Revista Apólice #197

revistaapolice

editorial

Ano 20 - nº 197

Abril 2015

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publicação independente da

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que escolhemos

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Os tempos estão ficando difíceis. Mesmo com todos os índices

econômicos mostrando o crescimento da inflação, aumento das

taxas de juros e queda do desenvolvimento da economia, o mercado

segurador continua apostando em aumento de sua produção,

por conta da baixa penetração dos produtos de seguros.

Deste lado, nós torcemos para que este quadro desfavorável

seja revertido o mais breve possível. Entretanto, economistas apostam

que qualquer sinal de recuperação só se dará a partir de 2017.

Enquanto isso, continuamos apostando firmemente no mercado

de seguros como um dos poucos setores capazes de impulsionar

a poupança interna e ainda garantir seu cunho social

de proteção. Acreditamos muito no título de nossa capa: “nossa

missão é proteger”. É uma frase que diz muito sobre a função dos

atores deste setor, que devem, acima de tudo, pensar na proteção

das pessoas e de seus patrimônios.

A Revista Apólice está se preparando para as novas realidades

do mercado. Temos uma equipe dedicada a buscar, diariamente,

novas formas de levar informações relevantes aos leitores. Em abril,

fechamos um acordo histórico com o Instituto Ibero-Brasileiro de

Relacionamento com o Cliente – IBRC – e acertamos a criação do

“Índice Nacional Apólice IBRC de Relacionamento das Seguradoras”.

Em junho anunciaremos os primeiros resultados deste levantamento,

que certamente irá se tornar uma referência para quem

atua no mercado de seguros. Em nossa próxima edição, divulgaremos

mais detalhes.

Boa leitura!

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sumário

20 4ª

capa

Convenção Nacional da Lojacorr ressalta

o propósito da empresa com a missão de

proteger

especial corporate

06 entrevista

Heloisa Menezes, diretora técnica

do Sebrae, fala sobre os novos caminhos

para o empreendedorismo

brasileiro

30 garantia

Empresas podem contar com evolução

do produto para substituir

o caução ou fiança bancária em

processos judiciais

34 D&O

Escândalos de corrupção alavancam

procura por proteção e seguradoras

já avaliam maneiras de reestruturar

o produto

28 Poder

congresso

judiciário e mercado de seguros juntos

em evento para discussão de tendências

e desafios dos dois setores

38 saúde

PME’s continuam investindo em planos

de saúde e odontológicos para

reter seus funcionários, tornando-se

um importante nicho de atuação

50 Diferenciação

operadora

de produtos no mercado de

saúde é aposta da Biovida para se distanciar

do pessimismo

42 PME

Adaptar produtos já existentes no

mercado às necessidades de pequenas

e médias empresas é aposta de

seguradoras e corretoras

46 transportes

52 Evento

56 Tokio

espanha

em Madri destaca a recuperação

econômica do país europeu, que apresenta

queda de desemprego e aumento de

exportações

mercado

Marine contrata 12 profissionais para

impulsionar crescimento orgânico e garantir

espaço no mercado de grandes riscos

10

16

18

51

57

58

|

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Aumento de roubos e estrutura

das estradas brasileiras faz com que

profissionais autônomos e pequenas

companhias busquem seguro

painel

gente

direto de londres

painel saúde

aeronáutico

comunicação

4


entrevista | Heloisa Menezes

Charles Damasceno

6


Pequenos, mas

muito organizados

A diretora técnica

do Sebrae, Heloisa

Menezes, conversou

com a revista sobre

os novos caminhos

dos empreendedores

brasileiros

Kelly Lubiato

APÓLICE: Fora do Brasil, o empreendedorismo

é muito valorizado. Por que

aqui isso não acontece?

Heloísa Menezes: A pesquisa Global

Entrepreneurship Monitor (GEM),

feita pelo Sebrae e o Instituto Brasileiro

de Qualidade e Produtividade (IBQP),

mostra uma realidade bastante diferente.

Três em cada dez brasileiros adultos, entre

18 e 64 anos, possuem uma empresa ou

estão envolvidos com a criação de um negócio

próprio. Ainda segundo a pesquisa,

em dez anos, a taxa total de empreendedorismo

no Brasil aumentou de 23%, em

2004, para 34,5% no ano passado. Metade

desses empreendedores abriu seus negócios

há menos de três anos e meio. Na

comparação mundial, o Brasil se destaca

com a maior taxa de empreendedorismo

entre os países que integram o grupo dos

Brics, quase 8 pontos porcentuais à frente

da China, o segundo colocado. Nossa taxa

é superior ainda à da Índia (26,7%), África

do Sul (9,6%) e Rússia (8,6%). O número

de empreendedores entre a população

adulta no Brasil é também superior ao

dos Estados Unidos (20%), Reino Unido

(17%), Japão (10,5%) e França (8,1%).

APÓLICE: Quais são as características

do empreendedor brasileiro?

Heloísa Menezes: No perfil do

empreendedor brasileiro destacam-se a

criatividade e a flexibilidade para lidar

com as mudanças e desafios da competitividade,

conforme a GEM. Sabemos

também que há mais motivação de

empreender por oportunidade do que

por necessidade. Assim, o estímulo ao

empreendedor no Brasil passa por novas

melhorias no ambiente legal, mais facilidade

de acesso a crédito e redução da

burocracia, que recebeu bastante apoio

do governo federal a partir do programa

Bem Mais Simples Brasil, lançado este

ano e que reduz o tempo para abertura

e fechamento de empresas no país. O

maior estímulo, entretanto, ainda está

no tratamento diferenciado, favorecido

e simplificado que gera menor carga tributária

por meio do Supersimples, além

da participação em compras públicas

e licitações.

APÓLICE: Qual é o maior entrave atualmente

para o empreendedor?

Heloísa Menezes: O maior desafio

na atualidade é superar a falta de um conhecimento

mais amplo sobre gestão e informações

sobre mercado. É fundamental

que o empreendedor conheça bem o seu

próprio negócio, seus processos, produtos

e serviços, saiba quem são seus clientes

e quais são seus concorrentes, bem como

os gargalos do segmento em que ele atua

ou pretende ingressar. Buscar a excelência

na gestão, inovar e conquistar novos

mercados são atitudes fundamentais por

parte dos empreendedores, uma vez que

o mercado é global e, portanto, bastante

competitivo. Antes de abrir um negócio, é

imprescindível conhecer bem o mercado

para estar preparado frente aos desafios

e às oportunidades que surgem em um

ambiente extremamente competitivo

como é o de hoje.

APÓLICE: O Sebrae pleiteia junto ao

governo algum tipo de incentivo?

Heloísa Menezes: Temos trabalhado

em parceria com a Secretaria da

Micro e Pequena Empresa e a Frente

Parlamentar da Micro e Pequena Empresa

em propostas e projetos de lei que reduzam

a burocracia e a carga tributária. A

Secretaria tem sido uma grande parceira

do Sebrae. No ano passado, o Congresso

Nacional aprovou alterações na Lei Geral

da Micro e Pequena Empresa, entre elas,

a universalização do Supersimples e a

regulamentação do uso da substituição

tributária, a partir de uma mobilização

nacional. Para este ano, já tramita na

Câmara dos Deputados uma nova atualização

da Lei Geral. A ideia é que o

projeto seja aprovado neste exercício e que

as novas regras comecem a valer a partir

de 2016. Entre as propostas de alteração,

estão a criação de tetos de transição de

R$ 7,2 milhões e de R$ 14,4 milhões, a

implementação de uma faixa de transição

para os microempreendedores individuais

(MEI), entre R$ 60 mil e R$ 120 mil, a

diminuição de faixas de tributação de

20 para sete e a redução do número de

tabelas, passando de seis para quatro,

sendo uma para o Comércio, outra para a

Indústria e duas para o setor de Serviços.

APÓLICE: Atualmente, como está o nível

de sobrevivência da micro e pequena

empresa?

Heloísa Menezes: De cada cem

empresas criadas no Brasil, 76 sobrevivem

aos dois primeiros anos de vida. Há

uma década, cerca de metade das micro

e pequenas empresas fechava as portas

antes de completar dois anos de atividade.

Essa taxa, em crescimento nos últimos

anos, mostra uma melhor capacidade

das micro e pequenas empresas para

superar dificuldades nos primeiros anos

7


entrevista | Heloisa Menezes

do negócio. Nesse período inicial, a empresa

ainda não é conhecida no mercado,

não possui carteira de clientes e, muitas

vezes, os empreendedores ainda têm

pouca experiência em gestão. Os avanços

registrados nos últimos anos, porém, são

significativos.

APÓLICE: A senhora acredita que

valores empreendedores poderiam ser

transmitidos mais cedo aos brasileiros,

como disciplina nos cursos de ensino

fundamental e médio?

Heloísa Menezes: Não digo transmitidos,

mas vivenciados. Quanto mais

cedo o estudante tiver contato com

temas e vivências relacionadas ao empreendedorismo,

maiores são as chances

de se tornar um intraempreendedor ou

um empreendedor. Ao falar de educação

empreendedora, estamos falando

de protagonismo, autonomia, de novas

formas de olhar o mundo do trabalho.

Com essa convicção, o Sebrae mantém

um Programa Nacional de Educação

Empreendedora.

APÓLICE: Como acontece a sucessão

numa microempresa? Ela vai ficando

na família?

Heloísa Menezes: A sucessão em

microempresa é uma tendência natural

já que o pequeno negócio é caracterizado

por sua base familiar. Segundo dados da

8

“ É fundamental

que o

empreendedor

conheça bem

o seu próprio

negócio, seus

processos,

produtos e

serviços


Business School São Paulo for International

Management e The Family Business

Network, 90% das empresas em atividade

no Brasil são familiares. Na Itália, país

líder do ranking, esse percentual chega

a 95%. Temos observado que a acirrada

concorrência pressiona as famílias para a

busca da profissionalização da gestão. Os

empresários de hoje têm a preocupação

de preparar os familiares para a sucessão

e futuro do negócio com solidez, o que

depende também de ter equipes devidamente

qualificadas para a sustentação dos

resultados. Outra pesquisa, da Pricewaterhouse

(PWC), mostra que a maioria

dos líderes das empresas reconhece a

importância da gestão familiar, para a

qual a sucessão é vital. Há, porém, o lado

afetivo em relação à empresa que, muitas

vezes, a inibe a gestão profissional ou

entregar a direção do negócio.

APÓLICE: A questão tributária para a

micro e pequena empresa já é satisfatória

ou ainda peca em algum ponto?

Heloísa Menezes: Melhorou bastante,

mas ainda há espaço para melhorias.

Está em tramitação no Congresso Nacional

mais uma atualização da Lei Geral

da Micro e Pequena Empresa. O Projeto

de Lei Complementar 448/14 reorganiza

o sistema de cobrança do Supersimples,

elevando em até 400% o teto de receita

anual para enquadramento de micro e pequenas

empresas nesse regime tributário

diferenciado. Atualmente, os pequenos

negócios recolhem oito impostos federais,

estaduais e municipais por meio de um

único boleto. Para a maioria dos casos, a

carga de impostos é 40% menor do que

no regime tributário convencional.

APÓLICE: O empreendedor, hoje, se

prepara mais antes de abrir seu negócio?

Heloísa Menezes: Ele vem se preparando

mais em razão do aumento da

competitividade. Conforme a pesquisa

GEM, quanto mais elevado é o grau

de escolaridade, maior é a proporção

de empreendedores por oportunidade,

em função do sonho de ter um negócio

próprio. A proporção de empreendedores

por oportunidade é maior entre os empreendedores

homens (73,9%) do que entre

as mulheres empreendedoras (64,5%).

A proporção de empreendedores por

oportunidade é maior entre os empreendedores

mais jovens. A pesquisa GEM

utiliza também, além do questionário

voltado para a população de 18 a 64 anos,

um segundo instrumento aplicado a um

grupo de especialistas em cada país, por

meio do qual são avaliadas questões relacionadas

às condições para empreender.

APÓLICE: Quais são as áreas de

conhecimento mais procuradas pelos

empreendedores?

Heloísa Menezes: Os empreendedores

buscam qualificação em gestão e

finanças, o que é fundamental em todas

as etapas de um pequeno negócio bem

estruturado.


painel

Após finalizar a compra da carteira

de clientes corporativos da Itaú Seguros,

em outubro passado, o Grupo Ace reúne

agora em um mesmo endereço, em

São Paulo, os profissionais advindos da

aquisição e os que já se encontravam na

empresa. Eles passarão a atuar na nova

matriz das operações da companhia no

Brasil. Ao todo, aproximadamente 700

profissionais vão ocupar três andares

e meio em um edifício na Marginal

Pinheiros, na Avenida das Nações Unidas,

8.501.

“Ao unir duas operações absolutamente

complementares, a Ace não

apenas triplicou o volume de negócios

no Brasil, mas também dobrou a sua

equipe e, por isso, necessitava ampliar

sua matriz”, diz Antonio Trindade, execasa

nova 1

Consolidação em novo endereço

cutivo responsável pela nova operação

da seguradora no País.

incentivo

Premiação em Paris

A Zurich, premiou corretores com

uma viagem para Paris pela campanha

Voe com a Zurich. “A seguradora compreende

a importância de seus parceiros e

se empenha em reconhecer seus esforços.

Os corretores, por sua vez, reconhecem o

esforço para ajudá-los a impulsionar bons

negócios”, afirma o diretor Comercial da

companhia, João Bosco Medeiros.

microsseguro

Direto do Brasil

O fundador e presidente do PASI,

Alaor Silva, se apresentou no 6º Encontro

Anual de Microsseguros América Latina,

promovido pela companhia inglesa

Hanson Wade, em Miami. O executivo

compartilhou a experiência da empresa

em construir coberturas e benefícios

identificados com o público alvo, além de

mecanismos de acessibilidade desenvolvidos

no contexto dos negócios.

10

A cidade de Foz do Iguaçu (PR)

recebe o 19° Congresso Brasileiro

de Corretores de Seguros. O evento

acontecerá entre os dias 8 e 10 de

outubro, data em que serão realizados

paralelamente o 3º Congresso

Brasileiro de Saúde Suplementar e

a 18ª Exposeg.

“Teremos três grandes eventos

em um só local”, afirma o presidente

da Fenacor, Armando Vergílio,

segundo o qual a maior prova de

que a entidade “acertou a mão” ao

escolher o palco desses eventos é o

número expressivo de profissionais

inscritos em apenas uma semana.

“Creio que iremos atingir até agosto

o total estimado de inscrições, ou

seja, bem antes do prazo final

de inscrição (30 de setembro)”,

diz ele.

Vergílio explica que,

para não prejudicar a logística

e assegurar o concongresso

Opinião do líder

forto dos participantes e a qualidade

do evento, foi fixado um limite de

cinco mil inscritos, sendo quatro mil

congressistas e mil colaboradores,

entre funcionários de apoio e outros

profissionais que irão trabalhar no

local.


painel

imagem

Marca valiosa

Com valor de US$ 21 bilhões, a

marca Allianz foi eleita como a mais valiosa

do mercado segurador mundial pelo

ranking de 2015 da Brand Finance Global

500, baseado em um estudo de benchmark

que considera solidez, risco e potencial

futuro de uma marca em comparação aos

seus concorrentes. O resultado coloca a

companhia na posição 41 entre as 500

principais marcas mundiais.

A Brand Finance, empresa do Reino

Unido de avaliação de marcas e consultoria

estratégica, destaca a solidez do

crescimento da receita e as perspectivas

positivas de consolidação como os principais

determinantes para o aumento de

3% em relação a 2014 do valor da marca

Allianz.

publicidade

Novos garotos

propaganda

A Liberty Seguros colocou

no ar os anúncios com os novos

embaixadores da marca no Brasil:

o medalhista olímpico e técnico da

seleção brasileira de vôlei masculino,

Bernardinho, e sua esposa, a ex-jogadora

de vôlei e também medalhista

olímpica, Fernanda Venturini.

Este ano, a seguradora aposta

no casal para apoiar o novo período

de iniciativas da marca após o patrocínio

da Copa do Mundo da FIFA

2014 e a parceria com o ex-capitão

da seleção brasileira de futebol, Cafu.

“Assim como Cafu, Bernardinho

e Fernanda são líderes e inspiram

muitos brasileiros”, afirma a diretora

de Marketing e Estratégia da empresa,

Patrícia Chacon.

tecnologia 1

Game em prol da

saúde

Para orientar seus clientes quanto

aos cuidados com a coluna, a Central

Nacional Unimed criou o Jogo da

Memória Postural. Dividido em quatro

temas (Dia a Dia, Mamãe e Bebê,

Trabalhe Melhor e Viagem e Lazer), o

game conscientiza o usuário e esclarece

dúvidas sobre os danos à coluna decorrentes

da má postura.

