Revista Apólice #203

revistaapolice

editorial

Ano 20 - nº 203

Setembro 2015

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exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Novas ideias para

antigos problemas

Este é um momento de mudança para o mercado de seguros,

que começa a enfrentar os efeitos da crise econômica que certamente

assolará o País. O dólar, atingindo patamares acima dos R$

4, traz consequências para todas as classes sociais. Até as bugigangas

vindas da China passam a ter preço de produtos de luxo.

Para o mercado de seguros, a alta do dólar e das taxas de

juros podem até favorecer investimentos, mas, na outra ponta,

o consumidor pode ter que cortar na carne seus gastos (coisa

que o Governo não fez) e o seguro, na mentalidade tupiniquim,

é desnecessário. Portanto, a retração nas vendas é certa, como já

aconteceu com o mercado de veículos novos, que despencou no

primeiro semestre deste ano.

Neste momento, a Revista Apólice quer motivar os corretores

de seguros a buscarem outras oportunidades. Nesta edição, mostramos

o que o mercado pode proporcionar em termos de novos

produtos, mais adequados à realidade econômica-financeira dos

segurados. Também mostramos os produtos que podem proteger

os bens pessoais, sujeitos a ataques efêmeros dos larápios. É

sempre bom para os corretores saber como os segurados podem

garantir que seus celulares, bikes e até bolsas.

Nesta edição mostramos aos leitores como foi a festa da 6 a

edição do Prêmio Melhores do Seguros, realizada em São Paulo,

no mês de setembro.

Boa leitura!

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Revista Apólice

Equipe da Apólice:

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Lívia Souza,

Amanda Cruz,

Graciane Pereira,

Kelly Lubiato e

Francisco Pantoja


sumário

36 bastidores

A elite do mercado seguros celebra

os 20 anos da Revista Apólice

e festa garante espaço para troca

de idéias

58 conseg

18

produtos

60 conseguro

Comportamento dos consumidores muda

e seguros para bens pessoais aparecem

como um caminho em ascensão

22

oportunidades

64 cibernético

Novos produtos são bem-vindos no

mercado, mas especialistas apontam que

mudanças na maneira de atuar podem ser

mais rentáveis

28 longevidade Maior desafio do futuro será viver bem

o ciclo que começa a partir dos 80 anos,

a quarta-idade. Veja como essa questão

6 | painel

afeta o mercado

32 VGBL saúde 14 | gente

Projeto aprovado pela Câmara dos Deputados

depende agora de aprovação no

16 | direto de Londres

Senado. Produto viabiliza financiamento

para a saúde dos aposentados

38 | premiação

34 novidades 56 | eventos

66 | comunicação

4

Seguradora investe na construção de

parcerias sólidas com os corretores e visa

alavancar a participação nos segmentos

corporativos

Terceira edição do Congresso de

Seguros aprofundou debates sobre

estratégia de vendas e relação

entre seguradores e corretores em

Pernambuco

Autoridades traçaram o futuro e os

desafios do segmento. Especialistas

nacionais e internacionais se apresentaram

em uma série de palestras

Artigo trata da complexidade e

consequências devastadoras que os

ataques digitais produzem


painel

corretoras

Novo grupo no mercado

O mercado segurador ganhou um

novo grupo de corretoras: a A12, que

iniciou sua operação em abril deste ano

com emissão anual de R$ 250 milhões

em seguros e benefícios. Entre seus

idealizadores, a empresa reúne nomes

como Armando Vergílio e Robert Bittar,

presidente e vice-presidente da Fenacor,

respectivamente.

A atuação do Grupo A12 é diversificada.

Seu mix é composto por seguro

de automóvel (57,1%), benefícios (24,7%)

e demais ramos (18,2%). Em 2014, as

corretoras do Grupo obtiveram um

crescimento de 14,53% no volume de

negócios, comparado ao ano anterior,

número acima da média de mercado e que

Dados divulgados pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep)

revelam que a receita de prêmios diretos

gerados pelo mercado segurador brasileiro

ultrapassou os R$ 47,5 bilhões no

primeiro semestre. O montante equivale

a um aumento de 4,6% ante o registrado

no mesmo período de 2014.

Segundo a entidade, até o momento

junho foi o melhor mês de 2015 para as

seguradoras, que neste período atingiram

uma receita global de R$ 8,5 bilhões –

valor 7,6% maior que a apurada em maio

e 9,3% ao montante registrado no mesmo

mês do ano anterior. As despesas comermercado

Seguradoras crescem 4,6%

demonstra o potencial de crescimento da

nova operação.

De acordo com Renner Fidelis,

conselheiro, diretor executivo da A12 e

sócio da Apoliseg Corretora de Seguros,

a globalização trouxe e traz ameaças e

oportunidades. “Diante do novo cenário

econômico do País, decidimos, em 2013,

criar um novo grupo através da união

de 12 companhias sólidas que tinham

a mesma filosofia, ou seja, promover

diversas soluções que trouxessem maior

musculatura, competitividade, redução de

custos e melhoria no lucro, seja através

da conquista de novos mercados, assim

como pelo aumento da rentabilidade da

operação”, explica o executivo.

ciais, por sua vez, fecharam em R$ 10,4

bilhões no acumulado de janeiro a junho.

Em comparação ao primeiro semestre do

ano passado, o crescimento foi de 12,9%.

previdência

Poupança para

os filhos

A Brasilprev divulgou dados

específicos de pais que contribuem

para o plano de previdência dos

filhos. Realizado a partir da base

de 1,7 milhão de clientes PGBL e

VGBL, com informações de maio

deste ano, o estudo apontou que os

pais (gênero masculino) são responsáveis

pelas contratações de 52% de

todos os planos “Brasilprev Junior”.

O produto, que foi lançado em 1997,

representa 35% do total de planos

da empresa.

De acordo com o levantamento,

em média, os pais aumentam ano a

ano a contribuição mensal para os

filhos: hoje fazem aportes no valor

de R$ 143 – há cinco anos, era de

R$ 110, um crescimento de 33%.

“Constatamos em pesquisas

qualitativas que projetos educacionais

são o objetivo da maioria dos

responsáveis que contratam a previdência

para acumular recursos para

os pequenos, independente do estrato

social. Pagar uma boa faculdade, cursos

técnicos, de idiomas, bem como

a realização de intercâmbios, estão

nesta lista de intenções. Ou seja, a

ideia é que eles utilizem os recursos

ainda jovens”, declara Soraia Fidalgo,

gerente da área de Inteligência

e Gestão de Clientes da Brasilprev.

6


painel

saúde

Guia de reajustes

A Federação Nacional de Saúde Suplementar

(FenaSaúde) lançou o Guia de

Reajustes dos Planos e Seguros Privados

de Saúde. A publicação explica detalhadamente

as regras editadas pela Agência

Nacional de Saúde Suplementar (ANS),

esclarecendo como os reajustes são necessários

para repor perdas financeiras

e assegurar o equilíbrio econômico-

-financeiro desse sistema.

A regulação vigente, as regras contratuais,

o comportamento dos custos

da assistência médica com despesas se

expandindo muito acima da inflação

geral de preços e os desafios que se impõem

aos principais agentes da cadeia

de valor de saúde – incluindo operadoras,

Governo, prestadores de serviços,

famílias e empresas empregadoras – são

temas abordados no novo guia. “O objetivo

dessa publicação é tornar claros os

principais fundamentos que norteiam a

Saúde Suplementar no Brasil e os fatores

que determinam os preços”, explica José

Cechin, diretor Executivo da FenaSaúde.

saúde 2

Nova sede administrativa

Em julho deste ano, a Ameplan

Assistência Médica Planejada mudou

para uma nova sede administrativa na

região de Santo Amaro, numa área de

1.000m2 totalmente planejada e adequada

para abrigar 90 colaboradores da

empresa, que antes estavam distribuídos

em unidades diferentes.

A construção da nova sede foi realizada

em cerca de dois anos e reflete toda

a cultura de modernidade e pioneirismo

que acompanham a trajetória da Ameplan,

desde sua fundação, em 1992.

Para marcar o acontecimento e deixar

registrado um evento tão importante,

o Departamento de Marketing da Operadora

preparou um vídeo apresentando

todas as fases da obra, desde o momento

mais rústico inicial, incluindo a construção

das paredes, montagem dos dutos de

ar condicionado, preparação do elevador

panorâmico, colocação do piso, móveis,

Segundo Cechin, é importante

lembrar que o plano de saúde é um bem

de todos os beneficiários, portanto da

sociedade. “As despesas com saúde serão

sempre crescentes, no Brasil e no mundo,

devido à incorporação tecnológica, ao

aumento da frequência de utilização e,

sobretudo, ao envelhecimento. Mas, ao

aprender a fazer uso consciente desse

produto, o consumidor contribui para

reduzir o impacto do uso inadequado e

dos desperdícios nas despesas assistenciais”,

ressalta.

instalação da comunicação visual, ou

seja, detalhes que fizeram parte deste

projeto tão esperado e desejado por todos.

Soraya Garson, gerente de Marketing

da operadora, explica que o vídeo fala de

um sonho que foi conquistado com muito

trabalho e a importância de lutar por

aquilo que se deseja. “O vídeo também

inclui o dia da mudança, os acabamentos

finais da obra e o evento de inauguração,

com um “welcome coffee” e participação

de todos da equipe”, finaliza.

venda

Operações na

América Latina

A RSA Insurance Group plc.

anunciou que chegou a um acordo,

sujeito a aprovações regulatórias,

para vender todas as suas operações

na América Latina (RSA

Latin America) a Suramericana

S.A, a seguradora subsidiária do

Grupo de Inversiones Suramericana

(Grupo Sura) por aproximadamente

403 milhões de libras

pagos em espécie.

A RSA América Latina é

uma plataforma regional de

seguros e uma das dez principais

seguradoras da região. Tem

presença estabelecida no Chile,

Argentina, Brasil, México, Colômbia

e Uruguai, com um mix

equilibrado de portfólio.

As operações da RSA na América

Latina tinham, em 30 de junho,

um patrimônio total de 1,3 bilhão

e patrimônios tangíveis líquidos de

258 milhões de libras. Os prêmios

retidos líquidos na primeira metade

de 2015 foram de 333 milhões

de libras com um lucro antes de

impostos de 9 milhões de libras.

A transação está sujeita à obtenção

das aprovações regulatórias

relevantes em cada um dos países.

Para visualizar esses registros, o vídeo

está disponível no canal da Ameplan

no Youtube (http://www.youtube.com/

AmeplanSaude), no blog da empresa

(www.ameplansaude.com.br/blog) e no

facebook.

8


painel

plataforma

Gestão de Frotas

A Marsh lança no Brasil a primeira

plataforma online para gestão de

frotas corporativas. Com investimento

de cerca de US$ 450 mil em desenvolvimento

e integração, o sistema

Webfrota trilíngue (português, inglês e

espanhol) gerencia em tempo real toda

frota com controle de entradas e saídas

dos veículos, todos os dados referentes

aos seguros, e também itens referentes

a condutores, status da habilitação

(CNH), multas, IPVA, manutenção

dos veículos, custo com pedágios,

consumo de combustível, entre outros

indicadores sistematizados com o

histórico de cada automóvel.

A corretora gerencia 90 mil carros,

pick-ups, caminhões leves e pesados,

semi-reboque e rebocadores de

grandes e médias empresas nacionais

e multinacionais. Do total, 57,7 mil já

fizeram integração para oWebfrota.

O sistema está sendo implantando

em empresas com frotas de 100 a 10

mil veículos e as informações serão

integradas aos sistemas da corretora e

aos das seguradoras. “Nosso sistema

traz uma mudança de cultura na gestão

das frotas e na operacionalização dos

seguros, pois a plataforma eliminará o

uso das planilhas de excel. Os dados

dos veículos são importados para o

Webfrotas e podem ser acessados e

atualizados pelo gestor com iPhone

ou iPad, mesmo ele estando fora da

empresa”, afirma Eugenio Paschoal,

presidente e CEO Marsh Brasil.

10

boletim

Dez anos do Furacão

Katrina

A Allianz Global Corporate &

Specialty (AGCS) emitiu seu novo

boletim de risco. O documento “Furacão

Katrina 10: Gerenciamento de

Catástrofes e Panorama de Riscos de

Vendavais”, que marca os dez anos

do fenômeno natural considerado

como o desastre mais caro da história

da indústria mundial de seguro,

analisa os riscos e perdas causados

por vendavais e examina as lições

aprendidas com o Katrina para a

proteção contra futuras perdas por

tufões decorrentes da crescente instabilidade

climática.

“O Katrina será sempre lembrado

como um desastre natural extraordinário

que não só afetou milhões de

indivíduos e negócios, mas também

deixou um impacto permanente na

indústria de seguros globais”, afirma

Chris Fischer Hirs, CEO da AGCS.

“Prevenção é uma peça chave para

limitar a exposição a vendavais e o

Katrina nos ensinou muitas lições a

esse respeito”, completa.

A maioria dos danos causados

pelo Katrina atingiu o revestimento

dos prédios, comprometendo a cobertura

dos telhados, paredes e janelas.

“Se os códigos de construção fossem

seguidos à risca, o dano causado pelo

vento teria sido bastante reduzido”,

constata James.

aquisição

Aquisição japonesa

Yasuyoshi Karasawa, presidente da

Mitsui Sumitomo Insurance Company

anunciou hoje o acordo de compra de

100% das ações da Amlin plc, companhia

de seguros europeia, por aproximadamente

3.508 milhões de libras

esterlinas.

Detendo o segundo maior consórcio

do Lloyds*, a Amlin ocupa a primeira

posição no segmento marítimo e tem

grande presença em seguros nas áreas de

energia. Com sede em Benelux, mantém

também empresas de resseguro com

hubs na Suíça e Bermudas, utilizando

sua expertise de gerenciamento de riscos

de alto nível.

Os resultados financeiros da adquirida

foram muito positivos no último

ano. Com prêmios emitidos de 2.564

milhões de libras esterlinas, apresentou

um índice combinado de 89%, lucro líquido

de 236 milhões de libras esterlinas

e ROE de 14,1%.

A combinação do portfólio da

Amlin, que está centrada na Europa e

América do Norte, com o portfolio da

Mitsui Sumitomo Insurance, centrada

no Japão e na Ásia, contribuirá para

aumentar o balanço de produtos de

subscrição direta e de resseguro, bem

como o balanço geográfico e diversificação

de riscos.

Sujeito as aprovações dos reguladores,

a conclusão deste processo está

prevista para ocorrer entre janeiro a

março de 2016.


painel

viagem

Mudança de regras

O produto Assistência Viagem passou

a contar com nova regulamentação a partir

de 25 de setembro, tornando-se um seguro.

Em viagens internacionais, os planos

de seguro devem obrigatoriamente

cobrir despesas médicas hospitalares e

odontológicas, traslado de corpo, traslado

médico e regresso sanitário que garante

o retorno do segurado ao local de origem

da viagem ou de seu domicílio, caso este

não se encontre em condições de retornar

como passageiro regular por motivos

médicos causados por eventos cobertos

pelo seguro. Nas viagens nacionais, essa

cobertura será opcional.

As coberturas de despesas médicas

hospitalares e odontológicas deverão

abranger episódios de crise ocasionados

por doença preexistente ou crônica. Tais

coberturas deverão ser aplicadas quando

os casos gerarem quadro clínico de emergência

até o limite do capital segurado,

além das despesas relacionadas, até que

o viajante esteja em condições de seguir

o trajeto ou de retornar à sua residência.

