Informação Educação | IERGS 2018

IERGS

EDITORIAL

Não há soluções científicas ou práticas que resolvam todas as dificuldades

existentes em sala de aula e no processo de ensino e aprendizagem.

Porém, relacionamentos mais humanos e amorosos completam a prática educativa,

gerando confiança e estímulo ao aprendizado. É sinônimo de respeito, de

compaixão e de alteridade. A qualidade do relacionamento em sala impacta a

todos e, se amigável, traz melhor desempenho com avaliações mais satisfatórias.

Se a educação direciona a sociedade através dos seus indivíduos, então cabe

aos envolvidos assumir responsabilidade no desenvolvimento de crianças, jovens

e adultos. Ensinar é algo frágil e provocador, que invade e transforma as

pessoas o tempo todo. Por isso, expandir os conceitos sobre as realidades é

fundamental em respeito às individualidades do ser humano.

A revista Informação Educação 2018, da rede IERGS, reflete como o professor

se transforma em orientador dos seus estudantes e mostra ideias vencedoras,

que rompem as dificuldades impostas pelas realidades em sala de aula. Contrapondo

os desafios enfrentados pela educação no século 21, destacamos como

o resgate do brincar é fundamental no processo e como as diferentes formas de

conhecimento motivam as práticas em sala.

Nosso convite é para que você também reflita sobre o que é aprendizagem.

Afinal, o educar é também aprender.

EXPEDIENTE

Revista Informação Educação. 2018.

IERGS – Instituto Educacional do RS

Diretoria:

Saul Hoegen

Silvana Hoegen

Jornalista: Jonas Amar | MTB/RS 14.065

Design: Luis G. De Carli e Michele Tyszkiewcz

Marketing: Danielle Siqueira

Contato: comunicacao@iergs.com.br

Boa leitura.


InformAção | Educação

Entrevista

3

RAQUEL

OLIVEIRA DA SILVA

PRÊMIO RBS DE EDUCAÇÃO 2017

Escola: EMEF Neusa Goulart Brizola

– Cavalhada, Porto Alegre.

Projeto: “A cor do paraíso”

B

atizado de “A cor do paraíso”, o

projeto da professora Raquel foi

eleito o Destaque Inclusão, no Prêmio

RBS de Educação 2017. Licenciada

em história pela UNIASSELVI, a professora

trabalhou o tema da inclusão através

da leitura e da escrita com seus alunos

do 4º ano. As atividades envolveram a

linguagem do cinema, os vínculos familiares,

os valores de respeito à diversidade

e o aprendizado do sistema BRAILE.

IERGS - Por que a inclusão ganhou importância

em sala de aula?

Raquel - É um tema que está presente

no meu planejamento todos os

anos. Considero a inclusão de pessoas

com deficiência fundamental para

tornar nossa sociedade mais justa

e democrática. O respeito às diferenças

precisa ser abordado com as

crianças desde pequenas para que

os relacionamentos entre elas sejam

saudáveis e solidários.

IERGS - Como os estudantes se envolveram?

Raquel - Iniciei o projeto com o filme

“A cor do Paraíso”, um drama iraquiano

que narra a história de um menino

cego que é rejeitado pelo pai. A minha

turma do quarto ano adorou o filme e se

interessou muito pelo método BRAILLE,

que aparece no filme. A partir daí, tive

a ideia de ensinar o BRAILLE para os

alunos. Seria uma atividade diferente e

ótima para desenvolver habilidades de

leitura e interpretação, raciocínio lógico,

a capacidade de se colocar no lugar dos

outros, conhecer uma nova forma de ler

o mundo.

IERGS - Quais as etapas do projeto?

Raquel - Após o filme, fizemos um sábado

da família com a presença do meu

esposo para conversar com os pais e

alunos, explicando o BRAILLE e tirando

dúvidas sobre as formas de auxiliar

pessoas com deficiência. Concomitante

ao aprendizado do BRAILLE, os alunos

leram livros da coleção contos “Era uma

vez um conto de fada inclusivo”, de Cristiano

Refosco. Eles apresentaram aos colegas

um resumo dos livros e reescreveram

as histórias. Foram feitas atividades

de pesquisa na internet sobre pessoas

importantes e famosas com deficiência:

Louis Braille, Frida Kahlo, Maria da Penha,

Ludwig van Beethoven, Helen Keller,

“ Professores

inspiram,

estimulam e mediam

o mundo para

seus alunos ”

entre outros. O encerramento do projeto

foi uma oficina de BRAILLE que a própria

turma aplicou com alunos da UFRGS.