A ferramenta reforça a postura

adequada no dia a dia em locais como

o escritório e o sofá da sala, com dicas

para evitar problemas de saúde que vão

de uma simples dor muscular a problemas

mais sérios, como lordose, cifose

e escoliose.

Jogo da Memória Postural está disponível

para download na Apple Store

e no Google Play.

tecnologia 2

Tudo sobre seguros em gadgets

Para alcançar o público que acessa

a internet através de dispositivos móveis,

a Escola Nacional de Seguros lança um

aplicativo do portal Tudo Sobre Seguros.

A ferramenta apresenta conteúdo sobre o

mercado de seguros no Brasil, produtos

disponíveis para cada público, respostas

a perguntas mais frequentes e análise

dos últimos acontecimentos nacionais e

internacionais que podem mobilizar as

coberturas de seguros.

“O aplicativo foi desenvolvido para

possibilitar o acesso às informações do

portal a qualquer momento, além de tornar

a navegação mais dinâmica através de

um design que se ajusta ao tipo de mídia

utilizado”, explica Lauro Faria, assessor

da Diretoria Executiva da instituição e

coordenador do Tudo Sobre Seguros.

O aplicativo é gratuito e está disponível

para download na Apple Store e no

Google Play.

12


painel

produto

Seguro garante

formação escolar

O Grupo Bradesco Seguros

lançou um seguro destinado a

instituições de ensino que pode ser

oferecido aos pais ou responsáveis

por alunos. A adesão ao produto

garante o pagamento das mensalidades

escolares dos filhos e/ou

dependentes no caso de ocorrência

de imprevistos como falecimento

do segurado, acidente que resulte

em sua invalidez permanente ou

desemprego provocado por demissão

sem justa causa.

O seguro educacional abrange

ainda a Assistência ao Estudante,

pacote de serviços que inclui atendimento

emergencial por meio de

uma Central de Atendimento 24

horas nos casos de acidente, doença

ou intervenção cirúrgica (ocorridos

no Brasil). O serviço contempla

aulas particulares, locação de

aparelhos ortopédicos e hospitalares

e transporte para tratamento

fisioterápico, entre outros

benefícios.

sindicato

Encontro em Joinville

❙❙Auri Bertelli, presidente do Sincor-SC

O 3º Ecoseg – Encontro Catarinense

de corretores de seguros acontecerá

nos dias 9, 10 e 11 de Julho de 2015, em

Joinville.

A cidade foi escolhida considerando

sua localização privilegiada, próxima a

Florianópolis e Curitiba.

O Ecoseg será realizado nas dependências

do Centro de Eventos da Expoville,

que possui estrutura e capacidade

de oferecer um espaço diferenciado

para receber os corretores e o mercado

segurador em Santa Catarina.

O tema central escolhido pela organização

do Ecoseg será “ Os desafios do

Corretor de Seguros na era Tecnológica”.

Profissionais mais experientes estarão

presentes para incentivar e inserir os

corretores no uso de ferramentas que

proporcionem a evolução e novas oportunidades

no mercado tão competitivo.

publicidade

Apoio a eventos

esportivos

A partir deste ano, a SulAmérica

passa a apoiar eventos esportivos de

participação. A estreia acontece no

Night Run, circuito de corrida de

rua noturno, em que a companhia

vai apoiar 12 provas em 11 cidades

brasileiras e convidar corretores,

clientes e prestadores a participarem,

oferecendo inscrições limitadas com

valor reduzido.

O evento integra o Circuito Sul-

América de Música e Movimento,

programa da seguradora para incentivo

à cultura e aos esportes. “O apoio

aos esportes faz todo sentido para a

SulAmérica, especialmente em se

tratando de eventos de participação.

Acreditamos que iniciativas como

esta aproximam as pessoas de hábitos

saudáveis”, afirma o vice-presidente de

Planejamento e Marketing da empresa,

Renato Terzi.

casa nova 2

Sede muda, mas escritórios continuam

A AIG anunciou o novo endereço de

sua sede: Avenida Presidente Juscelino

Kubitschek, 2041, Complexo JK - Torre

E, 10º andar, em São Paulo. Além da nova

sede, a companhia permanece com uma

unidade administrativa na Rua Gomes

de Carvalho, 1306, 13º andar, também

na capital paulista. As filiais no Rio de

Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto

Alegre e em Campinas, no interior de São

Paulo, continuam em operação.

14


tecnologia 3

Saúde no celular

A Porto Seguro lançou o aplicativo “Saúde Odonto”.

A ferramenta, que pode ser utilizada por usuários do Porto

Seguro Saúde, Portomed e Porto Seguro Odontológico, permite

pesquisar a rede de atendimento e acompanhar dados

sobre reembolso, obter dicas de saúde e acesso à rede de

descontos em academias, lazer e clínicas de estética. Para

os segurados da Porto Seguro Saúde e Portomed, o aplicativo

possibilita o agendamento

e desmarcação

de consultas nos Centros

Médicos Portomed.

Segundo a gerente

de produto do Porto

Seguro Odontológico,

Sandra Ossent, o aplicativo

“conta com a carteira

de identificação do

segurado disponível para

apresentar em consultas

e exames, o que facilita e

agiliza processos”.

internacional

Seguro Auto para consumidores

Com o objetivo de esclarecer e simplificar o entendimento

do seguro de automóvel, a CNseg e a FenSeg lançam a

cartilha “Entenda o seu Seguro de Automóvel”. Esta é a primeira

de uma série de cartilhas que irão abordar os diferentes

ramos do mercado de seguros e faz parte das ações realizadas

pelo setor de seguros com foco em Educação Financeira.

O diretor Executivo da Fenseg, Neival Freitas, ressalta

que o objetivo da ação é “desburocratizar e tornar mais

amigável a linguagem de

seguros”. Neival reforçou

ainda a responsabilidade

do corretor de seguros e

destacou a importância

de procurar um profissional

habilitado antes de

fechar negócio. “O papel

do corretor é fundamental

e vai ajudar o cliente

a identificar suas necessidades

antes de contratar

um serviço.


GENTE

Responsável pela

América Latina

Ulisses Soares foi indicado como

CEO para a América Latina da Cooper

Gay & Swet Crawford. Ele irá liderar

todas as transações da companhia na

região e trabalhará em parceria com os

CEO’s dos países latino-americanos para

a aquisição de novos negócios, recrutando

novos produtores e aumentando

a marca e a plataforma de operação que

dá suporte ao comércio, gerenciamento

de subscrição e corretagem de resseguro.

O executivo se reportará ao CEO de

operações internacionais da companhia,

Shaun Hooper.

Mais benefícios

Raphael de Carvalho será o responsável

pelas operações da MetLife no

Brasil. Ele também será membro da equipe

de Liderança Executiva da América

Latina. O executivo ficará em São Paulo

e se reportará a Oscar Schmidt, CEO da

empresa na América Latina.

Carvalho atuou como Country Manager

da Visa para a América Latina e

Caribe e liderou a prática de seguros para

a América Latina na Accenture.

16

❙❙Igor Di Beo

Novos postos de

trabalho

Mario Ferrero assumiu a recém-criada

diretor de massificados

saúde e vida da Allianz Seguros,

e Igor Di Beo ficou à frente da

diretoria de negócios corporativos.

Sob a gestão de Ferrero ficará

as linhas de produtos de automóvel,

residência, condomínio, seguros

para empresas de pequeno e médio

portes, além de vida e saúde. Esta

diretoria irá incorporar todas as

áreas técnicas dessas linhas de negócio,

incluindo a Diretoria Novos

Canais de Distribuição e Corporate

Benefícios.

Já a área de Di Beo vai reunir

também as áreas técnicas e de

distribuição, o que compreende

as linhas de seguros industriais

(grandes riscos, médias e grandes

empresas, transportes, linhas financeiras

e agronegócios), resseguro e

as regionais comerciais Corporate.

Essas duas novas áreas substituem

a divisão de Produtos.

❙❙Mario Ferrero

Troca de cadeira

Após liderar os negócios para a

América Latina de outra multinacional,

Antonio Cassio dos Santos foi anunciado

como CEO para Américas do Grupo

Generali. Ele reportará a Mário Greco,

CEO do Grupo Generali, seguindo com

o objetivo definido de fortalecimento e

crescimento da operação na região composta

por seis países na América Latina

(Brasil, Argentina, Colômbia, Guatemala,

Equador e Panamá) e negócios na América

do Norte.

Jurídico e

compliance

Luiz Fernando Bertoncello é o

novo vice-presidente Jurídico e de Compliance

da Prudential do Brasil. O executivo

é advogado e integra a companhia

há três anos, tendo atuado no cargo de

diretor Jurídico e responsável pela gestão

de fornecedores-chave da seguradora.

Bertoncello também é presidente da

Comissão de Assuntos Jurídicos da Fenaprevi

e membro da Comissão de Assuntos

Jurídicos da CNseg. Antes de ingressar

na Prudential, o novo vice-presidente

atuou em empresas como Brasilprev Seguros

e Previdência e na Bradesco Vida

e Previdência.


GENTE

Contratação em

Porto Alegre

José Inácio Vergara Gonçalves

Júnior é o novo gerente da filial de Porto

Alegre da Berkley Brasil.

José Inácio assume o desafio de fortalecer

ainda mais a marca e a presença

da seguradora no Rio Grande do Sul,

com foco na excelência do relacionamento

com os corretores parceiros.

Conselho de

administração

A Marsh & McLennan Companies

anuncia a nomeação de Maria Silvia

Bastos Marques para seu conselho de

administração.

Atualmente, Maria Silvia é assessora

do Prefeito do Rio de Janeiro para

os Jogos Olímpicos de 2016. Antes de

assumir esta função, em abril de 2014,

a executiva havia ocupado a posição de

CEO na Empresa Olímpica Municipal.

Linhas financeiras

Fernando Gonçalves foi promovido

a gerente de Linhas Financeiras

da Chubb Seguros e será responsável

por liderar a equipe de subscrição dos

produtos de Linhas Financeiras, como

D&O, E&O e Fraudes Corporativas.

Advogado, formado pela Unip, com

pós-graduação em Direito Tributário,

pelo IBET, além de diversos cursos

nas áreas de seguros, resseguros e

lideranças.


direto de londres

por Luciano Máximo*

O homem de seguros do ano

Em março de 2008, quando Mike

McGavick foi convidado para assumir

o posto de CEO da XL Group, a gigante

dos seguros e resseguros não vivia boa

fase. Foi profundamente afetada pela crise

financeira internacional que explodiu em

setembro daquele ano com a falência do

Lehman Brothers e a quase falência da

AIG. Disso ninguém do setor esquece. As

consequências desse desastre econômico

ecoam até hoje no nosso mercado, em forma

de regulação mais exigente e análise

de riscos muito mais cautelosa.

Atualmente, o cenário é muito diferente

para o americano McGavick. Ele

ajudou a colocar a XL nos trilhos, fazendo

a seguradora e resseguradora crescer —

inclusive com ampliação da presença no

Brasil. A companhia ostenta patrimônio

global de US$ 45 bilhões [mais de R$

140 bilhões] e receita anual de US$ 6,6

bilhões [R$ 21 bilhões], de acordo com

seu balanço de 2014. A retomada desde a

crise financeira culminou com a compra

da concorrente britânica Catlin por mais

de US$ 4 bilhões (quase R$ 13 bilhões),

no primeiro grande negócio do mercado

segurador mundial em 2015. A transação

foi liderada por McGavick ao longo de

2014 e, junto com seu histórico no setor,

foi um dos motivos que lhe renderam o 20º

prêmio “Líder de Seguros do Ano”, oferecido

pela School of Risk Management

da Universidade St. John’s, de Nova York.

Como McGavick enxerga o setor,

quais são os desafios da indústria seguradora

para este ano e os próximos e

como o Brasil está situado no contexto

global dos negócios de seguros e resseguros

em meio a um processo de ajuste

fiscal e desaceleração econômica, são os

assuntos tratados com exclusividade pelo

CEO da XL Group com a coluna Direto

de Londres.

18

Ron Borresen

Em primeiro lugar, McGavick atribui

o momento atual da XL, incluindo a compra

da Catlin, ao trabalho duro de todos

na empresa e à mudança de visão da companhia

sobre o setor. Ele argumenta que

os grandes consumidores empresariais de

seguro e resseguro hoje evoluíram muito

em termos de tecnologia e produtividade.

“Mudaram seus produtos, modelos operacionais

e, importante para nós, o perfil

de risco. Estar antenado a este ritmo de

mudança é o grande desafio para o mundo

dos seguros. Novas soluções e formas

de trabalho são necessárias para responder

ao cenário de riscos e mudanças

de nossos clientes. O novo tem que ser

encarado com mudança de mentalidade,

o que é muito difícil para uma indústria


cujo instinto é contar com conjuntos de

dados de longo prazo, coletados por décadas

para tomada de decisão. É preciso

mente aberta e vozes fortes para mudar

isso, mas é algo que podemos atingir”,

analisa McGavick.

O avanço tecnológico e a crise financeira

de 2008 cumpriram um papel

de ruptura nesse contexto descrito por

McGavick, acelerando o processo de

mudanças no universo segurador. De

2008 para cá, ele encaixa essas mudanças

em cinco grandes pilares: globalização,

capital alternativo (como forma de gerar

rendimento e solidez para pagamento de

sinistro a seguradoras e resseguradoras),

consolidação da comunidade de corretores,

análise de risco e regulação.

Ele é direto sobre o futuro da indústria

seguradora em relação ao aspecto

globalização: “clientes estão cada vez

mais internacionais, isso é óbvio. Embora

o negócio de seguro tenha uma base geográfica

importante, é caro criar soluções

eficientes e montar uma estrutura para

atender clientes em todo o mundo. Nem

todos podem competir nesse nível, por

isso os que podem estão melhor posicionados

para colher frutos no longo prazo”,

prevê McGavick, complementando que as

seguradoras também estarão mais bem

posicionadas se souberem diversificar

bem seus investimentos de capital.

Outro ponto importante mencionado

como razão para mudanças positivas no

setor é a consolidação do trabalho dos

corretores. Segundo ele, os canais de

distribuição de produtos de seguros diminuíram

nos últimos anos, a corretagem de

seguros atua com mais qualidade e foco,

“permitindo às seguradoras mais relevantes

assumirem uma posição de mercado

mais destacada.”

Os temas análise de riscos e regulação

se referem à tal da mudança de

mentalidade mencionada anteriormente.

Para McGavick, a indústria seguradora é

obrigada a abraçar a ideia de “big data”

e usar mais informação em tempo real

para melhorar a subscrição de riscos.

“É simplesmente uma imensa oportunidade

que temos para revolucionar o

nosso negócio”, afirma o CEO da XL,

acrescentando que essa atitude vale

também para o campo da regulação, que

está muito mais exigente com todos os

players do mercado.

McGavick afirma que as maiores

oportunidades de negócio e crescimento

para seguradoras e resseguradoras, em

2015, estão na Ásia e na América Latina.

Ele destaca que o bloco comercial Aliança

do Pacífico, criado há poucos anos para

liberalizar e facilitar o comércio de México,

Chile, Colômbia e Peru entre eles e

com o mundo, começará a ter impactos

concretos neste ano para quem souber

aproveitar as oportunidades. “Estamos

falando de um potencial de mercado com

220 milhões de consumidores e países

que, somados, formam a oitava maior

economia mundial e a sétima maior exportadora.”

Segundo ele, alguns segmentos crescerão

bem mais que outros, favorecendo

players de nicho. Um exemplo são as

coberturas para riscos cibernéticos, que

trarão boas recompensas para as empresas

capazes de fornecer esse tipo de

produto, exemplifica o executivo. “Mas

a chave mesmo para sobreviver num

mercado que passa por tantas mudanças

é estar pronto para adaptar relações de

trabalho com clientes e adaptar seu modo

de encarar e analisar riscos. Hoje, quase

❙❙Mike McGavick

todas as empresas utilizam tecnologia,

portanto, há exposição a ataques cibernéticos.

Existe uma projeção de que, em

busca de proteção contra esse tipo de

risco, empresas terão de comprar cobertura

de seguro de cerca de US$ 1 bilhão

[mais de R$ 3 bilhões]. Os riscos estão se

multiplicando e ficando mais complexos.

É por isso que em 2012 montamos o time

Contas Complex, um grupo de profissionais

altamente experientes, engenheiros

de risco, atuários e outros especialistas.

