Revista Educação e Reflexão Ano 7 Ed. 12

cristiangirao

Revista da Secretaria de Educação de Maracanaú. A gestão refletindo suas práticas. Ano 7 - Nº 12- Outubro de 2017

ISSN: 2237-7883

Educação &

Reflexão

ENTREVISTA

Prof.a Dra Mônica

Martins Samia

p. 15

Coluna EDUCAR

Política de

Brinquedotecas

Escolares

p. 19

É Notícia

Prefeitura realiza

cerimônia de

inauguração do CEI Elsa

Maria Laureano Pereira

p. 24

Artigos Científicos

O Projeto Paralapraca e

suas contribuições para

a Educação Infantil em

Maracanaú

p. 83

A Educação Infantil em Movimento:

contextos, percursos e possibilidades


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

SUMÁRIO

2

BOAS PRÁTICAS

Educação Infantil

O registro de mais de uma década

de história da Educação Infantil

de Maracanaú

04

ENTREVISTA

Profª Dra Mônica

Martins Samia

Fala sobre as perspectivas da

formação centrada na escola de

Educação Infantil

15

Dica de Filme

CULTURAL

É NOTÍCIA

CIENTÍFICA

E MAIS:

A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA A INTERAÇÃO NA

EDUCAÇÃO INFANTIL: ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA MUNICIPAL

DE MARACANAÚ

O documentário passeia pelas

possibilidades de criação da

cultura da infância dentro das

instituições públicas de ensino

21

É Notícia

Prefeitura realiza cerimônia de

inauguração do CEI Elsa Maria

Laureano Pereira

24

Artigo produzido por

professores

55

Universidade Aberta do Brasil promove aula inaugural no polo Maracanaú

Prefeitura realiza cerimônia de inauguração do CEI Elsa Maria Laureano Pereira

Prefeitura inaugura quadra poliesportiva coberta na EMEF Maria Pereira da Silva

Maracanaú participa do Seminário Internacional Mais Infância Ceará

EMEIEF Narciso Pessoa de Araújo comemora 10 anos

Projeto ‘Eu sou Cidadão - Amigos da Leitura’ é lançado para alunos da rede municipal

Escolas municipais realizam eleições para Grêmios Estudantis

Secretaria de Educação realiza solenidade de posse dos Grêmios Estudantis

Escolas de Maracanaú participam do Congresso dos Amigos da Leitura na XII Bienal Internacional do Livro no Ceará

Escolas e Comunidades se mobilizam no Combate ao Mosquito Aedes Aegypti

Secretaria de Educação realiza palestra sobre Autismo Infantil e seus cuidados

SME mobiliza escolas no dia Nacional de Luta Contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Centro de Línguas de Maracanaú promove V CLM Comunica

Prefeitura inicia entrega do fardamento escolar para alunos da rede Municipal

SME realiza III Encontro das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola (Com-Vida) de Maracanaú

Secretaria de Educação realiza etapa municipal do Prêmio Peteca

Alunos da rede municipal participam da solenidade de formatura do Proerd

XII Encontro Estadual dos Conselhos Municipais de Educação do Estado do Ceará é realizado em Maracanaú

EMEIEF José Assis de Oliveira participa do Projeto Itinerante Galera do DNIT

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EDITORIAL

A cidade de Maracanaú, desde

1995, realiza atendimento educacional

às crianças, processo que se ampliou em

2005, com a municipalização da Educação

Infantil, obedecendo aos dispositivos legais

estabelecidos na Constituição Federal

Brasileira de 1988 e na Lei de Diretrizes e

Bases da Educação Nacional - Lei 9394/96

(BRASIL 1996), que estabelecem a Educação

Infantil como um direito social e primeira

etapa da educação básica, tendo como

finalidade o desenvolvimento integral

da criança de até 5 (cinco) anos, em seus

aspectos físico, psicológico, intelectual e

social, complementando a ação da família e

da comunidade.

A Educação Infantil no município

se configura como um espaço onde as

práticas pedagógicas são orientadas pelas

Diretrizes Curriculares Nacionais para a

Educação Infantil – DCNEI (BRASIL 2009),

que determinam as interações e a brincadeira

como eixos norteadores da aprendizagem

e desenvolvimento infantil. Nas creches

e pré-escolas, as crianças ampliam seu

conhecimento acerca do mundo físico,

social, político e cultural, interagem com

seus pares, com outros adultos e diferentes

culturas, brincam e participam de diversas

experiências.

Os professores da Educação

Infantil, por sua vez, participam como

importantes mediadores, através de seus

saberes e experiências, apoiando as crianças

em suas vivências cotidianas na instituição,

contribuindo para o fortalecimento da

sua autoestima, autonomia, curiosidade,

conhecimento de mundo e ampliação das

diferentes linguagens.

A Secretaria Municipal de

Educação de Maracanaú, considerando as

especificidades da rede, tem efetivado ações

no sentido de ampliar o atendimento às

crianças em turmas de creches (zero a três

anos) e pré-escola (quatro a cinco anos),

bem como tem desenvolvido formações

continuadas junto aos gestores gerais,

coordenadores pedagógicos e professores,

na perspectiva da melhoria da qualidade

das práticas educativas vivenciadas nas

instituições.

Em 2013, o município foi

selecionado, pelo Instituto C&A e pela

Organização não Governamental Avante

Educação e Mobilização Social, para

participar do Programa Paralapracá, o qual

tem por objetivo principal contribuir para

um atendimento de qualidade na Educação

Infantil, através de duas frentes de trabalho:

a formação continuada de profissionais da

educação e o acesso a materiais para crianças

e professores. O processo de formação

continuada baseia-se nos eixos: Assim se

brinca, Assim se faz artes visuais, Assim se

faz música, Assim se faz literatura, Assim

se explora do mundo e Assim se organiza o

ambiente.

Outra ação relevante, em prol

da primeira infância em Maracanaú, é a

realização da Semana do Bebê, uma iniciativa

que nasceu em Canela (RS) e tem o apoio

do Fundo das Nações Unidas pela Infância

(UNICEF), para assim, mobilizar os demais

municípios brasileiros pela garantia dos

direitos da gestante, puérpera e crianças em

seus primeiros anos de vida. No município,

esta ação foi impulsionada pela primeiradama

Kamile Camurça, que articulou as

diferentes Secretarias através de uma

Comissão Intersetorial para desempenhar

inúmeras atividades nos equipamentos

públicos. Dentre as grandes conquistas,

registra-se a aprovação da Lei Municipal nº

2.065/2013, que institucionaliza a Semana do

Bebê.

Diante de todas as iniciativas

realizadas, a Secretaria de Educação de

Maracanaú reconhece a importância da

Educação Infantil e seu valor social, com vistas

a garantir os direitos da criança.

José Marcelo Farias Lima

Secretário de Educação

P REFEITURA DE

MARACANAÚ

Rua Capitão Valdemar de Lima, 202

Maracanaú (CE)

Telefone: (85) 3521.5663

seduc@maracanau.ce.gov.br

Prefeito: Firmo Camurça

Secretário de Educação: José Marcelo

Farias Lima

Expediente

Coordenação Editorial:

Antonio Nilson Gomes Moreira

Conselho Editorial:

Arlete Moura de Oliveira Cabral,

Glaucia Mirian de Oliveira Souza,

Gleíza Guerra de Assis Braga, Kamile

Lima de Freitas Camurça e Rosana

Maria Cavalcanti Soares

Jornalista Responsável,

Direção de Arte, Diagramação,

Reportagem e Edição:

Bruna Cleia Marques

JP 3724/CE

Projeto gráfico

Thiago Mena Barreto Viana

Revisão:

Monique Lima Ferreira Kuhn

TIC:

João Batista Monteiro Soares

Foto de Capa:

Bruna Cleia Marques

Estagiários de Comunicação:

Francisco Orlenildo Cordeiro de Souza

Regina Wesliane Lucas de Sousa


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BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

4

A Educação Infantil em Maracanaú - CE

de 2005 a 2016

Texto: Edlane de Freitas Chaves

Francisca Nepomucena Moura

Solange Maria Silvestre Maciel

“A educação infantil, primeira etapa da educação

básica, tem como finalidade o desenvolvimento

integral da criança de até 5 (cinco) anos, em

seus aspectos físico, psicológico, intelectual e

social, complementando a ação da família e da

comunidade.” (Lei nº 9.394/96, Art. 29)

O município de Maracanaú reconhece

a infância como a fase essencial para o

desenvolvimento do caráter, autoestima,

autonomia, sinceridade, criatividade, disciplina e

sociabilidade do ser humano. Neste sentido, desde

1999, tem somado esforços para assegurar a oferta

desta etapa primordial da Educação Básica, tal

como o acesso e permanência. Isso tem mobilizado

decisões administrativas e pedagógicas, com vistas

à melhoria da qualidade do atendimento dessa

etapa de ensino.

O registro de mais de uma década (2005 –

2016) de história da Educação Infantil nos permite

resgatar acontecimentos e parceiros que deixaram

suas marcas na tessitura de práticas educativas à luz

da legislação e documentos oficiais que normatizam

e defendem uma Educação Infantil de qualidade.


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

5

Municipalização da Educação Infantil

Mediante o Parecer nº 01∕2005 do

Conselho Municipal de Educação-CME,

o atendimento às crianças de 4 e 5 anos

foi municipalizado. Com essa conquista,

o município deu um salto qualitativo

no reconhecimento da criança como

sujeito de direitos.

2005

2006 2007

Visibilidade das Práticas Docentes

Lançamento do I Relato das Experiências

Docentes da Educação Infantil, que

teve como objetivo o de socializar as

práticas cotidianas vivenciadas junto

às crianças nas escolas municipais,

dando visibilidade aos processos de

formação continuada com professores

e coordenadores pedagógicos.

Adesão ao Programa de Alfabetização na

Idade Certa – PAIC

Instituído pelo Governo Estatual do Ceará, o PAIC,

através da Lei nº 14.026 de 17 dezembro de 2007,

traz a Educação Infantil como um dos seus eixos,

o qual vem contribuindo no processo formativo

e nas práticas pedagógicas dos professores,

reverberando assim nas experiências vivenciadas

com as crianças.

Programa Formar em Rede

Parceria instituída com o Instituto Avisa Lá, que por

meio do Programa Formar em Rede desenvolveu

uma proposta de formação continuada com foco

nos formadores, coordenadores pedagógicos

e professores, com duração de dois anos. As

ações formativas abordaram o “Brincar na

Educação Infantil”, possibilitando reflexões sobre

a temática, bem como a melhoria da qualidade

dessas práticas nas instituições.


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BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

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Programa Formar em Rede

Dando continuidade a parceria firmada em 2007 com o

Instituto Avisa Lá, desenvolveram-se ações formativas com

os coordenadores pedagógicos, que por sua vez realizaram

encontros formativos com os professores na instituição que

atuavam. A temática abordada durante o ano teve como foco

“Cultura Escrita – Leitura pelo Professor”, visando aproximar

a criança do mundo letrado evidenciando a função social da

escrita e o papel adulto como referência de comportamentos

leitores.

Concurso Público

Pela primeira vez, em Concurso Público, foram disponibilizadas

vagas para professores com formação em nível superior,

destinadas à lotação em turmas de Educação Infantil.

2008 2009 2010

Indicadores da Qualidade da Educação Infantil

e Programa de Autonomia Escolar- PAE Infantil

Por meio de adesão voluntária, das vinte e cinco

instituições de Educação Infantil, vinte e três

destas realizaram a avaliação institucional na

perspectiva de possibilitar a participação da

comunidade escolar com ênfase nos pontos fortes

e nos desafios. O referido processo culminou com

a elaboração e aprovação da Lei nº 1.502 de 17 de

dezembro de 2009 que estabelece o Programa

de Autonomia Escolar – PAE Infantil destinando

recursos financeiros às Instituições para aquisição

de materiais pedagógicos necessários ao

desenvolvimento das experiências docentes junto

às crianças.

Seminário com Educadores Infantis de

Maracanaú

O Seminário abordou a temática “Desafios

e Perspectivas da Inclusão Escolar na

Educação Infantil em Maracanaú”. Nesta

perspectiva, contextualizou a história da

educação inclusiva, situando o Brasil e

o município diante da atual legislação,

evidenciado o processo de Atendimento

Educacional Especializado-AEE nas salas

de recursos multifuncionais.


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BOAS PRÁTICAS

V Relato das Experiências Docentes

Na perspectiva de revelar as vivências

presentes no cotidiano das instituições

e abordar a temática: “As Múltiplas

Linguagens na Organização do Trabalho

Pedagógico, retrato do cotidiano” foi

realizado o V Relato das Experiências

Docentes da Educação Infantil. Esta

ação evidencia o processo formativo

realizado junto aos profissionais e suas

ressonâncias nas práticas realizadas

junto às crianças.

Política Educacional

2011 2012 2013

Plano Municipal de Educação – PME

A Educação Infantil em Maracanaú foi

contemplada no Plano Municipal de

Educação (PME), aprovado pela Lei

nº 1.865, de 15 de junho de 2012, em

consonância com o Plano Nacional de

Educação – PNE. Em seu Anexo Único

foram traçadas metas e estratégias que

visam a universalização, até 2016, do

atendimento escolar da população de

4 e 5 anos, e ampliação, até 2020, da

oferta de educação infantil de forma a

atender a 50% da população de até 3

anos; do mesmo modo que ofertar a

educação infantil garantindo os padrões

de qualidade.

7

Projeto PARALAPRACÁ em Maracanaú

“Toda criança tem direito a uma escola equitativa, plural e

acolhedora”, este é o princípio básico do Projeto Paralapracá

que chegou na rede municipal mediante uma seleção, da qual

participaram sessenta e quatro municípios do Nordeste.

A parceria firmada para o período de 2013 – 2017 entre o

Instituto C&A, Avante e o Município visa contribuir com a

melhoria da qualidade das práticas pedagógicas desenvolvidas

nas instituições de Educação Infantil. O Paralapracá estrutura-se

por meio de duas linhas de ação complementares e articuladas: a

formação de formadores, com foco no coordenador pedagógico

e o acesso a materiais de qualidade, para as crianças e para os

profissionais que atuam junto a elas.

Intercâmbio Reggio Emilia – Itália

O Instituto C&A e AVANTE – Educação e Mobilização Social

– através do projeto PARALAPRACÁ ao firmarem parcerias

com as Secretarias Municipais de Camaçari (BA), Maceió (AL),

Maracanaú (CE), Natal (RN) e Olinda (PE), iniciou as ações no II

Ciclo do referido projeto, por meio de um intercâmbio a Reggio

Children – Centro Internacional pela Defesa e Promoção dos

Direitos e Potencialidades de Todas as Crianças, em Reggio

Emilia, na Itália.

O intercâmbio em pauta teve como objetivo contribuir para o

fortalecimento das práticas de gestão de Prefeitos, Secretários

de Educação e Coordenadores de Educação Infantil, na

perspectiva de ampliarem seus olhares diante da Infância em

seus Municípios, e assim, implementarem políticas públicas

consistentes e adequadas para a criança pequena.

Semana do Bebê em Maracanaú

A Semana do Bebê em Maracanaú foi instituída por meio da

Lei Municipal nº 2.065∕2013, sendo realizada anualmente no

mês de setembro. As ações são planejadas por meio de uma

comissão intersetorial composta por profissionais de várias

secretarias do município potencializando assim, o atendimento

das gestantes e das crianças pequenas. Em relação a Educação

Infantil, percebeu-se uma ressonância significativa nas práticas

vivenciadas no cotidiano das instituições, visto o envolvimento

das famílias, maior visibilidade das infâncias do município bem

como no fortalecimento das ações Intersetorial. Vale ressaltar

ainda, que Maracanaú foi classificado para apresentar a referida

experiência em duas edições da Mostra Internacional das

Semanas do Bebê - UNICEF, em 2014 [Belém∕ PA] e em 2016

[Recife∕ PE], como inspiração para outros municípios brasileiros.


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BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

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Avaliação Externa – PARALAPRACÁ

A avaliação realizada pela consultoria MOVE – Avaliação e

Estratégia em Desenvolvimento Social teve por foco três

aspectos a saber: A Política Municipal, o desenvolvimento

profissional dos coordenadores pedagógicos e

professores e ainda a qualidade do atendimento às

crianças. Para tanto, foram organizados grupos focais que

revelaram as conquistas, os desafios e as perspectivas

para Educação Infantil, apresentando assim, um retrato

da Rede de Maracanaú e seus diversos contextos.

2014 2015 2016

Expansão do projeto PARALAPRACÁ em

Maracanaú

Em 2015, aconteceu a expansão do projeto

Paralapracá, que inicialmente atendia 30

instituições de Educação Infantil (23 da rede

municipal e 7 da rede contratada). Desse modo,

a ampliação abrangeu mais 31 instituições,

o que possibilitou reafirmar a importância

da metodologia e dos princípios do projeto

nos processos formativos, bem como na

qualificação das práticas docentes.

Uma inovação formativa desse percurso

foi a inserção de um Ambiente Virtual de

Aprendizagem-AVA, para potencializar a

relação entre formadoras e coordenadoras

pedagógicas na formação continuada, de

maneira a contemplar também uma proposta

de educação à distância sem distância, dando

visibilidade à cultura da infância.

Memorial da Gestão da Educação Infantil - Por

uma transição Republicana

A elaboração do Memorial da Gestão da Educação

Infantil significou o registro de uma trajetória vivida,

fruto de uma parceria com o Instituto C&A, AVANTE

e Município, tendo como resultado a narrativa da

própria experiência de Maracanaú na gestão de

2013 a 2016. O referido documento teve como

objetivo registrar os aspectos considerados mais

relevantes ou desafiadores para a gestão, como

também orientar as questões administrativas

e pedagógicas. Esta publicação representa um

instrumento de avaliação de políticas públicas, que

possibilita identificar e avaliar os impactos das ações

da gestão, visualizar um panorama geral da rede,

além de propor recomendações para a política da

Educação Infantil no município.

X Relato de Experiências Docentes da Educação

Infantil de Maracanaú

O X Relato das Experiências Docentes da Educação

Infantil destacou-se como momento de ampliação

dos modos de ver, e possibilidades no fazer.

O registro das práticas pedagógicas é elemento

essencial que proporciona a oportunidade de refletir

e dialogar sobre o vivido, no sentido de provocar o

olhar reflexivo para o despertar de transformações

nos fazeres e saberes do sujeito-educador.

Nesse contexto, os relatos das experiências

dos professores de Maracanaú manifestam a

ressignificação da ação docente, considerando as

múltiplas linguagens dos bebês, das crianças bem

pequenas e das crianças pequenas da Educação

Infantil.


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BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

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Relato de experiências em uma turma

de Pré I: o Projeto Literatura de Cordel

Texto: Ana Paula Ramos de Moraes

Professora da Educação Infantil – PRÉ I

Aspectos da vida cultural, social e política

interferem e fazem parte do currículo presente

no cotidiano e das escolas. Nesse sentido, nós da

EMEIEF Parque Piratininga buscamos traduzir de

forma lúdica e criativa aulas que despertem nas

crianças o interesse e a participação nas atividades

e ações desenvolvidas em âmbito escolar.

A instituição educacional oferta turmas de

pré-escola ao terceiro ano do Ensino Fundamental.

Os professores juntamente com a coordenação

pedagógica elaboram projetos em momentos de

planejamento coletivo, os quais ocorrem a cada

bimestre e são fundamentais para o processo de

aprendizagem dos alunos.

Nesse contexto, no ano de 2015, adotamos

o Projeto Literário, que passou a ser realizado

anualmente. No ano de 2016, a turma do Pré I,

composta por crianças na faixa etária de 3 a 4 anos,

trabalhou a literatura de cordel, que foi pensada

a partir do eixo “Assim se faz literatura” do Projeto

Paralapracá, e que vem alavancando e fortalecendo

as ações que se referem à Educação Infantil.

O Projeto Literário teve início a partir de

uma conversa sobre a literatura de cordel, que são

produções expostas em cordas, próprias da cultura

nordestina. O primeiro contato foi por meio do

manuseio de diversos folhetos compostos por textos

e imagens. Neste momento, as crianças perceberam


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BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

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como os livretos são pequenos, como os desenhos

da capa são diferentes e apresentaram dificuldade

na pronúncia da palavra “xilogravura”, achando-a

engraçada. Assistiram a vídeos que mostravam a

arte de talhar a madeira, formando novas imagens

que, após prensadas, seriam a capa de um folheto.

Posteriormente, direcionamo-nos para o

pátio da escola, onde foi proposto fazermos nossa

primeira xilogravura: espalhamos tinta guache

sobre a mesa e desenhamos livremente com os

dedos. Inicialmente, alguns alunos pareciam ter

nojo ou receio de sujar-se com a tinta, mas no

decorrer da atividade, percebendo o prazer dos

demais, permitiram-se participar desta experiência.

Conforme desenhavam, ouvia-se o burburinho das

crianças falando: “Olha tia, fiz uma flor. Agora, vou

fazer uma borboleta”. Outras mostravam o desenho

para o amigo ao lado afirmando ter feito a produção

mais bonita. Com os desenhos prontos, prensamos

uma folha de papel nos trabalhos das crianças. Foi

interessante vê-las maravilhadas com o resultado

de sua arte.

Diante das gravuras visualizadas na

literatura de cordel, vimos a necessidade de retratar

o sertão nordestino. A cada elemento construído,

as crianças demonstravam compreender melhor

sua cultura. Nesse contexto, muitos diálogos foram

elaborados por elas enquanto faziam um grande

painel representando o sertão, trazendo elementos

para ilustrar a seca no nordeste: o sol grande e forte,

o chão seco, a falta de água para beber.

Durante o projeto, ouvimos e brincamos com

as rimas tradicionalmente cantadas por repentistas

em seus duelos, dando enfoque ao grande poeta

Patativa do Assaré. Também cantamos e tocamos

canções do repertório cearense, como a música “Asa

Branca”, de Luiz Gonzaga, que relata o cotidiano do

homem do sertão nordestino.

Todo o processo de elaboração e execução

do projeto foi bastante movimentado, pois a

participação das crianças e do corpo docente

da escola possibilitou um trabalho coletivo e,

consequentemente, bem sucedido.

A culminância do projeto literário foi uma

festa! No primeiro dia, apreciamos as apresentações

da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. As

crianças menores observaram atentos a forma de

falar e agir em público das maiores, enquanto nós,

adultos, ficamos a observá-las em sua desenvoltura,

alegria e espontaneidade na forma de conduzir a

apresentação das experiências vividas.

Já em sala de aula, as crianças apresentaram

seus trabalhos aos colegas de outras turmas

da escola como também às suas famílias, que

foram convidadas a participar do projeto. E com

empolgação a iniciativa foi considerada por todos

um grande sucesso e que precisa se repetir.

No dia seguinte, as crianças estavam

radiantes por suas experiências: uma delas, ao falar

sobre o cangaço, afirmou que os cangaceiros são

parecidos com piratas pelo estilo de roupa que

usavam, modo de agir e falar que perceberam ao

ouvir histórias como a do Lampião. A relação foi

interessante levando-nos a refletir sobre a forma de

pensar da criança. A fantasia e o real estão juntos,

enriquecendo os pensamentos infantis. Como

adultos, precisamos ter consciência da importância

de estimular a imaginação e a expressão do que

sentem.

A construção do conhecimento é bem mais

significativa do que o mero repasse de diversas

informações. Nossas crianças pequenas merecem

atenção e respeito para ampliar sua visão de

mundo e constituir aprendizagens complexas.

Apesar da pouca idade, elas têm muito a nos dizer.

Porém, não o farão simplesmente por palavras.

Nossa responsabilidade é ter um olhar sensível

às expressões de cada uma. Ao buscar trabalhar a


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BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

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partir das percepções delas, percebi que o projeto

foi além do que planejamos. As crianças costumam

ter um olhar mais atento, detalhado e cheio de

fantasia e isso traz riqueza ao nosso trabalho e

deve estar expresso tanto na sala de aula quanto na

escola como um todo.

A coordenadora pedagógica, Denize Maria

Vieira Pereira, destacou que através do eixo “Assim

se faz literatura”, esse trabalho foi vivenciado de

forma muito intensa e significativa pelas crianças.

Observar o empenho das mesmas realizando as

xilogravuras, criando e reinventando os livrinhos

dos cordéis e apresentando suas produções para

seus colegas e para toda a comunidade escolar

foi motivo de muito orgulho, pois pode perceber

em cada rostinho o prazer e o encantamento em

realizar cada etapa da referida experiência.

E é nesse processo que a escola proporciona

às crianças experiências que contribuem com

a ampliação dos seus conhecimentos sociais e

culturais. Cabe a ela e a nós, educadores, não apenas

ensinar, mas tornar possível diversas aprendizagens

que possibilitem apresenta-las um mundo onde é

possível a cidadania e o pleno desenvolvimento do

ser humano.


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Política Educacional

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Formação na escola e sua ressonância

nas crianças

Texto: Kátialene Domingos Lourenço

Coordenadora Pedagógica - Creche Viva Bem

Vanessa Rocha de Santana

Coordenadora Pedagógica - EMEIEF Profº Paulo Freire

A educação é fator transformador da

sociedade. Considerando que a educação infantil

é a base para a construção dos conhecimentos

sistematizados das crianças e elemento primordial

para o desenvolvimento das etapas subsequentes

ao longo da vida escolar, o educador precisa ser um

mediador de boas práticas pedagógicas para que o

processo de ensino e aprendizagem aconteça.

No ano de 2013, o município de Maracanaú,

através da Secretaria de Educação, firmou uma

importante parceria com o Projeto Paralapracá,

idealizado pela Avante – Educação e Mobilização

Social e com apoio do Instituto C&A. O projeto possui

dois âmbitos de atuação: a formação continuada de

profissionais de educação infantil e o acesso aos

materiais de uso pedagógico de qualidade, tanto

para crianças quanto para professores.

Passamos a testemunhar um momento

todo especial, onde os vínculos foram ampliados

e as relações ganharam um tom de colaboração,

criatividade, confiança para dialogar sobre as

práticas e compartilhar experiências. Essas trocas

tornaram-se constantes na equipe de coordenadores

pedagógicos, professores e, especialmente, com as

crianças, que são centro do nosso fazer educacional.