Outra mudança é que, em caso de

impossibilidade do retorno do segurado

por evento coberto o prazo de vigência

das coberturas se estenderá, automaticamente,

até o retorno do segurado

ao local de domicílio ou origem da

viagem.

legislação

Aumenta demanda por garantia judicial

Mais conhecido por fornecer cobertura

em execuções de contratos de grandes

obras, o seguro garantia passa a ter

no segmento judicial um nicho de grande

potencial a ser explorado. A mudança na

Lei 13.043, que em novembro de 2014

incluiu essa modalidade de seguro como

uma das opções de garantia às execuções

fiscais entre as já previstas – depósito

judicial e carta de fiança bancária – está

contribuindo, significativamente, para o

crescimento desse mercado.

Para Rodrigo Loureiro, diretor

de Garantia da consultoria de seguros

Willis, a carteira já foi impactada por

essa mudança na legislação. Dados preliminares

apontam que o primeiro semestre

de 2015 já registrou um crescimento

de mais de 30% em prêmios de seguro

garantia em relação ao mesmo período

do ano passado. Segundo números da

Superintendência de Seguros Privados

(Susep), o volume de prêmios emitidos

em seguro garantia nesse período foi de

R$ 689,3 milhões, sendo cerca de 70%

referente ao segmento judicial.

“Pelo desenvolvimento do mercado,

esperamos que, até o final do ano, o

volume de prêmios totais de seguro de

garantia atinja R$ 1,5 bilhão (em todas as

suas modalidades), o que representará um

crescimento de quase 50% em relação a

2014, cujo número foi de R$ 1,1 bilhão)”,

projeta o executivo.

Para as empresas contratantes, os

principais benefícios do uso do seguro

garantia judicial são o menor custo

frente à opção da fiança bancária e a

possibilidade de utilizar os recursos

monetários que seriam colocados em

depósitos judiciais na operação do dia

a dia e/ou em investimentos que são

melhor remunerados.

“Enquanto o custo do seguro garantia

gira em torno de 0,40% a 1,5% ao ano do

valor segurado, a fiança bancária gira em

torno de 1,5% a 3% ao ano e, ainda, toma

crédito bancário da empresa”, explica

Loureiro. Essa possibilidade de substituir

garantias processuais mais onerosas

pelo seguro de garantia judicial, que

possui regulamentação e fiscalização no

mercado segurador pela Susep, propicia

grande economia às empresas, o que em

tempos de crise econômica se torna uma

excelente vantagem.

12


GENTE

Diretor da sucursal

do RJ

Renovação em diferentes áreas

A Zurich comunicou a designação

de Alexandre Boccia como CEO de

Vida, Previdência e Capitalização para

o Brasil. O presidente se reportará diretamente

a Edson Franco, CEO de Vida e

Previdência para América Latina.

O executivo fundamentou sua carreira

em grupos seguradores e liderou

transformações nestes negócios – especialmente

depois da crise que atingiu a

Europa entre 2009 e 2012.

Em âmbito estadual, Karine Brandão

é a nova diretora Comercial para

Seguros Gerais na filial RJ/ES.

Sérgio Mendonça assume a diretoria

da sucursal Rio de Janeiro da

Porto Seguro, composta por sete sucursais

atuantes no Estado. O executivo

possui experiência de mais de 26 anos

no mercado segurador e volta à cidade

depois de três anos como gerente da

companhia na Mooca, em São Paulo.

Mudança no

interior de SP

Janete Franco Faustino é a

nova gerente comercial da Berkley

no interior do Estado de São Paulo. A

executiva, que conta com 15 anos de

experiência no mercado segurador,

terá como base a Região de Campinas

e fará o atendimento e divulgação das

linhas de negócios da Berkley pelo

interior do Estado.

Direção de benefícios

O médico Gustavo Cruz Quintão

assume o cargo de diretor de Benefícios

Corporativos da MDS Insure.

Entre os desafios do profissional estão

a busca pela inovação, o compromisso

com os resultados da companhia e o

cuidado permanente com a qualidade

do atendimento aos clientes.

“A MDS é uma empresa com

atuação global e tem no seu DNA a

inovação. Nosso papel é trabalhar na

vanguarda, antecipando tendências

e protagonizando as mudanças de

que o mercado necessita. Fazer parte

deste time é ter a oportunidade de

permanecer em desenvolvimento

constante”, afirma Quintão.

Novo diretor comercial

It’sSeg/Barela anuncia Weber Duarte

como o novo diretor comercial. Com

26 anos de experiência em operadoras

de seguros e odontologia – como a Amil,

onde atuou por 20 anos –, o executivo tem

o desafio de cuidar do relacionamento

com corretores, atrair novos parceiros e

iniciar a expansão geográfica da corretora

a partir do Estado de São Paulo.

“Sabemos que há espaço para fortalecer

a marca e estar presente em outras

regiões do Brasil, a partir do modelo

estabelecido em São Paulo, muito bem recebido

pelos corretores”, afirma Duarte.

14


Nova presidência

Helton Freitas é o novo diretor-presidente da Seguros Unimed,

e ocupará o cargo até abril de 2017. A decisão, tomada pelo

Conselho de Administração da companhia, deve-se à vacância

do cargo em razão do falecimento do então diretor-presidente

Rafael Moliterno Neto.

Não há alteração na diretoria executiva e o próximo passo

é encaminhar a decisão do Conselho de Administração da

Seguros Unimed para homologação da Susep.

“Recebo essa missão,

combinando alguns sentimentos:

dor, por ela ter

vindo em decorrência da

perda de um admirável

amigo, leveza, por referendar

um desejo também

expresso do Rafael, e agradecimento

à decisão dos

conselheiros, que depositaram

toda a confiança em

mim para esse momento

importante de nossa companhia”,

declara Freitas.

Sucursal Goiânia

Gilberto Martins é o novo gerente da Capemisa

Seguradora na sucursal de Goiânia. O executivo tem mais

de 18 anos de experiência no mercado de seguros e em

gestão comercial e operacional.

De acordo com Martins, um de seus objetivos é

aumentar, cada vez mais, a participação da companhia

no mercado de seguros da região. Além disso, segundo o

novo gerente, seu

foco é atuar diretamente

com

oscorretores.

“É preciso

estreitar o relacionamento

com

os corretores da

região. Acredito

que, desta forma,

vamos melhorar

os resultados dos

negócios na sucursal”,

comenta

o executivo.


direto de londres

por Luciano Máximo*

Cresce investimentos das

seguradoras europeias

Na coluna Direto de Londres da

edição 199, eu abordei os bastidores da

visita do ministro da Fazenda, Joaquim

Levy, ao Lloyd’s of London. A pedido do

Ministério, foi organizada uma estratégica

reunião de negócios entre Levy e altos

executivos das maiores seguradoras e resseguradoras

europeias. De olho no portfólio

de investimentos trilionários dessas

empresas, o ministro tentou convencê-las

a investir no Brasil, sobretudo em projetos

de infraestrutura. Num momento

em que o país se encontra num caminho

encalacrado para retomar o crescimento

econômico apostando na austeridade

fiscal, Levy sabe que qualquer rota que

leve a novas fontes de recursos para estimular

a atividade da economia pode ser

a entrada num percurso em que a luz do

fim do túnel não pareça lá muito distante.

O ministro da Fazenda pode não

acertar todas, mas uma coisa ele sabe

muito bem: onde o dinheiro está. Na

Europa em 2014, mesmo com economia

em ritmo lento, queda dos preços das

commodities e um mercado financeiro

nada exuberante, com bolsas de valores

e títulos da dívida pública de governos

dando retorno negativo, as seguradoras

conseguiram expandir em quase 10% seu

portfólio de investimentos na comparação

com 2013. De acordo com números divulgados

neste mês pela Insurance Europe,

a federação das seguradoras europeias, o

volume de capital acumulado pelas 4.860

empresas de seguros do Velho Continente

a partir dos prêmios pagos por seus

clientes, além de patrimônio e reservas,

fechou o ano passado em 9,9 trilhões

de euros. Esse valor representa 63% do

Produto Interno Bruto (PIB) de todos os

países-membros da União Europeia. As

16

Michaela Koller, da Insurance Europe

seguradoras do Reino Unido, da Alemanha

e da França respondem por 60% do

total de todos os investimentos do setor.

Mais de 80% dos quase 10 trilhões de

euros investidos por todas as seguradoras

são provenientes dos investimentos de

seguradoras do ramo vida e previdência

privada. Os 20% restantes compõem

o portfólio das empresas do segmento

não-vida. Apesar do baixo retorno oferecido

pelos títulos soberanos europeus

nos últimos anos por causa da crise da

zona do euro, as seguradoras preferem

a estabilidade e o olhar de longo prazo,

apostando 52,4% do total investido em

bonds de governos. Em segundo lugar,

aparecem os fundos de investimentos e de

private equity e as participações em empresas

que, somados, recebem 27,3% do

capital das seguradoras. É nessa categoria

que o ministro Levy está interessado, por

isso vendeu com entusiasmo os projetos

de concessão em infraestrutura do governo

federal aos executivos do setor na

reunião do Lloyds em maio passado. Em

Londres, os operadores das montanhas

de dinheiro das seguradoras esperam o

lançamento dos futuros editais de concessão

de portos, aeroportos, ferrovias,

rodovias e do setor elétrico. Mas não há

nada garantido. Eles são céticos sobre

as promessas de Levy e pressionam por

margens de retorno mais elevadas do que

as que o governo estuda propor.

Além dessas duas categorias de

investimento, as seguradoras investem

os cerca de 20% restantes de seu capital

financeiro em várias outras aplicações,

como empréstimos e depósitos bancários,

financiamentos imobiliários, propriedades

e derivativos. Depois do furacão da

crise internacional de 2008, que afetou

profundamente as seguradoras — quase

quebrando a AIG —, a exposição aos

derivativos é mínima, de apenas 0,2%

dos 9,9 trilhões de euros investidos pelas

seguradoras europeias.

Para o especialista do setor e professor

de finanças Mark Wendon, as

estatísticas recentes que compilam o

desempenho dos investimentos das

seguradoras da Europa mostram que

o aspecto financeiro é “levado muito a

sério” pelas empresas. “Elas formam e

contratam ótimos gestores de recursos,

têm os grandes cérebros do mundo das

finanças, o que é positivo, pois estão

protegendo o cliente que comprou uma

apólice, pois um prêmio de uma apólice

bem investido significa resiliência na

hora de honrar os sinistros, e os sinistros

vêm. Mas há uma crescente insatisfação

desses mesmos clientes sobre o serviço

fim prestado pelas seguradoras, como

atendimento, eficiência dos produtos e

agilidade na cobertura de sinistros. Elas


precisam estar atentas a isso também, não

só ao sobe-e-desce do mercado financeiro”,

adverte Wendon.

Sobre o desejo do ministro Joaquim

Levy de atrair os trilhões das seguradoras

europeias para projetos no Brasil, o

especialista é cético. “Uma seguradora

com um portfólio de 500 bilhões de euros

não vai investir em algo sem retorno

certo e regras claras. Para um projeto

governamental receber funding de uma

seguradora é preciso que seja muito

bem estruturado e satisfaça as regras

de Solvência 2, além das exigências de

investimento da própria empresa, como

grau de investimento e garantia de retorno

num determinado prazo. Se outra agência

de rating rebaixar a nota do governo

brasileiro, por exemplo, as ambições do

ministro da Fazenda de ter seguradoras

como parceiras vão por terra.”

A diretora-geral da Insurance Europe,

Michaela Koller, preferiu não comentar as

intenções do governo brasileiro, mas criticou

as exigências das regras de Solvência

2, que ainda estão em fase de implementação

pelas seguradoras e bancos e tendem

a reduzir a taxa de retorno das empresas.

“A Solvência 2 é uma preocupação, pois

exagera na exigência de reservas para os

riscos que os investimentos das seguradoras

precisam cobrir. Essa exigência tornará

desnecessariamente caro para as seguradoras

continuar fazendo seus investimentos

financeiros, limitando sua capacidade para

continuar entregando uma contribuição tão

significativa para a sociedade [compensação

de riscos]”, explica Michaela.

A executiva acrescentou que embora

seja encorajador que os investimentos

financeiros das seguradoras estejam

crescendo desde 2011, os reguladores europeus

precisam garantir que os níveis de

capital regulatório sejam proporcionais

ao risco real que os investimentos das

seguradoras representam. “Esperamos

que essa questão seja abordada na comissão

responsável pela formulação do

Plano de Investimentos da União Europeia

para permitir que a nossa indústria

continue a desempenhar um papel cada

vez mais importante na sustentação do

crescimento na Europa”, complementou

a diretora-geral da Insurance Europe,

ressaltando que as empresas do setor

segurador são as principais credoras dos

governos europeus e um dos setores que

mais empregam no continente, com mais

de 1 milhão de empregos diretos gerados.

O desempenho financeiro das seguradoras

europeias mostra que o momento

do setor é positivo, apesar de uma economia

que não deverá crescer de forma

muito robusta. O gasto médio per capita

com produtos de seguros no continente

registrado em 2014 foi de 1.967 euros,

superior aos 1.911 euros verificados em

2013 — esse valor é absurdamente alto

se levarmos em conta os padrões brasileiros,

mas os executivos europeus nunca

se mostram satisfeitos, sempre dizem que

há espaço para elevar esse ticket-médio.

Já o ganho com prêmios no continente

cresceu 3,5% no período, para 1,169 trilhão

de euros. Os gastos com pagamentos

de sinistros de todas as seguradoras da

Europa somaram 943 bilhões de euros

no ano passado. Sem considerar custos

operacionais e outras despesas, o setor

fechou no azul, com faturamento de mais

de 150 bilhões de euros em 2014.

* Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o setor de

seguros e resseguros na Gazeta Mercantil

17


produtos | objetos pessoais

Mercado versátil

Comportamento dos

consumidores muda e faz

empresas investirem em

proteções diferenciadas. Dentro

deste novo conceito, seguros

para bens pessoais aparecem

como um caminho em

ascensão

Lívia Sousa

O

seguro de automóvel ainda

predomina no Brasil, mas o

mercado sabe que há uma

infinidade de nichos a serem

explorados, entende a importância

de se trabalhar com novas possibilidades

e já começa a se mexer para isso.

Entre as novidades, se destaca o seguro

para bens pessoais, categoria que reúne

desde objetos de luxo, como jóias, a

aparelhos eletrônicos cada vez mais

tecnológicos.

18

Como esses produtos se encontram

espalhados nos diversos seguros de ramos

elementares, a Superintendência de

Seguros Privados (Susep) não define um

ramo especifico para cada um deles. Assim,

até o momento não há dados oficiais

sobre a evolução dos seguros para bens

pessoais no País, mas considerando que a

economia brasileira passou por uma boa

fase entre 2004 e 2010, é possível que a

receita destas proteções também tenha

crescido. “Indicação disso é o crescimento

médio anual da arrecadação dos seguros

residenciais, que foi de 12% no período

e, portanto, bem acima da inflação; e do

seguro de automóvel, com 11% ao ano na

mesma época”, diz o assessor da diretoria

executiva da Escola Nacional de Seguros,

Lauro Faria.

Aliados ao aumento da renda do

brasileiro nos últimos anos, a alta da procura

por seguros para bens pessoais está

relacionada, segundo o executivo, a fatores

mais permanentes e específicos ao merca-


Lauro Faria, da Escola Nacional

❙❙de Seguros

do, como a maior divulgação e oferta de

novos produtos e a maior conscientização

por parte dos consumidores. A percepção

da situação de risco, que nas grandes cidades

é elevada principalmente quando se

trata de roubos e furtos, também contribui

para a elevação na demanda.