Fizemos isso porque vimos a oportunidade

e a exigência do mercado para uma

abordagem inovadora. Nós pensamos

que este tipo de oferta nos diferencia”,

explica McGavick.

Sobre a presença e os planos da XL no

Brasil, o CEO conta que “acredita muito

no país” a despeito do atual momento

de arrumação de casa na economia e

crescimento em desaceleração. Ele diz

que a seguradora e resseguradora têm

trabalhado junto à Superintendência de

Seguros Privados (Susep) para lançar

novos produtos no mercado brasileiro.

Principalmente, são coberturas de risco

nos segmentos de propriedade, construção

e linhas financeiras (D&O, ciber-seguro)

para grandes clientes corporativos e médias

empresas. Entre os exemplos de novos

produtos, está um sistema mais eficiente de

execução de apólices, que depende apenas

de uma simples notificação do sinistro

para execução do prêmio, removendo

ritos burocráticos. Há também o seguro

contra ataques cibernéticos e a mais recente

cobertura especializada em cargas

em contêineres que passam por terminais

portuários de todo o país, produto lançado

em fevereiro deste ano.

“Estamos expandindo nossa oferta de

novos produtos e soluções sob medida. O

Brasil serve como nossa casa e hub para

várias empresas latino-americanas que

podem se beneficiar com o nosso portfólio.

Em contexto de desaceleração econômica,

empresas devem se preocupar bastante em

manter suas operações consistentes. Nós

vemos que o Brasil agora está desenvolvendo

uma cultura de risco muito mais

forte”, conclui McGavick.

* Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o

setor de seguros e resseguros na Gazeta Mercantil

19


capa | Lojacorr

Exercício de proteção

Mais de 630 pessoas

participaram da

4ª Convenção Nacional

da Lojacorr, realizada

em Curitiba

Nascida pelas mãos empreendedoras

de José Heitor da Silva,

Marlise Ferreira e Diogo

Arndt Silva em 1996, a Rede

Lojacorr cresceu rapidamente. Ao longo

dos anos, os sócios André Ogliari Duarte

e Sandro Ribeiro dos Santos juntaram-se

aos fundadores, que muito fizeram para

que a empresa chegasse neste momento

único. Sua 4ª Convenção reuniu representantes

de mais de 160 municípios

brasileiros, espalhados por sete estados

brasileiros. “Viemos nos aprimorando e

crescendo. Agradecemos muito o apoio

dos corretores, seguradores e órgãos do

mercado segurador. Somos uma rede

consolidada de 120 empresas corretoras

de seguros”, emocionou-se, seu fundador

José Heitor. “O tema da convenção

“Nossa missão é proteger”, é uma reflexão

20

Kelly Lubiato, de Curitiba

sobre o propósito de existência da empresa”,

informou o vice-presidente da Rede,

Diogo Arndt da Silva.

Participaram da abertura do evento o

presidente do Sindicato dos Corretores do

Paraná, José Antonio de Castro, e Claudio

Contador, diretor da Escola Nacional

de Seguros. João Gilberto Possiede,

presidente do Sindseg-PR, disse, do alto

de seus 85 anos, ser um caboclo muito

emotivo. “Recebo sempre o carinho dos

colegas de profissão e a emoção sempre

mexe com a gente”, declarou, e ainda deu

um conselho: “continuem a trabalhar”.

O seguro de automóvel e a

proteção

Juntar representantes das maiores

seguradoras do País em apenas um painel

é desafiador. Luiz Longobardi, diretor

nacional de Auto/RE da Lojacorr, mediou

o encontro e enfatizou que é preciso ver

o cliente pela ótica da proteção. “Temos

a responsabilidade de vender não só

seguros, mas proteção para a vida, patrimônio,

responsabilidade civil etc. Existe

um verdadeiro tesouro dentro de nossas

carteiras”, sentenciou.

O presidente do Sincor-SP foi o

primeiro a falar. Alexandre Camillo

destacou que vivemos um momento de

reflexão de onde estamos, para onde

vamos e como chegar lá. O corretor se

consagrou como o canal mais efetivo de

vendas, entretanto deve ser empreendedor

para buscar novas fronteiras, tendo em

mente que deve diversificar sua carteira

para pode atingir seus objetivos.

Miguel Perez Jaime, presidente da

Allianz Seguros, fez um ‘mea culpa’ e

reconheceu que a empresa passou por

problemas em 2014 com a troca de todo

o seu sistema operacional. A queda do

faturamento de prêmios no primeiro semestre

daquele ano ficou em 39,5%. No

segundo semestre de 2014, a arrecadação

de prêmios superou todo o ano de 2013.

“Os corretores da Lojacorr produziram

130% a mais em 2014, do que em 2013,

com a Allianz”, ressaltou Jaime.

Ele ressaltou que sempre é preciso

inovar para buscar resultados. Nesse sentido,

a Allianz fez uma parceria inédita

com o Instituto Ayrton Senna e, a cada

seguro de automóvel vendido, uma parte

do prêmio será destinada à entidade.

“Além disso, também descentralizamos a

tomada de decisão e temos produtos com

aprovação automática, tudo para dar mais

agilidade ao corretor”, apontou.


Motivando...

O Prof. Dr. Clóvis de Barros Filho,

livre-docente da Escola de Comunicações

e Artes da USP e Palestrante

há dez anos no mundo corporativo

e consultor, mostrou como a filosofia

define de maneira simples a

vida das pessoas. “A condição da

felicidade é saber o seu lugar no

mundo e a sua noção de pertencimento”.

Também mostrou que uma

sociedade eticamente preparada

protege a convivência, contra todas

as vontades particulares que possam

atrapalhá-la.

“A busca de proteção está sempre

ligada às conquistas da vida”. Desta forma,

o diretor da Bradesco Seguros abriu a

sua apresentação, lembrando que o Brasil

possui um enorme potencial consumo,

pois 125 milhões de pessoas não possuem

seguro de vida ou acidentes pessoais;

182 milhões não têm plano dental; 58

milhões de residências não estão cobertas

pelo seguro; e há 38 milhões de veículos

sem seguro.

Ventura informou que na Bradesco

Seguros há 1.695 clientes Pessoa Jurídica

oriundos da Lojacorr no seguro automóvel.

São mais de 12 mil funcionários e

cerca de 26 mil vidas que podem ser trabalhadas

nos seguros de saúde e dental,

por exemplo.

O vice-presidente da HDI Seguros,

Muirlo Riedel, afirmou que vivemos em

um período de incertezas, lembrando

que já passamos por outros no passado,

porém, de forma mais lenta. “Contra os

indicadores negativos estão alguns dados,

como o número de habitante por veículo,

no Brasil, que ainda é inexpressivo. Mesmo

com as vendas domésticas permanecendo

como hoje até 2020, teremos pelo

menos 5 milhões de veículos a mais para

trabalhar. O Brasil continua crescendo

mesmo com cenário ruim”, sentenciou.

Riedel acredita que haverá uma recuperação

das vendas de veículos novos a

partir de 2018 e que isso traz novas oportunidades

para o mercado de seguros.

Dirceu Tiegs, diretor de canais estratégicos

da Mapfre, usou o exemplo do

jornal A Gazeta do Povo, do Paraná, que

antes era vendida apenas em bancas de

jornais. Com o passar do tempo, a venda

dos exemplares foi para os semáforos,

padarias e supermercados. Para ele, é necessário

evoluir na forma de distribuir o

seguro, sempre com o corretor de seguros

à frente do negócio.

“Em 2035, vamos continuar tendo

produto de automóvel e corretores de

seguros. Apenas a forma de comercializar

as apólices é que terá mudado. Devemos

que ter em mente, sempre, o objetivo

de começar a vender outros produtos”,

avisou Tiegs.

O voo alçado pelo Cristo Redentor na

capa da revista The Economist, em 2009,

depois a queda desta imagem e, agora,

“Muito mais do que vender

seguros, nossa missão é

proteger pessoas e seus

patrimônios, com coberturas

securitárias adequadas”,

DIOGO ARNDT DA SILVA

“O maior papel do Sindicato,

em conjunto com toda a cadeia

produtiva, é criar um caminho

no qual o empreendedor se

sinta seguro para atuar, se

qualificar, expandir, se associar e

fazer parte de um grupo”

ALEXANDRE CAMILLO

“Oferecemos uma apólice com

as melhores coberturas do

mercado e ainda unimos nossa

marca aos valores do maior

piloto brasileiro, Ayrton Senna”,

MIGUEL PEREZ JAIME

21


capa | Lojacorr

22

“Vender mais para as mesmas

pessoas só é possível se

entendermos as informações

que temos em mãos. O

maior valor de vocês é a sua

capacidade de multiplicação”,

ENRICO VENTURA

“Mesmo com cenário negativo

o mercado de seguros de

automóveis deve crescer, pois o

Brasil ainda tem uma quantidade

de veículos por habitante inferior

a outras partes do mundo”,

MURILO RIEDEL

“É importante que tenhamos

em mente a importância

de apostar em programas

de capacitação para vender

outros produtos”,

DIRCEU TIEGS

o Brasil na lama, também na mesma

revista, serve de alegoria para mostrar

o que pensam do País. “acho que houve

exageros nos dois momentos”, destacou

Rivaldo Leite, vice-presidente da Porto

Seguro.

Os pátios das montadoras de veículos

estão lotados. A venda de carros caiu

7,14% em 2014 e 23,1% apenas nos dois

primeiros meses de 2015, em relação ao

mesmo período do ano anterior. “Acredito

que não podemos depender de apenas

um segmento, por isso temos que nos

reinventar o tempo todo”.

O potencial do mercado de seguros

brasileiro é muito grande, principalmente

quando é comparada a penetração do

seguro no PIB com outros países. O PIB

brasileiro é de $ 5,3 trilhões e o setor

produz 4%. A Inglaterra tem um PIB

de $ 6 trilhões, porém a participação

de seguros chega a 11,5%. De acordo

com o presidente da Tokio Marine, José

Adalberto Ferrara, esta é uma mostra de

como o setor tem espaço para se desenvolver

no Brasil.

“As oportunidades de crescimento

podem estar no seguro auto, porque

temos mais de 28 milhões de veículos

sem seguro. O auto popular, que deve

ser regulamentado ainda de 2015, pode

contribuir para a inserção de novos consumidores”,

ressaltou Ferrara.

A proposta de fugir da política de

rouba-montes é sempre bem-vinda. Por

isso Mario Jorge Pereira, diretor executivo

da Yasuda Marítima, falou sobre os

seguradores se preocuparem mais em

aumentar a massa de itens segurados para

que todos tenham mercado, independente

da concorrência, dando mais proteção e

qualidade para os clientes.

“Todos falam sobre a penetração

do mercado de seguros no País, mas

não precisamos disputar a mesma fatia

de residências seguráveis”, argumentou

Pereira. A concorrência é necessária e

ajuda a evoluir, mas ela não pode ser um

desafio. “O desafio é fazer melhor aquilo

que nos propomos”, finalizou.

Ciclo da Vida

Os corretores de seguros se acostumaram

com o retorno rápido proporcionado

pelo seguro de automóvel, mas

agora estão sendo estimulados a pensar

e promover a venda de outras carteiras.

Com este intuito, Christiano Garcia

da Silva, diretor de Benefícios e Afinidades

da Lojacorr, mediou o debate do

Painel Proteger Benefícios.

Além dos palestrantes mais ligados

à motivação, com Sérgio Rangel, Rosana

Pinheiro Sá e Marcos (Pulga) Monteiro,

falaram também representantes de seguradoras.

Cesar Luiz Salazar Saut, vice-

-presidente Corporativo da Icatu, mostrou

um cenário desolador da previdência

social brasileira. Ele apresentou dados

do déficit previdenciário, que em 2013 foi

de R$ 47 bilhões, e as responsabilidades

Atuação no mercado

em ano difícil

“O momento de crise é o melhor

para oferecer proteção”, segundo o

chairman da Chubb Seguros, Acácio

Queiroz. Ele conclamou os corretores

de seguros a trabalharem para transformar

as adversidades em oportunidades,

porque em 2015 ninguém poderá

se dar ao luxo de perder clientes.

“Os sacrifícios de 2015 serão os

pilares dos anos futuros para a economia

brasileira, assim como para o setor

empresarial”, avisou. Quando o ano

é bom, as pessoas consomem bens,

serviços e seguros. Quando está difícil,

buscam proteger o patrimônio através

da compra de apólices de seguro.

Acácio alertou os corretores:

“Quem for criativo vai ganhar dinheiro,

quem for zeloso vai empatar, quem

ficar parado desaparecerá”.


capa | Lojacorr

do Estado. Para ele, é pouco provável

conseguir financiar os aumentos que o

Governo já garantiu até 2019. “Não há de

onde retirar recursos”, lamentou.

“Precisam ser feitas alterações para

aumentar o período de contribuição

e a idade mínima nas aposentadorias

para mulheres, professores e militares,

principalmente em face da transição demográfica

que o Brasil atravessa. Além

disso, é necessário rever os critérios para

a concessão de pensões”, ratificou.

Um momento muito emocionante

para todos os participantes da 4ª Convenção

da Lojacorr foi a participação do

vice-presidente da Mitsui, Helio Kinoshita.

Ele apresentou os vários ciclos pelos

quais as pessoas passam, começando pelo

ciclo de formação, depois o profissional,

o familiar etc.

“Quando chegam os filhos, nossa

percepção de proteção aumenta demais

e devemos nos precaver com produtos

de seguro de vida, previdência privada,

seguro educação e saúde”, enumerou.

Kinoshita contou da sua experiência

pessoal, quando nasceu sua filha caçula

Lia, hoje com 20 anos. Ela teve paralisia

cerebral detectada ainda antes de seu

nascimento. O executivo contou como

a filha uniu a família (ele tem uma filha

mais velha) em torno do cuidado e do

desenvolvimento da pequena. Com lágrimas

nos olhos, Kinoshita mostrou que o

instinto de proteção vai muito além do

seguro, mostrando como o amor os move.

O hobby da família de viajar juntos agora

fica registrado nas páginas do Facebook,

com o título Viagens de uma Cadeirante.

O diretor Administrativo/Financeiro

da Lojacorr, André Ogliari Duarte,

ressaltou que o evento está crescendo a

cada ano e se tornando cada vez mais

completo. “Nossa intenção é “encantar o

Corretor Lojacorr” e fazer com que cada

participante sinta uma experiência jamais

vivida, pois eles fazem parte da nossa

história e a Convenção é o momento onde

os corretores da Rede de todo o Brasil

podem passar dois dias intensos, com

troca de experiências e alinhamento de

conhecimento”, finalizou.

Entrega do Troféu Referência Nacional aos profissionais que se

destacaram nas regiões de operação da Lojacorr

“A Convenção é um

momento único,

insubstituível e imperdível.

Quem participa de uma, se

inscreve em todas”,

ANDRÉ OGLIARI DUARTE

“Quem converte mais vendas

são pessoas conectadas, que

verificam com frequência

e-mails, sms, whatsapp. As

mulheres também vendem mais

produtos do ramo vida”,

24

RIVALDO LEITE

“Temos que desenvolver

novos mercados, diversificar

as carteiras, continuar a

empreender e adicionar valor

aos nossos produtos através da

qualidade dos serviços”,

JOSÉ ADALBERTO FERRARA

“O pensamento colaborativo

garante o sucesso da nossa

parceria com a Lojacorr, porque

nossa missão é também

a satisfação de oferecer

tranquilidade”,

MARIO JORGE PEREIRA


capa | Lojacorr

“2014 foi um ano de busca do

engajamento dos corretores.

Conseguimos ampliar a carteira

de benefícios em 60%. Demos

um salto de auto-estima e

confiança”,

CHRISTIANO GARCIA DA SILVA

❙❙Festa de encerramento ao som da banda Fonte Luminosa

Curtas dos corretores

“Não se pode confundir direito

adquirido com expectativa

de direito. As regras para os

novos servidores deverão ser

radicalmente diferentes daquelas

para os que estão na ativa”,

CESAR SAUT

“O corretor deve oferecer

produtos ligados ao ciclo de

vida de cada consumidor,

protegendo a vida, a

educação dos filhos, a saúde

e o futuro”,

HELIO KINOSHITA

Os corretores da Lojacorr foram convidados a responder algumas

perguntas relacionadas à missão de proteger os seus clientes. Alguns

deles foram convidados a subir ao palco para representar a sua região. O

painel que apresentou estes corretores foi mediado pela Coordenadora

do Programa de Treinamentos da Lojacorr, Treinacorr, Marlise Ferreira.