IERGS - Quais foram os resultados esperados?

E os inesperados?

Raquel - Os resultados foram muito satisfatórios:

a leitura oral se desenvolveu

muito, os alunos perderam a vergonha

e o medo de se expor, passaram a respeitar

mais os colegas, menos apelidos e

menos bullying. Uma consequência inesperada

foi a facilidade nos cálculos de

divisão. A escrita BRAILLE exige que a

pessoa escreva da direita para a esquerda

e leia da esquerda para direita. Esse

raciocínio de reversibilidade facilitou

muito a área lógica.

IERGS - Seu companheiro também integrou

o projeto. Como foi a participação

dele?

Raquel - Trabalho no município de Porto

Alegre há seis anos e todo ano meu

esposo faz oficina e palestras sobre inclusão

nas escolas. O José Maurício é

muito engajado nessa causa e nós acreditamos

que apenas o diálogo e a informação

podem romper os preconceitos.

Meu marido é funcionário do INSS e

estuda psicologia. Ele já foi instrutor

de BRAILLE no projeto Rumo Norte,

onde nos conhecemos.

IERGS - O que o prêmio RBS de Educação

representou na sua caminhada?

Raquel - O prêmio RBS é uma forma

de reconhecimento pelo nosso trabalho

e dedicação. A mídia e o poder

público em geral não valorizam os

educadores como se deveria. Sabemos

da crise moral que passa a sociedade

e esse prêmio é uma forma de

mostrar que os professores resistem e

que nosso trabalho possui muita qualidade.

IERGS - Qual o papel do professor em

sua opinião?

Raquel - O papel do professor é fundamental

para o sucesso do indivíduo. Professores

inspiram, estimulam e mediam

o mundo para seus alunos. A escola é

o ambiente propício para a criança e o

jovem desenvolverem suas competências.

Eu sou formada pela UNIASSELVI

em Licenciatura em História e acredito

na importância da educação e no poder

transformador que uma escola tem na

vida de cada um.


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estátua

InformAção | Educação

escravos de Jó

corrida de saco

amarelinha

É HORA DE

RESGATAR

O BRINCAR

DIVERSÕES

ANTIGAS AINDA

ENCANTAM,

ESTIMULAM O

DESENVOLVIMENTO

E ALEGRAM

Que os novos tempos trouxeram

uma série de entretenimento

tecnológico e sensorial

não há dúvidas. Além disso,

diversão nutre a vida de crianças,

jovens e adultos em todos os cantos

do mundo. E, para os pequenos,

não há hora, dia ou lugar que

não possam se transformar em

uma tremenda brincadeira.

“Se perguntarmos a uma criança

qual a melhor hora na escola, ela

provavelmente dirá que é a hora

do recreio. É nesse momento que

ela corre, brinca, se movimenta e

cria sua própria história. E tudo

isso é aprender”, defende a doutora

em Psicopedagogia Neusa Kern

Hickel.

Brincando a criança aprende a ser

gente e a conviver em sociedade,

descobre como contar e a criar novos

métodos de desenvolvimento.

A diversão é parte fundamental

do processo educativo. No entanto,

alguns formatos de recreação

podem estar sendo esquecidos e

perdendo espaço para a tecnologia.

Jogos online e brinquedos

eletrônicos têm ganhado cada vez

mais a atenção das crianças.

passa-anel

queimada

cabra-cega

“Se perguntarmos a uma

criança qual a melhor hora na

escola, ela provavelmente dirá

que é a hora do recreio”

Neusa Kern Hickel


InformAção | Educação

5

“[...] Introduzimos na rotina

as brincadeiras antigas

e nossa escola não abre

mão das atividades”

Valquíria Oliveira

esconde-esconde

Para resgatar as tradições das

brincadeiras antigas, algumas

ideias começaram a ressurgir em

sala de aula, assim que a pedagoga

Valquíria Oliveira fundou o

espaço lúdico Pedacinho do Céu,

escola da Zona Sul de Porto Alegre.