Celular desperta

conscientização do seguro

Em linhas gerais, os seguros para

bens pessoais ainda são poucos difundidos

no Brasil e, por isso, a maioria

das pessoas não tem o costume de proteger

pequenos itens. No entanto, esta

percepção apresentou grande mudança

quando o assunto é celular e smartphone,

mesmo que os aparelhos tenham vida

útil delimitada. Talvez seja por isso que,

dos seguros para bens pessoais, o mais

conhecido e procurado é a proteção para

esses aparelhos.

“Houve uma mudança do significado

do celular para o dia a dia das pessoas.

Ele se transformou em uma ferramenta de

trabalho, acesso à internet, pagamento de

contas e contato com o mundo”, lembra

Heloisa Minetto, gerente de marketing da

Conecta Serviços.

A ferramenta é indispensável e,

por conta disso, o maior receio do proprietário

é ter o aparelho roubado, ação

frequente no País. Segundo a Associação

Brasileira de Recursos em Telecomunicações

(ABR Telecom), o Brasil já

soma mais de cinco milhões de celula-

res bloqueados por roubo ou perda. O

número, 2% maior que o contabilizado

em dezembro de 2014, é equivalente à

média mensal de smartphones vendidos

no Brasil no terceiro trimestre do mesmo

ano, quando as lojas do varejo bateram

recorde neste segmento.

Hoje, os celulares demandam um

investimento mais alto – em média de

R$ 1 mil. Independente da classe social

e da disposição geográfica do contratante,

quem adquire um seguro para o aparelho

compreende que é possível restituir o bem

ao invés de assumir uma nova compra

não planejada no orçamento. A franquia

vai de 19% a 25% do valor do aparelho,

conforme a cobertura escolhida.

“O cliente contrata a proteção que

mais se adequa ao seu perfil. O ticket médio

fica com a cobertura de quebra acidental,

já o de baixo valor procura por seguros

contra roubo e furto. Quem possui maior

poder aquisitivo adere ao ‘combo’, que une

as duas coberturas e garante tranquilidade

total”, explica Pascoal Carrazzone, diretor

comercial da divisão mobile da Assurant

Solutions. A seguradora mantém parceria

com três operadoras de telefonia e, para

os clientes de uma delas, também oferece

proteção financeira.

Com os aparelhos cada vez mais

caros, a Conecta registrou alta de 100%

na base de clientes segurados no último

ano. Mas Heloisa Minetto aponta que,

mesmo assim, a base de consumidores

Paulo Kalassa, da Kalassa Brasil

❙❙Insurance

❙❙Heloisa Minetto, da Conecta Serviços

de seguro para telefonia móvel não chega

a 1% do volume total de aparelhos no

mercado nacional. “Ou seja, ainda é um

mercado embrionário em franca expansão”,

reforça.

Não há dúvidas que há espaço para

crescimento. A empresa de consultoria

para a indústria de telecomunicações

Signals and Systems Telecom (SNS)

estima que o mercado global de seguros

para telefones móveis termine 2015 com

receita de aproximadamente US$ 31

bilhões. Em estudo, a companhia projeta

ainda que a taxa anual de crescimento

do setor seja de 10% nos próximos cinco

anos, alcançando mais R$ 48 bilhões em

receita até o final de 2020.

Até lá, será necessário acompanhar

cada passo dado por este ramo. “O mercado

de telefonia em geral evoluiu muito,

está em constante evolução, se reinventa

a todo momento e exige que criemos

novas soluções para o consumidor final”,

completa Carrazzone.

Para bicicletas, demanda é

mais antiga

Dados divulgados pelo Ministério do

Turismo apontam que o Brasil conta com

1,6 mil quilômetros de ciclovias e ciclofaixas

e, segundo um levantamento da União

dos Ciclistas do Brasil (UCB), a maior

parte desta malha cicloviária se concentra

em Brasília, com 440 quilômetros; seguida

do Rio de Janeiro (374 quilômetros) e

de São Paulo (265,5 quilômetros).

19


produtos | objetos pessoais

Em São Paulo, aliás, o número de

bikes que circulam pela Avenida Paulista

em horário de pico cresceu 279% desde a

inauguração da ciclovia no local, em 28

de junho deste ano. A primeira contagem

da Companhia de Engenharia de Tráfego

(CET), feita em setembro de 2014, apontava

254 bicicletas. Já em 30 de junho

deste ano, dois dias depois da abertura da

ciclovia, o número passou para 963.

Mesmo em meio às polêmicas, a

tendência é que a medida atraia novos

ciclistas e faça com que os veteranos passem

a pedalar ainda mais, seja por lazer

ou para utilizar a bicicleta como transporte

alternativo no dia-a-dia. E passando mais

tempo nas ruas, as bicicletas ficam mais

vulneráveis a roubos e furtos. De janeiro

de 2014 a junho deste ano, somente o 93º

Distrito Policial (DP) de Jaguaré, Zona

Oeste de São Paulo, registrou 20 furtos e

25 roubos. O 14º DP de Pinheiros somou

28 e 7, respectivamente; e o 1º DP da Sé,

2 roubos e 26 furtos. As ações também se

estendem para os bairros de classe média,

como Itaim Bibi (21 furtos e 2 roubos) e

Perdizes (17 furtos). “Infelizmente não

há um cadastro ou documento legal de

posse de uma bike, o que dificulta muito

a recuperação em caso de roubo”, declara

o sócio-diretor da corretora Kalassa Brasil

Insurance, Paulo Kalassa.

O curioso é que, antes mesmo da

abertura das novas ciclovias na cidade,

o registro de seguros para as “magrelas”

Luiz Fernando Giovannini, da Estar

❙❙Seguro

20

já havia triplicado: em 2010, o Sincor-SP

somava 350 bikes seguradas, número que

saltou para 1,2 mil em 2014. “O mercado

de seguros para bicicletas evoluiu por

conta da visibilidade do produto”, lembra

Luiz Fernando Giovannini, sócio-diretor

da também corretora Estar Seguro.

“O custo do seguro fica na ordem de

R$ 500 ao ano, cifra que pode variar de

acordo com o valor da bike e dos acessórios”,

diz Kalassa. O produto é contratado

por pessoas de todas as classes esportivas

e de lazer, que na maioria dos casos tem

como primeira necessidade a proteção

contra roubo e furto enquanto pedala,

transporta ou até mesmo quando a bike

se encontra dentro da própria residência.

Segundo Giovannini, havendo outras

coberturas o cliente pode avaliar o que

incluir. “Diria que este seguro é um pouco

diferente das proteções tradicionais”,

pontua. Danos causados pelo veículo

transportador (como colisão) também

são segurados, desde que a bike esteja

devidamente alocada em racks ou thule.

Acessórios

Dicas de contratação

❙❙Guilherme Olivetti, da Chubb Seguros

Muita gente não sabe, mas joias e

relógios também podem ser segurados.

“A demanda ainda é tímida não só por

desconhecimento, mas porque alguns

segurados não se sentem confortáveis

Assim como nos seguros tradicionais, ao contratar uma proteção

para bens pessoais é importante prestar atenção aos

riscos excluídos. Lauro Faria, da Escola Nacional de Seguros,

pontua quais itens geralmente não são considerados por estes produtos:

- Em caso de quebra do bem, o seguro só cobre o dano causado

por acidente, incêndio, queda de raio, impacto de veículo ou tentativa

de roubo. Se o segurado, por descuido, deixou o celular na chuva e ele

parou de funcionar, o seguro não cobre;

- Furto simples, furto de bem deixado dentro de veículo (exceto em

caso de roubo do veículo), extravio, perda ou desaparecimento, subtração

sem violência ou grave ameaça e bens deixados em áreas abertas

também são exclusões;

- Nos seguros para bens de luxo, a aprovação e detalhamento das

coberturas das apólices são feitos com o apoio da avaliação de especialistas

responsáveis pela elaboração de um relatório. O documento

detalha os bens e as sugestões de adoção de medidas de prevenção à

segurança pessoal e patrimonial, de acordo com o perfil do segurado.

No caso de obras de arte, a melhor forma de se obter uma avaliação

é procurar um escritório de arte conceituado. Geralmente, as obras

avaliadas possuem laudo de autenticidade e valor de mercado, serviço

conhecido como expertise;

- Para as joias, o seguro não garante o valor afetivo. A avaliação pode

ser feita por um designer ou joalheiro reconhecido no mercado. Das particularidades

desses bens deriva a diferença do cálculo entre os seguros de

automóvel e de obras de arte, joias, acervos particulares e coleções valiosas.


Antonio Sergio Fernandes, da Ace

❙ ❙Seguros

ao abrir detalhes do seu patrimônio no

momento da contratação do produto”,

explica o gerente de Linhas Pessoais da

Chubb Seguros, Guilherme Olivetti. Ao

trabalhar com proteção para os objetos

de luxo, o corretor necessita de mais informações

sobre o segurado para indicar

a ele o produto mais adequado.

A Chubb parece trilhar o caminho

certo. Comercializando seguros para

jóias e relógios dentro de outros produtos,

como All Risks (cobertura completa

que protege o segurado em qualquer

evento ou lugar) e seguro residencial (que

garante a cobertura somente dentro da

residência do cliente), a companhia teve

um aumento de 30% a 35% na demanda,

mas sabe que o potencial do mercado é

maior. “Acredito que estar protegido é só

um dos motivos. Este tipo de seguro vai

além da proteção. Você também acaba

comprando um serviço. Por isso, vale a

pena”, destaca Olivetti.

As maiores demandas são para

roubo e furto, seguindo as demais proteções.

Mas é importante lembrar a existência

de outros riscos – como incêndio,

por exemplo, que mesmo não atingindo

toda uma residência pode acontecer

em apenas um cômodo e causar danos

parciais aos objetos.

Tão interessante e desconhecido

quanto é o seguro para bolsas e pastas,

objetos que normalmente as pessoas levam

consigo, de um lugar para outro. No Brasil,

o produto é comercializado pela Ace

Seguros e cobre o segurado em caso de

roubo ou furto qualificado de sua bolsa ou

pasta pessoal, incluindo os pertences que

estiverem dentro. Entre estes itens podem

constar carteira, chaves, maquiagem,

cigarros, isqueiro, óculos de sol e outros.

“Para obter a indenização, basta apresentar

as notas fiscais referentes aos produtos”,

diz Antonio Sergio Fernandes, gerente de

Subscrição/Afinidades da empresa.

Os produtos são vendidos em parceria

com corretores de seguros, por meio

de patrocinadores (sponsors) que podem

ser empresas e associações públicas ou

privadas que, em comum, possuem amplas

carteiras de clientes ou associados.

Esta forma de distribuição é conhecida

como “seguros por afinidade”, segmento

no qual a Ace reúne mais de seis milhões

de clientes segurados.


oportunidades | mercado

Encontrando

caminhos

O que é mais

importante, novos

produtos ou novas

maneiras de atuação?

Especialistas do

mercado falam sobre

a importância de aliar

inovações a melhores

práticas de venda

22

Amanda Cruz

Uma indústria que se reinventa

a cada crise, principalmente

porque sabe que tem espaço

para crescer e para investir

em novas tecnologias, novas abordagens

e novos produtos. Muito já existe nas

prateleiras do mercado de seguros, alguns

à mão, prontos para serem usados,

outros esperando serem resgatados e

aprimorados para que o mercado mostre

ainda mais seu potencial. A frase “apesar

da crise” parece ser o mote dos últimos

meses para quem quer continuar crescendo;

o mercado de seguros quer mostrar,

na prática, como isso é possível.

O trunfo para gerir bem esse momento

é ter boa perspectiva de crescimento,

o que quer dizer que o mercado ainda

tem um longo caminho a percorrer para

atingir sua maturidade e precisa fazer

isso driblando as dificuldades dos outros

setores. Os corretores e as seguradoras de

diversos ramos perceberam essa necessidade,

cada um em sua área de atuação, e

apresentaram à Revista Apólice quais são

suas estratégias e novidades para levar o

setor adiante.

Para Carlos Ronaldo Paes Ferreira,

diretor da Rodobens Corretora de Seguros,

a área de seguros para caminhões foi


atingida, mas outra área desponta como

favorita em crescimento para esse ano.

“Atuamos em diversas frentes, em algumas

vamos muito bem, como é o caso da

área de benefícios, que com um trabalho

de prospecção tem dado bastante certo”,

aponta. Já a área de transportes, para Ferreira,

tem sido a mais difícil. O primeiro

trimestre até apresentou resultado positivo

por conta das faturas de final de ano, mas

o ramo vem sentindo a redução em suas

cargas. “O volume de cargas está em 70%

do que costumava ser e o valor de prêmio

desse seguro também caiu”, afirma.

Para a Rodobens, o seguro auto

não foi muito sentido por causa de sua

parceria com montadoras como Toyota e

Mercedez, dois nomes que vêm resistindo

à maré turbulenta do mercado automobilístico.

No mercado de caminhões é

diferente, a queda na venda de novos

caminhões foi de 40%.

Mesmo assim, ainda pode ser cedo

para falar do impacto das reviravoltas

econômicas no mercado. Especialistas

acreditam que esse impacto não vem

de uma vez, mas vem se mostrando a

cada renovação, mês a mês, e isso passa

a ser positivo à medida que o corretor

balanceia suas ações para criar as, já

famosas no mercado, oportunidades na

crise. “Na verdade, nos preparamos com

diversificação dentro das linhas de negócio.

É verdade que mais de uma linha

tem retração, mas isso se compensa pela

preocupação em adquirir seguros como

❙❙Carlos Paes Ferreira, da Rodobens

meio de proteção financeira, por exemplo”,

garante Evandro Baptistini, diretor

Comercial da PAN Seguros.

José Otávio, CEO da corretora

Willis, endossa essa visão e diz que “os

clientes sofreram muito e nós também”,

mas que a preocupação com proteção

existe mais do que nunca e a assessoria

se faz necessária nesse momento, para

mitigar riscos e ganhar condições de

continuar prestando serviços. “Assim

como em outros mercados, fomos afetados,

mas a área de seguros está descolada

da economia, não é uma catástrofe, mas

entendemos que os clientes estão pedindo

mais resiliência”, declara.

Portanto, um trabalho em conjunto se

faz necessário. O corretor não terá meios

de se empenhar em suas vendas se não

tiver uma cadeia de sustentação que o leve

ao consumidor final com bons produtos.

Aprimoramento de processos de vendas,

meios de cobrança com alta capilaridade

e processos simplificados, como um bom

sistema de vendas online, são etapas que

precisam estar presentes antes mesmo de

se pensar em fazer novos produtos. “A

visão que temos é que o pequeno corretor

passe a distribuir produtos não convencionais,

auto e saúde têm o ticket médio e o

valor de comissionamento mais alto do

mercado, mas existe um outro lado que

deve ser explorado que é vender produtos

com valores mais baixos, mas que trazem

ao corretor uma receita recorrente, pois

são produtos de alta persistência, que raramente

são cancelados”, explica Baptistini.

Bóris Ber, 1° vice-presidente do

Sincor-SP, lembra que a entidade tem

falado muito sobre empreendedorismo a

seus corretores. “O corretor tem em mãos

o melhor cadastro possível, que contém

dados como idade, estado civil, profissão,

veículo que possui, filhos etc. e se o corretor

investir um tempo nesse cadastro

verá a quantidade de oportunidades de

novos produtos a serem oferecidos e irá

rentabilizar sem o esforço de prospectar

novos clientes”, indica.

