Revista Março 2018 Final final

cristiano149090

Março /2018

Mariana

Revista Histórica e Cultural


“ Aos doces afagos da voz dos meus filhos,

Mais bela que outrora, eu irei ressurgir.”

A Revista Mariana Histórica e Cultural é uma publicação eletrônica da

Associação Memória, Artes, Comunicação e Cultura – AMACULT de

Mariana. O periódico mensal tem por objetivo divulgar matérias, artigos,

ensaios, entrevistas e resenhas sobre a cultura e história de Mariana, a

primeira cidade de Minas Gerais.

A revista é uma vitrine para publicação de trabalhos de pesquisadores.

Mostrar a cultura de uma forma leve, histórias e curiosidades que marcaram

a fantástica do - Primeiro descobrimento, primeira vila, primeira

cidade, primeiro bispado e arcebispado, primeira comarca judiciária,

primeira câmara municipal, primeira cidade na instalação da primeira

escola primária e normal, primeira Capital de Minas, primeira, finalmente,

onde se instalou o primeiro Correio Ambulante, tornando-se a pioneira no

setor das comunicações, em Minas Gerais.

A Revista Histórica e Cultural Revista é um passo importante para a

divulgação e pesquisa de conteúdos sobre a cidade de Mariana.

Esperamos que os textos publicados possam contribuir para a formação

de uma consciência de preservação e incentivem a pesquisa.

Os conceitos e afirmações contidos nos artigos

são de inteira responsabilidade dos autores.

Colaboradores:

Prof. Cristiano Casimiro

Prof. Vitor Gomes

Agradecimentos:

Arquivo Histórico da Municipal Câmara de Mariana

IPHAN - Escritório Mariana

Arquivo Fotográfico Marezza

Museu da Música de Mariana,

Fotografias:

Cristiano Casimiro, Vitor Gomes, César do Carmo e

Caetano Etrusco e Arquivo Marrrezza - Marcio Lima

Diagramação e Artes: Cristiano Casimiro

Capa: Passo da Cadeia - Casa de Câmara e Cadeia de Mariana.

Imagem Departamento de Comunicação da Câmara -

Arte Cristiano Casimiro

Associação Memória Arte Comunicação e Cultura

CNPJ: 06.002.739/0001-19

Rua Senador Bawden, 122, casa 02


Indice

A História da Devoção a Nosso Senhor dos Passos

Os passos da Paixão de Cristo em Mariana

04

Tijolo de Adobe

Técnica construtiva no período colonial

Frutuoso de Matos Couto

Contribuição para memória da música Marianense.

16

22

Alterações Toponímica de Mariana

Legislação que mudou o nome dos lugares na cidade de Mariana

28

Photo Carmo - César do Carmo

Santa Ceia - Manoel da Costa Athaide - Colégio do Caraça -Foto: Cristiano Casimairo


Teto da sacristia da igreja São Francisco de Assis de Mariana Foto Márcio Lima


Os Passos da

Paixão de

Cristo

Passo da cadeia (Casa de Câmara) foto: Arquivo Câmara de Mariana - Arte: Cristiano Casimiro


de Cristo

Os Passos da

Paixão de Cristo

Cristiano Casimiro - baseado na ficha documental fundação João Pinheiro 1959

Nosso Senhor dos Passos é uma invocação

de Jesus Cristo e uma devoção especial na

Igreja Católica, que faz memória ao trajeto

percorrido por Jesus Cristo desde sua

condenação à morte no pretório até o seu

sepultamento, após ter sido crucificado no

Calvário.

A história desta devoção remonta à Idade

Média, quando os cruzados visitavam os

locais sagrados de Jerusalém por onde

andou Jesus a caminho do martírio, e

quiseram depois reproduzir espiritualmente

este caminho quando voltaram à Europa

sob forma de dramas sacros e procissões,

ciclos de meditação, ou estabelecendo

capelas especiais nos templos.

No século XVI se fixaram 14 momentos

principais deste trajeto, embora o número

tenha variado na história do catolicismo de

07 a 39. Estes pontos principais são chamados

de as estações ou os passos da Paixão

de Cristo ao longo da Via Sacra ou Via

Crucis.

A origem e o significado da expressão “dos

Passos”, que caracteriza o título desta

devoção tão próxima do coração do nosso

povo Marianense. A primeira significação

que nos vem à mente é a dos “passos”

dolorosos, dados pelo Senhor Jesus, com a

Cruz às costas, rumo ao monte Calvário.

Mas a palavra “passo”, mesmo, qual é sua

etimologia na língua de origem, o latim? no

“Dicionário Latino-Português”, de Saraiva,

encontro a resposta: “passo” vem do termo

“passus”, o qual, porém, vem de um de

dois verbos possíveis: do verbo pando,

pándere, que significa “estender”, “abrir”, e

do verbo pátior, páti, que significa “padecer”,

sofrer. Do verbo pándere temos o

substantivo passus, da quarta declinação,

que significa “passo”, “passada”, o movimento

de um pé após o outro ou a distância

percorrida por esse movimento. Já do verbo

depoente páti vem o particípio passado

passus, que significa “aquele que padeceu,

que sofreu”. Assim, no original latino do

Credo: sub Pontio Pilato passus, “padeceu

sob Pôncio Pilatos”.

Na expressão “passos da Paixão” temos a

fusão dos dois sentidos: são “passos dolorosos”,

“passos sofridos”, não só os dados

pelos pés, mas os diversos episódios que

constituem a Paixão do Senhor.

Procissão do Encontro em Mariana - César do Carmo


Origem

Pelos anos de 1585, vivia em Lisboa um

pintor chamado Luiz Alvares de Andrade .

Luis Alvares era conhecido pela sua devoção

em colocar retábulos das almas do

purgatório, já pintados em madeira, já em

azulejos, pelas ruas da cidade, para solicitar

as orações dos fieis em beneficio dos que

sofriam as penas do purgatório.

