Revista Apólice #199

revistaapolice

editorial

Ano 20 - nº 199

Junho 2015

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

A virtude da

diversidade

Em tempos econômicos mais complicados, com previsão de

decréscimo do PIB em até 2 pontos percentuais em 2015, manter

traços de otimismo é praticamente uma tarefa hercúlea.

Os executivos do mercado de seguros precisam de esforços

cada vez maiores para reafirmarem suas posições. Para 2015 o mercado

não deve chegar a um crescimento tão expressivo quanto

dos últimos anos, apesar de ainda haver uma demanda reprimida

para produtos de seguro. A verdade é que há menos crédito na

praça, o nível de consumo caiu e alguns setores já sentem esta

retração na pele.

Nesta edição você poderá conferir o que aconteceu na reunião

que o Ministro da Fazenda Joaquim Levy convocou com o mercado

segurador europeu. O encontro foi realizado na sede do Lloyd´s

em Londres. Segundo relato dos presentes, a intenção do Ministro

é atrair mais investimentos para a economia brasileira, como mostra

o colunista Luciano Máximo.

Depois do final da Copa do Mundo e eleições, além do escândalo

da operação Lava Jato, as grandes obras no país pararam.

Agora, as seguradoras que atuam em grandes riscos estão cautelosas

e muito seletivas na aceitação dos riscos existentes. Você pode

conferir a situação desta carteira na matéria da Amanda Cruz.

A Revista Apólice está cada vez mais diversificada.No próximo

mês comemoraremos 20 anos de atuação no mercado de seguros

e estamos preparando uma edição especial. Vale a pena aguardar.

Boa leitura!

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Diretora de Redação

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Revista Apólice

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sumário

especial grandes riscos

32 mudanças

Fim do fator previdenciário pode ter

impacto no mercado de previdência

privada

36 produto

Com coberturas diferenciadas e

abrangentes, mercado garante tranqüilidade

para realização de eventos

6 entrevista

Phillipe Jouvelot fala sobre os desafios

40 consumo

Levantamento mostra os perfis de

clientes que buscaram por seguros

no início de 2015

28 transferência 20 | direito de londres

da Axa na chegada ao Brasil e a parceria

44 captação

com SulAmérica na carteira de grandes

riscos

22

mercado

O momento econômico pede cautela

e companhias traçam estratégias para

decidir se ficam ou saem do mercado

de grandes riscos

10

16

|

|

painel

gente

Mercado de capitais vai além das catástrofes

naturais e começa a operar em

outras linhas

50

|

Setor aumenta participação entre as

empresas de capital aberto e deverá

se diversificar na bolsa

comunicação e expressão

4


entrevista | Philippe Jouvelot

De volta ao

Brasil

Phillipe Jouvelot

fala da chegada da

Axa e do desafio

de tornar a marca

conhecida entre os

consumidores

6

Kelly Lubiato

APÓLICE: Qual será a linha de atuação

da empresa no Brasil?

Philippe Jouvelot: O grupo decidiu,

entre 2012 e 2013, vir para o Brasil

com um plano de negócios tipicamente

francês: de 25 anos, bem longo prazo, o

que é da nossa cultura.

A intenção é desenvolver uma seguradora

de grande porte no mercado,

começando com comercial lines e linhas

corporativas. Temos três atividades

agora: os grandes riscos de Property

and Casualty, as linhas gerais e vida em

grupo e afinidades. As licenças foram

recebidas no ano passado e fizemos a

instalação do TI, montamos um time

excelente. Agora, já recebemos cerca

de 1 a 1,2 mil pedidos por mês. Nós

não esperávamos ser tão bem-vindos ao

Brasil nesse começo.Contratamos pessoas

que conhecem bem o mercado. Nós

recrutamos pessoas que são bastante

conhecidas porque o mercado brasileiro

é feito de relacionamento e isso funcionou

bem. A Axa é a primeira marca de

seguros do mundo, a maior seguradora

internacionalmente, e acho que os corretores

conhecem bem a companhia. O

público não conhece, mas é uma marca

bem conhecida dos corretores. Quando

nós chegamos aqui eles já estavam esperando,

já queriam a nossa presença.

APÓLICE: Quais iniciativas vocês pretendem

fazer para aproximar o corretor

de seguros?

Philippe Jouvelot: O corretor não

é apenas o principal, mas é o único canal

de distribuição. A Axa é uma seguradora

que apenas trabalha com corretores e

estamos cientes que a parceria firmada

com a SulAmérica será muito importante,

porque é uma companhia que conta

com 30 mil corretores bem fieis à marca.

Vamos comercializar todos os produtos

de grandes riscos e transportes através

da distribuição da SulAmérica, para

atingir todos os corretores que estão

bem longe de São Paulo. Com isso, a

Axa se torna, imediatamente, nacional.

É fantástico!

O único foco é o corretor. Quando

chegamos aqui, os grandes corretores

que frequentemente lidam com companhias

internacionais já nos conheciam

muito bem. Eu diria que os mil primeiros

corretores do Brasil conhecem muito

bem a Axa e a parceria com a SulAmérica

atinge os demais corretores, o que

contribuirá para o nosso crescimento.

APÓLICE: O acordo com a SulAmérica

não foi apenas uma aquisição, mas uma

parceria. Como ela foi alinhada?

Philippe Jouvelot: A SulAmérica

é a primeira seguradora independente

do País, uma companhia de sucesso

enorme, com uma estratégia claríssima

de riscos massificados, saúde, auto. Já a

Axa tem seu core business voltado para o

investimento em grandes riscos. Somos

totalmente complementares e foi uma

parceria fantástica. É uma oportunidade,

mais do que estratégia. Essa parceria

existe há 10 anos, o acordo recíproco

vem desde 2006. A compra da parte de

grandes riscos para que a AXA pudesse

se desenvolver como deseja, nas linhas

de negócio que são seu forte, deixam a

SulAmérica mais à vontade para ir em

frente com sua própria estratégia de

riscos. É o ideal, pois pode dar ênfase

em linhas de negócio que são foco dela,

como vida em grupo. Não há competição,

mas complementaridade.

APÓLICE: Mesmo com economia não

favorável o interesse no País continua?

Philippe Jouvelot: Primeiro, eu

proponho utilizarmos a Europa para

comparação. A Grécia e todos os países

do sul da Europa, como Itália e Espanha,

tem situação econômica bem difícil.

Aqui no Brasil, a questão econômica

não é tanto em relação ao PIB, que é importante

para o crescimento do mercado

de seguros. A particpação da indústria

de seguros no PIB é bem menor do que

o resto do mundo, menos do que 3%. O

próprio Levy [Joaquim Levy, ministro

da Fazenda] disse que esperava que o

crescimento do setor fosse de 10%, então

8% já será muito bom.

Basta olhar ao redor e observar

todos os prédios, todas as construções,

grandes obras que antigamente ninguém

comprava seguro para elas. Não faz parte

do jeito brasileiro comprar seguros. No

resto do mundo, quando alguém compra

um automóvel ou um apartamento,

imediatamente adquire uma apólice de


7


entrevista | Philippe Jouvelot

seguros. Aqui no Brasil, não. A diferença

principal é que aqui existem 54 mil corretores

excelentes, prontos para vender e

no resto do mundo as pessoas procuram.

Os corretores oferecem o que as pessoas

precisam, mas elas não têm o hábito de

comprar. Acredito que demorará muito

até que se torne um hábito, mas a penetração

da indústria de seguros dentro da

economia, que é baixa, fará com que o

crescimento possa chegar a 15%.

É por isso que eu adoro trabalhar

com corretores. O trabalho deles é exatamente

esse: encontrar os clientes, explicar

os riscos e convencer que aquela apólice

ajudará a desenvolver uma empresa,

um negócio, a vida pessoal, até mesmo

antes de falar sobre os bens físicos que

você pode proteger. O trabalho que os

corretores estão fazendo para trazer

essa cultura é maravilhoso. Acredito

que nós, juntamente com a Federação

de Seguradoras, podemos propor ações

e contribuir para o crescimento do setor.

Como sou bem prático, eu diria que temos

que trabalhar o melhor para os corretores,

tornar a companhia mais digital

para os parceiros para que eles possam

se conectar com a Axa remotamente e

fechar o negócio com facilidade, com

acesso e atendimento de qualidade. Isso

é, para mim, o mais importante.

APÓLICE: Como foi a relação com

a Susep no período de aprovação da

atuação da companhia no País?

Philippe Jouvelot: Os brasileiros

costumam dizer que aqui é muito difícil

conseguir as aprovações com a autarquia,

mas na verdade não é. Existem

locais como a Alemanha, por exemplo,

muito mais rigorosos. Aqui você precisa

fazer o dossiê, preencher a papelada,

apresentar o plano de negócios; a Susep

tem o papel de proteger a população, o

seguro e ter certeza de que a solvência

da seguradora será enorme e, por

isso colocamos aqui um capital muito

grande. Temos também uma resseguradora

local para garantir a estabilidade

financeira.

O que é importante para o regulador

é cumprir seu papel de garantir que as

seguradoras se comportarão de uma

maneira razoável para que jamais um

sinistro deixe de ser indenizado. Nós

entendemos e respeitamos muito o papel

da Susep.

Eu também vejo que o superintendente

de hoje é muito moderno e quer

que o mercado se modernize. Ele aceita

muito bem inovações que são propostas

desde que façam sentido e que não tragam

riscos de falta de solvência para a

seguradora.

Claro que se você não tem muito

financiamento, se gostaria de fazer algum

outro procedimento é difícil, mas

um grupo como o AXA tem um plano,

“Temos que

trabalhar o melhor

para os corretores,

tornar a companhia

mais digital para

os parceiros para

que eles possam se

conectar com a Axa

e fechar o negócio

com facilidade.”

capital, todas as medidas de compliance,

capacidade de cumprir tudo que é norma

para se tornar uma instituição financeira

de qualidade.

APÓLICE: Já há uma meta de crescimento

traçada para a filial brasileira?

Philippe Jouvelot: Além das

aquisições, a ambição da AXA é de

fazer US$1 bilhão nos próximos oito,

dez anos; nós já investimos um pouco

mais de R$ 2 bilhões para desenvolver a

AXA no Brasil. Poderemos realizar mais

investimentos como o da SulAmérica.

Tudo isso tem a ver com oportunidades.

O foco da companhia não é aquisição,

mas o crescimento razoável e, se for

o caso, e nós tivermos oportunidades

de fazer compras que são totalmente

alinhadas com o nosso plano, pode ser

que façamos, mas não é obrigatório. Nós

temos apetite de crescer, agora é desenvolver

sobre o plano já existente. O que

surgir de oportunidade será avaliado.

APÓLICE: Há algum modo de operação

que será trazido de fora e implementado

no Brasil?

Philippe Jouvelot: Sim. Por sermos

uma companhia global, devemos ter

três particularidades ao mesmo tempo:

um sistema “tropicalizado”, ou seja, totalmente

compatível com o mercado brasileiro,

Susep, Receita Federal etc. Você

precisa ter uma camada de contabilidade

e relatórios técnicos que realmente contemplem

o sistema. Além disso, é preciso

ter a possibilidade de refletir e interagir

com os programas internacionais para

que a Axa no Brasil possa trabalhar

com as grandes empresas de fora. O

outro elemento é a parte digital para os

corretores. Estamos desenvolvendo essa

parte, que deverá ficar pronta no meio

do próximo ano e isso se tornará muito

importante, porque a seguradora quer

ser uma plataforma digital.

APÓLICE: Há algo novo sendo trazido

de fora para o mercado brasileiro,

aguardando aprovação?

Philippe Jouvelot: A cada semana

estou assinando uma variação de um

produto novo. A minha secretária me diz

que o presidente com quem ela trabalhava

no passado assinava uma mudança de

produto a cada seis meses e, para mim,

são seis vezes por semana. A Axa é bem

dinâmica. Acho que não é unicamente a

flexibilidade que a companhia gosta de

ter para o corretor, mas seu desejo de

adaptar o produto a cada necessidade

de atividade do cliente. Você não faz

a mesma linguagem, a mesma apólice

de seguros para uma empresa de distribuição,

outra de mineração etc. A

apólice precisa ser diferente. O costume

no Brasil era fazer a mesma coisa para

todos, então queremos ouvir o que cada

um gostaria de ter e fazer um produto

adaptado para cada atividade.

Isto é o que nos diferencia das demais

seguradoras do mercado. Acredito

que a resistência à mudança tem muito

mais a ver com os profissionais do que

as regras da Susep. Eles se acostumaram

a fazer sempre de um jeito e não vêem

8


porque mudar. Nós não. O resto do mundo

está se adaptando às necessidades de

cada corretor, atividade de cliente e, para

nós, é normal realizar um trabalho um

pouco mais burocrático que valha a pena.

APÓLICE: Inovar no mercado de seguros

é difícil? Como a AXA pretende

se diferenciar?

Philippe Jouvelot: Nós temos um

marketing especial: somos um pouco

latinos. Existem dois tipos de marketing:

o que é uma guerra total de concorrentes

e o “marketing francês”, de sedução dos

clientes, com produtos bons. Jamais você

verá, por exemplo, a Louis Vuitton criticando

as demais concorrentes. Ela fala

do seu produto. Não do concorrente. É

a mesma coisa. Nós respeitamos muito

as demais seguradoras do mercado. O

nosso foco são os clientes e o que podemos

fazer para atendê-los de verdade e,

no longo prazo, isso funciona.

A inovação pode ser vista de uma

maneira egoísta. Mas criar um departamento

não é a melhor solução. O que

o cliente gostaria de ter é a inovação de

cada dia para resolver seus problemas

cotidianos. É o que fazemos: nós não

vamos sair com um produto de cyber

risk pensando que imediatamente a vida

dos brasileiros mudará com isso. Mas

se você está atento, ouve, se adapta e dá

uma resposta diferente do que o mercado

dava antigamente, isso é inovação.

APÓLICE: Como tem sido sua experiência

à frente da seguradora no Brasil?