Medidas oportunas

Há trabalho a ser feito, seja em novos

produtos, seja investindo em aprimoramento

do que já existe. Ferreira afirma que

o público de transportadoras e caminhoneiros,

sejam PF ou PJ, que são clientes já

tradicionais e fidelizados da corretora, são

alvo para novas contratações. “Tínhamos

uma empresa de gerenciamento de riscos

que só metade da base de clientes havia

contratado. Outro exemplo são os equipamentos

dentro dos caminhões, guinchos

ou munques que precisavam de proteção

e nos proporcionou trabalhar melhor a

carteira de riscos diversos e entender para

quem interessaria vender esses produtos

diferenciados”, conta.

Além disso, outras questões vêm

ganhando importância no mercado. O

Seguro de RC Ambiental, por exemplo,

que tinha pouca expressividade há algum

tempo, passou a ter mais espaço

assim que foi percebida a necessidade

de determinados clientes, que antes era

ignorada. Para o diretor da Rodobens “a

maior oportunidade está dentro de casa”.

Ber dá um exemplo de como isso

pode ser feito em outras áreas. Um casal

com dois filhos pode receber uma oferta

de seguro de vida para cada um deles

no momento da renovação da apólice

de automóvel, ou um seguro residencial

para essa família. “O mercado não está

tão comprador, mas o corretor precisa

mostrar que esse seguro garantirá que o

consumidor evite um dano muito maior,

como o de precisar repor, sem auxílio,

uma casa ou um carro”, explica.

Esse processo, chamado cross seling,

têm sido bastante difundido, mas

ainda precisa fazer mais parte da vida

❙❙Evandro Baptistini, da Pan Seguros

23


oportunidades | mercado

❙❙José Otávio, da Willis Brasil

24

do corretor para ter mais efetividade.

Muitas vezes, o profissional conhece

a técnica na teoria, mas não costuma

implementá-la dentro de sua corretora.

Mas caso ele já seja adepto dessas

práticas, os novos produtos podem ser

uma oportunidade atrativa.

A Swett & Crowford trabalha para

retomar produtos de seguros que haviam

sido abandonados, mas que têm

nichos demandados em alguns locais

específicos, especialmente fora do

eixo Rio - São Paulo. “Estamos descobrindo

nesses locais onde instalamos

novos escritórios as peculiaridades de

demanda, como as do setor moveleiro,

de calçados, agronegócio etc. Visitando

essas regiões, tentamos entender qual

negócio eles não conseguem fazer colocação

de risco, pesquisamos e vemos

se é possível atender esse nicho”, explica

Rogério Santos, diretor de resseguro da

empresa. Situações sem seguro não são

tão incomuns para alguns segmentos

específicos, como os citados por Santos.

O agronegócio, por exemplo, encontra

dificuldade em segurar seus estoques,

grandes varejistas atuam com seus armazéns

e estoques sem proteção ou com

condições muito restritas de coberturas,

o que pode ser resolvido com uma parceria

entre seguradoras e resseguradoras,

juntamente com corretores, que se

proponham a levantar dados, redesenhar

e suprir essa demanda. “Ainda existe

resistência de algumas companhias.

Dependendo do tipo de negócios que

estamos levando, mesmo disponibilizando

a capacidade de resseguro, ela

pode ou não querer participar. Mas,

muitas delas, se mostram interessadas

porque sabem que essa concentração

de negócio pode trazer um ganho de

escala e uma oportunidade para ela

voltar a atuar em um ramo que estava

esquecido”, salienta Santos.

Seja atualizando o banco de dados,

ajudando a desenhar novos produtos,

correndo atrás dos clientes que ainda não

têm os seguros mais “básicos” como vida,

saúde, residencial ou plano previdência

privada ou aliando-se à tecnologia para

trazer inovação, os players do mercado

parecem ter uma necessidade de mudança,

renovação. Muitos dos entrevistados

afirmam que produtos novos não são,

necessariamente, a maior necessidade do

mercado, que o Brasil possui um grande

leque de opções, mas que falta cultura

suficiente, tanto por parte dos clientes

quanto por parte do segurador e do corretor,

para perceber quais são as reais

demandas ou os prováveis ajustes para

que o produto funcione como deveria.

“Estamos muito mais preocupados com


oportunidades | mercado

os canais novos de distribuição. Além

disso, temos estudos para desenvolver

mercado fora do eixo Rio-São Paulo”,

conta Otávio.

A verdade é que todos estão se mexendo,

procurando por soluções antes que

as dificuldades cheguem com mais força.

“O seguro de automóvel foi o responsável

por nos conduzir até aqui, mas eu não sei

se o seguro auto nos conduzirá daqui pra

frente. Áreas como benefícios e garantia,

com E&O, RC, saúde, odonto e vida, por

exemplo, podem ser apostas mais certeiras

daqui pra frente. O que fico surpreso é que

quando falamos isso para o corretor é que

ele percebe que o esforço para oferecer

diferentes seguros para o mesmo cliente

é muito pequeno perto da expansão que

ele pode ter”, afirma Bóris Ber.

Apostas

Entre tantas possibilidades, destacam-se

algumas das princpais apostas

para os próximos anos. Os portáteis

como smartphones, tablets, câmeras,

filmadoras etc, para o executivo da PAN,

têm potencial para serem os próximos

bens mais segurados pelas características

de seus riscos, são aparelhos

que estão sempre em trânsito com uso

tanto para assuntos pessoais quanto para

assuntos profissionais. A proteção de

conteúdo, fotos e informações também

é uma preocupação. Veja mais informações

sobre seguros para bens pessoais

em nossa matéria especial na página 18.

❙❙Boris Ber, do Sincor-SP

26

❙❙Rogerio Santos, da Swett & Crowford

Os seguros voltados à proteção de executivos

com cargos altos, ou profissionais

que possam ter suas carreiras comprometidas

em determinadas situações tiveram

alta e parecem ser a estrela em tempos de

dificuldade, já que as companhias têm se

preocupado mais com essas questões depois

que grandes empresas começaram a

ter problemas relacionados a seus planos de

compliance. “Acredito que produtos como

cyber risk são muito interessantes, embora

não estejam muito desenvolvidos. Mas ele

deve ser mais estudado e sua aplicabilidade

deve ser estudada, assim como o D&O”,

afirma José Otávio.

O RC, em suas mais variadas formas,

também deverá ter o seu espaço.

O seguro para profissionais como médicos,

advogados, dentistas, corretores de

imóveis e corretores de seguros, entre

outros. “Pode acontecer de um corretor

fazer uma avaliação não adequada e

causar prejuízo financeiro, não dar informações

relevantes, ele pode não ser

diligente em uma análise de uma transação,

tudo isso leva a uma indenização

e o seguro vem pra cobrir essa questão”,

ressalta Baptistini.

Pouco comentado, o RC Familiar

também tem amplas coberturas e pouca

divulgação. Assuntos domésticos podem

ser resolvidos com essa modalidade. Alguém

que escorrega em um piso molhado

ou um cachorro que morde um vizinho

são eventos que têm cobertura nesse tipo

de apólice.

Esses assuntos de ordem doméstica

têm chegado com força no mercado e

os animais de estimação também têm

espaço. A Brasil Assistência oferece

um produto voltado para Pet’s que tem

sido um diferencial importante para a

empresa. Almir Fernandes, presidente

da companhia, destaca que a ideia surgiu

há quatro anos, quando um estudo de

mercado constatou crescimento do número

de famílias que criam pets e como

eles recebem cuidados especiais, sendo

considerados membros da família. Entre

os serviços oferecidos estão veterinários

credenciados, implantação de microchip,

transporte emergencial, informações

sobre vacinas e aplicação das mesmas

em domicílio, além de orientação veterinária

por telefone. “Há perspectiva de

crescimento da população pet no Brasil.

Atualmente, o país é o segundo entre os

maiores mercados mundiais para produtos

de animais domésticos, por exemplo.

É por este motivo que desenvolvemos esse

serviço para que esse público possa ser

atendido”, afirma Fernandes.

De acordo com dados da companhia,

foi computado, de janeiro de 2014 a janeiro

de 2015, um incremente de 110% em

novas adesões. Esse número mostra que a

oportunidade de investimento é alta e que

a criatividade é muito importante para

que o setor cresça, mas as oportunidades

e o incremento das carteiras podem estar

muito mais perto do cotidiano do que de

idéias de novos produtos mirabolantes.

❙❙Almir Fernandes, da Brasil Assistência


impacto | longevidade

Vida longa e

saudável

28

Maior desafio do

futuro será viver bem

o ciclo que começa

a partir dos 80 anos,

a quarta-idade.

Especialistas falam

sobre o que precisa

mudar para atender

este público

Kelly Lubiato

A

partir dos 60 anos, o brasileiro

já passa a ser protegido pelo

Estatuto do Idoso, um conjunto

de regras destinado a

regular os direitos assegurados às pessoas

nesta faixa etária, com o principal objetivo

de preservar a sua saúde, seu bem-

-estar e sua dignidade. Para atender este

público, é necessário haver adequações

em todas as esferas, o que inclui também

o mercado de seguros.

“As cidades ainda não estão preparadas

para suportar uma população

envelhecida. Cadê as rampas?”, questiona

Claudio Contador, diretor do Centro de

Pesquisas da Escola Nacional de Seguros,

avaliando que, por exemplo, os banheiros

e portas não são adequados aos que necessitam

de cadeiras de rodas.

O que o Brasil poderá fazer é afastar

as pessoas com mais idade para a responsabilidade

do Governo. O mundo acordou

tarde, porque este fenômeno do envelhecimento

da população começou há cerca

de 30 anos. “Nós envelhecemos antes de

enriquecer, ao contrário dos países da Europa

e Estados Unidos”, alerta Contador.

“O que o mercado não pode fazer é

simplesmente agravar o preço do seguro


Paulo Rodrigues

❙❙Claudio Contador, da ENS

saúde, como ele está acostumado a fazer”,

antecipa a presidente da AIDA Brasil,

Angélica Carlini, acrescentando que

esta é uma iniciativa muito complicada

na fase da vida em que as pessoas estão

ganhando menos.

“Os impactos da longevidade podem

chegar a várias carteiras, como o automóvel,

porque a pessoa vai bater mais,

pois seus reflexos não serão os mesmos,

por mais que a aparência seja a mesma.

Temos sabedoria, mas que nem sempre é

suficiente para nos livrar de situações em

que o reflexo seja necessário”. Na carteira

de acidentes pessoais, este impacto pode

vir na forma de uma quantidade maior

de pequenos eventos, porque as pessoas

vão cair mais, tropeçar e se cortar mais.

Os sinistros podem ser pequenos, mas

suas consequências são maiores porque

as pessoas podem ter diabetes, precisam

ter a pressão arterial controlada.

Revolução

Estamos face à uma revolução da

longevidade. Ela acontece de súbito e

tem impacto em toda a sociedade. Hoje,

há mais pessoas vivas com mais de 60

anos do que pessoas que chegaram a

esta idade ao longo de toda a história

da humanidade.

A população mundial, que no ano

2000 era de 6 bilhões, passará para 8,9

bilhões em 2050. Nesse comparativo, a

população de pessoas com mais de 60

anos saltará de 0,6 bilhão para 2 bilhões,

com aumento maior nos países em desenvolvimento.

No Brasil, há cerca de

23 milhões de idosos (dados de 2012),

com perspectiva de chegar 64 milhões

em 2050.

O grande gasto em saúde está no último

ano de vida da população. A expectativa

de vida ao nascer do brasileiro, em

2013, era de 74,9 anos. A principal causa

de morte de idosos são as doenças crônicas.

“ É a transição epidemiológica que

se segue de mãos dados com a evolução

demográfica”, diz Alexandre Kalache,

presidente do Centro Internacional de

Longevidade, durante evento organizado

pelo jornal Folha de S.Paulo.

❙❙Angélica Carlini, da AIDA Brasil

O acesso a serviços, dignidade e

renda abre possibilidades de escolha.

As pessoas sem renda, doentes, não

têm o privilégio de escolha e permanecerão

à margem da sociedade. O

envelhecimento será diferente a partir

dos baby boomers, que já contribuíram

para a sociedade de várias formas. “Assim

como nós criamos a adolescência,

agora estamos vendo o crescimento dos

gerontolescentes (20-30 anos a mais). É

uma construção que está reinventando

a velhice”, antecipa Kalache.

Entretanto, o professor da Universidade

de Chicago, Jay Olshansky, avaliou

que a longevidade não pode ir além dos

limites impostos ao nosso corpo pela

biologia. “É biologicamente impossível

para quase todo mundo viver além dos

cem anos. Parte do problema são as mudanças

que acontecem nos componentes

do corpo que não se replicam: fibras

musculares e neurônios. Não há muito

que possamos fazer”, resigna-se.

O estudioso argumenta que com os

conselhos que existem atualmente, de

cuidar das doenças crônicas, incentivar

hábitos saudáveis como comer bem, fazer

exercícios etc., talvez se consiga apenas

um prolongamento da velhice.

Mercado de Seguros

O seguro saúde é um dos que mais

vai mudar de conceito nos próximos

anos, na maneira como remunera os

prestadores e no relacionamento com

os consumidores. O vice-presidente de

saúde e odonto da SulAmérica, Maurício

Lopes, afirma que para ter custos

melhores e poder atender a terceira

idade, os prestadores devem enxergar o

paciente como um todo, principalmente

para controle das doenças crônicas, que

são a maior causa de “sinistros” neste

período.

Como exemplo, Lopes cita uma pessoa

com problema de coluna. Ela pode ter

a indicação de uma cirurgia na coluna,

mas, antes de realizar o procedimento,

é preciso uma segunda opinião médica.

Caso a indicação seja de tratamento

clínico, o pagamento do prestador será

de acordo com a situação do paciente e

não de quantas vezes ele visita a clínica.

“Estes arranjos entram numa política de

❙❙Alexandre Kalache, do CIL

29


impacto | longevidade

ganha-ganha, e são fundamentais para o

maior conhecimento do paciente, o que

será primordial para os pacientes mais

longevos”, acredita Lopes.

Assim, a seguradora pretende mudar

a gestão da saúde, tratando o paciente

com uma equipe multidisciplinar com

geriatra, nutricionista, enfermeira, cardiologista

entre outros, capazes de tratar

o paciente de forma holística. “Temos

que acolhê-lo em um núcleo multidisciplinar,

com um atendimento permanente

e de longo prazo, para drená-lo da

unidade de atendimento emergencial”,

explica Lopes.

Este trabalho já é realizado pela

companhia, com o acompanhamento de 5

mil beneficiários. A quantidade média de

diárias de internação no grupo de controle

reduziu 31%. O grau de satisfação deste

grupo é de 83%, segundo informa Lopes.

O mais importante é inserir as

pessoas de determinado grupo de risco

em ações efetivas que a distanciem dos

gatilhos agudos para as doenças. Os

programas atuais querem que os obesos,

por exemplo, tenham hábitos mais

saudáveis, abandonem o sedentarismo,

mas dentro de práticas e objetivos que

ele consegue alcançar.

Lopes explica que a causa raiz da

maioria dos problemas crônicos pode

ser reduzida a quatro itens: alimentação,

sedentarismo, tabagismo e estresse. “Se

nós, como sociedade, déssemos um passo

para trás e conseguíssemos atacar estes

Jay Olshansky, da Universidade

❙❙de Chicago

30

❙❙Maurício Lopes, da SulAmérica

quatro pilares haveria uma redução das

despesas e dos gastos com saúde.

O impacto da longevidade para os

planos de previdência privada, pelo lado

da solvência dos planos, pode ser negativo,

porque foram vendidos há muitos anos

e têm que manter as bases técnicas da

época da contratação. “Com o aumento

da expectativa de vida, precisamos ter

provisão para este fim”, explica o diretor

de Vida e Previdência da Bradesco Seguros,

Jair Lacerda. Por outro lado, para o

seguro de vida o impacto é positivo, pois

o pagamento do sinistro é adiado com a

longevidade.