Para ela, a Convenção mostra o propósito do trabalho do corretor: “para

quem e por que quero trabalhar. Além de proteger, nossa missão também

é oferecer os melhores produtos para os segurados”. Conheça alguns

destes corretores:

“A minha satisfação é saber que

meus clientes podem dormir tranquilos.

Temos sempre que nos lembrar de proteger

nosso maior patrimônio: nossa

família”, Carlos Roberto da Silva, de

São Paulo.

“Não existe diferença entre vender

seguros e proteger pessoas. Proteger é

a consequência do trabalho e o entendimento

de que o cliente tem de deixar

família tranquila”, Bruno Castro, de

Minas Gerais.

“Proteger é prosperar. Este conceito

é mais forte do que se imagina. Proteger

é o cuidado. Prosperar é o resultado do

aprimoramento e resultado do proteger”,

Heitor Bilha, do Paraná.

“Qualquer um pode vender seguro.

O corretor de seguros é o intermediário

entre a alegria e a tristeza do cliente. Mais

importante do que ser corretor, é se anjo

da guarda do cliente”, Carlos Munhoz,

de Santa Catarina.

“Não sou corretor de imóveis, mas

oferece solução de moradia para a pessoa

que precisa de um lugar para morar”,

Carlos Antonio Festa, especializado em

Fiança Locatícia, do Distrito Federal.

“A atividade de proteger o cliente

está impregnada no DNA do corretor

de seguros. E na medida em que ele vai

tendo uma visão holística do segurado,

vai conseguindo enxergar questões

importantes relativas a quem protege”,

Jorge Luiz Fett, do Rio Grande do Sul.

“Vender é diferente de proteger.

Quero dizer que estou impressionando

com a Convenção. Acho que o

presidente Heitor e o vice Diogo nem

imaginavam a dimensão que o evento

iria alcançar. Se eu pudesse trazer aqui

todos os corretores que eu conheço

para conhecer a Lojacorr de perto, certamente

eles assinariam um contrato

com a Rede na hora”, Marco Aurélio,

concessionário no Rio de Janeiro.

26


evento | direito do seguro

AIDA promove diálogo entre poder

judiciário e setor securitário

Em Congresso, entidade reuniu advogados e

professores para debater as tendências e os

desafios dos dois setores

Lívia Sousa

A

seção brasileira da Associação

Internacional de Direito

de Seguros (AIDA) realizou,

entre os dias 25 e 27 de março,

o IX Congresso Brasileiro de Direito de

Seguro e Previdência. Organizado em

São Paulo com inscrições esgotadas, o

evento buscou estabelecer diálogo com

o poder judiciário e o setor securitário.

“Sem esse diálogo, ninguém avança: nem

o judiciário na compreensão do contrato

de seguros, nem nós na compreensão do

que o judiciário espera do setor”, disse a

presidente da entidade, Angélica Carlini.

Um dos assuntos discutidos na ocasião

foi a tecnologia, que por estar em

constante evolução implica em desafios

diversos para o mercado securitário. “A

grande maioria dos seguradores e precificadores

vivem no mundo analógico, não

tem familiaridade com o tema. Talvez o

primeiro e maior desafio do setor seja

entender que o mundo hoje é muito mais

dinâmico e que, com isso, a realidade,

os riscos e as responsabilidades que os

seguradores passam a ter mudaram. Ou

pelo menos deveriam mudar”, declarou o

membro do Conselho da seção brasileira

da AIDA, Mario Viola.

O executivo acredita que a Tecnologia

da Informação é o principal ponto de

preocupação e de possibilidade de novos

riscos, uma vez que coleta informações

sobre a saúde e os hábitos dos usuários

e as compartilha com as seguradoras. A

medida pode ajudar empresas do ramo

a detalhar melhor o perfil do cliente e

ajustar o prêmio ao estilo de vida de cada

segurado.

Andrea Signorino Barbat, presidente

do Comitê Ibero Latino Americano

(CILA) da AIDA, também concorda que o

segmento ainda não está preparado quanto

a este assunto. A palestrante lembrou que,

apesar de não serem tão recentes quanto

parecem, tecnologias como aplicações,

marketing por meio da rede e a própria

internet necessitam de um olhar mais

atento do ramo. Outro ponto que deve ser

considerado, segundo ela, é a nanotecnologia,

já utilizada fora do País e uma aliada

em assuntos relacionados à medicina. “A

indústria de seguros se esforça para estudar,

de forma multidisciplinar, os riscos da

nanotecnologia”, completou Andrea.

Lei Anticorrupção

O tema também foi colocado em

pauta no evento, apesar de o mercado

securitário ainda não ter apresentado uma

cobertura de seguro para atos ilícitos. De

acordo com Giovani Saavedra, professor

do Programa de Mestrado e Doutorado da

PUC/RS e advogado especialista em Lei

Anticorrupção e Compliance, a execução

desta ação não será uma tarefa simples,

visto que a medida foi promulgada às

pressas.O executivo atentou ainda para a

prática da regulação feita pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep).

Como a medida é abrangente e a interpretação

aberta joga a responsabilidade para

as seguradoras, na Lei Anticorrupção

essa ação não será necessária.

Neste sentido, o que também merece

destaque é o departamento de compliance,

considerando que com a medida a área

ganhará mais importância para prevenir

atos de corrupção.

Previdência

O setor tem o desafio de difundir a

cultura previdenciária no País. O professor

e palestrante Juan Eduardo Infante

aproveitou a ocasião para apresentar a

medida adotada no Chile, na década de

1980, em substituição a um sistema que

pagava muito por benefícios, mas tinha

baixo volume de contribuições. Agora,

a reforma previdenciária do país utiliza

como base a administração de recursos

por instituições financeiras privadas e

contas individuais obrigatórias – esta

última podendo ser implantada no Brasil,

uma vez que gera recursos novos a longo

prazo para a economia.

28


29


especial corporate garantia judicial

Garantia

de liquidez

30


Empresas podem

contar com apólice

para substituir caução

em processos

Amanda Cruz

A

aprovação do projeto de Lei de

conversão da MP 651/14, que

equipara o Seguro Garantia

Judicial à caução em dinheiro

nos processos de execução fiscal, não é

uma novidade no mercado segurador, mas

passou por ajustes importantes entre o final

de 2014 e o começo de 2015. Dentro desses

ajustes estão questões como definição de

dois anos de vigência das apólices e o fim

da obrigatoriedade de ter comprovada a

presença do resseguro para valores acima

de R$ 10 milhões segurados, garantidos

pela portaria PGFN nº 164/14.

O produto é uma modalidade que

permite o pagamento de valores de penhora

e depósitos em juízo, decorrentes

de ações judiciais por contratos ou lei e

a sua importância se dá justamente pelo

fato de que ele substitui o dinheiro ou

penhora dos bens de uma empresa que

sofra processos, auxiliando, assim, a

manutenção da liquidez mesmo durante

esses processos judiciais.

O desenho do produto foi possível,

conforme conta Carlos Frederico

Ferreira, diretor executivo da Austral

Seguradora, por causa da presença do

resseguro. “O resseguro injeta no mercado

mundial um pedacinho de cada

risco. Com essa distribuição, o mercado

estará sempre solvente”, constata, afirmando

ainda que há uma predisposição

do mercado de cerca de US$10 bilhões

em capacidade de arcar com possíveis

sinistros nessa área.

O executivo ressalta isso justamente

porque a fiança bancária, que é utilizada

para suprir esses casos, é feita por instituições

financeiras que tomam o risco só

para si, como se fosse um empréstimo.

Rodrigo Loureiro, diretor de garantia

da Willis, ressalta também que, além do

menor custo frente à fiança bancária, o

seguro oferece outras vantagens. “Há a

possibilidade de alocar recursos financeiros

na empresa/operação e não no

depósito judicial, contratar apólices que

acompanham o risco até o julgamento

final ou acordo”, afirma. Tendo o seguro,

há também a possibilidade de contar

com o amparo da Susep, uma vez que a

autarquia seria responsável por fiscalizar

a utilização, incluindo a atualização monetária

dos valores segurados pelo índice

determinado nos tribunais.

A questão da acessibilidade ainda

é muito discutida no mercado. Os corretores

que pretendem atuar nessa área

precisam estar cientes dos benefícios

que a modalidade oferece, por ser relativamente

nova a aceitação da substituição

do caução, feita em dinheiro de forma

relativamente simples, é preciso que

o contratante saiba que as apólices de

garantia judicial não precisam ser tão

complicadas assim. “O produto de seguro

garantia judicial é muito mais acessível,

barato. Hoje, existem projetos de solvência

para garantir a aplicabilidade. Se o

nosso governo aumentar a taxa Selic, o

banco já apresentará a taxa de juros mais

alta a quem precisa tomar a fiança. É uma

coisa que não afeta a oferta do segurador”,

garante Ferreira.

A pessoa jurídica se enquadra como

o litigante que faz o questionamento. O

segurado, por sua vez, podendo ser pessoa

física ou jurídica, é quem deverá provar

sua razão no tribunal.

Mesmo sendo uma alternativa possível

e viável ao mercado, a aceitação desse

seguro ainda é pouco abrangente no Brasil.

Ferreira aponta que a viabilidade da

modalidade se dá principalmente por ela

ser mais vantajosa que a opção da fiança

bancária. “A fiança bancária é como se o

banco emprestasse o dinheiro, com taxas

de juros muito mais altas”, esclareceu

Ferreira.

Participação na carteira

A garantia já é uma alternativa de

negócio clara para os executivos. Essa

modalidade somou R$ 346 milhões em

prêmios em 2014, segundo dados da

Susep. O grande motor desse segmento

ainda são as obras de infraestrutura que,

embora tenham sofrido um arrefecimento

nos últimos semestres, ainda puxa a carteira

para cima.

Mas o garantia judicial, aos poucos,

vem tornando-se uma divisão importante,

movimentando aproximadamente R$ 600

milhões por ano. “Agora, acreditamos

que com aceitação da apólice de maneira

mais ampla, esse valor tem potencial para

pelo menos dobrar nos próximos dois

anos”, pontuou Ferreira.

Loureiro também se mostra otimista

sobre como a Willis vê o crescimento do

produto. “O mercado já recebe como uma

alternativa de negócios que nos últimos

anos cresceu muito e hoje já compõe em

31


especial corporate garantia judicial

mais de 50% a carteira das seguradoras

especializadas em seguros de garantias”,

afirma o executivo.

A emissão de uma apólice como essa

é, praticamente, imediata. Como toda a

transação, é preciso realizar uma análise

da empresa contratante antes, mas os

executivos afirmam que a rapidez neste

processo é um dos diferenciais, se comparados

à necessidade de recorrer ao banco.

Para o executivo da Willis, não há

praticamente nenhum obstáculo que

impeça a contratação desse seguro, que

já é um instrumento previsto no Código

Carlos Frederico Leite Ferreira,

❙❙da Austral Seguradora

de Processo Civil e na Lei de Execuções

Fiscais. “No entanto, é um produto que

por sua especificidade e característica

financeira (de pagamento pela seguradora

ao juízo, em caso do tomador não efetuar

o pagamento da condenação ou acordo),

prescinde de atendimento aos guidelines

de subscrição das seguradoras (caixa da

empresa, patrimônio líquido, lucro nos

últimos períodos, índices de liquidez

positivos etc.)”, esclarece Loureiro. Em

suma, a necessidade de a empresa possuir

um porte que seja condizente com sua

saúde financeira e processos adequados

de gestão, tem grande influência na aceitação

do risco por parte da companhia.

Durante um evento realizado no

mês de fevereiro sobre o assunto, Luiz

Gustavo Bichara, da Bichara Advogados,

discutiu o ponto de vista legal que o escritório

vem encontrando para fazer valer

a aplicação da substituição de dinheiro,

pela apólice contratada. O ponto que mais

foi ressaltado por Bichara é que a maior

resistência encontrada no momento de

aceitação da garantia é o fato de que o

dinheiro depositado é o primeiro na lista

de bens penhoráveis. Ou seja, quando há

o depósito a Fazenda tem acesso direto

ao dinheiro, que vai para União, para o

Tesouro Nacional e é utilizado enquanto

o resgate desse valor não for possível.

❙❙Rodrigo Loureiro, da Willis

“Para a Fazenda, isso não é muito viável,

já que ela perde o acesso a essa quantia”,

aponta o advogado.

Após as recentes regulamentações do

produto, os executivos foram unânimes

em afirmar a necessidade do mercado em

adquiri-lo, ressaltando até mesmo que ele

poderia ser utilizado em casos trabalhistas

e cíveis, não apenas de execução fiscal.

A expectativa é que 2015 seja um ano em

que corretores, advogados e seguradoras

trabalhem para tornar essa alternativa

conhecida, garantindo os pagamentos e a

segurança dos bens do contratante.

ASPECTO

Taxas

Reciprocidade

Liquidez/Capital de Giro

Garantia da operação

Execução

Prazo de Emissão

PGFN

SEGURO GARANTIA JUDICIAL

Possui os menores custos do mercado se

comparado às demais alternativas de garantia

Contrato de contragarantia que não necessariamente

vincula bens e aplicações financeiras

Não há comprometimento do capital de

giro e linhas de crédito

Lastro do mercado segurador

2ª demanda

72 horas após emissão do cadastro

Portaria 164/2014

FIANÇA BANCÁRIA

Normalmente apresentam custos maiores,

pois são operações que entram no grau de

alavancagem dos bancos

Bando exige, normalmente, saldos e aplicações

financeiras

Reduz a linha de crédito das empresas,

podendo comprometer a capacidade de

recursos e contratação de linhas financeiras

Banco emissor

1ª demanda

10 dias

Portaria 644/2009

32


especial corporate D&O

A corrupção assusta

o mercado

Seguros de proteção para

executivos precisam ser

revistos e reestruturados por

conta da onda de escândalos

envolvendo políticos e

empresas privadas

Amanda Cruz

34


Investigações como as da operação

Lava Jato, iniciadas em março de

2014, acenderam um alerta vermelho

no mercado de D&O. Esse produto é

voltado para qualquer membro da empresa

que seja responsável por decisões. Gerentes,

supervisores, diretores e presidentes,

todos eles podem ser beneficiados pela

carteira. O produto garante que esses

profissionais não tenham que utilizar

seu patrimônio pessoal para arcar com

despesas por processos que possam sofrer

referentes à sua gestão.

Marcos Mello, managing director placement,

claims and loss prevetion da JLT

Brasil, afirma que “por conta da Lava Jato,

há um pânico geral entre as seguradoras

e resseguradoras”, isso porque sinistros

que eram raros começaram a se mostrar

cada vez mais constantes. Diante disso,

algumas coberturas já estão sendo afetadas,

como é o caso do adiantamento para

custear os honorários de defesa dos investigados.

Antes da operação, a companhia

era acionada e adiantava esses valores.

Caso fosse considerado culpado com dolo,

quando há intenção de cometer a irregularidade,

o envolvido teria que devolver todo

o montante à seguradora. Mas há alguns

meses as seguradoras já têm se negado a

prestar esse tipo de adiantamento quando

faz o acordo de novas apólices. A prática

que elas têm aderido agora, segundo revela

Mello, é a de ressarcimento. O executivo é

responsável por arcar com todos os custos

e precisa provar sua inocência para que,

então, possa acionar a companhia e receber

a indenização. Mello afirma que, em

hipótese alguma, o dolo pode ter qualquer

tipo de cobertura.

❙❙Marcos Mello, da JLT

Entre outras áreas, as empreiteiras são

grandes compradoras da apólice de D&O

e são exatamente os executivos desse ramo

que têm sido mais investigados, fazendo

com que o mercado se movimente até

mesmo para modificar a maneira como

o D&O é oferecido. O CEO da Rio Life,

empresa especializada em benefícios,

Conrado Baechtold, destaca que os recentes

escândalos têm aumentado a demanda

pelo produto. “Tudo sobre o produto

vem sendo mais questionado. Os clientes

precisam saber exatamente o que está e

não está coberto. A nossa carteira cresce

bastante”, afirma.

Essa proteção ainda é relativamente

recente no Brasil, executivos do mercado

afirmam que apenas depois da abertura

do mercado de resseguros é que o produto

começou a ser procurado com mais afinco.

“Antigamente esse seguro de responsabilidade

era feito apenas através do IRB,

restrito às multinacionais. Hoje ele é muito

mais abrangente e isso traz mudanças ao

cenário, como a ampliação da estrutura

legal e rapidez na tomada de decisão da

aceitação de risco”, comenta Baechtold.