Philippe Jouvelot: Eu tenho o

hábito de dizer que um brasileiro é um

francês gentil. É uma maravilha para um

francês chegar ao Brasil, porque a vida

é bem mais agradável aqui, não só pelo

clima, as praias e a dimensão do País,

mas pela cultura. Eu estou totalmente

convencido de que o Brasil terá um

futuro enorme quando as empresas brasileiras

se tornarem mais internacionais.

Conversei com alguns corretores

aqui no Brasil que estão pensando em

abrir uma filial no Chile, no Peru e eu

pergunto por que não na Alemanha, em

Dubai, em Singapura? O mundo todo é

para vocês, mas acho que existe uma

barreira cultural para se transpor, pois

a cultura positiva de negócio dos brasileiros

tem uma força fantástica.

Acho que o Brasil, além do potencial

de crescer nacionalmente, tem um

potencial internacional enorme.

Gabriel Portella e Philippe Jouvelot celebram parceria entre SulAmerica e Axa

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painel

A corretora Anhumas Seguros adquiriu

50% do capital da Tua Seguros,

corretora especializada em benefícios

corporativos. Com a operação, a Anhumas

passa a explorar, por meio da Tua,

um novo nicho: a comercialização e

gestão de benefícios corporativos como

planos de saúde, planos odontológicos e

seguros de vida.

De acordo com o diretor de negócios

da Anhumas, Paulo Henrique Pereira

Júnior, a ideia é agregar os benefícios

corporativos comercializados pela Tua ao

atual portfólio da corretora, composto por

proteções patrimoniais, de responsabilidade,

financeiras e, em menor parte, por

apólices de auto e residência. “Queremos

oferecer soluções customizadas em benefícios,

ou seja, associadas a um pacote

de serviços de consultoria que vai muito

além da venda pura e simples de produtos

de vida e saúde”, diz o executivo.

O diretor comercial da Tua Seguros,

Eduardo Bar, diz que a empresa já foca

80% do tempo nesses serviços de pósparceria

Corretoras se unem para explorar ramo de

benefícios

-venda. “Nossa equipe é composta majoritariamente

por mulheres, que têm uma

facilidade natural de colocar-se no lugar

do cliente e imprimir um toque humanizado

ao atendimento. É essa disposição

de ir além da venda e oferecer meios para

desafogar o trabalho do RH e auxiliar na

gestão é que faz a diferença. Sabemos

que onera um pouco as margens, mas

gera fidelização e reconhecimento (sobre

o serviço prestado)”, sustenta ele.

marketing

A arena mais

lucrativa do Brasil

O New York Times apontou o

Allianz Parque como exemplo de

administração. A reportagem elogia

a utilização que o Palmeiras vem

fazendo da arena e a aponta como

a mais lucrativa do Brasil.

Em 2013, a construtora WTorre

firmou uma parceria com a Allianz

Seguros, que detém o direito de nomear

a arena por 20 anos, podendo

renovar por mais dez.

investimento

Ampliação da Central de Guias para atender demanda dos clientes

Projeto antigo da Ameplan Assistência

Médica Planejada, a ampliação estrutural

da Central de Emissão de Guias

finalmente saiu do papel e transformou-se

em realidade.

Nos últimos quatro anos, com o

crescimento da carteira de beneficiários

da operadora, o serviço de emissão de

10

guias aumentou em cerca de 40% e as

instalações deixaram de ser adequadas

para oferecer conforto aos clientes enquanto

esperavam atendimento.

Para viabilizar a ampliação do setor,

foi realizada uma grande reforma no

andar térreo do ambulatório de Santo

Amaro, que agora passou a abrigar a

Central de Guias Ameplan, num espaço

amplo, confortável, bem planejado em

termos de fluxo de atendimento, iluminação

e conforto.

Mesmo oferecendo este novo espaço

exclusivo, o foco da operadora engloba

também a liberação de guias através de

seu Portal Digital no site.

Embora o perfil de clientes seja

identificado como pessoas que gostam de

vir pessoalmente retirar suas guias, tirar

dúvidas e travar um contato pessoal com

a equipe de atendentes, neste ano de 2015

a Ameplan está trabalhando no serviço

de atendimento digital para a emissão de

guias de exames, inicialmente com a liberação

de exames de baixa complexidade,

como hemogramas, análises clínicas em

geral e ultrassom. O objetivo é oferecer

uma opção a mais para os associados, que

passarão a contar com mais uma opção

na hora de realizar seus exames.

José Silva dos Santos, diretor administrativo

financeiro, informa que foram

disponibilizados todos os meios possíveis

para que o Associado tenha acesso às

suas guias de exames sem esforço e sem

burocracia, pois a Ameplan dispõe de

atendimento para emissão de guias em

todas as suas unidades de atendimento

ambulatorial, além de disponibilizar o

serviço por e-mail e fax.


painel

tecnologia

Solução contra

fraudes

A empresa SAS lançou uma

tecnologia para soluções contra

fraudes em seguradoras. A ferramenta

possibilita uma abordagem

terceirizada que inclui software,

hardware e serviço de gestão estratégica

contra fraude. O produto é

oferecido em diferentes tamanhos

para atender, principalmente, às

exigências de Pequenas e Médias

empresas (PMEs), dispensando o

investimento em equipe interna para

analisar os dados. A oferta permite

instalação rápida mesmo em empresas

sem domínio analítico.

“A solução é capaz de identificar

o invasor da subscrição ao sinistro,

melhora o índice de detecção,

aumenta a assertividade e agiliza

os processos”, afirma Ricardo Saponara,

especialista em Fraude em

seguradoras do SAS. .

Dados recentes apontam crescimento

de fraudes no segmento

de seguros. Pesquisa realizada pela

empresa revelou que apenas 21%

das seguradoras dos Estados Unidos

monitoram a incidência em tempo

real e que somente 13% usam uma

variedade de técnicas avançadas que

envolvem soluções analíticas. O cenário

é ainda mais desafiador quando

se enfrenta um leque diversificado

de fraudes. Para o especialista, em

épocas de dificuldade econômica, é

perceptível o aumento de ciberataques

e fraudes, pois existem pessoas

que tentam repor suas perdas de

todas as formas. Outro exemplo é

o exagero de reivindicações para

a obtenção de melhores acordos e,

também, a ‘invenção’ de acidentes e

reclamações como forma de

ganhar dinheiro.

patrimônio

Tecnologia no combate ao roubo de cargas

De acordo com dados da Secretaria

da Segurança Pública de São Paulo, os

roubos de carga subiram quase 20% na

comparação entre abril deste ano e o mesmo

período de 2014. No Estado, a alta foi

de 8% e, no acumulado do ano (janeiro a

abril), o aumento foi de 9%, enquanto na

capital paulista chegou a 18%.

Diante disso, as empresas estão

investindo em tecnologia e planos estratégicos

para gerenciamento de risco.

identidade

Corretora mostra sua nova cara

A Lojacorr apresentou sua nova identidade.

Reformulada, a logomarca da empresa

ganhou traços mais suaves e versão

compacta, assinando como Rede Lojacorr.

“Vivemos um novo momento e

a marca traduz isso, nossa operação

está mais simples e o nosso modelo de

negócios está mais completo”, afirma

Diogo Arndt Silva, vice-presidente da

companhia. “Lançamos com a marca

uma visão ampliada do negócio, com base

no empreendedorismo. Todos dentro da

Rede terão novas formas de alavancar

seu desenvolvimento. Com isso, cada

vez mais teremos condições de entregar

para o mercado e para sociedade a nossa

missão de proteger”, enfatiza o executivo.

“O GR tem como objetivo identificar e

neutralizar os diversos fatores que juntos

podem resultar em uma perda, seja

patrimonial ou até mesmo de uma vida”,

diz Cyro Buonavoglia, presidente da

Buonny Projetos e Serviços.

O executivo explica que, no setor de

transportes, o serviço tornou-se indispensável

para as operações logísticas,

pois busca minimizar qualquer perda ou

dano. Por conta disso, algumas ações são

importantes neste processo, como análise

do perfil do motorista, plano de rotas,

rastreadores, central de monitoramento

e treinamento das pessoas responsáveis

pela operação.

“Com essas ações, o gerenciamento

de riscos auxilia a transportadora a cumprir

o compromisso de entrega das mercadorias

ao seu destino, ao embarcador a

preservação da marca e a manutenção do

seu market share, e à seguradora, possibilita

o equilíbrio do índice de sinistros e

prêmios, viabilizando melhores taxas de

seguros. Assim, a qualidade da operação

depende do nível de gerenciamento implantado”,

explica Buonavoglia.

Para o presidente da empresa, José

Heitor Silva, a nova identidade deixa

espaço visual para a divulgação da

marca das corretoras da Rede. “Vamos

fortalecer cada vez mais as marcas das

corretoras”, diz ele.

12


painel

incentivo

New York, New York

A edição de 2015 do Programa Mapfre

DNA, da Mapfre Seguros, levará

corretores para Nova Iorque, nos Estados

Unidos. “Uma parceria de sucesso é

construída com muito trabalho e foco e

é consolidada com a celebração de todo

esse esforço. Será uma oportunidade

para reunir os melhores profissionais do

setor, trocar conhecimentos e reconhecer

a importância dessa participação nos

negócios da seguradora”, afirma Dirceu

Tiegs, diretor geral da Rede Mapfre do

Grupo BB e Mapfre.

Serão premiados os corretores que

atingirem as metas mensais estabelecidas

pelo programa. Para que os profissionais

de todo o País possam participar de

forma igualitária, as pontuações são estabelecidas

de acordo com cada região.

A campanha de vendas acontecerá até o

dia 30 de novembro deste ano.

A Mondial Assistance passou a

utilizar bicicletas elétricas, batizadas

de Mondial eBikes, com capacidade

de carga de até 100 quilos, para disponibilizar

socorro mecânico ao longo

de algumas das principais ciclovias

da capital paulista, além de parques,

aos finais de semana.

O objetivo da companhia é dar

suporte a ciclistas e automóveis que,

eventualmente, precisem de auxílio

para pequenos reparos, como troca

de pneus, carga de baterias (para carros)

e ajuste de freios (para as bikes).

Segundo a Associação Brasileira dos

Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores,

Motonetas, Bicicletas e Similares

(Abraciclo), durante a semana

circulam mais de 300 mil bicicletas

por São Paulo, sendo que, aos finais

de semana, esse número praticamente

dobra, passando para 550 mil.

“Neste projeto piloto das Mondial

eBikes, o atendimento aos ciclistas

e motoristas está sendo gratuito e

também de forma proativa. Principalmente

aos domingos e feriados,

nossos mecânicos rodam com as biassistência

O atendimento vem de bike

cicletas pelas ciclovias auxiliando quem

necessitar de algum tipo de suporte”,

diz Jedey Miranda, vice-presidente de

Operações e TI da empresa.

As Mondial eBikes circulam obedecendo

a todas as regras para ciclomotores:

possuem até 50 cilindradas,

velocidade de 35 km/h, em média, o

condutor é habilitado com a CNH,

categoria A (moto) e usa de capacete.

exposição

O corretor de seguros no centro das atenções

O Sincor-SP lançou em maio a

exposição itinerante “O corretor de

seguros através dos séculos”, em Bauru

(SP). “A escolha da cidade para iniciar

essa exposição não poderia ser mais

oportuna. O município encontra-se na

região central do Estado de São Paulo

e é polo de exportação de experiências

que marcaram o mercado, por meio de

corretores de seguros, que merecem ser

reconhecidos com esse trabalho”, diz o

diretor da Regional Bauru do Sincor-SP,

Fernando Alvarez.

A mostra percorrerá as cidades-

-sede das 30 regionais da entidade e

contará a história da profissão de corretor

de seguros no Brasil, desde a criação

da primeira sociedade de seguros brasileira

até os dias atuais, resgatando, por

meio de imagens históricas, a realidade

da época com seus costumes, música,

política e seguros, entre outros aspectos.

De acordo com o presidente do

Sincor-SP, Alexandre Camillo, o objetivo

é mostrar à sociedade o relevante

papel da categoria no desenvolvimento

da economia do País.

“Por meio dessa exposição, pretendemos

ressaltar também que o corretor

de seguros vai muito além da venda

de um produto ao atuar como assessor

de seus clientes, orientando e simplificando

um assunto complexo para

muitos, porém imprescindível”, declara

o executivo.

O conteúdo da exposição foi elaborado

pela historiadora, especialista em

arquivística e pesquisadora na área de

patrimônio histórico, Ana Lucia Queiroz,

pela produtora cultural e artista

plástica, Marta Oliveira, e pela jornalista

e fotógrafa Márcia Zoet, da Illumina

Imagens e Memória.

14


nordeste

Crescimento em saúde

A SulAmérica participou do 1º Encontro de Corretores

de Seguros da Paraíba, realizado em João Pessoa (PB). Os

corretores paraibanos foram recepcionados pelo diretor da

Regional Norte/Nordeste, José Henrique Pimentel, e pelo diretor

de Relacionamento com Clientes de Saúde da SulAmérica,

Roberto Cardoso.

O evento é organizado pelo Sincor-PB, que comemora 25

anos de atuação, e tem a seguradora como uma das patrocinadoras.

Na programação, um dos destaques foi a palestra “Perspectivas

para o seguro saúde no

Brasil, Nordeste e Paraíba”,

ministrada por Cardoso.

Pimentel ressaltou que

o segmento Saúde vem impulsionando

a estratégia de

negócios da companhia na

Paraíba. “Nos preparamos

para crescer, com a ampliação

da rede de prestadores

e um intenso programa de

treinamento junto aos corretores

locais”, afirmou .

seguradoras

Lucro cresce 33% no primeiro

trimestre

O lucro líquido

acumulado das companhias

seguradoras,

no primeiro trimestre

de 2015, apresentou

alta de 33% em relação

ao mesmo período de

2014, saltando de R$

4,3 bilhões para R$ 5,7

bilhões. Esta é uma das

conclusões da edição

de maio da “Carta de

Conjuntura do Setor

de Seguros”, publicação assinada pelo Sincor-SP e que traz

um mapeamento mensal do mercado de seguros. De acordo

com o documento, a atual política de juros aliada aos ajustes

nos custos das companhias explicam a boa performance.

