz respeito<br />

a uma não menos famosa e importante<br />

universidade.<br />

Segundo os sócios, quando não<br />

se impõem limites para sonhar, jamais<br />

surgirão empecilhos para realizá-los. Se<br />

surgirem obstáculos, “estamos aí para<br />

removê-los”.<br />

CONSCIÊNCIA SOCIAL NÃO É<br />

SÓ BANDEIRA, É OBRIGAÇÃO<br />

Mas as atividades da HDZ não se<br />

limitam a stands de vendas, contratos de<br />

aluguéis ou reuniões com empresários.<br />

Quando se tem o compromisso de viabilizar,<br />

construir e administrar sonhos, eles podem<br />

estar florescendo nas ruas, nas periferias, e é<br />

preciso organizá-los para que aconteçam.<br />

A Copa HDZ/SESC de Basquete é<br />

exemplo dessa preocupação. Nos últimos<br />

três anos abraçada pela HDZ, desde 2004<br />

Celso Haddad lidera essa parceria com o<br />

professor Gilberto Paganini Marin, o Gil,<br />

com apoio do Sesc. A Copa é um programa<br />

totalmente dedicado a jovens e crianças e<br />

tem como principal objetivo integrar esse<br />

jovem capital humano através do esporte.<br />

No caso, o basquete, cujos principais fundamentos<br />

são justamente a motivação, a<br />

perseverança e a autoestima – atributos<br />

fundamentais para construirmos um futuro<br />

mais promissor para a cidade e para o país.<br />

Assim, comprometida com a<br />

sociedade em que está estabelecida, de<br />

olhos bem abertos para a sustentabilidade –<br />

na cidade, no país, no planeta –, a HDZ vai<br />

construindo uma história de amor a<br />

Araraquara, seu lar e raiz. Com os dois pés<br />

no futuro e um olhar carinhoso para o<br />

passado e para com todos os pioneiros que<br />

plantaram as primeiras sementes da cidade<br />

dos nossos sonhos.<br />

Equipe HDZ<br />

Edifício Attuale<br />

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Construção fica em frente à antiga sede; nela, assim como na anterior, há entradas pela Av. São Paulo e Rua Voluntários da Pátria<br />

FUTURO<br />

Novo prédio do Sincomercio: acessibilidade e<br />

muita tecnologia para os comerciantes<br />

Espaço quer abrigar novas ações para capacitar e atender ainda mais as necessidades dos<br />

empresários araraquarenses; Senac e Sesc intensificam suas parcerias com a entidade.<br />

Desafios. Esta é a palavra chave<br />

que o Sindicato do Comércio Varejista<br />

de Araraquara, o nosso Sincomercio,<br />

tem procurado usar em sua história<br />

para defender os interesses de uma<br />

das mais expressivas atividades: o<br />

comércio.<br />

Nos últimos anos o presidente<br />

Antonio Deliza Neto, reeleito para<br />

mais um mandato (três anos), tem<br />

mostrado além de notável visão administrativa,<br />

uma acentuada afinidade<br />

com o empresariado do comércio. Foi<br />

Deliza que em fevereiro anunciou a<br />

entrega da mais importante obra do<br />

Sincomercio na década: a nova sede,<br />

localizada na esquina da Avenida São<br />

Paulo com a Rua Voluntários da Pátria,<br />

a Rua 5.<br />

É neste novo e confortável espaço<br />

que diferentes ações serão concentradas,<br />

tais como treinamentos, palestras,<br />

encontros de negócios, tudo<br />

isso em uma instalação moderna,<br />

com acessibilidade e a tecnologia 4k<br />

em um auditório próprio.<br />

Segundo Deliza, não há uma data<br />

única para inauguração. A ideia é receber,<br />

a partir de agosto, aos poucos,<br />

diversos setores para assim criar um<br />

canal de comunicação com os empresários,<br />

a fim de saber quais diretrizes<br />

o Sincomercio pode adotar para<br />

ajudá-los.<br />

“Vamos trazer representantes<br />

dos supermercados, tintas, automóveis,<br />

enfim, queremos receber todos<br />

do comércio – mesmo aqueles que<br />

não integram nossa base sindical –<br />

para explicar as intenções deste novo<br />

espaço”, conta Deliza.<br />

Outro importante detalhe ressaltado<br />

pelo presidente é a intensificação<br />

da parceria com o Sesc e Senac,<br />

cujos logos estão, inclusive, expostos<br />

na placa de identificação. “Estas duas<br />

entidades estão ligadas à Federação<br />

do Comércio. Brinco que o Sesc cuida<br />

do espírito e o Senac da profissionalização.<br />

Ambas se completam e formam<br />

uma base forte de opções para<br />

os representados do comércio. Também<br />

temos um bom relacionamento<br />

com o Sebrae, que sempre nos rendeu<br />

frutos”, explica.<br />

Com isso, se abre a possibilidade<br />

do uso de toda a estrutura e inte-<br />

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Toninho Deliza, presidente<br />

do Sincomercio, reeleito<br />

em fevereiro anunciando a<br />

finalização das obras<br />

O solário na nova sede do Sindicato do<br />

Comércio Varejista em Araraquara<br />

Arquitetura que permite apreciar a beleza<br />

da nossa cidade<br />

lectualidade da FecomercioSP (Federação<br />

do Comércio do Estado de<br />

São Paulo). “A ideia é usar toda a demanda<br />

e qualidade técnica cultural<br />

de lá, democratizando a informação<br />

que ficava apenas concentrada na<br />

capital. Assim, a partir deste ano,<br />

nos tornaremos uma sucursal da federação<br />

no interior. Uma das, na verdade”,<br />

explica Antônio Deliza Neto.<br />

O PASSADO<br />

de 1984, foi feita durante o mandato<br />

de Olien Biancardi.<br />

A entrada social, pela Avenida<br />

São Paulo, além da compra do<br />

próprio imóvel, foi executada pelo<br />

engenheiro e presidente Eduardo<br />

Michetti, que dirigiu a entidade de<br />

abril de 1993 a abril de 1999. Por<br />

essas (e outras) ações, Michetti<br />

passou a batizar o prédio.<br />

O Sincomercio - Sindicato do<br />

Comércio Varejista de Araraquara<br />

foi fundado em 1965 para atender<br />

empresas do setor varejista com a<br />

finalidade de dar-lhes maior representatividade,<br />

trabalhar pela classe<br />

atendendo suas reivindicações. É filiado<br />

à Fecomércio desde 11 de maio<br />

de 1965.<br />

Durante a gestão de Mário Marques<br />

da Silva, o Sincomercio adquiriu,<br />

em março de 1975, sua primeira<br />

sede própria, na Avenida Brasil, 582.<br />

A atual, na Rua Voluntários da Pátria,<br />

cuja inauguração deu-se em março<br />

A sede a ser inaugurada em breve terá um solário<br />

15|


MANHÃ DE LANÇAMENTO<br />

FACIRA 2018 pretende reunir cerca de<br />

200 expositores da cidade e toda região<br />

Marcada para ocorrer este ano entre os dias 21 e 26 de agosto, Feira Agrocomercial e<br />

Industrial de Araraquara já comercializa estandes a partir de R$ 150 o metro quadrado.<br />

José Janone Júnior (Presidente da Acia), Manoel de Araújo Sobrinho (presidente da Morada do Sol Eventos), Jéferson Yashuda<br />

(presidente da Câmara), prefeito Edinho Silva, deputada federal Márcia Lia, Damiano Neto (vice-prefeito e secretário do Trabalho e do<br />

Desenvolvimento Econômico), Cidinha Silva (Presidente do Fundo Social) e Rafael Soriano (Grupo Gens) na apresentação da Facira<br />

Os preparativos para edição deste<br />

ano da Feira Agrocomercial e Industrial<br />

de Araraquara (Facira) estão a<br />

todo vapor. Após o anúncio para empresários<br />

e entidades no município<br />

em evento no Centro Internacional de<br />

Convenções no dia 23 de fevereiro, os<br />

estandes estão abertos para venda e<br />

os valores custam a partir de R$ 150<br />

o metro quadrado.<br />

Em 2017, a Facira, após seis<br />

anos sem ser realizada, atraiu 200<br />

mil pessoas durante os seis dias de<br />

evento.<br />

A empresa responsável pela realização<br />

do evento é o Grupo Gens, que<br />

irá doar ao Fundo Social de Solidariedade<br />

de Araraquara, 12% sobre a comercialização<br />

de todos os contratos<br />

do evento. “Estamos passando por<br />

Cidinha Silva, presidente do Fundo Social,<br />

recebendo um cheque de R$ 22.204,80,<br />

referente à feira do ano passado<br />

Público durante o hino nacional<br />

um momento econômico de recuperação.<br />

Agora é hora do empresário aparecer.<br />

A feira serve para isso”, disse o<br />

prefeito Edinho Silva em seu discurso.<br />

Com a intenção de atrair empre-<br />

|16


sas de pequeno e grande porte dos<br />

ramos do agronegócio, indústria, comércio<br />

e prestadores de serviços, a<br />

Facira foi anunciada com seis meses<br />

de antecedência a fim de abrir<br />

um tempo maior para negociações.<br />

Em 2018, ela ocorre entre os dias 21<br />

e 26 de agosto no espaço interno e<br />

externo do Centro de Eventos de Araraquara<br />

e Região (CEAR).<br />

“A Facira do ano passado foi um<br />

sucesso de público. Nós estamos<br />

agradecendo os empresários que<br />

participaram, que acreditaram na<br />

volta da nossa feira tradicional. Hoje<br />

mostramos também um balanço do<br />

que foi em 2017 e já lançando a próxima<br />

Facira para que eles possam se<br />

programar”, explica o vice-prefeito e<br />

secretário do Trabalho e do Desenvolvimento<br />

Econômico, Damiano Neto.<br />

Para ele, a feira, ao mesmo tempo,<br />

oferece entretenimento às famílias e<br />

fomentar a economia no interior do<br />

Estado de São Paulo, divulgando os<br />

negócios regionais por meio dos estandes.<br />

“É uma forma de mostrar a<br />

força da nossa economia e da nossa<br />

gente”, destaca o vice-prefeito. Ainda<br />

não foi divulgada a programação de<br />

shows, mas a organização garante<br />

que eventos culturais farão parte do<br />

evento.<br />

Outra marca da FACIRA nas últimas<br />

décadas, a vocação solidária,<br />

está mantida: 12% do valor de comercialização<br />

dos estandes serão<br />

revertidos para o Fundo Social de<br />

Solidariedade. Durante a cerimônia<br />

‘O Brasil vive um momento de recuperação econômica. É a hora do empresário aparecer<br />

e a FACIRA é uma ótima oportunidade’, afirma o prefeito Edinho Silva<br />

de apresentação, o prefeito Edinho<br />

entregou para a presidente do Fundo<br />

Social, Cidinha Silva, um cheque de<br />

R$ 22.204,80.<br />

O TEMPO VAI AJUDAR<br />

Para o secretário de Desenvolvimento<br />

Econômico, Damiano Barbiero<br />

Neto, principal articulador da FACIRA,<br />

trabalhando com antecedência a possibilidade<br />

de uma feira com melhores<br />

resultados é maior. “É evidente que<br />

precisamos contar com o apoio da<br />

comunidade pois a feira pertence à<br />

cidade e nela deverão estar expostas<br />

as riquezas da nossa terra”, comentou<br />

ele durante o lançamento. O comitê<br />

organizador terá cinco meses para<br />

trabalhar, tempo bem maior do que<br />

no ano passado, quando tudo teve<br />

que ser feito em dois meses.<br />

Damiano e Jorge<br />

Lorenzetti Neto,<br />

uma das maiores<br />

lideranças da<br />

assistência social<br />

em Araraquara<br />

Michel Kary, da<br />

coordenadoria de<br />

Turismo e Simone<br />

Soriano, que<br />

pertence ao Grupo<br />

Gens<br />

17|


ECONOMIA LOCAL<br />

NJE, do CIESP,<br />

traça metas<br />

para 2018<br />

Realização da Acelera<br />

Startup Felowship promete<br />

agitar o primeiro semestre.<br />

O ano começou com toda a força<br />

para o Núcleo de Jovens Empreendedores<br />

de Araraquara, um dos braços<br />

de atuação do Centro das Indústrias<br />

do Estado de São Paulo (CIESP) em<br />

todo o Estado de São Paulo. Algumas<br />

dessas novidades foram apresentadas<br />

pelo coordenador do NJE, Bruno<br />

Naddeo, durante primeira reunião do<br />

grupo, acompanhada pela Revista Comércio,<br />

Indústria e Agronegócio.<br />

Entre os planos para 2018,<br />

Naddeo destacou a realização do Acelera<br />

Startup Felowship, que contará<br />

com o apoio do NJE Araraquara e São<br />

Carlos. “Este evento ocorre no primeiro<br />

semestre, com cursos e palestras,<br />

sempre focando o fortalecimento das<br />

ações do jovem empreendedor. Em<br />

breve divulgaremos mais detalhes”,<br />

afirma.<br />

ENFRENTAMENTO<br />

Michele Pelaes, coordenadora regional do CIESP, acompanha Bruno Naddeo,<br />

coodernador do Núcelo de Jovens Empreendedores de Araraquara, durante reunião<br />

Naddeo também revelou que outro<br />

foco para este ano, como CIESP,<br />

é enfrentar os grandes bancos e<br />

credores contra as abusivas taxas de<br />

juros que prejudicam principalmente<br />

o pequeno e médio empreendedor e<br />

assola a economia da família brasileira.<br />

“A taxa básica nunca esteve tão<br />

baixa, já os juros do cartão de crédito,<br />

cheque especial, empréstimo pessoal,<br />

entre tantos outros, são fatores<br />

que travam nossa economia”, diz.<br />

Porém, o discurso do coodernador<br />

também carrega tons otimistas<br />

sobre aquilo que poderá ocorrer nos<br />

próximos meses. “Há uma perspectiva<br />

de crescimento do PIB, indústria<br />

se recuperando ainda que devagar,<br />

a confiança do empresário subindo<br />

e do consumidor melhorando. Isso<br />

mostra que estamos saindo do atoleiro”,<br />

analisa.<br />

Como ocorre em todo o Estado de<br />

São Paulo, o Núcleo de Jovens Empreendedores<br />

(NJE) é formado por<br />

jovens empreendedores, sucessores<br />

de empresas afiliadas e empresários<br />

iniciantes.<br />

O projeto existe desde 1992, porém<br />

em 2004, ganhou o status de<br />

diretoria no CIESP. “Atendemos Araraquara<br />

e outras 17 cidades da região.<br />

As ações do núcleo são múltiplas e podem<br />

agregar, ao longo de um ano, palestras,<br />

encontros comerciais (Happy<br />

Business), Congresso Estadual, entre<br />

outras ações, finaliza Naddeo.<br />

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BOM MOMENTO<br />

Shoppings de Araraquara superam linha de<br />

crescimento estipulada pela Abrasce<br />

Associação Brasileira de Shopping Centers estimou uma melhora de 6,2 % no setor em todo<br />

o Brasil; Jaraguá atingiu a marca de 10,4% enquanto que o Lupo anotou 11%.<br />

De acordo com recente pesquisa<br />

divulgada pela Associação Brasileira<br />

de Shopping Centers (Abrasce), o<br />

faturamento dos shopping centers do<br />

Brasil alcançaram a marca de 6,2%.<br />

Os dados foram coletados no ano<br />

passado.<br />

Segundo Glauco Humai, presidente<br />

da Abrasce, a marca ficou<br />

abaixo do crescimento de 7% projetado<br />

pela associação para o ano,<br />

porque o mês de dezembro acabou<br />

não atingindo as perspectivas<br />

esperadas. Porém, em Araraquara,<br />

a realidade é outra, com contornos<br />

positivos.<br />

A Revista Comércio, Indústria<br />

e Agronegócio apurou um balanço<br />

junto ao Shopping Jaraguá e Lupo e<br />

chegou à conclusão que ambos os<br />

locais ultrapassaram a perspectiva da<br />

Abrasce, agregando um crescimento<br />

maior do que o estipulado.<br />

Em 2017, o Jaraguá Araraquara<br />

registrou crescimento de 10,34% no<br />

total de vendas e de 4,8% no fluxo de<br />

pessoas, com relação a 2016. Cerca<br />

Cerca de 3 milhões de pessoas passaram pelo Shopping Jaraguá em 2017<br />

de 3 milhões de pessoas visitaram<br />

o shopping no ano passado. O bom<br />

desempenho em 2017 é resultado<br />

das mais de 20 novas operações<br />

de lojas, das ações de marketing e<br />

Uma das novidades do Lupo será seu novo cinema, o Cine Center Lupo<br />

eventos diversos, como a exposição<br />

de motos Harley Davidson, em agosto<br />

e a decoração natalina – uma homenagem<br />

ao aniversário de 200 anos<br />

de Araraquara, informa Tatiana Andrade,<br />

via assessoria de imprensa<br />

do local. No Shopping Lupo, segundo<br />

a superintendente Dayane Gibim,<br />

o crescimento no faturamento das<br />

lojas chegou aos 11%.<br />

Mas e para 2018, quais são as<br />

perspectivas? Para a Abrasce, o setor<br />

deve ser aquecido por conta de 23<br />

inaugurações de shopping em 2018,<br />

sendo 17 no interior e 6 em capitais<br />

brasileiras. Para este ano, o Shopping<br />

Jaraguá Araraquara estima um<br />

crescimento aproximado de 15% no<br />

total de vendas se comparado ao ano<br />

anterior. Essa previsão está embasada<br />

no momento do mercado e pelo<br />

histórico. O Shopping Lupo também<br />

segue essa linha otimista.<br />

19|


ECONOMIA INFORMAL<br />

Juntas, as irmãs<br />

para compleme<br />

Desde a adolescência,<br />

Ariane, Poliana e Ingridi<br />

produzem receitas de<br />

ovos de chocolate durante<br />

a Páscoa; criatividade e<br />

divulgação são os segredos<br />

para aumento da demanda.<br />

Da esquerda para direita, Ariane, Ingridi e Poliana, preparadas para receberem as primeiras<br />

encomendas; produtos selecionados e muito carinho em cada receita são alguns dos diferenciais<br />