Sabendo que na Espanha se faziam procissões

na quaresma, representando os

passos da paixão de Jesus Cristo, pediu ás

autoridades eclesiásticas que entre os

portugueses fosse também instituída a

devoção.

Havia no claustro do Mosteiro de São Roque

em Lisboa, uma capela da invocação da

Santíssima Cruz, e havia um grupo de

devotos, na maior parte artistas, que frequentavam

muito os sacramentos da confissão

e comunhão.

demanda aos Gracianos, fundando-se em

um pretendido direito de prioridade á imagem

por lhes ter sido oferecida em primeiro

lugar.

Debatida a questão nos tribunais, foi resolvido

que ficassem os Gracianos na posse da

imagem, sob a condição de disponibilizá-la

na vigília da segunda sexta-feira de quaresma,

no para o Mosteiro de São Roque,

ficando a pertencer-lhe se pernoitasse

n'este templo além de sexta-feira.

Desde 1578 até hoje a procissão acontece,

quaisquer que sejam as circunstâncias em

que se ache a cidade de Lisboa, e sempre

com o cuidado de não deixarem a imagem

no Mosteiro de São Roque, além do termo

da prescrição.

Luiz Alvares de Andrade comprou uma

cabeça de Jesus Cristo, por três cruzados,

de um escultor Italiano , e a foi oferecer aos

Jesuítas do Mosteiro de São Roque, para

com ela formarem a confraria dos Passos, o

que eles rejeitaram. Alvares foi fazer a

mesma proposta aos Frades Gracianos

(Ordem de Santo Agostinho), que prontamente

a aceitaram. Fizeram uma Imagem

de roca ( Corpo de armação ripas de madeira

e cabeças e mão esculpidas em madeira))

e vestiram a imagem, colocando-a no altar

que lhe destinaram e onde hoje a vemos,

erigindo-lhe irmandade, na qual se inscreveu

a família real e a mais alta nobreza do

reino Português. A imagem foi denominada

Senhor dos Passos das Graças.

Vendo os jesuítas a grande devoção criada

por a imagem do Senhor dos Passos da

Graça, e, sobre tudo, as grandes esmolas e

ofertas que a igreja recebia, moveram

Passo da Cadeia ( Casa de Câmara) - Cristiano Casimiro

07


Passo da Ponte de Areia - Cristiano Casimiro


Estações

Nosso Senhor dos Passos é uma invocação

de Jesus Cristo e uma devoção especial na

Igreja Católica a ele dirigida, que faz memória

ao trajeto percorrido por Jesus Cristo

desde sua condenação à morte no pretório

até o seu sepultamento, após ter sido

crucificado no Calvário. A história desta

devoção remonta à Idade Média, quando os

cruzados visitavam os locais sagrados de

Jerusalém por onde andou Jesus a caminho

do martírio, e quiseram depois reproduzir

espiritualmente este caminho quando

voltaram à Europa sob forma de dramas

sacros e procissões, ciclos de meditação,

ou estabelecendo capelas especiais nos

templos. No século XVI se fixaram 14

momentos principais deste trajeto, embora

o número tenha variado na história do

catolicismo de sete a 39. Estes pontos

principais são chamados de as estações ou

os passos da Paixão de Cristo ao longo da

Via Sacra ou Via Crucis. São eles:

I. Jesus é condenado à morte

II. Jesus carrega a cruz às costas

III. Jesus cai pela primeira vez

IV. Jesus encontra a sua Mãe

V. Simão Cirineu ajuda Jesus a carregar a

cruz

VI. Verônica limpa o rosto de Jesus

VII. Jesus cai pela segunda vez

VIII. Jesus encontra as mulheres de

Jerusalém

IX. Terceira queda de Jesus

X. Jesus é despojado de suas vestes

XI Jesus é pregado na cruz

XII. Morte de Jesus na cruz

XIII. Descida do corpo de Jesus da cruz

XIV. Sepultamento de Jesus

Passo da Ponte de Areia - Cristiano Casimiro

Esta invocação se tornou muito popular em

alguns países como Portugal e Brasil,

dando origem a rica iconografia e onde

existem inúmeras igrejas fundadas sob sua

proteção, e na Quaresma são realizadas

procissões especiais chamadas de

Procissão dos Passos ou Procissão do

Encontro.

09


Passo da Rua Dom Viçoso - Cristiano Casimiro


Simbologia

A imagem de Nosso Senhor dos Passos, ou

Senhor Bom Jesus dos Passos ou ainda

simplesmente "Senhor dos Passos" tem

significados belos e profundos na iconografia

cristã. Ela relembra o trajeto que Jesus fez

carregando a cruz, da Fortaleza Antônia até o

Calvário, onde foi crucificado, na cidade de

Jerusalém.

A coroa de espinhos

A coroa de espinhos sobre a cabeça de Jesus

simboliza as humilhações que ele sofreu por

parte dos soldados romanos que o torturaram

antes de sua morte. Jesus, sendo o rei dos

reis, recebeu uma coroa de espinhos como

sinal de humilhação e zombaria. Porém,

como diz o profeta Isaías, "Ele não abriu a

boca".

A túnica roxa do Senhor dos Passos

A túnica roxa de Nosso Senhor dos Passos

simboliza todo o sofrimento assumido por

Jesus. Ele é o Senhor dos Passos, ou seja,

aquele que assumiu o sofrimento total em

favor da humanidade.

A cruz do Senhor dos Passos

A cruz do Senhor dos Passos é o símbolo

maior dos sofrimentos que Jesus Cristo

assumiu. Ela simboliza o pecado da humanidade,

que Jesus tomou sobre seus ombros e

carregou até o fim, como profetizou Isaías

700 anos antes: . "Em verdade, ele tomou

sobre si nossas enfermidades, e carregou os

nossos sofrimentos: e nós o reputávamos

como um castigado, ferido por Deus e humilhado.