Continuamos o processo formativo,

que antes já acontecia nas escolas, com maior

potencialidade. Os professores, inspirados com

novas metodologias, estimulam a participação

efetiva das crianças e oferecem a elas contextos

instigantes para as diversas formas de comunicação

e expressão, estabelecendo um clima de confiança.

Com ações pedagógicas alicerçadas nos

conhecimentos prévios e ampliadas por desafios,


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BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

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as crianças sentem-se mais seguras e constroem

uma autoimagem positiva, favorecendo, assim,

o desenvolvimento das suas potencialidades, da

autonomia, a convivência social e o direito de serem

respeitadas em suas especificidades.

Aproximar as formações da própria

instituição, reunindo coordenadores pedagógicos

e professores, analisando o contexto da escola e o

público que ela atende possibilita uma apropriação

das necessidades das crianças e dos docentes,

tornando o trabalho do coordenador pedagógico

mais eficaz, sem perder de vista os eixos norteadores

das práticas pedagógicas da educação infantil: as

interações e as brincadeiras, conforme estabelece

a Resolução n° 5, de 2009, que fixa as Diretrizes

Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.

Ressaltamos a importância de revisitarmos

as temáticas discutidas nas formações, refletindo

sobre as ações docentes, com foco na ampliação

da qualidade da educação e diversidade de

oportunidades reais de aprendizagens.

Outro ponto a ser considerado é o

envolvimento e bom relacionamento do grupo,

repercutindo favoravelmente no trabalho

desenvolvido na instituição e possibilitando as

trocas de experiências e saberes, o que torna a

equipe pedagógica dinâmica e plural em sua

atuação.

Ofertar situações diferenciadas é uma

maneira de respeitar a individualidade da criança

que, mesmo participando de um grupo, tem

interesses e formas diferentes de se apropriar das

atividades propostas na escola. O ambiente também

merece ser cuidadosamente pensado para não se

tornar “engessado” e “castrador” do protagonismo

infantil. Os materiais, como brinquedos e demais

objetos que fazem parte da rotina, devem estar

dispostos para facilitar o acesso dos pequenos,

promovendo situações de interação entre eles.

As conquistas são facilmente mensuradas

no dia a dia, pois não precisam ser necessariamente

grandes acontecimentos. São, de outra forma, um

conjunto de pequenas e constantes experiências

que fazem da escola um campo fértil para o

desenvolvimento das relações interpessoais,

ampliação de conhecimento de mundo, ludicidade,

autonomia, sensibilidade e sentimento de

pertencimento por parte de todos os envolvidos.

O brincar ganhou ares inovadores em nossas

instituições, nas quais percebemos iniciativas de

professores em construir com as crianças seus

próprios brinquedos e brincadeiras. Essa ação

tornou o momento do brincar mais significativo,

com a participação dos pequenos como autores e

construtores de seus conhecimentos.

O percurso formativo foi ampliando-se em

situações diversas, contemplando experimentos e

iniciativas que foram sendo incorporados à rotina

ao percebermos as possibilidades e contribuições

que traziam. Assim, na Creche Viva Bem, as crianças

vivenciam as canções de forma contextualizada. A

exemplo disso, na canção “Meu limão, meu limoeiro”,

conheceram elementos importantes descritos

na música, explorando o limoeiro, manuseando

e sentindo a textura, o cheiro e o gosto do limão.

Experiências simples e ao mesmo tempo marcantes,

carregadas de significado.

Podemos citar também o contato com

as artes visuais. Na EMEIEF Prof. Paulo Freire,

pintores antes desconhecidos ganharam espaço

no repertório dos pequenos. As telas de Romero

Brito dispensaram sua assinatura para serem

reconhecidas, bem como seus traços tornaramse

facilmente identificados em objetos diversos.

As brincadeiras de Ivan Cruz saíram das telas para

povoar nossos pátios, ganhando forma e vida.

Outro importante aliado têm sido as famílias,

que passaram a frequentar a escola para conhecer


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

BOAS PRÁTICAS

Política Educacional

14

o nosso fazer pedagógico, vivenciando projetos,

dinâmicas e experiências junto aos seus filhos. Dessa

forma, ganhamos um parceiro de grande valor, pois

acreditamos que essas compõem o primeiro núcleo

social e afetivo das crianças.

A escolha de mecanismos para acompanhar

e avaliar esse processo, como registros pedagógicos,

relatos e seminários, com trocas de experiências, têm

tornado possível a constante construção de uma

práxis enriquecedora para todos os envolvidos, pois

a possibilidade de redimensionar é uma maneira de

garantir que a nossa principal missão seja sempre

alicerçada em afetividade, respeito e compromisso

com a infância.


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

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ENTREVISTA

Mônica Martins Samia - Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

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ENTREVISTA

Infância|

As perspectivas da formação

centrada na escola e suas

ressonâncias nas práticas da

Educação Infantil

Observando o contexto atual da Educação

Infantil no Brasil, que perspectivas você aponta

para esta etapa?

O contexto atual aponta para a necessidade

de darmos atenção ao que os especialistas em

Educação da primeira infância apontam como

pilares para o desenvolvimento infantil e o que

compreensões superficiais ou interesses comerciais

julgam ser “o melhor” para as crianças.

Se olharmos com atenção para as teorias, pesquisas

e práticas no Brasil e ao redor do mundo sobre este

tema, não resta dúvidas do tipo de experiência

que a criança precisa para se desenvolver. Ela é um

ser cheio de possibilidades, ávida por conhecer,

aprender, mas as políticas educacionais – a despeito

do que orienta a legislação sobre a EI no Brasil – e as

corporações, especialmente os sistemas apostilados

e editoras, têm, atualmente, exercido uma pressão

na EI de que o único indicador de qualidade válido é

se a criança aprendeu ou não a escrever aos 5 anos

de idade. Todas as outras aprendizagens estão à

mercê de serem desvalorizadas. Este é um ponto de

alerta muito grave, porque a inteligência não pode

ser medida por uma aprendizagem tão restrita,

embora importante, como a leitura e escrita. Por

outro lado, nunca se falou tanto em EI. Este é um

assunto em pauta! Então, precisamos comemorar

que as políticas educacionais finalmente assumiram

seu papel no atendimento à esta faixa etária. Restanos

consensuar o que é qualidade neste segmento e

aprender a olhar de forma mais integral a educação,

dando valor às múltiplas aprendizagens possíveis

nesta etapa da vida humana.

Quais os desafios existentes para a garantia do

direito à Educação Infantil pelos sistemas de

ensino, em especial pelos municípios, e como

esses impactam na qualidade do atendimento?

A compreensão sobre qual é o papel da educação

infantil na vida das crianças é, para mim, o principal

desafio da EI. A ideia de ser um espaço de cuidados

que migra para a educação e passa a ser um espaço

de educação preparatória para o futuro escolar da

criança, vem cindindo a ideia central da educação

infantil, de ser um espaço de vida para as crianças

no presente e que, desta forma, deve estar pautado

em ações de educação/cuidado, que são pilares do

desenvolvimento. Não digo educação e cuidado,

mas enfatizo as duas palavras juntas, pois uma

é intrínseca à outra. A EI não existe para suprir

necessidades de um sujeito frágil e desprovido,

mas para acolher e colaborar no desenvolvimento


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

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ENTREVISTA

de crianças que têm um enorme potencial, com

inúmeras possibilidades, mas que encontram-se em

situações sociais muito distintas e, portanto, têm

direito de serem providas por oportunidades que

lhes garantam oportunidades de se desenvolverem

integralmente, e isso inclui o bem estar físico,

emocional, social e intelectual. A EI é, sem dúvida,

uma ferramenta de equidade.

Que recomendações são pertinentes às políticas

de formação inicial e de formação continuada de

professores da Educação Infantil?

Este é um dos pontos estratégicos quando se

fala em melhoria da qualidade do atendimento

à EI. A formação do profissional para atender este

segmento ainda é um tanto frágil no Brasil. Tanto

a formação inicial como a contínua, que é de

responsabilidade das Secretarias de Educação, no

caso da educação pública. Na universidade, ainda

é incipiente a base sobre este segmento, embora

conquistas estejam acontecendo. Por isso, e porque

o profissional de educação precisa de formação

permanente, é fundamental que haja programas

de formação. Defendemos que esta deve se dar

primordialmente nas escolas, o que alguns teóricos

chamam de “formação centrada na escola”, a partir

de uma metodologia que privilegia a reflexão sobre

as práticas. Além disso, a formação precisa apoiar

os professores na ampliação do seu repertório

cultural, pautar-se em vivências que ativem seu

saber sensível, seu olhar para a criança, formando

um profissional que saiba escutar as crianças nas

suas mais diversas linguagens.

Qual o papel da Educação Infantil no processo de

alfabetização? Que práticas são recomendadas

para o favorecimento da apropriação da leitura

e da escrita pelas crianças nesta etapa?

Defendemos que as crianças têm direito a uma

educação que promova equidade e que, a cultura

escrita, como parte importante da vida, deve estar

presente no cotidiano das crianças, de forma lúdica

e intencional. O encantamento pelo universo da

escrita e o acesso à cultura letrada são, sem dúvida,

objetivos da EI. Ademais, perspicazes e curiosas

como elas são e encantadas pelo mundo das

palavras, as crianças também vão manifestando

desejo de compreender o código escrito. Assim,

práticas que promovam investigações sobre como

a língua escrita funciona, também devem fazer

parte do currículo. Isso, no entanto, não significa

escolarizar a Educação Infantil. A palavra “escolarizar”

é usada para definir práticas automatizadas,

descontextualizadas e uma ênfase curricular

nesta linguagem, em detrimento de outras. Esta é

uma posição que lutamos contra! Até porque, as

outras linguagens (como a música, as artes visuais

, as brincadeiras, as investigações sobre o mundo

natural e social) são potentes instrumentos de

acesso ao mundo da escrita, pois a trazem de forma

real, contextualizada.

Além disso, muito mais que aprender sobre as coisas

do mundo, na EI as crianças devem aprender a se

relacionar consigo mesmas, com seu entorno, com

as pessoas. A dimensão das relações interpessoais,

do autocuidado, da autonomia, da identidade, são

questões muito relevantes e que precisam ter o

mesmo grau de valor no currículo.

Porque as crianças podem muito sim, mas

isso não significa que elas serão reféns de um

currículo escolarizante. Com muitas brincadeiras,

investigações, interações de qualidade, contato

com bons modelos, referências, acervo variado

e professores apaixonados pela leitura e escrita,

elas terão o melhor que podemos lhes oferecer,

e nós poderemos nos honrar de contribuir para

aproximar as distâncias que separam as crianças


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

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ENTREVISTA

que, socialmente, não têm as mesmas condições de

acesso aos bens culturais.

Falando sobre as orientações do MEC e do

documento do PNAIC/2017, podemos comemorar

uma vitória que este programa está embasado

na coleção “Leitura e Escrita na Educação Infantil”,

produzido pela Universidade Federal de Minas

Gerais (UFMG). Este material foi elaborado por uma

equipe altamente qualificada, na gestão da prof.

Rita Coelho (COEDI/MEC) e expressa a concepção

defendida pela grande maioria dos especialistas em

EI e por nós.

Que estratégias você sugere no sentido de

qualificar os espaços e ambientes para o

atendimento dos bebês e das crianças pequenas

na Educação Infantil?

A primeira ideia em relação aos espaços e materiais

é que as crianças precisam estar em um ambiente

que se identifiquem. Desta forma, participar da

organização deste ambiente é algo precioso! Trazer

para estes espaços elementos da cultura local

também é uma ótima forma de torná-lo agradável.

No Nordeste, por exemplo, sugiro substituir caixas

de papelão ou plástico por cestos de vime, organizar

cantos de leitura com tapetes artesanais e almofadas

bordadas ou costuradas pelas famílias ou até mesmo

instalar redes para momentos de relaxamento e

descanso das crianças. Outra ideia importante é

a valorização de espaços e elementos naturais.

Cuidar dos espaços externos, quando houver,

aproximar as famílias, convidando-as a participarem

da organização destes espaços, viabiliza sua

manutenção e fortalece o pertencimento. Uma

das maiores necessidades da contemporaneidade

é o contato com a natureza. Cada canto que pode

ter um elemento natural é um privilégio que deve

ser valorizado. Nas formações do Paralapracá,

problematizamos a ideia de “decoração” dos espaços

como algo feito pelos adultos, com estereótipos. A

estética é algo fundamental, visto que o contato

com o belo, dentro da simplicidade dos objetos e

do cuidado como os espaços são organizados, gera

bem estar em todos que frequentam a escola. É

preciso investir na educação do sensível e os espaços

são ótimos mobilizadores para que todos possam

desenvolver um olhar para o belo, o harmonioso,

aquilo nos humaniza e nos torna pessoas melhores”.

Mônica Martins Samia é pedagoga, mestra

em educação e contemporaneidade pela

Universidade Estadual da Bahia/UNEB e

doutora em Educação pela Universidade

Federal da Bahia/UFBA. Depois de uma

década atuando como professora da

Educação Infantil e anos Iniciais do Ensino

Fundamental, trabalhou como coordenadora

pedagógica até iniciar sua jornada como

formadora, em 1999, na Avante Educação e

Mobilização Social – ONG, instituição onde é

consultora associada da Linha de Formação

de Educadores e Tecnologias Educacionais.

Nesta instituição, atua em projetos sociais

como coordenadora e formadora, junto

às redes pública e privada. Tem ampla

experiência na área de Educação, com ênfase

na formação de professores e formadores,

principalmente na Educação Infantil e Ensino

Fundamental e na elaboração de materiais

pedagógicos de referência. É coordenadora

de implementação do programa Paralapracá.

Realiza seminários, palestras e escreve artigos

na área.


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COLUNA EDUCAR

Por: Kamile Camurça - Primeira-dama de Maracanaú

Mestra em Avaliação de Políticas Públicas pela Universidade Federal

do Ceará (2013). Especialista em Gestão Escolar pela Universidade

Estadual do Ceará (2009). Graduada em Licenciatura Específica em

Português pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (2007) e em

Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (2002).

Foto: Arquivo Pessoal

O brincar é atividade intrínseca ao

desenvolvimento da criança, proporciona benefícios

indiscutíveis, como a exploração do meio e dos objetos

que a circundam, a construção de aprendizagens

diversas e a interação com seus pares.

A escola de Educação Infantil se configura

em um espaço privilegiado para a promoção de

experiências lúdicas, motoras, sensoriais, simbólicas e

relacionais que propiciem a oportunidade de brincar,

observar, imitar, desenhar, jogar, falar, expressar-se,

correr e pensar sobre as coisas do mundo de um jeito

singular.

Nessa concepção, a brinquedoteca escolar

constitui-se em um serviço especialmente concebido

para que as crianças atendidas em creches e préescolas,

na faixa etária de 0 a 5 anos, brinquem

livremente, com acesso a uma variedade de

brinquedos, em um ambiente interativo, acolhedor

e seguro. Materializa-se em função do respeito

à infância, numa atmosfera de afetividade,

sociabilidade e aprendizagem.

A partir desse entendimento, a Prefeitura

de Maracanaú, através da Secretaria de Educação,

lança, por ocasião da V Semana do Bebê, a Política

de Brinquedotecas Escolares, que tem como objetivo

referenciar a organização dos ambientes e espaços

disponíveis nas escolas que ofertam Educação

Infantil, explorando-os e potencializando-os para a

prática do brincar livre e espontâneo, tornando-os

ricos em possibilidades.

Com a implementação dessa política, que

foi sancionada pela Lei nº 2.643, de 2 de outubro

de 2017, fica garantido o direito das crianças de

brincarem e se desenvolverem também nesses

espaços escolares denominados brinquedotecas,

para todos os alunos da rede municipal de ensino de

Maracanaú, matriculados nessa primeira etapa da

educação básica.

As brinquedotecas serão implantadas

considerando as particularidades de cada instituição

educacional quanto à infraestrutura e equipamentos

disponíveis. Dessa forma, nos diversos formatos

– um espaço definido nas 4 creches municipais,

o aproveitamento dos ambientes existentes nas

escolas que ofertam Educação Infantil e seus anexos

para transformá-los em brincantes, e a itinerância de

brinquedos em salas de aula nas que não possuem

locais disponíveis –, as brinquedotecas escolares se

materializarão em ambientes criativos e potentes.

Os brinquedos e atividades lá organizados

devem possibilitar o exercício, como forma de

contribuir para o desenvolvimento do corpo; o

simbólico, como instrumento para ampliar as

linguagens, a comunicação, a criatividade e a

percepção de mundo da criança; a montagem

de brinquedos a partir da acoplagem de peças,

favorecendo a reversibilidade do pensamento;

a apropriação crítica e transformação de regras,

colaborando para a convivência social.

No intuito de valorizar a brincadeira e fazer

dela um ponto importante no desenvolvimento

infantil, é que Maracanaú dá mais um passo na busca

constante pela melhoria da qualidade da educação,

implantando brinquedotecas e ajudando a suprir a

necessidade de um espaço onde à criança possa se

integrar socialmente e vivenciar atividades repletas

de ludicidade.


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CULTURAL

DICA DE LIVRO

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Educação Infantil: pra que te quero?

Texto: Ádila Suyanne Ponte de Oliveira Lima

Técnica e Formadora do Setor de Educação Infantil da

Secretaria de Educação de Maracanaú

A obra organizada por Carmem Craidy e

Gládis E. Kaecher traz uma reflexão sobre a primeira

etapa da educação básica, suas especificidades e

singularidades. Para tanto, os autores reconhecem o

espaço de atendimento às crianças, seja ele creche

ou pré-escola, como um lugar onde acontecem

as interações e a brincadeira, em que o cuidar e o

educar estão imbricados com vistas ao bem-estar e

ao desenvolvimento integral das crianças de zero a

seis anos de idade.

São apresentados aos leitores diversos

textos que abordam temáticas de suma relevância

para a Educação Infantil, aliando a teoria à prática

pedagógica, e qualificando, efetivamente, o

atendimento às crianças.

Assim, esta produção coletiva está dividida

em treze capítulos que abordam a trajetória

histórica da educação infantil, sua função e diálogo

sobre o currículo; os direitos garantidos das crianças

definidos na legislação (Constituição Federal, 1988;

Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB, 1996; e

Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, 1990);

o desenvolvimento infantil na ótica dos teóricos

sociointeracionistas (Piaget, Vygotsky e Wallon),

bem como o papel do profissional que atua na

escola da infância e a tematização das práticas ali

desenvolvidas; questões sobre a saúde e bemestar

das crianças atendidas nas instituições; um

diálogo sobre família; a dimensão organizacional

do espaço, do tempo e das ações pedagógicas/

experiências desenvolvidas em creches e préescolas;

a contribuição da literatura para as crianças

pequenas; a importância dos jogos de faz de conta

para o desenvolvimento infantil; a brincadeira

como uma linguagem própria da infância e sua

vivência na escola; a expressão artística e estética;

a musicalidade e as experiências sonoras; a

linguagem oral e escrita na educação infantil; e os

conhecimentos acerca do mundo físico, social e

da natureza, bem como temáticas relacionadas às

ciências.

Nessa perspectiva, a publicação contribui

com elementos teóricos e metodológicos para

embasamento e reflexão sobre as práticas

desenvolvidas no cotidiano dos profissionais da

educação que atuam no atendimento às crianças,

bem como às suas famílias, no contexto da escola

da infância, interessados e curiosos em saber, afinal:

Educação Infantil, pra que te quero?


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CULTURAL

DICA DE FILME

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Caramba carambola: o brincar tá na

escola

Texto: Kelly Cristine Cruz Rocha Alves

Técnica e Formadora do Setor de Educação Infantil

da Secretaria de Educação de Maracanaú

“Brincar é fundamental. Eu diria que hoje

seria até um instrumento de sobrevivência

no mundo, tanto para as crianças como

para os adultos.” (Marina Célia M. Dias.

Profa Dra da Faculdade de Educação – USP)

O documentário “Caramba, carambola: o

brincar tá na escola” passeia pelas possibilidades de

criação da cultura da infância dentro das instituições

públicas de ensino. Seu objetivo é contribuir para

a formação do educador da infância, fazendo-o

refletir sobre a importância da garantia do tempo,

espaços, materiais e relações para que a brincadeira

aconteça no cotidiano das escolas, através de

alternativas simples.

Ao longo do vídeo, diversas falas reforçam

a importância do brincar, como: “brincar é uma

linguagem, talvez a mais completa. É um jeito

de existir” ou “a infância não pode esperar pelas

crianças no lado de fora da escola”.

Com 30 minutos de duração, o

documentário nos possibilita sensibilizar o olhar

quanto à importância da vivência do lúdico, desde

a mais tenra idade, apontando possibilidades de se

entender o brincar brincando, não apenas entre as

crianças, mas em sua relação com suas famílias e

professores.

Caramba, Carambola: o Brincar tá na

escola. Disponível em Realização Ministério

da Cultura. Direção e roteiro de Olindo Estevam.

Produtora Paiol Filmes.


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É NOTÍCIA! 22

Universidade Aberta do Brasil promove aula

inaugural no polo Maracanaú

A Universidade Aberta do Brasil - UAB

realizou, no dia 10 de fevereiro, aula inaugural

para o primeiro semestre do polo UAB Maracanaú.

A Universidade Estadual do Ceará- UECE ofertará

os cursos de graduação e pós-graduação em

Maracanaú na modalidade de ensino a distância,

com frequência semipresencial.

Os cursos oferecidos de graduação são

Ciências Biológicas, Química, Artes Visuais e

Matemática com 190 alunos matriculados. Os cursos

de pós- graduação em Gestão Pública Municipal e

Gestão Pública da Saúde ofertam no total 90 vagas.

O evento contou com a presença do Prefeito de

Maracanaú, Firmo Camurça, do Secretário de

Educação, professor Marcelo Farias, do Secretário

Executivo de Educação, Nilson Gomes, da

coordenadora do Polo UAB Maracanaú, Jaiane

Ramos, das coordenadoras do curso de Artes

Visuais, Elidia Clara e do curso de Ciências Biológicas,

Germana Paixão, professoras titulares da UECE, além

dos alunos e convidados.

O Prefeito de Maracanaú, Firmo Camurça,

lembra como o polo da UAB chegou ao Município

“há uns dois anos, o Secretário de Educação,

professor Marcelo Farias e o Secretário Executivo

de Educação, professor Nilson Gomes, foram juntos

ao Ministério da Educação para que nossa cidade

tivesse a oportunidade de disponibilizar o acesso

ao ensino superior” e concluiu desejando que “o

centro de ensino seja um despertar tanto para a

vida profissional quanto para outras conquistas”.

“É um momento histórico para a Educação

em Maracanaú. Uma parceria com a Universidade

Estadual do Ceará para promover o ensino superior

em nossa cidade, capacitando os universitários para

novos desafios”- declarou o Secretário de Educação,

Professor Marcelo Farias.

Jaiane Ramos, coordenadora do Polo UAB

Maracanaú lembra que ficará diariamente com os

alunos do polo. “Nós estamos aqui para auxiliar no

aprendizado de vocês. Esta solenidade é o marco

para a educação no ensino superior em Maracanaú,

através da UECE vocês terão acesso aos cursos de

qualidade”.

Na sede do Polo UAB Maracanaú, os alunos

acompanharão os cursos utilizando laboratório de

informática, biblioteca, salas de estudos e espaços

destinados às atividades presenciais e online. O

polo está localizado no Núcleo de Tecnologia de

Maracanaú- NUTEM.


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É NOTÍCIA! 23

Prefeitura de Maracanaú firma parceria com o

Instituto Myra Eliane para Educação Infantil

O prefeito de Maracanaú, Firmo Camurça,

o secretário de Educação, Marcelo Farias, e o

promotor da vara da infância, Dr Rubens Machado

e representantes do Instituto Myra Eliane assinaram

o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC para o

projeto “Valores Humanos na Educação Infantil”, na

sede do Ministério Público do Estado do Ceará – MPCE.

O Instituto Myra Eliane inspirou-se em

uma experiência pedagógica iniciada na cidade

de Campinas, São Paulo, e adotou o projeto para

que as cidades cearenses também pudessem

trabalhar na educação infantil com as metodologias

e o desenvolvimento integral que vem gerando

resultados positivos em Campinas (SP). As crianças

vivenciarão os valores humanos através da literatura

infantil e cordéis produzidos pelo Instituto. Os

professores participarão de formações promovidas

pelo Instituto. As cidades de Fortaleza, Caucaia,

São Gonçalo do Amarante já assinaram o TAC.


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É NOTÍCIA! 24

Prefeitura realiza cerimônia de inauguração

do CEI Elsa Maria Laureano Pereira

O Centro de Educação Infantil – CEI Elsa

Maria Laureano Pereira foi inaugurado, oficialmente,

dia 7 de março, no Jardim Bandeirante – grande

Pajuçara. O CEI foi orçado em R$ 2.026.797,38 e

contou com recursos federais, através do Fundo

Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE,

além da verba do próprio município, no valor de R$

1. 076.797,38.

A creche irá beneficiar 162 crianças nas

turmas de Berçário, Infantil I, Infantil II, Infantil III,

no tempo integral, além das turmas de Pré- I e Pré-

II. O quadro de funcionários da creche conta com

14 professores, 9 estagiárias de ensino superior,

2 manipuladoras de alimentos, 4 funcionárias de

serviços gerais, 1 porteiro e 1 vigilante.

Maria Estela Estevão, mãe da Gabriele Mary,

de 4 anos, lembra que a filha estudava em colégio

particular e que quando soube da creche, aguardou

o início das matrículas. “Estava esperando a creche

desde o dia que ela nasceu. Para mim foi muito

bom, estou muito feliz e minha filha também, ela

ama essa escola”.

Jucelia da Silva, mãe da Maria Júlia, de 2

anos, que estuda em tempo integral, fala que agora

vai trabalhar tranquila, pois a filha gostava muito da

creche. “Eu trabalho durante o dia e venho buscá-la

a tarde. A creche é muito organizada, as professoras

muito atenciosas. Veio em um bom momento,

pois eu não tinha uma pessoa para ficar com ela

enquanto eu trabalhava”.