Comemorada neste ano em 1º de<br />

abril, a Páscoa é uma ótima opção<br />

para colocar em prática o empreendedorismo,<br />

afinal, a indústria e o comércio<br />

tradicional não são os únicos<br />

setores que podem faturar com essa<br />

data especial.<br />

É comum notar profissionais de<br />

outras áreas invadindo este universo<br />

recheado de chocolates para<br />

garantir um dinheiro a fim de com-<br />

|20


Rossi viram ‘doceiras’<br />

ntar a renda doméstica<br />

plementar a renda doméstica. Esse<br />

mercado informal possui um público<br />

fiel, que busca criatividade, exclusividade<br />

e sabor.<br />

Este é o caso das irmãs araraquarenses<br />

Ariane, Poliana e Ingridi<br />

Rossi, esteticista, administradora e<br />

arquiteta, respectivamente. Na faixa<br />

dos 20 anos, as três começaram a<br />

fazer ovos de Páscoa ainda adolescentes,<br />

sempre visando um capital<br />

extra para elas.<br />

“Nossos primeiros testes foram<br />

em casa e com nós mesmas, afinal,<br />

adoramos doces. Depois fomos<br />

agregando outras opiniões, sempre<br />

com elogios. Meu namorado mesmo<br />

come até passar mal”, conta em tom<br />

de brincadeira Ariane Rossi.<br />

Segundo ela, o número de encomendas<br />

varia de acordo com a<br />

situação econômica do País de uma<br />

maneira geral. “Já chegamos a fazer<br />

200 ovos, assim como chegamos a<br />

produzir dez. Nosso lucro, em época<br />

boa, já chegou perto dos R$ 900 líquido<br />

para cada, pagando todos os<br />

custos de produção. Nos últimos<br />

anos, a procura caiu bastante, mas<br />

mesmo assim continuamos com<br />

nossos planos. Nós gostamos e fazemos<br />

tudo em nossa cozinha, que<br />

adaptamos para tal”, explica.<br />

Hoje, até por conta da necessidade<br />

geral do brasileiro em obter uma<br />

nova fonte de lucro, a concorrência<br />

tornou-se acirrada, fazendo com<br />

que as ‘doceiras caseiras’ busquem<br />

novas e criativas soluções para fidelizar<br />

clientes. “Tudo que fazemos<br />

Bombom na taça: uma das novidades<br />

produzidas pelas irmãs em 2018<br />

aqui é 100% natural e feito com<br />

ingredientes selecionados. Como<br />

novidade para 2018, destaco a sobremesa<br />

de Páscoa com bombom<br />

na taça”, lembra. Com procura maior<br />

do público adulto feminino, Ariane<br />

foca na divulgação no famoso boca<br />

a boca e também nas redes sociais<br />

para aumentar sua demanda. “Inclusive,<br />

quem ficar curioso com as nossas<br />

receitas, basta nos procurar no<br />

facebook, pelo nome de cada uma”,<br />

convida a doceira esteticista.<br />

21|


HOMENAGEM<br />

Orlando Bonifácio Martins<br />

homenageado no Sescon SP<br />

Contabilista renomado,<br />

fundador do SINCOAR e<br />

AESCAR, atualmente diretor<br />

da JUCESP em Araraquara,<br />

recebeu o Prêmio Annibal de<br />

Freitas, em São Paulo.<br />

16 de fevereiro. A noite era de<br />

festa para o Sescon-SP que estava<br />

completando 69 anos de fundação.<br />

Das comemorações constava a entrega<br />

da Medalha Anníbal de Freitas a<br />

Orlando Bonifácio Martins, um dos diretores<br />

do Escritório Visão de Contabilidade<br />

e que ao longo de sua brilhante<br />

carreira, acumulou conquistas memoráveis<br />

ao lado dos companheiros<br />

contabilistas de nossa cidade, como<br />

a fundação do Sindicato dos Contabilistas<br />

de Araraquara (SINCOAR) e<br />

Associação das Empresas Contábeis<br />

de Araraquara e Região (AESCAR).<br />

Wladimir Carlos Bersanetti Rodrigues (Sescon Araraquara),<br />

Daniel Stoque Pecin (AESCAR), Eduardo Bonifácio Martins<br />

(SINCOAR), Márcio Massao Shimomoto (Presidente do<br />

Sescon SP) e Orlando Bonifácio Martins<br />

Além disso, Orlando tem na conta o<br />

brilhantismo com que dirige a JUCESP<br />

(Junta Comercial do Estado de São<br />

Paulo) em Araraquara, com poderes<br />

regionais há muitos anos.<br />

Contabilistas e amigos<br />

de Orlando, no Monte<br />

Líbano: Geraldo Luís<br />

Tampellini, Luiz Carlos<br />

Velludo, Roberto Fonari,<br />

Valter Moraes e Vitor<br />

Tampellini<br />

Orlando recebe a Medalha<br />

Anníbal de Freitas do<br />

presidente Márcio Massao<br />

Shimomoto e do vice<br />

Reynaldo Pereira Lima Júnior,<br />

ambos do Sescon SP<br />

A homenagem aos integrantes<br />

da classe é realizada todos os anos,<br />

sendo sempre motivada pelo exemplo<br />

de seriedade, ética e liderança que<br />

os contabilistas exercem no cumprimento<br />

da sua atividade. Desta feita, o<br />

Sescom homenageou no Monte Líbano,<br />

um brilhante profissional pelos relevantes<br />

serviços prestados ao setor<br />

contábil, Orlando Bonifácio Martins,<br />

que na oportunidade se viu cercado<br />

de amigos e familiares, como seu filho<br />

Eduardo Bonifácio Martins, que<br />

recentemente assumiu a presidência<br />

do SINCOAR.<br />

AGRADECIMENTO<br />

Orlando, que sempre pautou pela<br />

prática da ética e do respeito, sendo<br />

considerado profissional do<br />

mais alto nível, agradecido<br />

ao Sescon e Fecontesp,<br />

destacou que o exercício<br />

da contabilidade lhe possibilitou<br />

não apenas criar<br />

amizades, mas desfrutar do<br />

carinho das pessoas: “Sou<br />

grato aos que me abriram<br />

as portas para a vida e de<br />

todos guardo com carinho<br />

especial momentos que me<br />

fortalecem no desempenho<br />

da minha profissão”.<br />

Na oportunidade, além<br />

do SINCOAR, também estavam presentes<br />

a AESCAR através do seu<br />

presidente Daniel Pecin e o Sescon<br />

Araraquara com seu diretor Wladimir<br />

Carlos Bersanetti Rodrigues.<br />

O homenageado com<br />

familiares: Anamaria, a<br />

esposa Edna, Eduardo,<br />

Andréia e os netos Murilo<br />

e Mateus<br />

|22


GESTÃO<br />

Sindicalista Agnaldo Andrade, de 48 anos,<br />

assume a presidência do SISMAR<br />

Ele ocupa o posto por conta<br />

do trágico falecimento de<br />

Marcos Zambone.<br />

“Vamos dar continuidade ao trabalho<br />

em prol do ser humano. Esta<br />

é a bandeira que a atual diretoria se<br />

propôs a fazer desde o início”. Assim<br />

Agnaldo Andrade, 48, novo presidente<br />

do Sindicato dos Servidores Municipais<br />

de Araraquara e Região (SISMAR),<br />

define seu início de mandato frente ao<br />

novo cargo.<br />

Ainda sob forte luto por conta do<br />

falecimento do ex-presidente Marcos<br />

Zambone, Andrade promete muita luta<br />

pelos direitos dos trabalhadores. “Nossa<br />

linha de trabalho será a mesma,<br />

com intenso respeito por todos. E não<br />

só junto a associados, mas também a<br />

servidores de uma maneira geral”, diz<br />

Andrade é<br />

funcionário<br />

público desde<br />

1985<br />

Andrade. Além de Araraquara, o SIS-<br />

MAR representa servidores municipais<br />

de Américo Brasiliense, Boa Esperança<br />

do Sul, Gavião Peixoto, Motuca,<br />

Nova Europa, Ribeirão Bonito, Santa<br />

Lúcia e Trabiju.<br />

Em virtude das circunstâncias, não<br />

houve cerimônia de posse para Agnaldo<br />

Andrade, sindicalista e funcionário<br />

público desde 1985. Cumprindo o Estatuto<br />

Social da entidade, a diretoria<br />

se reunirá em breve para formalizar e<br />

fazer em cartório o registro da sua necessária<br />

recomposição. Vale lembrar<br />

que o ex-presidente Marcos Roberto<br />

de Carvalho Zambone morreu aos 48<br />

anos em 19/02, vítima de um infarto<br />

fulminante. Zambone foi encontrado<br />

caído por um colega de trabalho na<br />

sede do sindicato, que fica na Rua<br />

Gonçalves Dias. Funcionário público<br />

da Prefeitura, Zambone ocupava a<br />

cadeira da presidência desde 1º de<br />

janeiro de 2016.<br />

23|


NETWORKING<br />

Café Empreendedor retoma<br />

projeto com novidades<br />

‘Café palestra’ e ‘Café<br />

rodada de negócios’ ganham<br />

vida em 2018; encontros na<br />

cidade ocorrem sempre as<br />

segundas, com participação<br />

gratuita.<br />

Em destaque na cidade desde o<br />

ano passado, o Café Empreendedor<br />

retomou suas atividades com força<br />

total e ótimas perspectivas. Iniciativa<br />

particular cujo principal pilar é o<br />

networking entre empresários e o público<br />

em geral, o projeto agora soma<br />

à sua grade de atividades o ‘Café Palestra’<br />

e o ‘Café Rodada’. “Em nosso<br />

site e nas redes sociais divulgaremos<br />

todas as datas, assim como os palestrantes”,<br />

informa a cofundadora da<br />

ideia Thais Leonel.<br />

Em Araraquara, o Café Empreendedor<br />

continua funcionando sempre<br />

as segundas-feiras, das 8 às 9h30,<br />

no Coworking Coletivo (Avenida Vaniel<br />

Caldas de Mesquita, 181). Outra<br />

novidade para 2018 e que atende a<br />

classe de nossa região é a realização<br />

do projeto também em Matão, só que<br />

as quartas, no mesmo horário, na Associação<br />

Comercial e Empresarial de<br />

Matão (Rua Cesário Motta, 1290).<br />

Segundo Thais Leonel, o balanço<br />

de 2017 foi extremamente positivo,<br />

o que impulsiona para passos ainda<br />

maiores. Durante os encontros, todos<br />

Público durante a primeira reunião de 2018<br />

têm a chance de “trocar figurinhas”<br />

a fim de apresentar o seu negócio e<br />

falar um pouco sobre a área que atua.<br />

Também há espaço para discussão<br />

de novos projetos e serviços.<br />

“Desta maneira, criamos uma<br />

rede de contatos para melhorar as<br />

vendas. A iniciativa é simples, porém<br />

consegue organizar e agregar pessoas<br />

com um interesse empreendedor<br />

em comum. Essa movimentação<br />

oxigena e abre novas portas. No ano<br />

passado, levantamos cerca de R$<br />

50 mil reais em negócios por mês.<br />

Esperamos melhorar essa meta em<br />

2018”, pontua Thais.<br />

A participação é sempre gratuita<br />

para todos os interessados, porém<br />

é necessária uma inscrição no site<br />

do Café Empreendedor. (http://cafeempreendedor.net.br).<br />

Outras informações<br />

e fotos dos eventos estão<br />

disponíveis no facebook @cafeEmpreendedor.net.br.<br />

A medida vem sendo<br />

elogiada pela classe empresarial<br />

que vê no movimento, forte tendência<br />

para a prospecção de negócios.<br />

Thais Leonel durante o encontro<br />

|24


CUIDANDO DE VOCÊ<br />

15º Verão<br />

Univida foi<br />

um sucesso<br />

Com atividades gratuitas<br />

para a população, evento<br />

incentivou a prática<br />

de exercícios físicos,<br />

promovendo qualidade<br />

de vida e apresentando os<br />

serviços do Univida.<br />

Cerca de duas mil pessoas marcaram<br />

presença na 15ª edição do<br />

projeto Verão Univida, realizada pela<br />

Unimed Araraquara entre os dias 1º<br />

e 7 de fevereiro, das 19h às 20h30.<br />

O projeto visa promover junto à comunidade<br />

atividades gratuitas, incentivando<br />

a prática de exercícios físicos<br />

e promovendo a qualidade de vida.<br />

Nestes seis dias, os participantes pra-<br />

Público participou intensamente dos seis dias de atividades<br />

ticaram alongamento, zumba, fit dancing,<br />

dança de salão (samba e forró),<br />

ginástica lúdica, tai chi, ginástica localizada,<br />

entre outras atividades. Sorteios<br />

de diversos brindes e distribuição<br />

de suco de laranja também fizeram<br />

parte do cardápio. Além de tudo isso,<br />

profissionais de sáude realizaram uma<br />

apresentação, explicando um pouco<br />

cada especialidade desenvolvida dentro<br />

do Univida: fonoaudiologia, terapia<br />

ocupacional, psicologia, fisioterapias e<br />

nutrição. Um momento especial desta<br />

edição vai ao encontro da presença<br />

da equipe multidisciplinar responsável<br />

pelo Programa Especial Autismo,<br />

o mais novo projeto do Centro Unimed<br />

de Qualidade de Vida.<br />

“Comemoramos 15 anos de realização<br />

desse projeto com a participação<br />

de todas as áreas de atuação do<br />

Univida com uma energia contagiante<br />

do público e apoio de muitos parceiros,<br />

que proporcionaram momentos com<br />

muita qualidade de vida”, diz Daniela<br />

Alcalde, coordenadora do Univida.<br />

25|


COPA DO MUNDO<br />

Comércio de Araraquara deverá fechar<br />

suas portas durante os jogos do Brasil<br />

O Sincomercio Araraquara e<br />

o Sincomerciários definirão,<br />

oficialmente, o cronograma<br />

até maio, mas a tendência é<br />

baixar as portas.<br />

Em pouco mais de três meses, o<br />

país do futebol começa a respirar o<br />

clima da maior competição do esporte:<br />

a Copa do Mundo que, em 2018,<br />

invade a Rússia. O Brasil estreia contra<br />

a Suíça no dia 17 de junho, um<br />

domingo, às 15 horas. Por cair em um<br />

dia que não é útil, a data não deve alterar<br />

a rotina da maioria das pessoas,<br />

salvo para jornadas de trabalho com<br />

regime de plantão, como unidades de<br />

saúde e trabalhadores do transporte<br />

coletivo.<br />

Os outros dois jogos da Seleção<br />

Brasileira na primeira fase do torneio<br />

serão em dias úteis. Na segunda rodada,<br />

o Brasil encara a Costa Rica<br />

no dia 22 de junho, sexta-feira, às 9<br />

horas da manhã. Na terceira, Brasil e<br />

Sérvia se enfrentam às 15 horas do<br />

dia 27 de junho, quarta-feira. Já essas<br />

datas afetam bastante um setor:<br />

o comércio que passa por agruras.<br />

Segundo Antônio Deliza Neto, o<br />

Toninho Deliza, presidente do Sindicato<br />

do Comércio Varejista de Araraquara<br />

(Sincomercio), o tema Copa<br />

Antonio Deliza Neto (Sincomercio)<br />

Ambos os sindicatos entendem que a melhor saída poderá ser o ‘fechamento das portas’<br />