O aumento na procura se dá, principalmente,

por demanda dos próprios executivos,

muito mais do que das empresas.

São eles que, antes de assumir o cargo,

procuram estar protegidos.

Essa medida foi tomada porque, muitas

vezes, os processos não são direcionados

a apenas uma pessoa. Utilizando o

caso da Petrobrás como exemplo, muitos

executivos são acusados em um mesmo

processo, mas a inocência ou culpa de

cada um deve ser comprovada. Ainda

que a ação possua réus de forma coletiva,

isso não os coloca todos como culpados.

Essas mudanças são recentes, têm sido

implementadas há aproximadamente

quatro meses. Executivos afirmam que

a causa para essas medidas é, sem dúvida,

o montante de escândalos que vêm

surgindo. A Lava Jato, embora seja o

escândalo de maior repercussão, não leva

sozinha a culpa pelo aumento da rigidez

na aceitação desses riscos. Os casos de

cartéis nas obras do metrô em São Paulo,

por exemplo, também têm gerado receio

na aceitação de riscos. O preço do seguro

registrou um aumento de até 30%. “O mercado

precisa garantir a solvência e ficar

mais atento a esses riscos”, afirma Mello.

Mesmo com essas mudanças, o que

ocorre na carteira são restrições em

termos de atividade e não de cobertura.

Dependendo do ramo, e especialmente

para empresas que contam com participação

em obras públicas, os riscos têm

sido declinados.

Mas a maioria das seguradoras já

adotou, até mesmo, a exclusão de determinadas

operações na apólice. Já há

cláusulas explícitas para que se exclua a

operação Lava Jato ou riscos como os que

essa operação apresenta. Ainda que sejam

de empresas que não tenham nenhum

envolvimento nas obras investigadas, seu

ramo de atuação já faz com que alguns

riscos sejam excluídos. Não haverá como

as seguradoras declinarem todos os riscos,

por isso, a cláusula tornou-se uma boa

maneira para que elas se protejam.

Apetite de mercado

Mesmo com todos os entraves, o

apetite ainda existe. Essas companhias

não devem ficar completamente desprotegidas

de seguro, apesar dos entraves. As

apólices de D&O são anuais e, por isso,

é aberta uma concorrência para disputar

esses riscos. Mesmo assim, a seguradora

que foi responsável pela apólice durante o

ano terá que garantir mais um a três anos

de cobertura para fatos desconhecidos

ocorridos. “Se o cliente contratou a apólice

por um ano e, no ano seguinte, aparecer

uma reclamação referente à vigência anterior

da apólice, estaria coberto”, diz o

executivo da JLT.

A própria Petrobrás experimentou

isso em sua última renovação, em setem-

❙❙Conrado Baechtold, da Rio Life

35


especial corporate D&O

Prêmios diretos*

Prêmios ganhos

Sinistros ocorridos

Despesas de comercialização

Sinistralidade

Índice de despesas de comercialização

Margem bruta

(*) como % de não vida

Fonte: Susep

bro de 2014, quando Itaú Seguros (em

cosseguro com a Mapfre), Ace e Zurich

(resseguradora) aceitaram o risco da

apólice, oferecendo cobertura de US$250

milhões, desde que não sejam reclamações

referentes à Lava Jato. “É um seguro de

cauda longa, mas durante a renovação não

há obrigatoriedade de cobrir um risco só

porque ele estava coberto antes, ainda que

seja a mesma seguradora”, explica Mello.

A abrangência internacional também

é comum nas apólices, especialmente porque

as empresas geralmente são multinacionais

e as transações são feitas ao redor

do mundo. O caso da compra da refinaria

de Pasadena, no Estados Unidos, feita

em 2006, só começou a ser investigado

no início do ano passado e manteve suas

coberturas até setembro de 2014. Nesse

caso, a complicação com as indenizações

pode ser ainda maior, já que as leis anticorrupção

no país são muito mais rigorosas.

A petroleira está sendo investigada pela

Security Exchange Commission (SEC) e

os custos com essas cobranças internacionais

devem ser ainda mais altos do que é

demandando no Brasil.

Para um seguro que via suas taxas

caindo nos últimos anos, com queda nos

preços, índices de sinistros baixíssimos e

casos espaçados de pagamento de indenização,

o movimento é uma grande reviravolta.

As investigações devem se arrastar

por muito tempo e não há como mesurar

qual será exatamente o impacto sobre o

mercado de seguros. Há a possibilidade

de que contratos de vida e previdência

também sejam afetados por conta da instabilidade

dentro das empresas e as crises

que isso pode desencadear. O mercado petroleiro

pode correr outros tipos de risco,

de acordo com Conrado Baechtold, aliados

às decisões políticas ele pode se retrair ou

ganhar força. “O impacto que pode vir, por

exemplo, é que na construção de um navio,

e quando ele precisa do seguro garantia,

pode ficar muito mais difícil de conseguir

a apólice”, considera.

Os executivos acreditam que é preciso

esclarecer que as seguradoras não indenizam

ações corruptas comprovadas. As

apólices de D&O, daqui para frente, serão

ainda mais precisas para defender aqueles

executivos que temem serem responsabilizados

por ações de outras pessoas. Eles

deverão ser ainda mais rígidos na demanda

desse seguro, que protege seu patrimônio.

“A questão toda é muito delicada, ouvimos

muitas pessoas que acreditam que o D&O

acaba por beneficiar ou proteger corruptos,

longe disso. O dolo e a má fé descaracterizam

qualquer cobertura da apólice e a

Seguro de Responsabilidade Civil - D&O

(em R$ milhões)

Jan/Dez

2013

230,3

119,8

38,7

11,1

32,3%

9,3%

58,4%

0,40%

Jan/Dez

2014

227,6

241,6

129,3

29,5

53,5%

12,2%

34,3%

0,35%

Variação

-1,2%

101,6%

234,1%

166,0%

65,7%

32,0%

-41,4%

-13,5%

seguradora não tem nenhuma obrigação

ou intenção de arcar com isso”, pondera

Baechtold.

As companhias, por sua vez, podem se

proteger de gastos para defender seus executivos,

mas para o desgaste de imagem

o mercado de seguros não pode ajudar.

Empreiteiras, companhias de transporte,

de energia e quaisquer outras prestadoras

de serviços estão pisando em um campo

minado. A questão da corrupção não é

nova no Brasil, mas o fato de estar sendo

investigada traz outra realidade tanto ao

cenário político quanto ao mercado de

seguros. “Acredito que o D&O está em

indisposição. O que precisamos levar em

conta é a avaliação do risco, por ser um

seguro impactado diretamente por política

e economia, a avaliação não pode ser genérica

porque isso impactaria diretamente

na avaliação de risco. O estudo é caso a

caso. Mesmo no ramo de construção, que

possui muitos indiciados, não há como

definir que a área toda tem uma tendência

maior ao sinistro, ou até mesmo ao dolo,

não há como generalizar”, considera o

CEO da Rio Life.

Para evitar os clientes que aumentem

sua taxa de sinistro, a única medida que

pode ser adotada pelas companhias de

seguro é a avaliação de práticas de gestão

que as empresas utilizam. Uma empreiteira

pode, e deve, possuir a apólice de

seguro de responsabilidade, mas antes

que a apólice seja concluída ela deverá

se esforçar para demonstrar que não há

lacunas em sua atuação.

“Com esses movimentos, a tendência

é a restrição do mercado. A seguradora não

vai deixar de atender, mas vai continuar

fazendo ajustes”, acredita Marcos Mello.

O trabalho consultivo do corretor

deve ser ainda mais forte. É um momento

de desafio para garantir a aceitação desse

risco. As práticas e procedimentos serão

determinantes para obter a proteção. Boechtold

acredita que 2015 será um ano de

reestruturação para o mercados afetados

pelos escândalos “Acreditamos muito na

Petrobras. É um grupo muito pequeno que

age de má fé. A situação de investigação

deve ser enxergada de maneira positiva.

Acredita-se que até o segundo semestre

desse ano a situação estará mais controlada”,

aposta o executivo da Rio Life.

36


especial corporate saúde e odonto

Segmento fortalecido

Planos de saúde e

odonto são os mais

procurados pelas

pequenas e médias

empresas. Saiba

como atrair este

nicho

Os planos de saúde somaram

50,8 milhões de beneficiários

em 2014, segundo

a Federação Nacional de

Saúde Suplementar (FenaSaúde). O

número é positivo, mas a adesão de

clientes por planos médico-hospitalares

no período caiu: a alta foi de 2,55% ante

2013. O percentual é o mais baixo desde

2009, quando o crescimento chegou

a 2,64%. O atual cenário econômico

justifica esta queda, que para especialistas

do setor não foi menor pela

contratação de planos corporativos por

pequenas e médias empresas.

O segmento de PMEs, aliás, é o

que mais alavancou nos últimos anos.

De acordo com um levantamento

divulgado pelo Serviço Brasileiro de

apoio às Micro e Pequenas Empresas

(Sebrae) em 2014, em relação ao

emprego, as companhias deste porte

representavam 44% dos empregos

formais em serviços e, aproximadamente,

70% dos empregos gerados no

comércio. Para elas, oferecer planos de

saúde logo passou a ser estratégico na

atração e retenção de talentos.

“Depois da questão salarial, o que

chama a atenção de um funcionário

é o plano de saúde”, garante Cícero

Barreto, diretor comercial e de marketing

da Omint, operadora que atua

no segmento de pequenas e médias

empresas há 20 anos e trabalha com

planos individuais (saúde ou odonto)

e planos combinados (saúde+odonto).

38

Lívia Sousa


A aglutinação em categorias de

pequenas e médias empresas, com interesses

semelhantes, será uma tendência

para a contratação de planos de saúde.

Com maior volume, aumenta o poder

de barganha de quem contrata, os riscos

são diluídos e os preços tendem a ser

menores, fora a redução das despesas

provenientes da gestão compartilhada e a

possibilidade de atendimento customizado

para necessidades específicas de uma

categoria de PMEs.

Para alcançar este nicho, é necessário

que as operadoras tenham uma relação de

parceria de longo prazo com os corretores,

além de uma política consistente de

divulgação de produtos e diferenciais, e

verifiquem o tipo de produto contratado

por cada empresa, considerando que nem

todas trabalham com o plano ideal para

o seu perfil. “Cabe a nós, junto com os

corretores, entendermos o mercado e as

pequenas e médias empresas. Só assim

levaremos o produto correto a cada uma

delas”, diz Barreto.

Escolha certa

Com opções diversificadas no mercado,

a dúvida é como não errar na

escolha da cobertura mais adequada

para os funcionários. Laureci Zeviani,

diretor comercial da Ameplan, afirma

que inicialmente a contratante deve ter

claramente quais são as competências

básicas e essenciais que espera do prestador

de serviços.

É necessário ainda se submeter às escolhas

a uma pesquisa no site da Agência

❙❙Laureci Zeviani, da Ameplan

Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e

observar seus indicadores no que se refere

à qualidade dos serviços das respectivas

escolhas, além de observar se o preço

cobrado pela operadora justifica o serviço

oferecido e se há necessidade de pagar

por serviços “agregados” que dificilmente

serão utilizados pelos usuários.

Quando o assunto são os planos de

saúde, a diretora corporativa da Amil,

Raquel Gambarra, explica que o que

difere cada um deles são, principalmente,

a rede de atendimento, os níveis de

reembolso, os modelos de coparticipação,

a facilidade de acesso aos prestadores

de serviços médicos e os programas de

gestão e promoção de saúde. Já no caso

das operadoras (sejam elas seguradoras,

empresas de medicina de grupo ou coo-

❙❙Raquel Gambarra, da Amil

perativas), a executiva cita como diferenças

a capacidade de gestão, os processos

internos – que influenciam a agilidade

do atendimento aos beneficiários – e o

suporte oferecido aos clientes, por meio

dos diversos canais de relacionamento.

O valor dos produtos está diretamente

relacionado ao mapeamento de competências

de cada PME como, por exemplo,

se for imprescindível uma cobertura em

território nacional, se o cliente deseja ter

um plano com acomodação em quartos

coletivos ou individuais e se ele prefere

ter um determinado recurso na rede credenciada,

o que impõe uma escolha de

plano específico dentro de uma mesma

operadora que, por causa daquele recurso,

o custo pode ser maior.

❙❙Cícero Barreto, da Omint

Não há um segmento de PME em

especial que possa ser definido como potencial

comprador deste tipo de produto.

O que pode ser destacado, porém, é que

há um número crescente de pequenos

empresários que, ao contratar um plano

de saúde para a família prefere realizar a

ação por meio da PME ao invés da Pessoa

Física. “O que justifica isso, basicamente,

é a diferença de preços entre as duas

contratações, que acaba favorecendo as

pequenas e médias. A contratação via

PME oferece condições mais vantajosas”,

explica José Luiz de Carvalho Júnior, CEO

da Unifocus.

Carvalho acredita que este nicho

possa crescer e se fortalecer mais, o que

dependerá principalmente de dois fatores:

o primeiro é a economia, pois o pequeno

empresário ainda é muito volátil e, com o

cenário econômico adequado, o setor de

saúde será o primeiro mercado a apresentar

reação positiva. Já o segundo dependerá

das próprias operadoras, que devem

desenvolver produtos mais específicos.

Apesar da crescente procura, nem

todas as pequenas e médias companhias

contam com um plano de saúde, por razão

exclusivamente financeira. A saída pode

estar na busca de alternativas para reduzir

os preços dos planos. “O maior impacto

de uma eventual crise, como sempre,

recairá sobre os pequenos, micros e médios

empresários. Eles serão novamente

exigidos em encontrar alternativas para

reduzir despesas visando a manutenção e

preservação de seu negócio e renegociar o

seu plano, buscando operações enxutas e

39


especial corporate saúde e odonto

dentro destes cuidados, pode representar

uma ótima alternativa para esses empresários”,

diz o executivo da Ameplan.

A diretora da Amil não só concorda

com Zeviani como também acredita que

é importante oferecer planos com uma

dinâmica de atendimento que aproxime o

médico da população pela qual é responsável,

que tenham como foco a prevenção

e apliquem o melhor da tecnologia médica

sempre que necessário, porém com

indicação médica adequada e com uso

racional dos recursos pelo beneficiário

e pelos prestadores de serviços médicos.

Odonto

“O sorriso é o cartão de visita para

quem trabalha com o público”, frisa

Alfieri Casalecchi, diretor executivo da

Amil Dental. E é justamente por isso

que os setores de Comércio e Serviços

têm uma grande demanda por planos

odontológicos.

O mercado para essa categoria de empresa

vem crescendo, até mesmo em virtude

das recentes mudanças na legislação do

microempreendedor individual. Diante do

pacote de incentivos lançado pelo Governo

no último ano, que criou uma tributação

única, muitos microempresários formalizaram

seus negócios e contrataram planos

odontológicos empresariais.

Uma das empresas que exemplificam

o aumento desta procura é a OdontoPrev,

que tem registrado um crescimento de

20% ao ano na área de pequenas e médias

empresas. “A capacidade de consumo da

❙❙Alfieri Casalecchi, da Amil Dental

população aumenta e eleva a mudança

de patamar”, lembra Carlos Rogoginsky,

diretor comercial de Massificados da

companhia.

A Caixa Seguradora Unidade Odonto

segue passos semelhantes, registrando

crescimento nos produtos individuais,

familiares e PMEs especialmente na

região Nordeste do País. Com produtos

tradicionais, outros com coberturas mais

amplas e planos de livre escolha em seu

portfólio, a companhia atende 800 mil

vidas.

O CEO da companhia, Julio Cesar

da Silva Felipe, explica que, em contrapartida,

as grandes empresas vêm, a cada

ano, solicitando redução de preços, o que

“estrangula” as margens do negócio.

“A guerra de preços que está acontecendo

entre as grandes operadoras no

mercado de Odonto vem levando as taxas

praticadas para as grandes empresas

abaixo dos níveis mínimos para garantir

margens adequadas às operadoras. Isso

não interessa à ninguém, pois de acordo

com o nova regulamentação da ANS as

operadores são obrigadas a corrigir as

tabelas junto aos dentistas, o que levará

este cenário à um nível insustentável”,

lembra ele.

Apesar do bom momento, alguns

pontos ainda precisam evoluir quando

se trata deste mercado entre as PMEs,

como a consciência do empreendedor

e dos indivíduos de que os cuidados

odontológicos devem ocorrer de maneira

preventiva. “Muitos procuram um

cirurgião-dentista só quando precisam de

tratamento. Uma mudança de paradigma

nesse sentido levaria a odontologia a um

outro patamar de compreensão e utilização”,

afirma Casalecchi.