O Prefeito de Maracanaú, Firmo Camurça,

lembra que a educação pública transforma.

Educação é o caminho e nós vamos sempre investir

para que o município possa continuar crescendo”.

Para o Secretário de Educação, Professor Marcelo

Farias, todo investimento em educação é importante

e com esta nova creche as crianças terão acesso ao

ensino de tempo integral na educação infantil.


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É NOTÍCIA! 25

Prefeitura inaugura quadra poliesportiva

coberta na EMEF Maria Pereira da Silva

O prefeito Firmo Camurça inaugurou, no

dia 9 de março, a quadra poliesportiva coberta

com vestiários da EMEF Maria Pereira da Silva, na

Pajuçara. A obra, que atende a modernos padrões de

acessibilidade, foi financiada pelo Fundo Nacional

de Desenvolvimento da Educação – FNDE, através

do PAC II e com recursos do próprio município, no

valor total de R$ 832.152,32. A quadra recebeu o

nome da jovem Jordana Viana Barbosa, moradora

do bairro, que faleceu em um acidente de trânsito.

Isabele Aguiar, aluna do 9° ano e presidente

do Grêmio Estudantil, diz que o espaço será excelente

para a prática de esportes e apresentações, e afirma

que esse colegiado será parceiro da escola para a

conservação do equipamento. “Nós ficamos felizes

com a inauguração. É uma grande conquista para a

comunidade escolar”.

Emílio Penha, professor de Educação Física

da instituição de ensino, lembra como eram as aulas

e afirma que com a quadra poliesportiva coberta

os alunos realizarão as atividades físicas com mais

comodidade. “Aguardávamos pela inauguração

e a partir de hoje nossa escola conta com uma

boa infraestrutura para a realização de nossas

atividades”.

Também presente na inauguração, o

professor Marcelo Farias, Secretário de Educação,

comentou sobre relevância social da quadra

poliesportiva para a comunidade escolar. “É uma

conquista da comunidade, pois vai atender não

somente as demandas escolares, mas também vai

possibilitar a realização de eventos sociais, como

formaturas, campeonatos esportivos, enfim, todos

serão beneficiados.” - concluiu.


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É NOTÍCIA! 26

Maracanaú participa do Seminário Internacional

Mais Infância Ceará

A Prefeitura de Maracanaú esteve presente,

dia 30 de março, no Seminário Internacional Mais

Infância Ceará: Criança é Prioridade. O evento

realizado pelo Governo do Estado, através do

Programa Mais Infância Ceará, prossegue até

amanhã no Centro de Eventos do Ceará com o

objetivo de sensibilizar os gestores para ter um

olhar especial e mais dedicado à infância.

A Comitiva de Maracanaú foi representada

pela primeira-dama Kamile Camurça, secretário de

Educação, Marcelo Farias, a secretária de Assistência

Social, Glauciane Oliveira, entre outros profissionais

do Município. O Seminário contou com a presença

do governador do Ceará, Camilo Santana, e da

primeira-dama do Estado, Onélia Leite de Santana.

O seminário tem como objetivo fomentar

a busca por conhecimentos específicos de

gestores municipais para construção de políticas

de fortalecimento da infância e de garantia dos

direitos das crianças. Por isso, o evento tem como

público-alvo, durante os dois dias, prefeitos,

primeiras-damas e secretários de Educação, Saúde e

Assistência Social do Estado e dos municípios, além

de profissionais e entidades que realizam trabalhos

em prol da infância.

A iniciativa faz parte do Programa Mais

Infância Ceará e reúne os gestores municipais

para fortalecer a infância e garantir os direitos

das crianças. Na ocasião, o Estado e os municípios

participantes assinaram um pacto em prol do

desenvolvimento da primeira infância.


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É NOTÍCIA! 27

EMEIEF Narciso Pessoa de Araújo comemora

10 anos

No dia 8 de abril, a EMEIEF Narciso Pessoa

de Araújo comemorou 10 anos de fundação.

Nas exibições artísticas, as crianças da Educação

Infantil apresentaram a música “Aquarela”. As

alunas do 2º ano fizeram uma dramatização

sobre amizade, os alunos do 4º ao 5º ano

recitaram poesia, cantaram a música “Tempo

Perdido” e a aluna da EJA declamou um cordel.

Na celebração, foram homenageados

o Secretário de Educação, Marcelo Farias, a

primeira diretora da escola e primeira-dama,

Kamile Camurça, a ex-diretora Célia Roque, a

atual gestora, Regina Lúcia, a primeira secretária

da escola, Claudia Melo. Também receberam

homenagem Jacinta Basílio, representando os

pais de alunos, Rosimeire Ferreira, representando

a primeira equipe de professores, Vera Matias,

representando os primeiros servidores e Tim David

Freire, representando os primeiros alunos da escola.

Durante esses dez anos, a escola apresentou

indicadores satisfatórios. Nas avaliações externas

de âmbito federal, como a Prova Brasil, a qual

avalia o desenvolvimento da Educação Básica-

Ideb, a escola obteve média superior às metas

estabelecidas pelo Ministério da Educação – MEC.

A Escola Narciso Pessoa de Araújo atende,

atualmente, 680 alunos, distribuídos nos turnos

manhã, tarde e noite, nas modalidades de Educação

Infantil, Ensino Fundamental e a Educação de Jovens

e Adultos – EJA. A gestão escolar é formada pela

gestora geral, duas coordenadoras pedagógicas,

um coordenador administrativo-financeiro e uma

secretária escolar. O corpo docente é composto

por 37 professores, além de 18 funcionários.


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É NOTÍCIA! 28

Projeto ‘Eu sou Cidadão - Amigos da Leitura’ é

lançado para alunos da rede municipal

A Secretaria de Educação realizou, no dia 3

de abril, o lançamento do projeto ‘Eu sou cidadão’,

uma iniciativa de incentivo à leitura, à produção

escrita e à formação de multiplicadores do projeto.

O evento foi realizado no auditório da Fadesne com

a presença dos alunos das escolas escolhidas.

Laryssa Carvalho, formadora e coordenadora

responsável pelo acompanhamento da turma da

EMEIEF Comissário Francisco Barbosa, falou sobre

o objetivo principal do projeto. Que é fortalecer o

protagonismo juvenil, o resgate da memória local,

o incentivo à prática da leitura e da produção

escrita, estimulando esses jovens para que possam

propagar, para outros jovens e para a comunidade

escolar, o gosto pela leitura.”

Participaram desta primeira fase do

projeto turmas de dez alunos, selecionados em

quatro escolas do município, sendo elas: EMEIEF

Construindo o Saber, EMEIEF Comissário Francisco

Barbosa, EMEIEF José Dantas Sobrinho e a escola

rural EMEIEF José Mario Barbosa. O critério principal

para a seleção foi a existência de projetos de leitura

e produção de texto em andamento nas escolas.

Durante a tarde, os alunos puderam conhecer

mais sobre o projeto através de palestras, atividades

lúdicas de leitura, musicalidade, dobraduras e

análise dos livros que serão utilizados no projeto,

além de poderem conhecer e dialogar mais de

perto com os coordenadores que acompanharão

cada turma nesse percurso formativo.

O projeto também servirá de preparação

para as turmas que representarão o município na

décima segunda edição da Bienal Internacional do

Livro, que acontecerá em Fortaleza de 14 a 23 de

abril.


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É NOTÍCIA! 29

Escolas municipais realizam eleições para

Grêmios Estudantis

As escolas municipais de Maracanaú

realizaram nesta quarta-feira, 5 de abril, as eleições

para os grêmios estudantis das 44 escolas do

município que possuem alunos do 6º ao 9º ano do

ensino fundamental. A votação aconteceu das 8h

às 17h, entretanto nas escolas que possuem aulas

noturnas estendeu-se até às 20h. As chapas inscritas

variaram de 3 até 11 por escola.

Na EMEIEF Comissário Francisco Barbosa, os

alunos utilizaram um aplicativo nos computadores

que simula a urna eletrônica. Nesse sistema, ao final

de cada turno da eleição, o programa imprimiu

um boletim parcial da votação. A coordenadora

pedagógica da Escola, Jaqueline Diniz, lembrou

que os alunos se organizaram para esta eleição.

“Vieram no contra- turno, se reuniram, elaboraram

as propostas e desenvolveram todo o processo de

divulgação até a semana passada”.

O candidato a presidente pela chapa

“Atitude Estudantil”, Janderson Rodrigo, disse que

as propostas foram pensadas em todo o corpo

estudantil e na comunidade local. Eles propõem o

projeto “Minha Escola, Minha Vida”, em que os alunos

sejam conscientizados do zelo que devem ter pelo

ambiente escolar e pretende fazer um Anuário onde

as ações da Escola Comissário Francisco Barbosa

sejam registradas.

Na EMEIEF José Assis de Oliveira foram

inscritas seis chapas. Geovana Oliveira, candidata

a presidente pela chapa L.U.T.E - Liberdade, união

e transformação estudantil, enfatizou que suas

propostas são para melhorias e conscientização

dos estudantes e comunidade escolar. “Nossa

candidatura propõe que sejamos parceiros da

escola e do entorno escolar para agregar benefícios

a nossa educação”.

O eleitor Caio Marles, contou que com o

Grêmio Estudantil atuante, os alunos, além de serem

representados, ajudarão na manutenção da escola

e que o engajamento estudantil será fundamental

para as ações do grêmio. Uryane Moreira, aluna da

escola e secretária da comissão eleitoral, disse que

a participação nesse momento de democracia na

escola foi marcante e que a campanha está sendo

muito disputada pelas chapas concorrentes.


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É NOTÍCIA! 30

Secretaria de Educação realiza solenidade de

posse dos Grêmios Estudantis

A Prefeitura de Maracanaú, através da

Secretaria de Educação, realizou, no dia 18 de abril,

solenidade para empossar os 44 grêmios estudantis

das escolas municipais de 6º ao 9º ano. O evento

ocorreu no auditório da EEEP Maria Carmem Vieira

Moreira, na Pajuçara.

Participaram da solenidade a primeira-dama,

Kamile Camurça, o secretário de Educação, Professor

Marcelo Farias, a diretora de Educação, Ivaneide

Antunes, a coordenadora da Gestão Escolar, Arlete

Moura, além dos gestores das escolas municipais e

alunos que compõem os grêmios estudantis.

Josiel Ribeiro, presidente do grêmio

estudantil da EMEIEF Rachel de Queiroz, destaca

a importância da função. “Nós seremos a voz dos

nossos colegas da escola, nos reuniremos em busca

de avanços e valorização do espaço escolar.”

A primeira-dama, Kamile Camurça, destaca

a relevância deste momento. “Estamos aqui para

fortalecer, cada vez mais, esse protagonismo

juvenil, para que os estudantes possam exercer sua

cidadania.

O professor Marcelo Farias parabenizou

as escolas por terem participado no processo de

eleição e destacou que o Grêmio Estudantil é uma

oportunidade para desempenhar a cidadania e

representar a comunidade escolar.

Arlete Moura lembra que o grêmio estudantil

será a voz dos estudantes dentro das escolas, que

eles mobilizarão os colegas para as atividades

extracurriculares, além de representar os alunos

junto à gestão da escola.


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É NOTÍCIA! 31

Escolas de Maracanaú participam do

Congresso dos Amigos da Leitura na XII

Bienal Internacional do Livro no Ceará

Os estudantes das escolas municipais, a

primeira-dama, Kamile Camurça, a diretora de

Educação, Ivaneide Antunes e as coordenadoras

do Projeto “Eu sou Cidadão - Amigos da Leitura”

participaram, nesta quarta-feira, 19, do XI Congresso

dos Amigos da Leitura na Bienal Internacional

do Livro do Ceará. O evento é promovido pela

Associação para o Desenvolvimento dos Município

do Estado do Ceará – APDMCE e contou com a

participação de 42 municípios cearenses.

Durante a manhã, os estudantes conheceram

as histórias do projeto nos municípios em que são

desenvolvidos, conversaram com os convidados

sobre os projetos e direitos sobre a infância e

adolescência, além de receberem brindes. No turno

da tarde, os estudantes visitaram os stands da

Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro

de Eventos.

O “Projeto Eu sou Cidadão – Amigos da

Leitura” tem como objetivo incentivar a leitura, a

produção textual e a formação de multiplicadores

deste projeto. A aluna Ana Beatriz, da EMEIEF José

Mário Barbosa, conta que leu o livro do projeto em

uma semana e que já o emprestou. “Eu falei com

minha prima sobre o livro que eu estava lendo e ela

também quis conhecer a história”.


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É NOTÍCIA! 32

Escolas e Comunidades se mobilizam no

Combate ao Mosquito Aedes Aegypti

A Prefeitura de Maracanaú, através das

Secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social

e Cidadania, promoveu o Dia “D” de Mobilização

e Combate ao Mosquito Aedes Aegypti nessa

sexta-feira, 5 de maio. Os alunos de todas as

escolas da rede Municipal visitaram residências

para conscientizar seus moradores sobre os riscos

e as consequências que o mosquito, transmissor

da Dengue, Chikungunya e Zika, pode trazer aos

cidadãos.

A escola Instituto São José realizou ação

na Praça da Estação. Os alunos e professores

distribuíram panfletos às pessoas que passavam

pela Praça, além de exporem faixas e cartazes com

informações sobre o mosquito. O aluno Mateus

Lucas vestiu-se de mosquito Aedes Aegypti e

destacou a importância desse momento: “É bom

saber que hoje eu posso estar aqui ajudando a

combater esse mosquito, informando e alertando

dos riscos”, disse. A aluna Ana Carolina explica como

os moradores devem agir para combatê-lo: “Não

podem deixar água parada, tem que verificar os

tanques e tambores, além de jogar o lixo na lixeira e

amarrar o saco de lixo, para não acumular água”.

O prefeito Firmo Camurça também

participou da ação e lembrou que a Prefeitura

trabalha no combate ao mosquito Aedes Aegypti

diariamente. “Essa ação com os alunos das escolas

Municipais, e com as Secretarias de Educação,

Saúde e Assistência Social e Cidadania fortalecem

a mobilização para que nosso Município combata e

esse sse mosquito”, afirma o prefeito.


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É NOTÍCIA! 33

Secretaria de Educação realiza palestra sobre

Autismo Infantil e seus cuidados

A Secretaria de Educação, por meio do

Setor de Educação Especial/Inclusiva, promoveu na

segunda-feira, 15 de maio, no Instituto Federal do

Ceará de Maracanaú – IFCE, uma palestra sobre o

“Autismo Infantil e Seus Cuidados”, com o objetivo

de favorecer a aquisição de novos conhecimentos e

estratégias de cuidados do estudante com autismo.

O evento contou com a presença de 116

cuidadores, pais de crianças com autismo e da

palestrante Virgínia de Castro Oliveira, odontóloga,

que relatou experiências do seu cotidiano ao

receber o diagnóstico do seu filho e logo após

decidiu especializar-se, procurando palestras e

cursos que envolvessem o assunto, com o intuito

de propagar seus conhecimentos e de informar por

meios mais acessíveis como dar o melhor suporte

emocional e educacional para essas crianças.

Na ocasião, foi apresentando o Transtorno do

Espectro Autista – TEA, que explica as características

da criança com autismo e os possíveis diagnósticos.

Despertando nos pais e cuidadores uma forma

mais ampla de trabalhar dentro e fora da escola.

Marinalva Santana, 38, mãe de três filhos

que foram diagnosticados com autismo, falou do

seu entusiasmo de poder participar da palestra

pelo fato de receber novos conhecimentos e

reforçar a sua luta, fazendo com que exista um

maior aprofundamento na causa e se una à mães

que também passam pelo mesmo processo.


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É NOTÍCIA! 34

SME mobiliza escolas no dia Nacional de Luta

Contra o Abuso e a Exploração Sexual de

Crianças e Adolescentes

A Secretaria Municipal de Educação – SME,

através da Coordenadoria de Ações Socioeducativas

Complementares – CASEC, promoveu, no dia 18 de

maio, um encontro com alunos de cinco escolas

municipais: Adauto Ferreira Lima, Luís Gonzaga dos

Santos, Rachel de Queiroz, Santa Edwirges e Herbert

José de Sousa para apresentação de paródias,

danças e performance teatral contra o Abuso e

a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

As alunas Melissa Nunes e Stefany Dias, da

escola Adauto Ferreira Lima, apresentaram paródia

sobre a música “Fico assim sem você” e as alunas Carla

Geovana, Lara Gisele, Suelen Sales cantaram paródia

da música “Trem bala”. As 62 escolas municipais que

possuem o projeto Peteca também se mobilizaram

neste dia contra o Abuso e a Exploração Sexual

de Crianças e Adolescentes com atividades,

filmes e paródias que abordavam o assunto.


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É NOTÍCIA! 35

Centro de Línguas de Maracanaú promove o V

CLM Comunica

O Centro de Línguas de Maracanaú

promoveu nos dias 22 a 25 de maio o “V CLM

Comunica”, com o tema Literatura é Língua. O

evento tem como objetivo proporcionar um

espaço de interação com a comunidade escolar,

por meio das exposições de trabalhos práticos e

teóricos apresentados nos três turnos pelos alunos,

referentes à Literatura, utilizando as Línguas Inglesa,

Espanhola e Libras.

Artur Clemente, aluno do curso de Inglês,

participa pela segunda vez do CLM Comunica. Ele

lembra a vivência neste evento. “É um momento

especial em que aprendemos mais sobre a língua,

com o auxílio da nossa professora, e apresentamos

a literatura estudada aos visitantes e colegas de

outras turmas”.

Rosângela de Oliveira, professora de

Libras, destaca que nesse evento os alunos se

reúnem, com orientação do professor da turma,

para apresentarem encenações sobre a literatura

trabalhada, além de trocarem experiências sobre a

Língua que estudam.


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É NOTÍCIA! 36

Prefeitura inicia entrega do fardamento escolar

para alunos da rede Municipal

A Prefeitura de Maracanaú entrega o

fardamento escolar aos estudantes da rede

municipal de ensino. As entregas iniciaram no

mês de Maio. Os alunos do ensino fundamental

receberam duas blusas e uma calça, os alunos da

educação infantil, dois conjuntos com camiseta

regata e short em tecido, e os alunos da Educação

de Jovens e Adultos – EJA receberam uma blusa.

Serão beneficiados mais de 44 mil estudantes.

O prefeito Firmo Camurça destacou a

importância do fardamento e acrescentou que

entregará os 44 mil alunos de todo Maracanaú. Ele

também afirma que é uma felicidade, entregar nesse

momento de crise, a farda para todos os alunos da

rede pública municipal.

Janny de Sousa, mãe de uma estudante

da rede municipal, parabeniza o prefeito Firmo

Camurça, pela entrega das fardas, porque segundo

ela é essencial as crianças irem para a escola

fardadas, principalmente para identificar o aluno.

Já para Afonso Remir, pai de uma estudante

da rede municipal, a entrega do fardamento ajuda

na questão da economia para os pais, que não terão

a preocupação financeira em relação as vestimentas.


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É NOTÍCIA! 37

SME realiza III Encontro das Comissões de

Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola

(Com-Vida) de Maracanaú

A Secretaria Municipal de Educação – SME,

por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento

Curricular e Educação Ambiental, realizou, no

dia 9 de junho, no Instituto Federal de Educação,

Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE, o III Encontro

de Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de

Vida na Escola - Com- Vida. Com o objetivo de

promover a troca de experiências, por meio das

ações de Educação Ambiental desenvolvidas pelos

professores e estudantes.

Na ocasião, cerca de 140 pessoas estiveram

presentes, entre alunos e professores-orientadores

das escolas municipais, que apresentaram seus

projetos e suas ideias de sustentabilidade,

reaproveitamento da merenda escolar, reutilização

da água da chuva e hortas escolares, com a intenção

de promover uma alimentação saudável, sempre

voltados aos cuidados com o meio ambiente.

Segundo a Professora Ivaneide Antunes,

Diretora de Educação, o encontro tem o intuito de

transformar as escolas em ambientes sustentáveis

e conscientizar a comunidade escolar de que

todos precisam fazer sua parte em relação ao meio

ambiente.

Luzia Edna, técnica de educação ambiental,

relatou que é de extrema importância ter um

empenho contínuo com os professores sobre o

meio ambiente, trabalhando com as crianças e

adolescentes interdisciplinarmente.

Alunos do Com-Vida apresentaram murais

com seus projetos, sementes utilizadas na culinária

saudável, danças artísticas, coral e alimentos que

eles mesmos prepararam.

Letícia Costa, 12 anos, da EMEIEF Governador

César Carls de Oliveira Filho, apresentou seu projeto

sobre o mosquito Aedes Aegypti, o qual propõe

a realização de palestras e entregas de panfletos

na comunidade para a conscientização de pais e

alunos. Nesta escola, foram construídas também as

hortas, onde são feitas as divisões dos alunos para o

cuidado e conservação dos vegetais.

A professora Ana Maria e a aluna Rihana,

da EMEIEF José Nogueira Mota, falaram sobre

alimentação saudável e sustentável, com o objetivo

de despertar nas crianças a conscientização e alertar

sobre a questão do desperdício de alimentos, através

da reutilização das cascas das frutas, legumes,

verduras e sementes, para a produção de sucos,

bolos e sopas, consequentemente diminuindo a

poluição.


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É NOTÍCIA! 38

Núcleos gestores e professores do 2° ano

participam do Evento da Editora Aprender

A Editora Aprender realizou, no dia 20

de junho, um evento para apresentar o livro

didático do 2º ano, que os professores da rede

municipal utilizarão em sala de aula. Participaram

da solenidade o Secretário de Educação, professor

Marcelo Farias, a diretora da Diretora de Educação,

Ivaneide Antunes, a representante da Editora

Ana Cristina Miranda e a palestrante Jeane Félix

de Andrade, além de gestores e professores que

ensinam o 2º ano do ensino fundamental.

A coleção é composta de dois kits. O

primeiro, para o aluno, contém: livro vol. 1, tarefas

de casa e livro da família e, o segundo, para o

professor da turma que contém: livro do aluno vol.

1; tarefas de casa; guia de orientações didáticas;

brincando com as palavras (cartazes, expositores;

telas de arte, alfabeto e algarismos) adquirida

pelo município com recursos próprios, com vistas

a incrementar o fazer pedagógico, subsidiando

e instrumentalizando os professores P1 e P3 das

referidas turmas, como uma ferramenta a mais na

construção e desenvolvimento de aprendizagens

efetivas e significativas dos nossos alunos.

Trícia de Andrade, diretora da EMEIEF

Governador Mário Covas, elogiou o evento, a

acolhida e principalmente o tema que foi explanado,

o qual trouxe boas expectativas para os professores

que demonstraram bastante entusiasmo, para

trabalharem o material.

Maria Charlene, professora do 2° ano, da

EMEIEF Governador Mário Covas, ressaltou sobre

o seu contato com o livro na edição anterior, e

constatou que essa nova edição veio ainda mais rica.

Uma nova forma de ampliar a interação com o aluno

e com a família. Segundo ela, o livro facilita que as

atividades de casa sejam acessíveis e consigam dar

autonomia ao aluno. O evento foi finalizado ao som

de uma banda pé de serra com comidas típicas e

uma quadrilha improvissada.


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É NOTÍCIA! 39

Secretaria de Educação realiza etapa municipal

do prêmio Peteca

A Secretaria Municipal de Educação – SME

realizou no dia 22 de junho, a etapa municipal

do Prêmio Peteca, na quadra poliesportiva da

EMEIEF Narciso Pessoa de Araújo. As escolas

inscreveram trabalhos em seis categorias: Conto,

Curta-Metragem, Esquete Teatral, Música, Desenho

e Poesia. Foram inscritas 15 apresentações na

categoria Música e 16 Esquetes Teatral das escolas

que possuem o Programa Peteca.

O Prêmio Peteca tem por objetivo fomentar

a participação de crianças e adolescentes nas ações

de mobilização, conscientização e prevenção do

trabalho infantil, reconhecer e divulgar os melhores

trabalhos literários, artísticos e culturais produzidos

pelos alunos, e a dedicação dos educadores

envolvidos nas ações de prevenção e combate à

violação dos direitos de crianças e adolescentes.

Aline Pereira, estudante da EMEIEF Presidente

Tancredo Neves, explica como é participar desta

premiação: “É a minha primeira participação no

evento. Fiquei nervosa na encenação, mas consegui

representar a minha escola na luta contra o trabalho

infantil”.

Felipe Silveira, professor da Escola Antônio

Gondim de Lima, destaca a importância do prêmio

na luta contra o trabalho infantil: “É uma maneira

criativa, lúdica de trabalhar o tema, além de ser

uma oportunidade de tratar esse assunto com os

estudantes de maneira diferenciada. Fico feliz em

nós termos esse êxito e fortalecer o lado artístico

para combater o trabalho infantil”.


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É NOTÍCIA! 40

Alunos da rede municipal participam da

solenidade de formatura do Proerd

O Comando da Polícia Militar e a Prefeitura

de Maracanaú, através da Secretaria de Educação

e da Guarda Municipal, realizaram solenidade para

a formatura de 544 alunos da rede municipal do

Programa Educacional de Resistência às Drogas

e à Violência – Proerd, na Arena Carlos Alberto

Portela, na Pajuçara. Os estudantes matriculados

no quinto ano do ensino fundamental participaram

durante dez semanas de aulas sobre os malefícios

provocados pelo consumo de álcool, tabagismo e

de outras drogas.

Os estudantes escreveram redações

sobre o Proerd, e as melhores produções foram

premiadas. Vinicius Lima, da EMEIEF Adauto Ferreira

Lima, recebeu medalha pelo texto produzido e

lembra como foram as aulas. “Gostei muito de ter

participado. Aprendi a me prevenir e a alertar os

adultos que estão próximos a mim sobre o risco de

usar. ” - declarou.

O estudante Francisco Wilian Pereira, da

EMEIEF Governador César Cals de Oliveira Filho,

destaca que aprendeu quantas substâncias tóxicas

possui o cigarro e lembra os malefícios do uso

dessas substâncias. “Nós aprendemos que não

devemos usar essas drogas, que temos que ter

cuidado e sermos conscientes para dizer não, pois

isso compromete a vida das pessoas”.

