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Boletim BioPESB 2017 - Edição 26

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Boletim Biopesb

Ciência, meio ambiente e cidadania em suas mãos ISSN - 2316-6649 - Ano 7 - Nº 26 - 2017

muito além do mel

conheça a importância ecológica das

abelhas e descubra o que é

meliponicultura

dia mundial da água

Caminhada em defesa

das águas e contra a

mineração marca a data

Páginas 2 e 3

Páginas 4 e 5

solo

Sua composição

influencia

diretamente a

vegetação do

PESB

câncer

A importância

das campanhas

no processo de

prevenção da

doença

laudato si

O cuidado com

a casa comum

vivenciado no

entorno do

PESB

fundação de amparo à pesquisa do estado de minas gerais (fapemig)


MeioAmbiente

Editorial

Ano 7, n°26 - Pág 2

As pautas do Boletim

BioPESB são pensadas com

o intuito de levar a você informações

e curiosidades

sobre temas relacionados

ao PESB e seu entorno.

Nesta edição, a editoria

“Meio Ambiente” traz a

matéria “Caminhada em

defesa das águas e contra

a mineração é realizada

em Belisário”. O tema é

recorrente no Boletim e demonstra

nossa preocupação

com a preservação desse

bem tão precioso e fundamental

para a manutenção

da vida: a água. A editoria

“Ciência” vem falar sobre

as abelhas. Especialmente

as abelhas da tribo Meliponini,

popularmente conhecidas

como abelhas

sem ferrão, são de fundamental

importância para a

preservação da biodiversidade

brasileira. Depois de

saber como os moradores

de Belisário celebraram o

Dia Mundial da Água e conhecer

mais sobre as abelhas,

você pode conferir a

entrevista desta edição. A

médica oncologista clínica,

Luciana Cássia Martins

Costa, é a entrevistada. Ela

vai falar sobre a importância

das campanhas para

a prevenção de cânceres.

Na editoria “Serra do Brigadeiro”,

a equipe BioPESB

mostra o reflexo da composição

do solo na vegetação

do PESB. Na quinta e

última editoria, “Turismo”,

o tema é a Encíclica Papal

Laudato Si: o cuidado com

a casa comum. Agora é a

sua vez de aproveitar todo

o conteúdo que nós, da

equipe do Boletim BioPESB

preparamos. Boa leitura!

Equipe Boletim BioPESB

Fernanda Rebellato

Iorrana Vieira

Isabella Britto

Helaindo Júnior

Caminhada em defesa das águas e

contra a mineração é realizada

em Belisário

Cerca de 700 pessoas

participaram, no dia

26 de março, da “Caminhada

em Defesa das

Águas e Contra a Mineração”

no distrito de Belisário,

em Muriaé (MG). O evento

foi promovido pela

Paróquia Santo Antônio e

movimentos populares da

região e teve início às 7

horas da manhã com uma

marcha até a cachoeira do

Anôr, onde foi realizada

uma missa de encerramento.

A caminhada

ocorre todo ano na semana

do Dia Mundial da Água

(22 de março) e nesta e-

Boletim Biopesb

Redação: Alunos do PET- Bioquímica da UFV

e do Departamento de Comunicação Social

(Ana Paula Abreu, Artur Lopes, Danilo Santos,

Fernanda Rebellato, Graziela Paulino,

Helaindo Júnior, Higor Pereira, Iorrana Vieira,

Isabella Costa, Isabela Paes, Isabella Britto,

Ítalo Bianchini, Júlia Coelho,

Paula Sudré, Raíssa Castro e Renato Senra.)

Revisão: Ana Paula Abreu

Diagramação: Ana Paula Abreu

dição teve como tema a

luta contra a mineração. A

região leste da Serra do

Brigadeiro possui grandes

reservas minerais de bauxita,

o que tem motivado

a Companhia Brasileira de

Alumínio (CBA), pertencente

ao Grupo Votorantim, a

avançar sob o território. A

atuação da CBA tem gerado

grandes conflitos devido

à resistência das comunidades.