Com base na manutenção da rentabilidade das seguradoras,

a Carta de Conjuntura estima o que o setor repetirá

ao longo de 2015 um crescimento no mesmo patamar do

ano anterior, 10%.


GENTE

Anúncio da nova

presidência

Jader Pereira de Abreu foi escolhido

novo presidente da Aconseg-MG.

O executivo da Asseg-MG irá substituir

Tarcísio Alcici Figueiredo.

O novo presidente destacou a necessidade

de unir esforços em prol da categoria,

buscando relacionamento próximo

com o mercado segurador e atender às

demandas dos consumidores por parte

das assessorias.

Cinco novas contratações em

diferentes áreas

Cinco novos executivos chegam

à Yasuda Marítima e ajudam a reformular

a equipe da seguradora em

diversas áreas. Um deles é Agnaldo

Libonati, que assume a direção de

Operações da área de Sinistros e

Recuperações. O executivo possui

29 anos de experiência em Direito

Empresarial e Securitário, além de

conhecimento na área de sinistros,

e agora terá como desafio supervisionar

as áreas de sinistro dos ramos

Automóvel, Patrimonial, Transportes,

Vida e Saúde.

Já a unidade de produtos Patrimoniais

– Empresarial Middle tem

como novo gerente o engenheiro

Paulo Giroto, que conta com cerca

de 28 anos de experiência na área

de Seguros e passagem nas áreas

de subscrição de riscos de grandes

companhias.

Fabiana Medina, que atuava na

companhia como gerente de Produtos

Patrimoniais Massificados, assume o

cargo de gerente da área de Produtos

Compreensivos.

Marcos Ávila da Costa é o novo gerente

da unidade Patrimonial Massificados

e Thales Lemos assume o posto de

gerente de Precificação de Automóvel.

Advocacia voltada ao seguro

Gerente em Niterói

A SulAmérica anunciou mudanças

em sua operação comercial em Niterói

(RJ). Leonardo Moreira assume a gerência

da unidade, passando a liderar a

equipe da filial da companhia.

Moreira está na empresa desde 2005

e, com o novo cargo, terá a missão de

realizar as tarefas de gestão, planejamento,

relacionamento, atendimento e

treinamento de vendas de todos os ramos

de atuação da seguradora.

Os sócios Daniela Matos, João

Marcelo Máximo dos Santos, Julia

Nogueira, Juliano Castro, Keila Manangão,

Marco Bevilaqua, e Roberto F.

S. Malta Filho inauguram o novo escritório

voltado aos mercados de seguros,

resseguros, previdência complementar,

saúde suplementar e capitalização

Santos & Bevilaqua. A atuação atende

todas as demandas jurídicas: cível,

contencioso, regulatória, societária,

trabalhista, tributária e outras, sempre

com o conhecimento em seguros

como diferencial de atuação.

16


GENTE

Paride Della Rosa

Reformulações de estratégia

A AIG apresenta seu diretor presidente

para a unidade brasileira. Paride

Della Rosa é o novo responsável pela

supervisão das operações da AIG Brasil,

além das estratégias de negócios no País.

“O mercado de seguros no Brasil

vem crescendo significativamente.

Seguros Gerais Na América Latina

Claudia Dill é a nova CEO de Seguros

Gerais para a América Latina da

Zurich. A executiva se reportará diretamente

a Mike Kerner, CEO de Seguros

Gerais da empresa, e mudará para São

Paulo após a conclusão dos procedimentos

do visto de entrada no Brasil. Ela

trabalhará junto a Edson Franco, CEO

de Global Life LatAm, para continuar

com o posicionamento e o crescimento

da Zurich na região.

A nova CEO ingressou à Zurich em

1999 e é a atual Chief Operating Officer

(COO) de Seguros Gerais, desde julho

de 2012. Anteriormente, desempenhou

funções como Head of Global Business

Edson Lima de Souza

Acredito que a operação da AIG Brasil

tenha muito terreno para evoluir”,

declarou.

A área de Transportes também

acompanhará as mudanças da companhia

e anuncia Edson Lima de Souza como

novo gerente.

em Nova York, assim como COO e CFO

de Seguros Gerais na Europa.

Gerente Comercial

Larissa Massih Vargas Monge

é a nova gerente comercial da Pan Seguros.

A profissional será responsável

pela regional São Paulo e terá como

função identificar novas oportunidades

de vendas para as soluções e produtos

oferecidos pela empresa.

“Minha maior motivação para integrar

a equipe comercial da Pan Seguros

são os desafios que a empresa encontra e

a possibilidade de expandir a companhia

no mercado segurador”, declara.

Gestão de

processos

Ricardo Alexandre Santos,

executivo do mercado de seguros há

20 anos, foi contratado pela Europ Assistance

Brasil para comandar as áreas

de Operações e Rede de Prestadores.

“Atuar com a gestão dos processos

e dos prestadores é contribuir com o

coração da empresa, todas as áreas

precisam que a logística de redes e

terceirizados funcione com excelência”,

afirma Santos.

Novo comando de

operações

Jedey Miranda foi promovido

à vice-presidente de Operações da

Mondial Assistance Brasil. Com

passagens por empresas nacionais e

multinacionais como Contax, Europ

Assistance, Eaton e General Motors, o

executivo reporta diretamente ao CEO

da companhia, Vincent Bleunven.

18


19


direto de londres

por Luciano Máximo*

Bastidores do ministro da

Fazenda em Londres

Durante a abertura do mercado de

resseguros brasileiro, em 2007, Joaquim

Levy estava lá. No cargo de secretário

Estadual da Fazenda do Rio de Janeiro,

ele se envolveu profundamente com o

processo e foi uma espécie de camisa

10: recebia a bola no meio, a controlava

com destreza e dava sequência à jogada

— de forma objetiva, pragmática, sem

firulas, ao melhor estilo de um jogador

com formação econômica ortodoxa, um

“Chicago Boy”. À época, Levy ouvia o

setor e, dentro das suas atribuições de

secretário de Estado, ofereceu apoio e

dezenas de resseguradores de porte global

resolveram instalar seus escritórios

no Rio. Em abril de 2009, na inauguração

da sede do Lloyd’s no centro da

capital fluminense, Levy participou da

cerimônia e ouviu agradecimentos do

então chairman Lord Levene.

Seis anos mais tarde, à frente do

Ministério da Fazenda, Joaquim Levy

é titular absoluto do time econômico da

presidente Dilma Rousseff. Continua

com seu futebol objetivo, pragmático,

sem firulas. Mas seu jogo agora exige

mais corpo-a-corpo e uma dose bem

equilibrada de ofensividade e cautela

para alcançar o resultado esperado.

Se esse resultado é uma goleada, com

certeza Levy sabe que pelo menos um

golzinho só poderá ser marcado numa

tabelinha com os setores de seguros e

resseguros. O ministro da Fazenda se

mantém afinado com esses mercados,

tem convicção de que eles são fundamentais

para levar o país à tão sonhada

goleada (que aqui se traduz em crescimento

econômico) porque são um grande

canal de atração de investimentos em

infraestrutura.

Foto: Moritz Hager

20


Em abril deste ano, Levy reuniu

representantes do mercado segurador

brasileiro e avisou que, dali a 15 dias,

cumpriria uma agenda de dois dias na

capital inglesa, onde se reuniria com

autoridades britânicas, investidores,

empresários e executivos do mercado

financeiro no começo de maio. Passou a

bola para a Confederação Nacional das

Empresas de Seguros Gerais, Previdência

Privada e Vida, Saúde Suplementar

e Capitalização (CNseg): “Organizem

uma agenda para mim com o pessoal de

seguros e resseguros e das assets, quero

conversar com eles”, pediu Levy.

Sem firulas, em duas semanas a

CNseg e o Lloyd’s of London organizaram

duas reuniões de trabalho entre

o ministro Levy e o titular da Superintendência

de Seguros Privados (Susep),

Roberto Westenberger, e cerca de 75

altos executivos globais de seguradoras e

resseguradoras, como Allianz, HDI, Generali,

entre tantas outras, e diretores das

maiores empresas de asset management

do mundo, responsáveis por investir as

reservas das companhias de seguros,

resseguros, vida e previdência. Os encontros

ocorreram na sede do Lloyd’s,

na tradicional sala Adam, com os presentes

sentados na bicentenária mesa

de carvalho com mais de 50 lugares.

Também participaram o atual chairman

do Lloyd’s John Nelson, o presidente

da CNSeg, Marco Antonio Rossi, os

presidentes de todas as federações do

mercado brasileiro, FenSeg, FenaPrevi,

FenaSaúde e FenaCap.

Presente ao encontro, Osvaldo Nascimento,

diretor da Itaú Vida e Previdência

e presidente da FenaPrevi, relatou à

coluna Direto de Londres os bastidores

da visita de Levy ao Lloyd’s of London.

“O que chamou mais atenção foi a organização

e sistematização do evento, que

foi todo construído em apenas 15 dias,

com a presença de muita gente importante

do setor. Foram duas reuniões, uma

com as empresas de seguros e resseguros

e outra com as assets. Foram encontros

parecidos, mas com focos diferentes.

O ministro começava fazendo uma

explanação sobre o Brasil, explicando

em detalhes o processo em andamento

do ajuste fiscal da economia brasileira e

apresentando as oportunidades de investimentos

que o país oferece na área de

infraestrutura. Em seguida ele recebeu

perguntas de pessoas escolhidas previamente.

Eram rodadas de três perguntas,

com respostas bastante objetivas do

ministro, que respondia tudo em inglês

e de forma muito objetiva, transparente e

falando só de coisas que pode entregar”,

contou Nascimento.

Segundo o presidente da Fena-

Previ, no geral os presentes estavam

muito interessados em saber sobre os

fundamentos da economia brasileira,

se a nota de investment grade dos títulos

soberanos do país estava em risco

e também sobre os desdobramentos

da operação Lava-Jato, que investiga

casos de corrupção na Petrobras. As

perguntas mais específicas do mercado

segurador e ressegurador abordaram

eventuais mudanças de regras do setor

para dar mais eficiência à distribuição

de produtos, como vendas de apólices

online, e oportunidades para ampliar a

participação do setor no Produto Interno

Bruto (PIB). O superintendente da Susep

explicou que a regulação no Brasil está

em linha com a tendência mundial e

que trabalha para aumentar a eficiência

do mercado.

Um executivo inglês que participou

da reunião reiterou que o ministro é

profundo conhecedor dos mercados de

seguros e resseguros e sabe do imenso

volume de reservas investido pelo setor

no mundo inteiro. Reservadamente, ele

conta que o ministro estava se esforçando

para convencer os presentes a usar

essas reservas para investir em infraestrutura

no Brasil. “O mundo todo está

tentando transformar títulos financeiros

ligados à infraestrutura em uma classe

de ativos de primeira linha, ajudando a

desbloquear uma quantidade enorme de

recursos de investidores institucionais

em todo o mundo e ajudando a acelerar

a recuperação da economia mundial.

Projetos bem concebidos, apoiados pelo

quadro regulamentar adequado pode

fazer que esses títulos sejam muito atraentes

e tenham bom retorno. O Brasil

quer assumir esse desafio, inclusive com

mecanismos para proteger o investidor

de variações cambiais”, declarou Levy

no encontro, conforme relato de um

participante.

“O objetivo final é o aquecimento da

economia e quanto mais aquecida for a

atividade econômica, em especial o setor

de infraestrutura, mais o setor de seguros

é demandado, com oportunidade de

crescimento em diversas áreas, principalmente

nos produtos de garantia e

grandes riscos. Mas como há essa correlação

entre crescimento econômico e expansão

da atividade seguradora, todos os

outros ramos se beneficiam também com

um crescimento econômico sustentado

por investimentos em infraestrutura”,

disse Nascimento, acrescentando que

o ministro Joaquim Levy deixou claro

que apoiar projetos de infraestrutura no

Brasil é rentável. “O ministro explicou

que, historicamente, o cidadão brasileiro

não tem objeção de pagar por serviços,

usando como exemplo as atuais rodovias

pedagiadas, portos, aeroportos. Ele disse

que é um investimento que não conflita

com a tradição do país, investimento

com retono”, complementou o presidente

da FenaPrevi.

Por fim, Nascimento conta que é

“excepcional” para o mercado segurador

brasileiro ter um ministro tão antenado

com as necessidades e demandas do

setor, assim como o titular da Susep. “É

uma condição não usual para a gente,

com ministro e regulador profundos

conhecedores do mercado nacional e

internacional... muito bom saber que a

Fazenda tem interesse no setor.”

Se a tática do ministro da Fazenda

der certo e se a goleada tão esperada da

economia brasileira acontecer, dá até

para torcer por um gol de placa (quem

sabe participação do mercado segurador

na jogada)?

* Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o

setor de seguros e resseguros na Gazeta Mercantil

21


especial grandes riscos mercado

Equilíbrio para

grandes

desafios

Momento econômico será crucial

para que seguradoras decidam se

ficam ou saem de operações com

maiores riscos

Amanda Cruz

22


O

Brasil passou por um período

de aquecimento na área de

infraestrutura nos últimos

anos e o mercado de seguros

de Grandes Riscos acompanhou essa

guinada, especialmente no que diz respeito

aos riscos de Engenharia. Porém,

com recente declínio econômico no País

e as denúncias de corrupção envolvendo

empreiteiras, esse mercado parece ter

arrefecido. A realidade de 2015 traz

questionamentos sobre quais serão os

próximos passos do mercado de seguros

para conseguir manter estável uma carteira

que está diretamente a estes caminhos.

O mercado de seguros e resseguros

na América Latina tem apresentado

crescimento de dois dígitos nos últimos

anos, diferente dos “mercados maduros”.

Bom exemplo é o Brasil, que representa

aproximadamente 50% do mercado regional,

e atingiu crescimento significativo

nos últimos cinco anos, com dinâmica

independente da evolução do PIB do País.

Com isso, cada companhia de seguros

tem utilizado suas próprias maneiras

de desenvolver os programas. “No modelo

de negócio da AGCS, a estratégia é

regional. Portanto, mesmo que o Brasil

passe por momentos de crise, conseguimos

continuar atuando e crescendo nos

países vizinhos”, acredita Patricia Marzullo,

diretora regional de Engenharia

para a América do Sul da AGCS.