O prefeito Firmo Camurça esteve presente

na solenidade ao lado do secretário de Educação,

professor Marcelo Farias, vereadores e dos

deputados estaduais, Capitão Wagner e Fernanda

Pessoa que prestigiaram o evento entregando as

premiações e medalhas.

Para o prefeito Firmo Camurça esse

momento é de felicidade em poder formar em

parceria com a Polícia Militar e a Guarda Municipal

os alunos das escolas municipais. “Esse é um projeto

que a gente pode sonhar cada vez mais, com um

mundo decente, com um estado menos violento e

cada vez melhor para viver”. - disse o prefeito.


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É NOTÍCIA! 41

XII Encontro Estadual dos Conselhos

Municipais de Educação do Estado do Ceará

é realizado em Maracanaú

A União Nacional dos Conselhos Municipais

de Educação- UNCME, através da Coordenação

Estadual da UNCME - CE realizou nos dias 28 e 29

de junho, o XII Encontro Estadual dos Conselhos

Municipais de Educação do Estado do Ceará, na

Faculdade para o Desenvolvimento Sustentável

do Nordeste - Fadesne, em Maracanaú. O

objetivo é qualificar os conselhos municipais,

instrumentalizando e atuando para um melhor

desempenho em suas funções.

O Encontro reuniu 140 participantes entre

conselheiros, técnicos e secretários de Educação

dos municípios de Amontada, Aracati, Barreira,

Capistrano, Caucaia, Choró, Coreaú, Crateús, Crato,

Fortaleza, Groaíras, Guaiúba, Ibicuitinga, Itaiçaba,

Itaitinga, Itapajé, Itarema, Juazeiro do Norte,

Madalena, Maracanaú, Maranguape, Morada Nova,

Pacatuba, Pacoti, Paracuru, Paramoti, Pentecoste,

Quixadá, Quixeré, Quixeramobim, Russas, São

Gonçalo do Amarante, Tauá, Viçosa do Ceará, com

o intuito de aprofundar seus conhecimentos e

compartilhar experiências.

O momento contou com a participação do

professor Genuíno Bordignon que palestrou sobre

a origem e a história dos Conselhos de Educação.

Segundo ele, o encontro é o processo mais rico

quando se trata de democratização da educação.

Fátima Cândido, técnica do Conselho Estadual de

Educação, relata que esse momento é de grande

importância, pelo intercâmbio de experiências que

é realizado ao reunir todos os conselhos. Dando

autonomia e se tornando produtivo diante dessas

qualificações. Fortalecendo as suas atribuições e

melhorando a educação do município.

Deusdete de Lima, conselheiro do município

de Itaitinga, enfatiza que o encontro é uma forma

de saber a fundo os mecanismos utilizados para

que o trabalho dos conselheiros possa gerar

frutos sabendo quais as ferramentas essenciais,

conhecendo os pontos primordiais da educação

para atender a demanda do município.


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É NOTÍCIA! 42

EMEIEF José Assis de Oliveira participa do

Projeto Itinerante Galera do DNIT

O Departamento Nacional de Infraestrutura

de Transporte – DNIT visitou a Escola de Ensino

Infantil e Ensino Fundamental José Assis de Oliveira

para apresentar o Projeto Itinerante Galera do

DNIT nesta quarta-feira, 28 de junho na quadra

poliesportiva da escola. Os estudantes do 1º ao 5º ano

desta escola receberam orientações sobre o trânsito

de veículos e de pedestres, além de participarem do

circuito, no qual com equipamentos de segurança,

realizaram o trajeto obedecendo às leis do Código

Nacional de Trânsito.

Os participantes receberam um kit com

tabuleiro, peças, estojo, lápis de cor, revista

educativa com jogos e caça- palavras e um bloco

para agente de trânsito mirim para multar os

adultos que cometem infrações. A estudante Yasmin

Almeida, do 5º ano, disse que a palestra ensinou

sobre a segurança no trânsito: “Nós temos que ter

cuidado ao atravessar uma rua, olhar os lados e estar

acompanhado de um adulto, para que não aconteça

um nenhum acidente”. Já o estudante Pedro Lucas,

do 5º ano, lembra que mesmo não sendo habilitado

para conduzir um veículo, destaca a importância

do projeto: “Esse momento é importante porque

nos explica as leis de trânsito e nós seremos

multiplicadores em nossa família e amigos para que

eles respeitem às leis, para não avançarem o sinal

vermelho e para respeitarem o pedestre”.

José Braga, chefe de serviços de operações

do DNIT- CE explica que este projeto itinerante

estará presente, aqui no Ceará, em duas escolas.

Uma é a Escola José Assis de Oliveira e a outra escola

na cidade de Caucaia. Ele também destaca que “esta

escola é próxima a uma rodovia que, provavelmente,

receberá uma passarela para travessia de pedestres.

Essas crianças serão agentes multiplicadores do uso

deste equipamento de segurança aos moradores

da região.


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É NOTÍCIA! 43

Prefeitura inaugura Quadra Poliesportiva

Coberta da EMEF Valdênia Acelino da Silva

A Prefeitura de Maracanaú inaugurou

a Quadra Poliesportiva Coberta da EMEF

Valdênia Acelino da Silva no dia 29 de junho,

no bairro Parque São João. A quadra conta

com acessibilidade, arquibancadas e vestiários,

possibilitando a prática de esportes, tanto por

alunos da escola como pela comunidade escolar.

A solenidade de entrega da quadra contou

com a participação do prefeito de Maracanaú,

Firmo Camurça, da primeira-dama, Kamile

Camurça, do secretário de Educação, professor

Marcelo Farias, do secretário de Infraestrutura, Caê

Pessoa, do secretário de Esporte, Márcio Caetano,

vereadores, além da comunidade escolar. Os

alunos apresentaram o trabalho desenvolvido pelo

programa “Mais Educação” aos presentes no evento.

O professor Wescley dos Santos, professor

de Educação Física da escola, destaca que com

a inauguração da quadra, o trabalho com os

alunos será fortalecido: “Quando a gente vê uma

quadra dessa, a gente enxerga educação, saúde,

sociabilidade e até o fim da violência. Por isso é tão

importante a entrega desta quadra. Agradecemos e

temos certeza de que a sociedade será beneficiada.”-

completou o Wescley.

O estudante Éric Matheus, do 9° ano, lembra

que gosta de jogar futsal e com a entrega da quadra

as aulas de Educação Física serão mais proveitosas

para a prática de esportes. “Vou aproveitar muito

essa quadra para jogar com os colegas de sala.

O professor trabalhará em nossas aulas o nosso

condicionamento físico, já que essa quadra nos

proporciona isso.

Para o prefeito Firmo Camurça é uma

satisfação entregar mais uma quadra poliesportiva

coberta a uma escola municipal. “Esta quadra, além

de proporcionar a prática de esportes, também

facilita a realização de atividades de cultura e lazer,

integrando a participação da comunidade”. - disse o

prefeito.


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É NOTÍCIA! 44

EMEIEF Norberto Alves Batalha comemora 25

anos com festa para comunidade escolar

A EMEIEF Norberto Alves Batalha comemorou

25 anos de existência à serviço da Educação, no dia

24 de junho. A Festa teve como tema “Eu faço parte

desta história”. O evento contou com a presença

da comunidade escolar. Também estiveram

presentes ex-alunos, professores e funcionários.

Dona Terezinha Batalha, filha do patrono da escola

Norberto Alves Batalha, o professor Mauro Braz,

representando a Secretaria de Educação, e o prefeito

Firmo Camurça.

A ideia de comemorar o aniversário da escola

surgiu no encontro do planejamento integrado com

o objetivo de reviver e conhecer melhor a história

da escola como também valorizar o trabalho das

pessoas que já passaram pela instituição.

A ocasião contou com diversas

apresentações como: entrevista sobre o patrono da

escola, paródias, homenagens aos profissionais que

já trabalharam na escola, entrega de medalhas aos

alunos que se destacaram no 1º bimestre, poesias

e muita animação com a professora Natividade e a

Geovana com o Forró “Quanto mais véi mió” e “Forró

pra cá”.

EMEIEF Maria do Socorro Viana Freitas realiza

caminhada contra o mosquito Aedes Aegypti

A EMEIEF Professora Maria do Socorro

Viana Freitas realizou caminhada com o tema:

“A escola e você contra o mosquito”, no dia 30 de

junho, no bairro Novo Maracanaú. A comunidade

escolar e representantes das Secretarias de

Educação e Saúde fizeram o percurso nas ruas do

bairro entregando panfletos e expondo cartazes

que alertavam para o risco de deixar água limpa

parada, além da importância de reciclar, reutilizar

e reduzir o lixo produzido pela população.

Para Michella Daustria, diretora da escola, as

crianças se tornarão multiplicadores no combate ao

mosquito Aedes Aegypti. “Nós vamos fortalecer essa

luta para que juntos possamos conseguir combater

esse mosquito”- finalizou a diretora.


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É NOTÍCIA! 45

Secretaria de Educação promove V Gincana

Junina com servidores

No dia 30 de junho, a Secretaria Municipal

de Educação – SME realizou a V Gincana Junina

com os servidores. Os partidos azul e vermelho

apresentaram: grito de guerra, objetos antigos, rei

e rainha caipira, casamento matuto, leitura de um

cordel junino inédito, dramatização de histórias

ou músicas, além de arrecadarem alimentos para

serem doados. A mesa de jurados foi composta por

Igor Brito e Vanderlene Camurça. Eles distribuíram

as pontuações conforme estava nas regras. Para

finalizar, depois de muita dança junina e comidas

típicas, o resultado foi divulgado, e a equipe Azul

tornou-se a grande campeã de 2017. As equipes

se empenharam ao máximo, para que a Gincana

fosse uma grande diversão, podendo assim cada

um interagir com diferentes setores, que ainda não

tinham contato, tornando a confraternização um

momento de alegria.

Representantes da SME entregam alimentos

arrecadados na V Gincana

A Secretaria Municipal de Educação – SME

realizou a doação dos alimentos arrecadados na V

Gincana da SME para a Casa da Família Maria Mãe

da Ternura das Irmãs Missionarias de Nossa Senhora

das Dores, localizada no bairro Piratininga nesta

segunda-feira, 3 de julho. Cerca de 105 alimentos

não perecíveis foram doados pelos técnicos da SME,

entre eles: arroz, feijão, macarrão e açúcar, além de

150 pacotes de leite em pó.

Mauro Braz e Argicélia Holanda realizaram

a entrega na Instituição. Segundo eles, a doação é

uma nobre atitude de ajudar e de conscientizar aos

demais a também realizarem mais ações como essa.


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É NOTÍCIA! 46

CLM realiza formatura dos cursos de Inglês,

Espanhol e Libras das turmas 2017.1

O Centro de Línguas de Maracanaú – CLM

realizou, no dia 4 de agosto, a formatura de 112

concludentes dos cursos de Inglês, Espanhol

e Libras do período 2017.1, no Buffet Monte

Rey. Os concludentes fizeram apresentações,

além do juramento, na Língua estudada.

Silvana Fernandes, diretora do CLM, fala

da satisfação de toda equipe em realizar mais

uma formatura. “A gente vem desenvolvendo esse

projeto que tem dado muito certo em Maracanaú e

tem atendido toda a classe de estudantes de ensino

médio, fundamental e os que concluíram o ensino

superior, além de técnicos da secretaria de educação,

do serviço público e da rede privada também. A

gente tem a oportunidade de ofertar um ensino de

qualidade nas línguas estrangeiras, que hoje é um

diferencial na vida de todo profissional”, declarou.

A estudante Iana Thamyla, concludente

do curso de Inglês, lembra como o curso é

importante para ela. “O CLM me abriu horizontes

e perspectivas. Conhecer uma língua estrangeira

por meio de um curso de qualidade foi uma

experiência gratificante. Sei que o curso me ajudará

a enfrentar o mercado de trabalho e ter destaque

na vida profissional”, contou a concludente.

Carlos Rangel, professor de Espanhol,

diz que esta formatura é uma vitória para todos,

porque além de ser um curso longo, exige bastante.

“A gente acha que o Espanhol é fácil. A similaridade

com o português acaba dificultando um pouco

o aprendizado, mas eles saem bem preparados

para o mercado, principalmente, com vista para


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É NOTÍCIA! 47

o mercado latino-americano”, disse o professor.

O secretário de Educação, professor Marcelo

Farias, destaca o trabalho desenvolvimento pelo

CLM. “O grande número de alunos terminando Inglês,

Espanhol, Libras, que se instrumentalizam da melhor

forma para enfrentar a vida, o mercado de trabalho e

dar prosseguimento nos seus estudos, é o reflexo da

popularidade e da qualidade do ensino de línguas

de Maracanaú. Esses alunos têm uma boa vantagem

para avançar na vida profissional em relação aos

que não passaram pelo CLM”, destaca o secretário.

O prefeito Firmo Camurça manifesta a

felicidade em estar junto dos concludentes, dos

profissionais da Secretaria de Educação e do Centro

de Línguas de Maracanaú. “É uma satisfação muito

grande estar aqui, junto com o professor Marcelo,

nosso Secretário de Educação, e todos os nossos

professores que coordenam o Centro de Línguas

de Maracanaú. Poder presenciar esses alunos

se formando, após três anos e meio nos cursos

de Inglês e Espanhol e dois anos no curso de

Libras, nos proporciona uma alegria indescritível

e a plena satisfação de Maracanaú em oferecer

essa oportunidade aos filhos maracanauenses”.


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É NOTÍCIA! 48

Prefeitura empossa Núcleos Gestores das

Escolas municipais

A Prefeitura de Maracanaú, através da

Secretaria de Educação, empossou os Núcleos

Gestores das Escolas municipais na última segundafeira,

31 de julho, no Centro de Desenvolvimento

Educacional do Colégio 7 de Setembro, na Pajuçara.

Participaram da solenidade o prefeito Firmo

Camurça, a primeira-dama, Kamile Camurça, o

secretário de Educação, Marcelo Farias, o secretárioexecutivo,

Nilson Gomes, a Coordenadora da 1ª

Crede, Ana Geovanda Mourão, o presidente da

Comissão de Educação da Câmara dos Vereadores,

Manoel Correia, a Diretora de Educação, Ivaneide

Antunes, e a Diretora de Avaliação e Monitoramento,

Maria do Carmo Pinheiro. Os novos gestores

assinaram o termo de posse para o período 2017

a 2021 e participaram da palestra conduzida pela

professora Drª Sofia Lerche Vieira sobre o tema

“Explorando Desafios da Gestão Escolar”.

Magno Furtado, diretor geral do Centro

de Educação de Jovens e Adultos da Pajuçara –

CEJAP, participou pela primeira vez desta seleção

e lembra das etapas. “A prova da primeira fase foi

de conhecimentos gerais e específicos para cada

área e na segunda fase nos submetemos à banca

de trabalho. Foi muito gratificante e importante

porque realmente foi medida a nossa capacidade

gestora. Parabenizo à Secretaria de Educação e à

Prefeitura por realizar essa sistemática”.

Plácido Cavalcante segue para o segundo

mandato como diretor geral da Escola Rui Barbosa

e conta como é dar continuidade a um trabalho

que ele iniciou há quatro anos. “Os resultados

começaram a aparecer. A escola tem melhorado,

inclusive nos índices do SPAECE, o 5º ano avançou

em relação a quando assumimos a gestão. O nosso

grupo está consciente de tudo o que podemos

fazer e com mais essa oportunidade, a gente vai

fazer muito mais”.


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É NOTÍCIA! 49

O secretário de Educação, Marcelo Farias,

ressalta a importância da seleção. “A gente espera

que esse novo grupo, que é composto por pessoas

que já estavam na gestão, pessoas que se renovaram

nas funções ou gestões totalmente novas, mas

com experiências acumuladas, com o registro

já feito, com o intercâmbio que deve haver nas

diversas gestões, obter melhores resultados. Esse é

o caminho, nada de indicação por outros meios, há

não ser pelos próprios méritos, que é medido nesse

processo”.

O prefeito Firmo Camurça destacou e

parabenizou a todos em seu discurso dizendo:

“Estamos aqui finalizando e dando posse a todos

os novos gestores, para que possam conduzir

todas as escolas de Maracanaú e melhorar cada

vez mais os nossos resultados e avançar nos nossos

indicadores. Parabéns a todos os gestores, parabéns

ao Maracanaú por mais esse grande avanço que a

Secretaria de Educação e o Município conseguiram

implementar”


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É NOTÍCIA! 50

Secretaria de Educação lança projeto “Todos

por um objetivo: nenhum a menos”

A Secretaria Municipal de Educação – SME palestrou sobre o tema “Gestão de Resultados:

realizou, neste mês de agosto, o lançamento do Desafios e Possibilidades” provocou reflexões na

projeto “Todos por um objetivo: nenhum a menos”. dimensão da gestão pedagógica, apresentou

A iniciativa apresenta proposta de trabalho com questões de provas e estratégias a serem trabalhadas

o intuito de qualificar as práticas pedagógicas em sala de aula. Ela acredita que cada gestor e

com a perspectiva de elevar os índices do coordenador têm uma importante missão, que é

ensino fundamental I, do 2° e 5° ano, e do ensino fazer com os professores possam trabalhar com os

fundamental II, 9° ano, para o nível desejável nas alunos, de forma clara e facilitando a aprendizagem,

avaliações do Sistema Permanente de Avaliação para juntos irem além.

da Educação Básica do Ceará – SPAECE. Na ocasião As participações dos coordenadores

estiveram presentes gestores e coordenadores pedagógicos foram de acordo com sua atuação

pedagógicos das escolas municipais.

específica, oportunizando a Construção do Plano de

Rosângela Rebouças, coordenadora Trabalho para as turmas de 2º ano, 5º ano e 9º ano.

pedagógica da EMEIEF Manoel Rodrigues Pinheiro Para o êxito deste projeto, a Coordenadoria

de Melo, enfatiza que esse novo projeto é muito de Desenvolvimento Curricular, a Gestão Escolar

válido para um melhor desenvolvimento no campo e a Coordenadoria de Ações Socioeducativas

escolar, contribuindo para um ensino de qualidade Complementares – CASEC, através do programa

e mantendo a boa relação com os educadores. Novo Mais Educação, trabalharão com ações voltadas

Rebeca Albuquerque, professora pedagoga, para o desenvolvimento do objetivo deste projeto.


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É NOTÍCIA! 51

Estudantes da EMEIF Manoel Róseo Landim

são classificados para 2ª fase da X Olimpíada

Brasileira de Química Júnior

Os estudantes da Escola Municipal de

Educação Infantil e Ensino Fundamental Manoel

Róseo Landim foram aprovados para a segunda

fase da X Olimpíada Brasileira de Química Júnior

– OBQJr. As alunas Leticia Freitas da Rocha, Maria

Iohana de Oliveira Santos e o aluno Alisson Pereira

da Costa são estudantes do 9º ano e participarão da

2ª fase no dia 23 de setembro.

João Paulo Silva de Lima, professor de

Ciências da escola, inscreveu os alunos e adaptou o

conteúdo do livro de ciências do 9º ano para que a

turma participasse desta olimpíada. No início houve

resistência dos alunos, mas o professor conseguiu

convencê-los sobre a importância de integrarse

nesta olimpíada. “Eu conversei com a turma e

destaquei a relevância para que eles participassem,

para que no ensino médio, eles cheguem com um

conhecimento prévio da disciplina de Química” –

contou.

Para a gestora geral da escola, Socorro

Freitas, é uma alegria ter alunos dedicados e que

representam o município de Maracanaú nesta

Olimpíada. Ela ressalta o trabalho do professor de

Ciências. “Quero destacar a atuação e o incentivo

que ele deu a turma para que eles se dedicassem e

conseguissem a classificação para a fase seguinte”

A aluna Leticia de Freitas lembra que o

professor informou sobre a Olimpíada no início do

ano, e com o auxílio dele nas aulas de ciências foi

possível ser classificada para a 2ª fase da OBQJr. “O

professor nos explicou o conteúdo teórico e também

de forma prática, o que nos ajudou a entender e

chegar nesta fase da olimpíada”.

O aluno Alisson Pereira diz se identificar com

a disciplina e que gosta de estudar Química. “Eu

tenho interesse nessa matéria, me dedico, e vejo o

quanto ela é importante na nossa vida. O professor

nos deu essa oportunidade de participar e hoje

estou me preparando para a segunda fase”.

A aluna Maria Iohana de Oliveira destaca que

as metodologias utilizadas em sala de aula foram

fundamentais para a aprovação. “As experiências

práticas, o conteúdo ensinado e as atividades nos

auxiliaram. Vou me dedicar ainda mais para que

nesta próxima fase eu consiga ser classificada”-

finaliza.


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É NOTÍCIA! 52

SME e SASC realizam lançamento do DVD

Prêmio Peteca

A Secretaria Municipal de Educação – SME e

a Secretaria de Assistência Social e Cidadania

– SASC realizaram, no dia 28 de setembro, a

premiação do Prêmio PETECA 2017, no Centro de

Desenvolvimento Educacional do Colégio 7 de

Setembro. Uma iniciativa contra o trabalho infantil.

O Prêmio Peteca consiste na seleção e premiação

dos melhores trabalhos literários, artísticos e

culturais produzidos pelos alunos das escolas dos

municípios cearenses que participam do Programa

de Educação contra a Exploração do Trabalho de

Criança e do Adolescente – Peteca.

Na ocasião estiveram presentes a diretora

de Educação, Ivaneide Antunes, a coordenadora

municipal do projeto PETECA, Albertina Duarte,

e técnicos da Secretaria de Educação, onde

apresentaram os vencedores da Etapa Municipal

do Prêmio PETECA 2017, em todas as categorias

(Música/ Esquete Teatral/ Conto/ Poesia/ Curtametragem/

Desenho).

Fábio Freire, coordenador da Coordenadoria

de Ações Socioeducativas Complementares -

CASEC, diz que o PETECA tem como papel principal

mostrar para as crianças as consequências sofridas

em relação à exploração do trabalho infantil e

do adolescente. O prêmio é uma maneira de

reconhecer e homenagear os alunos que tiveram

a disponibilidade de contribuir com músicas

próprias, contos e poesias produzidos por eles, para

que o DVD pudesse ser gravado. As medalhas e

premiações foram um gesto simbólico do município,

para reconhecer o valor que essas crianças têm, na

tentativa de fazer com que não perpetue o trabalho

infantil.

“A sensação de ter ganho o 1º lugar em Poesia

foi maravilhosa e contagiante. Recebi o apoio de

todo mundo da minha escola. Eu já praticava e tinha

gosto pela poesia, mas nunca imaginei que poderia

representá-la. Eu não fazia poesia para mostrar para

alguém, era algo íntimo, mas a partir do momento

que a minha professora leu, ela disse que eu tinha

talento e me inscreveu no projeto, logo depois dos

resultados ela continuou me incentivando para

que eu não parasse de escrever. Eu me senti muito

segura quando a escola se uniu e me apoiou nessa

causa sobre o trabalho infantil e agora representarei

meu município”. - relatou Paula Andressa, 13 anos,

aluna da EMEIEF Deputado José Martins Rodrigues.


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É NOTÍCIA! 53

EMEIEF Deputado José Martins Rodrigues

provome II Relato de Experiências

Educacionais Inclusivas

A EMEIEF Deputado José Martins Rodrigues

realizou o II Relato de Experiências Educacionais

Inclusivas, no dia 20 de setembro, com o objetivo

de difundir e valorizar experiências escolares de

estudantes com deficiência, transtornos globais

do desenvolvimento e com altas habilidades/

superdotação, realizadas por gestores, educadores,

professores e estudantes. As propostas alcançaram

as famílias, onde participam e tem uma boa

interação com a escola. Os pais procuram a gestão e

recebem orientações de acordo com a necessidade

do seu filho.

Na ocasião, estiveram presentes alunos,

mães, professores, interpretes, cuidadores e a

comissão avaliadora, composta por Ana Paula

Holanda, coordenadora do setor de Educação

Inclusiva da Secretaria de Educação de Maracanaú,

Francisca Lima dos Santos, assistente social do Centro

Integrado de Reabilitação - CIRM, de Maracanaú,

e Sandra Maria Lima Fernandes, professora do

Atendimento Educacional Especializado. Também

houve distribuição de brindes, como livros voltados

para os temas tratados e lembrancinhas em forma

de homenagem para as mães.

Milca Ferreira, gestora da escola, diz que

o projeto é realizado mediante as dificuldades

e necessidades dentro da sala de aula, que os

professores apresentam ao núcleo gestor. Partindo

disso, a gestão, acompanhada dos profissionais

do Atendimento Educacional Especializado – AEE,

desenvolvem ações para a inclusão do aluno,

fazendo com que os professores se inscrevam

e trabalhem esses projetos em sala. Os pais

procuram a escola e recebem as orientações. “Com

as experiências apresentadas, todos puderam ver

e ouvir que realmente o nosso aluno faz parte de

uma inclusão verdadeira, no dia a dia, em todas

as aulas. Aquele aluno que não queria vir para a

escola, hoje não falta. Ele está engajado em todos

os momentos feitos pela escola, sem que haja


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É NOTÍCIA! 54

dificuldade de participação. O que acompanho

aqui é o crescimento a cada ano do envolvimento

do nosso estudante e da família, e da dedicação

dos profissionais do AEE.” - relatou.

O evento contou com as apresentações

de projetos que os próprios professores da escola

desenvolveram para conseguirem melhores

resultados dentro da sala de aula. Com objetivos

específicos, eles apresentaram trabalhos

relacionados à inclusão.

Os temas apresentados foram: “O processo

de inclusão do aluno com autismo na turma

comum” por Vanessa Rocha; “Corpos libertos: A

cultura corporal no âmbito da educação inclusiva”

por João Paulo Viana; “O papel do cuidador e as

estratégias de adaptação e acolhimento em um

ambiente inclusivo” por Milena de Lima; “Recursos

Acessíveis: A experiência de vídeo prova traduzida

em Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS” exibidos

por Liliane Vieira e Marcos Valentim; “Transtorno de

ansiedade: Avaliação diagnóstica de adolescentes

que apresentam a síndrome do pensamento

acelerado”, por Henrique Freitas.