“Desde que iniciamos os atendimentos,

prezamos em resgatar

a ludicidade das brincadeiras de

rodas e cantadas. Introduzimos

na rotina as brincadeiras antigas

e nossa escola não abre mão das

atividades. No dia da sucata, as

crianças podem sair do abstrato

e construir seus próprios brinquedos,

como telefone de latinha, pés

de lata, cinco marias, biboque e

peteca”, descreve a professora.

O mais importante disso tudo é

ensiná-los que para brincar não é

fundamental gastar. Amarelinha,

pega-pega e cabra-cega são, antes

de tudo, iniciativas de socialização.

As atividades que divertiam

antigamente são parte da cultura

popular porque promoviam a tradição,

o desenvolvimento afetivo e

a convivência.

“Cada dia aumenta o número de

obesidade infantil, pois as crianças

gastam pouca energia, passam

mais tempo com tablets, smartphones

e TV, em vez de brincarem

ao ar livre. Vem daí a preocupação

em proporcionar no nosso

espaço escolar estes outros recursos

aos pequenos alunos”, reforça

a professora Valquíria.

Tecnologias auxiliam muito no

processo educativo, mas não precisam

substituir as práticas coletivas

e divertidas. Enquanto muitos

brinquedos não exigem a criatividade

das crianças, algumas brincadeiras

estão aguardando lá no

passado a oportunidade para voltar

a ensinar.

cinco-marias

mestre mandou


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InformAção | Educação

LÁ VEM

TEXTÃO


Pense um pouco sobre tudo

o que a internet consegue

fazer por você hoje. Agora

reflita como ela poderia ajudar em

sala de aula.

Em rede, todo mundo é um pouco

ativista. E isso é ótimo. Pelo menos

do ponto de vista didático, as

pessoas podem dizer o que bem

entendem na internet, conversam

É importante saber como

os alunos se manifestam,

tendo como princípio o

respeito à opinião deles

Viviane Guidotti Machado

com quem quiser e oferecem os

serviços que consideram nientes. De fato, as causas que as

convemovem

em rede também podem

ser fonte de inspiração para o desenvolvimento

da aprendizagem

em sala.


Para a Pedagoga Viviane Guidotti

Machado, professora-tutora da

Graduação UNIASSELVI, prestar

atenção ao que

ocorre na internet

também é fundamental

para o desenvolvimento

das

aulas. “É importante

saber como

os alunos se manifestam,

tendo como princípio o

respeito à opinião deles. No Facebook,

por exemplo, sempre organizo

um grupo da turma, que serve

como um ambiente de trocas de

materiais, notícias, vagas e fotos.

Muitos assuntos que compartilhamos

nos grupos já foram debatidos

em aula. Assim, podemos

relacionar esses textos com as

disciplinas, a partir dos interesses

dos alunos. É uma forma de articular

teoria e a prática pedagógica

em sala

Não se trata de fazer vistas gros-


InformAção | Educação

7

sas ao fato de que as escolas ainda

buscam adequar-se à evolução

tecnológica, implantando computadores

e internet. No entanto, a

sociedade está em plena transformação

e os alunos, em sua maioria,

possuem celulares com acesso

à internet e preferem estar conectados

em vez de off-line.

“Já fiz textão nas redes sociais,

sim. Fiz sobre saudade e sobre

conquistas pessoais. Depois que

escrevi, senti o coração mais calmo

e tranquilo. Foram palavras escritas

com carinho e gratidão, de

forma a exteriorizar os meus sentimentos

naquele momento. Texto

é tudo”, conta Kátia Ferreira, estudante

de Pedagogia na Graduação

UNIASSELVI.

Em maior ou menor grau, todos

promovem nas redes seus pontos

de vista sobre direitos e deveres,

explorando suas concepções de

sociedade, de justiça e liberdade.

Isso mostra que a sociedade vem

recriando suas culturas dentro de

ambientes digitais. Agora cabe à

escola acompanhar este processo

e reaprender a ser uma organização

significativa e inovadora para

os alunos.