Com muita animação,

músicas e palavras de

ordem, a caminhada contou

com intervenções de entidades

e movimentos populares

durante o percurso.

Em frente à cachoeira de

Belisário, logo no início da

caminhada, a professora

do IFMG, Juliana Calixto,

chamou a atenção sobre

os impactos da mineração

nas águas. “Belisário é uma

região fundamental para

o abastecimento de água

de Muriaé e região. Quem

permite a conservação

desses mananciais e das

nascentes é a agricultura

familiar. A mineração é o

inverso, ela destrói a terra

prejudicando a recarga hídrica

e assoreando os cursos

de águas”.

Editores-Chefes: João Paulo Viana Leite e

Ricardo Gomes Duarte

Telefone: (31) 3899-3044

E-mail: biopesbufv@gmail.com

Endereço: Departamento de Bioquímica e

Biologia Molecular - UFV

CEP 36570-900, Viçosa - MG - Brasil

Tiragem: 1.000 exemplares

Apoio: Projeto financiado pelo Edital de

Popularização da Ciência, da Tecnologia e

da Inovação da Fapemig


MeioAmbiente

“Águas para a vida,

não para a morte! ”

Ao passar em

frente à uma nascente, foi

a vez de Leandro Moreira,

biólogo e especialista

em primatas, provocar

reflexão sobre a Mata

Atlântica e a importância

da Serra do Brigadeiro

como grande reserva de

ampla biodiversidade.

“Este ano a campanha da

Fraternidade tem como

tema os biomas brasileiros,

e é importante lembrarmos

que a Serra do Brigadeiro

é uma das poucas reservas

de Mata Atlântica conservada

em Minas Gerais.

A Serra abriga uma das

maiores populações de

muriquis, o maior macaco

das Américas e que está

gravemente ameaçado de

extinção. Não podemos

deixar que o interesse de

poucos coloque em risco

todo esse patrimônio natural.

É preciso lutarmos contra

a mineração no entorno

da Serra do Brigadeiro”,

conclamou.

“Mineração? Aqui não!”

Rosilene Pires, dirigente

estadual do Movimento

Pela Soberania

Popular na Mineração

(MAM), em sua intervenção,

chamou a atenção da

necessidade da organização

e continuidade das lutas

para derrotar o capital

mineral. “Não podemos ter

medo de lutar, ouvi muitas

pessoas dizendo que não

há como barrar as mineradoras,

pois elas possuem

muita força econômica e

política, mas isso não é

verdade! Não há motivo

para pessimismo, pelo contrário,

a nossa caminhada

de hoje demonstra a nossa

força, quando o povo se

une não há quem nos segure!”.

Pires também lembrou

em sua fala a vitória

contra a multinacional Ferrous

Resources, que projetava

a implantação de

um mineroduto na região,

mas foi barrada pela luta

popular. “Quando a Ferrous

chegou em nossa comunidade,

muitos falavam

que não adiantava fazer

nada que a empresa ia vir

de qualquer jeito, mas nós

fomos teimosos e acreditamos

que com organização

iríamos conseguir impor

nossa vontade. Fizemos

várias reuniões, panfletagens,

atos de rua e muita

pressão no Estado, e depois

de muita luta organizada

conseguimos sair

vitoriosos!”.

Já na chegada à

cachoeira, Valdeci Roseno,

do Sindicato de Trabalhadores

Rurais de Miradouro,

denunciou os impactos da

mineração na agricultura

familiar. “Somos nós da

agricultura familiar que

garantimos as reservas de

água e colocamos comi-

Ano 7, n°26 - Pág 3

Frei Gilberto celebrou a missa de encerramento da caminhada

da de boa qualidade na

mesa do povo brasileiro, a

mineração coloca tudo isso

em risco. E água é assunto

sério, o povo não bebe minério!”.