Lacerda ressalta que as empresas de

previdência privada trabalham atuarialmente

com uma expectativa de vida que

vai se elevando à medida que as pessoas

envelhecem. “As seguradoras estão equilibradas

por conta de duas premissas do

cálculo atuarial: expectativa de vida e

taxa de juros real”. As provisões vão sendo

atualizadas de acordo com os fundos

nos quais os valores estão investidos.

Nas carteiras que usam tábuas de

mortalidade desatualizadas, por outro

lado, os ativos que foram adquiridos para

fazer o lastro das obrigações, também

foram adquiridos com taxas superiores

às do contrato. “A diferença compensa,

na maioria dos casos, o incremento de

sobrevida. O mercado está bastante

solvente em relação às estas carteiras”,

garante Lacerda.

❙❙Jair Lacerda, da Bradesco Seguros

O futuro

A tecnologia pode contribuir muito

para diminuir os custos destes produtos

para um público longevo. A partir de informações

disponíveis, é possível fazer a

subscrição exata do risco. “Se eu tenho

uma pessoa de 70 anos bem cuidada,

que vai ao médico, se alimenta bem,

ela deve ser destacada da multidão. “Às

vezes só pelo perfil de consumo de uma

pessoa já se sabe se é um bom risco ou

um risco agravado. Com isso, é possível

vender um produto mais adequado”,

afirma Lacerda.

Entretanto, ele afirma que o mercado

precisa ser um pouco mais realista, porque

o Brasil enfrenta um período de judicialização

das operações que é bastante

grave. No passado, as decisões judiciais

fizeram com que o mercado se retraísse.

O risco de se criar produtos específicos

para pessoas acima de 60 anos está na

legislação em vigor, que coloca o idoso

como ente hipossuficiente. Desta forma,

algumas coberturas podem ser exigidas

sem que estejam previstas em contrato,

como o pagamento para um tipo muito

específico de câncer, por exemplo.

Lacerda avalia que há duas questões

que precisam ser trabalhadas: judicialização

e tecnologia. “ Somente a subscrição

adequada do risco torna possível a venda

de produtos para pessoas com idade mais

avançada. Para entrar neste grupo, as pessoas

deverão ser mais saudáveis, parar de

fumar, emagrecer e comer melhor”.


produto | economia

Mais uma etapa para

o VGBL Saúde

Pleiteado há quase uma década pelo mercado de seguros, depende do

Senado a aprovação de projeto que viabiliza poupança para arcar com

planos de saúde após aposentadoria

Amanda Cruz

32

Há quase uma década, o mercado

luta para emplacar um

produto voltado para aqueles

que procuram mais estabilidade

em relação à utilização de plano

de saúde depois de sua aposentadoria.

Já no início de 2015, o presidente da Fenaprevi,

Osvaldo Nascimento, afirmou

que o VGBL Saúde seria liberado ainda

aquele semestre. Tardou um pouco

mais do que o esperado, mas a aprovação

na Câmara dos Deputados chegou.

O produto, que teve seu início nas

mãos de Armando Vergílio, hoje presidente

da Fenacor, passou por diversas

modificações até ser aprovado, no dia 27

de agosto, como o Projeto de Lei 10/15,

com autoria do Deputado Lucas Vergílio

(SD-GO). Agora, irá para aprovação no

Senado, mas o mercado parece já estar se

preparando para a aprovação. “O VGBL

Saúde é um projeto que perseguimos há

anos e, por isso, já estamos avançados

para oferecer esse produto - aguardamos

apenas sua aprovação no Senado”, garante

Silas Devai Júnior, superintendente de

Vida e Previdência da Seguros Unimed.

Um dos pontos cruciais da proposta

é que empresários ajudem a custear planos

de seguro com cobertura de sobrevivência

para seus colaboradores depois

que esses forem desligados das empresas

e, consequentemente, dos planos de


saúde que elas oferecem, por demissão

ou aposentadoria. Em contrapartida, as

empresas receberão benefícios fiscais

que já são aplicados na previdência

complementar.

Em um processo de poupança de

longo prazo, o VGBL também se apresenta

como um diferencial de benefício

para funcionários. “As características

desse produto são semelhantes às do

VGBL, o que o diferencia é que a acumulação

dos recursos é somente para

custear as despesas do plano de saúde,

que é feita diretamente a uma operadora

(indicada pelo participante)”, explica

Devai. Outra diferença está na tributação

do plano, que permite a isenção de Imposto

de Renda, tanto durante o período

de acúmulo desses valores. Quanto no

momento do repasse ao plano de saúde.

Durante a trajetória do projeto de

lei, muito se falou da possibilidade do

produto ser enxergado como venda

casada, fazendo com que o beneficiário

fosse obrigado a contratar o produto

juntamente com o plano de saúde para

o qual ele seria destinado, mas é importante

ressaltar que as duas vendas devem

ser feitas de maneiras independentes. A

judicialização pode ser possível, caso o

cliente não saiba que a contratação do

VGBL Saúde em nada tem a ver com

os tipos de coberturas que deverão ser

disponibilizadas pelo plano de saúde.

Essa decisão de passar o valor acumulado

da seguradora para operadora

é, principalmente, para evitar que o

colaborador resgate o dinheiro e acabe

não reinvestindo no plano de saúde. Os

processos de solvência são de extrema

importância para que o projeto tenha

êxito no mercado. Por ser um investimento

feito no longo prazo, o dinheiro

precisará estar totalmente disponível

quando os beneficiários necessitarem.

Os que mais utilizarão esse plano

são pessoas a partir de 66 anos que, de

acordo com dados do Instituto Brasileiro

de Defesa do Consumidor (Idec)

de 2014, tem gastos com saúde que já

comprometem de 40% a 70% do orçamento,

especialmente quando se trata

de idosos de baixa renda. Relacionado

a isso, Armando Vergílio afirmou, em

declaração ao mercado, que a aprovação

do VGBL Saúde ajudará a desonerar o

Estado, pois quem fizer essa poupança

ao longo da vida não precisará utilizar

os serviços do Sistema Único de Saúde

(SUS), deixando esse tipo de atendimento

para os cidadãos que necessitarem

mais desse atendimento.

O executivo da Unimed complementa

a visão de Vergílio. Para ele,

certamente esse é um produto com um

bom mercado, já que assegura renda que

garantirá o pagamento de um seguro

saúde no momento da aposentadoria.

“Ressaltando que os custos com saúde

refletem uma das grandes preocupações

nessa fase da vida”, pontua.

Esta é uma oportunidade a mais de

venda para os corretores, que poderão

atender a questões como a longevidade

da população em um país que está em

processo de envelhecimento. (Veja mais

sobre os impactos da longevidade na

página 28). A tramitação agora irá para o

Senado, que deverá averiguar a proposta

e aprová-la ou não. Caso exista a negativa

ela voltará para a Câmara e deverá

sofrer alterações. “Estamos aguardando

os desdobramentos no Senado. Após

tudo aprovado, teremos acesso aos

detalhamentos do produto (condições

gerais) e poderemos finalizar toda parte

operacional para iniciar a comercialização

– que, lembrando, só acontece após

a aprovação da Susep”, destaca Devai.

Veja outros projetos de lei sobre o

mercado de seguros que estão tramitando

na Câmara dos Deputados. Os projetos

são de inteira responsabilidade dos

autores e ainda precisam ser votados.

Portanto, não há qualquer garantia que

serão, ou não, aprovados.

PROJETO

PLC - 2285 / 2011

PLC 5912-2013

PLC – 3266 / 2008

AUTOR

Ricardo Izar Filho (PSD)

Mario França (PSB)

Dr. Adilson Soares (PR)

DESCRIÇÃO

Obrigará as empresas que vendem bens móveis duráveis com

garantia a contratarem cobertura de seguradora de acordo com a

regulamentação da Superintendência de Seguros Privados.

Estabelecerá os direitos básicos do consumidor de planos de saúde

e de seguro. Como agendamento de consultas médicas e exames

em, no máximo, 15 dias; modificação das cláusulas contratuais que

estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão

de fatos supervenientes que as tornem excessivamente gravosas

para o consumidor;

O projeto define normas para a criação das sociedades seguradoras

especializadas em micro-seguros. As sociedades seguradoras poderão

operar o seguro enquadrado no ramo de micro-seguros, desde

que estejam constituídas como seguradoras especializadas nesse

seguro, devendo seu estatuto social proibir a atuação em quaisquer

outros ramos ou modalidades.

33


gestão | novidades

Tempo de mudanças

Para renovar linhas de negócios, Mitsui Sumitomo Seguros contrata

novos executivos. Seguradora, que também investe na construção

de parcerias sólidas com os corretores, visa alavancar a participação

nos segmentos corporativos

A Mitsui Sumitomo Seguros, que no

Brasil atende as linhas de automóveis,

bens patrimoniais, responsabilidade civil,

riscos de engenharia, transportes e vida,

inicia uma nova etapa no País. “Estamos

investindo nas frentes estratégicas de

cada linha de negócio”, declara o diretor

técnico da empresa, Paulo Yukio.

Em automóveis, por exemplo, a

seguradora revisou todo o processo de

regulação e liquidação de sinistros para

melhoria da qualidade dos serviços.

Já em Responsabilidade Civil, ajustou

e aprimorou os clausulados. Quanto à

distribuição, novas filiais comerciais estão

sendo desenvolvidas e as existentes,

reestruturadas. Novas parcerias com

corretores também vêm sendo firmadas.

Para reformular os ramos de transporte

e bens patrimoniais, porém, a

seguradora contratou novas lideranças.

A primeira, realizada em janeiro, foi o

superintendente técnico Ricardo Beyer,

que em transportes obteve a responsabilidade

pela manutenção da rentabilidade

do portfólio atual e pela expansão sustentável

da carteira em todo o País.

“Seguindo os passos do grupo ao

qual fazemos parte, o MS&AD, vamos

oferecer ao mercado os principais seguros

para transporte de mercadorias, atuando

fortemente no território nacional e inter-

34

Paulo Yukio

Ricardo Beyer

nacional, cobrindo transações de importação

e exportação”, destaca Beyer. Ainda

neste segmento, a Mitsui Sumitomo

Seguros pretende aumentar a capacitação

dos times de subscrição e vendas, revisar

o processo de subscrição de riscos e atuar

proativamente no que se refere às práticas

de gerenciamento de risco.

Em bens patrimoniais, serão revisados

todo o processo de aceitação de

risco, aumento da capacitação do time

de subscrição e a estruturação de precificação

de seguros. As ações passam a

ser comandadas pelo recém contratado

diretor de RE Corporate, Djalma Duarte

Barros Junior, que irá prover soluções

na Gestão de Riscos com retorno para

o acionista e preparar um time de subscrição

apto a atender as necessidades do

mercado de grandes riscos.

“No ano que a Mitsui Sumitomo Seguros

completa 50 anos de operações no

Brasil, vamos atuar junto aos nossos canais

de distribuição na mudança de processos

internos pela busca na excelência dos serviços

prestados aos corretores e segurados”,

diz Barros. “Estamos certos de que, com

este direcionamento e mudanças, teremos

participação significativa no segmento

corporativo”, acrescenta o executivo.

É no segmento corporativo, aliás,

que a seguradora pretende alavancar sua

Djalma Duarte

participação a partir do próximo ano.

Por isso, Vida em Grupo tem demandado

atenção especial dos executivos. Para

Yukio, esta é uma linha de negócios fundamental

para qualquer seguradora que

deseja atuar fortemente neste segmento.

“Com esse entendimento, definimos que

a linha seria reposicionada há dois anos”,

diz o diretor técnico. A área ganhou nova

ferramenta para cotação de pequenos

grupos, novas coberturas nos produtos e

teve um aumento da capacitação do time

de vendas. No momento, a companhia trabalha

com foco e qualidade nos serviços

da subscrição de riscos e faturamento.

Relacionamento com os

corretores

Para a construção de uma parceria

de longo prazo junto aos seus parceiros, a

Mitsui Sumitomo Seguros desenvolve treinamentos

para que os corretores conheçam

os produtos e a operação da empresa. Na

visão de Paulo Yukio, esse tipo de ação

agrega valor e alavanca o desenvolvimento

da confiança e de novos negócios.

Uma das apostas recentes foi a

realização de workshops dos produtos

Transportes e Vida em Grupo. “Os

resultados foram muito positivos e nos

indicaram que estamos no caminho

certo”, finaliza Yukio.


Prêmio Melhores do Seguro

Duas décadas de

comemoração

A elite do mercado de seguros celebra os 20 anos da Revista Apólice.

Cerca de 300 pessoas entre representantes de seguradoras, corretores,

entidades e o regulador do setor, homenageado da noite, participaram da

sexta premiação que reconhece as iniciativas louváveis do segmento

A

despeito de um cenário político

econômico conturbado,

que dias depois se desdobraria

na perda do selo de bom

pagador do Brasil, o mercado de seguros

tem motivos relevantes para comemorar.

Crescer 6% em termos reais, ou seja, descontada

a inflação, foi a justificativa para

afastar o pessimismo na noite do dia 03

de setembro, durante a Premiação Melhores

de Seguros. No centro das conversas

de um público selecionado de cerca de

300 pessoas que lotaram o espaço Villa

Vérico, em São Paulo, as movimentações

de vendas e aquisições tanto no mercado

36

Manuela Almeida

local como no externo, com a Ace adquirindo

a seguradora Chubb, deram o tom.

A especulação cresceu em torno de quem

vai ficar com a carteira de seguro de vida

em grupo do Itaú Unibanco. Depois de se

desfazer da sua operação de grandes riscos,

no ano passado, adquirida pela Ace,

a companhia tenta agora desovar também

este ativo e o que sobrou da Garantec, sua

seguradora de garantia estendida. Uma

das fortes apostas é a AIG, que teve de

ser resgatada pelo governo americano na

crise de 2009. Isso porque, no passado,

a companhia chegou a ter uma empresa

com o Unibanco antes da fusão com

o Itaú. “Tenho certeza que a AIG está

entre as finalistas”, contou um diretor de

uma seguradora. Outro nome que ecoou

foi o da Pan Seguros, recentemente adquirida

pelo BTG Pactual e pela Caixa

Econômica Federal, e que teria interesse

de ampliar seu tamanho com o ativo que

não despertou tanta cobiça no setor. Para

Osmar Bertacini, presidente da APTS, o

fato de a carteira ser relativamente envelhecida,

ou seja, com maior probabilidade

de gerar sinistros, é um dos motivos para

o baixo apetite. Também nos bastidores

o tema saúde ficou em evidência após a

Agência Nacional de Saúde Suplemen-


tar (ANS) determinar naquela semana

a venda obrigatória de toda a carteira

da Unimed Paulistana, que há seis anos

enfrentava uma crise financeira. Histórias

de segurados órfãos e o dilema que vive

o segmento estamparam as conversas

quando o assunto vinha à tona. O corretor

de seguros Álvaro Fonseca contou que reverteu

a quebra da Unimed Paulistana em

novos negócios. Ele ajudou beneficiários

a contratar um novo plano, aproveitando

o boom de reclamações publicadas nas

mídias sociais e ainda levando conforto

aos que da noite para o dia se viram sem

um plano de saúde. Problemas do dia a

dia dos corretores de seguros não podiam

faltar nas conversas durante a premiação

da Apólice, criada há 20 anos com o

objetivo de registrar os desafios, mas,

principalmente, munir esses profissionais

de informação de qualidade, servindo de

instrumento para conquistas.