Mas ele foi castigado por nossos

crimes, e esmagado por nossas iniqüidade; o

castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos

curados graças às suas chagas." (Is 53, 4-

5)No tempo de Cristo, a morte na cruz era o

pior castigo que existia, dado somente a

bandidos e malfeitores. Jesus, por livre e

espontânea vontade quis ser morto na cruz

para que, através desta morte, a humanidade

fosse salva.

Passo da Rua Dom Viçoso - Cristiano Casimiro

11

As cordas

As cordas no Senhor dos Passos nos lembram

que, no caminho do calvário, Jesus foi

amarrado a outros dois malfeitores também

condenados. Esta era a maneira pela qual os

romanos levavam os condenados para serem

crucificados: amarrados uns aos outros.

Oração a Nosso Senhor dos Passos

"Ó Jesus, relembro tua Paixão, teu Calvário,

tuas dores. Olhando as imagens do Senhor

carregando a Cruz. Imagem com a qual te

invocamos sob o título de Nosso Senhor dos

Passos e veneramos como símbolos de teu

sacrifício e representação de teu ato de amor

salvífico, que foi teu sacrifício na cruz, te

pedimos como teu discípulo Pedro: Senhor,

salva-nos. Salva-nos por tua Cruz, Salva-nos

por teu sangue; salva-nos por tua misericórdia;

salva-nos por teu amor e cura-nos de

nossas feridas tanto físicas quanto espirituais,

emocionais e psíquicas. Amém."


Passo da Rua Direita - Cristiano Casimiro


O Senhor dos Passos em Mariana.

A construção dos chamados passos da

paixão se deveu, sem dúvida, à Irmandade

do Senhor dos Passos. Esta confraria foi

criada na Vila de Nossa Senhora do

Ribeirão do Carmo (Mariana) entre 1708 e

1079.

Dos primeiros passos, o único remanente é

o Passo conhecido como da “ Ponte de

Tábuas”, que corresponde a episódio do

Horto das Oliveiras. O Passo conhecido

como da cadeia, embora não atingido pelas

inundações de 1743, foi substituído no final

do século XVIII. O passo da Cadeia, que era

localizado entre a atual Praça Cláudio

Manoel (Praça da Sé) e as margens do

Ribeirão do Carmo, foi construído no ano de

1720 foi demolido entre 1792 e1793, quando

José Pereira Arouca, já estava construído,

a segunda etapa, do novo prédio da

Casa de Câmara e Cadeia. O novo Passo da

Cadeia foi construído atrás do prédio da

Câmara e é um dos mais bem preservados

de Mariana.

A dada foi obtida em um documento de um

pleito Judicial, em julho de 1747, entre A

Irmandade do Senhor dos Passos e a

Irmandade de Nossa Senhora do Rosário

dos Pretos (Rosário Velho – Hoje Capela de

Santo Antônio) sobre: onde iria ficar depositado

a imagem do Senhor dos Passos nas

procissões anuais da Semana Santa. Neste

documento, há uma citação que a

Irmandade do Senhor dos Passos já existia

na localidade a mais de 40 anos, portanto,

desde de antes de 1711, ano da criação da

vila.

Até 1743, o trajeto da Procissão dos Passos

correspondia ao percurso entre ao Igreja do

Rosário Velho (Capela de Santo Antônio) e a

Matriz (Catedral). Ao longo deste itinerário

foram construídos os primeiros passos. No

ano de 1743 ocorreu uma grande inundação

do Ribeirão do Carmo, ocasionando grande

destruição na rua principal da vila, por onde

passava a procissão.

Nos dois anos seguintes 1744 e 1745, a

tradição da procissão dos Passos foi interrompida.

Em 1746 a procissão foi retomada

com um itinerário diferente, seguiu da

Capela de São Gonçalo para a Matriz.

Com a construção da Cidade de Mariana e o

nova planta traçada pelo Sargento-Mor e

engenheiro-arquiteto José Fernandes Pinto

Alpoim, houve uma mudança na trajetória

da procissão e novos passos foram construídos.

13

Assim, à exceção do passo do Rosário ou da

Ponte de Tábuas (Horto das Oliveiras), os

demais podem ser dados como originalmente

construídos após 1749 ou melhor, após o

novo arrumamento da cidade.

Passos em do Centro Histórico

de Mariana:

01. Passo do Rosário ou Ponte de

Tábuas

Corresponde ao Episódio do Horto das

Oliveiras representa o tema de agonia no

Jardim das Oliveiras, marco inicial da

Paixão relatada pelos evangelistas Lucas,

Marcos e Mateus.

02. Passo da Ponte de Areia

Corresponde a episódio da flagelação

representa a flagelação de Jesus, também

conhecido como Cristo na coluna. É a quarta

estação da versão moderna.

03. Passo da Rua Direita

Corresponde ao Espósito da coroação de

Espinho ou Cana Verde representa àpassagem

do evangelho que diz que os soldados

coroaram jesus e colocaram uma cana ou

vara em sua mão, para zombar dele. Para

lembrar os sofrimentos do salvador, as

imagens que mostram jesus carregando

uma cana com a coroa na cabeça.

04. Passo da Rua Dom Silvério

Corresponde ao episódio do Pretório representa

Jesus Cristo, na varanda de Pôncio

Pilatos, denominado "Ecce Homo" (Eis o

Homem), está relacionado ao julgamento e

apresentação de Jesus diante do Pretor

(Governador da Roma Antiga), daí ser

denominado também de "Pretório".

05. Passo da Rua Dom Viçoso

Corresponde ao Episódio da Cruz às Costa

de Jesus representa Jesus carregando a

cruz a caminho da sua crucificação é um

episódio da vida de Jesus relatado nos

quatro evangelhos canônicos.


Passo da Ponte de Tábuas - Cristiano Casimiro


Nossa Senhora das

Dores

Conta a história do encontro do Nosso

Senhor dos Passos com a Nossa

Senhora das Dores.

A devoção à Nossa Senhora das Dores

tem origem na tradição que conta o

encontro de Maria com seu filho Jesus,

a caminho do Calvário.