Ao chegar à cachoeira

do Anôr, a caminhada

foi finalizada com

uma bonita missa celebrada

por Frei Gilberto, que

refletiu sobre a importância

do cuidado com a

água. “Não podemos ter

relações utilitaristas com a

água e pensar em cuidar

dela somente quando ela

está acabando ou quando

sentimos falta para alguma

atividade. É preciso o

cuidado pelo simples fato

de ela existir, assim como

a água, nosso cuidado e

carinho deve ser para com

toda a natureza”, refletiu o

Frei.

Matéria: Movimento Pela Soberania

Popular na Mineração (MAM)

Disponível em:

facebook.com/ MAMNacional

Caminhada acontece todos os anos em comemoração à

semana do Dia Mundial da Água

Imagens: Silva Alves, Gilselene Mendes,

Manoela e Associação Franciscana Santa

Maria dos Anjos.


Ciência

Ano 7, n°26 - Pág 4

mais que mel:

A importância ecológica das abelhas

Danilo Santos

Isabella Britto

Júlia Condé

Renato Senra

Colaboração: Fernando

Mendes Barbosa

Você provavelmente

já se deliciou com

a doçura de um dos seus

produtos, ou já utilizou um

dos seus derivados para

curar uma inflamação de

garganta ou até mesmo

sentiu na pele o seu poder

de proteger a sua colmeia.

Estamos falando das

abelhas, que além de produzir

mel e própolis, são

importantes polinizadoras

de plantas nativas e cultivadas.

As abelhas se originaram

no planeta Terra

no período geológico do

Cretáceo, entre 146 e 76

milhões de anos atrás, por

meio da evolução de vespas.

Nesse período, surgiram

os primeiros vegetais

produtores de flores (angiospermas)

e então as

vespas passaram a usar o

pólen como fonte complementar

de alimentos para

larvas.

Polinização é a

transferência de grãos de

pólen das anteras (estrutura

reprodutiva masculina

da flor) para o estigma

(estrutura reprodutiva feminina

da flor), permitindo

a fecundação de plantas.

Ela pode ser feita pela

água, pelo vento e por diversos

animais como beijaflor

e borboletas. As abelhas,

por sua vez, recebem

destaque pela sua capacidade

de polinização, pois

elas coletam o pólen e o

néctar para levar aos ninhos,

quando acontece um

fenômeno chamado forrageio,

em que as abelhas

visitam uma sequência

de flores nesse percurso.

Por isso as abelhas

foram e são de extrema

importância para o aumento

da variabilidade

Imagem: reprodução

genética das angiospermas.

Em 2006 foi observada

nos Estados Unidos

uma síndrome chamada

de colony collapse disorder

(“desordem de colapso de

colônia”, em inglês), onde

as abelhas simplesmente

abandonam suas funções

na colmeia e se afastam

da colônia. Apesar desse

comportamento estranho

já ter sido recentemente

atribuído a infecção por

vírus raro, algumas pessoas

ainda atribuem o impacto

gerado pelo homem

na natureza como causa

de distúrbios comportamentais

em abelhas, o que

preocupa os cientistas,

devido à importância ambiental

destes insetos.

O documentário

“Mais que Mel”, indicado

ao Oscar de 2014 como

melhor filme estrangeiro,

investiga as causas do desaparecimento

das abelhas,

traz em detalhes como

funciona a produção de

mel pelo mundo e alerta

sobre a importância desses

insetos para o meio ambiente,

lembrando que sem a

polinização feita por elas,

a maioria das nossas frutas

e legumes desapareceriam

completamente da Terra.

Imagem: reprodução


Ciência

Ano 7, n°26 - Pág 5

meliponíneos:

as “abelhas sem ferrão”

Imagem: reprodução

As abelhas da tribo

Meliponini, popularmente

conhecidos como abelhas

sem ferrão, são de fundamental

importância para

a preservação da biodiversidade

das plantas

brasileiras, pois são típicas

de regiões tropicais. O

país conta com aproximadamente

250 espécieis de

abelhas Meliponinis.