Marcos Eduardo Ferreira, CEO de

Auto, Seguros Gerais e Affinities da

BB Mapfre, falou sobre o contexto macroeconômico

do Brasil e avaliou que

o mercado de seguros sente os reflexos,

mas, diante do potencial de expansão no

País, consegue ser “menos pessimista”.

“Temos ilhas de oportunidades”, resumiu

ele, à Apólice.

Nesta mesma direção, discursou

Margo Black, presidente da Swiss Re

Brasil que, mesmo com o pé engessado,

fez questão de comparecer ao Prêmio

Melhores de Seguros. Com 38 anos de

história no mercado de seguros e nascida

na Escócia, a executiva, atualmente

única mulher a presidir uma companhia

do segmento no País, teceu elogios ao

Brasil a despeito das recentes mudanças

anunciadas para as resseguradoras que

vão reduzir de forma gradual a reserva

de mercado dos players locais nos próximos

anos. Embora as medidas visem

tornar o segmento mais aberto para

estrangeiros, os que, anteriormente, investiram

e fizeram o dever de casa para

se adaptar à regulamentação do resseguro

não gostaram da surpresa tocada a mãos

fechadas pelo governo. Mas o dia era de

festa e Margo preferiu ficar nos elogios e

ressaltar a missão do mercado de seguros

e resseguros, principalmente, em um

cenário de crise e recessão. “O Brasil é

um país maravilhoso. Há muito para fazer

no seguro. Temos muitas possibilidades

de preencher lacunas. Há muito trabalho

pela frente”, reforçou a presidente da

Swiss Re.

Personalidade do ano

O reconhecimento da importância do

trabalho em equipe deu o tom do discurso

de agradecimento do superintendente da

Superintendência de Seguros Privados

(Susep), Roberto Westenberger. Grande

homenageado da noite, foi parabenizado,

mas também ouviu necessidades do setor.

Erico Melo, presidente do Sincor-SE,

levou ao superintendente a demanda do

mercado em torno da autorregulação.

Hoje, a questão política, segundo ele,

inibe o avanço da resolução. Cobrou

ainda novidades em relação à emissão

da carteira profissional de corretores

de seguros. Mesmo em um ambiente

mais descontraído, um cenário, a priori,

antagônico para a maior autoridade do

mercado de seguros, Westenberger fez

questão de atender a todos antes e depois

da premiação. Atuário por formação, o

superintendente foi homenageado pela

dedicação ao mercado de seguros após

cerca de um ano e meio no comando do

órgão regulador. Sugestão do próprio

setor aprovada e ratificada pelo governo,

Westenberger tem a simpatia de executivos

pelo seu perfil técnico. Sua missão à

frente da Susep, disse ao ser reempossado

este ano no cargo, é contribuir para que o

mercado de seguros seja mais “parrudo”

e que a autarquia do segmento se modernize,

uma queixa antiga de executivos do

segmento. O entendimento do Ministério

da Fazenda, pasta à qual a Susep está submetida,

é de que à medida que o mercado

de seguros cresça poderá também ser

mais funcional para a economia brasileira,

com as seguradoras dando suporte

de investimento institucional para o País.

Mas, Westenberger, ao ser reconhecido

pela primeira vez por uma publicação

especializada como a personalidade do

setor, deixou suas ambições de lado.

“Quero agradecer a homenagem, mas

esse prêmio não é do superintendente,

mas da Susep. Quero, aqui, reconhecer o

trabalho em equipe que estamos fazendo

na autarquia”, sintetizou ele, que também

parabenizou o trabalho da Apólice nesses

20 anos.

Fora do palco da sexta edição do

Prêmio Melhores do Seguro, executivos

comentavam ainda sobre a nova diretoria

da CNseg. A chapa que deve disputar as

eleições no final do ano será apresentada

em breve, mas fontes anteciparam

os futuros nomes que vão representar o

mercado de seguros no próximo mandato

com exclusividade à Apólice. Além disso,

como de costume, será única. De saída da

Confederação, Marco Antonio Rossi, que

é presidente da entidade e da Bradesco

Seguros, deve ser substituído pelo colega

Marcio Coriolano, hoje no comando da

Fenasaúde e da Bradesco Saúde. Com

isso, a expectativa do mercado é que ele

passe o bastão, conforme fontes informaram

à Apólice, à Solange Beatriz, da

diretoria executiva da CNseg. Na FenSeg,

Paulo Marracini, vice-presidente do Conselho

de Administração da Allianz, deve

transferir o comando para João Francisco

Borges da Costa, presidente da HDI. Na

FenaPrevi, as apostas dão conta de que

Osvaldo Nascimento, do Itaú Unibanco,

seja substituído por Edson Franco, da

Zurich. A única Federação que deve ter

seu presidente reeleito, de acordo com

executivos do setor, é a FenaCap, com

a continuidade de Marcos Barros, da

Brasilcap, à frente da entidade.

Mas não foram ventilados apenas os

nomes da próxima diretoria da CNseg.

Durante a premiação, fontes comentavam

o que teria estimulado as mudanças

na próxima chapa a comandar a Confederação.

Em relação ao posto máximo

da entidade, o entendimento é de que

Rossi terá de se debruçar na integração

com o HSBC e de suas seguradoras, fora

o fato de ser um dos fortes candidatos

a substituir Luiz Carlos Trabuco Cappi

na presidência do Bradesco. Para o atual

presidente da CNseg, sua missão na

entidade foi cumprida, embora admita

que a aquisição do banco inglês vai

exigir mais do seu dia a dia. Causou

surpresa, para alguns, a possibilidade

de Costa, da HDI, assumir a FenSeg já

que sempre foi tido como um executivo

discreto, o que o mercado chama de low

profile, ou seja, aquele que prefere ficar

nos bastidores.

37


premiados

O apresentador Marcio Ballas dá início à cerimônia de entrega

da 6 a edição do Prêmio Melhores do Seguro

Roberto Westenberger, superintendente da Susep, recebe

homenagem especial da Revista Apólice pelo seu trabalho

em prol do desenvolvimento do mercado de seguros

38 38


premiados

Os presidentes dos Sincor’s homenageados: Maria Filomena Branquinho/MG, Dorival Alves de Sousa/DF, Érico Mello/SE, Ricardo Pansera/RS,

❙❙Auri Bertelli/SC e Alexandre Camillo/SP

JB Oliveira, advogado e articulista da Revista Apólice, entrega o

Argo Seguros, pelo case “Seguro Transporte: de 0 a 62 milhões

❙❙de reais em menos de 5 anos”

❙ prêmio para Salvatore Lombardi Junior, diretor de Transportes da

O gerente de operações da Averbweb, Fabio Souza, recebe o troféu

do presidente do Clube Internacional de Seguro de Transporte, José

❙ ❙Averbações”

❙ Geraldo da Silva, pelo case “Inteligência e Simplicidade na Gestão de

Livia Sousa, jornalista da Revista Apólice, entrega troféu pelo case

❙ ❙Oliveira, coordenador de linhas financeiras da Berkley

❙ “Oportunidades em Novos Segmentos Profissionais”, para Guilherme

40 40

O diretor executivo do Sindicato das Seguradoras de São Paulo,

Fernando Simões, entrega o prêmio pelo case “Rede Própria

de Atendimento de Assistência Residencial, para o CEO da Brasil

❙❙Assistência, Almir Fernandes da Costa


premiados

Alexandre Camillo, presidente do Sindicato dos Corretores

de Seguros de São Paulo, entrega o prêmio para Roberto

Uhl, gerente de Canais Digitais da Argo Seguros, pelo case

❙ ❙“Plataforma Digital Protector”

❙ Emerson Feliciano, superintendente técnico do Cesvi Brasil, e Marcos

❙ ❙de Francisco Pantoja, diretor executivo da Revista Apólice

Cardoso Lima, diretor executivo de Serviços Financeiros da Indra no Brasil,

❙ recebem o prêmio pelo case “Parceria em Tecnologia para Suporte do Órion,

❙ José Manuel Dias da Fonseca, CEO da MDS Holding, recebe o


prêmio do presidente da Federação Nacional das Seguradoras,

❙ Paulo Marraccini, pelo case “Compromisso e Inovação em Seguros”

O presidente do Instituto Brasileiro de Relações com o Cliente,

a Importância do Corretor” para o sócio diretor da Minuto

❙❙Seguros, Manes Erlichman Neto

❙ Alexandre Diogo, entrega o troféu pelo case “Campanha Destaca

Helio Kinoshita, presidente da Mitsui Sumitomo Seguros,

entrega o prêmio pelo case “Solução Estima Risco de Seguro

de Automóvel”, para Vanessa Salles, superintendente de

❙❙seguros da Neurotech

42 42

❙ O presidente da Associação Paulista dos Técnicos de Seguros, Osmar

❙ ❙Assistance, pelo case “Assistência na Era Digital”

Bertacini (ao centro), entrega o troféu para o diretor de TI, Ulisses Oliveira

❙ Campos e o diretor comercial, José Luis Ferreira da Silva, ambos da Europ


premiados

Graciane Pereira, executiva de contas da Revista Apólice,

❙ ❙para o diretor comercial da empresa, Artur Giansante

❙ entrega o prêmio pelo case “Decodificador de Chassi Nortix”,

Beatriz Abadia, coordenadora comercial regional do Seguro

PASI, recebe do presidente do Sincor/DF, Dorival Alves de

Sousa, o troféu pelo case “PASI, a Revolução dos Benefícios

❙❙Sociais Utilizados em Vida”

O presidente do CVG/RJ, Marcelo Hollanda (ao centro), entrega o prêmio

pelo case “Gestão de Benefícios para Retenção de Colaboradores” para

❙ ❙para o gerente de Remuneração e Benefícios da Atos, Marcelo Barros

❙ Ricardo Lopes, diretor de Consultoria e Gestão de Benefícios da Propay e

❙ Pedro Barbato, presidente da Camaracor/SP, entrega o


prêmio para o superintendente de operações da Vayon,

❙ Vinícius Feltrin, pelo case “Aplicativo Venda Mais Corretor”

Kelly Lubiato, diretora de redação da Revista Apólice, entrega o

❙ ❙Wdev/SP, Leonardo Borges

❙ prêmio pelo case ”Plataforma de Conversão de Vendas” ao diretor da

44 44


premiados

O diretor executivo da Bradesco Seguros, Enrico Ventura, recebe da

diretora comercial Prime da Admix, Edna Vasselo Godoni, o prêmio

❙❙na categoria “Seguro Saúde - Destaque Nacional”

O diretor executivo da Bradesco Seguros, Carlos Eduardo Sarkovas

recebe de José Amélio de Souza, mentor do CCS/Osasco, o

❙❙troféu na categoria “Riscos Aeronáuticos - Destaque Nacional”

❙ Marcelo Gusmão, regional de vendas, e Fernando Uset, diretor de

❙ ❙Região Sul”

Casualty da Ace Seguros, recebem da jornalista da Agência Estado, Aline

❙ Bronzati, o prêmio da categoria “Responsabilidade Civil - Destaque na

A gerente de RO/RN da Allianz Seguros, Paula Erica Tassi, recebe

de Carlos Alberto Protasio, presidente da Abecor, o troféu na

❙❙categoria “Grandes Riscos - Destaque Nacional”

Os superintendentes executivos da Bradesco Seguros, Leonardo Freitas e

❙ ❙prêmio na categoria “Riscos Marítimos - Destaque Nacional”

❙ José Pires, recebem de Adevaldo Calegari (ao centro), mentor do CCS/SP, o

46 46

Paulo Dawibida, diretor de cooperativas da Mapfre Seguros,

❙ ❙categoria “Seguro Rural - Destaque Nacional”

❙ recebe do presidente do Sincor/RS, Ricardo Pansera, o troféu na


premiados

Karen Dal Souto, gerente de Seguro de Crédito da Mapfre Seguros,

❙ ❙- Destaque Nacional”

❙ recebe de Ricardo Pansera, o prêmio na categoria “Seguro de Crédito

O presidente do Sincor/SE, Érico Mello, entrega o troféu na

❙ ❙comercial nacional da JMalucelli, Danieli Gugelmin

❙ categoria “Seguro Garantia - Destaque Nacional” para a diretora

José Vicente Segura, subscritor de Riscos de Engenharia da

❙ ❙“Riscos de Engenharia - Destaque Nacional”

❙ Tokio Marine, recebe o prêmio de Francisco Pantoja, na categoria

Kelly Lubiato entrega o troféu na categoria “Transporte - Destaque

❙ ❙Rosevaldo Alves

❙ Região Sul” para o superintendente de Transportes da Tokio Marine,

Marcos Ávila da Costa, gerente de produtos RC, Engenharia e

Garantia da Yasuda Marítima ,recebe o prêmio do presidente do

Sincor/SC, Auri Bertelli, na categoria “Riscos de Engenharia -

❙❙Destaque Região Sul” e...

48 48

... Renato Comarin, gerente da filial de Porto Alegre da Yasuda

❙ ❙Região Sul”

❙ Marítima, recebe o troféu na categoria “Condomínio - Destaque


premiados

O presidente da UCS, Marcelo Guirão, entrega o troféu na categoria

❙ ❙superintendente de RE da Porto Seguro Seguros

❙ “Seguro de Condomínio - Destaque Nacional” para Jarbas Medeiros,

Priscilla Magni, diretora de Linhas Pessoais da Chubb Seguros, recebe

o prêmio na categoria “Seguro Auto Premium - Destaque Nacional”,

❙❙do diretor da Segna Consultoria em Seguros, Alexandre Papandréa

O diretor comercial da HDI Seguros, Euclides Naliato, recebe de Israel

Marques, mentor do CCS/ABC, o troféu na categoria “Seguro Auto -

❙❙Destaque Região Sul”

Diogo Arndt, vice-presidente da Lojacorr, entrega o prêmio da

❙ ❙de Auto da Porto Seguro Seguros, Fabiana Lemos

❙ categoria “Seguro Auto - Destaque Nacional”, para a gerente técnica

Diogo Arndt também entrega o troféu da categoria “Transporte -

Destaque Nacional” para Rose Matos, gerente de Transportes da

❙❙Porto Seguro Seguros

50

A jornalista da Revista Apólice, Amanda Cruz, entrega o prêmio na

❙ ❙comercial da Mapfre, Helton de Oliveira Pinto

❙ categoria “Previdência Privada - Destaque Nacional” para o gerente


premiados

❙ Fabiano Lima, diretor de Vida e Previdência da SulAmérica

❙ ❙Região Sudeste”

Seguros, recebe de Maria Filomena Branquinho, presidente do

❙ Sincor/MG, o troféu na categoria “Previdência Privada - Destaque

Os superintendentes de Relacionamento da SulAmérica Seguros,

“Seguro Saúde - Destaque Região Sudeste” de Maria Filomena

❙❙Branquinho

❙ Simone Tavares e Leonardo Coelho, recebem o troféu na categoria

Alexandre Vicente da Silva, diretor adjunto de Produtos Vida, e Magda

Rodrigues, gerente de operações Vida, ambos da Liberty Seguros,

❙ ❙categoria “Seguro de Vida - Destaque Região Sul”

❙ recebem de Dilmo Bantim Moreira, presidente do CVG/SP, o prêmio na

O diretor da CVA Solutions, Sandro Cimatti, entrega o troféu na

categoria “Seguro de Vida - Destaque Nacional” para a diretora

❙❙executiva da MetLife, Cassia Gil

Paulo Marraccini entrega o prêmio na categoria “Resseguradora

Nacional”, para a executiva de Contas, Giuliana Mantovi, e o

❙❙especialista de Subscrição, David Neves, do IRB Brasil Re

52

❙ O CEO da JLT Resseguros Brasil, Rodrigo Protásio, entrega o


troféu na categoria “Resseguradora Internacional”, para Margo

❙ Black, head de resseguros para a América Latina da Swiss Re


premiados

A jornalista Regina Volpato foi a mestre de

cerimônia do evento

❙ Natanel Castro, superintendente de Capitalização, e

❙ ❙Tegami

Gabriel Charbonnieres, diretor comercial da SulAmérica

recebem o prêmio na categoria “Capitalização - Destaque

❙ Nacional”, da mentora do CCS/ Mata Atlântica, Maria Angela

O diretor comercial da Odontoprev, Carlos Rogoginsky,

❙ ❙Odontológicos - Destaque Nacional”

❙ recebe de Francisco Pantoja o troféu na categoria “Planos

A jornalista Kelly Lubiato entrega o prêmio na categoria “Planos de

Saúde Premium - Destaque Nacional” para o diretor comercial da

❙❙Omint, Cícero Barreto

❙ Amanda Cruz entrega para Nelson Miguel, gerente comercial da


❙ Amil, o troféu na categoria “Plano de Saúde - Destaque Nacional”

54


eventos

Celebração de 35 anos

A Omint reuniu na noite de 15

de setembro, no Jockey Club de São

Paulo, mais de 600 convidados em um

coquetel para comemorar os 35 anos

de operação no Brasil e estreitar relacionamento

com clientes corporativos,

profissionais da saúde, corretores, além

dos demais stakeholders da companhia.