Apesar das instabilidades, o otimismo

prepondera porque países como

México, Colômbia e Peru, e em alguma

medida Chile, vêm experimentando

crescimento de emprego e renda, expansão

da classe média e presença de SMEs

(dinheiro europeu) na economia, o que

é positivo para o mercado de seguros e

resseguros em geral. Isso não quer, necessariamente,

dizer que as companhias

têm deixado de investir em Grandes

Riscos no Brasil, mas que parecem estar

mais cautelosas.

Maurício Masferrer, diretor executivo

de P&C, Entretenimento e M&A

da corretora AON, lembra que embora

os riscos de Engenharia sejam parte importante,

há outras áreas que beneficiam

o ramo. Há toda a parte industrial que

demanda colocações de grande porte e

resseguro, como as siderurgias, minerações

etc. e, de acordo com o executivo,

essa parte continua demandando como

sempre demandou. “De qualquer forma,

o setor sofre um pouco com isso. O país

não vai parar de crescer. Tivemos uma

interrupção, mas esperamos uma gradual

melhora em 2016 e 2017, principalmente

na questão industrial e na construção de

estradas e portos”, acredita.

Em época de crise, outro fator que

pode ser determinante para o mercado

é a legislação. A brasileira faz pouca

diferenciação efetiva de clausulado entre

o que é risco massificado, pequeno ou o

grande risco. Muitas vezes eles têm o

mesmo tratamento jurídico quando são

formas de contratação diferentes. “Uma

coisa é a contratação massificada, na

qual o segurado não tem muito acesso à

possibilidade de modificação, outra coisa

são os grandes riscos que, muitas vezes

precisam ser objeto de extensa legislação

e análise. Mas o tratamento parece ser o

mesmo”, conta Marcia Cicarelli Barbosa

de Oliveira, sócia da JBO Advocacia.

O controle da Susep também entra na

fala da advogada como sendo, em certos

casos, “excessivo”. Ela lembra que essa

regulação é importante e legítima, mas

que pode acabar engessando o mercado

e impedindo que os clausulados sejam

mais flexíveis e, por isso, mais adequados

a cada caso. “Na Espanha, por exemplo,

há uma clara distinção na liberdade que

se dá às empresas para elaborarem as

condições da apólice, assim como no

Chile a partir de um determinado valor

de apólice. Tratar os contratos respeitando

suas diferenças é uma tendência

mundial”, compara.

Os números computados pela Susep

sobre a carteira vão até março desse ano

e tem indicativos de que alguns negócios

na área de riscos de engenharia estão

caminhando, provavelmente obras iniciadas

ou em negociação. “No segundo

semestre a gente ainda vê o mercado de

engenharia com acontecimentos, mas

temos percebido a demora no início de

obras. Não sabemos quando elas realmente

começarão”, destaca Felipe Smith,

diretor Executivo de Produtos Pessoa

Jurídica da Tokio Marine.

O que parece manter o mercado

otimista é saber que as obras de infraes-

23


especial grandes riscos mercado

❙❙Patricia Marzullo, da AGCS

24

trutura precisam ser feitas no País e que

ainda há capacidade das empreiteiras de

entregarem o que foi contratado. Isso

mantém o apetite das companhias seguradoras,

que embora mais cautelosas,

esperam o momento certo para negociar.

Smith diz que a própria Tokio Marine tem

em sua carteira obras já fechadas, aguardando

apenas o aval dos contratantes para

serem iniciadas.

A autarquia também deverá fazer

uma movimentação em relação a esses

fatores. O mercado de D&O, por exemplo,

reagiu no sentido de discutir e pedir revisões

de coberturas obrigatórias que, acreditavam,

impediam o produto de circular

de maneira mais sadia. Esse pedido está

aguardando a decisão final, mas Marcia

acredita que o órgão regulador deverá

entender a seguradora. “São coberturas

demais que, muitas vezes, podem ser

contratadas em outras apólices. Acho que

esse excesso de regulação, como dito anteriormente,

vai contra o mercado mundial,

onde há uma preocupação em estabelecer

princípios, mas não ter uma regulação de

clausulado tão limitadora”, analisa.

Outras áreas

As grandes empresas, de maneira

geral, são contratantes em potencial de

apólices de grandes riscos, seja qual for

sua área de atuação. Os riscos nomeados,

dirigidos especialmente a grandes

empresas industriais, e os seguros de

propriedade, também estão em um ritmo

menor de crescimento de vendas, de acordo

com Smith, mas o executivo acredita

que o ramo mais afetado por esse declínio

deva ser o de seguros de transporte.

“Essa carteira tem diminuído. Vemos

uma desaceleração na movimentação de

carga, por conta da situação atual das

importações e exportações e também

no transporte interno. A economia desaquecida

movimenta menos mercadoria

e menos prêmios são arrecadados pelo

mercado. Essa é uma das carteiras mais

rapidamente afetadas, porque o transporte

é bastante atrelado à economia”, afirma

o executivo, que diz que a própria área da

Tokio Marine percebeu essas mudanças.

A grande diferença entre as carteiras

que conseguem se manter estáveis e as

que sofrem mais o impacto da crise é

a quais fatores elas estão atreladas. Se

não há mercadoria, não há transporte de

cargas. Masferrer explica que “quanto aos

riscos patrimoniais das empresas, a contratação

continua aquecida porque você

❙❙Mauricio Masferrer, da Aon


não vai construir algo novo, mas precisa

fazer o seguro do imóvel”, esclarece.

Para entender como o mercado vem

funcionando, não é possível se ater a

apenas um segmento. Renato Rodrigues,

Country Manager da operação de Seguros

do XL Catlin para no Brasil, esclarece

que, analisando a área de grandes riscos

como um todo, a queda não é generalizada

nas solicitações. “No caso das

linhas de D&O e E&O, nota-se, inclusive,

crescimento. São linhas que geralmente

têm maior contratação em tempos de

desaceleração econômica e que fazem

parte das coberturas de grandes riscos.

Dados de mercado indicam que nessa

área houve crescimento de mais de 30%

no volume de prêmios no primeiro trimestre”,

explica.

Patrícia afirma que a AGCS, desde

o período pré-eleitoral, já notava uma

redução no número de projetos de construção

no Brasil, prejudicando o seguro

de riscos de engenharia mas, principalmente,

levanto junto as carteiras de

responsabilidade civil de obras. “Como

nossa operação é regional, para a América

Latina, não sentimos um impacto

acentuado, pois recebemos uma demanda

importante de obras de infraestrutura de

outros países”, afirma.

Pulverizar os riscos é um ganho

das companhias seguradoras que atuam

globalmente. Elas não dependem das

demandas de um único País e podem

manter suas carteiras sustentáveis.

Contando também com os contratos de

resseguros e cosseguros, muito comuns

para esse tipo de risco, os investimentos

ficam ainda mais seguros. Mas esses

acessos às apólices dependem da maneira

como as companhias conduziram

sua operação até o momento da crise.

Smith acredita que não há muito segredo

para conseguir as renovações de resseguro,

mas é preciso bastante trabalho.

“A dificuldade é do mercado como um

todo. Algumas seguradoras enfrentam

mais empecilhos porque podem ter sido

agressivas demais nas suas aceitações de

risco anteriormente”, pontua. É verdade

que as resseguradoras podem estar mais

seletivas mas, para o executivo, elas só

serão assim se notarem que a estratégia

de aceitação de risco é sólida.

O executivo da Aon endossa essa

visão. Para ele, quando o mercado de

resseguros foi aberto, em 2007, era

muito líquido e aceitava a maioria dos

riscos. Hoje, alguns riscos têm mais

ou menos facilidade. “O que está crescendo

são as boas condições aos bons

clientes. Aqueles que têm políticas de

risco adequadas e se comportam bem

no mercado têm facilidade de aplicar o

risco”, esclarece Masferrer.

O pesos das denúncias para o

mercado

Deflagrada em 2014, os esquemas

de corrupção que originaram a operação

Lava Jato parecem ter mexido com

esse mercado. É sabido que as apólices

de D&O sofreram alterações, especialmente

as que cobrem empresas diretamente

ligadas à investigação. O seguro

de Garantia de Obra também foi outro

produto afetado, já que o mercado de

engenharia desaqueceu e as construções

estão demorando a serem entregues, com

altas em seus valores. Isso faz com que as

seguradoras repensem seus riscos. “Vejo

que o D&O fez alterações, mas não tem

sofrido tanto, mas o seguro garantia não

deveria ter o alto índice de sinistralidade

que estou vendo em algumas companhias.

É possível que as seguradoras mudem

seus clausulados para restringir riscos e

exposições às quais elas não queiram dar

cobertura”, salienta Marcia.

O que o mercado procura fazer é

estar alheio às questões políticas e focar

❙❙Márcia Cicarelli, da JBO

exclusivamente nos desafios econômicos

que estão por vir, oferecendo suporte a

seus contratantes. Os corretores são peças

fundamentais para que isso ocorra. As

construtoras não parecem estar em uma

“lista negra” das seguradoras, mas elas

querem clientes saudáveis. “Estamos

analisando o risco e continuaremos a fazer

isso. Os bons clientes terão acordo. A

aceitação não depende da área, depende

do risco. A construção de uma ponte tem

seus riscos específicos e, dentro disso,

queremos saber quem vai fazer e quais

políticas internas a empresa adota”, destaca

o executivo da Aon.

A Tokio Marine também procura

enxergar o momento economicamente.

“Há várias obras já negociadas, mas o

aval do contratante para iniciá-la está

apenas ligado ao momento do Brasil,

que precisa de obras de infraestrutra e

aceleração na indústria. É um problema

momentâneo e nós vamos passar por ele.

Enquanto isso, cautela e paciência são

necessárias”, indica Smith.

O seguro garantia de performance,

que é o que se aplica a grandes projetos de

obras, foi afetado. Mas o seguro garantia

do tipo judicial, usado para substituir

depósitos em juízo, tem aumentado,

também como reflexo da crise, que está

favorecendo a maior contratação desse

tipo de seguro. “Porém, simultaneamente

houve a saída de alguns players dessa

área, equilibrando o mercado”, opina

Rodrigues.

Permanência no ramo

O momento é de decisão estratégica.

Há seguradoras prontas para fazer aquisições

de carteiras de grandes riscos e

outras prontas para vendê-la, como foi o

caso da Itaú Seguros, que vendeu sua participação

à Ace no início do ano. A Tokio

Marine participou ativamente dessa

disputa e, embora não tenha conseguido

a aquisição, não perdeu o apetite para

novas oportunidades. “Não é segredo que

tentamos adquirir a carteira da Itaú e o

legado disso foi o reforço da estrutura da

companhia”, declara

Outras ainda adotam a parceria como

meio para fortalecer a atuação, como a

parceria estabelecida entre Axa e SulAmérica.

Carlos Alberto Trindade Filho,

25


especial grandes riscos mercado

❙❙Felipe Smith, da Tokio Marine

vice-presidente de Auto, Ramos Elementares,

Vida e Previdência da SulAmérica,

declarou à Revista Apólice que

“o acordo é a extensão de uma parceria

que existe desde 2006. “Continuaremos

responsáveis pela distribuição comercial

da carteira de grandes riscos para todos

os nossos corretores. Eles seguem sendo

os distribuidores em todos os canais com

os quais a companhia trabalha, pois são

nossos grandes parceiros e estão no DNA

da companhia. Permanecemos, assim,

26

como uma companhia multilinha, com

soluções completas de proteção e distribuição

de todos os produtos, inclusive os

de grandes riscos”.

Já para a AGCS, o objetivo é trabalhar

constantemente no desenvolvimento

de novos produtos que atendam às necessidades

de cada cliente. “À medida que

eles são desenvolvidos em nossa matriz,

trabalhamos para trazê-lo para nosso País

e oferecermos aos nossos clientes, como

Cyber e Weather Solutions”, mas a ideia

é manter a operação como está, já que

Patrícia afirma que no momento não há

planos de aquisição por parte do grupo.

A advogada Marcia, sinaliza que o

primeiro movimento é de concentração,

pois diversas empresas estão reavaliando

suas carteiras de grandes riscos, focando

em fatores como subscrição e taxas de

sinistralidade, mas isso deverá trazer um

incremento nas faixas de prêmios. “As

taxas estavam muito baixas. Empresas

operavam com valores que não eram

coerentes com os riscos. Aumentar as

taxas e as reservas poderá fazer com que

o mercado amadureça. Pode diminuir a

competitividade, mas torna o mercado

mais sério”, analisa.

❙❙Renato Rodrigues, da XL Catlin

O Brasil é um mercado em evolução.

As empresas vivenciam uma acentuada

curva de aprendizado e há oportunidade

de tirar vantagem do benchmark internacional,

conforme acredita o Country

Manager da XL: “temos sido testemunhas

de um forte movimento de capacitação

de gerentes de risco, de busca por novas

tecnologias e de crescente consciência

sobre a importância da seguradora

como parceira do negócio. Outro driver

importante é a internacionalização da

nossa economia e, por consequência,

sua maior exposição a mercados mais

maduros”, conta.

O conhecimento é crucial para atuar

em grandes riscos. Não basta apetite, mas

a administração também é importante,

além do planejamento no longo prazo.

“Possivelmente, as seguradoras que irão

operar nessa área são as que atuam no

mundo todo. Nesse mercado há anos bons

e anos com terremotos, tsunamis, enchentes,

tufões etc. É um jogo para quem sabe

jogar e para entrar e ficar, ter apetite para

tempos bons e ruins”, finaliza Smith.

Ou seja, a indicação dos entrevistados

é que as soluções para driblar a crise na

área de grandes riscos são parecidas com

as apólices que elas promovem: precisam

ser flexíveis, com entendimento dos riscos

de mercado, alinhar a relação com o

corretor e promoção boas práticas. “Mas

o mais importante é ouvir atentamente

nossos clientes e corretores a fim de entender

de fato seus riscos e, juntos, criarmos

a solução de seguro adequada para suas

necessidades”, finaliza Rodrigues.