A criação racional

dessas abelhas recebe o

nome de meliponicultura e,

além do mel, esses insetos

podem fornecer cerume,

própolis e geoprópolis

(EMBRAPA-Meio Norte).

Algumas espécies

destas abelhas podem

produzir aproximadamente

8 litros de mel. O

Brasil possui uma grande

diversidade de abelhas

sem ferrão, com imensa

variedade de comprimento

de língua e preferências

florais. Graças a essas características,

essas abelhas

exercem um papel importante

na preservação da

biodiversidade ao realizar

a polinização em ambientes

naturais.

Além disso, por

apresentarem um ferrão

atrofiado (não usado como

arma de defesa), essas

abelhas são usadas para

se fazer polinização de espécies

vegetais cultivadas

em ambiente fechado de

maneira segura.

Meliponicultura

A espécie jataí é uma das mais conhecidas abelhas sem ferrão

As espécies mais

conhecidas, como jataí,

mandaçaia, manduri, mandaguari

e uruçu, constroem

geralmente seus ninhos em

cavidades existentes em

troncos de árvores. Outras

utilizam formigueiros e cupinzeiros

abandonados ou

constroem ninhos aéreos

presos a galhos ou paredes.

Historicamente,

muitas dessas abelhas sofreram

uma exploração

predatória, com a retirada

do mel sem o manejo correto

e consequente destruição

das colônias, o que

contribuiu para a diminuição

das populações em

algumas regiões.

No decorrer do

tempo, a exploração predatória

cedeu espaço

para a meliponicultura,

que além de permitir a

produção dos diversos tipos

de mel, ainda contribui

para a conservação das

diferentes espécies.

Depois de conhe-

Exemplo de meliponicultura

cer mais sobre as abelhas,

é possível perceber que a

preservação desses insetos

é de extrema importância

para a manutenção da

biodiversidade no planeta,

para a indústria farmacêutica

e alimentícia, além de

gerar muitos empregos e

movimentar a economia

brasileira. Mais uma vez,

a natureza mostra que é

preciso preservá-la sempre.

Imagem: reprodução


Entrevista

Ano 7, n°26 - Pág 6

Cores que salvam vidas: a importância das campanhas

de prevenção a cânceres

Fernanda Rebellato

Helaindo Júnior

Isabela Paes

O câncer é uma

das doenças que mais matam

no Brasil. Segundo o

Instituto Nacional do Câncer,

estima-se que, em

2016, foram 596 mil novos

casos, sendo 295.200

casos entre os homens e

300.800 entre as mulheres.

Os cânceres que

mais afetam as mulheres e

os homens são o de mama

e o de próstata, respectivamente.

Segundo a médica

oncologista clínica, Luciana

Cássia Martins Costa, do

Centro Oncológico do Hospital

São João Sebastião

de Viçosa, as campanhas

como Outubro Rosa e Novembro

Azul conscientizam

sobre a necessidade de

prevenção e diagnóstico

precoce de tumores.

No Outubro

Rosa, diversas entidades

no Brasil e no mundo

chamam a atenção da

população sobre a importância

de realizar o

diagnóstico do câncer de

mama na fase inicial de

um modo simples e belo,

por meio da cor rosa, também

ressaltando que o tumor

na mama pode ocorrer

em homens, porém com

frequência muito menor. A

campanha Novembro Azul,

por sua vez, é destinada

à conscientização dos homens

sobre a importância

da prevenção de doenças,

com ênfase para

o diagnóstico precoce

do câncer de próstata.

Para falar sobre

importância da conscientização

do câncer, a

médica Luciana respondeu

a algumas perguntas,

esclarecendo um

pouco mais sobre o tema.

Quais impactos as campanhas

“Outubro Rosa”

e “Novembro Azul” têm

sobre a população?