O evento, que é realizado anual-

mente, também foi marcado pelo lançamento

da Omint Seguros, nova empresa

do Grupo Omint focada nos mercados

de seguros de vida (individual e em

grupo) e também em seguro viagem.

Os clientes Omint, parceiros comerciais

e profissionais de saúde foram

recepcionados pelo fundador da Omint,

o argentino Juan Carlos Villa Larroudet

e seu filho Santiago Larroudet, além de

André Coutinho (diretor geral), Cícero

Barreto (diretor comercial), Paulo

Gagliardi (diretor financeiro), Marcos

Loreto (diretor médico), Eduardo

Monteiro (diretor de saúde), Luciano

Marques Filho (gerente de operações),

e Flávio Merichello (gerente do Núcleo

de Saúde e Prevenção).

Diretoria da Omint

Fórum de Oportunidades na capital paulista

O Sincor-SP realizou, no dia 31 de

agosto, o “Fórum de Oportunidades”

em várias regiões do Estado de São

Paulo. Na capital, o evento aconteceu no

Hotel Maksoud Plaza e reuniu executivos

do mercado securitário e corretores

de seguros.

Um dos assuntos pautados no painel

Benefícios, os seguros saúde e odontológico

foram apontados como uma das

maiores oportunidades aos profissionais

da área, visto que ainda possuem baixa

penetração no mercado e atingem apenas

25% e 11% da população brasileira,

respectivamente.

Segundo o executivo, as oportunidades

estão sobretudo nas pequenas

e médias empresas, que movimentam

77% dos empregos no País e representam

quase 30% do Produto Interno

Bruto (PIB) gerado em solo brasileiro.

Mas para alcançar essas oportunidades,

ele frisou que os corretores de

seguros precisam mudar sua forma de

atuação, deixando de acompanhar a

gestão de saúde e passando a investir

nela.

Alexandre Camillo, presidente do

Sincor-SP, também destacou a atuação

dos corretores de seguros. “Só uma

discussão nos permite enxergar oportunidades.

Agora é imprescindível que,

diante disso tudo, tenhamos uma nova

postura, porque muitos dos problemas

que enfrentamos são por espaços que

deixamos de ocupar”.

56


APTS apresenta nova diretoria

Após anos à frente da APTS – Associação

Paulista dos Técnicos de Seguro,

na manhã do dia 10 de setembro,

Luis Lopez Vásquez passou o cargo de

presidente da entidade para o Osmar

Bertacini, recém eleito. Em assembleia,

Bertacini apresentou a nova diretoria

e falou sobre o dever de continuar o

legado da APTS no mercado de seguros.

Vásquez também estava presente

destacando a satisfação de entregar o

cargo ao novo responsável.

Vásquez pronunciou, relembrando

a história da entidade e destacando o

orgulho de participação no desenvolvimento

dela. E enfatizou o que acha ser

a missão de maior valor para o mercado

de seguros. “Temos que nos encarregar

da responsabilidade social, humana.

Desejo que a próxima diretoria consiga

levar o seguro à sociedade com ainda

mais profundidade”, finalizou. Apesar de

deixar hoje o cargo, Vásquez continuará

Nova diretoria da APTS

se fazendo presente na APTS, pois foi

anunciado por Bertacini como presidente

emérito da entidade.

Em seu discurso de posse, Osmar

Bertacini, que já presidiu a APTS

anteriormente, contou que esse é um

momento de emoção para sua carreira.

Nenhuma chapa havia sido inscrita e por

isso ele afirma que se sentiu convocado

para assumir a posição por sua disponibilidade

e vontade de dar andamento

à entidade.

Aposta em renovação

A Sociedade Brasileira de Ciências

do Seguro (SBCS) apresentou as mudanças

que marcam um novo momento

da entidade, que completou 63 anos de

atuação. Entre as novidades estão a identidade

visual (que preservou a tradição

da logomarca, reduziu a sigla e inseriu

a cultura) e o site da instituição, que foi

reformulado e agora passa a contar com

a agenda de workshops e seminários,

além de artigos e conteúdos das palestras

realizadas pela Sociedade.

Para o presidente do SBCS, Affonso

Fausto, as mudanças refletem sobretudo

o esforço da diretoria em renovar a

entidade. “A internacionalização das

companhias trouxe dirigentes que não

conheciam toda a história da Sociedade

e sua importância para o mercado de

CVG recebe Alexandre Camillo

seguros”, disse o executivo, acrescentando

que a diretoria já se preocupava

com essa renovação.“A partir de agora,

a entidade assume um novo papel no

mercado com a participação efetiva

de novos componentes do mercado de

seguros”.

Ao lado de entidades do ramo de Vida como Marcelo Hollanda (CVG-RJ), David

Novloski (CVG-PR) e Dilmo Bantim (CVG-SP), além de líderes de outras entidades,

Alexandre Camillo ressaltou a importância de estimular corretores a ampliarem

suas carteiras

57


evento | 3 o Conseg-PE

Mercado se reúne

em Pernambuco

A terceira edição do

Congresso de Seguros

aprofundou debates

sobre estratégia de

vendas e relação

entre seguradores e

corretores

Durante os dias 13 e 14 de

agosto os corretores tiveram

mais uma oportunidade de

encontro: a terceira edição

do Congresso de Seguros do Estado de

Pernambuco – Conseg – que aconteceu

em Porto de Galinhas. Representado na

figura de Cláudia Cândido Diniz, presidente

do Sincor – PE, o evento recebeu

corretores e seguradores de todo o Brasil

para debater sobre o tema “Estratégias de

comercialização de seguros: aprofundamento

no conhecimento de produtos e

fortalecimento das relações corretor e

seguradora”. E foi isso que aconteceu.

Diversos seguradores palestrantes,

como Ronaldo Dalcin, superintendente

comercial N/NE da Tokio Marine; Rivaldo

Leite, diretor da Porto Seguro; Marco

Antonio Gonçalves, diretor da Bradesco

Seguros; Paulo Douglas Canarin, diretor

da HDI Seguros e Fernando Grossi, diretor

da Yasuda Marítima, ressaltaram a importância

do relacionamento com a região

Nordeste e o quanto esse estado oferece

oportunidades ao mercado de seguros,

especialmente no que diz respeito aos

corretores parceiros. “Essa é uma região

que cresce, muito mais do que o País de

forma geral. Independente desse ano ser

um pouco mais complexo, continuamos

vendo em Pernambuco uma região muito

importante para nós”, afirmou Gonçalves.

O evento contou com diversas palestras.

Entre elas, “Seguro não é tudo

❙❙Mucio Novaes, Armando Vergilio, Cláudia Diniz e Robert Bittar

igual”, ministrada por Gustavo Cunha

Mello, corretor de seguros, que procurou

alertar as pessoas que trabalham

no mercado, tanto seguradores quanto

corretores, de que há diferenças importantes

no clausulado das apólices que

devem ser observadas com muita atenção.

“Coberturas de incêndio, por exemplo,

são 11 tipos diferentes com coberturas

distintas, como queimadas em zona rural,

cobertura de fumaça, queda de raio

no local segurado ou fora dele, se cobre

equipamentos eletrônicos no momento da

queda de raio, entre outras”, explicou. Nos

casos de roubo existem exclusões conforme

artigo do código penal, incluindo

ou excluindo incisos de acordo com suas

possibilidades de cobertura. “Então, você

tem que compreender o que está coberto,

explicar para o seu cliente exatamente a

que ele tem direito. A graça disso tudo é

perceber que não existe uma seguradora

melhor que a outra, uma que cubra tudo.

O que existe é a seguradora que melhor

se adapta e que tem melhor aderência

ao cliente, ao risco do cliente. Nessas

questões estão a importância e a beleza

da profissão de corretor de seguros.

O presidente do Sindseg-PE, Múcio

Novaes, evidenciou que algumas dificuldades

se apresentam ao setor, mas que o

Nordeste pode dar força ao mercado de

seguros. “Problemas o Brasil tem, mas o

mercado de seguros era profundamente

resistente a efeitos da crise, agora é que

começamos a sentir os primeiros efeitos.

Mas o que precisamos fazer é continuar

trabalhando muito, acreditando e usando

a criatividade para criar novos produtos

e novos nichos de mercado com uma

interlocução cada vez mais firme com os

corretores de seguros”, afirmou.

No último dia, a presidente do Sincor-

-PE destacou sua satisfação em sediar

esse evento e acolher o mercado para

esses debates: “Tanto eu quanto minha

diretoria acreditamos que alcançamos

nossos objetivos com esse tema central,

aprofundamento em novos produtos e

relacionamento entre segurador e corretor.

Superou nossas expectativas e estamos

muito felizes”, comemorou.

58


evento | 7ª Conseguro

Evolução do

mercado em pauta

Em evento promovido pela CNseg, autoridades

traçaram o futuro e os desafios do segmento.

Especialistas nacionais e internacionais se

apresentaram em uma série de palestras

A

CNseg promoveu, de 15 a 17

de setembro, a 7ª Conseguro.

Realizado em São Paulo, o

encontro reuniu especialistas

do mercado e autoridades do setor e, ainda,

mais alguns eventos paralelos: Seminário

de Controles Internos & Compliance, 5ª

Conferência de Proteção do Consumidor

de Seguros, 4º Encontro Nacional de

Atuários e o Seminário de Distribuição

de Seguros.

O presidente da CNseg, Marco

Antonio Rossi, assegurou que a crise

econômica não deve reduzir o otimismo

do segmento, tanto que a expectativa de

crescimento para este ano continua na

casa dos 12%. O cenário será mais desafiador

em 2016, mas não impedirá que

o percentual se mantenha ou até mesmo

evolua. O executivo atribuiu o otimismo

à oferta de novos produtos e às novas

formas de comercialização, mas não deu

mais detalhes. As projeções completas

serão apresentadas pela Confederação

em novembro deste ano.

Por sua vez, o secretário de Política

de Previdência Complemenar do Ministério

da Previdência Social, Jaime

Marins, disse que surgirá um mercado

estimado em R$ 20 bilhões para empresas

do setor que explorarem o nicho

formado pelos fundos de pensão. Sobre

este assunto, o superintendente da Susep,

Roberto Westeberger, declarou que

os primeiros seguros com coberturas

dos riscos de longevidade voltados aos

fundos de pensão podem ser lançados

já no próximo ano. O desenvolvimento

deste tipo de seguro foi alinhavado pela

Superintendência em conjunto com a

60


Previc, órgão regulador dos fundos de

pensão.

“Governo quer ouvir o

mercado”

Na visão de Armando Vergilio, presidente

da Fenacor, o ramo de seguros tem

capacidade para contribuir ainda mais

nos momentos de crise e poderia auxiliar,

por exemplo, na geração de poupança de

longo prazo e de empregos e para o aumento

da arrecadação de impostos. Mas,

segundo ele, a atenção do governo dada

ao segmento não é adequada.

“Refiro-me a quem passou por ali

nos últimos anos e suas equipes, para

os quais o setor de seguros, por crescer

na faixa de dois dígitos há mais de uma

década, não precisa de atenção”. Vergilio

acredita que, caso contrário, o rebaixamento

da nota de crédito do Brasil

também poderia ser evitado, uma vez

que a capacidade de o País cumprir suas

obrigações estaria assegurada.

❙❙Rizzato Nunes

O presidente da Fenacor citou duas

propostas que enfrentam resistências no

governo: uma do deputado Lucas Vergilio,

aprovada recentemente pela Câmara

e que regulamenta o VGBL Saúde; e a

Lei do Desmonte.

Em resposta, Westenberger – representando

também o ministro da Fazenda,

Joaquim Levy – declarou que o governo

atual está disposto e quer ouvir o segmento,

mas deseja que a área demonstre

uma mudança de paradigma no que diz

respeito às questões estruturais. Nomeado

coordenador informal do processo

de consultas ao setor após uma reunião

em Brasília, o superintendente da Susep

garantiu que as demandas do segmento

já foram anotadas e que o seguro de

garantia para grandes obras é visto com

bons olhos pelo governo. “A intenção do

Poder Executivo é melhorar esse tipo de

cobertura, para que esteja pronto para se

mostrar como solução adequada quando

o país retomar o processo de crescimento

econômico”, destacou.

Outros pontos discutidos no encontro

foram a instalação de um pólo de resseguro

no Brasil, que passaria a ser um “hub”

das operações desse segmento na América

Latina; e a reforma na Previdência

Social, incluindo a questão do seguro de

acidentes de trabalho. “A Susep é contra

a privatização total desse seguro. Mas

podemos encontrar um meio termo”,

finalizou Westenberger.

Segurança jurídica

O tema foi debatido por Rizatto

Nunes, professor doutor da PUC, que vê

a segurança jurídica como sinônimo de

confiança. Ele lembrou que essa é uma

das questões mais graves enfrentadas

no Brasil e, para que seja resolvida, demanda

trabalho conjunto entre empresas

e cidadãos. “Quando a Constituição

Federal completou 19 anos, já haviam

sido criadas 3,6 milhões de normas jurídicas

– incluindo portarias e circulares.

Isto equivale a 21 normas editadas por

dia”, ressaltou.

Além de afetar a quantidade, o grande

volume de normas acarreta em consequências

na qualidade da legislação,

uma vez que ainda há ausência de leis

mais claras e permanentes. “No Brasil, a

interpretação das leis é exagerada, ampla

e vaga. As nomas precisam ser escritas

para que sejam interpretadas de maneira

quase unívoca, que as pessoas entendam

de fato o que elas querem dizer”, alertou

Nunes.

Demografia e crescimento

econômico

“O Brasil tem a característica de não

fazer grandes reformas, mas de praticar

❙❙João Galhardo

61


evento | 7ª Conseguro

❙❙Amlan Roy

microrreformas que, estruturadas, levam

o País para a direção correta”, explicou

Osvaldo do Nascimento, se referindo aos

sistemas de previdência nacional.

O executivo comparou o sistema

chileno com o sistema brasileiro, observando

que enquanto no Chile houve uma

mudança de sistema público para privado,

o Brasil apostou em uma combinação

da previdência pública, complementar e

dos fundos de pensão. Em conjunto, as

reservas somam R$ 1 trilhão.