do Mundo já está em pauta, porém<br />

todo seu modelo será definido nos<br />

próximos dois meses após reuniões<br />

com o Sindicato dos Empregados no<br />

Comércio (Sincomérciários).<br />

Mas Deliza acredita que o fechamento<br />

será, possivelmente, à escolha.<br />

Pode-se haver um fator facultativo,<br />

também. “Vivemos uma recuperação<br />

econômica, o que abre essas possibilidades.<br />

O que eu sei é que não dá<br />

para obrigar que o comerciante abra<br />

José Vicente Piccione (Sincomerciários)<br />

suas portas. Podemos estudar turnos<br />

únicos ou mesmo compensações”,<br />

afirma.<br />

José Vicente Piccione, vice-presidente<br />

do Sincomérciários, adota o<br />

mesmo discurso de Deliza, deixando<br />

claro que todas as definições estão<br />

por vir. “Fechar o comércio em horário<br />

de jogo não causa nenhum problema<br />

para o comércio, afinal quem sai de<br />

casa na hora de jogo para fazer alguma<br />

compra? Essa deve ser a tendência”,<br />

afirma.<br />

Caso o Brasil passe da primeira<br />

fase da Copa do Mundo da Rússia,<br />

as datas posteriores variam. Os comandados<br />

de Tite podem encarar as<br />

oitavas de final nos dias 2 ou 3 de<br />

julho, quarta e quinta-feira, respectivamente.<br />

As quartas de final estão<br />

marcadas para os dias 6, sexta-feira,<br />

e 7 de julho, sábado. Já as semifinais<br />

serão nos dias 10 e 11 de julho, terça<br />

e quarta-feira, com as finais nos dias<br />

14 e 15 de julho, sábado e domingo.<br />

Tudo deverá ser definido até maio.<br />

|26


27|


MUNDO ACADÊMICO<br />

Livro de professora da Unesp<br />

Araraquara é citado no ‘Estadão’<br />

Movimento estudantil e<br />

ditadura no Brasil em 1968<br />

são os temas da obra.<br />

O livro ‘1968 - o Diálogo é a Violência:<br />

Movimento Estudantil e Ditadura<br />

Militar no Brasil’, de Maria Ribeiro do<br />

Valle, professora da Faculdade de<br />

Ciências e Letras da Unesp de Araraquara,<br />

foi citado no artigo ‘Meio<br />

Movimento estudantil em 1968<br />

século depois, legado político e cultural<br />

de 1968 permanece vivo: Ano de<br />

revoluções em vários países provocou<br />

mudança comportamental profunda’,<br />

de Luiz Zanin Oricchio, publicado no<br />

jornal O Estado de São Paulo no começo<br />

deste ano.<br />

Na obra, a construção detalhada e<br />

rigorosa de quatro momentos do ano<br />

de 1968 no Brasil é redigida com base<br />

em uma questão central, a violência,<br />

que se constitui na linha interpretativa<br />

do trabalho. Focalizando o jogo<br />

político entre o movimento estudantil<br />

e a ditadura militar, o livro é um dos<br />

mais completos lançados sobre o assunto<br />

nos últimos anos.<br />

Formada em História, Ciências<br />

Sociais e com doutorado na Universidade<br />

Estadual de Campinas, Maria Ribeiro<br />

do Valle tem experiência na área<br />

Maria Ribeiro do Valle<br />

de Sociologia, atuando principalmente<br />

nos seguintes temas: movimento<br />

estudantil, ditadura militar no Brasil,<br />

socialismo e liberalismo.<br />

Capa do material<br />

|28


DOCUMENTO<br />

HÁ MEIA DÉCADA: REPRESSÃO<br />

Assim o dramaturgo araraquarense José Celso Martinez<br />

Corrêa resume a peça ‘Roda Viva’, de Chico Buarque que, há<br />

50 anos, sofreu duras punições por parte da ditadura militar;<br />

leia depoimentos do diretor sobre a produção.<br />

‘Uma multidão<br />

de atores fez<br />

teste para a<br />

montagem’, diz<br />

Zé Celso<br />

‘A mais machucada e vitoriosa<br />

montagem do teatro brasileiro’<br />

Orgiástico, polêmico e um dos<br />

maiores gênios do teatro contemporâneo.<br />

Este é José Celso Martinez Corrêa,<br />

o Zé Celso, 80 anos, filho de Araraquara,<br />

irmão de Luiz Antônio, outro<br />

grande dramaturgo, assassinado no<br />

Rio de Janeiro e que dá nome ao tradicional<br />

festival do gênero na cidade.<br />

Ao longo de uma carreira de mais<br />

de 60 anos, Zé consolidou-se como<br />

uma das figuras mais importantes<br />

do teatro brasileiro. Pudera. A bordo<br />

do Teatro Oficina - grupo amador que<br />

criou na década de 1960 e com o qual<br />

segue chocando até hoje -, ele foi responsável<br />

por montagens provocativas<br />

e críticas.<br />

Todas elas estavam sempre atreladas,<br />

de alguma forma, à realidade<br />

de cada época. Quer exemplos? O<br />

espetáculo-manifesto ‘O Rei da Vela’<br />

(1967) tornou-se emblema do movimento<br />

tropicalista; ‘Mistérios Gozosos’<br />

(1994) chocou a comunidade<br />

católica com sua caracterização debochada<br />

de Jesus; ‘As Bacantes’ (1996)<br />

levou a nudez do palco para a plateia,<br />

forçada a entrar na orgia dionisíaca,<br />

como na Grécia Antiga.<br />

Cartaz<br />

promocional da<br />

peça no Teatro<br />

Galpão, na Rua<br />

dos Ingleses, no<br />

Rio de Janeiro<br />

Em 2018, um de seus espetáculos<br />

mais famosos (falando em senso<br />

comum) comemora 50 anos: o “Roda<br />

Viva”, de Chico Buarque, naquele tempo<br />

recém chegado à maioridade. Marco<br />

da contratura e revolucionária para<br />

a época, a peça foi alvo de censura<br />

pelo governo militar comandado pelo<br />

presidente Costa e Silva.<br />

29|


Cerca de 20<br />

integrantes do<br />

Comando de Caça<br />

aos Comunistas,<br />

grupo ligado ao<br />

governo, invadiram<br />

o teatro com muita<br />

violência, agredindo<br />

atores e destruindo<br />

cenários<br />

“Assim como minha geração, em<br />

1967 brotou, em plena Ditadura Militar<br />

de Castelo Branco, imergindo na<br />

tropicália antropófoga, Chico Buarque<br />

deu continuidade à descolonização<br />

do teatro musical. Tivemos uma sorte<br />

imensa! Íamos ter um coro com 4<br />

pessoas mas, no dia do teste, uma<br />

multidão ocupou o Teatro Princesa<br />

Isabel, na qual os funcionários, todos<br />

negros, vestiam uniformes inspirados<br />

na pintura dos escravos de Debret.<br />

Formamos um time”, lembra Zé Celso.<br />

A mais famosa punição à ‘Roda<br />

Viva’ está datada em 18 de julho<br />

1966, durante a temporada paulistana.<br />

Cerca de 20 integrantes do<br />

Comando de Caça aos Comunistas<br />

(CCC), grupo paramilitar ligado ao<br />

governo, invadiram o Teatro Galpão<br />

destruindo cenários e espancando os<br />

atores, entre eles Marília Pêra, que<br />

havia substituído Marieta Severo, esposa<br />

de Chico naquela época.<br />

Em Porto Alegre, a situação foi ainda<br />

mais violenta, em 3 de outubro,<br />

com quebra-quebra geral, violência<br />

e muitas prisões. Assim que acabou<br />

a sessão no Teatro Leopoldina, cujas<br />

três noites previstas estavam com ingressos<br />

esgotados. “O Zuenir Ventura<br />

escreveu que o AI 5 inspirou-se no sucesso<br />

insurrecional desta peça. Há,<br />

realmente, em um texto deles, uma<br />

citação à proibição de frequentar certos<br />

lugares culturais”, completa.<br />

tentar agradar ao público. Assim, Benedito<br />

Silva transforma-se em Ben Silvere,<br />

uma crítica à indústria cultural<br />

e ao controle criativo que o músico e<br />

compositor sentia junto às gravadoras<br />

em que trabalhou.<br />

No palco, a performance combinava<br />

imagens sacras e cenas de sexo.<br />

A interação do elenco com o público<br />

provocava momentos de tensão,<br />

como na cena em que um fígado cru<br />

dilacerado no palco fazia respingar<br />

sangue na plateia, e a simulação de<br />

uma repressão a estudantes pela<br />

polícia embaralhava atores e espectadores.<br />

“Os atores faziam do palco plateia,<br />

da plateia palco. Tocavam nas<br />

pessoas como no Carnaval, no Candomblé,<br />

na Umbanda, enfim, traziam<br />

de volta, depois de milênios, o<br />

coro da tragédia grega. Este milagre<br />

aconteceu na passagem de 1967<br />

para 1968, com o levante telúrico do<br />

‘Roda Viva”’, lembra o dramaturgo.<br />

IMPACTOS<br />

O primeiro texto teatral de Chico<br />

Buarque é baseado na música do<br />

mesmo nome, “Roda Viva” e fala de<br />

um cantor que muda de nome para<br />

Zé Celso no fim da década de 60<br />

|30


Foi nessa época, inclusive, que<br />

Zé Celso passou a ter seus primeiros<br />

contatos com drogas, muito influenciado<br />

pelo clima e elenco da montagem.<br />

“Entreguei-me. Eles me fizeram<br />

fumar maconha, que fumo há 50<br />

anos, primeiro sentindo sua qualidade<br />

na nossa percepção, na diversão,<br />

hoje, com 80 anos, como medicina<br />

para dores. Também me apresentaram<br />

alucinógenos maravilhosos:<br />

ayuasca, peyote, don pedrito. Hoje,<br />

não posso mais tomar porque tive<br />

infarto em 1984. Só posso vinho e<br />

maconha”, finaliza.<br />

Chico Buarque autorizou o Teatro<br />

Oficina a fazer nova montagem<br />

de’ Roda Viva’. Zé Celso começou a<br />

ensaiar a peça no ano passado com<br />

parte do elenco do Oficina, na esteira<br />

do retorno de ‘O Rei da Vela’, espetáculo<br />

encenado pelo grupo em 1967<br />

e agora de volta aos palcos da companhia.<br />

“O momento histórico de hoje<br />

clama pela peça mais machucada e,<br />

ao mesmo tempo, vitoriosa do teatro”<br />

brasileiro: ‘Roda Viva”, finaliza.<br />

Marília Pêra e<br />

Rodrigo Santiago<br />

em ação. Marília<br />

substituiu Marieta<br />

Severo, ex-mulher<br />

de Chico Buarque.<br />

Foto - Cristiano<br />

Mascaro<br />

Cada um em sua arte, Chico Buarque e Zé Celso são vistos, até os dias de hoje, como<br />

importantes nomes da luta contra a ditatura militar na década de 60<br />

31|


FATOS & FOTOS<br />

DA REDAÇÃO<br />

Painel eletrônico no Terminal de integração<br />

A grande novidade para quem<br />

depende do transporte público em<br />

Araraquara foi a instalação de quatro<br />

painéis eletrônicos no TCI (Terminal<br />

Central de Integração), que informam<br />

em tempo real a previsão de chegada<br />

dos ônibus ao local. Dois deles ficam<br />

na plataforma da Avenida São Paulo<br />

e os outros na Avenida Portugal.<br />

Os equipamentos indicam o nome<br />

da linha e a previsão de chegada<br />

do ônibus dentro de um raio de 15<br />

minutos. Para isso, todos os veículos<br />

foram equipados com GPS. O<br />

projeto é de responsabilidade do CAT<br />

(Consórcio Araraquara de Transportes)<br />

– operador das linhas de ônibus<br />

da cidade – e atende solicitação<br />

SUBINDO<br />

O Carnaval 2018<br />

em Araraquara foi<br />

muito legal. Além<br />

da tradicional<br />

folia nos clubes da<br />

cidade, como o<br />

Náutico e também<br />

o Araraquarense,<br />

muitos blocos se<br />

organizaram para<br />

comemorar a data<br />

como nos velhos<br />

tempos. Tivemos<br />

festa na Vila Xavier,<br />

no Pé na Cova, no<br />

Velho Armazém,<br />

além do Bar do<br />

Zinho. Tudo isso<br />

com muita paz e<br />

animação.<br />

DESCENDO<br />

Quem mora<br />

próximo ao Teatro<br />

Municipal notou,<br />

desde o começo<br />

do ano, a presença<br />

de andarilhos que<br />

faziam de uma<br />

das entradas de lá,<br />

abrigos para passar<br />

a noite. Pois bem,<br />

qual a solução para<br />

isso? Colocar grade<br />

no local e também<br />

na frente do Teatro?<br />

Bela maneira de<br />

lidar com esse<br />

problema social. E<br />

olha que a inclusão<br />

foi uma bandeira de<br />

campanha. Normal.<br />

da Controladoria do Transporte de<br />

Araraquara.<br />

Oficina das Meninas precisa da sua ajuda<br />

Soprando velas<br />

Neste mês, o curso de<br />

Fisioterapia da Uniara<br />

completa vinte anos de<br />

atividades. Como novidade,<br />

a graduação volta a ser<br />

oferecida no período diurno<br />

e mantém a opção noturna.<br />

O coordenador Carlos<br />

Roberto Grazziano, que<br />

entrou em março de 1999<br />

como docente e assumiu o<br />

atual cargo em outubro de<br />

2001, lembra que o curso<br />

foi o primeiro da área da<br />

saúde na instituição. “É<br />

uma satisfação ver nossos<br />

ex-estudantes falando que<br />

estão indo bem no campo<br />

profissional”, diz Grazziano.<br />

Com 15 anos de história, a Oficina das Meninas (foto<br />

ao lado) é uma organização não governamental (Ong),<br />

sem fins lucrativos que realiza atividades direcionadas<br />

a meninas e adolescentes de 6 a 17 anos, priorizando<br />

famílias de baixa renda que têm mulheres como chefes<br />

de família. Atualmente, a entidade atende 70 meninas,<br />

mas projeta ampliar o número de atendimento para<br />

100. Para isso, necessita de ajuda, pois depende de<br />

doações e parcerias. Quem quiser conhecer melhor<br />

o trabalho da Oficina, pode entrar em contato pelo<br />

telefone (16) 3322-6232.<br />

FRASE<br />

‘O Dia Municipal<br />

de Combate<br />

à LGBTfobia<br />

é uma data<br />

que vem sendo<br />

comemorada há<br />

Roger Mendes<br />

muitos anos e só<br />

faltava ser inserida oficialmente no<br />

calendário de eventos. Ela poderá ser<br />

comemorada com reuniões, palestras,<br />

seminários, workshops, espetáculos<br />

culturais ou outros eventos voltados<br />

à conscientização, sensibilização e<br />

respeito à diversidade sexual e ao<br />

combate à sua discriminação’<br />

Comentário feito por Roger Mendes<br />

no facebook após o prefeito Edinho<br />

Silva sancionar a lei proposta pelo<br />

vereador. Assim, o Dia Municipal<br />

de Combate à LGBTfobia será<br />

comemorado no dia 17 de maio.<br />

ADEUS, ‘SEO JOVIRO’<br />

Amigos e familiares se despediram<br />

no dia 14 de fevereiro de Joviro<br />

Rodrigues Foz. Figura marcante no<br />

bairro do São Geraldo, ele manteve,<br />

por muitos anos, uma escola de<br />

datilografia, localizada na Avenida<br />

Prudente de Moraes, entre as ruas 6<br />

e 7. Além disso, Joviro também era<br />

conhecido na cidade pela produção<br />

de convites de casamento, cartões<br />

e certificados, que pacientemente<br />

escrevia um a um, com tinta, bico<br />

de pena e caneta tinteiro. Joviro é<br />

verdade, acabou se transformando em<br />

um nobre participante da história de<br />

Araraquara, ainda que a tecnologia<br />

tenha avançado rapidamente e<br />

apagando aos poucos inúmeras<br />

profissões, uma delas, a do professor<br />

de datilografia.<br />

|32


33|


|34


35|


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garantidos ou não por patrimômio<br />

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suspendendo-se eventuais leilões<br />

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Tesouro Nacional. Possibilidade de<br />

ingresso de ação para revisão do<br />

Parcelamento do ICMS do Estado de<br />

São Paulo, com redução significativa<br />

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|36


AGRO<br />

N E G Ó C I O S<br />

INFORMATIVO<br />

Edição: Março/2018<br />

FEIRA DO PRODUTOR RURAL<br />

Feira do Produtor Rural<br />

deve chegar a Américo<br />

Reunião na sede do Sindicato<br />

Rural de Araraquara em<br />

fevereiro teve na pauta a<br />

realização do Programa<br />

Feira do Produtor Rural<br />

para formação de 15 novos<br />

feirantes visando ampliar<br />

os serviços dentro da base<br />

territorial da entidade.<br />

Pelo fato de estar integrado à<br />

base territorial do Sindicato Rural de<br />

Araraquara, o município de Américo<br />

Brasiliense reivindicou ao SENAR SP<br />

a realização neste ano do Programa<br />

Feira do Produtor Rural, cujo objetivo<br />

é capacitar agricultores a comercializarem<br />

seus produtos diretamente ao<br />

consumidor. Américo sediaria o curso<br />

com abertura de vagas para outras<br />

cidades da região, como Santa Lúcia<br />

e Rincão que estão bem próximas.<br />

No ano passado, o programa foi<br />

feito em Araraquara com a formação<br />

de mais de uma dezena de feirantes<br />

que já estão comercializando seus<br />

produtos em uma feira realizada as<br />

sextas-feiras em frente ao campo da<br />

Ferroviária.<br />

O coordenador regional do SE-<br />

NAR, o agrônomo João Henrique de<br />

Souza Freitas, explica que o principal<br />

diferencial da feira é a oferta de produtos<br />

cultivados na propriedade do<br />

próprio agricultor, com a garantia de<br />

oferecer alimentos saudáveis e seguros,<br />

seguindo as especificações das<br />

legislações vigentes, para promover<br />

uma relação de confiança e respeito.<br />

Na reunião realizada no sindicato,<br />

outra questão foi levantada: de se<br />

abrir um novo dia na semana para<br />

que os feirantes formados em 2017<br />

ampliem suas atividades, tendo assim<br />

uma renda maior. Um dos bairros<br />

analisados pela Comissão Gestora foi<br />

o Selmi-Dei.<br />

Mas, segundo João Henrique,<br />

também é possível que no ano que<br />

vem estes feirantes se juntem aos<br />

João Henrique de Souza Freitas,<br />

coordenador do SENAR em Araraquara<br />

que serão formados em 2018 para<br />

atendimento a Araraquara e Américo.<br />

Porém, tudo vai depender do entendimento<br />

dos membros das comissões<br />

gestoras.<br />

Neste dia 6 de março um encontro<br />

entre representantes do Sindicato<br />

Rural, SENAR Araraquara, Fundação<br />

Itesp e Sebrae deverá ser realizado<br />

na Prefeitura de Américo para definir<br />

a implantação do programa no município.<br />

Comissão Gestora reunida no<br />

Sindicato Rural: Ângela Barbieri<br />

Nigro (instrutora), Derinaldo Alves<br />

dos Santos (produtor rural), João<br />

Henrique (Senar Araraquara),<br />

Nicolau de Souza Freitas<br />

(presidente do Sindicato Rural),<br />

Maria Clara Piaí da Silva (Itesp),<br />

Antonio Carmo Maruccio (Itesp),<br />

Mauro Cavichiolli (Itesp) e Marcelo<br />

Roberto dos Santos (produtor rural)<br />

37|


A VIDA NO CAMPO<br />

Onde a salada<br />

é mais saudável<br />

Ao sol do meio-dia os olhos mal se abrem, porém nas mãos está a riqueza<br />

do homem do campo, preparado para colocar na mesa do consumidor o<br />

produto de qualidade que ele vê nascer com tamanho orgulho.<br />

Nesta edição, a Revista Comércio<br />

Indústria e Agronegócio em parceria<br />

com o Sindicato Rural de Araraquara,<br />

vai ao campo para contar parte da<br />

história de trabalhadores rurais que<br />

trabalham de segunda a segunda,<br />

faça chuva, sol ou geada para entregar<br />

aos araraquarenses produtos<br />

sempre fresquinhos e livres de agrotóxicos.<br />

Conversamos com gente<br />

simples, porém orgulhosa em tirar o<br />

sustento da enxada cravada na terra.<br />

Como uma tela bem colorida pintada<br />

no estilo näif (arte produzida<br />

sem preparação acadêmica que faz<br />

referência direta ao campo), ou mesmo<br />

um poema escrito em um papel<br />

de pão com uma caneta velha, a vida<br />

de um produtor rural carrega sim seu<br />

lado romântico: o som do silêncio, o<br />

cheiro da mata, a noite iluminada pelas<br />

estrelas.<br />

Muito mais bucólico e forte que<br />

tudo isso está o esforço representado<br />

por cada gota de suor derramada na<br />

terra; o trabalho em uma madrugada<br />

fria e um turno de segunda a segunda<br />

para garantir o sustento da casa e<br />

também o alimento saudável no prato<br />

de tantas outras famílias, que optam<br />

por produtos cada vez mais naturais,<br />

distantes do intenso uso de agrotóxicos.<br />

ONDE FOMOS<br />

Tendência mundial, em Araraquara<br />

e região essa cultura é extremamente<br />

presente devido a sua alta<br />

quantidade de trabalhadores rurais<br />

que, em seus sítios, alimentam os varejões<br />

e supermercados da cidade,<br />

além de participar de feiras, levando<br />

frutas e hortaliças frescas para o araraquarense<br />

que busca um equilíbrio<br />

alimentar.<br />

João Joaquim Xavier<br />

chegou na região<br />

por volta de 1978<br />

procedente do Mato<br />

Grosso para dar início<br />

a uma vida de sonhos<br />

e muito trabalho<br />

,<br />

Nada foi fácil, a gente<br />

tinha que começar do<br />

nada, sem recursos, só<br />

com a vontade; minha<br />

família, eu e Deus a nos<br />

proteger e nos livrar de<br />

todos os perigos.<br />

,<br />

Eita<br />

vida difícil aquela. Hoje<br />

quando a gente para pra<br />

pensar, pensa que tudo<br />

foi um sonho.<br />

João da Horta<br />

A reportagem da Revista Comércio<br />

Indústria e Agronegócio fez um giro<br />

por todo o Assentamento Monte Alegre<br />

para identificar algumas dessas<br />

famílias. Para chegar nesse pessoal,<br />

contamos com a ajuda de Carlos César<br />

Rocha Silva, da Fundação Instituto<br />

de Terras do Estado de São Paulo<br />

(Itesp), que conhece, há décadas,<br />

cada via daquele espaço, cercado<br />

por muito verde em contraste com o<br />

vermelho do chão batido.<br />

Por lá, talvez a história mais conhecida<br />

é do clã Xavier, liderado<br />

pelo patriarca João Joaquim Xavier,<br />

que chegou na Região após deixar o<br />

Mato Grosso no fim da década de 70.<br />

|38


Cido Xavier e Carlos César Rocha Silva, da Fundação Itesp que dá suporte técnico aos assentados no Monte Alegre<br />