Até os bate-bocas virtuais fortalecem

a democracia. Isso encoraja o

debate entre diferentes pontos de

vista, expõe preconceitos e torna

muitos temas mais acessíveis. Uma

dica: os textões ainda têm muito a

nos ensinar.

Kátia Ferreira


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InformAção | Educação

O AMOR

EM SALA DE AULA

EDUCAÇÃO AFETIVA ESTIMULA

A SINGULARIDADE E A POTENCIALIDADE

NO PROCESSO DE FORMAÇÃO

Ainda em 2012, Rosa Carolina

Fonseca não imaginava

tudo o que aprenderia

sobre inclusão

quando começou a estagiar na

prefeitura de Canoas. Hoje graduada

em Pedagogia e Licenciada em

Letras Português pela UNIASSEL-

VI, a professora de Séries Iniciais

acumulou experiências atendendo

alunos com dificuldade de aprendizado,

paralisia cerebral, autismo,

Síndrome de Down, Síndrome de

Dandy-Walker e crianças sem laudos

médicos. “Lidar com inclusão

não é somente acolher um aluno

em sala de aula, integrando ele na

rotina da turma e da escola. Inclusão

é proporcionar a possibilidade

de ele aprender e agregar o aprendizado

à sua experiência, fazendo

com que seja significativa”, descreve

a atual professora de uma

Rosa Carolina Fonseca

EMEF de Sapucaia do Sul.

O que move Rosa na sala de aula

é um fator que também se destaca

nos casos das escolas de sucesso,

aquelas que conseguiram desenvolver

um modelo inovador de

aprendizagem: o relacionamento

humanizado. Os estudantes tornam-se

aprendizes, gerando uma

nova aliança entre orientadores e

orientados e não mais entre pessoas

anônimas.

A qualidade do relacionamento

em sala de aula produz um grande

impacto em todos. Com confiança,

os resultados são ainda mais positivos

sobre os aprendizes, estimulando

a motivação, a busca por

melhor desempenho e avaliações

mais satisfatórias.

“Nada completa mais uma prática

educativa do que o amor. Isso é

sinônimo de respeito, de compaixão,

de alteridade, é entender que

todos nós temos um espaço que

é único e que deve ser feito com

o seu melhor, que é feito com a

entrega do corpo, da mente e da

alma”. Quem defende é a Psicopedagoga

e professora convidada da

Pós-Graduação IERGS/UNIASSEL-

VI, Luz Mary Padilha Dias, especialista

em Gestão Escolar.


InformAção | Educação

9

“Nada completa mais uma

prática educativa do que o amor.

Isso é sinônimo de respeito, de

compaixão, de alteridade [...]”

Luz Mary Padilha Dias

.

PARCEIRO OU AMIGO?

Os dois. Os professores são condutores do

aprendizado em aula, não os donos do conhecimento.

Em salas com um grande número

de estudantes, por outro lado, é mais difícil

manter uma relação de maior proximidade. O

desejável seria que o professor conseguisse

conduzir o aluno a uma autoavaliação, vendo

e revendo os objetivos, as aspirações e as suas

necessidades pessoais.

As dificuldades que permeiam o ensino são

diversas, mesmo assim, uma educação afetiva

condiciona o comportamento, o caráter e a ati-

AMOR NÃO É PERMISSIVIDADE

A escola também é um espaço de proteção

para a criança. Mesmo o professor sendo a

maior influência no processo escolar, é importante

encontrar o equilíbrio entre a afetividade

e a liberdade dentro do processo.

Para a Psicopedagoga Nádia Azevedo, é preciso

compreensão, mas também liderança nos

processos educativos. “São muitos os desafios

em sala de aula e estar na condição de educador

nos remete ao quanto estamos diretamente

envolvidos, já que o processo de aprender

e ensinar é dinâmico. Quando temos claro em

nossas mentes o que é ser líder, nossa função

em sala de aula fica mais nítida, assim como

valores afetivos se fazem necessários no nosso

cotidiano”, reforça a professora convidada da

Pós-Graduação IERGS/UNIASSELVI.

vidade cognitiva da criança. Com amor, pode-

-se gerar maior lucidez e alegria no processo

de ensinar e aprender.

“Eu trabalho com amor. É a base de tudo o que

fazemos. Muitas crianças não têm um abraço,

uma palavra de carinho, nenhum cuidado.