27


especial grandes riscos transferência

Distribuição de riscos

Transferência através do mercado de capitais, que em sua

maioria é relacionada a catástrofes naturais, já começa a operar

em outras linhas de negócios

Lívia Sousa

Os riscos se tornam cada vez

maiores e mais complexos.

Com isso, as seguradoras

não os assumem sozinhas e,

na tentativa de minimizá-los, passaram

a distribuí-los com as resseguradoras.

Em linhas gerais, a transferência desses

riscos ocorre de uma entidade financeira

para o investidor, medida já consolidada

no mercado imobiliário. Nos Estados

Unidos, desde meados da década de

1970, os riscos imobiliários são trans-

28

feridos de bancos para investidores,

mas no Brasil este tipo de operação

só começou a ganhar volume a partir

de 2005, principalmente por meio do

chamado Certificado de Recebíveis

Imobiliários (CRI).

A distribuição pode acontecer com o

próprio seguro, em que o segurado compra

uma apólice de seguros para obter seu

risco, ou através do mercado de capitais,

no qual ele tem a opção de transferi-lo na

forma de emissão de bonds (títulos). O

diretor de Riscos da Terra Brasis Resseguros,

Rodrigo Botti, descreve a segunda

operação do ponto de vista das diferentes

partes envolvidas no processo.

“Para o investidor, é uma compra de

um instrumento de renda fixa com prazo

entre um e três anos. Se não acontecer um

evento de sinistro, ele recebe de volta o dinheiro

que investiu mais um cupom, que

atualmente está entre 3% e 9% ao ano em

dólar, dependendo do risco definido. Se

houver um evento de sinistro pode perder


o cupom, parte ou até todo o dinheiro que

investiu”, explica o executivo.

Já a seguradora entra em um contrato

financeiro similar a um contrato de resseguro,

sendo este documento não muito

diferente de um resseguro tradicional:

o “prêmio” é pago ao investidor e caso

ocorra um evento, ela recupera o sinistro

através do dinheiro que investiu.

Para o regulador, há a vantagem

deste tipo de produto ser “colaterizado”

e, portanto, não há necessidade de supervisão

quanto à solvência. Ou seja, se um

instrumento ligado a seguro pode perder

até R$ 1 milhão em caso de evento de

sinistro, o investidor tem que aplicar R$

1 milhão. Em uma seguradora, para cada

R$ 1 milhão de capital, ela poderá entrar

em um número de contratos de seguros

nos quais a soma das exposições é maior

que esse valor.

“Há os seguros de conclusão de obra,

aplicado caso a empresa não finalizá-la

e que funciona como um seguro cujos

recursos serão utilizados para pagar

investidores ou concluir o trabalho; e o

seguro de créditos, em que se a companhia

não honrar pagamento, o investidor

pode sacar a apólice”, complementa Luís

Ambrósio, sócio da área financeira do

Trench, Rossi e Watanabe Advogados.

Ramos de atuação

Cerca de 80% dos riscos de seguros

transferidos ao mercado de capitais estão

relacionados a terremotos ou furacões.

“O mercado ressegurador utiliza essa

transferência principalmente em riscos

❙❙Rodrigo Botti, da Terra Brasis

catastróficos, ocasião em que o impacto

é muito forte na solvência do mercado

segurador”, afirma Paulo Baptista, líder

da prática de D&O da Marsh Brasil.

Uma parte importante da securitização

é relacionada a estruturas que visam

mitigar o impacto de desastres naturais

que são feitas através de parcerias entre

o governo e entidades privadas. Uma das

resseguradoras que trabalham neste molde

é a Swiss Re, realizando a transação

com os governos e os bancos de desenvolvimento

para auxiliá-los a gerenciar

seus riscos por meio do resseguro e os

mercados de capitais. No México, por

exemplo, a companhia opera em casos de

riscos sísmicos e furacões no Pacífico e

no Atlântico do país.

Luís Ambrósio, da Trench, Rossi

❙❙e Watanabe

Com isso, o México diversifica seu

mix de financiamento com instrumentos

de transferência de risco. Ao transferir

o risco de catástrofe para o mercado de

capitais, o governo vê a possibilidade de

reduzir a pressão sobre os orçamentos

públicos em caso de uma catástrofe natural,

garantindo ao mesmo tempo que os

fundos sejam suficientes para atividades

de socorro.

Como resultado desta operação,

organizações como o Banco Mundial

começaram a perceber que os países

em desenvolvimento e emergentes estão

particularmente expostos às catástrofes

naturais e que reduzir a sua vulnerabilidade

a esses eventos é uma das principais

prioridades em termos de trabalho de

desenvolvimento.

❙❙Paulo Baptista, da Marsh Brasil

É importante destacar que, no passado,

a principal preocupação era a proteção

civil em caso de guerra ou catástrofes

naturais. Agora, o foco está mudando

para uma abordagem mais abrangente,

que considera uma gama de riscos que

vão desde a economia e o financeiro até

os riscos ambientais, sociais e políticos.

Para Botti, a sociedade brasileira

seria muito beneficiada de um programa

semelhante, seja para proteger regiões dos

riscos de alagamento, desmoronamento,

seca ou outros eventos.

Outra operação interessante deste

ramo se dá na área de pensões, com a

transferência de riscos de longevidade.

No Reino Unido, a modalidade é realizada

com a emissão dos bônus de longevidade

(que paga juros ao seu detentor) que considera

a proporção de indivíduos nascida em

um determinado ano e que ainda está viva

em outro ano mais a frente. Assim, se essa

proporção for grande, maior será o valor

dos juros recebidos pelo detentor do bônus.

Outras linhas de negócio também

começaram a serem transferidas, como as

coberturas de riscos agrícolas, perda de

safras, queda de preços de commodities,

variação de custo de preço de energia

e responsabilidade civil. “O mundo

fica mais global e complexo e, consequentemente,

os riscos se tornam mais

complicados, como riscos de terrorismo

e cibernéticos. Com isso, o mercado de

seguros e resseguros tradicional cresce

especialmente nos países em desenvolvimento

como Indonésia, China, Índia,

África, e América Latina, onde há cres-

29


especial grandes riscos transferência

cimento dos seguros tradicionais na casa

de dois dígitos”, explica Rodrigo Protasio,

CEO da JLT Brasil.

Na visão do executivo, o quadro em

questão deve levar a uma demanda maior

por resseguro e capital. Assim, haverá

mais presença da transferência alternativa

de riscos e a chegada das estruturas

menos tradicionais e envolvendo mercado

de capitais.

Patamar brasileiro

Internacionalmente, a transferência

de risco através do mercado de capitais

já não é novidade. A atividade tem crescido

a taxas bastante elevadas, porém

de uma base pequena. Há cerca US$ 80

bilhões em fundos dedicados a securitização

de seguros.

Calcula-se que aproximadamente

15% dos riscos de resseguro estão hoje

securitizados. No mercado imobiliário e

de empréstimo estudantil, mais de 50%

dos riscos são securitizados. Desta maneira,

a perspectiva é que este mercado

continue a crescer.

❙❙Rodrigo Protasio, da JLT Brasil

Por outro lado, o Brasil ainda não

conta com resseguradoras que façam

essa operação. “Isso acontece porque

o arcabouço legal brasileiro exige que

qualquer produto financeiro novo seja integralmente

regulado antes que possa ser

comercializado. A medida inibe o desenvolvimento

de inovações financeiras, mas

contribui para que crises sejam menos

frequentes”, esclarece Rodrigo Botti, da

Terra Brasis Resseguros, que acredita que

em algum momento a securitização em

seguros chegará ao País. Porém, precisar

este momento é delicado, considerando

que securitização imobiliária demorou 30

anos para chegar em solo brasileiro após

se iniciar nos Estados Unidos.

“O mundo hoje está mais conectado

e provavelmente essa diferença deva ter

diminuído. Se imaginarmos que essa

diferença está hoje em 20 anos e securitização

em seguros começou em 2000

nos Estados Unidos, ela deve chegar ao

País em 2020. É claro que esta é uma

estimativa bastante genérica e pouco

confiável”, frisa ele.

Protasio concorda com a afirmação,

completando que pelo fato de a legislação

brasileira ainda não reconhecer

essas operações, as seguradoras não são

permitidas a buscarem proteção através

de estruturas alternativas, cativas, bonds

e sidecars. “A razão é óbvia, pois o mercado

de resseguros é novo, iniciou suas

atividades em 2008”, explica ele, acres-

30


Apesar disso, o executivo da JLT

Brasil afirma que as empresas nacionais

já podem desenvolver alguns destes produtos

hoje, como as próprias coberturas

para fundos de pensão ou garantia de

suprimento de energia, ou seu preço em

caso de menos chuvas (água no reservatório)

ou falta de vento em usinas eólicas.

Já para o presidente do BTG Pactual,

André Gregori, essa maturação

não se apresenta como um entrave para

que mercado de capital tome o risco do

mercado de seguros e resseguros no País.

“Nosso mercado de resseguros ainda não

é maduro, não tem sofisticação. Mas a

regulação é um caminho natural”.

❙❙André Gregori, do BTG Pactual

centando que o Brasil também tem menos

exposição a catástrofes, o que contribui

para gerar menos presença e necessidade

de operações. “O mercado nacional ainda

está se organizando. Temos seguradoras

capitalizadas e que compram pouco

resseguro, já que a percepção de perdas

decorrentes de catástrofes ainda é baixa”.

Prós e contras

Rodrigo Botti, diretor de Riscos da Terra Brasis Resseguros, aponta as

principais vantagens e desvantagens da transferência de risco através do

mercado de capitais:

√ Para o investidor, o ponto forte é o fato que o retorno deste produto

está pouco relacionado ao retorno de outros produtos financeiros. O número

de tempestades do Atlântico não está relacionado à bolsa ou ao preço do

ouro. Isto facilita a diversificação de um portfólio de investimentos.

√ Para as seguradoras, é uma alternativa ao resseguro tradicional podendo

oferecer em certos casos condições mais vantajosas.

X O ponto fraco é que este mercado ainda é jovem. Com isto, pouco testado.

É ainda uma dúvida como ele se comportará no evento de uma grande

catástrofe ou quando os Estados Unidos começarem a elevar sua taxa de juros.

31


previdência | mudanças

Os efeitos do fim do

fator previdenciário

Novo cálculo foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo

Senado. Entenda como funciona a proposta e como ela poderá

impactar no mercado de previdência privada

Lívia Sousa

32


Estacionada há 12 anos, a discussão

sobre o fim do fator previdenciário

voltou aos holofotes. A

medida, criada pela Previdência

Social em 1999 na tentativa de desacelerar

aposentadorias precoces, estabelece a

redução dos benefícios daqueles que se

aposentam antes dos 65 anos (homens) e

60 anos (mulheres), idades mínimas para

se obter o benefício integral. Pela lei atual,

eles podem requerer a aposentadoria

proporcional a partir dos 53 anos e 30 de

contribuição; já elas, a partir dos 48 anos

e 25 de contribuição.

O debate foi reiniciado no final de

2014, quando o governo federal anunciou

Medidas Provisórias no setor previdenciário,

e ganhou ainda mais força no dia 13

de maio, ocasião em que a Câmara dos

Deputados aprovou, por 232 votos a 210,

a fórmula 85/95 como emenda ao texto da

pensão por morte. A medida, que consiste

em um somatório entre a idade e o tempo

de trabalho do contribuinte, também

foi aprovada – sem alterações – pelos

senadores e agora segue para sanção da

presidenta da República, Dilma Rousseff.

Pela nova regra, para ter direito a

100% da aposentadoria (com base no teto

da Previdência, hoje em R$ 4.663,75),

as mulheres precisam atingir uma soma

igual ou superior a 85 e terem contribuído

com a previdência por pelo menos 30

anos. Já para os homens, o cálculo fica

em 95, sendo a contribuição mínima de

35 anos. Entre os professores, a soma é

de 80 para elas e 90 para eles. O cálculo

do fator previdenciário continua valendo

❙❙Ivy Cassa, da Petraroli Associados

tanto para o contribuinte que quiser se

aposentar antes de atingir esta soma

(e obter a aposentadoria proporcional)

quanto para quem alcançar o cálculo

estabelecido, mas desejar ter o benefício

por meio da regra atual.

A nova fórmula e a

Previdência Privada

De acordo com Ivy Cassa, advogada

da Petraroli Associados, não existe relação

direta entre o fim do fator previdenciário

e a previdência privada. Isso porque

o regime geral de previdência social tem

regras próprias e o regime de previdência

privada é autônomo. Por outro lado, a

previdência privada funciona como um

regime complementar. Assim, quando

são feitas alterações legislativas no regime

geral ela sofre alguns “respingos”,

no sentido de que a demanda pela complementação

de benefícios pode crescer.

“No caso específico do fator previdenciário,

a proposta do seu fim seria,

a princípio, benéfica para os segurados

(que teriam seus benefícios majorados em

determinadas situações), não repercutindo,

de imediato, na previdência privada”,

explica a executiva.

Segundo Ivy, reflexos na previdência

privada ocorreram de maneira mais

evidente quando o Governo mudou, por

exemplo, as regras para a concessão de

pensão por morte, já que as pessoas poderiam

tender a buscar uma complementação

para a pensão que ficou reduzida

à metade do valor para os novos beneficiários.

No fator previdenciário, porém,

não houve essa percepção direta de perda.

Em uma eventual aprovação da medida,

fica a dúvida: como o segmento de

previdência privada deverá se preparar

de imediato? João Marcelo dos Santos,

sócio do Escritório Santos Bevilaqua,

explica que os produtos comercializados

atualmente já são bastante flexíveis, mas

eventualmente as formas de cálculo e de

início do pagamento de algumas espécies

de benefícios podem ser reavaliadas conforme

os resultados finais das discussões

entre o Governo e o Congresso.

Opiniões divididas

As entidades sindicais e o Instituto

Brasileiro de Direito Previdenciário

❙❙Marcelo dos Santos, da Santos Bevilaqua

(IBDP) defendem a implantação da

fórmula 85/95, afirmando que a reforma

permitirá aos trabalhadores o acesso

integral a aposentadoria com período

menor de contribuição. Outro ponto

positivo, na visão deles, é o fato de o

cálculo atual reduzir em até 40% o valor

da aposentadoria a ser recebido pelo

contribuinte.