Ele ficou conhecido em toda a região<br />

do Monte Alegre como João da Horta,<br />

tamanha era sua disposição em<br />

plantar verduras. Em 1996, ao lado<br />

dos filhos Aparecido Domingos Xavier,<br />

vulgo Cido e Luis Xavier, passaram a<br />

comandar praticamente uma fazenda<br />

no Assentamento Monte Alegre V.<br />

Hoje, tornaram-se referência de sucesso,<br />

sendo exemplo de conquista<br />

para os outros assentados.<br />

Cido no volante do trator<br />

ao lado do irmão Luis,<br />

dos filhos Gabriel e<br />

Mateus (futuro engenheiro<br />

agrônomo) e do sobrinho<br />

Tiago<br />

39|


Em uma área com mais de 2 alqueires,<br />

Cido, o principal responsável<br />

pela produção, planta diversos tipos<br />

de hortaliças em duas grandes estufas<br />

– com destaque para alfaces<br />

hidropônicas, além de abacaxi (com<br />

mais de 60 mil mudas por safra) e milho.<br />

“Por aqui também temos eucaliptos<br />

e seringueiras. Fui pioneiro neste<br />

assunto dentro do Assentamento”, diz<br />

Cido, de 53 anos.<br />

Ao seu lado, no dia a dia de batalha,<br />

estão sua mulher Renata, os<br />

filhos Gabriel e Mateus (futuro engenheiro<br />

agrônomo) e o sobrinho Tiago.<br />

“Fazemos feiras em Matão e Araraquara,<br />

sendo Araraquara nosso maior<br />

consumo. Tenho orgulho de tudo que<br />

conquistei e fico ainda mais feliz em<br />

saber que meus filhos entenderam<br />

toda a batalha de nossa família, dando<br />

sequência a ela”, diz Cido.<br />

Além dos familiares, outro grande<br />

parceiro de Cido na batalha diária é<br />

Carlos Alberto Vieira, o Carlinhos, cuja<br />

fazenda fica, há mais de 20 anos, no<br />

Assentamento Monte Alegre III. Pai<br />

da Daiane e Beatriz, ele trabalha ao<br />

lado do irmão Fernando Vieira para<br />

plantar abacaxi, milho, maracujá, limão<br />

e hortaliças diversas. No fundo,<br />

ele também tem um tanque onde<br />

cria tilápias. “Cido e eu trabalhamos<br />

juntos há 12 anos. Conhecemo-nos<br />

no Assentamento e hoje dividimos o<br />

trabalho. Sonhamos com a criação<br />

de uma cooperativa. Sei que vamos<br />

conseguir”, diz Carlinhos.<br />

Os irmãos Fernando e Carlinhos Vieira<br />

mostram com orgulho as hortaliças<br />

cultivadas no sítio da família<br />

Alfaces da Família Xavier colocados nos mercados de Araraquara<br />

ORGULHOSO EM MOSTRAR<br />

‘Para eu começar a suar, preciso<br />

de no mínimo duas horas embaixo<br />

do sol’. Foi com esta brincadeira que<br />

‘seo’ Alcenir Arlindo, de 66 anos,<br />

abordou o jornalista que vos escreve<br />

(que sofria sob um sol antes nunca<br />

encarado) - enquanto estávamos a<br />

caminho do Assentamento Monte<br />

Alegre III.<br />

Simpático, ele rapidamente nos<br />

mostrou seu sítio, do qual se orgulha<br />

em dizer: sempre trabalhei sozinho.<br />

Com cinco filhos espalhados pelo<br />

país, ele mora hoje apenas com Luana,<br />

que estuda Agronomia.<br />

Residindo numa casa simples<br />

desde 1989, ele faz sua colheita e<br />

a vende sem a ajuda de ninguém em<br />

feiras duas vezes por semana em Matão.<br />

Como novidade em sua terra, ele<br />

cultiva coco e também vagem de metro.<br />

“Aqui quero morrer, no meu sítio”,<br />

finaliza Alcenir.<br />

,<br />

Este é o pequeno<br />

pedaço de um<br />

mundo que eu criei<br />

e do qual me sinto<br />

feliz em mostrar;<br />

da terra sai o meu<br />

sustento<br />

,<br />

e de onde<br />

tirei lições que<br />

me ensinam a ser<br />

simples, porém<br />

honrado.<br />

Alcenir Arlindo<br />

Alcenir e sua plantação de cocos de um<br />

lado e vagem de metro em suas mãos<br />

|40


EMPREENDEDORES RURAIS<br />

A riqueza dos irmãos André e Lucas<br />

está na produção dos cogumelos<br />

Localizado entre Araraquara e Gavião Peixoto, o espaço comandado pelos irmãos Trevisan<br />

dialoga com a natureza sem agressões para vender para toda a região o cogumelo mais<br />

consumindo hoje no mundo, o shimeji branco.<br />

Espécie de fungo comestível<br />

e rico em vitamina B-12,<br />

o shimeji (cujo nome científico<br />

é pleurotus ostreatus) foi inicialmente<br />

cultivado em países<br />

orientais. Hoje, seus dois tipos,<br />

o preto e branco, avançaram os<br />

horizontes e conquistam mercados<br />

em todas as partes do<br />

mundo.<br />

De acordo com dados levantados<br />

pela ONU em sua repartição<br />

responsável, ele é o terceiro<br />

tipo de cogumelo comestível<br />

mais consumido no mundo.<br />

Além de muito saboroso, possui<br />

pouquíssimas calorias e é<br />

muito fácil de preparar, sendo<br />

um nobre ingrediente para receitas,<br />

de gourmet a populares.<br />

Reconhecendo e valorizando<br />

o trabalho dos pequenos<br />

empreendedores, o Sindicato<br />

Rural de Araraquara apresenta<br />

a história dos jovens irmãos<br />

Trevisan.<br />

Os cogumelos produzidos por André e Lucas já estão<br />

embalados para comercialização nos supermercados<br />

de Araraquara e região. O trabalho premia a visão e o<br />

desafio de dois jovens que se embrenham no dia a dia<br />

do campo, convivendo com a natureza<br />

41|


,<br />

Além do cultivo<br />

de cogumelos, os<br />

irmãos Trevisan estão<br />

trabalhando numa<br />

agrofloresta, onde serão<br />

cultivados, no ritmo<br />

,<br />

da natureza, vegetais<br />

como bananas, batatas,<br />

mandioca e outras<br />

plantas frutíferas.<br />

Embalagem contendo o Shimeji branco, normalmente comercializado a<br />

R$ 11,00 em feiras<br />

Em Araraquara (quase Gavião Peixoto),<br />

o shimeji branco é a fonte de<br />

renda de três jovens amigos: Gabriel<br />

Trevisan (25), Lucas Trevisan (31) e<br />

André Zanon (32). Com formações<br />

acadêmicas diferentes - aviação civil,<br />

engenharia florestal e ciência dos<br />

alimentos, em sequência - e sem influência<br />

dos pais, os três apostam no<br />

cultivo e venda desses cogumelos na<br />

fazenda Mekaô, ou Espaço Mekaô,<br />

como eles gostam de chamar.<br />

À reportagem da Revista Comércio,<br />

Indústria e Agronegócio, Lucas e<br />

Gabriel revelaram que entraram nesse<br />

ramo por recomendação de André.<br />

Há quatro anos nele, os três só enxergam<br />

um mercado em plena expansão.<br />

“O shimeji deixou de ter aquela<br />

roupagem de um produto caro, típico<br />

de programas como ‘MasterChef’, ganhando<br />

então o prato do brasileiro.<br />

A busca por uma alimentação<br />

mais saudável<br />

também impulsionou<br />

esta situação,<br />

visto que ele é opção<br />

extremamente nutritiva”,<br />

conta Lucas.<br />

Com clientes em<br />

toda região, sendo<br />

restaurantes japoneses os principais<br />

consumidores, o Espaço Mekaô vende<br />

seus produtos também em feiras<br />

da cidade. Em um mês bom, chegam<br />

a comercializar cerca de 150 kg, com<br />

colheitas feitas de dois em dois dias.<br />

Porém, até o cogumelo chegar às<br />

mãos dos consumidores, todo um<br />

processo artesanal envolve sua produção,<br />

trabalho do qual os irmãos se<br />

orgulham.<br />

“Claro que sonhamos com uma<br />

expansão, porém precisaríamos de<br />

Sobre este tablado feito pelos irmãos Trevisan, são feitas a<br />

lavagem e separação dos cogumelos<br />

mais tecnologia e mão de obra, pois<br />

tudo aqui é feito à mão, artesanalmente.<br />

Trabalhamos o dia todo em<br />

cada passo. Usamos água de um<br />

poço artesiano e a energia para as<br />

máquinas é oriunda das lenhas que<br />

nós mesmos recolhemos aqui no sítio,<br />

fora os dois galpões que também<br />

construímos”, conta Lucas, com um<br />

“cacho” de cogumelos na mão. Eles<br />

brotam de um saco cheio de substratos,<br />

cultivados nesses galpões<br />

escuros e úmidos, que contam com<br />

À direita, o material<br />

composto e à esquerda, o<br />

forno artesanal utilizado<br />

para esterilização do<br />

substrato; a composição<br />

é baseada na mistura de<br />

serragem, resíduos de<br />

cana ou eucalipto e às<br />

vezes, um pouco de farelo<br />

de milho e soja<br />

|42


CURSOS<br />

ANO / 2018<br />

CURSOS EM <strong>MARÇO</strong><br />

• APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS<br />

COM PULVERIZADOR DE BARRAS<br />

05/03 até 07/03<br />

Local: Américo Brasiliense<br />

• APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS<br />

COM TURBO PULVERIZADOR<br />

12/03 até 14/03<br />

Local: Araraquara<br />

• FRUTICULTURA BÁSICA - PODAS<br />

08/03 até 09/03<br />

Local: Araraquara<br />

Depois disso, o composto do shimeji é levado para as estantes dentro de estufas, que<br />

imitam as condições ideais de desenvolvimento dos fungos encontradas na natureza<br />

sistemas de irrigação feitos para enfrentar<br />

a seca e a temperatura alta da<br />

região, não tão propícia para o cultivo.<br />

Assim, para a rotina dos irmãos<br />

(André Zanon fica mais na parte administrativa)<br />

acordar cedo até aos<br />

domingos, sujar as mãos na terra,<br />

ouvir o canto dos pássaros e tomar<br />

um tererê bem gelado, são situações<br />

reais e românticas que mostram a rotina<br />

de quem decidiu largar tudo para<br />

viver na natureza e da natureza.<br />

Para Gabriel, mais que um negócio,<br />

seu trabalho no sítio é um ideal,<br />

um estilo de vida. Dos tempos de<br />

aviador, só uma foto no WhatsApp.<br />

Mas a paixão por voar ainda existe<br />

e ele a alimenta com um paramotor.<br />

”Ficaria muito feliz de inspirar uma<br />

pessoa a fazer o mesmo que eu, retomar<br />

o valor da vida no campo, de<br />

uma alimentação saudável, de uma<br />

vida na qual o maior objetivo não seja<br />

o dinheiro”, finaliza Gabriel.<br />

Além do cultivo de cogumelos,<br />

estamos trabalhando numa agrofloresta,<br />

onde serão cultivados, no ritmo<br />

da natureza, vegetais como bananas,<br />

batatas, mandioca e outras<br />

plantas frutíferas. “Além de produzir<br />

nosso próprio alimento, queremos<br />

estreitar a relação entre produtor e<br />

consumidor. Muita gente acha ruim<br />

pagar sete reais por uma bandeja de<br />

shimeji, mas acha normal gastar mais<br />

que isso com remédios de que talvez<br />

não precisasse se comesse melhor”,<br />

complementa Lucas.<br />

Quem quiser entrar em contato<br />

com o Espaço Mekaô existe o e-mail<br />

espacomekao@hotmail.com e o telefone<br />

(16) 99602.4709<br />

• INCÊNDIO - PREVENÇÃO E<br />

COMBATE NO CAMPO - TÉCNICAS<br />

14/03 até 15/03<br />

Local: Boa Esperança do Sul<br />

• TORNEIO DE BOCHAS<br />

Realização: 17/03<br />

Local: Américo Brasiliense<br />

• TREINAMENTO - REPASSE PARA<br />

INSTRUTORES DE MANUTENÇÃO<br />

DE RETROESCAVADEIRA<br />

06/03 até 08/03<br />

Local: Araraquara<br />

• TREINAMENTO DE<br />

COORDENADORES REFERENTE<br />

AOS PROCEDIMENTOS<br />

OPERACIONAIS DOS PROGRAMAS<br />

DE ALFABETIZAÇÃO E JOVEM<br />

AGRICULTOR DO FUTURO<br />

Realização: 08/03<br />

Local: Araraquara<br />

OBSERVAÇÕES:<br />

Também estão integrados à grade do<br />

SENAR-SP os programas esportivos com o<br />

objetivo de integração dos trabalhadores<br />

e produtores rurais como forma de<br />

fortalecer o companheirismo. Sendo<br />

assim, Américo Brasiliense que faz parte<br />

da base territorial do Sindicato Rural de<br />

Araraquara, solicitou e terá o privilégio<br />

de sediar dois importantes torneios:<br />

Bochas e Malha no mês de março.<br />

Os cogumelos<br />

estão prontos<br />

para o consumo;<br />

agora serão<br />

colocados em<br />

bandejas de<br />

isopor para<br />

comercialização<br />

Coordenador SENAR/SP Araraquara:<br />

João Henrique de Souza Freitas<br />

43|


Participantes do<br />

curso no Sítio<br />

Lagoa Serena<br />

de propriedade<br />

da Uniara, na<br />

segunda quinzena<br />

de fevereiro,<br />

acompanhando o<br />

pulverizador de<br />

barras<br />

CURSO DE CAPACITAÇÃO<br />

O manejo dos pulverizadores<br />

agrícolas na plantação<br />

É crescente o interesse dos produtores rurais na atualização<br />

dos métodos e formas de pulverização das lavouras,<br />

seguindo a legislação que torna-se cada vez mais rígida para<br />

preservação da saúde.<br />

O instrutor do SENAR SP, Cláudio<br />

Barbosa, abriu o ciclo de programas<br />

destinados a produtores e trabalhadores<br />

rurais e mantidos pelo órgão<br />

em Araraquara e região, realizando<br />

em fevereiro o curso de Aplicação de<br />

Agrotóxicos com Pulverizador de Barras.<br />

O programa foi desenvolvido em<br />

dois locais distintos: o auditório do<br />

Sindicato Rural de Araraquara para<br />

aulas teóricas e o Sítio Lagoa Serena,<br />

que pertence à Uniara e que mantém<br />

o curso de Agronomia. Do curso participaram<br />

os trabalhadores da Raízen.<br />

Na abertura dos trabalhos, o instrutor<br />

destacou que “qualquer que<br />

seja o tamanho de uma área cultivada,<br />

certamente o agricultor precisa<br />

fazer aplicação de algum tipo de defensivo,<br />

pois é quase impossível que,<br />

durante o ciclo, a cultura não seja atacada<br />

por doenças, pragas e plantas<br />

invasoras”.<br />

A RESPONSABILIDADE<br />

As orientações, segundo o coordenador<br />

do SENAR em Araraquara,<br />

João Henrique de Souza Freitas, são<br />

justamente para dar noção técnica<br />

e capacitação ao trabalhador e ao<br />

produtor rural que se deparam com<br />

a invasão da praga em uma cultura:<br />

“Por isso existe a necessidade de se<br />

fazer o controle desses inconvenientes<br />

para alcançar uma boa produtividade.<br />

Entretanto, para proceder a<br />

aplicação do produto químico, deve-<br />

-se usar um equipamento agrícola conhecido<br />

como pulverizador. Por isso a<br />

importância da realização do curso”,<br />

afirmou o coordenador.<br />

A questão técnica de todo processo,<br />

lembrou Cláudio Barbosa, é<br />

simples, pois a principal função dos<br />

pulverizadores é fragmentar o líquido<br />

em gotas de diâmetro maior que<br />

150 microns. No caso das pequenas<br />

propriedades rurais, a pulverização<br />

pode ser feita satisfatoriamente por<br />

meio de pulverizadores costais. Já em<br />

espaços maiores, os mais indicados<br />

são os pulverizadores de barra tratorizados,<br />

como ocorreu no curso organizado<br />

pelo Sindicato Rural em parceria<br />

com o SENAR Araraquara. Tamanha<br />

é a importância do programa que em<br />

março, outros dois cursos semelhantes<br />

serão realizados em Araraquara e<br />

Américo Brasiliense.<br />

A foto que registra a<br />

finalização dos trabalhos<br />

no campo<br />

|44


INFORME<br />

G.R.A. 50 anos de conquistas e muito trabalho<br />

Revendedor da renomada marca Massey Ferguson, empresa fundada por Jorge Affonso<br />

atende hoje mais de 25 municípios nas regiões de Araraquara, Ibitinga e Descalvado.<br />

A G.R.A. Máquinas Agrícolas e<br />

Veículos Ltda deu seus primeiros<br />

passos em 1967, na cidade de Ibitinga/SP.<br />

Na década de 70, passou<br />

por sua primeira expansão, abrindo<br />

lojas em Araraquara e também Descalvado.<br />

À frente de todos esses sonhos,<br />

Jorge Affonso transformou a G.R.A.<br />

em referência no ramo da citricultura<br />

e cana-de-açúcar, atuando hoje<br />

com comercialização, serviços e<br />

peças em mais de 25 municípios<br />

do Estado de São Paulo.<br />

Fachada das instalações<br />

da G.R.A. em Araraquara<br />

Revendedor autorizado regional<br />

da marca Massey Ferguson desde<br />

o seu início, a empresa comemora<br />

50 anos de muitas conquistas, sempre<br />

acompanhando as tendências<br />

do mercado e oferecendo a seus<br />

clientes uma<br />

tecnologia de<br />

ponta.<br />

Fachada das instalações da G.R.A. em Araraquara,<br />

na década de 70, na Av. 36<br />

Acima, uma colheitadeira<br />

de última geração vendida<br />

pela G.R.A.; ao lado, uma<br />

das primeiras máquinas<br />

comercializadas<br />

Diferentes modelos de<br />

tratores da Massey Ferguson;<br />

passado e presente unem-se<br />

na história da G.R.A.<br />

45|


NOTÍCIAS<br />

CANAS L<br />

EDIÇÃO<br />

<strong>MARÇO</strong> | 2018<br />

Presidente da Canasol participa de audiência<br />

com Ministro de Minas e Energia em Brasília<br />

Luís Henrique Scabello de Oliveira e as lideranças do setor sucroenergético durante reunião no Ministério das Minas e Energia<br />