Ao ver o amado filho carregando a

pesada cruz, torturado e sofrido,

coroado de espinhos e ensangüentado,

a dor da Mãe de Deus foi tão profunda

que nos faz refletir até hoje sobre as

nossas próprias dores.

Maria ao seu Senhor.

As Sete Dores de Maria:

1 – A profecia de Simeão.

2 – A fuga com o Menino para o Egito.

3 – A perda do Menino no templo, em

Jerusalém.

4 – O encontro com Jesus no caminho

do calvário.

5 – A morte de Jesus na cruz .

6 – A lançada no coração e a descida de

Jesus da cruz .

7 – O sepultamento de Jesus e a solidão

de Nossa Senhora .

Nos primórdios da Igreja, a festa era

celebrada com o nome de Nossa

Senhora da Piedade e da Compaixão.

No século XVIII, o papa Bento XIII

determinou, então, que se passasse a

chamar de Nossa Senhora das Dores.

A ordem dos servitas foi responsável

por criar uma devoção especial

conhecida como “As Sete Dores de

Nossa Senhora”, que nos lembram os

momentos de sofrimento e entrega de

Procissão do Encontro em Mariana - César do Carmo


ADOBE

Solar na Praça Minas Gerais, onde morou o Monsenhor Alípio, posteriormente, residência da Família Andrade. Hoje SCOTCH BAR

Igreja NS do Rosário de Padre Viegas - Marezza PHOTO


ADOBE


A História do Tijolo de Adobe

Cristiano Casimiro

A palavra Adobe /əˈdoʊbiː/ existe a mais de

4.000 anos, com uma ou outra diferença na

pronuncia ou na forma de escrever. A

palavra foi cunhada no Egito antigo para

designar um tijolo de barro seco ao sol. Os

romanos, também, conheciam a técnica de

tijolos de barro. Os Coptas no Egito

chamavam de “Tobe”( tijolo de barro). Os

árabes deram o nome ao tijolo de barro de

“Al Tube” (o tijolo), este mesmo, árabes

introduziram a técnica de tijolo de barro na

península Ibérica. Na Espanha ficou

conhecido como Abdobe (Al dobe), e é

assim que conhecido atualmente o tijolo de

barro que é seco ao sol.

É considerado um dos antecedentes

históricos do tijolo e seu processo

construtivo é uma forma rudimentar de

alvenaria. Adobes são tijolos de terra crua,

água e palha e algumas vezes outras fibras

naturais, moldados em formas por processo

artesanal ou semi-industrial.

Um dos mais antigos materiais de

construção foi amplamente utilizado nas

civilizações do crescente fértil, em especial

no Antigo Egito e Mesopotâmia.

O adobe foi inserido no Brasil pelos

portugueses no período colonial. O ideal

consistia em usar as grossas paredes como

alternativa de defesa para o intenso calor. A

dificuldade de se conseguir outros materiais

construtivos e grande quantidade de

matéria prima disponível consolidou sua

utilização. Para a produção do adobe era

utilizada primordialmente mão de obra

escrava e a técnica atravessou gerações

decorrendo até os dias atuais.

Nas construções em alvenaria no período

colonial brasileiro, ele seria reservado para

partes secundárias, contudo, igrejas

inteiras puderam ser construídas em adobe

como, por exemplo, a Matriz Nossa

Senhora de Nazaré de Santa Rita Durão,

e m M a r i a n a , A d u r a b i l i d a d e d o

c o m p o n e n t e é c o m p r o v a d a p e l a

persistência desses exemplares e suas

boas condições físicas após o decorrer dos

séculos. A técnica foi amplamente difundida

e aprimorada em toda parte do Brasil.

Construídos com barro e palha (tal como

nos é descrito na Bíblia, no livro do Êxodo),

os tijolos de adobe eram muito utilizados

pelas técnicas quotidianas de construção,

ainda que grandes monumentos destas

c i v i l i z a ç õ e s a e l e r e c o r r e s s e m .

E f e t i v a m e n t e , o s z i g u r a t e s ( n a

Mesopotâmia) e as mastabas (no Egito)

foram feitos essencialmente com tijolos de

adobe, utilizando basicamente as mesmas

técnicas de construção utilizadas em

edifícios "menos nobres". A antiga cidadela

de Arg-é Bam, em Bam, cidade da província

Kerman no sudeste do Irã é a maior

construção em adobe do mundo construída

em 500 a.C.

O adobe foi utilizado em diversas partes do

mundo, especialmente nas regiões quentes

e secas. Com o advento da industrialização

no século XIX, as técnicas em arquitetura

de terra foram, aos poucos, sendo

abandonadas.

18

Detahe Scotch Bar - Alphonsus Morais


igrejas (Nossa Senhora de Nazaré e Rosário). A primeira capela que serviu de matriz foi construída pelo

sargento-mor Paulo Rodrigues Durão (pai do poeta Frei José de Santa Rita Durão) e benta a 28 de maio

de 1729. Em 1766, Domingos Francisco Teixeira arrematou diversas obras “de carpinteiro e pedreiro”

junto à Irmandade do Santíssimo Sacramento. Sabe-se também que a autoridade episcopal concedeu

licença para reedificar a capela-mor em 1779, e no ano seguinte foram estabelecidos o orçamento e as

“condições” da obra por José Pereira Arouca. A igreja foi construída de madeira, adobe e taipa, e possui

duas sacristias laterais.


A Matriz de Santa Rita Durão, atualmente

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré,

no município de Mariana, Minas Gerais, é

datada da primeira metade do século XVII,

representando um dos mais antigos

exemplares do estado. A edificação é

também constituída em alvenaria de pedra e

apresenta uma organização espacial

retangular. Detendo as características

formais de composição da arquitetura

religiosa do período, a planta da igreja

apresenta uma nave, sacristia, capela na

lateral direita, capela-mor e cômodos na

lateral esquerda.

A construção feita com este tijolo torna-se

muito resistente, e o interior das casas muito

fresco, suportando muito bem as altas

temperaturas. Em regiões de clima quente e

seco é comum o calor intenso durante o dia e

sensíveis quedas de temperatura à noite, a

inércia térmica garantida pelo adobe

minimiza esta variação térmica no interior da

construção.