Através da divulgação de

informações sobre ambos

os tumores, a população

tem se tornado mais

consciente e esclarecida

sobre a realidade do

câncer de mama e próstata,

os quais são o segundo

tipo de tumor mais incidente

no sexo feminino e masculino,

respectivamente.

É possível notar uma

maior preocupação com

a prevenção e o diagnóstico

por parte dos

pacientes?

A doença tem sido desmistificada

e com isso está

ocorrendo uma mudança

de paradigma, principalmente

em relação à ida

dos homens ao médico.

Consequentemente a

população tem buscado

os métodos de detecção

precoce e o diagnóstico

está ocorrendo em uma

fase muito mais inicial que

no passado. No câncer de

mama, especialmente, isso

tem reduzido muito a mortalidade

e aumentado as

chances de cura.

Qual a importância dos

exames de prevenção no

tratamento do câncer?

A importância dos exames

de prevenção é o diagnóstico

precoce do câncer

de mama e próstata, aumentando

as chances de

cura.

Existem hábitos que

podem diminuir a

propensão ao câncer?

Existem vários fatores de

risco para o câncer, entre

eles os fatores genéticos

e ambientais. Em relação

aos últimos, cada um de

nós pode modificá-los e

com isso contribuir para a

diminuição das chances de

um possível câncer. Alguns

hábitos de vida adotados

contribuem para a

redução da incidência

do câncer. Podemos citar:

• Evitar o tabagismo ativo

e passivo;

• Evitar o consumo excessivo

de bebidas alcóolicas;

• Praticar atividade física

regularmente;

• Evitar exposição excessiva

ao sol;

• Evitar a obesidade;

• Ter uma alimentação

rica em frutas, verduras,

legumes e fibras;

• Evitar consumo de alimentos

enlatados, embutidos

e defumados;

• Adotar precauções para

evitar a infecção por

alguns tipos de microrganismos

como: H. pylori,

vírus da hepatite B e C,

HIV, HTLV, Herpesvírus e

HPV;

• Adotar hábitos sexuais

saudáveis, como o uso do

preservativo para evitar

doenças sexualmente

transmissíveis; e

• Evitar contato com

agrotóxicos (pesticidas,

defensivos agrícolas e

outros), amianto e sílica.

A partir de qual idade o

acompanhamento médico

torna-se necessário?

Todas as mulheres podem

realizar o auto-exame

regularmente, em todas as

idades, à procura de nódulos

ou caroços nas mamas

e axilas. Para o câncer de

mama deve ser realizada

a mamografia a partir de

40 anos, anualmente, e

todas as mulheres a partir

dessa idade devem ter

suas mamas examinadas

pelo médico. Em algumas

mulheres com histórico familiar

sugestivo de câncer

de mama hereditário estas

recomendações podem

ser antecipadas a

critério médico. No câncer

de próstata recomenda-se

o exame de sangue para

dosar o PSA e o toque retal

para avaliar a próstata

anualmente a partir

de 50 anos ou, a partir

de 45 anos, em casos

de fatores de risco mais

elevados para a doença.


Serra do Brigadeiro Ano 7, n°26 - Pág 7

solo: o reflexo de sua

composição na vegetação do PESB

Ítalo Bianchini

Paula Sudré

Raíssa Castro

Na construção de

edificações, como casas e

prédios, o alicerce básico é

aquilo sobre o qual toda a

estrutura será assentada. Do

mesmo modo que esta base é

essencial ao desenvolvimento

de um projeto arquitetônico,

os solos são a base das florestas,

alicerces fundamentais

para o desenvolvimento de

florestas, cada uma com suas

próprias características de

fauna e flora, de acordo com

a composição do solo.

Os solos constituem a

camada mais superficial da

crosta terrestre, sendo formados

basicamente por aglomerados

minerais e matéria

orgânica oriunda da decomposição

de animais e plantas

e, ainda, da ação de microrganismos.