O Presidente<br />

da Canasol, Luís<br />

Henrique Scabello<br />

de Oliveira, juntamente com<br />

outras lideranças do setor sucroenergético,<br />

esteve em Brasília no dia<br />

20 de fevereiro participando de uma<br />

audiência com o Ministro de Minas<br />

e Energia, Fernando Bezerra Coelho<br />

Filho. Na pauta do encontro estavam<br />

a implantação do RenovaBio, entre<br />

outros assuntos.<br />

Para Luís Henrique, o RenovaBio<br />

trará ganhos ambientais e, consequentemente,<br />

valorização das matérias-primas<br />

dos biocombustíveis.<br />

RENOVABIO UM AVANÇO RUMO À SUSTENTABILIDADE<br />

O Projeto do RenovaBio, aprovado pelo Congresso Nacional e<br />

sancionado pelo Presidente Michel Temer no final do ano passado,<br />

está sendo considerado pelos especialistas como um avanço do País<br />

para o desenvolvimento sustentável e aumento da produção dos<br />

combustíveis renováveis. Além de atender as exigências dos acordos<br />

internacionais para redução de emissão de gases do efeito estufa,<br />

o programa tem como meta o aumento da produção, visando o<br />

equilíbrio da balança comercial brasileira.<br />

O RenovaBio é programa de Política de Estado que reconhece o<br />

papel estratégico dos biocombustíveis na matriz energética nacional,<br />

visando não só a segurança, como a redução da emissão de gases<br />

causadores do efeito estufa. A aprovação e implantação do<br />

RenovaBio, reivindicada pelos setores produtivos, contribui para<br />

que o Brasil garanta a eficiência energética e também abra novos<br />

campos para os produtores de matérias-primas para a elaboração<br />

dos biocombustíveis de origem vegetal e animal, entre eles o etanol<br />

e o biodiesel. Sua implantação está sendo vista como uma nova<br />

revolução econômica no campo.<br />

|46


Da esquerda para a direita: Arnaldo<br />

Jardim (Secretário da Agricultura de<br />

São Paulo), Alexandre Lima e Paulo<br />

Leal (Presidente e Vice-presidente<br />

da Feplana), Geraldo Alckmin<br />

(Governador de São Paulo) e Luís<br />

Henrique (Canasol), na posse da<br />

presidente da Frente Parlamentar<br />

Luís Henrique prestigia posse<br />

da nova presidente da Frente<br />

Parlamentar da Agropecuária<br />

Executivos japoneses<br />

visitam a Canasol<br />

Durante sua estada em Brasília<br />

no dia 20 de fevereiro, o Presidente<br />

Luís Henrique Scabello de Oliveira<br />

representou a Canasol na posse da<br />

nova diretoria da Frente Parlamentar<br />

da Agropecuária – FPA. Na oportunidade,<br />

a deputada federal Tereza Cristina,<br />

do Mato Grosso do Sul, assumiu<br />

a Presidência da Frente no lugar de<br />

Nilson Leitão, do Mato Grosso.<br />

A Frente tem sido a principal interlocutora<br />

do setor agropecuário nas<br />

questões que envolvem os assuntos<br />

de interesse da Agricultura e Pecuária<br />

junto ao Congresso e ao Governo<br />

Federal. Para Luís Henrique, que também<br />

é Secretário da Federação dos<br />

Plantadores de Cana do Brasil – FE-<br />

PLANA, o trabalho desenvolvido pelos<br />

integrantes da Frente Parlamentar<br />

tem se traduzido em importantes<br />

conquistas para o Agro, principalmente<br />

em relação ao RenovaBio.<br />

Paulo Leal, Tereza Cristina e Luís Henrique<br />

TEREZA CRISTINA E OS<br />

DESAFIOS DA FRENTE<br />

A nova Presidente da Frente<br />

Parlamentar da Agropecuária,<br />

deputada Federal Tereza Cristina<br />

Corrêa da Costa Dias, se tornou<br />

nos últimos tempos numa das<br />

principais lideranças do setor<br />

Agropecuário do País. Agrônoma<br />

de formação, com larga experiência<br />

política e empresarial,<br />

vem desenvolvendo um trabalho<br />

constante em defesa dos interesses<br />

da agricultura brasileira.<br />

Recentemente, foi relatora do<br />

projeto que trata de Lei do Funrural.<br />

À frente da FPA, a deputada<br />

pretende dar continuidade<br />

ao trabalho desenvolvido pela<br />

entidade e intensificar a luta em<br />

prol das questões relacionadas<br />

ao campo.<br />

FRENTE PARLAMENTAR<br />

DA AGROPECUÁRIA - FPA<br />

A Frente Parlamentar da<br />

Agropecuária possui uma<br />

bancada pluripartidária de<br />

aproximadamente 200 deputados<br />

e senadores e se constitui<br />

atualmente numa das maiores<br />

forças políticas do Congresso<br />

Nacional. O grupo defende<br />

os interesses da Agricultura<br />

e Pecuária e é o principal<br />

interlocutor junto ao Poder<br />

Legislativo e o Governo Federal.<br />

Visitantes no auditório da Canasol<br />

No dia 7 de fevereiro, a Canasol<br />

recebeu a visita de importantes executivos<br />

do setor Agroquímicos, parceiros<br />

da empresa nipo-brasileira,<br />

para conheceram as atividades desenvolvidas<br />

pelos produtores de cana<br />

e o trabalho da associação junto aos<br />

seus associados.<br />

Participaram da visita os empresários<br />

Akira Takashima (Managing-<br />

Director Chemicals da Mitsubishi<br />

Corporation), Eisuke Ozaki (Diretor<br />

Presidente da Kumiai Brasil), Kyohei<br />

Motohashi (Kumiai Chemical Industry)<br />

e Hélio Tukamoto, consultor executivo<br />

da Kumiai Brasil. Os executivos<br />

estavam acompanhados de Marcela<br />

Arco de Lima, assistente comercial da<br />

Mitsubishi Corporation, Rodrigo Naime<br />

Salvador, consultor de desenvolvimento<br />

de mercado da Ihara e Thiago<br />

Duarte – RTV Ihara. Os visitantes foram<br />

recepcionados pelo presidente<br />

da Canasol Luís Henrique Scabello de<br />

Oliveira, pelo diretor Jorge Luiz Piquera<br />

Lozano e por Gregório Serafini, responsável<br />

pelo Departamento Técnico<br />

da Canasol.<br />

Os executivos ficaram impressionados<br />

com os trabalhos desenvolvidos<br />

pela entidade e enalteceram o<br />

papel da Canasol, especialmente na<br />

representação junto aos diversos foros<br />

de interesse da categoria.<br />

47|


DIA INTERNACIONAL DA MULHER<br />

Uniodonto de Araraquara tem promoção<br />

especial para presentear as mulheres<br />

Neste dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher e a Uniodonto não<br />

poderia deixar de comemorar esta data tão especial.<br />

Uniodonto homenageia as mulheres em<br />

sua área de abrangência (região)<br />

A campanha lançada pela Uniodonto<br />

Araraquara está em pleno vigor:<br />

desde o dia primeiro de março,<br />

todos os valores dos Planos Odontológicos<br />

Uniodonto estão com 20%<br />

de desconto. Isso mesmo, comenta<br />

o diretor de Operações, Álvaro Serra<br />

de Lacerda Silva - todas as mulheres<br />

que contratarem um Plano Uniodonto<br />

individual ou familiar entre os dias<br />

1º e 31 de março de 2018 já serão<br />

contempladas com o desconto nas<br />

mensalidades.<br />

Para ele, respeito, carinho e empoderamento<br />

é o que a Uniodonto deseja<br />

para todas as mulheres, e que<br />

tudo isso seja alcançado o quanto<br />

antes. O desconto é uma forma de homenagear<br />

as mulheres e uma prova<br />

disso, é que a promoção será válida<br />

se a mulher for a titular do plano.<br />

No Plano Individual e Familiar da<br />

Uniodonto os clientes têm acesso irrestrito<br />

aos procedimentos cobertos<br />

pelo ROL de cobertura básica da ANS<br />

com cobertura nas áreas de diagnóstico,<br />

cirurgias, prevenção, endodontia<br />

(tratamento de canal), RX, dentística<br />

(restaurações e reconstruções), periodontia<br />

(tratamento das gengivas)<br />

e prótese. Além, é claro, do atendimento<br />

de Urgência e Emergência 24<br />

horas por dia, 7 dias por semana, em<br />

todo o território nacional.<br />

Outra novidade na promoção é a<br />

carência ZERO para os procedimentos<br />

cobertos pelo plano, com excessão<br />

dos procedimentos de prótese.<br />

Clientes Uniodonto poderão utilizar<br />

seu plano Uniodonto logo após a contratação,<br />

para realização dos procedimentos<br />

que entram no regime de<br />

carência zero.<br />

|48


AVANÇANDO OS LIMITES<br />

Com forte equipe, Beach Tennis em<br />

Araraquara é hoje referência mundial<br />

Esporte foi implementado na cidade pele família do professor Plácido Russo Jr, vulgo Juca.<br />

O Beach Tennis chegou ao Brasil<br />

há 10 anos, no Rio de Janeiro.<br />

No Brasil, além das federações estaduais,<br />

a Confederação Brasileira<br />

de Tênis é a responsável por organizar<br />

torneios, rankings e incentivar<br />

o crescimento do Beach Tennis. A<br />

Confederação Brasileira de Beach<br />

Tennis é a entidade que regula o esporte<br />

no país.<br />

Em 2016 foi organizado o maior<br />

evento de Beach Tennis no Brasil e<br />

contou com a participação de 552<br />

atletas. Foram realizadas chaves<br />

de amadores e profissionais, valendo,<br />

para estes, pontos no ranking<br />

mundial da ITF. Foi organizado pela<br />

Federação Paulista de Tênis e a Confederação<br />

Brasileira de Tênis. Já em<br />

maio de 2017, apresentando um<br />

crescimento aproximado de 30% em<br />

um período inferior a 10 meses, reunindo<br />

mais de 700 atletas do Brasil<br />

e de vários países, aconteceu em Niterói,<br />

o maior torneio em número de<br />

inscrições da América do Sul.<br />

Os circuitos no Brasil - e no exterior<br />

- estão cada vez mais competitivos<br />

e a quantidade de torneios e<br />

a premiação têm aumentado consideravelmente,<br />

devido a atenção<br />

dos patrocinadores interessados no<br />

esporte. Desde então, a modalidade<br />

vem se disseminando rapidamente e<br />

ganhou popularidade, inclusive, nas<br />

cidades não praianas, como Curitiba,<br />

Maringá, Campo Grande, Belo<br />

Horizonte, São Paulo, Campinas,<br />

Araraquara e muitas outras.<br />

O NOSSO BEACH TENNIS<br />

O Beach Tennis foi implantado em<br />

Araraquara pelo professor de educação<br />

física, Plácido Russo Jr, conhecido<br />

como Juca e sua família. Ele trouxe<br />

a praia para a chamada “morada<br />

O professor Plácido Russo Jr (esquerda) com as atletas Isabela Garrido e Júlia Nogueira<br />