As construções de adobe devem ser

executadas sobre fundações de pedra

comum, xisto normalmente, cerca de 60 cm

acima do solo, para evitar o contato com a

umidade ascendente (infiltração), que

degradaria o adobe. Da mesma forma é

importante a construção de coberturas com

beirais a fim de proteger as paredes das

águas de chuva.

As paredes devem ser revestidas para maior

durabilidade.

É recomendada a construção de adobe no

período de seca, pois o tijolo não deve ser

exposto à chuva durante o processo de cura,

uma vez que a argila dissolve-se facilmente.

No entanto, depois da construção coberta,

ele resiste sem problema algum, com

grande durabilidade.

Vantagens do uso do adobe:

Ÿ

Ÿ Baixo custo

Ÿ Conforto térmico

Ÿ Uso de material regional

Ÿ Pode ser preparado no próprio local da

construção

Ÿ Rapidez na preparação dos tijolos

Ÿ Sustentável

Ÿ Preparação

Detahe ADOBE - Alphonsus Morais


Batuta - Vitor Gomes

Frutuoso de

Matos Couto


Cópia Musicai d Frutu d Mat Cout sua

contribuiçõe par Memóri d Músic Marianens

Em tempos passados a escuta musical

nunca possibilitou, de tantas maneiras e

com tanta facilidade, o acesso a tão diversas

manifestações culturais como nos dias

atuais. Nesta “era digital” na qual se acentuam

os avanços tecnológico-digitais provenientes

da Terceira Revolução Industrial, as

práticas musicais seguem ganhando novos

significados decorrentes da consolidação

do ciberespaço, em decorrência da informatização

e da internet.

Há aspectos importantes a serem considerados

no consumo da música que ganha

certo destaque neste tempo. Um primeiro

aspecto passa pela chamada vivência em

“redes sociais”, na qual se destaca a criação

de perfis próprios dos sujeitos e instituições

que integram essas redes. Num outro

aspecto, a maneira como essa música é

realizada no trajeto entre sua proveniência e

o ouvinte.

Nesta imagem de rede social, muitas conexões

são estabelecidas entre aqueles que

buscam de alguma forma se integrar, e para

cada interação, algo com certa "tonalidade"

é agregado ao seu "profile", incluindo as

representações do repertório.

Os contornos deste perfil são feitos pelas

referências que os sujeitos imaginam tomar

para si, agregando sua identidade. Daí a

ideia de que não existe música boa ou

música ruim, na verdade, interessante seria

analisar os valores que um determinado

grupo de ouvintes atribui a uma fonte sonora

nas suas representações culturais. Se com

todo aparato das redes sociais os participantes

tentam com selfies simular uma

espécie de autobiografia em tempo real, por

outro trazem a música que lhes serve de

trilha sonora.

Embora muito corrente na contemporaneidade,

o conceito de redes sociais não é novo

e nem se restringe às aplicações das tecnologias

da informação. Essa é uma ideia

muito útil para compreender os modos de

utilização da música no passado, tendo em

vista que, como linguagem é sempre feita de

alguém para alguém, portanto trata-se de

um componente valioso para a sociabilidade,

sobretudo, num tempo em que o principal

meio de transmissão da informação

musical se daria pela oralidade e escrita.

Mariana, como a primeira vila, cidade e

capital de Minas Gerais, foi no século XVIII

uma das maiores produtoras de ouro para o

império Português. Em decorrência de uma

herança cultural diversa, preservou-se uma

quantidade substancial de manifestações

musicais e documentos que dão mostra da

importância das práticas para os diversos

segmentos deste grupo social a partir da

segunda metade do século XVIII.

Por serem os documentos musicais (partes

cavadas que trazem notação do que se deve

tocar nos instrumentos, partituras, livros de

canto gregoriano) material catalisador das

interações, a circunscrição espacial de

proveniência e atuação dos sujeitos não

corresponde às delimitações político

geográficas, fazendo com que os arquivos

provenientes de maestros e instituições,

hoje sob os cuidados do Museu da Música

de Mariana, tenham grande amplitude,

havendo material vindo, inclusive, de outro

continente, o que torna o patrimônio

arquivístico acondicionado em Mariana tão

diverso, e um dos mais relevantes para os

estudos musicais do universo latino

americano.

23


Em condições anteriores de análise deste

material os interesses se voltavam para os

grandes nomes da música, seguindo um

modelo que devota a todo o protagonismos

da realização musical ao compositor e

posteriormente ao intérprete, porém nos

registros de interlocução da produção

desses documentos, situam-se pelo menos

quatro atores o compositor, o copista, o

intérprete e o ouvinte ou receptor, sendo

quase impossível entender a interface

música e sociedade sem levá-los em

consideração como rede social.

O estudo desses documentos traz à tona

práticas do escrito musical que destacam o

copista como um sujeito se ocupa do

registro musical, cumprindo um papel

fundamental no quadrilátero compor,

registrar, interpretar, ouvir.

Um exemplo destes é o Copista Fructuoso

Matos Couto, nascido em 1798, filho de

Joaquina Allves de Oliveira, “crioula forra”

conforme mencionado em seu Termo de

Sacramento, sob a custódia do Arquivo

Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana.

Os mestres de música e outros ofícios do

século XVIII e XIX teriam desenvolvido uma

concepçãoprópria de aulas públicas que

permaneceram correntes até o final do

século XIX. Não cobrariam pelas aulas,

mas, em troca, seus aprendizes cantariam

nas missas e em comemorações em que o

mestre fosse empregado, conforme nos

informa o pesquisador Curt Lange em suas

publicações.