Wesley e Wenderson estudam há 7 anos

nesta escola, eles têm necessidades especiais. Maria

Cleonice, mãe dos meninos, contou que percebeu

muitas mudanças no ambiente fraterno e que as

oficinas disponibilizadas pela escola para família

ajudaram na comunicação e no desenvolvimento

mútuo. “O apoio e o trabalho dos cuidadores

e interpretes me deram uma grande força, eles

participam de todos os passeios e apresentações.

Antes eu achava que isso não seria possível, mas a

inclusão mudou a vida dos meus filhos. “. - conta.

Milena Barros apresentou o projeto “O

papel do cuidador e as estratégias de adaptação

e acolhimento em um ambiente inclusivo”, que

desenvolveu dentro de sala, para que fosse possível

atrair a atenção e o interesse do aluno pelos pelas

disciplinas oferecidas, assim mostrou as ideias e os

resultados obtidos positivamente. “Os alunos que

tem necessidade especial podem ter os mesmos

direitos que os demais, que é o convívio e o direito

do aprendizado, pois a escola em si é para todos”.

- relatou.

A cuidadora diz que durante sete anos vem

aprendendo muito ao olhar para trás e ver o quanto

existia preconceito, pois também tem deficiência

de baixa visão e percebia que era prejudicada, por

acharem que ela não possuía habilidades, mas

hoje com a ajuda da inclusão é possível ver que

todos podem estar inseridos e que são capazes de

aprender e de ensinar.


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É NOTÍCIA! 55

Prefeitura entrega novas salas de aula na

EMEIEF José Nogueira Mota e na EMEIEF José

Mário Barbosa

A Prefeitura de Maracanaú, por meio da

Secretaria de Educação, entregou novas salas de

aula, sendo duas na Escola Municipal José Nogueira

Mota, na Mucunã, e duas na Escola Municipal

José Mário Barbosa, no Olho D’Água, no dia 28 de

setembro. Mais de 400 alunos serão beneficiados

nas duas unidades de ensino. Os espaços foram

construídos com recursos próprios do município,

através do Programa de Autonomia Escolar – PAE,

seguindo modernos padrões arquitetônicos e de

iluminação, visando garantir conforto aos alunos

e professores, contribuindo para o processo de

aprendizagem.

Francisca Cláudia é mãe de dois alunos

da Escola José Mário Barbosa, além de membro

do Conselho Escolar. Ela destaca a relevância da

ampliação da escola. “A importância das salas é

para dar melhoria para os alunos, podendo ofertar

mais matriculas. Futuramente, pretendemos fazer

o vestuário das crianças, para eles ficarem mais

à vontade. Pretendemos melhorar mais a nossa

escola para os que já são alunos e para os que ainda

virão”.

O Prefeito Firmo Camurça conta a satisfação

de entregar os novos espaços das escolas

municipais. “Estamos extremamente satisfeitos e

muito felizes, pois nesse momento entregamos,

na Escola José Mário Barbosa, duas salas de aula

do tamanho padrão, de acordo com as exigências

do Ministério da Educação. A meta da gestão é

entregar, entre 2017 e 2018, setenta salas de aula,

em todas as instituições de ensino da rede pública

de Maracanaú. Também estive na escola José

Nogueira Mota entregando duas salas semelhantes

a essa, porque nós queremos ampliar o número de

salas de aula, e dar mais cidadania a todos os alunos

de Maracanaú. Isso é o município avançando,

olhando pra frente e desenvolvendo cada vez mais

a Educação de nossa cidade”.


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A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA A INTERAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ESTUDO

DE CASO EM UMA ESCOLA MUNICIPAL DE MARACANAÚ

Vivian Kelly Pereira Lima

vikekely@hotmail.com

Emanuelle Oliveira da Fonseca

emanuelle272@hotmail.com

RESUMO

A Psicomotricidade vem sendo um assunto muito discutido no âmbito dos sistemas educacionais, pois

acredita-se que esta contribui significativamente no processo de aprendizagem das crianças, principalmente

na Educação Infantil. Com base nessa temática, configura-se a seguinte questão: quais suas contribuições

para a interação das crianças? Este trabalho tem como objetivo geral averiguar o perfil psicomotor com

vistas a estimular o desenvolvimento e o convívio entre indivíduos na faixa etária de quatro anos. Para

tanto, será pontuado como surgem as situações de interação a partir de vivências psicomotoras e como

essas acrescentam ao desenvolvimento e a aprendizagem, tendo como base um ambiente saudável

que proporcione situações de contato entre as crianças e a importância da psicomotricidade para as

descobertas e superações. A pesquisa foi realizada em uma escola pública municipal de Maracanaú, onde

a coleta de dados foi realizada através de observações de doze sessões de atividades relacionadas ao

tema e de registros escritos. Os resultados apontam avanços no nível de interação e afetividade entre as

crianças, maior concentração durante as atividades propostas pela professora em sala de aula e maior

grau de autonomia dos três sujeitos, porém há ainda um extenso caminho a percorrer no que se refere

a interação e aos estímulos proporcionados pela Instituição de ensino. Contudo, é necessário estimular

situações de convivência, comunicação, exploração, expressão e descobertas entre os alunos, para que

assim se alcance uma Educação integral.

Palavras-chave: Psicomotricidade, Interação, Educação Infantil

1. Introdução

O desenvolvimento de uma criança é um

processo complexo composto de habilidades

diversas que necessitam ser vivenciadas pelo

individuo, dentre essas estão também as motoras.

Pode-se dizer que crianças que passam por

dificuldades de aprendizagem em sala de aula, tem

a base do problema na falta de estimulo durante

o desenvolvimento infantil. É importante lembrar

que quanto mais se trabalha o desenvolvimento

psicomotor na primeira infância, melhor será a

estruturação da criança em seus primeiros anos de

vida, consequentemente, uma alfabetização mais

tranquila e mais saudável.

Partindo desse pressuposto delimitamos

nossa problemática: Quais as contribuições da

Psicomotricidade para a interação entre as crianças

da Educação Infantil?

Nesse sentido, elegemos como objetivo


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CIENTÍFICA 57

geral: averiguar o perfil psicomotor com vistas

a estimular o desenvolvimento e a interação de

indivíduos na faixa etária de quatro anos. De forma

mais específica: descrever o perfil de três crianças

na segunda fase da Educação Infantil, durante

doze sessões de Psicomotricidade. Observá-las

trabalhando o corpo com brincadeiras livres e/ou

dirigidas, ressaltando como surgem as relações

interpessoais na Educação Infantil a partir de

vivências psicomotoras, identificar como a disciplina

contribui para o processo de integração entre as

crianças e para uma melhor forma de aprendizagem,

pois é vivenciando situações concretas que elas

melhor se desenvolvem.

Nosso percurso metodológico utiliza-se

de pesquisa bibliográfica, análise documental

e pesquisa de campo, do tipo estudo de caso. A

pesquisa bibliográfica apoia-se nos estudos de

Campos (2007) e Le Bouch (1984) que serviram de

fundamentação para a compreensão do objeto.

Realizamos a análise documental, na qual

examinamos o Estatuto da Associação Brasileira de

Psicomotricidade (S.B.P.) que trata de suas normas

e delimita a formação necessária para ser um

profissional da área.

Na pesquisa de campo foram coletados

dados que explicitaram, na prática, as contribuições

da psicomotricidade no processo de interação entre

as crianças. Foram realizadas doze sessões com três

sujeitos na faixa etária de quatro anos de idade de

uma escola pública municipal de Maracanaú-Ceará,

onde percebemos suas dificuldades e evoluções

em aspectos como: alto nível de agressividade,

dificuldade de concentração nas atividades

propostas pela professora e consequentemente

dificuldade de interação social.

Atualmente, têm-se discutido a importância

da liberdade no processo educativo, e isto se dá

a partir da manipulação de diversos materiais,

da criação, da liberdade de expressão corporal e,

contudo, da interação social, onde o sujeito constrói

sua aprendizagem.

Para que isso aconteça, é necessário que,

tanto a família quanto o professor, assumam

uma postura de facilitadores nesse processo de

aprendizagem, não interferindo ou impedindo a

criança de se expressar e se descobrir.

2. Psicomotricidade: histórico e conceito

Segundo Le Bouch (1984) a educação

psicomotora teve origem na França, em 1966,

devido a carência da educação física que não

correspondia às necessidades reais do corpo. A

partir dessa época travou-se uma disputa entre o

Ministério da Educação Nacional e o Ministério da

Juventude e dos Esportes.

Em 1967, acontece a Renovação da

Pedagogia e a introdução da Educação Psicomotora

na escola primária. Após esse período, foi assinado,

em 7 de agosto de 1969, um decreto ministerial

instituindo um horário de 6 horas semanais para a

prática da Educação Psicomotora na escola primária.

Segundo Campos (2007), foi em 1968 que a

psicomotricidade começou a se difundir no Brasil,

a partir de cursos e disciplinas em Universidades

de alguns estados. Na França, inicialmente foi

introduzida nas escolas especializadas. Em 1980,

ocorre a fundação da Sociedade Brasileira de

Terapia Psicomotora, presidida por Beatriz Saboya

e com a participação de Françoise Desobeau,

sendo integrada à Sociedade Internacional de

Psicomotricidade, com sede em Paris.

Segundo Jobim e Assis, historicamente foi na

década de 1970 que surgiram diferentes conceitos

sobre a psicomotricidade como uma motricidade

de relação, assim podemos perceber na fala dos

autores supracitados:

Começa então, a ser delimitada uma diferença


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CIENTÍFICA 58

entre uma postura reeducativa e uma

terapêutica que, ao despreocupar-se da técnica

instrumentalista e ao ocupar-se do “corpo

de um sujeito” vai dando progressivamente,

maior importância à relação, à afetividade e ao

emocional. (p.3)

Percebe-se a partir deste período que o foco

de estudo passa a ser o corpo do sujeito, com suas

peculiaridades, afetividade, emoções e a relação

com outro corpo. Essa valorização funciona como

impulso para uma maior divulgação da importância

da psicomotricidade, proporcionando descobertas

e superações através do corpo.

Em alguns países a profissão do

psicomotricista já é reconhecida legalmente, porém,

em outros, como no Brasil, essa tem sido uma

constante luta. Na França a profissão é reconhecida

oficialmente desde 1974 e este profissional trabalha

a partir de prescrições médicas. Segundo Campos

(2007), na Alemanha foram instaladas, nos últimos

16 anos, Universidades com formação de base,

sendo a Psicomotricidade um curso superior

reconhecido há 6 anos.

Em países como Argentina, Alemanha,

Dinamarca, Itália, Espanha e Portugal tem sido

marcados por avanços no reconhecimento do

profissional Psicomotricista, alguns com escolas de

formação, como a Itália que recebe elementos da

França. Em alguns destes países o reconhecimento

tem avançado mais que outros, com enfoques

diferenciados em cada uma de suas realidades.

Conforme Campos (2007), em 1983

surge no Brasil, o curso de pós-graduação em

Psicomotricidade na Universidade Estácio de Sá e

no Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação

(IBMR). Desde os anos de 1980, a Sociedade

Brasileira de Psicomotricidade tem percebido a

necessidade de ampliar seus objetivos, por isso,

tem promovido cursos, seminários, pesquisas e

congressos nacionais com intuito de proporcionar

uma maior fundamentação teórica aos profissionais

em Psicomotricidade.

Em 1986, André Lápierre, na França,

contribuiu através de uma experiência na escola

primária com crianças pequenas, referindo-se à

escola como um ambiente de extrema importância

na vida social, pois a educação não se restringe a

aquisição pelo individuo de conhecimentos, mas a

formação em todos os aspectos.

Dessa forma, podemos perceber que a

psicomotricidade ainda é considerada um campo

transdisciplinar recente, que tem avançado

rapidamente, sendo sua importância e benefícios

reconhecidos mundialmente.

Sobre o estudo do corpo e a nomenclatura

Psicomotricidade, Jobim e Assis (2008) destacam que

somente em meados do século XIX o corpo começa

a ser percebido primeiramente por neurologistas,

devido a necessidade de se compreender as

estruturas cerebrais do ser humano, e em seguida

ocorre o interesse por parte dos psiquiatras, para

classificar os fatores considerados patologicas.

Contudo, foi devido à necessidade da

medicina de encontrar um campo que esclarecesse

alguns fenômenos clínicos que surge, pela primeira

vez, a nomenclatura “Psicomotricidade”, no ano de

1870.

Ao conceituar a Psicomotricidade, o Código

de ética da Associação Brasileira de Psicomotricidade

ressalta em seus princípios do capítulo I, Artigo 1º:

A Psicomotricidade é uma ciência que tem

como objetivo, o estudo do homem através

do seu corpo em movimento, em relação ao

seu mundo interno e externo, bem como suas

possibilidades de perceber, atuar, agir com o

outro, com os objetos e consigo mesmo. Está

relacionada ao processo de maturação, onde

o corpo é a origem das aquisições cognitivas,

afetivas e orgânicas: Psicomotricidade, portanto,

é um termo empregado para uma concepção de

movimento organizado e integrado, em função

das experiências vividas pelo sujeito, cuja

ação é resultante de sua individualidade e sua

socialização.


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CIENTÍFICA 59

A psicomotricidade é muito importante

para o desenvolvimento da criança, pois essa

proporcionará o conhecimento do seu corpo

e, consequentemente, do corpo do outro.

Desenvolverá a noção de espaço e lateralidade,

adquirindo maiores habilidades motoras, o que

lhe dará condições de superar muitas de suas

dificuldades de aprendizagem.

3. As contribuições da psicomotricidade para a

interação Social

A prática educativa em psicomotricidade

tem tido um papel importante na educação das

crianças em seu meio escolar, e isso não é menos

evidenciado na educação infantil. Essa fase escolar

é fundamental ao desenvolvimento humano,

funcionando, assim, como a base do sujeito.

O processo educativo ocasiona

consequências positivas ou negativas. Se a criança

vivencia, desde a Educação Infantil, situações de

rigidez, regras impostas, privação da sua expressão e

controle de sua agressividade, ela não se constituirá

um ser autônomo, já que sempre esteve cercada de

“não pode”.

A psicomotricidade tem sido o coadjuvante

das aprendizagens escolares e necessita ser vista

como algo fundamental a este processo. Isto se

dá através da educação ou reeducação desde

a Educação Infantil. Para Le Boulch (1984), a

importância da psicomotricidade se dá desde a

prevenção das dificuldades, inclusive no que se

refere ao nível da saúde mental.

Um esquema corporal mal constituído pode

resultar em uma criança que não coordena bem

seus movimentos, realizando atividades cotidianas

com lentidão, apresentando dificuldade de se

expressar das diversas formas.

Segundo Morais (2002), para uma criança

que não trabalha o corpo as habilidades manuais

lhe são difíceis, a caligrafia é ilegível e sua leitura

é inexpressiva. Isso acarretará dificuldades de

aprendizagem na aquisição da leitura e da escrita,

o que interferirá diretamente no processo de

alfabetização do sujeito.

Percebemos isso, quando analisamos os

níveis de dificuldade que os alunos enfrentam em

seus processos de alfabetização. Alguns passam

bastante tempo para aprender a segurar o lápis, o

que dificulta ainda mais o processo de escrita.

Com isso, infelizmente, para muitas crianças,

a aprendizagem se torna algo que amedronta e

que não lhe proporciona satisfação, pelo contrário,

ir à escola e realizar as atividades se torna o pior

momento do dia, o que para nós educadores é uma

frustração.

É necessário que haja um novo olhar das

instituições de ensino, para que a partir da Educação

infantil seja dada a devida valorização ao trabalho

com o corpo da criança. É preciso que os educadores

não concebam mais uma educação estática, fixa em

salas de aulas, mesas e cadeiras, devendo procurar

outras formas de linguagem, como a expressão

corporal.

Os alunos necessitam de momentos para

expressar, explorar e manipular diversos objetos,

eles precisam construir sua aprendizagem

acompanhados dos educadores, visto que

os docentes são facilitadores do processo de

desenvolvimento dos sujeitos, e os alunos

protagonistas que precisam vivenciar suas

descobertas para um processo de educação

integral.

Dessa forma, as dificuldades serão superadas

com autonomia. Isso nos remete também as

vivenciadas nos processos de leitura e escrita, que

em muitos casos são consequências das limitações

do próprio corpo.

A psicomotricidade precisa adentrar as

instituições de ensino e fazer parte do processo de


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CIENTÍFICA 60

aprendizagem, colaborando expressivamente para

formar e estruturar o esquema corporal de nossas

crianças. Devemos, enquanto educadores, ter como

alvo a prática dos movimentos nas diversas etapas

da vida de uma criança.

A ludicidade e a liberdade de expressão da

criança são indispensáveis nesta fase de Educação

Infantil, uma vez que sabemos que os alunos

estão enfrentando um processo contínuo de

transformação e descobertas.

É necessário que o educador envolva os seus

alunos em situações problemas, sem pressioná-los,

deixando-os interagir e buscar respostas, soluções,

para que sejam autônomos desde cedo. As crianças

precisam encontrar suas próprias respostas para

atender às suas dúvidas e anseios.

Para tanto, são necessários os jogos e

brincadeiras livres, as danças com diversos estilos

de músicas, os brinquedos interativos e as várias

estratégias pedagógicas que estimulem a interação

e as descobertas. Com isso, a aprendizagem se

desenvolverá naturalmente e o educador será um

facilitador deste processo.

Assim como destaca Campos 2007, ao

afirmar a importância das brincadeiras como

oportunidades necessárias para a superação de

conflitos e ferramenta para o desenvolvimento da

segurança e equilíbrio da criança:

Nas primeiras brincadeiras, a criança alcança

o equilíbrio, a segurança, a autonomia. O

brincar a deixa experimentar, olhar-se, mostrarse,

projetar-se. Quanto mais oportunidades

antecederam os momentos de exercer suas

funções, mas naturalmente poderá fazê-lo.

Alguns conflitos são próprios dessas passagens

evolutivas. Sendo, portanto, indispensáveis. Há

contradições e encruzilhadas que fazem parte

do crescimento e, brincando muitas serão

resolvidas e outras acomodadas (p. 97)

Portanto, para que haja um desenvolvimento

infantil de qualidade é necessário que o centro do

processo educativo seja o sujeito e suas habilidades.

Para isso, a criança precisa de vivencias compostas

por situações que proporcionem a interação e o

desenvolvimento de sua autonomia, a partir da

manipulação e da exploração de diversos materiais.

É importante também a disponibilidade

dos recursos para a prática dessas atividades. A

instituição deve proporcionar a criança um ambiente

preparado para exploração e o conhecimento de si,

do outro e do mundo, com espaços planejados e

momentos direcionados.

4. Corpo, ação e emoção: os resultados da

intervenção

A pesquisa de natureza qualitativa foi

realizada numa escola pública municipal, localizada

em Maracanaú, região metropolitana de Fortaleza

- CE. Os sujeitos da nossa pesquisa foram três

crianças do infantil IV, sendo dois meninos e uma

menina, aos quais denominaremos de forma fictícia

da seguinte maneira: Pedro; Renato; Ana.

Pedro não se comunica em momento algum

oralmente no ambiente escolar. O aluno estuda na

escola desde 2012 e segundo relatos de professores

e funcionários, o menino não fala em nenhuma

situação.

O Renato tem tido um comportamento de

agitação constante em sala de aula, apresentando

dificuldade em se concentrar nas atividades

propostas pela professora, sejam essas escritas,

orais, brincadeiras e jogos.

A Ana apresenta um nível menor de agitação,

por sua vez, também tem apresentado dificuldade

de concentração nas atividades propostas em sala

de aula, principalmente nas escritas.

Foram realizadas 12 sessões, uma por

semana, com duração média de 50 minutos cada,

cujo objetivo foi compreender o processo de

desenvolvimento das crianças em seus aspectos

físicos, cognitivos e afetivos. Proporcionar situações

de interação para que as dificuldades detectadas


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CIENTÍFICA 61

fossem superadas em meio aos jogos simbólicos.

Todas as sessões foram realizadas em

uma sala de aula ampla e com diversos materiais

particulares, pois a escola não possui tais recursos.

Os materiais utilizados foram: bolas, bambolês,

Cordas, tecidos, TNTS coloridos, caixas de papelão,

papel higiênico, colchonetes, espaguetes, lápis de

cor, giz de cera, folhas de papel-ofício para desenhos

e som.

Durante todo o trabalho desenvolvido com

as crianças, iniciamos todas as sessões com uma

roda de conversa explicitando a importância do

cuidado com o material utilizado nas brincadeiras,

como as cadeiras, ventiladores e luzes.

Ressaltamos também, o cuidado para não

machucar os amigos, a importância da organização

dos materiais ao finalizar a brincadeira do dia,

colocando tudo no local escolhido por nós na

primeira sessão. E também, ressaltando que quando

fosse dado sinal de finalização da brincadeira

deveríamos iniciar a organização e sentar para a

roda de conversa final.

Em seguida, foi realizado um momento

de relaxamento com músicas, e foi nitidamente

prazeroso para as crianças, pois trocavam

carinhos entre si, enquanto estavam deitados em

colchonetes ou pedaços de tecidos.

Para finalizar, sentávamos novamente na

rodinha para conversar sobre a sessão do dia. Pna

oportunidade, fazíamos as seguintes indagações:

o que gostou? O que não gostou? Quais materiais

trazer para a próxima sessão? Quais brincadeiras

realizar?

Ao término dàs 12 sessões, em uma conversa

informal com a professora, a mesma relatou que,

em sala de aula, Ana tem escutado mais os colegas

nas rodas de conversa e não impõe tanto suas

vontades, o que não significa que a menina não

continue liderando algumas situações, porém,

passou a respeitar mais as ideias e desejos dos

outros colegas.

Percebemos que Renato evoluiu nos

quesitos concentração e afetividade, pois tem

mostrado mais proximidade com a professora e

colegas de sala, controlando um pouco mais a

agressividade. No fator interação, tanto Ana como

Renato interagem bem com os colegas, por sua vez,

Pedro não evoluiu em relação à expressão oral, pois

continuou sem falar no ambiente escolar. Contudo,

durante as 12 sessões, percebemos que ele passou

a se aproximar mais dos colegas e interagir durante

as brincadeiras, principalmente na sessão com as

caixas e papéis, além de ter se aproximado mais de

Ana.

Sabemos que este avanço se deu

gradativamente e de diferentes formas com cada

uma das crianças analisadas. entretanto, ainda

segundo os relatos da professora, Ana estava

buscando espontaneamente mais contato e

interação com Pedro durante a aula e o recreio.

Consideramos que as crianças poderiam

ter evoluído mais, no entanto, acreditamos que

essas doze sessões deram resultados positivos e

satisfatórios, já que houveram notórias evoluções

nos níveis de interação, afetividade, controle da

agressividade e concentração em sala de aula, por

parte das três crianças.

Esperamos assim, que as evoluções obtidas

a partir dessas sessões sejam mantidas e sirvam de

instrumento para a aquisição de outros fatores de

evolução, pois cremos que essas crianças podem

alcançar um desenvolvimento e uma aprendizagem

ainda mais consistente, tornando-os sujeitos

autônomos.

Nesse sentido, o processo educativo deve

proporcionar a interação entre os alunos a partir

da educação infantil nos diversos contextos de

aprendizagem, com momentos espontâneos,

reconhecendo as características peculiares dos

alunos. Proporcionando a eles interagirem nos


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CIENTÍFICA 62

diversos contextos sociais em meio às danças, jogos,

brincadeiras e manifestações de livre expressão.

5. Considerações Finais

O processo de educação nas instituições de

ensino tem sido uma temática bastante discutida

no cenário educacional, surgem, então, vários

questionamentos e dúvidas sobre as suas práticas

com resultados positivos ou negativos. Ressaltamos

que uma criança ao ser inserida em uma instituição

de ensino regular, deverá não somente ser colocada

nesse ambiente escolar e seguir regras estáticas,

mas necessita interagir nos diversos ambientes e

situações.

Partindo desse pressuposto, é importante

ressaltar a importância das instituições inserirem

em seus currículos a educação psicomotora desde

cedo, ou seja, desde a educação infantil. Que haja

Nos planejamentos devem haver situações que

proporcionem a interação entre os alunos, pois o

que parece atualmente é que não há estratégias ou

ações preocupadas com esse aspecto.

É preocupante o fato das crianças se sentirem

pressionadas e com suas atividades limitadas,

pois o processo educativo de qualidade necessita

ser centrado numa visão de educação integral,

desenvolvendo as habilidades físicas, cognitivas e

afetivas.

Os resultados do nosso estudo de caso

apontam que a interação entre as crianças e as

situações de liberdade de expressão durante

o processo de aprendizagem são essenciais ao

desenvolvimento. Percebeu-se que após as sessões

de psicomotricidade houve notório avanço em

relação a interação entre os três sujeitos, e segundo

a professora no ambiente da sala de aula também.

Após as sessões foi notório que os sujeitos se

mostraram mais afetivos entre si e com os colegas,

e também avançaram em seu nível de concentração

durante as atividades propostas. Infelizmente não

conseguimos que João se comunicasse oralmente,

por sua vez desenvolveu sua autonomia, e também

passou a interagir mais nas brincadeiras em sala e

nos momentos extraclasse.

Portanto, sabemos que a criança necessita

enfrentar muitos obstáculos durante seu processo

de aprendizagem, por isso é necessário que ela se

sinta livre para fazer descobertas, criar e recriar.

É preciso que nossos alunos construam sua

aprendizagem e se sintam livres em momentos e

ambientes prazerosos. Acreditamos que uma das

principais barreiras para a real interação entre as

crianças são os comportamentos agressivos que

afastam os colegas e também a timidez, advinda de

algum fator do contexto social dos sujeitos.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE

PSICOMOTRICIDADE. Código de ética

do psicomotricista. Disponível em

acesso em: 16/09/13.

CAMPOS, Dayse. Psicomotricidade Integração

Pais Criança e Escola. Fortaleza: Livro Técnico,

2007.

JOBIM, Ana Paula e ASSIS, ANA Eleonora.

Psicomotricidade: histórico e conceitos. 2008.