do sol”, iniciando suas atividades<br />

no Melusa Clube e posteriormente<br />

criando um centro de treinamento<br />

em parceria com o empresário Edir<br />

Campos, proprietário da Play Tennis,<br />

formando assim um significativo<br />

grupo de aficcionados pelo esporte:<br />

uma grande família JucaBT.<br />

Com profissionais de qualidade<br />

e local bem estruturado, a equipe<br />

de Araraquara, é uma referência em<br />

centro de treinamento no Brasil. Dessa<br />

forma a JucaBT despertou a atenção<br />

do tricampeão mundial e melhor<br />

jogador de Beach Tennis da história,<br />

o italiano Alessandro Calbucci.<br />

Este, fundador da Alessandro Calbucci<br />

- Academy&Coaching, escola<br />

internacional de Beach Tennis com<br />

unidades espalhadas pelo Brasil e<br />

que, desde março de 2016, durante<br />

sua visita à cidade, Calbucci selou a<br />

parceria na qual Araraquara passou<br />

a fazer parte da escola como uma<br />

das principais unidades do projeto.<br />

Devido ao grande crescimento do<br />

esporte e do número de praticantes,<br />

hoje a JucaBT já possui alunos em<br />

Araraquara e região. Outras cidades<br />

tais como: Campinas, Ribeirão Preto,<br />

São João da Boa Vista, Jundiaí, Bauru<br />

e Jaú já demonstram interesse<br />

neste esporte e começam a expandir<br />

em toda região central paulista.<br />

NOSSAS ESTRELAS<br />

Araraquara hoje possui uma<br />

grande equipe formada por jogadores<br />

amadores, juvenis e profissionais.<br />

Dentre estes temos quatro que<br />

já possuem excelentes resultados<br />

internacionais.<br />

Augusto Russo: Medalha de bronze<br />

representando o Brasil no Mundial<br />

de Beach Tennis por equipes<br />

sub_14, em Moscou - Rússia 2017;<br />

Gustavo Russo: Medalha de prata<br />

representando o Brasil no Mundial<br />

de Beach Tennis por equipes sub_14<br />

em Moscou - Rússia 2016;<br />

Isabela Garrido e Júlia Nogueira<br />

pertencem ao Team Pro da Academy<br />

Coaching e com excelentes resultados<br />

em torneio de envergadura internacional<br />

estão atualmente entre as<br />

150 melhores jogadoras do mundo<br />

(ranking ITF: 131 em 23/02/18).<br />

49|


SEU NOME ESTÁ NA RUA<br />

SAMUEL BRASIL BUENO - IN MEMORIAM<br />

Direitos de publicação doados<br />

pela Família Brasil Bueno à Revista<br />

Comércio, Indústria e Agronegócio e<br />

à disposição para consultas<br />

OSMAR ZANINI PACHIEGA<br />

O jeito de ser, de quem<br />

Araraquara sente saudades<br />

Osmar Pachiega, era assim que o chamavam quando<br />

andava todo elegante e sorridente pelas ruas da cidade.<br />

Funcionário exemplar da CPFL onde se aposentou, foi um<br />

dos mais brilhantes diretores do Clube 22 de Agosto.<br />

Texto: Waldiner Pachiega (1986)<br />

Discorrer sobre a família é sempre<br />

um momento alentador, mas reflexivo<br />

pelas suas várias nuances em que<br />

pode ser enfocado. É o começo de<br />

tudo: do amor, do respeito, da civilidade<br />

e da solidariedade. Por isso, quando<br />

em uma família de cinco irmãos<br />

se tornam presentes o conteúdo, a<br />

amizade e a união dos sentimentos,<br />

afloram em todos, os segmentos humanos.<br />

Quando os laços da família, num<br />

momento de extrema tristeza como<br />

foi a morte de meu irmão mais velho,<br />

Osmar, se rompem para reflexão senão<br />

o de agradecer os 55 anos que<br />

conviveu com a família e seus amigos,<br />

em nome de suas obras – não<br />

chorar a sua ida antes de nós – porque<br />

a nossa vida terrena, tão frágil<br />

e efêmera – é um passo em direção<br />

à Vida Eterna, sem lágrimas e sem<br />

sofrimentos.<br />

Por isso, Osmar irmão, locutor da<br />

Rádio Cultura, dos Programas Sertanejos,<br />

da sua formação como desenhista,<br />

como elemento cultural da<br />

cidade no Clube dos Artistas de Araraquara,<br />

como funcionário, onde se<br />

aposentou na Cia. Paulista de Força<br />

e Luz e elemento engajado na política,<br />

tendo sido candidato à vereança,<br />

não conseguindo se eleger e Diretor<br />

Social do Clube 22 de Agosto, onde<br />

empregaria toda a sua cultura e desprendimento<br />

para que a agremiação<br />

reproduzisse em forma de espetáculos,<br />

a sua programação aos seus<br />

milhares de sócios.<br />

Recordando as manchetes daquele<br />

fatídico dia de 17 de novembro de<br />

1985, vamos encontrar na página 11<br />

Osmar: nome de origem germânica:<br />

aquele a quem os deuses deram fama”,<br />

faz parte de uma lista de personalidades<br />

que a cidade não esquece<br />

do Jornal Folha da Cidade “ Morte de<br />

Pachiega entristece a cidade”; e outra<br />

“O adeus de um grande araraquarense”,<br />

em foto juntamente com Adilson<br />

Custódio, seu companheiro de diretoria<br />

do 22 de Agosto.<br />

Também no boletim informativo<br />

do Clube 22 de Agosto, de dezembro<br />

de 1985, A Palavra do Presidente,<br />

Vicente Michetti assim abria o editorial:<br />

“1985 foi um ano de grandes<br />

realizações para o nosso querido 22<br />

de Agosto, entretanto, atendendo os<br />

desígnios de Deus, perdemos o nosso<br />

querido companheiro Osmar Zanini<br />

Pachiega. A vontade de Deus deve<br />

ser respeitada e aceita, pois dentro<br />

de sua bondade infinita, sabe o que<br />

é melhor para este mundo que é todo<br />

seu”.<br />

As últimas participações do Osmar<br />

em prol do 22 de Agosto, como<br />

Osmar, a esposa Maria<br />

de Lourdes e os filhos<br />

Osmarzinho, Talma<br />

Heloísa e Telma Helena<br />

|50


diretor social, foram: na Festa do Dia<br />

das Crianças, em outubro, juntamente<br />

com os diretores Adilson Custódio<br />

e Osvaldo Cicogna, partiram em três<br />

ônibus, numa excursão rumo ao<br />

Playcenter, em São Paulo, onde as<br />

crianças passaram o dia todo desfrutando<br />

o maravilhoso mundo dos<br />

brinquedos, participando de todas<br />

as atrações ali contidas; a contratação<br />

da cantora Alcione, a“Marrom”,<br />

para abrilhantar o pré-carnavalesco<br />

que seria realizado em 1° de fevereiro<br />

de 1986, e a programação social<br />

já elaborada para o novo ano. Havia<br />

deixado iniciada toda a remodelação<br />

da Boate do 22, dotando-a de equipamentos<br />

dos mais modernos e sofisticados,<br />

comparada às melhores casas<br />

noturnas do interior.<br />

A página do Informativo do mês de<br />

dezembro de 1985 foi assinada pelo<br />

amigo Dirceu Aparecido de Carvalho,<br />

que assim se despediu de Osmar:<br />

“Esta página deveria ser escrita pelo<br />

Osmar que já tinha delimitado todas<br />

as grandes programações para o ano<br />

de 1986, entretanto coube a mim, a<br />

mais difícil de todas as tarefas: deixar<br />

neste boletim que ele criou, a mensagem<br />

de pesar de toda a família do<br />

“Mais Querido”. Existem várias opções<br />

para as despedidas. Partimos do<br />

princípio de que cada um tem o seu<br />

modo de pensar a respeito da morte,<br />

acatamos a opinião de todos. Para<br />

alguns, entre os quais me encontro,<br />

a morte nada mais é do que a ligação<br />

entre as duas vidas, e, sendo assim,<br />

um até “BREVE OSMAR”. Onde você<br />

estiver continue a olhar para seus<br />

semelhantes com aquele carinho,<br />

aquela vontade de servir a todos .<br />

Você que está mais perto de Deus,<br />

peça a ele que ilumine este mundo de<br />

homens e para que 1986 (consagrado<br />

como o Ano Internacional da Paz),<br />

seja realmente cheio de Paz. Que este<br />

slogan não fique somente nos papéis,<br />

nos encontros, nos conclaves e sim<br />

que a PAZ esteja ao lado de todos os<br />

homens deste mundo de meu Deus”.<br />

Osmar faleceu em um fatídico<br />

domingo de lazer (17/11/1985), no<br />

Clube Naútico, onde fora com a família<br />

a convite do amigo Joaquim Palomino,<br />

no dia em que completava 55<br />

anos de idade. Centenas de amigos o<br />

acompanharam ao sepultamento no<br />

Cemitério de São Bento. Sua esposa<br />

Maria de Lourdes Pachiega faleceu<br />

no dia 7 de outubro de 1992 e também<br />

está sepultada no Cemitério de<br />

São Bento. Seu filhos, Osmar, proprietário<br />

do Varejão Bom Gosto (Avenida<br />

Sete), casado com Maria Aparecida<br />

Rosim; Talma Heloísa (solteira), André<br />

casado com Sandra Regina Leme (residem<br />

em Américo) e Telma Helena,<br />

casada com Antonio Barufaldi Júnior,<br />

reside em João Pessoa (Paraíba). São<br />

seus netos: Felipe, Bruno e Nathan.<br />

Os pais de Osmar Zanini Pachiega,<br />

muito conceituados na cidade e moradores<br />

da Vila Xavier, eram Irma e<br />

Servideo Pachiega.<br />

Em Araraquara os irmãos Waldir,<br />

Nivaldo (faleceu em 2017) e Niroaldo<br />

(advogado), juntamente com Osmar<br />

tiveram uma brilhante atuação profissional.<br />

Os dois primeiros legaram<br />

Ontem<br />

(1985) e<br />

hoje as<br />

imagens da<br />

Rua Osmar<br />

Zanini<br />

Pachiega,<br />

na Vila<br />

Guaianazes<br />

Osmar nos estúdios da Rádio Cultura<br />

à Vila Xavier o pioneirismo da Gráfica<br />

Pachiega, que durante 32 anos atendeu<br />

uma clientela de grande renome.<br />

O irmão Waldiner que por muitos anos<br />

residiu em Catanduva, já é falecido.<br />

O nome de Osmar está na rua<br />

através do Decreto 5.436, de 20 de<br />

maio de 1986, assinado pelo prefeito<br />

Clodoaldo Medina, que denomina Rua<br />

Osmar Zanini Pachiega a via pública<br />

conhecida anteriormente por Rua Bariri,<br />

do loteamento Vila Guaianazes,<br />

que tem o seu início na Avenida André<br />

Onofre e o seu término na Avenida<br />

José Salles Gadelha.<br />

Os filhos Osmarzinho, Telma Helena e<br />

Talma Heloísa; o caçula André ainda não<br />

havia nascido (Foto de 1971)<br />

51|


Da esquerda para direita, a formação mais duradoura da banda: Márcio Balducci; Beto Fernandes; Moacir; Beto Placco e Plácido Zocco<br />

Saudades das Brincadeiras Dançantes<br />

Os voos da Condor Boys<br />

Série<br />

Bandas e<br />

Grupos Musicais<br />

da Cidade<br />

Em janeiro de 1966, o jornal<br />

O Imparcial noticiava em<br />

nota numa página interna:<br />

‘Eis um novo conjunto que<br />

promete fazer sucesso nas<br />

brincadeiras dançantes de<br />

nossos clubes’.<br />

Nascia ali o Condor Boys,<br />

grupo musical que agitou<br />

nossa cidade até 1968.<br />

Na bagagem, medalha de<br />

ouro em concurso no IEBA,<br />

aparições na tv e muita<br />

saudade. O fundador Márcio<br />

Balducci e um dos bateristas<br />

da banda, Beto Placco,<br />

contam esta romântica<br />

história.<br />

Pássaro de grande porte encontrado<br />

ao longo de toda a Cordilheira<br />

dos Andes e famoso por sua imponência<br />

alvinegra, o condor veio a ser,<br />

incidentalmente, o sobrenome de um<br />

grupo musical formado por amigos<br />

araraquarenses fãs de nomes como<br />

The Shadows, The Ventures, Incríveis,<br />

The Jordans, The Jet Blacks e também<br />

da Jovem Guarda: refiro-me a<br />

The Condor Boys.<br />

Estávamos em 1966. O embrião<br />

de todo o projeto transita por algumas<br />

ruas do bairro do São José, mais precisamente<br />

no perímetro que envolve<br />

a Avenida Sete de Setembro com a<br />

Djalma Dutra, Rua Voluntários da Pátria<br />

e Padre Duarte.<br />

Foi neste espaço que Moacir Begotti<br />

Malheiros (Moa) mostrou seu<br />

violão preto para o vizinho Luiz Alberto<br />

Fernandes (Beto), que também<br />

arriscava alguns acordes. À dupla,<br />

juntou-se Márcio Balducci, baixista.<br />

Formava-se assim a espinha dorsal<br />

AGRADECIMENTO<br />

A RCI agradece a todos que vêm<br />

colaborando no fornecimento de dados<br />

para o resgate desta série.<br />

que viria a sustentar a Condor Boys<br />

até seu desfecho, em 1968.<br />

Para completar o time, foi chamado<br />

José Tescari Neto para a bateria.<br />

Porém, os tambores sempre foram<br />

um problema para a banda, que<br />

também contou com Glenn Miller<br />

(homenagem do pai ao ilustre músico<br />

Glenn Miller), Paulo Rossi, Marcos<br />

Totó e Beto Placco. O guitarrista<br />

Plácido Zocco também fez parte da<br />

trupe, unindo-se a ela após o primeiro<br />

show, também em 1966. Beto Placco,<br />

único ativo na música após o fim<br />

da The Condor Boys, assim como Beto<br />

Fernandes, moram em Araraquara.<br />

Marcio Balducci reside em São José<br />

do Rio Preto.<br />

CONTINUA NAS PÁGINAS SEGUINTES<br />

|52


Moacir Begotti Malheiros vive<br />

(possivelmente) na Baixada Santista,<br />

mas sem comunicação há décadas.<br />

Paulo Rossi, Glenn Miller, Marcos Totó<br />

e Plácido Zocco já faleceram.<br />

“Logo que migramos para as guitarras,<br />

começamos a animar palcos e<br />

festas, sempre felizes em uma época<br />

bacana. Foram momentos de alegria,<br />

desafios, belas amizades e muitas<br />

saudades. Foi um sonho; uma realização;<br />

um hobby divertido e até rentável”,<br />

lembra Márcio Balducci, que<br />

deixou a música, após passagem pelo<br />

Spetro4, para se formar em administração,<br />

trabalhando como bancário,<br />

professor universitário, vindo a se<br />

aposentar na Eletrobras.<br />

VAMOS TOCAR<br />

Para a ‘felicidade dos vizinhos’, o<br />

Conjunto Condor Boys começou a ensaiar<br />

na casa do Márcio Balducci, que<br />

ficava na Rua Voluntários da Pátria,<br />

entre a Sete de Setembro e Djalma<br />

Dutra. Os meninos estavam ansiosos<br />

para a primeira apresentação, marcada<br />

para o dia 8 de janeiro de 1966:<br />

uma festa de 15 anos. A debutante<br />

era a namorada do guitarrista Moacir.<br />

A festa foi até notícia no jornal O<br />

Imparcial.<br />

“A primeira bateria que usamos foi<br />

comprada do ‘Oreia’ (Edson Geraldo<br />

Schiavinato - The Jungles). Até aí nada<br />

de mais. Difícil foi pagar por ela. Sorte<br />

Um show na<br />

‘Residência dos<br />

Poltronieri’ durante<br />

o aniversário de<br />

15 anos de Célia<br />

Maria marcou a<br />

estreia da Condor<br />

Boys, registrada<br />

na edição de<br />

08.01.1966 do<br />

Jornal O Imparcial<br />

Aniversário de 15 anos de Maria Tereza Van Dick (filha de Clóvis Van Dick – Capilé,<br />

treinador da Ferroviária no seu primeiro acesso à Divisão Especial em 1955). Da<br />

esquerda para direita: Beto; Márcio; Marinês Escada (amiga que depois veio a ser<br />

cantora do NC Som); Paulo Rossi e Plácido Zocco (dois últimos in memorian)<br />

dele que apareceu um ‘salvador da<br />

pátria’ (Dr. Osmar d’Azevedo Cruz)<br />

que nos emprestou dinheiro para<br />

quitar a dívida”, conta Balducci.<br />

Mesmo com as dificuldades<br />

estruturais e usando equipamentos e<br />

instrumentos emprestados pelos The<br />

Jungles e Marco Placco, a performance<br />

foi um sucesso. Com isso, a notícia<br />

foi correndo a cidade. Sim, a Condor<br />

Boys começava a ficar conhecida em<br />

Araraquara. Logo, os convites passaram<br />

a pipocar.<br />

A primeira brincadeira animada<br />

pelos Condor Boys foi no Clube dos<br />

Bancários. Emprestaram outro baterista,<br />

Glenn Miller, com bateria e tudo.<br />

Na volta, trouxeram os instrumentos<br />

na mão. Como o repertório era somente<br />

instrumental e restrito, tocavam<br />

todas as músicas por um longo<br />

tempo. Cada melodia durava de 7 a<br />

9 minutos. “Foi um martírio, mas o<br />

pessoal adorou o grupo. Pudera, tinha<br />

um monte de amigos presentes”,<br />

brinca Balducci.<br />

O show era recheado com tradicionais<br />

músicas de baile, versadas<br />

dos temas das big bands de Ray<br />

Connif, Bert Campfert e Billy Vaughn.<br />

Também havia composições do The<br />

Shadows; Ventures; Os Incríveis; The<br />

Jordans; The Rebbels; The Animals;<br />

The Jet Black, além de Roberto Carlos,<br />

Vips, Erasmo Carlos, Vanderléia<br />

e a turma da Jovem Guarda.<br />

“A Condor Boys era requisitada<br />

para festas familiares e eventos dançantes.<br />

Éramos jovens, bonitos, bem<br />

trajados e namorados de meninas<br />

das melhores escolas da cidade. O<br />

pior castigo para os conjuntos que<br />

animavam brincadeiras era, ao final<br />

da promoção, receber dos promotores<br />

a notícia de que não havia dado<br />

lucro”, conta.<br />

Beto Placco, que entrou no grupo<br />

após meses de sua fundação, nos<br />

conta que a Condor Boys tinha uma<br />

linha de trabalho bem definida, porém<br />

ele foi o responsável por um detalhe<br />

importante: as primeiras inserções de<br />

vocais em algumas canções.<br />

“O grupo era instrumental. Havia<br />

muitos conjuntos assim e começar<br />

a cantar seria um diferencial. Assim,<br />

53|


Da esquerda para direita: Márcio Balducci, Plácido Zocco, Marcos Totó, Beto Fernandes,<br />

Moacir Malheiros, João Evangelista Ferraz, Julio Rosemberg, Djalma (Cantor e Secretário<br />

de Rosemberg) e Osmar de Azevedo Cruz<br />

comecei a arriscar algumas músicas.<br />

Esse não era o foco principal, mas a<br />

Jovem Guarda com voz passou a integrar<br />

nosso repertório”, lembra.<br />

CRESCENDO<br />

Em 2 de julho 1966, vem a consagração<br />

do grupo diante dos araraquarenses:<br />

o 1º lugar no “I Festival<br />

de Musica Popular” do Instituto de<br />

Educação “Bento de Abreu” (IEBA).<br />

Com apresentação de Oswaldo Romio<br />

Zaniolo e Cinira Azevedo Vasconcelos,<br />

o evento tinha como jurados Profª Tereza<br />

Abritta (Professora de Música),<br />

Rubens Brunetti, Adilson João Tellaroli<br />

(radialistas), Antonio Carlos Rodrigues<br />

dos Santos (disk joquei) e José<br />

Luiz Carcél (radialista e jornalista).<br />

Também participaram The Jungles,<br />

Balanço 3, Os Intocáveis, The Snakes,<br />

Os Besouros e Bola Branca.<br />

O vencedor também faria uma<br />

ponta num programa jovem da Televisão<br />

Tupi Canal 4, gerado na cidade<br />

de São Paulo. E foi pra lá que a<br />

Condor Boys rumou. Mas tudo isso só<br />

foi possível mediante os esforços de<br />

Osmar de Azevedo Cruz (funcionário<br />

da Delegacia Regional do Imposto de<br />

Renda) e do jornalista João Evangelista<br />

Ferraz.<br />

Com isso, os araraquarenses<br />

conseguiram espaço no programa<br />

do renomado apresentador Julio Rosemberg.<br />

A apresentação ocorreu em<br />

24 de julho de 1966. A viagem Araraquara<br />

- São Paulo foi feita em veículo<br />

DKV de propriedade de Osmar, que<br />

transportou parte dos instrumentos e<br />

dois componentes. Os demais foram<br />

de ônibus, levando partes da bateria.<br />

Logo pela manhã, estavam todos<br />

uniformizados, à frente da TV Tupi.<br />

Outros conjuntos foram chegando,<br />

com seus instrumentos e algumas<br />

novidades, ainda não vistas no interior.<br />

Chamado por Julio Rosemberg,<br />

os Condor Boys atacaram de “My Blue<br />

Heaven”, um rock instrumental que<br />

tinha a segunda parte em ritmo acelerado<br />

e contagiante.<br />

Uma equipe do cine jornal “O Mundo<br />

em Notícias” registrou o programa,<br />

fazendo cenas gerais e tomadas de<br />

foco com os garotos em ação.<br />

|54<br />

Programa do<br />

apresentador<br />

Julio Rosemberg<br />

transmitido em<br />

24.07.1966 na TV<br />

Tupi; ele abriu as<br />

portas da TV para<br />

que os conjuntos<br />

do interior se<br />

apresentassem.<br />

The Condor Boys<br />

foi levado pelo<br />

jornalista João<br />

Evangelista Ferraz,<br />

que atuava<br />

n’O Imparcial.


frequência, os grupos de Araraquara<br />

atendiam a promoções beneficentes.<br />

A Condor Boys proporcionou, em<br />

23 de agosto de 1966, no Cine Odeon<br />

(depois Veneza), uma noite ao lado<br />

de nomes da cidade e região em um<br />

show beneficente ao Lar “Nosso Ninho<br />

Terezinha Maria Auxiliadora”.<br />

Balducci conta que “Não só a Condor<br />

Boys, como outros grupos, não negavam,<br />

também, apresentações para<br />

os internos do Hospital Nestor Goulart<br />

Reis, que cuidava de portadores de<br />

doenças do aparelho respiratório”.<br />

Participação no programa Club Papai Noel, da esquerda para direita: Totó<br />

(com conjuntivite); Moacir; Beto; Plácido e Márcio Balducci<br />

NOVA REALIDADE<br />

As imagens foram incluídas numa<br />

edição do jornal cinematográfico, que<br />

correu os cinemas do País.<br />

“Foi um sucesso e uma aprendizagem<br />

para todos. Os grupos da capital<br />

estavam à frente em equipamentos,<br />

instrumentos e principalmente técnicas<br />

de execução. Não éramos os mais<br />

simples, mas, honrosamente, estávamos<br />

em um nível intermediário”,<br />

analisa Márcio Balducci.<br />

Após a realização do Programa Julio<br />

Rosemberg, enquanto guardavam<br />

os instrumentos e trocavam algumas<br />

palavras com integrantes de outros<br />

grupos, os araraquarenses foram interrompidos<br />

para que remontassem<br />

tudo e ficassem preparados, pois<br />

iriam participar, em seguida, do Club<br />

Papai Noel, gerado pela TV Cultura<br />

(Canal 2) e apresentado pelo então<br />

deputado Homero Silva.<br />

“Foi uma ótima exibição, muito<br />

mais solta. Alguns grupos ficaram<br />

assistindo ao programa da TV Cultura<br />

e, ao final, vieram falar conosco com<br />

palavras de incentivos, perguntando<br />

origem, tempo de formação, etc. Tivemos<br />

a oportunidade. E aproveitamos”,<br />

relata Balducci.<br />

Outro marco na história do grupo<br />

ocorreu em abril de 1967, em Marília.<br />

Lá, a Condor Boys ficou em 3º lugar<br />

no 1º Festival do Yé..Yé...Yé. Um detalhe<br />

a se lembrar é que, com certa<br />

Para os componentes, a banda<br />

era um hobby, uma diversão sadia e<br />

fonte de sucesso com as meninas.<br />

Animaram muitos aniversários, tiveram<br />

um público cativo e eram presença<br />

constante nas brincadeiras dançantes<br />

promovidas por comissões de<br />

formatura, normalmente dos cursos<br />

nível ginasial e médio.<br />

Porém, no início de 1968, os mú-<br />

Pelo terceiro lugar no festival de Marília, a Condor Boys ganhou como prêmios uma<br />

medalha de melhor vocal para Beto Placco e uma guitarra para a banda<br />

55|


sicos chegaram a conclusão que os<br />

objetivos pessoais estavam em desarmonia.<br />

Assim, Beto Fernandes e Márcio<br />

Balducci abandonaram os sons e<br />

dedicaram-se a outras áreas. Beto<br />

Placco direcionou energias para uma<br />

formação com estilo mais moderno e<br />

execuções vocais, tendência da época.<br />

“As músicas cantadas tornavam<br />

as reuniões mais animadas. Para<br />

atender as mudanças seria necessário<br />

investir em equipamentos e recursos.<br />

A maioria do conjunto tinha como<br />

objetivo a formação educacional em<br />

nível superior e a profissionalização<br />

fora da arte. E assim foi feito”, relata<br />

Balducci.<br />

Um dos últimos bailes que foi animado<br />

pelo Condor Boys foi na cidade<br />

de Guarapiranga. O transporte dos<br />

instrumentos foi feito em dois ‘Fordinhos<br />

29’, ambos sem capotas. Então,<br />

na ida, tudo bem, tinha até sol.<br />

Mas na volta, a madrugada não<br />

poupou todos de uma bela neblina<br />

acompanhada de um vento frio e<br />

muita poeira. Gripe geral. E o condor<br />

sumiu no horizonte, deixando muitas<br />

saudades.<br />

Em sentido horário, os membros<br />

vivos da Condor Boys: Márcio<br />

Balducci, aposentado e hoje<br />

residente em São José do Rio<br />

Preto; Luiz Alberto Fernandes (Beto<br />

Fernandes) que, ao lado da esposa<br />

Silvia Orselli, mora em Araraquara;<br />

Beto Placco (José Roberto Placco<br />

Rodriguez), hoje baterista da Beatles<br />

Again, também vive na cidade,<br />

sendo presidente do Sindicato dos<br />

Corretores de Seguros no Estado de<br />

São Paulo - Regional Araraquara.<br />

|56


SOLENIDADE<br />

Sabsa empossa seu novo<br />

Conselho Deliberativo<br />

A cada dois anos abrem-se as oportunidades para novos<br />

associados; José Roberto Conde é o novo presidente.<br />

PLANTANDO A SEMENTE<br />

O que pensam<br />

essas crianças<br />

Espaço destinado para que as<br />

crianças mostrem como terá que<br />

ser o futuro da nossa cidade. Os<br />

desenhos devem ser enviados para<br />

Rua Tupi, 245 - CEP 14801-307.<br />

No passado o brilhante trabalho iniciado por José Carlos Porsani e hoje, muito bem<br />

estruturada com a participação de nomes importantes do bairro, a SABSA é um exemplo<br />