Muitos vivem em situação de vulnerabilidade

social. Ao sentirem-se amadas, elas elevam a

sua autoestima e projetam isso nos estudos.

A afetividade é muito importante em sala de

aula”, completa a professora Rosa.

Limites na educação são ingredientes para que

as crianças possam crescer saudáveis e preparadas

para a vida adulta. Porém, o afeto em

sala de aula é essencial para a manutenção da

coragem e do interesse em aprender. O educador

não precisa ter medo de dizer não, mas

deve explicar os porquês. Alunos seguros desenvolvem

muito mais seu aprendizado.

“Nossa prática atual exige um olhar bem mais

amplo para ver nosso aluno com os olhos do

coração. Conteúdos e didática por si só não

completam o ser humano, ele precisa de muito

mais, ele precisa de amor”, reforça a Psicopedagoga

Luz Mary.

O afeto não precisa ser excluído de nenhum

ambiente. Com amorosidade, o acolhimento

acontece e abraça a todos.

.


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InformAção | Educação

TIPOS DE

CONHECIMENTO

Quais conhecimentos você possui?

Quantos você construiu?

Quantos você ajudou a criar em outras pessoas?

Desde o começo dos tempos, os seres

humanos desenvolveram diferentes

conhecimentos. Foi isso que permitiu

a existência da sociedade atual. Já

imaginou um mundo sem ciência? Sem

superstição? Sem pensamento

ou sem religião? Essas sabedorias

existem, estão

presentes no cotidiano

e são fundamentais

para entendermos os

indivíduos em desenvolvimento

que

estamos ajudando.

“Lecionar

vai

além da ideia

de repassar as

informações

dos livros. É

preciso valorizar

também as

experiências, a

bagagem de co-

nhecimentos prévios e aprender com

eles”, garante a professora de Física

Talissa Rodrigues, da Escola Estadual

de Ensino Médio Roque Gonzáles, de

Porto Alegre. Para a professora, o conhecimento

também está no dia a dia.

“É importante criar uma relação além

do conteúdo metódico, um vínculo

afetivo, possibilitando discussões de

problemas sociais e refletindo como

a sua disciplina e as áreas do conhecimento

podem contribuir na busca de

soluções para esses problemas”, completa.

Conhecimento de mundo é algo que

todos possuem, não importa a idade,

origem, ou o nível de sabedoria científica.

As pessoas evoluem seu entendimento

sobre a realidade e o papel dos

educadores nesse processo é compreender

e reconhecer a multiplicidade de

conhecimentos que existem.


InformAção | Educação

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“Conhecer o aluno é uma tarefa importante para o processo de ensino,

por isso o professor deve estar atento ao desenvolvimento intelectual e

cognitivo que o estudante apresenta”, reforça a tutora de Sociologia da

Graduação UNIASSELVI, Ana Claudia da Silva Alves. “Reconhecer que

ele está aprimorando as inteligências demonstra que a aprendizagem

tem efetividade. O professor que percebe este desenvolvimento pode

estimular para que se reflita na sala de aula, impactando os demais alunos

por meio de debates e discussões sobre os conteúdos e as realidades

diversas presentes no meio social”, garante.

SENSO POPULAR

Deus pode até ajudar quem cedo madruga, mas o que os olhos

não veem, o coração sente. O senso popular é o conhecimento

espontâneo, é a primeira compreensão do mundo que surge

como herança do grupo social que pertencemos. É dele que

vêm as experiências que seguem nos impactando. Suas divisões

são conhecidas como senso comum, senso prático, bom

senso, senso crítico.

MÍTICO

O senso mítico é também o conhecimento religioso. Ele proporciona

um saber que tenta explicar os mistérios da existência

humana. É quase um pensamento mágico, que tem desejo em

atrair o bem e afastar o mal, para gerar conforto e segurança.

O critério de verdade está na fé.

CIENTÍFICO

O conhecimento científico se esforça para explicar o funcionamento

da natureza através das relações. É o conhecimento

objetivo e lógico. O critério para estabelecer a verdade está na

experiência controlada.