Foi comum que os copistas de música se

responsabilizassem por outras ocupações

que demandassem habilidades da escrita

como foi o caso de Emilio Soares de

Gouvêa Horta Junior (1839-1907) muito

atuante em Itabira do Mato Dentro ( Hoje

Itabira), Leôncio Francisco das Chagas

(1848 -1912) atuante em Lamim e

Itaverava e Frutuoso Matos Couto (1797-

c.1857), do Inficionado de Santa Rita,

Marina, nomes muito presentes no acervo

do Museu da Música que além de músicos

foram professores do primário, escritores, e

no caso do próprio Frutuoso Matos Couto,

conforme mencionado no campo ocupação

das listas nominativas do século XIX,

mencionado no trabalho Cópia Musical e

Contexto Social na Música Mineira do

Século XIX, escrito por Francisco de Assis

Gonzaga da Silva para os anais no VI

Encontro de Musicologia Histórica,

Frutuoso Matos Couto foi Escrivão de paz

da presidência da Junta Qualificadora da

subdelegacia de Mariana.

Dispomos como “fonte tridimensional”, da

sua possível “batuta”, que, na verdade,

parece-se muito com uma palmatória ou

férula. Foi comum que o objeto fosse usado

para cumprir o castigo na organização

escolar. Esse caso demonstra que a

aprendizagem da música e de outras

disciplinas, como as primeiras letras,

podem ter se mesclado, tornando-se quase

indissociáveis à percepção do presente.

Tendo em vista os gêneros e formas

musicais que esses mestres copiavam, é

possível que incorporou-se, naquelas

comunidades incluindo-se as escolas, a

prática interpretativa da música sacra,

afrodescendente, marcial e de salão.

Detalhe manuscrito - Vitor Gomes

24


Detalhe Batuta - Vitor Gomes

Em manuscrito com caneta esferográfica azul, na parte

circular maior do objeto, vêm os dizeres “Pertencia a

Frutuoso Matos Couto, Maestro em Santa Rita Durão 24-

7-1877”.

Ser copista e mestre de música colocaria os sujeitos de

maneira destacada perante a sociedade pois se tornaram

referenciais para a realização musical nos espaços de

sociabilidade daquela época. Esses sujeitos detinham as

condiçoẽs de realização musical por meio das cópias

manuscrita e que, certamente, também proveram os

músicos, aprendizes no labor prático.

Mas e a aprendizagem desses mestres, como se daria?

Nos procedimentos de notação do caso de Frutuoso

Mattos Couto é possível deduzir a experiência de

aprendizagem vinda da oralidade, pois se percebe, em

seu texto musical, a inversão das hastes das notas. Em

uma análise grafotécnica superficial, uma escrita indecisa

por se tratar de um traço mais espesso, rasuras e uma

série de indicações e recados para o intérprete, tratandose

de um planejamento peculiar da distribuição espacial

do texto musical. Consta, ao final do manuscrito: “volte já

pa Quando cœli”, como artifício estrutural. Seria, portanto

o próprio ato de copiar uma maneira essencial de apurar

as habilidades musicais naquele contexto.

25


Ressaltam-se em alguns casos até certa

irreverência de Frutuoso Matos Couto. Em um

detalhe da cópia feita em 1823, do “Memento” (uma

composição fúnebre) de Manoel Dias de Oliveira,

Frutuoso Matos Couto insere o seguinte texto como título:

“Memento para defuntorum que tiver dinheiro e vela; e ele,

sizudinho, a disfrutar as boas gargantas que este

executar”. Como a maioria dos músicos da época, o

mestre de música obtinha uma boa parte de sua renda

com a música para enterros e casamentos. Ao final, o

copista ainda ressalta: “para as lambanças e uso de

Frutuoso de Matos Couto, seu legítimo dono”. Este

documento encontra-se sob os auspícios do Arquivo

Histórico Monsenhor Horta, recolhido ao ICHS da UFOP

pelo saudoso Professor José Arnaldo de Aguiar Lima.

Detalhe manuscrito - Vitor Gomes

26


As contribuições dos manuscritos de Frutuoso Matos Couto para a

construção da memória da música são imensuráveis e dão a dimensão

das práticas de repertório em Mariana nesse período, basta ouvir

notar que realizou cópias de elaboradas obras de importantes autores como

Manuel Dias de Oliveira, (c.1735-1813); José Maurício Nunes Garcia (1767 -

1830); Francisco Manuel da Silva (1795-1895); Joaquim de Paula Souza

(c.1760-1842); Florêncio José Ferreira Coutinho (c.1750) e José Joaquim

Emerico Lobo de Mesquita (1742-1805).

Esses e muitos outros sujeitos de trajetórias musicais incríveis estão representados no acervo e

expografia do Museu da Música de Mariana. Oportunamente, visite a instituição e peça uma

condução guiada. O Museu fica aberto de terça a sábado entre 08H30 e 12H00; das 13H30 às

17Hs e domingo das 09Hs às 12Hs.

27


Foto:Vitor Gomes


TOPONÍMICA DE MARIANA

Lugares e Nomes

Cristiano Casimiro


Alterações Toponímicas em Mariana

Mariana, primitivamente Ribeirão do Carmo,

foi a primeira entre as cidades surgidas por

efeito das expedições de bandeirantes

paulistas, que a partir da última década do

século XVII, demandaram as Minas Gerais.

E foi também, no dizer do historiador Diogo

de Vasconcelos, o centro de onde se

irradiou a conquista definitivamente do

território.

Partindo de Itaverava, ponto do qual os

b a n d e i r a n t e s v i n d o s d e Ta u b a t é

prosseguiam como em última arrancada

para atingir o ribeirão do Tripuí, desde 1691

vinha sendo procurado por outros

sertanistas, Salvador Fernandes de

Mendonça, em companhia de Miguel Garcia

da cunha e outros bandeirantes, acampou a

16 de julho, nas margens do ribeirão do

Carmo, assim chamado por ser aquele o dia

consagrado no calendário cristão à festa da

Santíssima Virgem. Verificaram ser o

ribeirão riquíssimo em aluviões auríferas,

com a mesma formação dos granitos cor de

aço que tornaram famoso o Tripuí, onde

surgiria Ouro Preto.