Disponível em < http://guaiba.ulbra.br/seminario/

eventos/2008/artigos/edfis/358.pdf > Acesso em

03/08/2013.

LE BOULCH, J. Educação psicomotora. Porto

Alegre: Artes Médicas, 1984.

MORAIS, V.L. “Desenvolvimento Psicomotor”.

2002. Disponível em: www.uniesc.com.br/esp/

etext/psicomotricidade%20e%20educ%20fisica.

doc Acesso 03/08/2002.


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CIENTÍFICA 63

AS CONTRIBUIÇÕES DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO

EDUCADOR INFANTIL

Francisca Nepomucena Moura

franciscanepomucena@gmail.com

RESUMO

O presente artigo investiga como a formação continuada contribui no processo de construção da identidade

profissional do educador infantil, a partir da fundamentação teórica produzida por Ciampa (2005), Gomes

(2009) e Imbernón (2010), considerando que suas ideias em relação ao educador infantil comungam e

afirmam que este profissional se forma na dinâmica de relações, interações, mediações e preposições.

Assim, a construção de sua identidade ocorrerá em um processo social e histórico estando vinculada aos

modos de ser e estar na profissão. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei nº 9.394/96, definiu

a educação da criança de 0 a 5 anos como primeira etapa de educação básica. Definiu também que para

trabalhar com crianças da creche e pré-escola é necessário ter formação docente. Em termos da Educação

Infantil, esses aspectos apontam novas perspectivas para a criança e para o docente. Reconhecer a

importância desta etapa para o desenvolvimento de uma educação de qualidade para as crianças de 0 a

5 anos e demandas existentes nessa ação, torna-se imprescindível em uma formação que atenda às atuais

exigências formativas e, consequentemente, à construção de identidades profissionais. Compreendemos

que a formação para o trabalho educativo junto às crianças envolve uma série de questões relacionadas

à definição da identidade profissional dos que atuam nas instituições de educação infantil. Avançar em

relação a tais questões e de como estas se manifestam no cotidiano do educador infantil possibilitam

ressignificar às práticas formativas além de fomentar ações que favoreçam a construção da identidade

deste profissional.

Palavras-chave: Identidade, Formação Continuada e Educação Infantil

1.Introdução

A formação de professores vem compondo

a pauta de discussão em diversos eventos

educacionais e documentos oficiais e ainda

se constitui em objeto de estudo na literatura

pertinente a essa temática.

A promulgação da Constituição Federal em

1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação

em 1996 propuseram mudanças significativas no

campo educacional. Em relação à Educação Infantil

ressalta-se a implantação e ou implementação

de ações e políticas relativas ao atendimento da

criança em creche e pré-escola, integração das

instituições que atendem crianças de 0 a 6 anos

aos sistemas educacionais, elaboração de projetos

pedagógicos que considerem as especificidades

infantis, a articulação das instituições com as

famílias, a indissociabilidade do cuidar e do brincar

e a formação específica dos professores.

Tais aspectos revelam a compreensão sobre

os processos envolvidos no desenvolvimento e na


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CIENTÍFICA 64

aprendizagem das crianças pequenas e apontam

para a necessidade da formação dos profissionais

da educação infantil como parte importante

desses processos. Para tanto, a formação do

professor deve contribuir não só para o trabalho

junto à criança, como também para promover o

envolvimento e participação desse profissional

no cotidiano da instituição e na construção do

seu processo identitário considerando que esse

aspecto possibilita ao professor a interiorização e

reconstrução de valores e concepções necessários

ao exercício de sua ação docente com qualidade.

A construção da identidade do educador

infantil envolve aspectos que vão além da formação

específica, pressupõe um processo contínuo de

formação que tenha como referência sua realidade

e os processos vivenciados por esse sujeito.

O ponto de partida para a realização desta

pesquisa é o trabalho desenvolvido como formadora

junto aos educadores infantis em Maracanaú.

Assim, este trabalho tem por objetivo investigar a

formação continuada em serviço desses educadores

analisando como esta contribui para a construção

da identidade dos referidos profissionais.

A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação

primeira etapa da educação 9393/96, definiu a

educação da criança de 0 a 6 anos como primeira

etapa da educação básica. Definiu também que

para trabalhar com crianças da creche e pré-escola

é necessário ter formação docente.

Ao fazermos uma retrospectiva acerca

da história do atendimento à criança no Brasil,

percebemos o quanto essa atividade não se

constituía em preocupação pedagógica, era um

atendimento voltado ao assistencialismo. Vista dessa

forma, não se fazia necessário a formação específica

para o trabalho junto às crianças. Concebidas

como lugar de guarda e cuidados, a creche e a préescola

precisavam que alguém olhasse, cuidasse

e alimentasse as crianças. Esses fatores de certo

modo condicionavam que quem se candidatasse a

esse trabalho devia ser do sexo feminino e gostar de

crianças, não havia necessidade de que a candidata

tivesse conhecimentos relativos à infância.

Reconhecendo a importância dos

profissionais da Educação Infantil para o

desenvolvimento de uma educação de qualidade

das crianças de 0 a 6 anos e as demandas existentes

que essa ação, torna-se imprescindível uma

formação que atenda às atuais demandas formativas

e, consequentemente, a construção de identidades

profissionais.

Com o olhar voltado para essas questões

compreendemos ser necessário investigar – Que

elementos constituem a formação continuada do

professor da educação infantil? Como o professor da

educação infantil vem construindo sua identidade

profissional? Como a formação continuada

contribui no processo de construção da identidade

do educador infantil?

Investigar estes aspectos nos permitem

também compreender as relações entre trajetória

profissional dos educadores infantis e de como

na atividade que exercem utilizam os elementos

teóricos da formação continuada em favor de sua

identidade profissional.

A metodologia a ser utilizada nesse trabalho

contemplará a pesquisa bibliográfica definida por

SEVERINO (2007), (p. 122) como:

... aquela que se realiza a partir do registro

disponível, decorrente de pesquisas anteriores,

em documentos, como livros, artigos, teses etc.

ou de categorias teóricas Utiliza-se de dados ou

de categorias teóricas já trabalhados por outros

pesquisadores e devidamente registrados. Os

textos tornam-se fontes dos temas a serem

pesquisados. O pesquisador trabalha a partir

das contribuições dos autores dos estudos

analíticos constantes dos textos. (p.122)

O aporte teórico a referendar essa pesquisa


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CIENTÍFICA 65

se constituirá inicialmente de Nóvoa (1995 e CIAMPA,

2005), (GOMES, 2009), (IMBERNÓN, 2010) suas

ideias em relação ao educador infantil comungam,

ao afirmarem que este profissional forma-se na

dinâmica de relações, interações, mediações e

proposições. Assim, a construção de sua identidade

ocorrerá em um processo social e histórico estando

vinculada aos modos de ser e estar na profissão.

Este artigo está dividido em três seções,

a saber: 1 – A Educação Infantil – limites e

possibilidades. 2 – A formação continuada no

contexto pós LDB. 3 – A identidade profissional do

educador infantil.

Acreditamos que além de buscar

compreender a dinâmica estabelecida entre a

formação, os conhecimentos e os profissionais,

é importante analisar os efeitos da formação

continuada no processo identitário do educador

infantil e assim perceber como esta se manifesta

em seu cotidiano possibilitando a ressignificação

das práticas formativas.

2 Educação Infantil no Brasil – Limites e

Possibilidades

Esta seção se propõe a contextualizar a

Educação Infantil no Brasil. Isso implica em visitar o

passado e fazer um breve histórico do atendimento

educacional ofertado às crianças de 0 a 6 anos

de idade, da função do profissional da educação

infantil neste percurso histórico e assim analisálos

a partir das exigências dos contextos sociais e

políticos vivenciados no país.

No atual contexto, o resgate histórico do

atendimento as crianças na creche e pré-escola

nos impulsionam a vislumbrar novas perspectivas

neste campo, tendo em vista o que já se alcançou

e o que nos cabe avançar no sentido de realizar

um trabalho educativo de qualidade que atenda as

características dessa faixa etária.

Considerando as mudanças no conceito

de criança e de Educação Infantil surgem novas

exigências quanto à função do profissional

que atua junto à criança pequena. A esse

respeito às contribuições de Vigotsky e Wallon

sobre a aprendizagem e suas implicações no

desenvolvimento infantil nortearam as mudanças

quanto à compreensão e especificidades da criança.

Isso implica em numa nova forma de trabalhar com

este público, daí a importância de um profissional

com formação inicial e continuada no sentido

de proporcionar-lhe a competência pedagógica

necessária a sua ação mediante a relação teoria e

prática.

Na busca de uma Educação Infantil de

qualidade, coerente com as necessidades da

primeira infância, buscamos realizar uma reflexão do

percurso histórico desta etapa básica da educação.

E, a partir da História, compreender melhor os fatos e

as condições em que em Educação Infantil no Brasil

foi se configurando, pois as condições políticas e

sociais de cada período histórico determinam o que

é possível fazer ou modificar, em cada época, mas

não impossibilita mudanças.

Assim, parafraseando Freire, a História revela

possibilidades e não se fecha ao determinismo.

Consequentemente, impulsiona o desejo e a

necessidade de ir além do que está posto, ultrapassar

a linha imaginária das impossibilidades, vislumbrar

novas perspectivas, e dar um novo curso ao que

anteriormente estava determinado. As questões

relacionadas à infância e à educação sempre

estiveram relacionadas com aspectos históricos,

sociais, políticos, econômicos, éticos e culturais

vigentes em cada época. Observa-se claramente

que os contextos determinam o conceito de infância

e de educação infantil. A esse respeito BUJES (2010)

declara:


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CIENTÍFICA 66

Durante muito tempo, a educação da criança

foi considerada uma responsabilidade das

famílias ou grupo social ao qual ela pertencia.

Era junto aos adultos e outras crianças com as

quais convivia que a criança aprendia a se tornar

membro deste grupo, a participar das tradições

que eram importantes para ele e para dominar

os conhecimentos que eram necessários para a

sua sobrevivência material e para enfrentar as

exigências da vida adulta. Por um bom período

na história da humanidade, não houve nenhuma

instituição responsável por compartilhar esta

responsabilidade pela criança com os seus pais

e com a comunidade da qual estes faziam parte.

(p.13)

Tais considerações nos levam a deduzir, salvas as

devidas proporções, que os conceitos basilares

de criança, de infância e de educação infantil são,

na verdade, construtos históricos e sociais que

se formaram ao longo dos tempos, de acordo

com a maneira que o próprio homem opera essas

categorias em coletividade. No entanto, essas

mudanças nem sempre significam avanço, melhoria.

Em muitos casos, elas atendem parcialmente as

necessidades específicas da população e em relação

à criança pequena e sua educação os entraves são

maiores e perduraram por longa data.

Assim em períodos distintos da história da

humanidade as ideias sobre a infância estavam

relacionadas com a dinâmica social. Na Idade

Média, a criança era considerada um adulto em

miniatura e participava das mesmas atividades

dos adultos, e exercia um papel secundário na vida

familiar até determinada idade. Sua educação era

de responsabilidade da família. (ARIÈS, 1981).

Com o advento da Idade Moderna e ascensão

da burguesia, o conceito de criança passou a

ser entendido como natureza humana. Referido

conceito estava relacionado com a colaboração do

filósofo Jean Jacques Rousseau acerca da natureza

e personalidade da criança. Com a célebre frase

“Respeitai a infância, deixai a natureza agir bastante

tempo antes de resolver agir em seu lugar”. Rousseau

enfatizou que era a criança tinha virtudes próprias e

que o convívio com os adultos a corrompia. Desse

modo era preciso evitar o convívio do infante com

os elementos próprios do mundo adulto. Rousseau

propõe que a criança seja educada à margem da

sociedade, com o fim ser melhor preparada e não

contaminada por ela.

O conceito de criança evoluiu a

partir do século XX com o surgimento da Idade

Contemporânea, no qual os movimentos sociais

sindicais e as produções acadêmicas impulsionaram

o repensar da infância e da forma de atendê-las em

instituições voltadas para a sua educação. A ideia

de que a criança possui características singulares,

com aspectos próprios do desenvolvimento

e aprendizagem. A partir de então entra em

vigor a concepção de criança como um ser em

desenvolvimento.

Diante desta breve retrospectiva histórica

da concepção de infância e educação é importante

considerar o pensamento de OLIVEIRA (2008) a esse

respeito:

“O delineamento da história da educação

infantil por pesquisadores de muitos países

tem evidenciado que a concepção de infância

é uma construção histórica e social, coexistindo

em um mesmo momento múltiplas ideias de

criança e de desenvolvimento infantil. Essas

ideias perpassadas por quadros ideológicos

em debate a cada momento, constituem

importante mediador das práticas educacionais

com crianças até 6 anos de idade na família e

fora dela”. (p.57).

Em relação Brasil, o atendimento às crianças

em creche e pré-escola, por um longo período

ocorreu de forma diversificada e desigual. A creche

era vinculada aos órgãos de assistência social

exercendo a função de guardiã e protetora, já a préescola,

visava à preparação para a alfabetização. Isso

ocorria devido às decisões políticas destinadas a

faixa etária de 0 a 6 anos. Aliado a isso o atendimento


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CIENTÍFICA 67

em creches e pré-escola estava relacionado

também com o ingresso da mulher no mercado de

trabalho. Para Gomes, (2009) esse fator por muito

tempo caracterizou a creche “como uma instituição

substituta do lar materno”.

O trabalho realizado com as crianças

pequenas consistia em práticas voltadas para o

cuidado com ênfase na higiene pessoal, alimentação.

O propósito era tomar conta da criança para que

seus pais pudessem trabalhar despreocupados,

enquanto seus filhos estavam sendo assistidos

com os cuidados básicos fundamentados nas

necessidades de guarda, proteção e nutrição das

crianças de camadas populares. (VIEIRA, 1986). Essa

argumentação evidenciava a concepção de criança

e, consequentemente favorecia o estabelecimento

de políticas públicas e sociais nas quais não se

visavam o atendimento integral à criança.

Superar essa visão requer a quebra de

paradigmas. Compreender que os conceitos de

infância, criança e Educação Infantil são construídos

socialmente, e desnaturalizá-los, ou seja, entendêlos

como manifestação de significados, de ideias, de

representações sociais, e valores que se modificam

com o passar do tempo expressando o entendimento

da sociedade acerca desses conceitos.

Caminhar nesta perspectiva representa

se empenhar em lutas sociais que pressione o

estabelecimento de políticas voltadas para o

atendimento das necessidades e especificidades

infantis. Nesse campo, é possível perceber as várias

iniciativas por parte de diversos movimentos

sociais que a partir de persistentes reivindicações

conquistavam alguns direitos em favor da criança.

No entanto, tais conquistas eram limitadas em

virtudes das reais intenções dos programas e

políticas nos quais:

No período dos governos militares pós-1964,

as políticas adotadas em nível federal, por

intermédio de órgãos como o Departamento

nacional da Criança, a Legião Brasileira de

Assistência e a Fundação Nacional do Bem-Estar

do Menor – Funabem, continuaram a divulgar

a ideia de creche e mesmo de pré-escola como

equipamentos sociais de assistência à criança

carente” (OLIVEIRA, 2008, p.107).

Nesse contexto, percebemos que as

mudanças ocorrem em escala muito lenta, a

interpretação e aplicação dos dispositivos da lei

eram feito de forma diferenciada. Assim, às crianças

de baixa renda eram favorecidas com uma educação

assistencialista e compensatória, um paliativo para

amenizar sua carência social e cultural. Infelizmente

uma camada significativa da população devido à

situação difícil em que viviam apoiava tais iniciativas

por parte do governo.

Isso reforçava a realização de programas

sociais dando-lhes a estabilidade necessária para

continuarem em vigor por décadas. Acreditavase

que o atendimento assistencial as camadas

populares proporcionava a formação de hábitos,

de atitudes e de habilidades que de certo modo

amenizavam as desigualdades através da satisfação

de suas necessidades básicas, mesmo que isso

não promovesse aprendizagens e muito menos

favorecesse sua ascensão da condição de submissão.

Na verdade isso nunca foi de interesse do governo.

Contudo, ao findar a ditadura militar em

1985, ocorreram inovações nas políticas nacionais

tendo também efeitos quanto ao atendimento

das crianças em creche. A elaboração em 1986 do

Plano Nacional de Desenvolvimento impulsionou

mudanças quanto à necessidade da existência de

creche para todas as crianças, não só para a mãe

operária. (OLIVEIRA. 2008, p 115).

Após a queda do regime militar a sociedade

brasileira passou a se organizar em prol da

redemocratização do país. Isso repercutiu também

no campo educacional e um fato marcante nesse

processo foi a promulgação da Constituição Federal,

em 1988, que introduz inovações significativas para


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CIENTÍFICA 68

a creche e a pré-escola ao reconhecer a criança

como sujeito de direitos.

A partir deste contexto, se define uma nova

concepção de infância e de educação infantil, e,

consequentemente, se configura a necessidade

de um profissional habilitado e que possua

conhecimentos acerca do desenvolvimento e

aprendizagem infantil.

3 A Formação Continuada dos Educadores

Infantis no Contexto Brasileiro pós LDB

É necessário conhecer os elementos da herança

formadora que nos permitem continuar

construindo e oferecer alternativas de inovação

e mudança às políticas de formação. Ninguém

pode negar que a realidade social, o ensino, a

instituição educacional evoluíram e que, como

consequência, os professores devem sofrer uma

mudança radical em sua forma de exercer a

profissão e em seu processo de incorporação e

formação. (IMBERNÓN, 2010, p.13)

No contexto da formação, e. especificamente

no campo da formação continuada dos professores

da educação infantis verificamos o distanciamento

entre o discurso contido nos documentos oficiais,

na legislação, na fundamentação teórica, na prática

efetiva da formação e do trabalho docente.

Desde a promulgação da Constituição

Federal de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases

da Educação, LDB 9394/96, a Educação Infantil

tem se constituindo em objeto de discussão em

eventos educacionais, políticos pertinentes à

temática, passando também, por deliberações e

encaminhamentos para essa primeira etapa da

Educação Básica.

Em seu artigo 29 a LDB trata a Educação

Infantil, como a primeira etapa da Educação

Básica, tendo como finalidade o desenvolvimento

integral da criança de zero a seis anos de idade,

em seus aspectos físico, psicológico, intelectual

e social, complementando a ação da família e da

comunidade.

A mesma Lei estabelece também que o

atendimento à criança deve ser realizado em creches

(até três anos de idade), e em pré-escolas (de quatro

aos seis anos de idade). Em termos da legislação

este é um avanço significativo, principalmente para

a criança.

Para atender as demandas e especificidades

das crianças desta faixa etária é preciso que o

profissional conheça os aspectos referentes ao

desenvolvimento e aprendizagem infantil, bem

como transpor didaticamente esses conhecimentos

de forma coerente com as necessidades das crianças

com as quais trabalha.

Nos períodos anteriores à Constituição de

1988, e da LDB 9394/96, as políticas educacionais

não manifestavam preocupação com a formação das

profissionais que atendiam as crianças da primeira

infância. Isso se dava em virtude da compreensão

limitada quanto às necessidades específicas dos

pequeninos. Consequentemente não se investia na

formação do professor.

Nesse sentido, para trabalhar com crianças

na creche e na pré-escola era preciso somente

gostar de crianças, alimentá-las, e cuidá-las durante

o período em que os pais estavam no trabalho, às

atividades realizadas com elas visavam a realização

de cuidados com sua higiene e alimentação. O

educar não tinha espaço no cotidiano de trabalho.

Mais uma vez, a ausência da formação e a baixa

escolaridade reforçam as políticas e programas

assistencialistas estruturados por órgãos ligados à

promoção do bem-estar social.

O avanço no conceito de criança e as lutas

sociais em busca da garantia do direito do seu

atendimento em creche e pré-escola, desencadearam

um debate sobre a qualidade dessas instituições

trouxe para o centro das discussões a importância e

necessidade de formação e habilitação profissional

do professor da educação infantil.


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

CIENTÍFICA 69

Proposta pela Lei de Diretrizes e Bases

da Educação de 1996, essa mudança é bastante

significativa para aqueles que atuam na Educação

Infantil, pois adquiriram o reconhecimento como

profissionais com direito à formação. Isso repercutiu

na forma de atendimento na creche, que passou a

contemplar o tripé cuidar, educar e brincar como

direito da criança.

Entretanto, após mais de uma década de

vigência da LDB 9394/96, ainda encontramos nas

instituições de Educação Infantil professores sem

a formação necessária ao exercício da função. Esta

situação compromete a qualidade do trabalho

pedagógico a ser realizado com os infantes.

A implementação dos aspectos legais é

sempre um desafio. Como marco legal, a legislação

legitima os dispositivos constitucionais referentes

ao campo educacional. Porém os avanços e recuos

advindos da aplicação destes sofrem consequências

dos determinantes sociais. Em resultado dessa

realidade, ainda persistimos em alcançar o êxito

desejado ou acertar o caminho.

Assim, em busca de aproximar as

proposições contidas nas bases legais e sua

materialização, algumas questões como a formação

inicial, a formação continuada, e a identidade do

professor entre outras precisam ser discutidas

e ressignificadas por meio da indagação teórica

mediada pela prática articuladas aos contextos em

que se realizam.

4 A Identidade Profissional do Educador Infantil

Quando nos perguntam quem somos,

geralmente respondemos com nossos dados

pessoais, como nome, filiação, local de nascimento,

escolaridade. Esse conjunto de informações está

relacionado com a nossa identidade. A princípio

o nome identifica a pessoa, mas a ele precisam

ser engajados outros elementos que de modo

articulado darão formato a nossa identidade. A este

respeito Santos (2005) relata:

Ao pensarmos como lidar com nosso nome,

percebemos que inicialmente somos chamados

por ele e somente depois nos chamamos, ou

seja, passamos a ter consciência de nós e nosso

nome mesmos. Ocorre, então uma fusão entre

nós e nosso nome e ele passa a ser um símbolo,

algo semelhante a um personagem atribuído.

(p.88)

Nesse sentido, a identidade é construída a

partir das diversas relações estabelecidas em vários

momentos da vida, passando por transformações,

como numa metamorfose que ocorre a partir das

determinações da realidade e pela interrelação

entre o objetivo e o subjetivo.

A esse respeito, Ciampa (2009) afirma que

identidade é a metamorfose, processo contínuo,

constantemente alterado em virtude do movimento

da realidade na qual nos encontramos inseridos.

Esse movimento põe em contato a objetividade e

a subjetividade o que nos leva a assumir diversos

personagens e consequentemente contribui para

as transformações na identidade.

acrescenta:

Corroborando com tal ideia, Santos

Ao tratar de identidade é necessário relacioná-la

a um processo de identificação que construímos

ao longo da vida. Passado, presente e futuro

são elementos da temporalidade que tornam a

identidade concreta. Vivemos um processo de

identificação que permite assumirmos diversos

personagens em nossa relação com o mundo

construindo nossa identidade. (SANTOS, 2005,

p.90).

Tratar de identidade do educador infantil

requer compreensão da influência das condições

históricas, sociais e materiais que contribuíram

para a escolha da profissão de professor. É

oportuno destacar que durante o processo de

constituição da Educação Infantil como direito

da criança ocorreram inúmeras contradições que


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

CIENTÍFICA 70

evidenciaram a desvalorização do educador infantil

pela sociedade. Este aspecto favorecia a ausência de

formação específica para o trabalho com as crianças

da primeira infância.

A análise da construção da identidade do

educador infantil perpassa também pela análise

do contexto social em que esta se constitui. É

importante considerar que a identidade não é algo

estático, imutável. Nesse sentido as contribuições

de (CIAMPA, 2009) nos revelam que a identidade é

algo dinâmico, em constante mutação, socialmente

construída das diversas interações sociais

conduzindo o professor a posicionar-se diante de

novos conhecimentos bem como os utilizando em

sua prática educativa.

Compreendemos que a formação para

o trabalho educativo junto às crianças envolve

uma série de questões relacionadas à definição

da identidade profissional dos que atuam nas

instituições de educação infantil. Avançar em relação

a tais questões e de como estas se manifestam

no cotidiano do educador infantil possibilitam

ressignificar às práticas formativas além de fomentar

ações que favoreçam a construção da identidade

deste profissional.

Portanto, além de buscar compreender a

dinâmica estabelecida entre os conhecimentos e

os profissionais é importante analisar os efeitos e

significados da formação continuada no processo

identitário do educador infantil que ocorre de forma

permanente. Em relação a essa questão, Gomes

afirma:

Uma identidade profissional constrói-se com

base na significação social da profissão; na

revisão constante dos significados sociais da

profissão; na revisão das tradições. Mas também

na reafirmação de práticas consagradas

culturalmente e que resistem a inovações

porque são prenhes de saberes válidos às

necessidades da realidade, do confronto entre as

teorias e as práticas à luz das teorias existentes,

da construção de novas teorias. Constrói-se

também pelo significado de cada professor,

como ator e autor, confere à atividade docente

no seu cotidiano com base em seus valores, seu

modo de situar-se no mundo, suas histórias de

vida, suas representações, seus saberes, suas

angústias e seus anseios”. (GOMES, 2009, p.42).

Segundo a autora, a constituição do sujeito

é um processo social, suas significações e percursos

podem certamente enriquecer o processo

formativo do professor por ampliar as experiências

profissionais e contribuir para o fortalecimento dos

processos identitários, quer pessoal ou profissional.

No exercício profissional a formação continuada é

um espaço adequado para a reflexão da prática, em

que se buscam os significados da ação pedagógica

cotidiana e dos processos envolvidos no

desenvolvimento profissional que podem favorecer

ou dificultar que os professores avancem no que diz

respeito à identidade profissional.

Percebemos então, o quanto é relevante

que os programas de formação continuada se

consolidem como espaço de trocas de experiência,

de escuta, de oportunidades em sentido pessoal

e profissional. A identidade profissional é

potencializada, enriquecida por novas experiências.

E, apesar de serem processos distintos, a identidade

e a formação profissional se efetivam paralelamente,

sendo necessário mediar a relação entre os sujeitos

e o objeto da formação.