É importante lembrar que empresas

surgem a cada momento e, por isso,

adequar serviços e produtos para todos

os tipos de consumo, com coberturas

mínimas e amplas, também se tornam

necessários. O ticket médio dos produtos

também deve ser mais acessível, permitindo

assim que os funcionários possam

contribuir com o seu pagamento.

Rogoginsky ainda alerta para questões

como a manutenção dos colaboradores

e dos corretores de seguros, sendo

que, neste último, as operadoras, corretoras

e seguradoras devem apresentar ao

profissional oportunidades para a sua

carteira.

José Luiz de Carvalho Júnior,

❙❙da Unifocus

40

Carlos Rogoginsky Junior,

❙❙da OdontoPrev

❙ Julio Cesar da Silva Felipe, da


❙ Caixa Seguradora Unidade Odonto


especial corporate PME

Pequenas

gigantes

Seguradoras e

corretoras apostam

na adaptação de

produtos para

PME, setor que

representa 99,1% das

companhias do País

Lívia Sousa

As pequenas e médias empresas

são responsáveis por uma

fatia importante do mercado

nacional. De acordo com

dados do Serviço Brasileiro de Apoio às

Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o

setor representa 99,1% das 5,1 milhões

das companhias do País. Como empregadoras

da maioria da mão de obra atual,

as PMEs se tornam cada vez mais demandantes

de produtos e serviços para a

retenção de talentos e, por isso, passaram

de coadjuvantes a destaque no mercado

securitário. Isso sem contar o próprio

patrimônio, que necessita de seguro para

minimizar as perdas.

“Trata-se de um mercado crescente

em todo o mundo, com o poder de regionalização,

pois a maioria delas está

distante dos grandes centros de produção

e distribuição, atendendo demandas

locais ou atuando como fornecedoras

de componentes e serviços para grandes

grupos”, diz Enrico Ventura, diretor do

42


Grupo Bradesco Seguros. O executivo

aponta que, nestes casos, os produtos

geralmente são procurados por empresários

que estão iniciando um negócio e

não podem correr riscos quanto ao capital

investido.

O histórico comprova este crescimento.

Ainda segundo o Sebrae, o

número de empresas de pequeno porte,

em 2009, somavam 660 mil. Em 2012,

totalizaram 945 mil, com elevação de

43,1%, superando a taxa de crescimento

das médias e grandes empresas (MGE),

de 31,2%. E o quadro deve seguir, pois

mais de 43% dos brasileiros com idade

entre 18 e 64 anos desejam empreender.

Além disso, o perfil dos novos empreendedores

reforça uma mudança cultural:

hoje, 69% das pessoas que decidem abrir

um negócio o fazem baseados na percepção

de uma oportunidade de mercado, e

não mais por necessidade, como a falta

de emprego.

Assim, seguradoras e corretoras

devem ficar ainda mais atentas à nova realidade,

caso contrário, terão como certa

a perda de espaço no mercado. Contudo,

uma questão pouco discutida é que as

oportunidades vão além do desenvolvimento

de soluções específicas. Algumas

empresas de seguros já começaram a

adaptar, para as pequenas e médias, produtos

e serviços utilizados majoritariamente

por grandes companhias. É o caso

da Liberty Seguros, que inicialmente

oferecia linhas de coberturas específicas

a pequenos comércios e indústrias. Não

demorou muito e a companhia passou a

apostar também nesta estratégia.

“O segredo para atender as necessidades

das pequenas empresas é entender

as particularidades de cada segmento”,

diz a diretora de Seguros Patrimoniais

Empresarias da seguradora, Rosy Brode

Herzka. Segundo ela, é necessário estar

por dentro da operação de cada segurado

como um todo, desde a entrada da

matéria-prima, armazenamento, sistemas

protecionais e de que forma um acidente

afetaria a operação da empresa, por

quanto tempo e se há algum plano de

contingência e emergência.

Hoje, a Liberty trabalha com soluções

voltadas a pequenos negócios (pet

shops, cabeleireiro, bares e restaurantes

e escolas) e indústrias (metais, bebidas

não alcoólicas, vinícolas e calçados),

que foram ajustadas após a realização

de pesquisas focus group com os clientes

proprietários de pequenos negócios.

Por ter estudado o comportamento, os

anseios e necessidades de seus clientes,

Rosy afirma que a companhia não teve

dificuldades para ajustar o portfólio.

Adaptação pode ser complexa

É importante lembrar que nem

sempre as companhias realizam isso

facilmente. Durante o processo de adaptação,

a corretora Intermezzo Seguros,

por exemplo, se deparou com a alta seletividade

das seguradoras e a proscrição

de atividades no mercado securitário.

“Pela sua própria natureza de negócio,

algumas empresas têm o alto risco de

ficar sem o amparo de seguros ou terem

de aceitar condições que não atendem

100% das suas necessidades e pagarem

muito caro por isso”, explica Alexandre

Mucida Machado Correa, diretor da corretora.

Como exemplo, ele cita o risco de

roubo de carga. Por ser alto no País, as

medidas de segurança para evitá-lo oneram

muito a atividade tanto para quem

transporta como para quem embarca os

produtos. “Se pontuarmos na carteira de

seguro de incêndio ou patrimonial, as

dificuldades são as mesmas”, completa

ele, afirmando ainda que a PME é o foco

de todas as corretoras de seguros pela

sua quantidade e permeabilidade na

economia brasileira, deixando de ser um

caso de necessidade para passar a uma

decorrência da atividade de corretor.

A solução adotada pela corretora foi,

então, selecionar as seguradoras que possuíam

um nível de produtos mais adaptados

às necessidades de seus principais

clientes, como postos e transportadoras

de combustíveis, mercado varejista em

geral, concessionárias de automóveis e

empresas da construção pesada e civil. A

medida agilizou os processos e permitiu

custos mais atraentes para as PMEs,

segmento que nem sempre conta com

caixa confortável.

Segundo Correa, os produtos e

serviços são os mesmos para as grandes

companhias. No entanto, há uma relação

perversa que prejudica a PME, ou seja,

Alexandre Mucida Machado Correa, da

❙❙Intermezzo Seguros

os riscos de transportes são os mesmos

para as grandes e pequenas empresas e

as seguradoras adaptam suas taxas com

base nestes riscos. Assim, as grandes

geram milhões em prêmios de seguros,

aumentando as chances de altos lucros

das seguradoras, e a continuidade da apólice

é praticamente garantida e com custo

muitas vezes reduzido ao longo do tempo.

Por outro lado, as pequenas e médias

geram valores de prêmios pequenos, e

apenas um ou dois sinistros são suficientes

para dar prejuízo na conta. Somam-se

ainda as taxas majoradas e as condições

de cobertura limitadas para a continuidade

da apólice. Em casos mais graves,

não se encontra mais opção de seguro

para este nicho. “A ideia para equilibrar

esse desvio é negociar as condições da

apólice junto com a PME, adaptando as

condições técnicas do seguro, estabelecendo

limites aceitáveis para ambas as

partes: taxas, limites, prêmios mínimos,

procedimentos de segurança, entre outros”,

explica ele.

Apesar de todos os entraves, a corretora

obtém resultados positivos. Correa

afirma que as seguradoras com produtos

mais adaptados aos riscos da PME tem

tido um comportamento mais previsível.

Além disso, a conscientização dos

empresários em geral de vários setores,

inclusive transportadores, sobre a segurança

da operação, tem recebido atenção

mais adequada.

43


especial corporate PME

Como atrair uma PME

44

As pequenas e microempresas têm

como característica a decisão centralizada.

Muitas vezes, o próprio dono é

quem toma todas as decisões e participa

de todas as etapas da vida da companhia.

Logo, se o mercado de seguros se desenvolve

pelo fator confiança e proteção,

essas características se tornam ainda

mais decisivas entre os pequenos e microempresários,

que exigem tratamento

particular, personalizado, capaz de compreender

seu universo e, sobretudo, estar

próximo a ele.

O Grupo Bradesco Seguros vê no

corretor a possibilidade de atrair as

pequenas e médias empresas. “Hoje o

papel do corretor é idêntico ao de um

consultor financeiro, que deve apresentar

opções de acordo com o perfil

do investidor. O segurado deve ter um

atendimento personalizado. É assim que

a economia cresce e o segurado passa a

contar com maior proteção, adquirindo

produtos de forma a preservar, ao longo

do tempo, os seus bens, com autonomia

para ampliar seu patrimônio sem risco

de perda do que adquiriu anteriormente”,

diz Enrico Ventura.

A empresa, que atende tanto o setor

de produção industrial como o de serviços,

procura aliar diferentes modalidades

de proteção às suas apólices por meio dos

produtos multilinha acoplados a diferentes

coberturas em um único contrato. A

medida permite que produtos e serviços

sejam adaptados de acordo com a necessidade

do segurado, inclusive das PMEs.

Para isso, são considerados aspectos

como o valor envolvido e a capacidade

de contratação do segurado e do corretor

em analisar qual o melhor custo-benefício

para o empresário.

Segundo o diretor, há soluções que

podem se encaixar no perfil do investimento

desejado, cobrindo os riscos previamente

analisados. Daí a importância

do treinamento continuado a todos os

envolvidos, em especial aos corretores,

considerados como a “ponte” entre a

empresa e o segurado. Pensando nisso,

a empresa forneceu, entre 2013 e 2014,

mais de 15 mil horas de treinamento

a colaboradores e corretores de todo o

Brasil, cadastrados na companhia.

Quem também aprova este tipo

de ação é o executivo da Intermezzo

Seguros, que considera a proximidade

do corretor com as pequenas e médias

empresas um definidor para o sucesso.

Para Alexandre Mucida Machado Correa,

o fator relacionamento é preponderante.

“A partir da análise

da operação são definidas as

exposições aos riscos e, em

seguida, a negociação com

o mercado segurador para

encontrar as seguradoras que

consigam absorver tais riscos

a um preço condizente com

o caixa da PME. O custo do

seguro tem que ser percebido

pelas empresas como um investimento

na segurança das

suas operações, e não como

um dispêndio, às vezes, impagável”.

❙❙Rosy Brode Herzka, da Liberty Seguros

Futuro promissor

As companhias que partiram

para o mercado de PME já

colhem os frutos deste investimento.

A carteira de seguros

para pequenos empreendedores

da Liberty, por exemplo,

registrou um crescimento aproximado

de 30% em relação ao mesmo

período do ano anterior. Em 2014, a seguradora

fechou o ano com crescimento de

9,4%, um resultado dentro do esperado.

Para 2015, a expectativa é que os números

melhorem ainda mais.

“Enxergamos muitas oportunidades

nesse segmento”, declara Rosy Brode

Herzka. Ao que tudo indica, a executiva

está no caminho certo. Um estudo realizado

pelas seguradoras RSA e Tokio

Marine, juntamente com o Sebrae,

aponta que somente 30% das pequenas

empresas possuem seguro patrimonial.

A justificativa para o baixo percentual é

que os próprios empresários consideram

os produtos caros ou até mesmo como

custos desnecessários, evidenciando

que ainda há muito o que explorar com

este público.

Outro fator que deve contribuir para

o resultado positivo é a criatividade do

brasileiro que, junto com o empreendedorismo,

vai permitir a expansão e o

fortalecimento das pequenas e médias

empresas.

“Não há dúvidas de que o mercado de

PMEs é promissor, sobretudo se levarmos

em conta o tamanho do Brasil, a magnitude

de suas necessidades e demandas

e o fato de que o setor de pequenos e

microempresários desempenha papel

importante na oferta de serviços, qualificando

mão de obra e contribuindo para

a renda da população”, pontua Enrico

Ventura, do grupo Bradesco.


transporte | PME

Estrutura das estradas brasileiras e aumento

no número de roubos são alguns dos

itens que fazem profissionais autônomos

e pequenas companhias recorrerem aos

seguros de frota

Lívia Sousa

Transporte de Cargas:

cliente potencial

Um estudo da Bain & Company

divulgado em 2013 mostra

que, naquele ano, o Brasil contava

com 7.500 quilômetros

de rodovias federais. Certamente este

número cresceu de lá para cá e, não a toa,

companhias passaram a investir no segmento

de transportes, já que tudo o que

é produzido necessita ser transportado

e muitas empresas brasileiras utilizam

o serviço para exercer suas atividades.

Outro dado, da Agência Nacional de

Transportes Terrestres (ANTT), revela

que há 1.224.885 veículos de empresas

circulando pelo Brasil.

As grandes transportadoras ainda

permanecem como as maiores detentoras

46

das frotas empresariais, mas como as

pequenas e médias saltaram nos últimos

anos e passaram a contratar o serviço,

as seguradoras tiveram que repaginar

o portfólio e oferecer seguros de frotas

para este público. Isso sem contar os

profissionais autônomos, que também

se valem deste recurso: até setembro

passado, 21,4 milhões de pessoas trabalhavam

por conta própria no País, como

aponta a Pesquisa Nacional por Amostra

de Domicílio (Pnad) Contínua, realizada

pelo IBGE.

“É visível a estrutura das estradas

brasileiras e o aumento do número de

roubos. Tudo isso se apresenta como

uma necessidade para as seguradoras de

transporte”, argumenta Iramil Bueno de

Araújo, gerente geral comercial da área

de Transportes da Rodobens Corretora de

Seguros, lembrando que as pequenas empresas

“já não estão tão pequenas assim”.

A corretora, que foca fortemente no

varejo, opera com este tipo de produto

desde 2001, mesmo ano em que entrou

para a área de transporte. Hoje, tem uma

carteira que inclui mais de 400 pequenas

e médias empresas em seguros de

transporte, entre elas transportadoras de

cargas e, principalmente, as de grãos,

eletroeletrônicos, limpeza, fabricantes e

distribuidoras de alimentos e hortifruti.

Já no Grupo Segurador BB e Mapfre,

as PMEs correspondem a quase 80% de


❙❙Iramil Bueno de Araújo, da Rodobens

operações de transporte da companhia.

“Acreditamos que a carteira de seguros

de Transporte para as PMEs se manterá

como a principal base para o Grupo e

o mercado de maneira geral, pois elas

sempre necessitarão transportar suas cargas”,

afirma o superintendente de seguros

Aeronáuticos, Casco e Transportes do

Grupo, Carlos Eduardo Polízio.

A empresa opera em todos os segmentos

deste tipo de seguro, mas tem

como produtos mais comercializados os

seguros obrigatórios para a Transportadora

Rodoviária (RCTR-C) e Transporte

Internacional (importação e exportação).

No caso das pequenas e médias, contudo,

as soluções são ofertadas especialmente

para as transportadoras, que representam

55% de todos os prêmios emitidos pela

companhia.

Outro setor importante para o Grupo

é o de transporte de combustíveis, um

nicho que tem tudo para ser explorado

fortemente pelo mercado. Um levantamento

realizado pelo Centro de Estudos

em Logística (CEL/Coppead) em

parceria com o Instituto Brasileiro do

Petróleo (IBP) aponta que as ferrovias são

responsáveis por uma grande parcela da

participação nos fluxos de transferência

destes materiais entre as bases (61% do

volume transferido). Além disso, o Brasil

é um dos países com maior potencial para

a produção de combustíveis derivados de

biomassa.

Mas Polízio afirma que todos os produtos

deste ramo são padronizados, seja

para pequena, média ou grande empresa.

Com isso, os diferenciais ficam restritos

à simplificação operacional que a seguradora

pode disponibilizar aos clientes

das PMEs.

O preço do seguro pode variar para

cada segurado, dependendo do seu histórico

no transporte de cargas e das demais

ações relacionadas à prevenção de perdas

que, eventualmente, ele tiver implantado.

Evolução e necessidades do

mercado

As pequenas e médias transportadoras

se especializaram e aliaram eficiência.

Na opinião de Araújo, da Rodobens, o


transporte | PME

grande destaque do segmento nos últimos

anos foi a profissionalização das PMEs.

Se houve uma evolução considerável, por

outro lado elas ainda se deparam com

alguns gargalos para deslanchar de vez.

Neste caso, os entraves são causados por

características do próprio País, que conta

com altos impostos e, em alguns pontos,

precária infraestrutura da malha ferroviária.

“Este cenário atrapalha o trabalho

❙❙Carlos Eduardo Polízio, da BB e Mapfre

48

dessas empresas no dia a dia”, lembra o

executivo.