Mas a proposta não é bem vista

pelo Governo Federal, que passa por

um período de ajustes fiscais. Uma vez

aprovada, a fórmula 85/95 fará com que

a Previdência Social desembolse mais

de R$ 40 bilhões somente na primeira

década de aplicação do sistema. Por este

motivo, Dilma Rousseff já sinalizou que

deve vetar a medida e apresentar uma

alternativa ao cálculo em vigor.

Apesar do desejo natural, por parte

daqueles que se aposentam, de receber o

maior benefício possível, Santos lembra

que o sistema é de repartição simples, ou

seja, os ativos presentes pagam os aposentados

com contribuições arrecadadas no

momento. “A manutenção de um regime

deficitário resulta em uma pirâmide insustentável”,

argumenta. Neste contexto,

a fórmula 85/95 atrasa o início da fase

de benefícios, mas não reduz o seu valor.

Qualquer medida que resulte em

benefícios mais altos ou pagos mais

cedo sem a correspondente receita

tem o impacto negativo de aumentar o

problema da previdência pública, que

em última instância será suportado por

toda a sociedade. Já para o mercado de

previdência complementar, o impacto

33


previdência | mudanças

negativo seria a percepção equivocada

de um sistema público capaz de atender

demandas impossíveis. “É importante

que a população entenda a relevância e a

necessidade da previdência complementar,

em face das dificuldades cada vez

maiores que a previdência pública terá

para atender as expectativas construídas

em cima de uma realidade que não existe

mais”, acrescenta Santos.

Segundo ele, o debate correto está

em discutir a adequação do sistema às

receitas existentes hoje e a longo prazo,

afirmação também defendida pelo presidente

da Fenaprevi, Osvaldo do Nascimento,

que chama a atenção para uma

análise mais aprofundada da questão.

“A maneira como a medida está sendo

discutida pode prejudicar os futuros

❙❙Osvaldo Nascimento, da FenaPrevi

Entenda como é calculado o

Fator Previdenciário

O fator previdenciário é calculado

a partir de quatro elementos: alíquota

de contribuição, idade do trabalhador,

tempo de contribuição à Previdência

Social (30 anos para mulheres e

35 para homens) e expectativa de

sobrevida do segurado – conforme

o Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE), hoje em 74,9 anos.

Realiza-se o cálculo da seguinte

maneira:

f = fator previdenciário

Tc = tempo de contribuição do

trabalhador

a = alíquota de contribuição (0,31)

Es = expectativa de sobrevida do

trabalhador na data da aposentadoria

Id = idade do trabalhador na data

da aposentadoria

contribuintes. A proposta é pontual,

deve beneficiar apenas a geração atual

de aposentados. Ela não é sustentável a

longo prazo, não deve evoluir da forma

que foi proposta e causará o rompimento

do pacto intergeracional”, explica Nascimento,

frisando que se a proposta não

se viabilizar economicamente, não se

descartaria um movimento de outro tipo

de ajuste à previdência no futuro.

O executivo compartilha da ideia de

que a nova fórmula agravará as contas do

sistema previdenciário e levará o Brasil

a dificuldades mais acentuadas, considerando

que a população está vivendo mais

e não haverá recursos para fornecer aposentadoria

integral a toda a população.

Para Nascimento, o modelo ideal

seria um cálculo que determinasse a

idade mínima para a aposentadoria tanto

no setor público quanto no setor privado,

considerasse a situação econômica das

próximas gerações e cobrisse principalmente

a população de baixa renda. “O

Brasil deve olhar a reforma da previdência

com maturidade, debater mais o

assunto e ir além da questão do déficit,

que todos nós já sabemos que existe. O

governo e o Congresso também devem

discutir o tema com mais transparência”,

finaliza o presidente.

*Caso o seu fim seja

aprovado...

Para ter direito a aposentadoria

integral (com base no teto da Previdência,

de R$ 4.663,75), a soma ficará

em:

- igual ou superior a 85 para

mulheres que contribuíram com a

Previdência Social por pelo menos

30 anos;

- igual ou superior a 95 para homens

que contam com contribuição

mínima de 35 anos;

- para os professores, a soma deverá

ser de 80 para elas e 90 para eles.

*O fator previdenciário continuará

valendo tanto para o contribuinte

que quiser se aposentar antes de

atingir a soma proposta pela nova

fórmula (e obter a aposentadoria proporcional)

quanto para quem alcançar

o cálculo estabelecido, mas desejar ter

o benefício por meio da regra atual.

34


entretenimento | produto

Diversão também

precisa de seguro

Mercado garante

tranquilidade em todas

as etapas de diferentes

eventos

Amanda Cruz

O

mercado de seguros atende

muito mais demandas do

que se imagina. Cotidianamente

as pessoas recebem

convites para shows, feiras, congressos,

casamentos, festas de aniversário etc.

Quantas delas se perguntam como tudo

aquilo foi desenvolvido? E, ainda mais

importante: quem sabe quais tipos de

padrão de segurança que o evento possui?

36

Em 2015 o Brasil conta em sua lista

de shows, por exemplo, com grandes

festivais como Lollapalooza, Rock in

Rio, Tomorrowland e Popload Festival,

além de nomes como Katy Perry e Pearl

Jam que fazem turnê por aqui. Para 2016

o País se prepara para sediar as Olimpíadas,

assim como sediou a Copa do Mundo

de Futebol em 2014, que teve patrocínio

da seguradora Liberty. Segundo o portal

Produtor de Eventos, 493 artistas internacionais

fizeram shows no Estado de

São Paulo em 2013. “O seguro tem a

finalidade reparadora de restabelecer o

equilíbrio econômico e financeiro em

caso de algum prejuízo ou dano”, lembra

Robert Hufnagel, vice-presidente executivo

da Berkley.

O seguro entra nesse ramo sem que

a contratação obrigatória exista por lei.

Marcelo Santana, gerente de ramos

elementares da Porto Seguro, esclarece

que hoje os seguros para eventos são

exigidos pela legislação apenas em

alguns municípios, mas não há ainda

obrigatoriedade federal. “Lei que obrigue

não há. Sabemos que os grandes

eventos fazem seguro por questão de

proteção, então eles normalmente nos

procuram. Quem faz esse tipo de seguro,

quanto mais alto o investimento, mais

preocupado ele estará em segurá-lo”,

afirma. O que garante a proteção, na

verdade, são os contratos fechados entre

as empresas, que geralmente fazem essa

exigência.


Este é um mercado em crescimento,

já que a indústria de eventos movimenta

mais de R$ 60 bilhões por ano, e é responsável

por mais de 3 milhões de empregos

diretos e indiretos (para organizadores e

empresas prestadores de serviços). “Levamos

em nossas apresentações o fato de

que existe um grande evento a cada seis

meses, no Brasil, dentre eles congressos

feiras e convenções”, afirma Hufnagel.

Coberturas

O leque de coberturas desse seguro é

bem abrangente e envolve, por exemplo,

indenizações decorrentes de cancelamento

pelo não comparecimento do artista ou

em conseqüência de condições climáticas

adversas. Danos a equipamentos, instrumentos

musicais, marquises temporárias,

objetos cenográficos, danos materiais e

corporais a terceiros também têm possibilidade

de serem segurados.

De forma geral o seguro de eventos

é divido em cinco grupos. Os danos a

terceiros abrangem as partes de responsabilidade

civil e é a cobertura básica

de contratação. Danos à propriedade

são as coberturas que o organizador

precisa para proteger seu material utilizado

para a realização. Já o seguro

de Acidentes Pessoais é uma carteira

vinculada ao ramo de vida. Além disso,

podem ser contratadas coberturas para

veículos que ficam no estacionamento

do evento e de valores, voltados aos que

realizam vendas de tickets, ingressos ou

qualquer outra forma de pagamento para

participação. “Mesmo com um índice de

sinistralidade baixo registrado em nossa

companhia, sabemos que o mercado tem

apresentado sinistros de equipamentos e

um pequeno percentual, porém de grande

importância, de danos a terceiros”, conta

o executivo da Berkley

“As apólices podem ser contratadas

pelo organizador principal do evento,

por fornecedores de serviços e produtos

durante o evento (jantares, bebidas e

outros, por exemplo), por expositores e

toda e qualquer pessoa jurídica que tenha

estrutura física instalada no evento

e/ou responsabilidade contratual e civil

diretamente relacionada ao evento”, esclarece

Raquel Silva, líder da prática de

entretenimento Marsh Brasil.

Embora a organização do evento

aconteça desde o momento em que ele

é planejado, o seguro ainda é um dos

últimos itens contratados, de acordo com

o que conta Santana.

De maneira geral, apenas essas

coberturas são satisfatórias, mas os

chamados mega eventos podem requerer

uma apólice diferente, por exemplo, na

carteira de vida dos artistas envolvidos.

É possível também que duas seguradoras

sejam contratadas para um evento. “A

Susep permite a concorrência de apólice,

❙❙Robert Hufnagel, da Berkley Brasil

❙❙Marcelo Santana, da Porto Seguro

❙❙Raquel Silva, da Marsh

37


entretenimento | produto

então é possível que sejam contratadas

duas apólices. As seguradoras irão dividir

o prejuízo, mas o total do valor segurado

é pago apenas uma vez”, destaca Santana.

Existem produtos adicionais e com

análise prévia pode-se contratar até uma

Gestão de Crise, muito utilizada em

eventos com número elevado de participantes.

“Os produtos de seguros em

geral são bem completos, cobrindo os

danos ocasionamos durante a montagem

até a desmontagem”, alega o executivo da

Berkley, companhia que é seguradora oficial

de eventos no Brasil este ano, como

Tomorrowland e dos shows das bandas

Imagine Dragons, Backstreet Boys e Los

Hermanos.

Eventos promocionais e grandes shows

são os tipos que mais procuram proteção

e, embora não exista dentro da carteira

uma distinção de quanto movimenta e

contrata cada evento, uma pesquisa feita

pela Porto Seguro indica que esse setor

movimenta cerca de 4% do PIB.

Sobre as principais dificuldades em

penetrar em um mercado como esse, os

executivos destacam desde problemas

Em São Paulo

já é lei

São Paulo instituiu a Lei Estadual/SP

11.265, de 14/11/2002 que

visa a obrigatoriedade da contratação

do seguro para eventos por

quem o promove, seja ele artístico,

desportivo, cultural e/ou recreativo,

no Estado de SP, com cobrança de

ingresso. A Lei prevê também aplicação

de multa ao proprietário do

imóvel onde ocorre o evento, caso

ele permita a realização do evento

sem a contratação do seguro:

Eventos considerados pela Lei:

* Exibições cinematográficas

* Espetáculos teatrais, circenses e

de dança

* Parques de diversão, inclusive

temáticos

* Rodeios e festas de peão boiadeiro

* Torneios desportivos e similares

* Feiras, salões e exposições

Demais riscos:

Danos ao conteúdo do local do evento

Prejuízos por não-utilização do local

Prejuízos por não-comparecimento do artista ou pessoa designada

Danos a equipamentos eletroeletrônicos musicais e cinematográficos

Danos a equipamentos em exposição

Coberturas Acessórias:

Instalação, montagem e desmontagem

Responsabilidade civil no fornecimento de bebidas e comestíveis

Responsabilidade civil de danos morais

Responsabilidade civil de guarda de veículos de terceiros

Responsabilidade civil para pessoas designadas

Coberturas básicas:

Responsabilidade civil do organizador

Responsabilidade civil do expositor

operacionais até a falta de conhecimento.

Santana diz que a Porto passou a ter

melhor desempenho na carteira, mas que

ainda enfrenta o desconhecimento das

organizações. De acordo com dados do

mercado, somente de 0,4% a 1% do valor

total de produção de um evento é destinado

à contratação de seguros. Hufnagel

comenta que esse é “um valor baixo e

que garante o respaldo necessário para

qualquer imprevisto que possa acontecer.

Concluímos que o seguro de eventos é

fundamental e necessário em qualquer

tipo de entretenimento”, comenta.

O que algumas companhias sentem é

que apesar do grande interesse do público

nesses eventos, as questões relacionadas

ao seguro passam despercebidas. Muitas

vezes o nome da seguradora não aparece

na divulgação e é difícil até mesmo o

cliente conseguir essa informação. Aliar o

nome da marca ao acontecimento passa a

não ser tão relevante para as companhias,

já que para elas, comercialmente, é muito

mais vantajoso ter o prêmio da apólice

do que estabelecer outro tipo de parceria.

Mas Marcelo Santana acredita que

o cenário não deverá permanecer assim

por muito tempo. “Não pensar tanto nessa

questão hoje é natural, mas à medida que

as pessoas tomam consciência vejo que

isso pode ser modificado”, acredita.

38


39


Um estudo inédito da Serasa

Experian revela o perfil dos

brasileiros que buscaram por

seguros no início do ano de

2015, de janeiro a março. O levantamento

leva em conta 11 grupos dominantes da

sociedade brasileira, de acordo com a

segmentação Mosaic Brasil. De todos

os consumidores que tiveram consultas

de crédito feitas pelas seguradoras no

período, o grupo com o maior percentual

é o de Adultos Urbanos Estabelecidos,

responsável por 26,07% do total.

O grupo tem, em geral, entre os 30 e

60 anos, boa escolaridade e já atingiram

um padrão de vida relativamente conpesquisa

| consumo

Quem compra seguros

no Brasil

Levantamento foi realizado em consultas de crédito feitas pelas

seguradoras entre janeiro e março de 2015

40

fortável. Em seguida, responsável pelo

segundo maior percentual de consultas

de crédito feitas pelas seguradoras do

país, está o grupo Elites Brasileiras

(19,29% do total), que engloba os adultos

acima de 30 anos, com alta escolaridade,

bem-empregados ou donos do próprio

negócio, desfrutando de alto padrão

de vida.

A lista segue com os Donos de Negócio

(13,92%), grupo composto predominantemente

por homens, na faixa de entre

25 e 55 anos e com negócio próprio. Em

seguida, em quarto lugar entre os grupos

com maior percentual de consultas

de crédito realizadas pelas seguradoras

vem a Juventude Trabalhadora Urbana,

ou seja, indivíduos em sua maioria com

até 35 anos, solteiros, moradores das

regiões metropolitanas e grandes centros

urbanos.