Em virtude da complexidade que envolve

a ação pedagógica do educador infantil no

trabalho junto às crianças pequenas é preciso

reconhecer a importância do professor nesse

processo. Acreditamos que um dos caminhos para

isso é investir na formação e no desenvolvimento

profissional, um processo constante e inacabado

que impulsiona ir além do que se encontra posto,

determinado e assim favorecer ao educador infantil

a construção de sua identidade profissional.


Ano 7 - Nº 12 - Outubro de 2017 • ISSN: 2237-7883

CIENTÍFICA 71

Considerações Finais

A realização deste trabalho proporcionou

uma reflexão mais sistematizada acerca dos

elementos pertinentes à formação continuada e

sua contribuição na construção de sua identidade

profissional.

A abordagem da temática ancorada em

concepções construídas a partir de diversos

contextos históricos, sociais, culturais, educacionais

e outros foi bastante significativa, uma vez que

trouxe para o centro das discussões conceitos,

percepções e contribuições teóricas que conduziram

à compreensão da inter-relação e articulação entre

estes.

A história da infância, da educação infantil e

da formação do professor desta etapa da educação

é marcada por lutas sociais, conquistas, empecilhos,

definições na lei e incoerência entre estas e sua

efetivação.

A participação dos atores sociais em diversos

contextos históricos possibilitou o reconhecimento

da criança como sujeito de direitos, a inclusão

da educação infantil nos sistemas de ensino, e a

definição da necessidade de formação inicial para o

professor da educação infantil devendo se constituir

em um processo de formação continuada.

Portanto, a compreensão desses aspectos

e do que foi possível fazer, nos impulsiona a

perseverar, a propor caminhos para a formação

continuada e que esta contribua para a construção

de uma educação infantil de qualidade para as

crianças e educadores.

Referências

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Compreensiva Artigo a Artigo.14 ed. RJ. Vozes.

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São Paulo. Cortez 2002.

CIAMPA, Antonio da Costa. A Estória do Severino e

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Paz e Terra, 2004 (Coleção Leitura).

GOMES, Marineide de Oliveira. Formação de

professores na Educação Infantil. São Paulo.

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OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação Infantil:

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2008 – Coleção Docência em Formação.

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1 ed. Araraquara. Junqueira & Marin. 2005.

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Publicado por EdUECE/ ABEU, 2013.


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CIENTÍFICA 72

O COORDENADOR PEDAGÓGICO NO CONTEXTO DA CRECHE: UM PERFIL DE FORMADOR EM

CONSTRUÇÃO

Edlane de Freitas Chaves

edlanefc@hotmail.com

RESUMO

Este trabalho apresenta um recorte da pesquisa: “O Coordenador Pedagógico como Formador na Instituição

de Educação Infantil”, que teve como foco de estudo a atuação desse profissional na primeira etapa da

educação básica, a partir da proposta de formação continuada do Projeto Paralapracá, no contexto de

duas instituições educacionais do município de Maracanaú-CE. O artigo tem como objetivo apresentar

a percepção do coordenador pedagógico da Educação Infantil diante da função de formador. A referida

discussão fundamenta-se nas concepções teóricas de autores como Nóvoa (1992), Dourado (2002),

Bondioli (2004), Imbernón (2010), Fusari (2012), Garrido (2012), Placco e Souza (2012), Oliveira-Formosinho

(2001), Kramer (2008), Corsino (2008) e Zen (2012). Sendo esta investigação do tipo qualitativa, a entrevista

semi-estruturada foi a principal técnica de pesquisa utilizada para a coleta dos dados, seguida das análises

de seus resultados, os quais revelaram que a experiência das coordenadoras com a formação continuada

despertou o interesse em aprofundar os estudos voltados para a Educação Infantil, assim como para a

preocupação em desenvolver um perfil de formador nas vivências formativas e no acompanhamento

pedagógico junto aos professores, no sentido de contribuir com a melhoria da qualidade das ações

educativas no contexto da creche.

Palavras-chave: Coordenador Pedagógico; Formação Continuada; Educação Infantil.

1. Introdução

No contexto escolar atual, o Coordenador

Pedagógico tem ocupado importante espaço na

composição das equipes de profissionais que fazem

parte das instituições educacionais. A discussão

acerca da função ocupada por esse profissional é

um fator relevante para que se possa compreender

a essência e as responsabilidades das atividades

que desempenha, assim como para o entendimento

acerca desse papel pelos demais profissionais da

escola.

O Coordenador Pedagógico assume um

importante papel dentro da instituição escolar,

visto que seu trabalho necessita de uma função

mediadora, no sentido de ajudar o grupo de

professores e comunidade escolar a compreender e

construir os significados das propostas curriculares,

como também para o desenvolvimento da formação

junto aos professores, como forma de contribuir

com os processos pedagógicos.

Nessa perspectiva, este artigo tem como

objetivo apresentar a percepção do Coordenador

Pedagógico da Educação Infantil na função de


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CIENTÍFICA 73

formador no contexto da creche. Trata-se de um

recorte da pesquisa intitulada “O Coordenador

Pedagógico como Formador na Instituição

de Educação Infantil”, que originou-se a partir

das inquietações manifestadas na trajetória

profissional como formadora de professores e de

Coordenadores Pedagógicos, como também dos

estudos e discussões realizados durante o Curso

de Especialização em Coordenação Pedagógica da

UFC Virtual , aspectos que motivaram a realização

deste trabalho.

A experiência com o Projeto Paralapracá ,

através da proposta de formação continuada na

Educação Infantil voltada para os Coordenadores

Pedagógicos no município de Maracanaú (lócus da

pesquisa), também foi um elemento importante

que justificou a escolha pela referida investigação.

As concepções teóricas de Dourado (2002),

Bondioli (2004), Fusari (2012), Garrido (2012), Placco

e Souza (2012), Nóvoa (1992), Imbernón (2010),

Oliveira-Formosinho (2001), Kramer (2008), Corsino

(2008) e Zen (2012) fundamentaram as discussões

apresentadas neste artigo.

O estudo a que se propôs a referida

investigação recorreu à utilização de entrevista

semi-estruturada como técnica de pesquisa,

realizada com duas coordenadoras pedagógicas

no contexto da realidade investigada. Dessa forma,

com esse estudo pretendemos contribuir com as

discussões que abordam a atuação do Coordenador

Pedagógico como formador na Educação Infantil,

sobretudo no ambiente da creche.

Nessa perspectiva, no sentido de contemplar

os aspectos de fundamentação teórica e o percurso

metodológico utilizados na referida pesquisa,

este artigo foi organizado conforme segue: 1. O

Coordenador Pedagógico no contexto da Educação

Infantil; 2. O contexto da pesquisa e seu percurso

metodológico; 3. Os resultados e sua discussão; 4.

Considerações; e, 5. Referências.

1. O Coordenador Pedagógico no contexto

da Educação Infantil

Considerando o percurso da história da

infância, durante muito tempo a educação da

criança era considerada como responsabilidade

exclusiva das famílias ou dos grupos sociais a que

ela pertencia. Atualmente, com as transformações

históricas, políticas, teóricas e sociais, a educação

destinada a crianças de zero a cinco anos tem

evoluído no que se refere à garantia dessa educação

enquanto um direito.

Assim, é relevante destacar como um marco

legal e importante desta evolução no âmbito

da educação, a inclusão da Educação Infantil

na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB

9394/1996) em seu Artigo 29, considerando-a como

direito das famílias e dever do Estado, visando

o desenvolvimento integral da criança de zero

a seis anos, em seus aspectos físico, psicológico,

intelectual e social, passando a integrar a educação

básica que tem por finalidade o desenvolvimento

integral da criança de zero a cinco anos de

idade complementando a ação da família e da

comunidade. (BRASIL, 1996).

Desse modo, as instituições com Educação

Infantil devem priorizar práticas de educação e

de cuidados que possibilitem o desenvolvimento

e a aprendizagem das crianças, integrando os

aspectos cognitivo, afetivo, social, linguístico,

motor do desenvolvimento infantil, respeitando

as especificidades, de acordo com cada faixa

etária. Esses aspectos são destacados por Oliveira-

Formosinho (2001) como a globalidade da

educação da criança pequena, e colocam em

evidência a importância do papel do professor e de

sua formação para atuar nesta etapa de educação.

A discussão de Kramer (2008), também

aborda a importância da formação docente como

prática relevante para a boa qualidade das ações


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CIENTÍFICA 74

pedagógicas na Educação Infantil. Nesse percurso,

ao compreender como a criança se desenvolve,

o adulto desempenha um importante papel no

acompanhamento e na mediação das experiências

junto às crianças.

Tendo em vista o referido contexto, o

Coordenador Pedagógico é considerado como

o profissional que tem como atribuições a

articulação, coordenação, acompanhamento,

supervisão e orientação, no sentido de subsidiar

o desenvolvimento do trabalho pedagógico a ser

desenvolvido no cotidiano da instituição escolar.

Nesse sentido, o Coordenador Pedagógico

assume junto à equipe de professores, a importante

tarefa na articulação das práticas pedagógicas que

envolvem os aspectos que compõem a realidade

de educação e cuidados voltados para a criança

pequena. Para isso, ele necessita de saberes

que possibilitem compreender os processos de

desenvolvimento e de aprendizagem das crianças,

assim como estar atento à condução das práticas

pedagógicas junto aos professores.

1.1. O Coordenador Pedagógico: um

formador em construção

Na instituição de Educação Infantil é

fundamental a presença de um Coordenador

Pedagógico consciente de seu papel, que reconheça

a importância de investir tanto em sua formação

como no incentivo à formação da equipe docente.

Desse modo, reconhece-se que a formação

continuada deve oferecer os fundamentos teóricos,

para que se possam construir conhecimentos

pedagógicos significativos e coerentes com as

práticas educativas que o professor precisará para

conduzir o seu fazer profissional. Nessa perspectiva,

esse trabalho destacou a formação continuada

de Coordenadores Pedagógicos que atuam na

Educação Infantil, como formadores dos professores

no espaço das instituições.

Na discussão proposta por Imbernón (2010)

acerca da formação continuada de professores, o

autor define a formação como “toda intervenção

que provoca mudanças no comportamento, na

informação, nos conhecimentos, na compreensão

e nas atitudes dos professores em exercício”

(IMBERNÓN, 2010, p.115). Considerando a

perspectiva do referido autor e levando para o

âmbito da Educação Infantil, as especificidades

que envolvem o mundo da criança requerem uma

maior dedicação e compreensão por aqueles que

direta ou indiretamente convivem com essa etapa

da educação básica.

Portanto, é imprescindível a existência de

intervenções, por meio da formação continuada,

que possibilitem o desenvolvimento de saberes e

atitudes específicos para fundamentar o trabalho

do professor, visto que,

são as ações de profissionais comprometidos,

e em permanente formação e supervisão,

que possibilitarão que seja atingido o

objetivo geral da educação infantil, de

proporcionar desenvolvimento integral e

integrado das crianças, complementando a

ação da família” (CORSINO, 2008, p. 216).

A importância deste tipo de intervenções

por meio da formação continuada faz parte das

atribuições pertinentes à função do Coordenador

Pedagógico, no seu papel de formador junto aos

professores, como encontra-se destacada na citação

a seguir:

Para realizar bem o seu trabalho como formador,

o coordenador pedagógico precisa ganhar a

confiança dos professores e colocar-se no lugar

de parceiro. A dimensão subjetiva da formação

dos professores não é menos importante do

que as outras, pelo contrário, o coordenador

pedagógico precisa estabelecer com seus

professores uma relação que permita uma

discussão honesta sobre os desafios da sala de

aula. (ZEN, 2012, p. 10)


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CIENTÍFICA 75

Sendo um parceiro mais experiente, o

Coordenador Pedagógico, em sua função de

formador na instituição, deve ser capaz de envolver

o grupo numa rede de confiança e de reciprocidade,

em que o trabalho pedagógico deve ser construído

coletivamente, de tal forma que venha a contribuir

e ampliar o trabalho cooperativo, buscando, por

meio dele, qualificar a atuação destes profissionais

em sala de aula.

Nesse sentido, o trabalho do Coordenador

Pedagógico requer percepção e sensibilidade para

identificar as necessidades dos professores e das

crianças, tendo que se manter sempre atualizado,

buscando fontes de informação e refletindo sobre

sua prática, assim como destaca Nóvoa (1992, p. 36)

“a experiência não é nem formadora nem produtora.

É a reflexão sobre a experiência que pode provocar

a produção do saber e a formação”.

Essa discussão também é abordada por

Kramer e Nunes (2013. p. 40), para quem “a formação

em serviço é necessária não apenas para aprimorar

a ação profissional, mas também para orientar

e agregar valor à profissão docente, já que é no

diálogo que esses educadores constroem saberes

e ressignificam a prática”. Nessa perspectiva, a

formação continuada tem papel importantíssimo,

pois visa incentivar, tanto no Coordenador

Pedagógico como na equipe de professores, no

desenvolvimento de uma postura de sujeitos

críticos, reflexivos e transformadores, capazes de

refletir sobre suas ações de forma madura, sensível

e profissional.

Desse modo, os saberes produzidos

nesse processo de formação devem possibilitar a

ampliação das experiências, no sentido de produzir

avanços no que se refere às práticas pedagógicas

mais significativas e relevantes para atender as

demandas específicas da Educação Infantil.

2. Contexto da pesquisa e o percurso

metodológico

Os programas de formação continuada para

os professores devem proporcionar uma formação

em serviço, que os possibilite repensar as suas

práticas, analisando suas necessidades diante do

seu cotidiano de atuação, tendo como base os

referencias teóricos que permitam entender melhor

a realidade, visto que, “a teoria é constitutiva da

prática e a prática, da teoria; ambas se apóiam e

se retroalimentam. [...] uma experiência formativa

deve inspirar-se numa teoria, em conhecimentos

científicos que a sustentam” (PARALAPRACÁ, 2013,

p. 23).

Nessa perspectiva, convém apresentar

o contexto de realização desta pesquisa, que

investigou a atuação de coordenadoras pedagógicas,

a partir das suas experiências de formação

continuada proposta pelo projeto Paralapracá em

um município do Ceará. O referido projeto faz

parte do Programa de Educação Infantil do Instituto

C&A e nasceu do compromisso de contribuir para a

melhoria da qualidade do atendimento às crianças

desta etapa de ensino pelos municípios do Brasil.

Portanto, o projeto trabalha com duas linhas de

ação complementares e articuladas: a formação

continuada de educadores e o acesso a materiais

de qualidade, tanto para as crianças quanto para os

profissionais que atuam nesta etapa de educação.

A referida proposta de formação considera

os coordenadores como “agentes de mudanças por

excelência”, e com essa ideia investe de maneira

efetiva na formação desse profissional, para que

ele possa exercer a função de formador no espaço

escolar, com vistas à proposição de mudanças

significativas no cotidiano desses sujeitos, assim

como no espaço escolar (PARALAPRACÁ, 2013, p.

08).


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CIENTÍFICA 76

O lócus escolhido para esta pesquisa foi

o município de Maracanaú, localizado na região

metropolitana de Fortaleza, que implementou

essa parceria tendo como foco a formação de

Coordenadores Pedagógicos que trabalham em

instituições que atendem esta etapa de educação,

para atuarem como formadores dos professores de

Educação Infantil nesses espaços.

No sentido de responder às questões desta

investigação, que demanda entender os desafios

presentes na atuação do Coordenador Pedagógico

como formador no contexto da Educação Infantil,

sobretudo na realidade da creche, a pesquisa

foi realizada em duas instituições que atendem

crianças de zero a três anos em tempo integral, na

rede municipal de educação já mencionada.

Considerada como uma importante

fonte de informações, o uso da entrevista semiestruturada

neste trabalho se configurou como um

instrumento de interação entre pesquisador e o

objeto de pesquisa, “em que o entrevistado tem a

possibilidade de discorrer sobre o tema em questão

sem se prender à indagação formulada” (MINAYO,

2007, p. 64).

A motivação para a escolha das creches

como lócus desta pesquisa se justificou devido

à peculiaridade do atendimento que realizam,

visto que são instituições de Educação Infantil

que recebem matrículas de crianças a partir de

seis meses de vida até os três anos de idade. Outra

característica desse contexto para a referida escolha

diz respeito à dupla função ocupada por um único

profissional, que atua tanto na Direção (Gestor

Geral), quanto na Coordenação Pedagógica de

creche. Esta é uma realidade importante de ser

destacada e que justifica a escolha por esses lócus

e sujeitos de pesquisa.

Dessa forma, o Gestor Geral e

também Coordenador Pedagógico tem como

responsabilidades nas suas funções tanto as

questões burocráticas e de funcionamento geral

da instituição, quanto a coordenação das ações

pedagógicas com atuação também na formação

dos professores e no acompanhamento das práticas

pedagógicas. Assim, para a escolha do lócus

desta pesquisa, foram determinados os seguintes

critérios: a) ser instituição de Educação Infantil

com atendimento às crianças de zero a três anos

em tempo integral; b) estar inserida na formação

continuada do Projeto Paralapracá; c) aceitar

participar da referida pesquisa.

Desse modo, no sentido de caracterizar

o lócus investigado, o quadro a seguir apresenta

as informações acerca das duas creches onde a

pesquisa foi realizada, estão representadas por

meio de numerais: Creche 01 e Creche 02, conforme

o quadro, a seguir:

Quadro I: Caracterização do Lócus da Pesquisa:

Creche 01 e Creche 02

Fonte: Campo de pesquisa (dados referentes o ano letivo de

2014 - período de realização da pesquisa)

Nesse contexto, como sujeitos

participantes da pesquisa foram escolhidas as

duas Coordenadoras Pedagógicas que trabalham

nas respectivas creches de tempo integral da rede

municipal investigada. Para a escolha dos sujeitos

desta pesquisa foram determinados como critérios:

a) a atuação na Coordenação Pedagógica de

instituição de Educação Infantil com atendimento

às crianças de zero a três anos em tempo integral;

b) participação na formação oferecida pelo Projeto


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CIENTÍFICA 77

Paralapracá durante o ano de 2014; c) Aceitar

participar da referida pesquisa. Desse modo,

considerando o sigilo dos sujeitos da pesquisa, as

duas Coordenadoras Pedagógicas participantes da

pesquisa estão apresentadas como CP1 e CP2.

Convém destacar ainda, que a escolha de

instituições de uma rede pública como lócus para

a realização desta pesquisa, justificou-se pelo

contexto de coordenação pedagógica abordado

nesse trabalho, como também, especialmente

pelo fato de ter compromisso ético e político com

a educação pública, tanto no âmbito profissional,

quanto de minha formação escolar e acadêmica.

3. Resultados e discussão

3.1. Como acontece a formação do Projeto

Paralapracá?

Conforme já mencionado neste texto, os

encontros de formação continuada do Projeto

Paralapracá são direcionados às coordenadoras

pedagógicas que trabalham nas instituições com

Educação Infantil. No município investigado, trinta

coordenadoras pedagógicas participavam desse

processo, das quais vinte e três da rede municipal e

sete são da rede de creches contratadas.

Esses momentos com as coordenadoras

acontecem duas vezes por mês, com carga horária

de quatro horas cada um. Assim, desde o início

do projeto, em 2013, até o período da realização

desta pesquisa aconteceram um total de vinte e

quatro encontros de formação, totalizando uma

carga horária de noventa e seis horas até o referido

momento. Diferentes eixos já foram trabalhados

nas formações, tais como os intitulados a seguir:

Assim se brinca, Assim se explora o mundo e Assim

se faz arte. Durante o mês em que esta pesquisa foi

realizada, aconteceria ainda o primeiro encontro do

eixo Assim se organiza o ambiente.

Os espaços onde esses encontros acontecem

com as coordenadoras são variáveis, visto que

dependem da pauta de formação, assim como

da disponibilidade de locais e do calendário de

formação do município. Assim, estes acontecem

tanto em espaços internos, seja na própria secretaria

de educação ou em salas de outras instituições do

município, como em espaços externos (museus,

sítios, centros culturais etc.) escolhidos de acordo

com a programação definida. A referida experiência

pode ser constatada na fala da CP1 entrevistada:

[...] Também tem as aulas de campo, em que nós

já fomos para o Dragão do Mar, nós já visitamos

um sítio. De acordo com o tema que está sendo

trabalhado, aí é feita a visita. Quando a gente

estava trabalhando o brincar, nós visitamos a

exposição de brinquedos do Dragão do Mar.

Quando a gente estava trabalhando ‘Assim

se explora o mundo’, nós fomos a um sítio. No

‘Assim se faz arte’, nós fomos ao Museu do Ceará

onde visitamos as obras do artista Ernani Pereira

(artista cearense). Estou esperando agora, para

ver como será no eixo ‘Assim se organiza o

ambiente’, que é a próxima formação. (CP1)

Nesse contexto, um aspecto interessante

e rico desses momentos é que, de acordo com

o tema do eixo da formação a ser trabalhado,

diferentes espaços já puderam ser explorados pelas

coodenadoras, vivência que condiz com a afirmação

de Domingues (2014, p. 71), quando destaca que “as

trocas de experiências tornam-se tão singulares e

particulares como cada espaço educativo”.

Os encontros de formação com as

coordenadoras são planejados e conduzidos pela

assessora pedagógica do Projeto Paralapracá, que

conta com a parceria e apoio da equipe técnica de

educação infantil da secretaria de educação, visto

que, “para que a formação ocorra em consonância

com as reais necessidades da intituição é importante

planejar a partir de um diagnóstico das demandas

e envolver os profissionais nesse processo”

(PARALAPRACÁ, 2013, p. 41).


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As metodologias utilizadas nos encontros e a

organização dos ambientes são aspectos planejados

de acordo com as demandas percebidas e com as

experiências que embasam essa necessidade. A

CP2, em seu relato, ressalta acerca da importância

desses elementos e do cuidado com o planejamento

da formação:

A organização do ambiente, o baú, os materiais,

os fantoches, fica muito bonito. A gente se sente

bem, enche os olhos e estimula. Todo mundo

fica lá tirando fotos e postando. E da mesma

forma que ela (a assessora do projeto) faz pra

gente eu tento fazer na instituição pra que fique

um ambiente bem agradável, que as professoras

se sintam à vontade e que visualizem a criança.

Pensar como as crianças se sentiriam diante

daquele ambiente todo organizado para elas.

Eu pelo menos fico encantada com as coisas

que vejo, com os livros diferentes, as historinhas,

enfim, eu fico imaginando que na nossa época

não tinha e hoje tem tantas coisas diferentes

que nossas crianças têm oportunidade de ver, e

conhecer. (CP2)

Convém ressaltar que, conforme a proposta

do projeto Paralapracá, existe uma preocupação em

envolver os participantes nesse processo, tanto no

início como no percurso de todo o projeto, “a fim

de que se sintam mobilizados, desejosos de fazer

parte do processo formativo e, especialmente,

respeitados nos seus saberes e nas suas demandas”

(PARALAPRACÁ, 2013, p. 41). Desse modo, convém

destacar que os assuntos são abordados pela

assessora de forma instigadora, provocativa e

reflexiva, considerando como ponto de partida

os eixos propostos no projeto e a realidade das

instituições, conforme também relata a CP2, a

seguir:

Eu acredito que o olhar da assessora é muito

importante e ela nos cobra muito. Ela chegou

pra dizer assim: vamos fazer! Arregaça as

mangas que a coisa tem que acontecer. Eu sinto

que com ela é desse jeito, eu quero e eu vou

fazer. Pra gente que está como formadora, até

pra quem tem um certo tempo de experiência

com educação infantil como eu é tudo novo e

instigador. (CP2)

Ainda no que diz respeito à fundamentação

teórica que norteia os planejamentos dos encontros,

é importante ressaltar que esta é orientada por

materiais elaborados pelo próprio projeto, tais como

os cadernos de orientação e experiências vídeos,

registros de formação nas instituições, assim como

por livros de autores nacionais e internacionais

que estão disponíveis no baú do projeto, que

tratam dos temas que abrangem os processos de

desenvolvimento e aprendizagem das crianças e as

práticas pedagógicas na educação infantil.

No que se refere à formação que acontece nas

instituições com educação infantil, estas também

são quinzenais ou de acordo com cada realidade.

O Coordenador Pedagógico tem autonomia para

elaborar a pauta de formação de acordo com as

orientações recebidas da assessoria do projeto

e considerando as necessidades observadas no

contexto escolar em questão, assim como relatam

as CP1 e CP2 respectivamente, sobre as suas

experiências com a formação nas creches onde

atuam:

No começo do módulo, na organização da

agenda eu procuro já dar indicações do que

elas têm pra pesquisar dentro da creche e

procuro ver também se tem alguma coisa na

internet onde é que elas podem pesquisar, até

pra facilitar na questão do tempo. Aí na primeira

agenda eu já coloco até o menu do que elas

têm para pesquisar. Também costumo fazer

outras atividades antes do dia, já voltadas para

o tema “que a gente chama preparando para o

Paralapracá”, porque aí elas já vão percebendo

mais ou menos o que as espera, já vão fazendo

um trabalho voltado pra aquilo dali (CP1).

Primeiro eu preparo a escola para a formação

dos professores, porque a gente prepara os

professores para que depois eles possam

realizar com as crianças. O interessante é que

elas vivenciem também o que eu vivenciei,

para que elas possam também vivenciar com as

crianças. Volto entusiasmada da formação, vou


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CIENTÍFICA 79

para o computador fazer a pauta, onde eu penso

o que é que eu vou trazer de novidade para as

meninas (professoras). [...] eu tento me espelhar

na “...” (nome da assessora do programa), porque

ela pra mim é o exemplo ali. O que ela faz com

a gente, eu observo o que é sempre diferente e

tento fazer com as meninas (professoras). Então,

eu coloco na pauta o momento da acolhida que

é sempre uma brincadeira, aí eu coloco na hora

das discussões um vídeo, procuro trazer alguma

vivência do que realmente aconteceu lá na

nossa formação, mostrando outras realidades

apresentadas nos vídeos. Isto é, mostrando pra

elas que, o que funciona no lugar A, B ou C, aqui

também pode funcionar. É necessário que elas

vejam que, mesmo com poucos recursos outras

instituições estão conseguindo fazer. Então é

bom ver e tentar fazer (CP2).