ARTÍSTICO

O conhecimento artístico nos dá uma visão de um mundo, interpretado

pela sensibilidade do artista. Está traduzido numa

obra com qualidades estéticas, que reaproxima o que foi vivido

com o nosso mundo concreto. A verdade está na representação

da realidade de quem produziu a obra.

FILOSÓFICO

É a oferta de um tipo de conhecimento que busca a origem

dos problemas. Ele faz uma relação com outros aspectos da

vida humana. Sua finalidade não é estabelecer uma verdade

absoluta, mas questionar e refletir sobre as coisas.

O conhecimento passado pela escola é socialmente construído pelo universo

educativo e precisa preparar as pessoas para a apropriação de outros

saberes. De fato, todo o conhecimento humano é um ponto de vista e

há muitas formas de se conhecer o mundo.


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InformAção | Educação

VOCÊ ENTENDE O

VOCÊ ENTENDE

CURRÍCULO ESCOLAR?

O CURRÍCULO ESCOLAR?

Nulo, oculto e explicito: diferentes currículos

organizam as diretrizes da escola e do ensino,

mas também reúnem competências essenciais

no processo escolar

Nulo, oculto e explícito: diferentes currículos organizam

as diretrizes da escola e do ensino, mas também

reúnem competências essenciais no processo escolar

A

palavra currículo soa familiar

àqueles que atuam nas

escolas e com educação.

Essa proximidade, no entanto,

pode fazer com que se deixe de

refletir com cuidado sobre o seu

real sentido.

“É difícil falar de currículo escolar,

pois para a Educação Infantil

e Ensino Fundamental é uma coisa,

mas sobre currículo no Ensino

Médio e Graduação é outra. O

currículo se refere aos elementos

que contribuem para a formação

integral do sujeito durante a sua

trajetória escolar, tanto pessoal

quanto profissional, assim como

no desenvolvimento da criticidade

e autonomia intelectual para

uma sociedade mais justa, equânime

e igualitária”, avalia Maria Elizete

Inácio, pedagoga Mestre em

Educação e tutora da Graduação

UNIASSELVI.

O currículo organiza os conhecimentos

na escola. É ele que envolve

a definição dos objetos, seleção,

organização e a avaliação dos

conteúdos, para que tudo seja ressignificado

na prática docente e

transformado em aprendizagens.

“O currículo é um recurso para nós

educadores, com flexibilidade de

ajustes para que possamos atender

melhor às necessidades dos

educandos. Não se trata de algo

pronto e acabado, mas de algo a

ser construído e repensado permanentemente

no dia a dia da escola,

com a participação ativa de

todos que estão envolvidos nas

atividades educacionais”, avalia o

professor de 6º ao 9º ano do Ensino

Fundamental, Ronaldo Gonçalves

da Silva, graduado em Letras

pela UNIASSELVI.

Sob essas perspectivas, o currículo

é o conjunto de ações desenvolvidas

pelos diferentes profissionais

das escolas. Porém, ele também

deve traduzir valores, pensamentos

e as perspectivas da sociedade.

Fatores sociais, econômicos,

políticos e culturais contribuem

para que o currículo escolar se traduza

em conteúdos, experiências,

objetivos, avaliação e relações interpessoais.

O currículo escolar possui nuances,

que nos ajudam a entender

como a educação de fato ocorre.


InformAção | Educação

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CURRÍCULO

OFICIAL

Trata-se do planejamento oficial. São as propostas curriculares da União,

do Estado e do Município. Ele organiza os temas, assuntos e conteúdos a

serem desenvolvidos nos componentes curriculares dos vários níveis de

escolarização.

CURRÍCULO

FORMAL

É o planejamento pedagógico feito na escola.

O Currículo Oficial é parte integrante do Currículo Formal.

CONHEÇA:

CURRÍCULO

REAL

CURRÍCULO

EXPLÍCITO

CURRÍCULO

OCULTO

É aquele que acontece dentro da sala de aula, na relação entre professor

e aluno como participantes de um sistema de ensino. Organiza as aprendizagens

realizadas, as competências, conhecimentos, habilidades, valores

e atitudes.

Reúne o conjunto de aprendizagens intencionais que um curso e uma disciplina

proporcionam ao estudante. São as escolhas que a instituição de

ensino faz e que aparecem explicitamente no seu planejamento.