Em quinto lugar entre os grupos

mais interessados em comprar seguros

no país está o grupo de Jovens Adultos

da Periferia, composto por moradores

adultos de até 35 anos das periferias

brasileiras, um dos protagonistas da ascensão

da nova classe média. Este grupo

é o que detém o maior percentual entre

os 11 grupos dominantes da população,

reunindo 16,8% dos cidadãos. Veja, na

tabela, a lista completa:


Grupo Mosaic

Adultos Urbanos

Estabelecidos

Elites Brasileiras

Donos de Negócio

Juventude Trabalhadora

Urbana

Jovens Adultos da Periferia

Massa Trabalhadora

Urbana

Habitantes de Áreas Rurais

Experientes Urbanos de

Vida Confortável

Moradores de Áreas

Empobrecidas do Sul e do

Sudeste árias

Habitantes de Zonas

Precárias

Envelhecendo no Séc. XXI

Percentual

do total de

consultas

26,07%

19,29%

13,92%

11,02%

9,74%

6,72%

4,15%

4,16%

3,23%

1,00%

0,69%

Quem está em cada Grupo

O Grupo A, chamado de Elites Brasileiras,

é formado por adultos acima de

30 anos, com alta escolaridade, bem-

-empregados ou donos do próprio negócio,

desfrutando de alto padrão de vida.

Eles vivem nos centros urbanos ou nas

metrópoles, com idade bem distribuída

entre os 30 e 70 anos. Com escolaridade e

renda altas, a maioria é casada e vive com

a família há muito tempo no mesmo endereço.

Também é possível encontrar uma

boa parcela de solteiros ou divorciados,

com ou sem filhos. Vivem nos bairros

de maior prestígio dos centros urbanos

do País, em apartamentos ou casas de

alto padrão, com mais de dois banheiros

e mais de uma vaga na garagem.

Apesar de viverem em amplos espaços,

em média apenas três ou quatro

pessoas residem nesses locais. A maioria

é composta por funcionários altamente

qualificados do setor público ou privado,

e 3 em cada 10 são empresários.

Em geral, são profissionais bem-

-sucedidos - no auge de suas carreiras

profissionais ou em momento de significativa

ascensão – que vivem com

conforto e luxo. Têm acesso aos melhores

restaurantes, às melhores livrarias, aos

shoppings mais luxuosos. Viajam com

frequência, fazem compras no exterior e

costumam ter vida cultural ativa.

Em função de possuírem escolaridade

e renda elevadas, costumam ter

acesso aos melhores produtos e serviços

de tecnologia. Possuem amplo acesso à

internet no trabalho, em suas residências

ou através de dispositivos móveis.

Costumam realizar compras on-

-line, seja em sites nacionais ou internacionais.

Em muitas casas, ainda há

empregados domésticos mensalistas, o

que vem se tornando cada vez mais raro.

Têm acesso aos mais variados meios de

comunicação, sendo os mais utilizados:

TV por assinatura, internet e jornal. São

o principal público leitor do País e com

o maior poder de escolha em relação aos

conteúdos acessados.

41


pesquisa | consumo

São, em geral, clientes diferenciados

nos diversos bancos em que possuem

conta, os chamados clientes VIP. Assim,

o acesso ao crédito é amplo. Muitos

possuem linhas de crédito especiais e

mais de um cartão de crédito. O padrão

de vida atual lhes permite acreditar em

um futuro bastante confortável, embora

sejam receosos quanto à violência. São

abertos às novidades e pouco conservadores,

porém, apresentam características

mais tradicionais em alguns aspectos,

como relação aos valores familiares.

Os Experientes Urbanos de Vida

Confortável formam o Grupo B e são

moradores de áreas urbanas, maduros,

42

desfrutando de um bom padrão de vida.

Grande parte deste grupo é composta

por pessoas de meia-idade, com uma

longa trajetória profissional e estabilidade

financeira.

Possuem escolaridade média e uma

boa renda, compatível com sua qualificação:

6 em cada 10 trabalham na iniciativa

privada e possuem bons salários se

comparados à média nacional, ainda que

compatíveis com a escolaridade média

que apresentam. Há, ainda, uma parcela

de aposentados e pensionistas. Vivem em

ambientes urbanos, em geral nas capitais,

em domicílios compartilhados com sua

família estendida. O tipo de moradia

mais comum são casas de médio a alto

padrão, com três a quatro pessoas, com

presença de idosos e destaque para áreas

litorâneas urbanas, onde vivem 3 em cada

10. Em geral, habitam zonas centrais, que

já foram muito boas e muitas vezes se

deterioraram, mas possuem bom acesso

a bens e serviços. Por isso, desfrutam de

conforto nesses locais. A grande maioria

nunca morou em outro estado do Brasil.

Muitos possuem bens, como imóvel

próprio e carro. Aqueles que trabalham

não têm muito tempo livre, mas procuram

realizar atividades de lazer, principalmente

nos fins de semana. Reuniões

familiares são mais frequentes e viagens

de férias também costumam ser uma das

formas de lazer, sendo em geral para destinos

nacionais – viagens para o exterior

são mais raras. São usuários dos meios

de comunicação tradicionais, como rádio

ou TV. Parte considerável é leitora de

jornais, em especial os aposentados, que

desfrutam de mais tempo livre. Conhecem

os meios on-line, alguns os utilizam

inclusive no trabalho, mas apresentam

baixa propensão à utilização de forma

geral. Assim, ainda desconfiam de certas

operações, como internet banking.

É comum recorrerem à ajuda de pessoas

mais jovens, como filhos e enteados, que

moram ou frequentam suas casas, quando

precisam utilizar a internet.

Em geral, possuem relacionamento

bancário com apenas uma instituição e

o tipo de crédito a que mais recorrem é

o do cartão. Muitos já foram adeptos da

poupança no passado, forma pela qual

conseguiram “juntar um dinheirinho”

para garantir um futuro mais tranquilo.

São pessoas conservadoras, que valorizam

a educação e os laços familiares.

Com muito sacrifício, buscaram garantir

aos filhos o ensino superior em uma

época na qual a universidade não era tão

acessível. Alguns ainda possuem filhos

em idade escolar. Uma parte também

acolhe seus pais idosos em suas casas ou

são os próprios idosos morando com os

filhos. Apesar de terem vivido dias mais

“apertados” no passado, apresentam

certa nostalgia do tempo em que eram

jovens, quando honestidade e trabalho

duro eram, na opinião da maioria, valores

consolidados na sociedade.


mercado | captações

Seguro vai à bolsa

Setor vai aumentar presença entre as empresas de capital aberto no

País com a chegada da Par Corretora e ainda novos integrantes como o

IRB Brasil Re e a Caixa Seguros. Os IPOs, esperados para este ano, devem

impulsionar o valor de mercado do segmento, que hoje é de R$ 97 bilhões

das companhias listadas

Manuela Almeida

De desconhecido a um dos

setores com mais empresas

da bolsa. Esse será o salto do

mercado de seguros ao comandar

as aberturas de capital no mercado

brasileiro em 2015. Além de emplacar o

primeiro IPO, da sigla em inglês, oferta

pública inicial de ações, deste ano, o

segmento vai se diversificar na bolsa

com a chegada da corretora de seguros

e da seguradora da Caixa Econômica

Federal e ainda o ressegurador IRB Brasil

Re, concluindo o último passo do seu

44

processo de desestatização. Motivados

por fatores distintos, mas, correlacionados,

esses pares vão testar o apetite

de investidores locais e estrangeiros

pelo mercado de seguros. Se tiverem o

mesmo desempenho da BB Seguridade,

que controla os negócios de seguros do

Banco do Brasil, o sucesso está garantido.

Última a integrar a trupe das empresas de

capital aberto dos mercados de seguro e

saúde, a holding emplacou o maior IPO

do mundo em 2013 ao levantar cerca de

R$ 11,5 bilhões.

Juntas, as seis empresas de seguros

e saúde de capital aberto na bolsa brasileira,

a BM&FBovespa, somam valor

de mercado de cerca de R$ 97 bilhões.

Tal montante credita ao segmento uma

participação de 4% em um grupo de

companhias avaliado em R$ 2,5 trilhões,

conforme dados da bolsa.

O cenário, porém, é diferente de

quando a BB Seguridade veio a mercado

em meio à secura de IPOs no Brasil. O último

foi em outubro, quando a Ouro Fino,

que atua no segmento de saúde animal,


captou pouco mais de R$ 400 milhões

com sua abertura de capital. No ano em

que a BB Seguridade emplacou seu IPO,

foram dez ofertas iniciais. Tudo depende,

conforme especialistas, de quão atrativo

o seguro estiver para os investidores, que

ainda tentam digerir as decisões do governo

de Dilma Rousseff, que após uma

corrida pelo crescimento a qualquer custo,

tenta arrumar a casa brasileira. “Todos

os setores são importantes para a bolsa,

que está cada vez mais diversificada. Fazer

seguro e mitigar riscos ganha espaço

na gestão dos negócios com a sofisticação

dos mercados. A retomada dos IPOs demonstra

que a confiança dos investidores

está voltando. É uma conjunção de coisas

positivas”, avalia Edemir Pinto, presidente

da BM&FBovespa, à Apólice.

Conta a favor das potenciais candidatas

a listarem ações na bolsa o fato de o

mercado de seguros ter baixa penetração

no Brasil, de cerca de 6% do produto

interno bruto (PIB), considerando saúde

suplementar, e potencial de crescimento.

Enquanto alguns executivos já duvidam

que em 2015 o setor mantenha a trajetória

de expansão na casa dos dois dígitos, quando

avaliado o desempenho da economia

brasileira, fica claro que a correlação de

um com o outro existe, mas é fraca. Depois

de retrair 1,6% no primeiro trimestre

ante um ano, o PIB do País tende a fechar

2015 com retração de 1,27%, conforme o

primeiro boletim Focus, do Banco Central,

do mês de junho. Se confirmado, será o

pior resultado em 25 anos. Economistas

❙❙Edemir Pinto, da BM&FBovespa

mais pessimistas apostam, contudo, em

uma queda ainda maior, podendo chegar

a 2,2% neste ano. Já o mercado de seguros,

sem o segmento de saúde, cresceu 22,4%

de janeiro a março em relação ao mesmo

período do ano passado, totalizando R$

42,5 bilhões em prêmios, de acordo com

dados da Superintendência de Seguros Privados

(Susep). “É um segmento que ainda

possui baixa penetração na população e,

consequentemente, deve aumentar de maneira

gradativa com o amadurecimento da

economia por contribuir para maior previsibilidade

e melhor gestão de risco tanto

para as famílias quanto para as empresas”,

“A parte de seguros

da Caixa criará uma

excelente opção de

investimento, além de

trazer dinheiro para o

governo. Na medida

em que há ampliação

da oferta de seguros

há melhora no bemestar

da população”

JOAQUIM LEVY,

ministro da Fazenda

diz um gestor de recursos do mercado

financeiro que compra ações de empresas

que se listam na bolsa. “Além disso, é um

setor que se beneficia com a alta da taxa

Selic”, acrescenta o especialista.

E em todo momento crítico, como

destacam os mais otimistas, existem

oportunidades. Portanto, em um cenário

de retração da economia brasileira e

poucas aberturas de capital no mundo, o

mercado de seguros tem nova chance de

emplacar, pouco mais de dois anos após

a abertura de capital da BB Seguridade,

o maior IPO do mundo em 2015 com a

esperada abertura de capital da Caixa

Seguros, que tem entre seus sócios a

Caixa Econômica Federal e a francesa

CNP Assurances. A decisão foi anunciada

em maio último pelo ministro da

Fazenda, Joaquim Levy, após reunião

com a presidente Dilma. Diante da dificuldade

de preparar a Caixa para um

IPO, único grande banco 100% estatal,

a alternativa foi recorrer à operação de

seguros. Debruçado no corte de gastos,

mas, principalmente no aumento de arrecadação

de recursos para fechar suas

contas neste ano, o governo decidiu vender

mais de 30% da Caixa Seguros assim

como fez com o BB que, após reestruturar

sua operação securitária, decidiu listá-la

na bolsa em busca de maior valorização

para o ativo. Deu certo. As ações da BB

Seguridade são cotadas hoje em torno

de R$ 34,00, o dobro da cifra de quando

abriu capital, de R$ 17,00.

Com a Caixa Seguros, conforme

fontes do mercado financeiro, não será

diferente. O governo deve arregaçar as

mangas para fazer com que o IPO da

seguradora tenha sucesso já que precisa

cumprir a meta de superávit primário,

ou seja, o quanto consegue economizar

de dinheiro. E fatiar empresas estatais

na bolsa já se provou ser um negócio

rentável. Como comparativo, no trimestre

em que a BB Seguridade abriu capital, a

União recebeu R$ 1,7 bilhão em dividendos

e juros sobre capital próprio, duas

formas de remuneração das empresas de

capital aberto aos seus acionistas, do BB,

conforme dados das demonstrações financeiras

do banco público. Fora isso, há

ainda bilhões com tributos da operação.

Outro reforço que deve vir do IRB

já que boa parte se não a totalidade da

oferta deve ser primária, isto é, quando

os recursos captados vão para o caixa da

❙❙Arthur D’Amoed Neto, da SulAmérica

45


mercado | captações

empresa. O ressegurador tinha até 2018

para realizar sua abertura de capital,

conforme aprovado pelo conselho de

administração da empresa no processo

de desestatização, mas já havia deixado

aberta a possibilidade de fazê-la antes do

prazo final. Com o governo precisando

de recursos, o incentivo para que isso

aconteça é ainda maior.

As novatas

Com um valor de mercado de R$

2 bilhões, a Par Corretora abriu capital

na primeira semana de junho com uma

demanda de cinco vezes o book. Trata-se

de um livr, no qual os bancos assessores

da operação inserem as ordens dos investidores

a um valor dentro da faixa de

preço definida. No caso da Par Corretora,

o intervalo era bem estreito e ia de R$

11,25 a R$ 11,60. Além disso, a oferta

foi ancorada pela gestora de fundos de

private equity, que compra participações

em empresas, a Gávea Investimentos, do

ex-Banco Central Armínio Fraga, que

entrou no IPO com R$ 140 milhões.