Tomando posse de ribeirão do Carmo e nele

iniciando a mineração, mandou Salvador

Fernandes levantar as primeiras cabanas

ao longo da praia, hoje chamada do Matacavalos,

bem assim a capela que foi

dedicada inicialmente ao Menino Jesus,

s e n d o m u d a d a a i n v o c a ç ã o

sucessivamente para Nossa Senhora do

Bom Sucesso e Nossa Senhora da

Assunção, nela oficiando a primeira missa o

Capelão da comitiva, padre Francisco

Lopes Gonçalves. Regressou depois disso

a São Paulo , de onde retornou, em 1699,

em companhia do guarda-mor Garcia

Rodrigues, para a medição e distribuição

d o s d e s c o b e r t o s , o q u e f o i f e i t o ,

começando-se pelo de Miguel Garcia, no

ribeirão que antes já havia encontrado e no

qual fundou o arraial da Vargem, e

seguindo-se no ribeirão do Carmo, onde

feita a meditação em nome de Manoel

Garcia de Almeida.

Outros povoados vieram depois, e novos

arraiais foram surgindo, tais como o de

Camargos, fundado por Tomaz Lopes de

Camargo e seus irmãos, que abandonaram

suas lavras em Ouro Preto; Cachoeira do

Brumado, p o r João Pedroso; São

Sebastião, por Sebastião Fagundes Varela;

Furquim, e Bento Pires, que recebeu o nome

do sue próprio fundador. Alastrou-se em

pouco tempo por toda a área do ribeirão do

Carmo a faina intensa da mineração, o

mesmo acontecendo logo em seguida em

Ouro Preto, descoberto por Antônio Dias e

outros Bandeirantes.

Para os dois centros, quase unidos pela

curta distância que os separa, passaram a

convergir levas e mais levas de imigrantes

vindos de São Paulo, Rio de Janeiro e outros

pontos, determinando o rápido crescimento

das respectivas populações.

A coroa Portuguesa voltou assim a suas

atenções para as Minas e resolveu criar a

nova Capitania de São Paulo e Minas de

Ouro, separada da do Rio de Janeiro, sendo

nomeado primeiro governador o capitãogeneral

Antônio Albuquerque Coelho de

Carvalho, que logo promoveu a criação das

três primeiras vilas em Minas Gerais, a

saber, a vila de Albuquerque, a vila Rica, e a

vila de Sabará, esta última na região do rio

das Velhas, onde o ouro já havia sido

também descoberto.

Ocorreu isto em 1711: E o governador

Antônio Albuquerque, assim como os seus

sucessores, D. Braz Baltazar da Silveira e D.

Pedro de Almeida Conde de Assumar,

apesar de ser em São Paulo a sede da

Capitania, tiveram de fixar residência em

ribeirão do Carmo, pois a mineração do ouro

havia deslocado quase por completo o

centro de interesse da Coroa Portuguesa

para as Minas Gerais.

30


Arquivo Marezza


Não tardaram a surgir as lutas e os conflitos

na residência oposta aos rigorosos métodos

adotados na fiscalização da saída do

ouro, para a cobrança dos pesados tributos

exigidos pelo Rei de Portugal. Ribeirão do

Carmo foi assim, tal como Ouro Preto, teatro

de graves acontecimentos em que se

defrontaram a prepotência da Coroa

Portuguesa e o orgulho e independência do

colono já enriquecido nas minas, em revolta

contra os sofrimentos que lhe eram impostos

pelos representantes do governo português.

Criada a vila de Albuquerque, em 1711, foi o

seu nome mudado para Ribeirão do Carmo

ao ser confirmada a criação pelo governo da

metrópole, em 14 de abril de 1712. Pela

carta régia de 23 de abril de 1745, que a

elevou à categoria de cidade, passou a

denominar-se Mariana, em homenagem a

rainha D. Maria Ana d'Áustria. De acordo

com a Lei nº 556, de 30 de agosto de 1911,

estava o município composto de 13 distritos:

Mariana, São Sebastião, Sumidouro,

Cachoeira do Brumado, São Caetano, São

Domingos, Furquim, Barra Longa, Boa

Vista, Santa Rita Durão, Camargos,

Passagem e São Gonçalo de Ubá. Pela Lei

nº 843, de 7 de setembro de 1823, foi transferido

o distrito de Barra Longa para o

município de Ponte Nova e mudadas as

denominações dos distritos de São

Sebastião, São Gonçalo de Ubá, Boa Vista

e São Domingos, que passaram respectivamente

a Bandeirante, Acaiaca, Cláudio

Manoel e Diogo de Vasconselos.

Ÿ

Pelo Decreto- lei nº 148, de 17 de

dezembro de 1938, foi criado o distrito

de Mainart, com territórios desmembrados

dos distritos de Mariana e

Pinheiros, este do Município de

Piranga; e foram suprimidos os distritos

de Bandeirantes e Sumidouro, que

tiveram os respectivos territórios anexados

ao distrito de Mariana.

Ainda pelo mesmo Decreto - lei, foram

desmembradas partes de territórios dos

distritos de Acaiaca e Cláudio Manoel,

para o distrito de Barra Longa.

Ÿ Pelo Decreto- lei nº 1058, de 31 de

dezembro de 1934, foi mudada para

Monsenhor Horta a denominação de São

Caetano. Pela lei nº 336, de 27 de

dezembro de 1948, foi criado o Distrito de

Bandeirantes, sendo transferida para o

povoado de Sumidouro, com o nome de

Padre Viegas, a sede do distrito de

Mainart. A comarca foi criada, com a

denominação de Comarca do Rio

Piranga, pela Lei número 1 740, de 8 de

outubro de 1870, sendo mudada a

denominação para comarca de Mariana,

pelo Decreto nº7, de 8 de janeiro de

1890. A comarca compreende atualmente

em sua jurisdição o território do próprio

município.

Formação Administrativa

Ÿ Distrito criado com a denominação de

Albuquerque, por alvará de 22-04-1745,

e lei estadual n 2, de 14-09-1891.