Enquanto essas questões não são

resolvidas, ele acredita que o caminho

ideal para a expansão das seguradoras

neste mercado é o desenvolvimento de

produtos sob medida. “As empresas

fazem a mesma coisa, fornecem as mesmas

atividades, mas a operação é muito

particular. As corretoras devem procurar

entender a necessidade de operação de

cada empresa”, acrescenta ele.

Visando esta estratégia, o Grupo

Segurador BB e Mapfre já trabalha para

lançar um produto conjugado ao seguro

de danos ambientais, voltado aos pequenos

transportadores e embarcadores.

Polízio adianta que, além das coberturas

básicas previstas no seguro de Responsabilidade

Civil dos Transportadores, a

novidade deverá amparar o reembolso

das quantias pelas quais o segurado

vier a ser responsabilizado, por conta

de reclamações reparatórias resultantes

de poluição ou contaminação por vazamento

súbitos e acidentais de produtos

perigosos, poluentes ou contaminantes,

decorrentes de acidente envolvendo o

veículo transportador.

Seguros mais

requisitados

Para o transporte rodoviário,

alguns tipos de seguros apresentam

maior demanda. Um

deles é o de Responsabilidade

Civil (Seguro do Transportador),

obrigatório e contratado pelo

transportador para cobrir operações

de transporte de cargas por

vias terrestre, ferroviária, aérea ou

sobre a água.

Já o Seguro para Embarcadores,

contratado pelo proprietário

da mercadoria, garante indenização

contra perdas e danos

decorrentes de acidentes ou

não com o meio de transporte.

O produto é dividido em duas

modalidades, sendo Transporte

Nacional (cobertura para a circulação

doméstica de cargas,

que garante danos e prejuízos

causados à mercadoria durante

o transporte em quaisquer vias,

sejam terrestres, aéreas ou sobre

a água) e Transporte Internacional

(modalidade utilizada para as

operações de comércio exterior

cujo contrato é feito de acordo

com o risco da viagem e a condição

de venda e/ou compra

envolvida na negociação).


operadora | biovida

Contra a corrente

da crise

A busca por

diferenciação de

mercado é aposta

para manter bons

índices junto à

ANS

Notícias sobre o mercado apresentam

números que mostram

que a grande maioria

das operadoras de planos de

saúde passa por crise financeira, afetando

a qualidade do mercado.

De acordo com índices da Agência

Nacional de Saúde (ANS), as reclamações

tiveram grande alta, nas áreas fiscal

e técnica, com números próximos ao

teto. A suspensão de comercialização de

diversos produtos mostra que a reguladora

tenta coibir o aumento desenfreado

dessas reclamações.

Além dos dados levantados junto às

ouvidorias, sites como o ReclameAqui

apresentam números pouco satisfatórios,

deixando visível o descontentamento

dos beneficiários com diversas

empresas. Somado a isso estão questões

como suspensão de contratos de redes

de atendimento, atrasos das comissões

pagas aos corretores etc. Essas complicações

levantam rumores de crise na

medicina privada.

Enxergando a atual situação, a Biovida

Saúde pretende ir na contramão

da onda pessimista. Não tendo nenhum

de seus planos suspensos pelo órgão

regulador, a companhia fica perto dos

marcadores ideais. Esse bom momento

faz com que a independência financeira

seja um diferencial, não sendo necessário

recorrer a empréstimos para manter

50

❙❙Luís Rogério Franco

a entrega de seus serviços e realização

de investimentos.

Com mais de 100 mil beneficiários,

a operadora figura na ANS como sendo

de grande porte. No atendimento de pessoa

jurídica, três das maiores empresas

de segurança de São Paulo, por exemplo,

estão na carteira da operadora.

“Estamos em março e a nossa área

comercial cumpriu 40% da meta anual”,

afirma Luís Rogério Franco, diretor

comercial da Biovida. Segundo ele, a

previsão é de que a meta anual seja entregue

até o final do primeiro semestre,

afirmando que isso não fará com que o

departamento se acomode, mas levará

ao recálculo desses números.

Toda equipe da operadora é de

extrema importância para manter esses

índices. É preciso uma “Tropa de Elite”,

apelido que Franco deu ao seu time de

diretores. “Nós da diretoria somos muito

alinhados, nos reunimos semanalmente

para apresentar as nossas tarefas, a fim

de não deixar nada escapar do foco”,

afirma o executivo.

Para continuar crescendo, a Biovida

aposta há algum tempo no produto que,

de acordo com Franco, é o carro-chefe

da empresa: o “BV Sênior”. Um produto

voltado à terceira idade que conta com

apoio de uma empresa especializada

em medicina preventiva, Alô Sênior,

formada por gerontólogas, psicólogas,

enfermeiras, nutricionistas, massagistas

e outros profissionais que acompanham

o beneficiário durante todo o período de

permanência na carteira da empresa.


painel saúde

aniversário

Operadora comemora 23 anos de atuação

A Ameplan comemora 23 anos de

atuação na capital paulistana. Ao longo

de sua trajetória, a operadora de saúde investiu

em tecnologia e gestão profissional

por meio de um modelo de governança

corporativa, que tem contribuído para os

resultados positivos como o baixo índice

de reclamações junto a ANS, consequencia

do Projeto Gestão Profissional.

“Este projeto tem como principal

base a profissionalização do nosso quadro

de colaboradores e o reposicionamento

da nossa marca no mercado. Para 2015,

lançamos a campanha de ‘Excelência no

Atendimento’. O objetivo é fazer com

que todos os colaboradores tenham um

compromisso com a prestação de serviços,

alcançando a satisfação do nosso

público”, explica José Silva dos Santos,

diretor Administrativo e Financeiro da

Ameplan e responsável por implantar o

Projeto.

A operadora, que fechou 2014 com

um crescimento de 16% na sua carteira

de beneficiários, projeta para este ano

um crescimento de 20%. Para alcançar a

meta, conta com a campanha de vendas

com foco em PME e adesões.

“Nossa campanha visa o crescimento

de vendas para este segmento

pois é um mercado em plena expansão

e acreditamos em nossas parcerias com

as corretoras para atingirmos nossa

meta de crescimento em 2015”, comenta

Laureci Zeviani, diretor comercial da

companhia.

Também para 2015, a Ameplan

pretende investir nas instalações com

uma obra que abrigará todas as áreas

administrativas da empresa. O projeto vai

permitir a integração dos colaboradores.

“Estamos construindo uma área

de mais de 1000 metros quadrados que

permitirá que mais de 100 colaboradores

trabalhem no mesmo local. Tudo isso

são ações embutidas em nosso Projeto

de Gestão Profissional”, finaliza Santos.

abramge

Mudança de presidência

Cyro de Britto Filho é o novo

presidente da Associação Brasileira de

Medicina de Grupo (Abramge). O executivo,

que é médico neurocirurgião e chefe

do serviço de Neurocirurgia do Hospital

Policlin, ocupava a presidência do Sinamge

e também comandou a Abramge-SP.

O novo presidente anuncia que a entidade

continuará atuando regularmente

junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar

(ANS) para aprimorar o segmento

que, segundo ele, deve contar com

sinergias entre a agência e as operadoras

na construção de um ambiente que fortaleça

o setor e cumpra seu papel social

no País. Ele promete maior integração

com as regionais da Abramge, buscando

a convergência de pleitos das operadoras

que atuam nas diversas regiões do Brasil.

Brito terá como desafio um mercado

com mais de 51 milhões de beneficiários

e despesas assistenciais de R$ 110

bilhões. Com uma taxa de cobertura

superior a 25% da população brasileira,

as operadoras de planos de saúde médico-

-hospitalares já atendem a um número

de pessoas equivalente ao de cidadãos

cobertos pelo sistema de saúde inglês, o

National Health Services – NHS –, que

presta serviços a 53 milhões de cidadãos

ingleses.

“Pretendo atuar no fortalecimento

das operadoras de planos de saúde visando

um sistema de saúde suplementar

com equilíbrio econômico, qualidade

no atendimento e acesso ao consumidor

brasileiro”, declara Filho.

O executivo será o substituto de

Arlindo de Almeida, que conduziu a

entidade por mais de 26 anos e continua

ligado à Associação como presidente do

Conselho Gestor do Sistema Abramge/

Sinamge/Sinog.

portal

Interação com

cliente

A Tempo USS apresenta o

portal JUVO Navigare, espaço que

reúne as principais aplicações da

companhia e facilita aos usuários

o acompanhamento de serviços

relacionados às suas operações.

A página online vai funcionar

como um canal de contato entre a

companhia e seus clientes. “Com o

portal, cada um de nossos clientes

terá à disposição um painel de

aplicativos disponíveis para monitoramento

de suas operações.

A nossa cadeia de serviços, desde

o usuário, corretor, distribuidor,

filiais, matriz e o prestador de serviços,

exige cada vez mais velocidade

na informação. Cada operação

possui as suas particularidades e

necessidades específicas. Por isso,

a participação e a proximidade dos

clientes com o nosso dia a dia é essencial

para o processo de melhoria

contínua da companhia”, declara

João Armesto, diretor comercial da

Tempo USS.

51


especial Espanha economia

Espanha avança para

o crescimento

Queda de desemprego

e aumento das

exportações

impulsionam a sua

recuperação

Kelly Lubiato, de Madri

A

luz no fim do túnel já é vista

pelos espanhóis. Apesar de

a população ainda reclamar

da proliferação dos subempregos,

o fato é que o desemprego que

assolou a população do país durante

anos começa a arrefecer, de acordo com

informações do secretário de Estado

do Comércio da Espanha, Jaime García

Legaz. O crescimento do PIB em 2014

foi de 1,4% e as perspectivas para 2015

ultrapassam a marca dos 2%.

A economia espanhola cresceu nos

últimos dois anos, com redução de 3%

na taxa de desemprego em 2014, ficando

em 27% da população economicamente

ativa. As taxas de exportação aumentaram

e o país recuperou competitividade

dentro da zona do euro, com aumento

do superávit em 1,5% em 2013. “Como

não temos moeda própria, a redução do

déficit se dá apenas através do aumento

da produtividade e da queda das importações”,

disse Legaz.

O setor externo está sendo o responsável

pela recuperação econômica.

O desequilíbrio macroeconômico está

diminuindo porque as exportações

crescem acima da média europeia desde

2013, registrando aumento de 32% em

2014. Saíram de 10% de déficit para

1,5% de superávit em 2013. “Como não

possuímos moeda própria, a única forma

de ajustar a competitividade é através da

redução dos custos internos, com processo

forte de aumento da produtividade

52

❙❙Jaime García Legaz

por hora trabalhada”, acrescentou Legaz.

A recuperação da competitividade

trouxe um grande volume de investimento

estrangeiro direto. A Espanha recebeu

39 bilhões de dólares em 2014, ficando

atrás apenas dos Estados Unidos, Canadá

e Austrália. O secretário acredita que

isso só foi possível graças às reformas

nas leis trabalhistas que abriram novas

possibilidades de contratação para os

empresários. O País atraiu novos modelos

de negócios e indústrias das áreas

de automóveis (com novas fábricas e

linhas de produção), equipamentos,

componentes automobilísticos, produtos

químicos e setor agroalimentar. 63% das

exportações espanholas são para regiões

da Europa; o restante segue para África

e Ásia.

A reforma trabalhista na Espanha

foi imprescindível, porque o país possuía

a maior taxa de desemprego da União

Europeia nos últimos 35 anos. A reforma

realizada em 2012 possibilitou às pequenas

empresas realizarem negociações

mais flexíveis com os empregados, sem

serem afetadas por grandes acordos

salariais. “O setor da construção civil,

por exemplo, em 2009 dispensou 800

mil trabalhadores. Em 2014, esta indústria

teve aumento de empregabilidade

da ordem de 25%”, comemorou Legaz,

acrescentando que “quando há causas

econômicas objetivas e justificáveis, é

possível aplicar os custos especiais para

despedir funcionários”.

Sobre a reforma da previdência

social, Legaz ressaltou que após a

aprovação das resoluções do Pacto de

Toledo, as discusões saíram do âmbito

de partidos e hoje é tratada de forma

institucional.


especial Espanha inovação

Estar à frente é mais do

que necessidade

Grupo espanhol aposta

na venda direta como

canal alternativo para

o futuro dos seguros

massificados

Um executivo com experiência

no mercado digital ainda não é

muito comum no mercado de

seguros europeu. O ex-jogador

de basquete José Luis Bernal, após várias

incursões pelo comércio eletrônico, com

vivência em seis países e tendo vivenciado

a iniciativa de montar um negócio de

internet na China, hoje ocupa o cargo

de diretor da Área Corporativa de Negócios

Digitais do Grupo Mapfre. Ele

foi o responsável pela criação da Verti, a

primeira seguradora para vendas online

do Grupo. “Ainda tentamos entender este

novo mundo e o que estamos imaginando

que vai acontecer no futuro”, explica.

Em outras palavras, parece que todos

buscam algumas explicações para este

novo mundo eletrônico. O diretor de

Inovação da Mapfre, Josep Celaya, disse

que a globalização é o motor potente

das mudanças das economias mundiais.

“Ela derrubou barreiras entre países, que

passaram por crises ou não. O nosso setor

também está impactado”.

Para desenvolver um negócio voltado

exclusivamente para o comércio

eletrônico é necessário responder algumas

questões cruciais, sobre como compramos

e como é tomada esta decisão

de compra. “Hoje, se valoriza mais a

comparação de preços, porque a internet

abre este caminho. Isto está mudando o

processo de tomada de decisão”, definiu

Bernal. A percepção sobre o que se compra

é muito importante para influenciar

na opinião de outras pessoas. Sites como

Amazon e Trip Advisor, por exemplo,

utilizam estas opiniões para ranquear os

estabelecimentos e locais, de acordo com

algoritmos pré-estabelecidos. “Isso ainda

não chegou ao setor de seguros, porque

falamos de um produto que se fabrica

depois da venda. Sempre há outras opiniões

antes da compra”, esclarece Bernal.

Outro ponto destacado pelos executivos

é necessidade da comunicação

eletrônica ser transparente e de fácil

entendimento, porque a percepção de

qualidade do internauta está ligada à

simplicidade da linguagem.

Esta simplificação pode passar pelo

uso mais intenso de imagens e vídeos.

No Brasil, este conceito já pode ser

verificado nas “vending machines” de

seguros lançadas pelo Grupo BB Mapfre

no ano passado.

O diretor de Inovação disse que a Internet

das Coisas será uma das forças do

mercado, pois trata-se de um fenômeno

de conectividade. Outro ponto que ele

destaca como fundamental para o setor

é o bom uso do Big Data, como forma

de identificar e mitigar riscos a partir de

informações dos próprios consumidores.

“Vale ressaltar que passamos de um

❙❙Josep Celaya

53


especial Espanha investimento

modelo de cadeia de valor, com lógica

sequencial, para uma constelação de

valores”, sentencia Celaya, utilizando

exemplos como a Apple, Facebook e

Google, que além dos negócios principais

têm uma série de outros orbitando

em sua marca.

Eles citaram várias carteiras que

serão rapidamente atingidas pelo mundo

digital. “Além das plataformas de

comparadores de preços de seguros de

ramos elementares, em breve veremos

atuação de novos players em outras

carteiras, como os serviços ligados à

saúde”, diz Bernal, mostrando que há

aspectos éticos complicados relacionados

aos dados dos consumidores e que

as empresas deverão ser cuidadosas

na criação de novas utilizações para

dados do segurado, principalmente

quando envolver a forma de tarifação

e aceitação do risco. Vale lembrar

que as gigantes do mundo digital já

começam a atuar com dados de saúde.

O Google tem uma startup chamada

Calico Project e a Apple tem o Health

Kit no iWatch.

Neste processo de simplificação do

mercado de seguros para o consumidor,

Bernal acredita que o mercado chegará

ao ponto de oferecer ao cliente o que é

melhor para ele, de acordo com os algoritmos

matemáticos. “Alguns acreditam

que a tecnologia desumaniza o processo

de venda do seguro, mas isso não é

verdade, porque ela facilita a interação

das pessoas”, completou.

❙❙José Luis Bernal

Brasil continua sendo

mercado chave

Durante a Junta 2015 de acionistas do Grupo

Mapfre mais uma vez ficou clara a importância

da operação brasileira

Com uma participação de 14,3%

nos negócios do Grupo Mapfre,

atrás apenas da Espanha, a

operação brasileira continua

com fôlego. Esta informação foi transmitida

pelo presidente do Grupo, Antonio

Huertas, durante a Assembleia Geral de

Acionistas, realizada em março. O lucro

do Grupo ficou em 845 milhões, com

incremento de 11,8% em relação a 2013,

em moeda constante. Segundo o presidente,

estes são os maiores resultados da

história da companhia. As receitas consolidadas

aumentaram 1,8% em relação

a 2013, atingindo 26 bilhões de euros.