A Sociedade Amigos do Bairro de<br />

Santa Angelina (Sabsa), em Assembleia<br />

Geral Extraordinária Festiva da<br />

SABSA, lotou seu salão de eventos<br />

em 23/02 para cumprir três objetivos.<br />

Um deles foi homenagear os melhores<br />

alunos das escolas públicas<br />

instaladas no bairro.<br />

O outro de prestar homenagens<br />

especiais a personagens que contribuem<br />

para a qualidade de vida do<br />

bairro, ou ainda, são destaques na<br />

sociedade; e, finalmente dar posse ao<br />

Conselho Deliberativo, para o biênio<br />

2018/2019.<br />

A assembleia foi aberta pelo presidente<br />

da diretoria executiva Antonio<br />

Roberto Borduchi, participando<br />

da mesa João Luís Bernal, secretário<br />

municipal de Obras, o vice-prefeito<br />

Damiano Barbiero Neto, Muriane Cirlene<br />

de Assis (Secretaria de Educação)<br />

e o vereador José Carlos Porsani,<br />

representando a Câmara Municipal.<br />

Porsani é ex-presidente da Sabsa e<br />

por 12 vezes foi presidente da sociedade<br />

que é um orgulho para a nossa<br />

coletividade.<br />

A cada dois anos, segundo os<br />

estatutos da SABSA, abrem-se as<br />

oportunidades para que novos as-<br />

sociados venham fazer parte do<br />

Conselho Deliberativo da entidade.<br />

José Roberto Conde foi eleito presidente<br />

e figurando como novos integrantes<br />

do Conselho Deliberativo<br />

foram empossados: vice-presidente<br />

Gerson Guido Mattioli e secretário<br />

Adilson Cesar Porsani.<br />

Os demais membros são: Alisson<br />

Alves da Silva, Antônio de Aquino Figueiredo,<br />

Antonio Adão Correa, Benedito<br />

Otávio dos Santos, Carlos Alberto<br />

Stamberg, Ezaú Cesar Barbugli, Fabrício<br />

Aparecido Soarde, José Alciro<br />

Siqueira Macacari, José Antônio Rodrigues<br />

Novoa, José Carlos de Paula,<br />

José Roberto Capella, Luiz Antonio<br />

Costa. Milton Sergio Alves Pereira,<br />

Moacir Tadeu de Melo Soares, Osvaldo<br />

Tucci Neto, Roberto Mieli e Walter<br />

Minotti.<br />

Público presente na SABSA<br />

Para o menino Pietro, 6 anos,<br />

Araraquara tem que possuir<br />

muitos pássaros, ser uma cidade<br />

limpa e crianças com liberdade<br />

para brincar.<br />

Aos 7 anos, Caio, imagina<br />

uma cidade com fábricas,<br />

porém, sem poluição.<br />

* Da redação:<br />

Os alunos frequentam o Lar Escola<br />

Redenção em Araraquara<br />

57|


“1974. Estou em Jaú, pronto para um novo desafio nas pistas” (Benê)<br />

VELHOS TEMPOS, BELOS DIAS<br />

Adolpho Segnini, ícone da história<br />

do motociclismo em Araraquara<br />

Em uma série de crônicas escritas com exclusividade para a<br />

RCI, o piloto Benedito Salvador Carlos narra as lembranças<br />

trazidas das pistas e os tempos de adolescência que<br />

pautavam os jovens companheiros dos fins de tarde.<br />

Texto: Benedito<br />

Salvador Carlos,<br />

o Benê, com a<br />

colaboração de<br />

Pedro Scabello<br />

Chevrolet, paralela à igreja do Carmo<br />

e aguardei o ônibus que ali fazia<br />

ponto para a cidade de Jaú, empresa<br />

Jauense, que em outras oportunidades<br />

me levara até Boa Esperança<br />

A desculpa que me foi dada era de<br />

que era muito pequeno, muito novo<br />

e não poderia ir no caminhão com a<br />

“Troop”. Fiquei desolado, triste, mas<br />

desistir não estava nos meus planos.<br />

Na semana que antecedeu a corrida<br />

em Jaú, acompanhado de minha Caloi<br />

“Fiorentina” visitei todas as oficinas.<br />

No sábado à tarde, na oficina<br />

do “Nego” (Adolpho Tedeschi Neto),<br />

fiquei maravilhado em ver Celso<br />

(Baiano Faito) Martinez experimentar<br />

no entorno do modesto barracão sua<br />

Italjet, cinza e preta. Aquele mundo<br />

girava nos quarteirões que circundavam<br />

a Rua 6 com a Avenida 44.<br />

De outro lado, no Moto Veslam,<br />

eu sentia o mesmo clima, adorava<br />

ouvir as conversas entre todos eles.<br />

Waldemar Zago e Manolo (Emanoel<br />

Toledo de Lima), não descansavam,<br />

almoçavam e jantavam preparativos<br />

para a lambreta 88, um verdadeiro<br />

foguete; tinha uma preparação mais<br />

do que especial, seu motor, alcançava<br />

rotações dignas de uma motocicleta<br />

japonesa de competição. Naquele lugar<br />

(Rua Gonçalves Dias com Avenida<br />

Mauá), Nei Elias, Edimur, Neco, Manolo<br />

Segura, Ivo e Toninho das Dornas,<br />

marcavam ponto.<br />

Não teve jeito, o caminhão não<br />

me levou, no domingo cedo, desesperado,<br />

fui até defronte a agência<br />

Celso (Baiano Faito) Martinez em largada<br />

na corrida em Jaú em 1972<br />

|58


O circuito de rua era um teste na carreira de qualquer piloto: e lá estava eu...<br />

do Sul, o lugar mais longe que eu já<br />

havia ido. Da mesma maneira, o motorista<br />

não permitiria meu embarque<br />

sozinho, quando como que, caído do<br />

céu, chegou todo atrapalhado, cabelo<br />

despenteado e óculos escuros protegendo<br />

uma longa noite, Adolphinho.<br />

Ele não me conhecia, do contrário,<br />

eu sabia tudo dele, que era corajoso,<br />

destemido, que abusava da sorte<br />

que o destino sempre o presenteara.<br />

Corria a lenda que não tinha medo de<br />

nada e isso me encantava.<br />

O SALVADOR DA PÁTRIA<br />

Certa oportunidade, eu pronto<br />

para atravessar a Rua 7 com a Avenida<br />

7, na calçada da casa Biancardi,<br />

ouvi atento o tilintar de uma motocicleta<br />

que vinha a toda, fixei meus<br />

olhos e assisti um espetáculo inesquecível.<br />

Inacreditavelmente, depois<br />

de uma redução firme, a motocicleta,<br />

sob seu comando, foi deslizando ao<br />

encontro da sarjeta. Ele controlou<br />

toda a situação e altaneiro subiu a<br />

Rua Itália como um pocesso. Não tive<br />

dúvidas, o abordei e pedi para que<br />

ele fosse meu guardião e pedido feito,<br />

pedido aceito na hora. Eu nem acreditava,<br />

me beliscava, mas a verdade<br />

é que eu estava indo para a corrida.<br />

Uma hora depois, já estávamos no<br />

meio da turma. Na cinquentinha, o<br />

meu presságio se tornou realidade<br />

e, “Baiano Faito” venceu de ponta a<br />

ponta a prova, me senti recompensado<br />

e representado, afinal de contas,<br />

o “muleque” vitorioso tinha apenas<br />

2 ou 3 anos de idade mais que eu, e<br />

posso dizer, não éramos amigos, mas<br />

ele já sabia da minha existência. Naquele<br />

dia, sua inscrição só foi possível<br />

porque correu com o nome emprestado<br />

de Waltinho Logatti (Peppone).<br />

Noutra oportunidade, três anos<br />

depois, fui eu quem se serviu do expediente<br />

do “empresta nome”. Mesmo<br />

com a experiência e o prestígio<br />

de já estar pilotando no autódromo<br />

de Interlagos, com uma Centauro, um<br />

Paulista e um Brasileiro “nas costas”,<br />

não me foi permitido a inscrição.<br />

OUTRA VEZ ELE<br />

De novo, lá estava Adolpho na minha<br />

vida e sem o menor temor deu<br />

seu nome à inscrição, para que eu<br />

participasse. A estratégia foi, empunhado<br />

de macacão e capacete, fiquei<br />

numa curva distante um quilômetro<br />

da largada, cuja meia volta de apresentação<br />

o mesmo fez em meu lugar.<br />

Ato contínuo devolveu-me a Yamaha<br />

FS1 para a largada. Desci no meio<br />

do pelotão formado entre outros, por<br />

José da Penha Moreira e Olympio Bernardes<br />

Ferreira Neto, dando a almejada<br />

participação. Larguei muito bem,<br />

acompanhei os ponteiros até o ponto<br />

que a minha inexperiência falou mais<br />

alto e, no afã da liderança, deslumbrado<br />

com a expectativa de<br />

chegar ao primeiro lugar rapidamente,<br />

deslizei no asfalto<br />

indo de encontro ao solo, deixando<br />

meu carburador, que<br />

era lateral, desmembrado<br />

do motor, pondo fim precocemente<br />

ao meu sonho do triunfo.<br />

Não sei porque, mesmo<br />

não tendo terminado a prova,<br />

recebi no dia uma medalha de<br />

honra ao mérito, prêmio que<br />

para a entrega, era anunciado em<br />

nome do “inscrito”, Adolpho Segnini<br />

Neto. Ele, debochado como sempre,<br />

gritava em alto e bom som: “Vá lá<br />

Muleque! e pegue seu prêmio” – eu,<br />

todo “borrado” não queria ir de medo,<br />

pois fazia parte do staff da entrega,<br />

o delegado que, na inscrição conferia<br />

as carteiras de habilitação dos participantes,<br />

e ele, insistentemente, talvez<br />

já acalorado: “Manda todo mundo à<br />

pqp... o mérito é seu!”. Subi no pódio<br />

adaptado em um caminhão e recebi<br />

a medalha que trago guardada a sete<br />

chaves na minha estante e em meu<br />

coração.<br />

Celso (Baiano Faito) Martinez em chegada<br />

triunfal, abraçado por seu pai e ao fundo<br />

Antonio Carlos Selvino.<br />

59|


NOVIDADE<br />

Fiat Cronos: novo tempo<br />

para os sedãs no Brasil<br />

Sofisticação, modernidade e design de caráter esportivo e<br />

personalidade própria sem abrir mão de amplo espaço.<br />

Cronos, grande aposta da Fiat para o mercado em 2018<br />

Arrojado, moderno, lindo, espaçoso,<br />

refinado e inovador. Estas foram<br />

algumas das expressões utilizadas<br />

para definir o novo Fiat Cronos pelas<br />

primeiras pessoas que conheceram o<br />

modelo de perto durante as clínicas<br />

com compradores de sedãs compactos,<br />

realizada recentemente pela Fiat<br />

Chrysler Automobiles (FCA).<br />

Esses adjetivos foram concedidos<br />

ao Fiat Cronos com justiça. A começar<br />

pelo design de linhas dinâmicas que<br />

percorrem e unificam todos elementos<br />

da carroceria. A dianteira se destaca<br />

por traços fortes, com aspecto<br />

musculoso, e capô alongado, estilo<br />

típico de modelos esportivos. Essa característica<br />

é reforçada pelos faróis,<br />

que invadem as laterais com uma<br />

assinatura em LED e é complementada<br />

pela grade com elemento central<br />

cromado, que também demonstra o<br />

refinamento do sedã.<br />

As laterais revelam uma superfície<br />

vigorosa que se conecta harmonicamente<br />

à traseira alta e ampla, com<br />

lanternas em LED com desenho angulado<br />

e sedutor. A tampa abriga um<br />

dos maiores porta-malas da categoria,<br />

com 525 litros de capacidade.<br />

O design do Fiat Cronos é envolvente,<br />

estimulante, moderno e cheio<br />

de personalidade. O Cronos traduz<br />

um novo tempo para o desenho dos<br />

sedãs no mercado brasileiro. O estilo<br />

arrojado aliado à sofisticação se reflete<br />

no interior, com muito espaço e<br />

modernidade.<br />

O olhar é atraído para o sistema<br />

multimídia Uconnect Touch de 7 polegadas,<br />

em estilo flutuante como<br />

um tablet. O equipamento pode ser<br />

controlado a partir do volante multifuncional.<br />

No quesito segurança o Fiat<br />

Cronos traz um novo tempo para o<br />

segmento. O moderno sedã da Fiat<br />

oferece air bags laterais, ESC (controle<br />

eletrônico de estabilidade), TC<br />

(controle de tração), HH (Hill Holder)<br />

e sistema ISOFIX de fixação para cadeirinhas<br />

infantis.<br />

|60


NOVIDADE<br />

‘Milena poderia sair de um lugar<br />

comum’, diz pesquisadora local<br />

Para Valquíria Tenório, personagem negra da Turma da<br />

Mônica poderia ter avançado o ‘historicamente óbvio’:<br />

a criação em uma família de músicos e de jogadores de<br />

futebol.<br />

Milena faz parte da família Sustenido<br />

Via redes sociais, o cartunista<br />

Maurício de Sousa anunciou uma<br />

grande novidade para 2018: nos primeiros<br />

meses deste ano, a Turma da<br />

Mônica terá a primeira personagem<br />

negra em suas revistas de quadrinhos:<br />

Milena Sustenido viverá aventuras<br />

ao lado dos pais e irmãos sempre<br />

em um ambiente ligado à música e<br />

futebol.<br />

Na avaliação de Valquíria Tenório,<br />

membro do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros<br />

e Indígenas (NEABI), professora<br />

do Instituto Federal de Educação,<br />

Ciência e Tecnologia de São<br />

ciedade brasileira por outras lentes”,<br />

analisa.<br />

Porém, um detalhe chamou, negativamente,<br />

a atenção da pesquisadora<br />

e professora. Para ela, não há<br />

uma ruptura em relação ao esperado<br />

para o negro na sociedade brasileira,<br />

isto é, a família Sustenido reitera um<br />

lugar historicamente definido: música<br />

e futebol.<br />

“Não é um lugar ruim, afinal temos<br />

grandes nomes em ambas as áreas.<br />

Deixo destacado que não é isso que<br />

estou dizendo. Porém, Maurício de<br />

Sousa poderia ter ido mais longe nos<br />

lhantes, aparecendo na mídia constantemente.<br />

Ela também ressalta o<br />

trabalho do Prof. Me. Carlos Machado<br />

“Gênios da Humanidade: ciência,<br />

tecnologia e inovação africana e afrodescendente”,<br />

lançado em 2017 e já<br />

esgotado.<br />

“Muitos são os exemplos. Será<br />

que o editor ou sua equipe conhecem<br />

esses dados? Se sim, por que não se<br />

arriscaram em criar uma personagem<br />

com um perfil diferente? Por que bater<br />

na velha fórmula da música e do<br />

futebol? Foi algo pensado, intencional<br />

ou seria mais um exemplo de como<br />

a nossa sociedade se construiu com<br />

definições bem evidentes dos papéis<br />

de brancos e negros?”, pergunta.<br />

Defendendo sempre novas fórmulas<br />

e quebra de paradigmas, Valquiria<br />

Tenório aguarda as histórias a serem<br />

escritas com certa ansiedade. “Quem<br />

sabe elas possam suprir (ao menos<br />

um pouco) a falta de representatividade<br />

negra tão escancarada em uma<br />

rápida passagem por uma banca de<br />

jornal brasileira”, finaliza.<br />

Maurício de Souza ao lado da personagem durante o evento ‘Donas da Rua’<br />

Paulo (IFSP – Matão), e doutora em<br />

Sociologia pela UFSCar, uma reflexão<br />

positiva sobre essa ação vai ao encontro<br />

de três pilares: a socialização,<br />

identidade e representatividade.<br />

“É provável que os ecos e reivindicações<br />

dos movimentos negros e<br />

feministas, que discutem, tencionam<br />

essas questões, tenham chegado<br />

aos ouvidos do editor. Ou pode ser<br />

um amadurecimento do marketing da<br />

empresa, que passou a observar a so-<br />

tempos atuais, trazendo uma Milena<br />

em uma família negra na ciência, por<br />

exemplo?”, questiona.<br />

HOMENAGENS<br />

Para contextualizar sua linha de<br />

pensamento, Valquíria lembra a história<br />

da Profa. Dra. Joana Félix, uma<br />

mulher negra cientista da área da<br />

Química que tem feito trabalhos bri-<br />

A professora doutora Valquíria Tenório<br />

61|


VIP<br />

VIDA SOCIAL por Maribel Santos<br />

Dia Internacional da Mulher<br />

Olá querido leitor! O ano caminha a passos largos e é preciso ter<br />

consciência que a vida passa com tamanha rapidez, que perdemos<br />

muito do que poderia ser nosso. O mês de março nos traz uma data<br />

especial. O Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de<br />

março. A ideia de criar a comemoração surgiu no final do século XIX<br />

e início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, por melhores<br />