A Par Corretora listou suas ações no

Novo Mercado, o segmento de mais

alto nível de governança corporativa da

BM&FBovespa. No seu caso, a operação

foi secundária, ou seja, os recursos não

entraram para o caixa da empresa, mas

para alguns acionistas que decidiram

vender parte ou a totalidade da sua participação

no grupo.

Ainda este mês, é esperado, segundo

fontes de mercado ouvidas por Apólice,

que o IRB faça pedido junto à Comissão

de Valores Mobiliários (CVM), órgão

regulador das empresas de capital aberto,

para seu IPO. Sua abertura de capital

pode movimentar de R$ 3,5 bilhões a R$

4 bilhões, conforme as mesmas fontes, e

deveria ocorrer até meados de 2018. Entretanto,

há cerca de dois anos, Leonardo

Paixão, presidente do IRB, antecipou, em

coletiva de imprensa, que o ressegurador

iria trabalhar para estar pronto em dois

anos, que se completam em 2015, para

poder aproveitar as janelas de mercado.

Como o IRB tem entre seus acionistas

Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do

Brasil, seu IPO está sendo estruturado

por esses bancos, que ainda devem contar

com o apoio de bancos internacionais

para emplacar a oferta. Fundado em 1939,

o IRB detinha o monopólio do mercado

de resseguros até 2007, quando o segmento

de fato abriu e a companhia foi

obrigada a se reestruturar para ser mais

competitiva. Foi, então, que teve início

o processo de privatização, que encerra

com a abertura de capital.

Tanto o IPO da Par Corretora quanto

a do IRB serão uma espécie de termômetro

para o IPO bilionário da Caixa

Seguros, previsto, conforme fontes com

conhecimento no assunto, para o terceiro

trimestre deste ano. Os últimos meses

foram de intensas conversas com os sócios

franceses, conforme fontes. A CNP

detém participação de 50,75% da Caixa

Seguros, pela qual desembolsou US$ 538

milhões no ano de 2011 em um acordo de

20 anos. Dar sua bênção à operação, conforme

fontes, pode ser o “grande pulo”

para a renovação do contrato que desperta

interesses de vários players do mercado.

❙❙Werner Suffert, da BB Seguridade

Um deles é o BTG Pactual, do banqueiro

André Esteves, que já é sócio da Caixa

Econômica no Pan (ex-Panamericano) e

recentemente adquiriu também com o

banco público a Pan Seguros como uma

forma de capitalizar seu dono para que

ele volte a dar lucro.

O modelo de abertura de capital da

Caixa Seguros será semelhante ao da BB

Seguridade com a constituição de uma

holding de seguros com todas as empresas

da companhia. Além das unidades

de negócios da Caixa Seguros e a Par

Corretora, espera-se, conforme fontes,

que também integrem o grupo a Previsul,

especializada em seguro de vida,

e a Tempo Dental, com foco em planos

odontológicos. Até seu nome de batismo

deve ser semelhante: Caixa Seguridade.

Executivos envolvidos nas negociações

dizem que o valor a ser levantado pela

46


mercado | captações

❙❙Marcelo Picanço, da Porto Seguro

seguradora pode variar de R$ 10 bilhões

a R$ 20 bilhões com a venda de mais de

30% de suas ações. Tudo depende, porém,

do valor de mercado que a companhia

será precificada. Estudos preliminares

feitos pela Caixa Econômica Federal

apontam, considerando todas as empresas

sob o guarda-chuva da sua seguradora,

que o valor de mercado estaria entre R$

40 bilhões e R$ 70 bilhões.

O Banco do Brasil será o líder da

operação, enquanto Bradesco BBI, Itaú

BBA, Goldman Sachs e UBS serão coordenadores

globais. Também vão participar

do IPO da Caixa Seguros, segundo

fontes, os bancos Citibank, BTG Pactual,

Brasil Plural e Bank of America Merril

Lynch (BofA). Esses nomes foram selecionados

entre 16 instituições que fizeram

sugestões para o IPO da Caixa Seguros. O

exército de bancos terá um belo trabalho

pela frente. Embora o mercado de seguros

tenha potencial crescimento no Brasil,

fontes atentam para o fato de a empresa

ter economia mista, privada e pública, e

o momento ser complicado para empresas

estatais em meio à crise de corrupção que

a Petrobras enfrenta. Não bastasse isso, a

Caixa foi citada na operação Lava Jato, o

que poderia, conforme as mesmas fontes,

incluir mais desafios para a abertura de

capital da seguradora ainda neste ano.

Mais visibilidade

Embora somente uma das novatas

tenha chegado, a Par Corretora, o mercado

já comemora a maior visibilidade que

48

terá. No mundo das empresas listadas,

diferente do dia a dia da conquista por

grandes apólices, quanto mais players

do mesmo segmento, melhor. É evidente

que as primeiras se beneficiaram do discurso

de serem precursoras do mercado

de seguros a abrirem capital na bolsa

brasileira que, diferente dos mercados

europeu e americano, tem menos representantes

listadas. No entanto, com

mais integrantes, o segmento ganhou

atenção de investidores e analistas. Foi

o que aconteceu com a chegada da BB

Seguridade, batizada por analistas do

mercado de “a gigante do seguro”. Hoje,

somente suas ações respondem por cerca

de 3% do volume bilionário negociado

todo dia pelo Ibovespa, principal índice

de ações da bolsa brasileira. Os demais

players, segundo Werner Suffert, diretor

financeiro e de RI da BB Seguridade,

giram 10% do montante financeiro negociado

pela BB Seguridade. “O volume

financeiro de empresas de seguros na

bolsa aumentou bastante. Outra escala

foi trazida para o mercado e os investidores

conseguiram ter mais liquidez para

seu investimento”, diz ele, acrescentando

que a entrada de novas empresas “sempre

é positivo”.

Mais do que atenção, o setor de

seguros, que depende de uma cabeça de

longo prazo para que sua dinâmica seja

compreendida, passou a ser entendido

por agentes treinados a pensar a cada

trimestre. Essa é a frequência com que

toda empresa de capital aberto precisa

mostrar seus números, estratégia, tendências

e, se preciso, recontar a sua história.

“Quando começamos a falar de seguros

para investidores e analistas, no final de

2006, nos consideravam do segmento

financeiro. Entender nossa dinâmica não

era trivial. Depois de quase uma década,

tivemos uma transformação no mundo

de investimentos, que passou a dominar

a lógica do mercado de seguros”, lembra

Arthur Farme D’Amoed Neto, vice-

-presidente de Relações com Investidores

da SulAmérica.

O setor de seguros começou a ser

representado na bolsa com a abertura

de capital da Porto Seguro, em 2004,

quando captou R$ 377 milhões. Foi a

primeira seguradora não ligada a banco

a se listar na bolsa. Isso porque como

Bradesco e Itaú Unibanco têm capital

aberto, indiretamente, suas seguradoras

também seguem, ainda que em menor

escala, o dia a dia das empresas aber-


❙❙Sede do IRB-Brasil Re, no Rio de janeiro

tas. Em seguida, vieram a operadora

de planos odontológicos, Odontoprev,

em 2006, que levantou mais de R$ 450

milhões, e a SulAmérica, em 2007, que

captou R$ 775 milhões. Foi a maior

captação de um grupo segurador na

América Latina, conforme Neto, até a

BB Seguridade superá-la, em 2013.

Esse grupo, porém, poderia ser

maior. As operadoras de planos de saúde

Amil e Medial, adquirida em 2009 pela

concorrente, tinham capital aberto. Depois,

foi adquirida, em 2012, pela norte-

-americana UnitedHealth que a deslistou

do mercado. Somente as duas, Amil

e Medial, deixaram a bolsa até então.

O movimento é visto como natural no

mercado não só em processos de fusões

e aquisições, da sigla em inglês M&A,

mas também pelos desafios que as empresas

têm ao serem listadas em bolsa.

Além de um custo pesado com equipe de

pessoas, que no mercado recebe o nome

de “relações com investidores”, voltada

a atender os diversos agentes como investidores,

analistas que acompanham

de perto as companhias para indicarem

a recomendação mais assertiva para suas

ações e ainda a própria imprensa, há gastos

com auditoria, publicação de balanço

e muitos outros. Não são somente custos

que pesam. Ser uma empresa de capital

aberto também exige mais governança

corporativa e uma disposição de dividir

com o mercado todo e qualquer passo.

“Acredito que os pontos positivos de uma

empresa de capital aberto superam os negativos.

Há custo e trabalho internos, mas

as provocações do mercado nos ajudam

a nos questionarmos constantemente e

combater qualquer tipo de acomodação”,

observa Marcelo Picanço, diretor Financeiro

e de Relações com Investidores da

Porto Seguro.

Segundo ele, o segredo está na manutenção

de uma estratégia. Mudar de rota

toda vez que o mercado cobra, tentando

mostrar novidades a cada trimestre,

conforme Picanço, pode, ao invés de ajudar,

minar a empresa na bolsa. A Brasil

Insurance, holding de corretagem de

seguros, está sentindo na pele o que é ter

seu modelo de atuação questionado pelo

mercado. Em um ano, suas ações já caíram

quase 80%. Imersa em uma reestruturação

desde o ano passado, que fez com que seus

papéis despencassem na bolsa, a corretora

negocia, agora, com a gestora de recursos

GP Investimentos, que investe em empresas,

um aporte para sair da crise que

enfrenta. Até, agora, porém, resiste em

permanecer com capital aberto já que sair

do mercado com um valor muito abaixo de

quando entrou significa realizar a perda.

As ações da Brasil Insurance estão cotadas

a R$ 1,60. Se caírem abaixo de R$ 1,00,

passarão a ser penny stocks no jargão do

mercado e, assim, será obrigada a sair da

bolsa já que não são permitidas empresas

com ações neste valor.


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

A gravata de David Livingstone e

os verbos auxiliares

Nascido em Blantyre, Escócia, em 19

de março de 1913, David Livingstone

desenvolveu em sua vida duas missões

distintas: foi médico e missionário.

Só que na África!

Em 1841, aos 28 anos, já estava no

deserto de Kalahari, na África Central.

A partir dali, percorreu 48.000

quilômetros em terras africanas.

Numa dedicada obra de mais de 15

anos, atravessou duas vezes aquele

deserto, navegou no rio Zambeze de

Angola até Moçambique, foi o primeiro europeu a atravessar o

lago Tanganica, descobriu as cataratas Vitória e cruzou Uganda,

Tanzânia e Quênia!

Construiu um hospital em Lambarene, onde atendia os

enfermos e atuava como missionário. Tendo falecido na região

em 1° de maio de 1873, aos 60 anos, é lá que está sepultado

seu coração.

Suas características pessoais sempre foram a bondade e

a simplicidade. Certa feita, convidado para ser padrinho de

casamento, recebeu uma observação de sua secretária: “Dr.

Livingstone, o senhor vai ao casamento com essa gravata?”

“Sim”, respondeu ele com naturalidade, “porque só tenho esta”

e, ante o espanto da moça, completou: “E sou mais feliz do que

meu pai, que tinha duas, e um sério problema cada vez que tinha

que escolher entre elas”!

Muito bem. É uma bela história. Mas o que isso tem a ver

com os verbos auxiliares?

Explico: é que a maioria das línguas conta com apenas dois

verbos auxiliares, um para designar a existência – verbo ser –

outro, para a posse – verbo ter (ou haver). É o que se verifica,

por exemplo, nestes idiomas:

Italiano : Essere e Avere

Francês: Être e Avoir

Inglês: To be e To have

Alemão: Sein e Haben

Em português, entretanto, temos o dobro: ser, estar, ter e

haver! E aí vem a confusão. Primeiro para os estrangeiros, que

vivem trocando o ser pelo estar e vice-versa. É comum ouvirmos

um “gringo” dizer “Eu era lá” em vez de “eu estava lá”; “Ele é

trabalhando agora”, em lugar de “ele está trabalhando agora”

e por aí afora.

Tomando o caso do idioma inglês: a flexão “I am” significa

tanto “Eu sou”, como “Eu estou”. O contexto é que indicará a

diferença. Em “I am John”, o sentido é ser: eu sou John. Já em

“I am here”, o sentido é estar: eu estou aqui.

Em alemão, a situação seria semelhante: “Ich bin Johann”

e “Ich bin hier”. Em francês: “Je suis Jean” e “Je suis ici”. Em

italiano: “Io sono Giovanni” e “Io sono qua”...

Fica complicado, para quem não é daqui, ter de saber onde

aplicar o nosso ser e o estar, quando sem suas línguas essa

necessidade não existe...

Isso para os estrangeiros. Para nós, o problema esta nos

verbos ter e haver, que – dentro do rigor gramatical – apresentam

sensível diferença. O verbo haver possui conotação ligada ao

existir, à existência de algo ou de alguém. Tanto que, no estudo

de “sujeito inexistente”, ele entra com a designação de “verbo

existencial”! É quando a gramática define que “o verbo haver,

usado no sentido de existir, é impessoal e leva a uma oração

sem sujeito”. Em: “Há muitos escândalos no Brasil”, temos

uma oração sem sujeito, porque não há termo a que se possa

atribuir a função de sujeito. (E não porque a CPI, nem a polícia,

nem a justiça pode apurar quem é o culpado!). O verbo ter, em

contraposição – e também dentro do rigor gramatical – exige

sujeito expresso. Isso significa que não podemos usar o verbo

ter sem a presença de um termo-sujeito.

A bela composição “Roda viva”, do inspirado Chico Buarque,

começa assim:

“Tem dias que a gente se sente...”.

Pelo rigor gramatical, está incorreta aplicação do verbo ter,

uma vez que desacompanhado de sujeito. O “gramaticalmente

correto” seria:

“Há dias em que a gente se sente...”

É claro que não teria a mesma graça, o mesmo balanço, a

mesma naturalidade... E é por isso e para isso que existe a famosa

“licença poética”, que libera o criativo Chico e outros compositores

da tirania da ortodoxia da severa Dona Gramática”!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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