Segundo a engenheira

geológica, Cristina

Carole Muggler, professora

do Departamento de Solos

da Universidade Federal de

Viçosa, o solo constitui a base

da vida, o qual está associado

às consequências dos

próprios fenômenos biológicos.

Esse pensamento provém

da ideia dos solos como base

dos ecossistemas, bem como

da relação destes com uma

grande variedade de microrganismos,

muitos ainda

desconhecidos. Esses microrganismos

contribuem ativamente

na manutenção tanto

dos solos, como do ecossistema

em si, ainda que muitas

vezes passem despercebidos

em análises superficiais.

No Parque Estadual

da Serra do Brigadeiro

(PESB), onde está localizado

o bioma da Mata Atlântica,

no domínio dos “Mares

de Morros” que, geologicamente,

temos a presença

de vários tipos de solos em

um embasamento cristalino.

Os solos encontrados no

PESB são originados de um

tipo de rocha antiga chamada

de gnaisse, que tem origem

metamórfica, resultante

da deformação de sedimentos,

como granitos, e composta

por diversos minerais de

nomes esquisitos, como plagioclásio,

feldspato potássico,

quartzo e biotita. Essas rochas

são amplamente empregadas

nas construções e pavimentações,

como brita, bem

como para ornamentação.

No PESB são encontrados

tanto solos antigos,

quanto solos considerados

“novos” e rasos. Os principais

tipos são: cambissolos, neossolos,

latossolos e argissolos.

Os cambissolos são solos rasos

assentados sobre rochas.

São constituídos por material

mineral e com textura

argilosa. Os neossolos, por

sua vez, são constituídos por

material mineral ou orgânico

e de pequena espessura,

sendo definidos pela Embrapa,

em 2006, como solos

pouco evoluídos e sem a

presença de horizonte diagnóstico,

isto é, sem grandes

atributos especificos. Os

neossolos apresentam características

básicas ou ácidas

Solo do PESB.

Disponível em: bibocaambiental.blogspot.com.br/2012/07/a-rainha-das-florestas-parte-1.html

e altos teores de alumínio e

de sódio, enquanto latossolos

são solos minerais homogêneos,

profundos, com textura

argilosa e, geralmente, acidez.

Os argissolos são solos

mais profundos, também com

textura argilosa e baixos

teores de matéria orgânica.

Os solos do PESB são

caracteristicamente pobres

em nutrientes, possuindo, por

sua vez, boa estrutura física.

Essas características podem

ser constatadas pela grande

diversidade de vegetação,

uma vez que essa ocorrência

depende dos tipos de solos

presentes. Um exemplo disso

são os campos rupestres ou

de altitude, que se caracterizam

por possuir pouco solo

e, ainda assim, possuírem

uma vegetação adaptada

às condições oferecidas.

Outro exemplo é a ocorrência

de plantas maiores e

mais bem estruturadas em

regiões com solos profundos.

Pode-se ressaltar

que a vegetação de um determinado

local varia de

acordo com uma série de características

ambientais, tais

como clima, incidência solar,

umidade, disponibilidade de

matéria orgânica, presença

de nutrientes, entre outros, não

dependendo apenas do solo.

Uma vez que a constituição

dos solos reflete diretamente

na vegetação é imprescindível

o estímulo à conservação

dos mesmos, de modo

que a atuação humana no

meio seja harmônica e sempre

com o intuito de proteção.


Turismo

Iorrana Vieira

Graziela Paulino

O frequente desenvolvimento

tecnológico e

científico permite ao homem

alcançar objetivos que antes

pareciam impossíveis. A

ciência e a tecnologia revolucionaram

a vida humana

em vários aspectos, como

por exemplo a facilidade

na comunicação humana, a

melhoria na saúde e no bem

estar, o aperfeiçoamento

dos meios de transporte que

nos ajudam a vencer as barreiras

geográfica. Tudo isso

se tornou possível graças aos

avanços tecno-científicos.