condições de vida e trabalho e pelo direito de voto. Desejo que todas<br />

as mulheres sejam respeitadas, valorizadas, amadas em sua plenitude<br />

independente de sua cor, raça ou credo. E que a data não seja lembrada<br />

apenas uma vez ao ano. Deixo o meu abraço carinhoso a todas<br />

as mulheres que diariamente lutam por seus direitos!<br />

O presidente do Clube Araraquarense,<br />

João Rossi, com Tatiana Oliveira, rainha<br />

da bateria do bloco Apesar de Você<br />

Clube Araraquarense<br />

Fotos: Marcela Campos<br />

Janaína Zanin e<br />

Matheus Mascia<br />

Daniela Maria Piovan Caratti<br />

Fernando Speranza<br />

e Silvana Maria<br />

Traete Speranza<br />

Vera Lucia Zenatti<br />

|62


Personalidade Vip<br />

com Patrícia Bueno Nigro<br />

Ela é sinônimo<br />

de determinação,<br />

comprometimento,<br />

seriedade e<br />

profissionalismo.<br />

Culta, inteligente,<br />

linda é uma<br />

doçura de pessoa.<br />

Casada, mãe, a<br />

araraquarense<br />

Patrícia Bueno<br />

Nigro é advogada,<br />

empresária<br />

franqueada da<br />

empresa Vinho &<br />

Ponto e qualificada<br />

mundialmente pela<br />

escola inglesa Wine<br />

& Spirit Education<br />

Trust (WSET) como<br />

especialista em<br />

destilados, vinhos e espirituosos.<br />

Desde a infância sempre foi<br />

habituada a ver sua família,<br />

de descendência luso-italiana<br />

consumir vinhos. Recorda como<br />

ficava encantada com as garrafas<br />

de vinhos do Porto do seu bisavô<br />

português, observava os rótulos<br />

e imaginava quando estaria na<br />

idade de poder provar um deles,<br />

na época ela tinha a idade de sua<br />

filha Marcela, nove anos. Quando<br />

completou dezoito anos sua festa de<br />

aniversário foi “regada por vinhos”.<br />

Apreciava com muito entusiasmo a<br />

bebida e resolveu estudar sobre o<br />

assunto. Procurou uma escola que<br />

oferecesse uma formação completa<br />

e nunca parou de estudar. Foi<br />

aprovada em dois níveis pela escola<br />

inglesa WSET, reconhecida em mais<br />

de 60 países. Hoje é especialista,<br />

reconhecida mundialmente, em<br />

destilados, vinhos, espumantes<br />

e champanhes. Vale ressaltar,<br />

que todos os seus exames são<br />

corrigidos na Inglaterra e agora<br />

se prepara para o nível 3. Pratica<br />

horas de estudo e muita dedicação<br />

para atingir mais um grau de<br />

conhecimento. O nível mais difícil.<br />

Também é fundadora do “Wine<br />

Influencers”, grupo internacional de<br />

influenciadores digitais especialistas<br />

em vinhos e que divulgam sua<br />

cultura ao mundo por meio de redes<br />

sociais. Além de dar consultorias<br />

e realizar eventos, trouxe para<br />

Araraquara as famosas confrarias,<br />

chegando ao número de 50<br />

pessoas. Com o passar do tempo,<br />

Patrícia resolveu transformar o que<br />

era um hobby, em uma segunda<br />

profissão. Seu sonho é democratizar<br />

o vinho. “Quero levar minha grande<br />

paixão ao alcance de todos! Vinho<br />

purifica a alma e abre portas<br />

para a felicidade, diz Patrícia com<br />

entusiasmo e os olhos brilhando<br />

de alegria”. Por esse motivo<br />

resolveu trazer para Araraquara a<br />

Vinho & Ponto, loja, importadora<br />

e distribuidora de vinhos para<br />

Araraquara e Ribeirão Preto.<br />

A franquia conta com mais de 300<br />

rótulos do mundo todo e exclusivos.<br />

No local também funcionará um<br />

Wine Bar onde serão servidos<br />

vinhos, espumantes, champanhes e<br />

petiscos, e serão organizados vários<br />

eventos, incluindo cursos, confrarias<br />

e degustações exclusivas.<br />

O horário de atendimento será:<br />

De segunda a quarta das 10h às<br />

19h e de quinta a sábado das<br />

10h às 22h. Vinho & Ponto será<br />

inaugurada no próximo dia 5 de<br />

abril. Aguardem!<br />

63|


Vinho & Ponto em Ribeirão Preto<br />

Patrícia Nigro<br />

com a equipe<br />

maravilhosa<br />

da Maison<br />

Carmen Steffens do<br />

Shopping Iguatemi.<br />

Parceria de sucesso!<br />

Ana Araujo e Rochelle Michielin<br />

Monizinha Salles,<br />

Mag Kurmann e<br />

Wesley Baccalini<br />

Comemoração<br />

Nelson Barbante e Renata Aboud Barbugli<br />

Ulisses Brilhante comemorou seu aniversário e recebeu o carinho<br />

especial dos seus filhos Fernanda e Gustavo e de sua esposa<br />

Ariane Brilhante. Festa Linda!<br />

Thiago Torres e Fernanda Fulone Torres<br />

|64


VIPS<br />

EM DESTAQUE<br />

CarnArmazém 2018<br />

Adriana Pinheiro e<br />

Leandro Guidolin<br />

Fernando Fávero<br />

Janaina Spreafico e Roberto Henrique Barbeiro<br />

Silvio José Segnini<br />

e Maria Fernanda<br />

Canato<br />

Érica<br />

Mariano<br />

João Pedro<br />

Rodrigues e<br />

Georgia Mascioli<br />

Haddad<br />

65|


Fotos: Henrique Santos e Bruna Moreschi<br />

Carnaval<br />

CLUBE NÁUTICO<br />

Sucesso total: o Carnaval Náutico 2018<br />

reuniu foliões de todas as idades para a<br />

grande diversão!<br />

O Molejo abriu o Carnaval do Náutico com muita animação<br />

Renato Brizolari e Elizangela com a filha Letícia<br />

|66<br />

Renato Sarti Magnani, presidente do Clube Náutico, dando<br />

as boas-vindas ao grupo Sambô, que agitou o domingo de<br />

carnaval do clube


Carnaval<br />

CLUBE NÁUTICO<br />

Fotos: Henrique Santos e Bruna Moreschi<br />

Cristina Deliza, Agnaldo Souza, Segundo Ungari Neto,<br />

Valmir Gatti e Dani Silotto<br />

Claudia e João Leal<br />

Márcia e Celso Alboy; Eginaldo Lamante e Silvia<br />

O Terra Samba fechou a folia nauticana<br />

com chave de ouro!<br />

Jaques Nascimento e Paola com os filhos<br />

Théo e Eduarda<br />

Rafael Lombardi<br />

e Fernanda<br />

67|


VITRINE<br />

JOÃO CARLOS<br />

Jornalistas José<br />

Carlos Magdalena<br />

e Ivan Roberto<br />

Peroni, em<br />

homenagem a<br />

eles prestada no<br />

salão de festas do<br />

Residencial Volpi<br />

pela Associação<br />

Araraquarense de<br />

Letras<br />

Rose, uma das mais badaladas<br />

cabelereiras da cidade num dos<br />

dias de visita à Marquês de Sapucaí,<br />

não se furtou a uma foto com as<br />

atrizes Bella Piero (Laura) e Juliana<br />

Caldas (Estela), da novela da Globo<br />

- O Outro Lado do Paraíso<br />

Regina Metidieri está de<br />

volta à sua terra natal<br />

Francisco Colturato (Fran), proprietário do<br />

tradicional Bar do Zinho, está sorrindo a toa: ele<br />

vendeu uma cartela do Hiper Saúde Ribeirão e<br />

houve até barulho no anúncio do prêmio<br />

ANIVERSÁRIOS<br />

Março|2018<br />

A diretoria do SINCOMERCIO cumprimenta todos os aniversariantes<br />

DATA NOME<br />

EMPRESA<br />

DATA NOME<br />

EMPRESA<br />

01/03<br />

06/03<br />

09/03<br />

10/03<br />

11/03<br />

12/03<br />

13/03<br />

15/03<br />

16/03<br />

17/03<br />

17/03<br />

17/03<br />

17/03<br />

17/03<br />

18/03<br />

Monica Abed Zaher<br />

André Alcazan Parizi<br />

Willian Julianetti<br />

Beatriz Leognano M. Silva<br />

Roberta Biasotti de Moura<br />

Marco Antonio Dall´Acqua<br />

Tereza Zingarelli<br />

Beatriz Perico<br />

Sandra Elizabeth Barea<br />

Denise A. Simoes Mathias<br />

José Luiz Alves Pinto<br />

Michele Costa Melhado<br />

Paulo Henrique Senhorini<br />

Tatiana Goes Marqueti<br />

José Devanil Carrascossi<br />

Colégio Objetivo<br />

Alcatec<br />

Espuflex<br />

Rádio Elétrica Geral<br />

Minas Queijos<br />

Irmãos Dall’Acqua<br />

Carmo Calçados e Conf.<br />

Papel Arte<br />

Cavian Kids<br />

HL 1089<br />

Vilacopos<br />

Passarinho Hortifruti<br />

Paulifer<br />

Habitus Academia<br />

Chefor<br />

21/03<br />

22/03<br />

23/03<br />

25/03<br />

25/03<br />

26/03<br />

26/03<br />

26/03<br />

26/03<br />

26/03<br />

26/03<br />

27/03<br />

31/03<br />

31/03<br />

Jeferson Pires Colombo<br />

Vanessa Cristina Pedro<br />

Vera Peron Aranha<br />

Marivalda R. Alvarenga<br />

Maurício Zanella Braga<br />

Adilson Ferreira dos Santos<br />

Elaine Cristina Mariani<br />

Francisco Rossi Filho<br />

Luis Eduardo Carrascossi<br />

Marcos Vinícius S. Venezian<br />

Walter Domingos de Prince<br />

Ana Carolina Zenatti<br />

José Araujo Sobrinho<br />

Olien Moreno<br />

J F Calçados<br />

Multy Dental<br />

Só Criança<br />

Intershop<br />

Química Santa Rita<br />

Óticas Fabrilen<br />

Consultório Drª. Elaine Mariani<br />

Francine Jóias<br />

Chefor<br />

Footlook<br />

Princar<br />

Carol Affonso<br />

Ótica Global<br />

Frio & Cia<br />

|68


Equipe de vendas da Honda Santa Emília - Waldemar,<br />

Pedro, Josi, Débora, Beto e Márcio<br />

Elizabeth, Jorge Luiz, Luana e Lyse e Silva felizes com a compra<br />

feita na concessionária Honda, em Araraquara<br />

Empresário Celso Haddad que hoje assina HDZ,<br />

voltada para consultoria empresarial e imobiliária,<br />

aproveitou fevereiro para circular com a esposa<br />

Rosangela Peccinini pelo Restaurante Casa Cruz,<br />

Palermo Soho, cidade próxima de Buenos Aires<br />

Após a merecida<br />

aposentadoria<br />

na Nestlé local<br />

onde chefiava o<br />

setor de Recursos<br />

Humanos, Chico<br />

Specian tem<br />

aproveitado e<br />

muito bem a vida<br />

Com Cristiano Camargo (Cofrinho) à frente, o<br />

Bloco Cordão da Luz Divina empolgou em 2018<br />

Luiz Alberto<br />

Cocenza<br />

e Néia<br />

mergulharam<br />

nas praias<br />

serenas das<br />

Alagoas<br />

Encontro de amigos no apreciado<br />

café Estação Ipê, bem no coração<br />

da cidade. Desta vez, Péricles<br />

Medina Júnior, o “Pecão”, recebeu<br />

os empresários Roberto Abud e<br />

Carlinhos Segura que também brilha<br />

como comentarista dos Campeões<br />

da Bola da Rádio Cultura<br />

69|


Luís Carlos<br />

BEDRAN<br />

Sociólogo e cronista da Revista Comércio,<br />

Indústria e Agronegócio de Araraquara<br />

A Revolução dos Bichos<br />

Outro dia acordei tão confuso<br />

(mais ainda do que de costume), que<br />

até hoje não consegui recuperar-me<br />

por completo e por isso, antes que<br />

me esqueça de tudo, tento registrar o<br />

estranho sonho que tive. Mas, na verdade,<br />

a confusão foi tanta e tamanha,<br />

que nem mesmo sei se ainda continuo<br />

sonhando, ou como se diz por aí, se já<br />

caí na real.<br />

Não sei se foi influência de uma<br />

ressaca pós-carnavalesca, ou da complicada<br />

e atual conjuntura política tupiniquim,<br />

mas tenho (quase) certeza<br />

que não bebi demais, nem foi consequência<br />

de algum tombo que tivesse<br />

me afetado os sentidos. Talvez então<br />

agora seja caso de consultar um<br />

psiquiatra. Mas aí já seria um risco<br />

muito maior, de ele procurar me orientar<br />

tanto, de ir às profundezas do meu<br />

ego, do meu id e do meu superego, de<br />

tentar levantar vidas passadas, que aí<br />

então, em definitivo, perderia o norte<br />

completamente. Desisti.<br />

Não foi por influência livresca, nem<br />

das “Fábulas” de La Fontaine, nem de<br />

“A Revolução dos Bichos”, de George<br />

Orwell (do qual copiei o título desta<br />

crônica), nem mesmo de Ionesco, o<br />

autor de “O Rinoceronte”, pois de<br />

teatro do absurdo sou completamente<br />

jejuno.<br />

A verdade é que comecei a perceber<br />

e a olhar as pessoas sob outro<br />

prisma, quiçá deturpado, tal como<br />

num filme tcheco que assisti há muitos<br />

anos, em que os personagens, usando<br />

óculos especiais, descobriam a<br />

verdadeira personalidade e o caráter<br />

das pessoas, que mudavam de cor<br />

conforme a ocasião. Os mentirosos,<br />

os bandidos e os políticos corruptos<br />

tinham uma cor, as inocentes crianças<br />

outra e assim por diante. Qual era<br />

mesmo o nome daquele filme?<br />

Mas, voltando ao assunto. Tentava<br />

ver as pessoas, mas não as enxergava<br />

e nem as reconhecia como seres humanos<br />

e foi aí então que me preocupei<br />

mais ainda. Será que eu também<br />

não havia me transformado num animal<br />

qualquer ou mesmo num inseto,<br />

numa barata, como aconteceu com<br />

aquele escritor tcheco, Kafka, autor<br />

de “O Processo”, sufocado até à morte<br />

pela burocracia? Por isso fiquei longe<br />

do espelho.<br />

Então, andando pelas ruas da cidade,<br />

comecei a ver muitos cães, das<br />

mais diversas aparências, mas certamente<br />

cães e não humanos, embora<br />

um tanto parecidos. Macacos tagarelando<br />

alegremente e fazendo mil-euma<br />

estripulias, destruindo o establishment,<br />

travestidos de cordeirinhos<br />

e estes, os verdadeiros, seguindo<br />

pacatamente os leões, os quais, por<br />

sua vez lideravam os outros animais,<br />

aproveitando-se deles, como sempre.<br />

Urubus em busca de carniça, já saboreando<br />

os bichos mortos e os ainda<br />

sobreviventes; águias voando bem<br />

alto, mas aguardando o momento<br />

ideal para levar vantagem sobre os<br />

incautos terrenos; espertos camaleões<br />

mudando de cor a todo instante, a<br />

depender da ocasião, mas nunca ficando<br />

rubros de vergonha. Venenosas<br />

e rastejantes cobras criadas, atrás de<br />

pacíficos coelhos, além dos brutos rinocerontes,<br />

atropelando tudo e todos.<br />

A onça e seus amigos espalhados<br />

pelos quatro cantos da cidade e os<br />

burros pastando tranquilamente; mas<br />

estes eram raros, raríssimos mesmo.<br />

Gatos e gatinhas esfregando-se nas<br />

esquinas escuras e os gaviões infiéis<br />

“A Revolução dos Bichos”, de George<br />

Orwell, completou 70 anos em agosto<br />

passado, mas traz para os leitores uma<br />

reflexão política e social contemporânea.<br />

Escrito no fim da Segunda Guerra, o livro<br />

provoca uma discussão que ainda cabe nos<br />

tempos atuais.<br />

procurando pela presa mais fácil,<br />

em busca de comida apetitosa, mas<br />

perigosa. E também os elegantes e<br />

delicados veados desfilando nas praças,<br />

muitos travestidos de leões-dechácara.<br />

Alegres mariposas ainda desnorteadas<br />

pelos holofotes da fama;<br />

lagartos e lagartixas tomando banhos<br />

de sol nas piscinas; antas bitoladas,<br />

não sabendo o que queriam; cavalos<br />

imponentes carregando asnos às<br />

costas e desengonçados avestruzes<br />

completamente alienados, não se importando<br />

com nada; vaidosos pavões<br />

fotografados nas colunas sociais, esperando<br />

ansiosamente pelo próximo<br />

carnaval.<br />

Elefantes e porcos em busca de<br />

Spas e fanáticas girafas altaneiras e arrogantes,<br />

tentando encontrar no céu a<br />

felicidade que ainda não acharam na<br />

terra. Falcões semelhantes aos norteamericanos,<br />

dominando pombos daqui<br />

e de lá.<br />

Lisos bagres ensaboados, verdadeiros<br />

caras-de-pau, untados com<br />

óleo de peroba, determinados a<br />

conseguir, a todo custo, a adesão de<br />

pacatos carneirinhos votantes nas<br />

próximas eleições; espertas galinhas<br />

e tranquilas vacas sassaricando à revelia<br />

dos galos e dos bois, estes com os<br />

maiores chifres, tentando convencer<br />

as andorinhas de que uma só não faz<br />

verão.<br />

Aí então, confuso demais, criei<br />

coragem e fui ver-me no espelho.<br />

Ora parecia um verme asqueroso, ora<br />

uma pensativa e filosófica coruja, mas,<br />

olhando-me atentamente, reconhecime<br />

mesmo como um verme e da pior<br />

categoria, destilando fel por todos os<br />

poros.<br />

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GRÁFICA

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