Após passar por duas reformas, agora

o sistema brasileiro de previdência social

privada esbarra na necessidade de mais

uma mudança. O setor já tem outra proposta

com relação ao sistema que julga

mais adequado ao País, baseada em três

pilares: previdência social extensiva a

todos, previdência complementar obrigatória

instituída pelas empresas para os

funcionários, e previdência opcional, que

já existe em termos de mercado.

Chefe de pesquisas em demografia

e pensões globais do Credit Suisse de

Londres, Amlan Roy explicou como a

demografia pode interferir nos sistemas.

“As pessoas estão trabalhando mais em

países ricos e pobres. 43 governos já

mudaram a idade mínima da aposentadoria,

que deveria ser flexibilizada com

a perspectiva de vida de acordo com cada

região”, disse, completando que, assim

como a Rússia, o Brasil caminha para o

envelhecimento precoce antes mesmo de

se tornar rico.

62

Já Richard Jackson, fundador-presidente

do Global Aging Institute (GAI),

projeta que até a metade do século XXI,

em média 25% da população mundial

seja de idosos, sendo o Japão a abrigar

a maioria deles. No período, México e

Estados Unidos terão a mesma idade,

assim como Brasil e China.

“À medida que esses países envelhecerem,

começarão a se confrontar

com muitos dos desafios que as nações

desenvolvidas já enfrentam”, pontou

Jackson. Para ele, o caminho será adotar

um sistema de capitalização. “Em sistemas

de repartição, o custo é maior e pode

dobrar, triplicar ou até quadruplicar nos

próximos 30 anos”.

Com a diminuição das taxas de

natalidade e o aumento da expectativa

de vida, o sistema não será sustentável e

precisará de mudanças efetivas. “Há uma

necessidade de se reduzir a generosidade

do sistema de previdência em repartição

simples e de se aumentar as contribuições

individuais na previdência privada”.

Riscos especiais

Até que ponto o mercado de seguros

está engajado nos riscos ambientais, sociais

e econômicos? “Tem tanta novidade

excluída do futuro de 20 anos atrás que

hoje mal conseguimos lidar com isso analiticamente.

Nossos métodos estão ficando

para trás e nosso futuro tem que ser transformado

como cenário potencial a cada

dia”, enfatizou Moacyr Duarte, professor

doutor e pesquisador da Coppe/

UFRJ e engenheiro especialista

em gerenciamento de riscos com

forte atuação em eventos no Rio de

Janeiro (como a tragédia na região

serrana, em 2011).

Sobre as catástrofes naturais,

o CFO e COO da Terra Brasis

Resseguros, Rodrigo Botti, defendeu

que a exposição brasileira a

esses eventos não deveria ser um

risco emergente, mas conhecido.

“Enquanto as tempestades e os

terremotos são globais, no Brasil

os riscos se restringem à seca e

inundação: um desafio a mais, pois

grande parte da tecnologia é voltada

aos eventos frequentes”. Assim,

Botti destacou a importância de o

mercado nacional desenvolver produtos

específicos para essas necessidades.

Para a diretora do Ministério do

Meio Ambiente, Raquel Breda, um risco

já não se limita mais a sua própria área.

Por isso, é importante que as empresas,

principalmente aquelas voltadas ao setor

de seguros, que não só analisem os riscos

como também os mitiguem.

A saúde em várias palestras

O tema saúde esteve presente em

diferentes eventos e em várias nuances.

O especialista do Dartmouth Institute,

Elliot Fischer, falou sobre os problemas

do plano de saúde estabelecido pelo

ObamaCare, que estão ligados à gestão

do sistema e ao controle dos gastos. Em

outro momento, durante o 4º ENA, Jay

Olshansky, professor da Universidade

de Chigado, mostrou que a longevidade

não pode ir além dos limites biológicos

de nosso corpo.

Na Conferência de Proteção ao Consumidor,

o debate aconteceu em torno da

Judicialização da Saúde, que foi considerada

como um problema de todos pelo

juiz João Galhardo, do Tribunal de Justiça

de São Paulo. “O Conselho Nacional de

Justiça, preocupado com a judicialização

da saúde, levantou que há 400 mil processos

em andamento, envolvendo questões

de saúde”, exemplificou para acrescentar

que “os juízes precisam se especializar

numa área que eles não conhecem contando

com o apoio de técnicos”.


Riscos cibernéticos

por Andrea Kotter e Andreas Moser*

Complexos e com

consequências devastadoras

A atual conectividade digital modificou

radicalmente nossa vida. As conexões

na internet permitem efetivamente

acessar dados, sistemas e organizações

inteiras em âmbito mundial. No entanto,

o lado negativo é que estas conexões podem

também levar a perdas crescentes, na

medida em que os riscos aumentam com

interações mais intensas na rede. O crime

cibernético – atos criminosos cometidos

via internet visando a ganhos financeiros,

políticos ou espionagem – representa um

risco que não podemos nos dar ao luxo

de ignorar.

A gama e complexidade dos incidentes

cibernéticos são enormes: de um único

laptop perdido até o nível de violação

sofrido pela Sony, TJX, Target ou eBay.

Com frequência, inicialmente estes incidentes

não são detectados pelas próprias

vítimas, sendo que as companhias, muitas

vezes, ficam sabendo do ataque cibernético

apenas quando notificadas pelas

autoridades ou quando alguma atividade

incomum é verificada nas contas dos

clientes. Muitas das violações de grande

magnitude parecem ter sido divulgadas

em blogs antes das notificações formais

das companhias. Ataques de malware não

são problemas apenas de grandes varejistas,

embora sejam certamente um alvo

lucrativo para os criminosos cibernéticos.

As pequenas e médias empresas também

correm risco, como deixou claro uma

violação sofrida pela Staysure Insurance

UK. A Staysure, companhia especializada

em produtos de seguro de viagem para

pessoas com mais de 50 anos, precisou

entrar em contato com 93.389 clientes

depois do ataque. A seguradora acreditava

que os hackers provavelmente haviam

64

roubado números de código secretos dos

cartões dos detentores de apólices. Felizmente,

a companhia conseguiu declarar

publicamente que tinha cobertura de

seguro apropriada, o que permitiu que

tratasse a violação de maneira efetiva e

informasse prontamente todas as autoridades

competentes.

Em escala global, a maior parte das

vítimas descobriu a violação do eBay por

meio da cobertura da mídia, com informações

no site da companhia em seguida.

O eBay solicitou que 233 milhões de

clientes trocassem as senhas. A varejista

online afirmou categoricamente que nenhum

dado financeiro havia sido furtado,

mas poderia haver riscos aos clientes que

usam as mesmas senhas em múltiplos

sites. As informações furtadas eram de

grande valor, pois incluíam endereços


postais, endereços de e-mail, números

de telefone e datas de nascimento. Os

riscos não se limitam à internet, pois uma

série de empresas usa endereço e data de

nascimento no processo de confirmação

em seus serviços bancários por telefone.

Custos dos riscos cibernéticos

Em consequência de um ataque

cibernético, as companhias se deparam

com custos consideráveis. Por exemplo:

- Interrupção de negócios: Enquanto

os sistemas estão indisponíveis interna e

externamente são incorridos custos pela

perda de negócios. Os valores envolvidos

dependem do tempo necessário para

restaurar os sistemas ou realizar investigações

criminais;

- Danos a terceiros: Este aspecto é

importante, particularmente, na atuação

dos tribunais dos EUA. Tendo em vista

a alta exposição da responsabilidade

civil, as companhias devem cumprir os

requisitos legais em todas as circunstâncias

– mesmo que apenas por precaução

contra processos jurídicos por parte dos

clientes e ações coletivas com sinistros de

indenização potencialmente exorbitante;

- Custos judiciais: Os custos judiciais

não devem ser subestimados. Custos

de defesa e indenizações por danos morais

podem ser extremamente elevados.

Incluem honorários advocatícios, não

apenas para a defesa, mas também pelos

esforços para manter a questão fora dos

tribunais, assim como custos de análises

jurídicas da situação e recomendações

sobre o procedimento correto;

- Outros custos: Incluem custos para

resguardar sua reputação; notificação

e restauração do sistema, assim como

custos de investigações forenses. Após

um ataque cibernético, maiores custos

são incorridos com o trabalho de relações

públicas e campanhas de publicidade

destinadas a resgatar a reputação da companhia.

Algumas seguradoras incluem

um pacote de RP em suas coberturas

de riscos de TI. No entanto, o risco de

reputação deve ser visto como risco à

parte e deve ser desenvolvida uma solução

especial de seguro para cobri-lo. A

extorsão – atualmente uma indústria em

crescimento, embora criminosa – poderá

fazer disparar os custos ainda mais.

Os criminosos cibernéticos procuram

extorquir dinheiro das companhias em

vários estágios: apenas devolvem as

senhas, descriptografam servidores ou

reestabelecem os serviços interrompidos

quando um valor correspondente é

pago. Na maior parte destes ataques, as

companhias devem pagar os custos de

investigações forenses.

Conjuntura legislativa

A conjuntura legislativa geral atualmente

é complexa e incerta. Nos

Estados Unidos, embora considerado

na vanguarda do combate aos ataques

cibernéticos de maior visibilidade, há

também falta de uniformidade entre os

vários estados. Muitos especificam sua

definição de informações de identificação

pessoal de forma diferente, e os

resultados variam.

No cômputo geral, restam bons argumentos

de que a perda de dados em si não

constitui dano, salvo se forem oferecidas

garantias específicas. Espera-se que isto

continue a ser questionado pelos advogados

dos reclamantes. A maioria dos estados

norte-americanos possui requisitos

obrigatórios de notificação de violação,

mas existem menos similaridades na

definição do que constitui violação.

A divulgação de informações sobre

o estado de saúde é considerada um risco

importante e penalidades específicas se

aplicam à sua divulgação e publicação

de forma incorreta, acarretando custos

significativos aos provedores. Isto

também enfatiza a necessidade de as

companhias formarem parcerias com

sofisticados e experientes provedores de

serviços que podem ajudá-las a enfrentar

tais complexidades.

Cada violação é diferente

Ataques profissionais

- Pirataria ou malware

- Phishing e pharming

- Violação intencional de informações

(empregados, contratados)

- Fraude de cartões de crédito

Controles inadequados de segurança e acesso

- Detalhes do cartão não criptografados (código CVC)

- Uso simultâneo de mesmo log-in

- Falha na atualização de sistemas

Perdas em trânsito

- Envio de fitas de back-up para armazenamento

- Transferência de equipamentos

- Descarte inadequado

(papel, lixo eletrônico)

Contratempos

- Divulgação não intencional

- Perda ou furto de equipamentos portáteis

- Furto de equipamentos fixos

- Dados transferidos para o equipamento do empregado

* Andrea Kotter, Underwriter Casualty Treaty, e Andreas Moser, Head of Client

Management Latin America South, ambos da Munich Re

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comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

As pedaladas da Dilma

Não, não vou falar sobre as famigeradas pedaladas fiscais.

Dessas cuidam o Tribunal de Contas e o Legislativo Federal...

Vou me restringir ao singelo campo das pedaladas

verbaisS da suprema mandatária danação (o cacófato é proposital).

O curto espaço de que disponho nesta coluna não

permitirá listar mais do que umas poucas dentre as muitas

perpetradas por ela...

Em fala recente, ela lamentava não poder cumprir a

promessa de entregar “as cinco milhões de casas” que havia

prometido... Então vamos lá à regra básica de concordância

nominal, que diz que os termos secundários (complementos

e adjuntos) concordam com o termo essencial (substantivo

ou palavra substantivada). Ora, no presente caso, milhões é o

termo essencial. E é do gênero masculino. Logo, a expressão

correta é “os cinco milhões de casas”.

Alguém poderá perguntar: “Mas, não seria possível concordar

com “casas”? Afinal, é também um substantivo! Não!

O substantivo precedido de preposição passa a ser um mero

adjunto adnominal!

Mas há pedaladas mais sérias, que extrapolam a área da

gramática e atingem a geografia. Foi o caso de seu discurso

em Roraima. Esse estado da federação, anteriormente criado

como Território Federal, pelo Decreto-lei 5812, de 13 de setembro

de 1943, tem por capital a cidade de Boa Vista. Pois

bem, ali, empolgada, ele declarou ser Roraima “a capital mais

distante de Brasília”! Para arrematar, proferiu, em clima de

empatia: “Eu me considero hoje uma roraimada”!

Roraimada? Em que se baseou para sair com um disparate

desses? Vamos lá à Gramática?

Entre as classes de palavras, logo após o Substantivo vem

o Adjetivo: “palavra que se refere ao substantivo indicando-

-lhe um atributo”. O Adjetivo se classifica em: Restritivo,

Explicativo e Pátrio ou Gentílico. É restritivo quando cita

uma qualidade não obrigatória do substantivo a que se refere.

Por exemplo: homem bom. Pergunta-se: todo homem é bom?

não. Logo, essa qualidade se restringe a este homem. Por isso,

o adjetivo é restritivo. Por sua vez, o Explicativo é aquele que

“chove no molhado”, agregando uma qualidade obrigatória,

como em homem mortal.

Já o gentílico indica a origem do ser: peixe paraense (do

Pará); poeta baiano (da Bahia) etc.

É bem verdade que há alguns que fogem a esse princípio

geral e são exóticos. É o caso de carioca, que se refere a quem

é da cidade do Rio de Janeiro, designação que se deve ao rio

chamado Carioca, que nasce na Floresta da Urca e deságua na

Baía da Guanabara. Se, porém, a referência for ao natural do

estado do Rio de Janeiro, o termo é fluminense, cuja origem e

a palavra latina flumen, que significa rio.

Agora, complicado mesmo é o gentílico dos nascidos na

capital da Bahia: Soteropolitano! Por quê? Porque vem do

vocábulo grego Soter, que se traduz por Salvador e tem ligação

com a história do Cristianismo! Além da cruz, os primeiros

cristãos usavam como símbolo secreto de sua fé a figura de

um peixe, que em grego é ichthys. Para eles, uma sigla, cujo

significado era Yesous Christos Theou Yios Soter: Jesus Cristo,

filho de Deus, Salvador!

Voltando a Roraima: em sua maioria, os adjetivos gentílicos

terminam em ano: baiano, sergipano; alagoano; ou em

ense: cearense, piauiense, belenense etc. Então, seria natural

que a presidente escolhesse uma destas formas: RoraimANA

ou – acertando – RoraimENSE! Não se sabe porque cargas

d’água, ela partiu para uma inusitada roraimada...!

No Ceará, após cumprimentar a mulher cearense, proclamou:

“Aqui não só fez tudo isso, mas inaugurou o Brasil! Não

vamos esquecer aonde (sic) o Brasil começou”!

Ao voltar de sua viagem aos Estados Unidos, relatou: “Ontem

eu disse pro Presidente Obama que depois que a pasta de dente sai

do dentifrício, ela dificilmente volta pra dentro do dentifrício...”

Sobre a terra lusa, comentou, enfática: “Em Portugal, de

onde eu acabo de vir, o desemprego bera (sic) 20%, ou seja:

um em cada quatro portugueses ESTÃO (sic) desempregados”!

Sua fala foi precisa e objetiva sobre a meta de seu governo:

“Nós não vamos colocar uma meta. Nós vamos deixar uma meta

aberta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta”!

Para fechar com chave de ouro, nada melhor que esta

inteligente e inteligível saudação: “Nenhuma civilização

nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação e

aqui nós temos uma, como também os índios e os indígenas

americanos têm a deles. Temos a mandioca e aqui nós estamos

e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que

foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização

humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando

a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”!

Depois de tudo isso, é oportuno lembrar aqui a recomendação

básica de meu curso de Oratória: “Antes de ligar a boca,

ligue o cérebro! ”

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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