Ÿ

Ÿ

Ÿ

Ÿ

Elevado à categoria de vila com a

denominação de Albuquerque, em 08-

04-1711. Instalada em 05-08-1711 ou

22-01-1712.

Pela carta régia de 14-04-1712, a vila

de Albuquerque tomou o nome de

Ribeirão do Carmo.

Pela lei provisão de 16-02-1718 e

também 1740, foram criados os distritos

de Barra Longa,· Furquim, Piranga,

Nossa Senhora de Nazaré do

Inficionado, Santa Rita Durão e

Sumidouro e anexados ao município de

Ribeirão do Carmo (ex-Albuquerque).

Elevada à condição de cidade com a

denominação de Mariana, pela carta

Régia de 23-04- 1745.

Ÿ Pela lei provincial nº 50, de 08-04-1836,

e lei estadual nº 2, de 14-09-1891,

foram criados os distritos de Camargos

e São Caetano do Ribeirão Abaixo e

anexados ao município de Mariana.

Ÿ Pela lei provincial nº 209, de 07-04-1841,

e lei estadual nº 2, de 14-09-1891, é

criado o distrito de São Sebastião e

anexado ao município de Mariana.

32


Arquivo Marezza


Em divisão administrativa referente ao ano

de 1911, o município é constituído de 13

distritos: Mariana, Barra Longa, Boa Vista,

Cachoeira do Brumado, Camargos,

Furquim, Passagem, Santa Rita Durão, São

Caetano do Ribeirão Abaixo, São

Domingos, São Gonçalo do Ubá, São

ebastião e Sumidouro. Nos quadros de

apuração do recenseamento geral de 1-IX-

1920, o município é constituído de 13

distritos: Mariana, Barra Longa, Boa Vista,

Cachoeira do Brumado, Camargos,

Furquim, Passagem, Santa Rita Durão, São

Caetano (ex-São Caetano do Ribeirão

Abaixo), São Domingos, São Gonçalo do

Ubá, São Sebastião e Sumidouro.

Ÿ Pela lei estadual nº 843, de 07-09-1923,

o município de Mariana sofreu as

seguintes modificações: o distrito de

Barra Longa foi transferido de Mariana

para o município Ponte Nova; os distrito

de Boa Vista, São Domingos, São

Gonçalo do Ubá e São Sebastião tiveram

seus nomes mudados para Cláudio

Manuel, Vasconcelos, Acaiaca e

Bandeirantes, Respectivamente.

Ÿ Pela lei estadual nº 1048, de 25-09-1928,

o distrito de Vanconcelos (ex-São

Domingos) recebeu a denominação de

Diogo de Vanconcelos.

Ÿ

Em divisão administrativa referente ao ano

de 1933, o município é constituído de 12

distritos: Mariana, Acaiaca (ex-São

Gonçalo do Ubá), Bandeirante (ex-São

Sebastião), Cachoeira do Brumado,

Camargos, Cláudio Manuel (ex-Boa Vista),

Diogo de Vasconcelos (ex-Vanconcelos

(ex-São Domingos), Furquim, Passagem,

Santa Rita Durão, São Caetano (ex-São

Caetano do Ribeirão Abaixo) e Sumidouro.

Ÿ Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17-

12-1938, é criado o distrito de Mainart e

anexado ao município de Mariana o

distrito de Passagem tomou o nome de

Passagem de Mariana e o distrito de

Sumidouro foi extinto por este mesmo

decreto-lei, sendo sua área anexada ao

distrito sede do município de Mariana.

No quadro fixado para vigorar no período de

1939-1943, o município é constituído de 12

distritos: Mariana, Acaiaca, Bandeirante,

Cachoeira do Brumado, Camargos, Cláudio

Manuel, Diogo de Vasconcelos, Furquim,

Mainart, Passagem de Mariana (ex-

Passagem), Santa Rita Durão e São

Caetano,

Ÿ Pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 31-

12-1943, o distrito de São Caetano

passou a denominar-se Monsenhor

Horta.

No quadro fixado para vigorar no período de

1944-1948, o município é constituído de 12

distritos: Mariana, Acaiaca, Bandeirante,

Cachoeira do Brumado, Camargos, Cláudio

Manuel, Diogo de Vasconcelos, Furquim,

Mainart, Monsenhor Horta (ex-São

Caetano), Passagem de Mariana e Santa

Rita Durão.

Ÿ

Pela lei nº 336, de 27-12-1948, o distrito

de Mainart tomou a denominação de

Padre Viegas e cria o Sub-distrito de

Mainart.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1950,

o município é constituído de 12 distritos:

Mariana, Acaiaca, Bandeirante, Cachoeira

do Brumado, Camargos, Cláudio Manuel,

D i o g o d e Va s c o n c e l o s , F u r q u i m ,

Monsenhor Horta, Padre Viegas (ex-

Mainart), Passagem de Mariana e Santa

Rita Durão.

Assim permanecendo em divisão territorial

datada de 1-VII-1960.

Ÿ Pela lei estadual nº 2764, de 30-12-1962,

desmembra do município de Mariana os

distritos de Acaiaca e Diogo de

Vasconcelos. Elevados á categoria de

município.

34


Em divisão territorial datada de 31-XII-1963,

o m u n i c í p i o é c o n s t i t u í d o d e 1 0

distritos:Mariana, Bandeirante, Cachoeira

do Brumado, Camargos, Cláudio Manuel,

Furquim, Monsenhor Horta, Padre Viegas

(ex-Mainart), Passagem de Mariana e Santa

Rita Durão.

Assim permanecendo em divisão territorial

datada de 2007. Em 2016 o sub-distrito de

Águas Claras foi elevada a categoria de

Distrito pela Câmara Municipal de Mariana.

Agora, espera a homologação do Estado de

Minas.

Fonte: Enciclopédia dos Municípios

Brasileiros – Volume XXVI ano 1959

Arquivo Marezza


Detalhe do Ógãoda Sé de Mariana - Caetano etrusco

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