É o resultado não intencional das práticas escolares. É formado principalmente

por valores e atitudes que acompanham as ações pedagógicas e

que nem sempre foram previamente pensados pelos educadores.

CURRÍCULO

NULO

Também chamado de Currículo Vazio, ele reúne competências importantes

para que se conheça e se intervenha na realidade do estudante, mas

que não foram contemplados nem pelo Currículo Formal nem se efetivou

no Currículo Real.

O

currículo se manifesta na prática pedagógica

e é diretamente influenciado

por diferentes contextos. O tipo

de profissional que atua na escola, os recursos

disponíveis, o sistema de organização da

escola, a relação existente entre professor

e aluno e até mesmo o grau de abertura da

escola em relação à comunidade influenciam

na sua aplicação. Trata-se de um dispositivo

cultural, constituído de identidades e subjetividades.

O currículo escolar é o reflexo da

realidade e da sociedade onde a escola está

inserida.


InformAção | Educação

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InformAção | Educação

Expressao

iergs

Ana Paula Teixeira Colombo

Pedagoga formada pelo IERGS/UNIASSELVI em 2016

Vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Roque Gonzáles, de Porto Alegre

HOJE

“A graduação em Pedagogia me proporcionou

atuar na área de gestão, como vice-diretora.

Eu não tinha formação superior, mas já

era professora da rede pública há 12 anos. Com

a conclusão do curso, além de receber uma

promoção dentro do plano de carreira do Magistério

público estadual, passando do nível 1

para o 5, eu também pude assumir um cargo

na equipe diretiva da escola, atividade que me

orgulha muito”.

AMANHÃ

“Eu curso duas pós-graduações no IERGS/UNIAS-

SELVI: Supervisão e Orientação Educacional. Essas

especializações fazem parte da minha busca por

mais conhecimento e aprendizado. Assim, poderei

atuar como orientadora educacional, algo que sempre

desejei e que somente essa formação me possibilitará.

Sou grata aos meus tutores, em especial

às professoras Maria Elizete, Fernanda Ribeiro e Luz

Mary. Também à UNIASSELVI e ao polo IERGS por

terem feito parte da minha caminhada”.

HOJE

Jean Francisco Rocha Pereira

“Trabalho como professor, atuando em minha

área de formação, na Prefeitura Municipal de

Gravataí. Planejo e desenvolvo as aulas de História,

bem como as demais atividades pedagógicas

pertinentes ao ambiente escolar. Enquanto

aluno, percebi que é de suma importância a

autorresponsabilidade, comprometimento e autonomia

para aproveitar os inúmeros recursos

oferecidos na faculdade.”

Licenciado em História e Especialista em Metodologia

do Ensino de História pela UNIASSELVI, em 2017

AMANHÃ

“É preciso aprender a aprender. Graças a estas

qualidades desenvolvidas no curso, obtive outras

conquistas, como aprovação em concurso

em 2º lugar já no ano seguinte à minha formação,

além da realização profissional. Espero seguir

atuando na área de ensino, pois acredito na

educação enquanto ferramenta para construir

uma sociedade mais justa e igualitária. Para

isso, acredito na formação continuada como

um meio para o desenvolvimento profissional e,

consequentemente, satisfação pessoal.”

Rosana Gambino Teixeira de Freitas

Licenciada em Artes Visuais pela UNIASSELVI em 2014

HOJE

“Sou professora do Estado, atuo como alfabetizadora

no Ciclo de Alfabetização na Idade Certa e dou aulas

para o 2º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental

Planalto Canoense, em Canoas. Sou vice-diretora da

escola em turno inverso e ensino Artes para os meus

alunos. Montei com eles um Projeto chamado ‘Alfabetizando

com os Pintores’, onde foi trabalhado um pintor

famoso para cada letrinha do Alfabeto. Sempre fui apaixonada

pela arte, adoro desenhar e trabalhar a magia e

encantamento da História da Arte”.

AMANHÃ

“Desejo a valorização do profissional da Educação

em todas as esferas: municipais, estaduais

e federais, mais respeito e amor por parte

da comunidade escolar, um reconhecimento

da nossa função como a mais importante para

o futuro de uma nação.”

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