O índice consolidado das operações de

não-vida ficou em 95,7%.

Os prêmios da área de não-vida

aumentaram apenas 0,8% em relação ao

ano anterior, ficando em 16 bilhões de

euros, mas os prêmios de vida tiveram

incremento de 7,8%, chegando a 5,9

bilhões de euros. O total de prêmios foi

de 22,4 bilhões de euros, um incremento

de 7,7% em relação a 2013.

O patrimônio líquido do Grupo ficou

em 11,6 bilhões de euros, um acréscimo

de 1,5 bilhão de euros em relação à 2013,

quando o valor ficou em 9,8 bilhão. O

total dos ativos administrado pelo Grupo

também melhorou, com 67 bilhões de

euros em 2014, aumento de 18,3% em

relação a 2013. As operações do Grupo

estão divididas em operações de seguros,

resseguros, riscos globais e serviços de

assistência. Em 2014, o grupo pagou em

impostos 27,4% de seus resultados. “A

rentabilidade média de 2014 foi de 4,7%,

54


❙❙Antonio Huertas

o que é excelente em termos de investimentos”,

acrescentou Huertas.

Os negócios de seguros tiveram

incremento de 21,1% nos resultados

do Grupo, significando 2,2 bilhões de

euros. Os bons resultados da operação

no Brasil foram muito citados durante a

Assembleia, pois houve um esforço para

diminuir custos e adequar os processos.

Apenas no ramo vida, em parceira com

o Banco do Brasil, aumentou seu lucro

em 48,2%.

O destaque na operação europeia

foi a aquisição da empresa britânica de

vendas online de seguros de automóveis

Direct Line, com operações na Itália e

na Alemanha. “Isto significou um aporte

de prêmios de 714 milhões de euros,

com 1,6 milhões de cliente a mais. É

uma ação que contribui com nossa proposta

de dobrar de tamanho na Europa

nos próximos cinco anos”, enfatizou

Huertas. Nos Estados Unidos, a Mapfre

iniciou sua operação no mercado de

seguros de automóveis, com prêmios de

US$ 120 milhões em 2014.

Foi proposto o pagamento de 431

milhões de euros em dividendos, 16,7%

a mais que no ano anterior.

O Grupo Mapfre está operando vendas

online através da empresa Verti nos

Estados Unidos e no Chile, entretanto

a companhia não iniciará este tipo de

operação no Brasil.

Durante a reunião, o presidente

do Grupo respondeu a todos os questionamentos

dos acionistas, que foram

desde decisões judiciais até a eleição

de conselheiros prestes a se aposentar,

participação de mulheres no corpo de

colaboradores e dirigentes, investimentos

em alguns países etc.

Huertas mostrou que o crescimento

mundial do PIB em 3,3%, a queda do

preço do petróleo, a ausência de tensões

inflacionárias e as instabilidades

geopolíticas devem influenciar no desenvolvimento

dos próximos três anos

da empresa. Ele acrescentou que o início

da recuperação da economia espanhola,

com previsão do crescimento do PIB de

2,5% em 2015, impactará nas vendas

do Grupo.

Para a América Latina, a previsão

da expansão em 2015 está em torno de

1,5%. O México tem um plano de negócios

de cinco anos, que inclui a busca

de acordos e alianças, a sinergia entre

as unidades e expectativa de aumento

de participação de mercado em torno

de 10%.

Para a América do Sul, especificamente,

o Grupo quer abrir escritórios

novos em todas as localidades, com

diversificação do portfólio de produtos

e plano de comércio eletrônico para o

Peru e Chile, além da sinergia comercial

e operacional das unidades de seguro.

O Brasil continua atraente para o

Junta 2015 de acionistas do Grupo Mapfre

Grupo. Ele citou pontos que mostram

que o País continua sendo um bom

negócio, como a baixa penetração de

seguros no PIB. O Grupo pretende investir

na segmentação de clientes e na

transformação digital para abrir novos

canais para atingir os clientes do Banco

do Brasil. Assim como em outros países,

o Grupo quer explorar a sinergia das

unidades de seguros e de assistência.

Huertas também mencionou a ampliação

do Projeto Millenium, de venda de

seguros massificados. O Grupo também

investirá na otimização operacional,

com a redução do número de call centers.

“Em 2014 iniciamos a operação em

saúde, com propostas diferenciadas, não

limitadas somente à gestão da rede de

prestadores de serviços, mas voltadas

também à oferta de serviços de prevenção”,

destacou Huertas.

Para a Ásia, a China será o foco da

distribuição de seguros por aplicativos

móveis. Os prêmios em seguro auto

na China foram de 6 bilhões de euros

em 2015. A China possui mais de 15

milhões de veículos apenas na região

de Shandong, que reúne condições de

volume de mercado, projeções de crescimento,

demográficas, de penetração

de internet móvel e por dispor de uma

infraestrutura de estradas de acordo com

os pré-requisitos do Grupo.

55


mercado | grandes riscos

Marcando presença

Após ficar de fora da compra da carteira da Itaú Seguros, Tokio Marine

optou por investir no crescimento orgânico e contratou 12 profissionais

para impulsionar os negócios de grandes riscos

Kelly Lubiato

Apresentar os números de uma

seguradora após ela obter

resultados positivos não é

uma tarefa difícil. Entretanto,

colocar um economista para conjecturar

sobre os caminhos da economia brasileira

demanda muito cuidado. A Tokio Marine

reuniu corretores, clientes e colaboradores

para apresentar as suas ações na

carteira de grandes riscos e ainda trouxe

o ex-Ministro da Fazenda da era FHC,

Pedro Malan, para palestrar.

O presidente da Tokio Marine, José

Adalberto Ferrara, abriu o evento promovido

pela companhia falando sobre

as perspectivas econômicas brasileiras

para 2015 e as características do consumo,

considerando que o Brasil possui

pouca penetração do produto em relação

ao PIB.

O desafio do plano da empresa até

2017 é subir de posição no ranking de

automóveis, dobrando a participação no

mercado para 16%. A carteira representa

50% da produção da empresa e cresceu

30% no primeiro trimestre, em relação

ao mesmo período do ano anterior. No

anual fechado em fevereiro, a empresa

cresceu 21,3%, e encontra-se em 7o.

lugar no ranking brasileiro geral, com

prêmios diretos de 3,3 bilhões.

José Luis Franco, diretor comercial

Corporate, afirmou que, no mercado

empresarial, o desafio é dobrar o market

share até 2017. “A companhia quer

participar deste setor de grandes riscos.

Tentamos adquirir a carteira da Itaú, mas

depois do resultado divulgado, adotamos

um plano B ainda melhor, começando

uma reestruturação na área comercial

corporate. Ele salientou que a Tokio é

uma seguradora independente, ligada

a grupo internacional centenário, com

mais de 50 anos de Brasil. “Não somos

❙❙José Adalberto Ferrara, Pedro Malan, Felipe Smith e Valmir Rodrigues

seguradora de ocasião e temos planejamento

de longo prazo. Podem ter certeza

de que sempre estaremos falando de

grandes riscos”, destacou.

O diretor da área comercial Valmir

Rodrigues, assumiu compromisso de

crescer nos próximos três anos, sempre

baseado na qualidade da entrega

de seus produtos. “Na área comercial,

assumimos o compromisso da entrega.

Todos trabalhamos de forma incansável

na reestruturação da empresa em todas

as linhas. A seguradora investe principalmente

em gente e no treinamento

de seus colaboradores. Nós vendemos

sinistros e temos que ter muita qualidade

na hora crucial da nossa atividade.

Com base nesta estruturação estamos

ratificando o que falamos em todas as

mídias, porque pretendemos fincar os

pés nos produtos PJ, principalmente nos

grandes riscos. Investimos muito nesta

área e vamos enfrentar este momento de

crise. A companhia não pode pensar de

maneira negativa”.

Felipe Smith, diretor executivo de

produtos pessoa jurídica, disse que a

empresa tem estratégia clara para o pequeno,

médio e grande risco. Ele falou

sobre os produtos que a empresa oferece

aos seus clientes:

No seguro de transporte, o foco

está nos embarcadores importadores e

exportadores, nacionais e transportadores

de pequeno, médio e grande portes.

Os diferenciais são a ampla rede global

de atendimento e suporte em caso de

sinistro. O contrato de resseguro da

empresa é de US$ 40 milhões. “É uma

companhia global com decisão local,

com consultoria em gestão e prevenção

de perda com 12 especialistas, além

da assistência em estradas em caso de

acidente”, enumerou.

Em riscos nomeados e operacionais,

a seguradora possui share de 6,4% e o

foco está nas áreas de energia renováveis,

infraestrutura, indústria de base,

indústria em geral e bens de consumo e

estabelecimentos comerciais/serviços.

Os diferenciais são os serviços de Inspeções

Termográficas; inspeção própria:

gerenciamento de risco por meio de

equipe de engenheiros especializados,

com fornecimento de relatório de gerenciamento

de risco ao segurado.

56


aeronáutico | mercado

Indenizações para

fatalidades aéreas

Seguradores deverão pagar cerca de US$300 milhões às famílias

das vítimas do acidente com Airbus A320

Um avião caiu no sul da França

na manhã do dia 24 de março.

O Airbus A320, da companhia

Germanwings, da empresa

Lufthansa, saiu de Barcelona (Espanha)

com destino a Duesseldorf (Alemanha).

O vôo levava 150 pessoas e desapareceu

dos radares por volta das 11h, nos

Alpes franceses.

A Allianz, que teria uma participação

de 10% no seguro, seguida por

AIG (11%) e Swiss Re (7%), estimou que

os seguradores devam pagar cerca de

US$300 milhões em sinistros e custos

decorrentes do acidente aéreo. Um grupo

de mais de 30 seguradores deverá arcar

com os encargos financeiros do acidente,

que acredita-se ter sido provocado deliberadamente

pelo copiloto da aeronave.

A estimativa inicial representa cerca

de 20% do valor de US$ 1,5 bilhões em

prêmios arrecadados no mercado global

de seguros aeronáuticos e inclui também

as perdas da aeronave, que ficam em

torno de US$6,5 milhões, com as forças

de busca, encargos legais e indenização

às famílias dos passageiros. Especialistas

avaliam que ainda é muito cedo para

saber se esses valores deverão ser mais

altos ou mais baixos.

Sobre as indenizações, a companhia

Lufthansa se ofereceu para efetuar o

pagamento de até 50 mil euros por passageiro

em assistência imediata.

Sobre a divisão na subscrição do

risco em questão por cosseguradoras, os

seguradores costumam recorrer ao apoio

financeiro de resseguradoras em casos de

grandes perdas. A agência classificadora

de seguros A.M. Best disse que as perdas

da Germanwings poderiam ser absorvidas

pelo Lloyds.

Com o ocorrido, o aumento nos prêmios

das apólices do ramo aeronáutico

deverão se acentuar. Entrevistado pela

Revista Apólice, o advogado especialista

em seguros e acidentes aeronáuticos, Julio

Costa, sócio do Tauil & Chequer Advogados,

afirma que ainda não é possível

saber quanto o mercado deverá crescer,

mas há uma tendência de alta. “Após ter

superado o impacto negativo decorrente

das incertezas e das perdas decorrentes

dos eventos de ‘11 de setembro’, o ramo

aeronáutico vivenciou um longo período

de soft market. É natural que as últimas

quatro catástrofes aéreas, todas ocorridas

em um curto período de tempo, auxiliem

no rebalanceamento do mercado”, aposta

o executivo.

Segundo Costa, um dos fatores que

contribuiu para a reação do mercado ressegurador

internacional é a ocorrência de

três sinistros aéreos no continente asiático:

em 2014, dois Boeings operados pela

Malaysia Airlines e um Airbus operado

pela Air Asia também sofreram perda

total, resultando na morte de aproximadamente

700 pessoas entre passageiros

e tripulantes. O advogado afirma que os

operadores brasileiros também deverão

ser penalizados com o aumento dos prêmios

nas renovações de suas apólices,

esclarecendo que o fenômeno se deve ao

mutualismo.


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

“Ah! Latim! Que falta nos fazes...”

Este texto começa – e prossegue – com saudosismo. Os

“mais vividos” vão se lembrar de seus tempos da “escola

risonha e franca”...!

Nos bons tempos d’antanho, o sistema escolar era, por um

lado, muito simples e por outro, bastante rigoroso.

Os níveis eram assim singelos: primário, ginasial e colegial.

O primário ia do primeiro ao quarto ano e era cumprido

no Grupo Escolar. Então, para acesso ao ginasial, havia um

“vestibularzinho”: o temível Exame de Admissão...

Na sequência, vinham os ciclos Ginasial e Colegial. Este

último abria-se em dois ramos distintos, voltados a quem pretendesse

cursar os graus universitários nas áreas de Ciências

Exatas ou Humanas: eram os famosos cursos Científico e

Clássico, respectivamente.

Quanto ao terceiro nível, não havia muitas opções não. Os

cursos se resumiam, praticamente a: Medicina, Odontologia,

Engenharia e Direito...

O curso ginasial, por sua vez, era distribuído em quatro

períodos anuais, chamados de séries.

Na primeira série, o currículo incluía o estudo das origens

linguísticas, do berço de nosso idioma: o Latim, língua

falada na região do Lácio ou – na forma original – Latium.

Já se começava a aprender alguma coisa em relação às suas

peculiaridades: o “T”, colocado assim entre as vogais, passava

a ter som de “C”. Por isso, Justiça se escrevia Justitia ou

– mais remota e acertadamente – Iustitia, uma vez que não

havia naquele alfabeto a letra “J”, usando-se, em seu lugar, o

“I”. Por isso é que, na placa colocada sobre a cabeça do Cristo

crucificado, a inscrição é INRI, significando “Iesus Nazarenus

Rex Iudeorum”: Jesus nazareno rei dos judeus. Também por

isso, a procuração conferida a um advogado para cuidar dos

interesses jurídicos de alguém é “ad Juditia”.

A verdade é que, estudando o Latim, a pessoa adquiria

base para entender muitas palavras em português! Ao se deparar

com termos como penumbra e península, por exemplo,

sabia decodificar seu sentido: pen significa quase; umbra

quer dizer sombra (daí: umbral...). Pronto: penumbra se refere

a algo entre a luz e a sombra, ou quase sombra, quase noite,

quase escuro! Insula, por seu turno, se traduz por ilha, logo,

península é quase ilha ou – como na definição em Geografia

– “Porção de terra cercada de água por todos os lados menos

um, que se liga ao continente.”

A diferença entre os segmentos envolvidos no processo

escolar fica igualmente clara. Corpos discente e docente têm

sua origem respectivamente em discens, entis – que se traduz

por aluno, aquele que aprende; e no verbo doceo, es, ere, docui,

doctum ¬cujo sentido é ensinar, instruir. Da mesma origem,

temos o adjetivo doctus, a, um – que significa instruído, sábio

ou douto.

Uma palavra bastante usada nas relações de trabalho é

absenteísmo. Parece esquisita e estranha para muita gente.

Mas não para quem conhece sua origem latina: absens, cujo

sentido é: ausente.

Há ainda quem faça confusão entre “águas pluviais e águas

fluviais”! Uma dosezinha de Latim, porém, desfaz a dúvida!

Pluvia é a palavra latina para chuva. Logo, águas pluviais são

aquelas oriundas da chuva. Flumen significa rio. Portanto,

fluviais são as águas que vêm dos rios... Por aí também se

conclui o sentido da palavra fluminense!

A expressão de ofício pode ser entendida por muitos como

uma comunicação feita através de um ofício, isto é por uma

modalidade de comunicação escrita mais formal do que a

carta. Não! Sua origem é a forma latina “ex officio” que quer

dizer por lei, obrigatoriamente, em virtude do cargo ocupado.

Outros tantos usam incorretamente o vocábulo literalmente.

São os que dizem, por exemplo: “Estou literalmente

morto”! Imaginam que literalmente significa completamente,

extremamente ou coisas semelhantes... Ora, se estivesse literalmente

morto, só poderia se comunicar por um médium de

psicofonia ou psicografia! O termo literalmente vem de ad litteram

e quer dizer, em termos

bem simples, “ao pé da

letra”, precisamente, exatamente,

sem derivações.

Seu oposto é ad sensum,

que tem o significado de

“pelo sentido”, pelo “jeitão”,

pelo rumo, sem estar preso

à forma!

Por tudo isso, repito a frase-título:

Ah! Latim! Que falta nos fazes!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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