Ao transformarmos a

natureza para atender nossas

necessidades e desejos,

devemos nos preocupar com

as consequências que nossas

ações trazem para a vida

de outros seres vivos, desde

as plantas aos organismos

microscópios, pois tais seres

também precisam dos recursos

disponíveis no meio ambiente

para sobreviver. A vida

depende do equilíbrio natural,

para se manter e perpetuar.

E tal equilíbrio está

cada vez mais ameaçado

pelo avanço da sociedade

moderna, quando o mesmo

não é pautado em respeito e

responsabilidade ecológica.

Pensando nisso, o

atual líder da igreja católica,

Papa Francisco, escreveu

importantes considerações

em sua encíclica: Laudato Si.

Essa carta fala sobre o relacionamento

entre homem

e natureza. As palavras do

Papa não são dirigidas apenas

aos cristãos, mas é um

apelo a toda humanidade

e principalmente às autoridades

governamentais e tecnológicas.

O Papa Francisco

enfatiza em sua encíclica as

ações ambientais que devem

e podem ser realizadas, a

fim de corrigir e minimizar os

efeitos negativos do desenvolvimento

técnico-cientifico.

Além disso, faz uma profunda

reflexão sobre a situação

ecológica atual.

Diante de toda

essa preocupação e apelo,

a Paróquia Nossa Senhora

Aparecida, localizada no

Munícipio de Carangola, em

Minas Gerais, através de

seus líderes e colaboradores

e com o apoio de funcionários

do Parque estadual da

Serra do Brigadeiro, estabeleceu

durante a II Assembleia

Paroquial, em 2015,

metas a serem cumpridas no

ano de 2016. Essas metas

incluem: diminuir o uso de

materiais descartáveis, de

forma gradual e progressiva,

até que todo o seu uso seja

extinto; produção de folders,

panfletos e outros materiais

para conscientizar a todos;

leituras da encíclica de modo

a divulgar o seu conteúdo

para que haja uma melhor

conscientização; plantio de

5000 árvores; realização de

sorteio de mudas frutíferas

nas missas, além de visitas ao

PESB para se obter um contato

maior com a natureza,

despertando nos visitantes o

desejo de se ter maior cuidado

com um meio ambiente.

Levando em conta

as metas propostas pela

Paróquia, a equipe do PESB

juntamente com o Pároco

Willis de Oliveira Gama

elaboraram algumas atividades

que foram desenvolvidas

ao longo do ano para um

total de 56 representantes

da Paróquia. Foram realizadas

diversas atividades como

o acolhimento, o piquenique

sustentável, a missa campal,

o plantio de uma árvore,

caminhadas nos espaços de

acolhimento e de interação

do Parque.

De acordo com a

monitora ambiental do PESB,

Laurielen Gurgel Pacheco, as

comunidades que pertencem

à paróquia estão engajadas

nessas ações e foi possível

notar uma consciência ambiental

muito grande nesses

encontros. Muitos levaram

seus copos ou canecas e não

foram encontrados lixos após

Ano 7, n°26 - Pág 8

laudato si: o cuidado com a casa comum

A encíclica papal vivenciada no território Serra do Brigadeiro

Plantio da árvore – Fonte: Arquivo do PESB

os eventos. São pequenas

atitudes como essas que em

grande escala fazem total

diferença.

Se você, leitor, não

sabe por onde começar, sugerimos

a leitura da Encíclica Papal,

pois a mesma nos traz diversas

reflexões e senso crítico

acerca do assunto, além de

nos encorajar a mudança

de ações perante a crise

ecológica. O cuidado da

casa comum é dever de toda

humanidade. A nossa vida e

tudo o que amamos e conhecemos,

depende do cuidado

que temos com o planeta que

nos abriga e nos oferece gratuitamente

o dom da vida.

Missa campal. – Fonte: Arquivo do PESB

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