Conforme as perspectivas evidenciadas

pelas CP1 e CP2, é relevante apresentar as afirmações

de Garrido (2012), que, ao mencionar acerca da

importância do coordenador enquando formador,

destaca o papel desse profissional em “subsidiar e

organizar a reflexão dos professores sobre as razões

que justificam suas opções pedagógicas e sobre as

dificuldades que encontram para desenvolver seu

trabalho” (GARRIDO, 2012 p. 09).

Nessa perspectiva, é importante destacar que

o coordenador pedagógico deve ser incentivador

do grupo de professores, proporcionando o

acesso à fundamentação teórica a ser discutida e

refletida, como também possibilitando o acesso as

experiências significativas, “favorecendo a tomada

de consciência dos professores sobre suas ações e

o conhecimento sobre o contexto escolar em que

atuam” (GARRIDO, 2012, p. 09), considerando ainda

as práticas pedagógicas relevantes para o contexto

da Educação Infantil.

3.2. Contribuição do Projeto Paralapracá na

formação do Coordenador Pedagógico na sua

atuação como formador na Educação Infantil

Diante do desafio que foi lançado

às coordenadoras pedagógicas a partir do

Projeto Paralapracá, de também atuarem como

formadoras no espaço escolar, principalmente

para as que atuam nas creches de tempo integral,

estas passaram a viver um período de intensas

aprendizagens e transformações. A cada encontro

de formação vivenciado, algumas mudanças

passaram a acontecer tanto no que se refere às suas

posturas como formadoras e coordenadoras, como

no cotidiano da instituição com as suas respectivas

equipes de professoras.

Conforme os relatos das CP1 e CP2, a principal

contribuição da formação do Projeto Paralapracá

no trabalho do coordenador pedagógico refere-se

à importância e à necessidade de voltar a estudar, o

que explicitam nos depoimentos a seguir:

Eu digo que uma das coisas que essa

formação trouxe pra nós é a questão de nos

conscientizarmos do quanto a gente tem que

estudar. Na história dos registros, que se fala da

dificuldade do professor de fazer registro. Esse

registro aqui né?! (se reportando a um registro

de atividades das professoras, que entregou

à pesquisadora para ler antes de iniciar a

entrevista). [...] E nessas coisas a formação tem

ajudado muito, principalmente na questão de

registrar. [...] Então dentro da formação a gente

tem despertado para coisas que vem sendo

colocadas, que a gente vem estudando sobre

isso, mas que não se conseguia sistematizar

(CP1).

Acredito que aos poucos algumas professoras

vão fazendo vai devagarzinho... Eu vejo que já

está melhorando, mas eu acredito que com a

continuidade as coisas vão dando certo. [...]

A gente sabe que dentro das escolas de um

modo geral, muitas idéias ‘tradicionais’ ainda

estão muito grudadas no contexto da educação

infantil. Com a formação há um estranhamento

com o que se está aprendendo tanto pelos

professores, quanto pelos gestores. Eu vejo

como se fosse uma especialização pra mim. Eu

estou me sentindo num curso de especialização.

Onde todos os dias eu descubro coisas novas. E

esse material do Paralapracá, os livros - porque

cada eixo tem dois livros do formador - dentro

desses livros tem experiências de outras escolas,

de outros estados e tem textos riquíssimos de


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CIENTÍFICA 80

apoio que sempre usamos na formação. Sempre

estou usando eles como base para trabalhar na

formação com as professoras (CP2).

A CP2 relatou ainda que o projeto está

abrindo o olhar dos coordenadores para atuações

importantes na educação infantil, como, por

exemplo, o registro das práticas de formação. Ela

citou o portfólio como um desafio, mas, ao mesmo

tempo, desperta para a importância desse tipo de

registro, tanto para as práticas da formação, como

para o acompanhamento das práticas pedagógicas

dos professores junto às crianças.

Desse modo, percebe-se que apesar dos

desafios, a importância de estudar, de pesquisar,

de registrar, de ser modelo de boas práticas e

de incentivar os professores nesse processo

são algumas das contribuições relatadas pelas

coordenadoras que participaram da pesquisa.

Outro aspecto percebido a partir dos depoimentos

das entrevistadas refere-se à mudança do

olhar das coordenadoras para a formação e a

importância desta no cotidiano do seu trabalho, o

que proporcionou ampliação de conhecimentos,

fazendo-as sair do lugar comum, do comodismo

que muitas vezes pode se instalar no decorrer da

profissão. Alguns desses aspectos supracitados

estão presentes nos relatos das CP1 e CP2, que

explicam acerca de alguns pontos da formação que

planejam para as professoras nas creches:

No começo do módulo, na organização da

agenda eu procuro já dar indicações do que

elas têm pra pesquisar, dentro da creche e

procuro ver também se tem alguma coisa na

internet onde é que elas podem pesquisar, até

pra facilitar na questão do tempo. Aí na primeira

agenda eu já coloco até o menu do que elas têm

pra pesquisar. Aí costumo fazer outras atividades

antes do dia, já voltadas para o tema “que a gente

chama preparando para o Paralapracá”, porque

aí elas já vão percebendo mais ou menos o que

as espera, já vão fazendo um trabalho voltado

pra aquilo dali (CP1).

Então eu digo que a formação nos trouxe isso,

para esse olhar, para você ver o que está ao

seu redor e trazer para a escola. Aproveitar ao

máximo tudo que está do lado. Até uma caixa de

fósforos, que poderia não servir pra nada, a gente

pode fazer um fantoche, um brinquedinho.

Assim, eu acho que o projeto veio pra isso, pra

mexer com a rotina, e fica tudo pra lá e pra cá

mesmo, você não para, você fica encantada. E

quando eu vou fazer a formação é exatamente

isso que eu penso... Eu me empolgo (CP2).

Portanto, vivenciar as práticas com a equipe

de professores, propor novos caminhos, o olhar

para a infância, ser incentivador de experiências

significativas, também são algumas das

contribuições que aparecem de maneira explícita

e/ou implícita nos relatos das coordenadoras

entrevistadas nesta pesquisa. Entretanto, convém

destacar o que disse CP2:

E essa é a minha atuação que eu quero dizer...

Eu vivencio lá, passo pra elas e tento vivenciar

com elas na sala de aula. Tanto é que quando

elas estão fazendo alguma atividade com as

crianças, eu estou lá observando e propondo

idéias: ‘vamos fazer assim, vamos ver desse

outro jeito’... Que é pra vivenciar realmente as

experiências que o projeto possibilita. Eu acho

que essa é a função do Paralapracá... Posso

estar até equivocada, mas é como eu estava

dizendo... Eu acho que o projeto veio pra

mexer...pra lá e pra cá mesmo! Mexer no que

estava parado demais, grudado... E acho que

isso está acontecendo... Está desgrudando o

povo. [...] Tudo o que estamos vivenciando esta

servindo de aprendizado. Acho que o maior

incentivo do Paralapracá foi isso, o aprendizado.

É como eu digo, nada é novidade, mas tudo se

tornou novidade, né?! Porque a gente sabia que

tinha, sabia que existia, mas não se vivenciava.

Aí quando se passou a vivenciar, passou a ser a

novidade (CP2).

Fusari (2012) ressalta que num projeto de

formação deve-se considerar e valorizar os saberes

advindos da experiência, das trocas de informações,

mas que “identifiquem as teorias que eles praticam

e criem situações para que analisem e critiquem


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CIENTÍFICA 81

suas práticas, reflitam a partir delas, dialoguem com

base nos novos fundamentos teóricos” e, com base

nessas vivências, tenham oportunidade de propor

maneiras de superar os desafios do contexto em

questão (FUSARI, 2012, p. 22).

Finalmente, é preciso destacar que

quaisquer iniciativas de formação continuada só

serão exitosas se, além do esforço e dedicação do

formador, o corpo docente tiver interesse e vontade

de compreender a proposta e estiver disposto a

promover mudanças, pois, sem esse envolvimento,

nenhuma transformação ocorrerá, de nada adiantará

participar das formações continuadas, se não

houver a renovação do olhar, das concepções que

proporcionam a inovação da prática pedagógica.

Considerações Finais

Considerando o movimento de

ressignificação do trabalho do Coordenador

Pedagógico, as suas demandas de trabalho, bem

como as discussões nesta área, a realização desta

pesquisa teve como objetivo analisar a percepção

de Coordenadores Pedagógicos da Educação

Infantil de um município cearense na função de

formadores nas creches onde trabalham.

Desse modo, a referida investigação

se deu justamente na perspectiva de

perceber essa realidade, em que a função do

Coordenador Pedagógico se configura também

no desenvolvimento de um perfil de formador

com a contribuição da experiência de formação

continuada proposta pelo Projeto Paralapracá, no

contexto específico da Educação Infantil.

A pesquisa revelou que o Projeto Paralapracá,

proposto especificamente aos Coordenadores

Pedagógicos da Educação Infantil, possui uma

proposta estruturada voltada para formação

continuada desses profissionais, para que possam

atuar como formadores nas instituições de onde

trabalham. Essa proposta possibilitou assessorar

os Coordenadores Pedagógicos, no sentido de

indicar-lhes o acesso a subsídios didáticos e a

fundamentação teórica que proporcionassem

experiências formativas aos professores no contexto

da Educação Infantil.

A formação continuada do Paralapracá

possibilitou como importante diferencial a

sensibilização do olhar do Coordenador Pedagógico

e, consequentemente, dos professores para as

especificidades do trabalho a ser desenvolvido

com a criança pequena, no sentido de melhorar a

qualidade das práticas pedagógicas voltadas para

esta etapa de educação.

Desse modo, por meio dos relatos das

coordenadoras entrevistadas, verificou-se o

envolvimento destas com a proposta de formação

continuada em questão, aspecto que lhes

proporcionou o desenvolvimento de um olhar

cuidadoso para a realização da formação na creche,

como também o interesse em desenvolver um

perfil de formadora, tendo como foco o estímulo

aos professores no desenvolvimento de práticas

pedagógicas significativas na Educação Infantil.

Com a pesquisa observou-se ainda, que o

Projeto Paralapracá contribuiu de forma positiva

para a formação do Coordenador Pedagógico na

sua atuação como formador na Educação Infantil. As

coordenadoras destacaram em seus depoimentos

que a oportunidade de participar desse processo

formativo ajudou-as a perceber a importância

da formação continuada nas suas respectivas

trajetórias de profissão.

A referida experiência estimulou-as a

despertar para o interesse em aprofundar seus

estudos voltados para a Educação Infantil, assim

como para a preocupação em desenvolver um

perfil de formadora, possibilitando a realização de

um trabalho de boa qualidade em parceira com o

grupo de professores.


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CIENTÍFICA 82

Quando questionadas acerca das

contribuições do Projeto Paralapracá nas suas

respectivas trajetórias de profissão e formação,

de modo geral, elas destacaram: a sensibilização

do olhar para compreender a Educação Infantil;

a oportunidade de organizar e conduzir

experiências de formação junto às professoras;

e, ainda, a compreensão acerca das práticas

pedagógicas significativas para o desenvolvimento

e aprendizagem das crianças, como alguns

dos ganhos pessoais e profissionais com essa

experiência de formação continuada.

Nesse sentido, inferiu-se, mediante os

estudos realizados que a construção de um perfil

de formador, referindo aqui ao Coordenador

Pedagógico, requer tempo para vivenciar e

aprimorar as experiências a partir da formação,

bem como o olhar dos sistemas de educação para

esse profissional, no sentido de investimento na

formação profissional, bem como na viabilização

das ações formativas nas instituições.

Nessa perspectiva, convém afirmar que a

realização da pesquisa possibilitou a ampliação do

olhar para a função significativa que o Coordenador

Pedagógico ocupa na instituição escolar,

principalmente assumindo a construção de um

perfil de formador no contexto da Educação Infantil.

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CIENTÍFICA 84

O PROJETO PARALAPRACÁ E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL EM MARACANAÚ

Francisca Nepomucena Moura

franciscanepomucena@gmail.com

Solange Maria Silvestre Maciel

solange.silvestre1@gmail.com

RESUMO

O presente artigo contempla um recorte dos processos formativos vivenciados na Educação Infantil

em Maracanaú, através do projeto Paralapracá, que traz em seu escopo, a formação do coordenador

pedagógico e a sua atuação enquanto formador de sua equipe, na perspectiva de se refletir sobre as

práticas pedagógicas e qualificá-las, contribuindo assim, para que as crianças da referida etapa, ampliem

suas aprendizagens e consigam viver experiências diversas a partir das múltiplas linguagens. Vale ressaltar

que, neste trabalho evidencia-se também o Intercâmbio em Reggio Emilia, uma cidade italiana que vem

inspirando diversos países a olharem para as suas realidades e perceberem a criança como um ser do

presente e que precisam estar efetivamente nas políticas públicas. Desta forma, pode-se afirmar que por

mais que o referido projeto tenha contribuído significativamente na formação dos profissionais envolvidos,

ainda se tem muito a avançar na Educação Infantil do município.

Palavras-chave: Projeto Paralapracá, Educação Infantil, Reggio Emilia e Coordenador Pedagógico.

1 INTRODUÇÃO

A formação de professores como um direito

foi implementada no Brasil a partir da década de

1990, no âmbito de suas políticas educacionais.

Neste contexto, a Educação Infantil assim como, as

demais etapas da Educação Básica devem garantir

aos profissionais envolvidos a formação continuada

na perspectiva de contribuir para o desenvolvimento

profissional e à qualificação de suas práticas.

No contexto do projeto Paralapracá, a

proposta formativa tem como foco o coordenador

pedagógico, que forma a sua própria equipe de

professores a partir da realidade, com vistas a apoiar

as práticas pedagógicas e o desenvolvimento das

crianças.

Para tanto, o projeto investe

significativamente na construção da identidade

do coordenador pedagógico, por meio de um

ciclo formativo constante e de uma metodologia

abrangente. É importante ressaltar ainda que,

o referido projeto está em consonância com os

documentos oficiais que normatizam a Educação

Infantil dentre os quais destaca-se a Lei de Diretrizes

e Bases da Educação – LDB (Lei nº 9.394/1996) e

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação

Infantil (DCNEI), Parecer CNE/CEB nº 22/98,

Resolução CNE/CEB nº 01/99 e a Resolução Nº 5, de

17 de dezembro de 2009.


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CIENTÍFICA 85

O presente artigo, aborda o percurso

construído na Educação Infantil em Maracanaú a

partir do projeto Paralapracá, o qual foi inserido

na rede municipal em 2013. Assim, uma de suas

primeiras ações formativas foi o Intercâmbio na

cidade de Reggio Emilia – Itália, que aconteceu no

período de 29 de maio a 05 de junho do ano citado,

sendo uma realização do Instituto C&A, com o apoio

técnico da AVANTE – Educação e Mobilização Social

e a valorosa parceria do Centro Internazionale Loris

Malaguzzi.

O referido Intercâmbio teve como objetivo

principal fortalecer a atuação dos gestores públicos

e ainda aprofundar a compreensão sobre as

condições necessárias para uma Educação Infantil

de qualidade.

Essa ação marcou o início de uma parceria

e implementou novas trajetórias na Educação

Infantil em Maracanaú. O Paralapracá em seu

escopo delineia um processo formativo, tendo

como foco a formação do coordenador pedagógico

reverberando nas práticas pedagógicas.

No desenvolvimento do artigo em pauta,

será evidenciado o referido projeto e suas

ressonâncias na Educação Infantil no município

de Maracanaú, bem como um breve relato do

Intercâmbio supracitado.

2 O INTERCÂMBIO EM REGGIO EMILIA E O

PROJETO PARALAPRACÁ

O Instituto C&A, através do projeto

Paralapracá, ao firmar parcerias com as Secretarias

Municipais de Camaçari (BA), Maceió (AL),

Maracanaú (CE), Natal (RN) e Olinda (PE), com

muita expertise inicia as ações no II Ciclo do

referido projeto, conhecendo uma experiência de

Educação Infantil e que é referência mundial: a do

Reggio Children (Centro Internacional pela Defesa

e Promoção dos Direitos e Potencialidades de Todas

as Crianças, em Reggio Emilia), na Itália.

Na oportunidade, participaram desse

Intercâmbio os representantes dos citados

Municípios, assim como os das cidades de

Jaboatão do Guararapes (PE) e Teresina (PI), ambas

pertencentes ao I Ciclo.

O Intercâmbio em pauta teve como

objetivo maior, contribuir para o fortalecimento

das práticas de Prefeitos, Secretários de Educação

e Coordenadores Municipais de Educação Infantil,

na perspectiva de ampliarem seus olhares

diante da Infância em seus Municípios e assim,

implementarem políticas públicas consistentes e

adequadas para a criança pequena.

A programação de todo o Intercâmbio

contemplou diversos e significativos momentos de

estudos e trocas, com o apoio técnico da AVANTE

Educação e Mobilização Social – Salvador (BA),

envolvendo alguns atores do contexto de Reggio

Emilia, como: professores, pedagogista, atelierista e

outros especialistas que atuam na área da Infância.

A cidade de Reggio Emilia é conhecida

mundialmente por sua excelência na Educação

Infantil. Localiza-se em uma região considerada

próspera e progressista de Emilia Romagna, no

nordeste da Itália, com 172.000 habitantes. As

crianças de 0 a seis anos representam 6% da

população geral. Portanto, 65,9% dessas crianças

frequentam creches ou pré-escolas públicas, dados

referentes a maio do ano de 2012.

Após o término da Segunda Guerra Mundial

em 1945, um grupo de mães de Villa Cella, próximo a

Reggio Emilia, se uniu com o objetivo de reconstruir

algo a partir das ruínas. Assim, pensando nas

crianças, as respectivas mães difundiram a ideia

e foram conseguindo gradativamente a adesão

de outras pessoas, alguns comerciantes, enfim a

sociedade como um todo e fundaram uma escola,

a qual tornou-se universalmente conhecida através

da abordagem pedagógica para a infância.


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CIENTÍFICA 86

O professor e jornalista, Loris Malaguzzi,

pensador da educação das crianças pequenas, é

considerado o grande orquestrador da abordagem

de Reggio Emilia na Educação da Primeira Infância. É

importante destacar um pouco de seus sentimentos

e perspectivas da experiência vivida:

relações, a formação profissional e a avaliação.

As cem linguagens são compreendidas como

possibilidades que se transformam e multiplicam, na

cooperação e na interação linguagens-linguagens,

crianças-crianças e crianças-adultos. Nesse sentido,

alguns autores se debruçaram sobre o assunto:

A história de nossa abordagem, e de meu

papel nela, começa seis dias após o término

da Segunda Guerra Mundial. Era primavera

de 1945. O destino deve ter desejado que eu

fosse parte de um evento extraordinário. Ouvi

que em um pequeno vilarejo chamado Villa

Cella, umas poucas milhas da cidade de Reggio

Emilia, as pessoas haviam decidido construir

e operar uma escola par crianças pequenas.

Esta idéia pareceu-me incrível! Corri até lá em

minha bicicleta e descobri que tudo aquilo

era verdade. Encontrei mulheres empenhadas

em recolher e lavar pedaços de tijolos. As

pessoas haviam-se reunido e decidido que o

dinheiro para começar a construção viria da

venda de um tanque abandonado de guerra,

uns poucos caminhões e alguns cavalos

deixados para trás pelos alemães em retirada.

Em oito meses, a escola e nossa amizade havia

lançado raízes. O que ocorreu em Villa Cella

foi apenas a primeira fagulha. Outras escolas

foram abertas na periferia e nos bairros mais

pobres da cidade, todas criadas e operadas

por pais. Encontrar apoio para a escola, em

uma cidade devastada, rica apenas no luto e

pobreza, seria um processo longo e difícil e

exigiria sacrifício e solidariedade indispensáveis

à época (MALAGUZZI,1999. p. 59).

A consolidação do trabalho de Loris

Malaguzzi se deu por acreditar na potencialidade

dos pais e em seu olhar sensível para a infância. No

ano de 1963, foram criadas as primeiras escolas para

as crianças pequenas, na rede municipal de Reggio

Emilia. Em 2013, a rede em pauta completou 50 anos

de contribuição significativa para uma melhoria da

qualidade de vida de suas crianças.

A experiência pedagógica de Reggio

Emilia, tem como princípios de seu Projeto

Educativo: as crianças protagonistas ativas do

processo de desenvolvimento, as cem linguagens,

a participação, a escuta, o aprendizado como

processo de construção subjetivo e no grupo, a

pesquisa educativa, a documentação educativa, a

projetação, a organização, o ambiente, espaços e

Vejo as cem linguagens como um lago com

muitas, muitas fontes nele desaguando. Acho

que o número cem foi escolhido para ser bem

provocador, a fim de reivindicar para todas essas

linguagens não só a mesma dignidade, mas

também o direito de expressão e de comunicação

de umas com as outras (RINALDI, 2012, p.340).

A documentação representa uma grande

possibilidade de reflexão, onde todas as ações

pedagógicas são centradas na pedagogia

de valorização da subjetividade, em prol das

aprendizagens das crianças. Assim, a documentação

tem uma relação intrínseca com a avaliação, a qual

valoriza todas as experiências infantis, tendo em vista

as práticas pedagógicas dos adultos que mediam

o cotidiano nas instituições de Educação Infantil.

A pedagogia da escuta percebe as falas

das crianças como ponto de partida para o

surgimento de novos saberes, pois através desse

princípio são percebidas como verdadeiras

protagonistas em suas aprendizagens.

O papel do professor constitui-se como

um grande impulsionador de oportunidades

e de experiências, tendo como ações

pertinentes a sua prática: o ouvir e o observar.

Para Loris Malaguzzi, o professor é o grande

profissional que encoraja, que estimula as

crianças em seus processos de aprendizagem.

Nesta perspectiva, vale ressaltar que na cidade

de Reggio Emilia a educação de crianças é um de seus

pilares e a pedagogia da escuta, a documentação,

a avaliação e a competência do professor

constituem essencialmente as potencialidades de

um trabalho pedagógico que valoriza a criança,

suas produções, seus movimentos, enfim a


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percebe como um ser capaz, inteligente e único.

Certamente, a experiência vivida pelas

equipes gestoras contempladas no Intercâmbio em

pauta, trouxe impactos relevantes na perspectiva

de se perceber a Infância e consequentemente as

possibilidades de melhoria da qualidade da Educação

Infantil no contexto de suas Redes Municipais.

3 O PROJETO PARALAPRACÁ E SUA PARCERIA

COM OS MUNICÍPIOS

“Toda criança tem direito a uma escola

equitativa, plural e acolhedora – um espaço

no qual ela possa contar com a educação

e o cuidado apropriados à sua faixa etária

e em que seja respeitada a sua condição

peculiar de pessoa em desenvolvimento.

- Princípio básico, (BRASIL, p.5, 2013).

A partir do princípio descrito acima, o

Projeto de Educação Infantil desenvolvido pelo

Instituto C&A através do Projeto Paralapracá

visa contribuir para a melhoria da qualidade

do atendimento às crianças que frequentam as

Instituições de Educação Infantil, investindo na

formação continuada dos profissionais desta

etapa bem como propiciado o acesso a materiais

de qualidade para as crianças e profissionais que

com elas vivenciam experiências educativas.

Basicamente, estes foram os elementos que

aguçaram o desejo de se participar do processo

seletivo para o segundo ciclo do Paralapracá, com

vistas ao fortalecimento das práticas formativas,

bem como ao acesso aos materiais disponibilizados

pelo Projeto. Diante da inscrição, percebeu-se que

as potências e fragilidades da Rede que sinalizavam

possibilidades de se estar entre os cinco municípios da

Região Nordeste a serem contemplados na seleção.

Ao final do processo seletivo em 2013,

foram contemplados com o projeto: Camaçari (BA),

Maceió (AL), Maracanaú (CE), Natal (RN), e Olinda

(PE). Inicialmente foram inscritas 30 instituições

em cada município, perfazendo um total de 150

instituições, 175 coordenadores pedagógicos,

950 professores e 20.750 crianças. Em Maracanaú,

a partir desse momento foram iniciados os

preparativos para o lançamento do projeto

no município, e nas Instituições participantes

(vinte e três das Rede Municipal e sete da Rede

Contratada). Referidas Instituições atendiam na

época 3.947 crianças, distribuídas em 238 turmas,

170 professores e 30 Coordenadores Pedagógicos.

Diversos materiais compõem a coleção

Paralapracá, os quais são entregues em um Baú, a

saber: livros de literatura Infantil, fantoches, CD’s

com músicas infantis, materiais de artes e bandinha

rítmica, mala com livros técnicos, cadernos de

orientação, cadernos de experiências, (dos Eixos

a serem abordados na formação: assim se brinca,

assim se faz arte, assim se faz música, assim se

explora o mundo, assim se organiza o ambiente e

assim se faz literatura), caderno de orientação do

Coordenador Pedagógico, Almanaque Paralapracá,

Estação Paralapracá, Série de vídeos e sacolas).

O recebimento dos materiais foi motivo de

grande alegria e festejos na Rede, que começou

a se mobilizar para realizar o lançamento

do Projeto e apresentá-lo à comunidade.

Os lançamentos ocorreram como uma

grande celebração, na qual todos os parceiros,

autoridades municipais, gestores, coordenadores

pedagógicos, professores, técnicos, pais,

funcionários, comunidade e principalmente as

crianças foram convidados a participarem do

banquete e a “degustarem as guloseimas” preparadas

com vistas à aguçar os sentidos e despertar sonhos,

fantasias e lembranças da infância próxima ou

distante, bem como a vislumbrar as possibilidades

ofertadas ao “adentrar no mundo do Paralapracá.”

Neste contexto, foram dados os passos

iniciais de uma caminhada projetada para o período

de 2013 a 2015 com perspectiva até o ano de 2016.

O diferencial do Paralapracá é a formação dar-se no


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chão da Instituição (creche ou escola com turmas de

Educação Infantil), além de suscitar no coordenador

pedagógico sua função principal: a de formador,

instigador e fomentador de práticas pedagógicas

significativas, favoráveis ao desenvolvimento

infantil partindo de sua realidade, buscando nos

materiais estruturados para o projeto os subsídios

para dialogar com seu contexto, enriquecendo-o

e estimulando as mudanças necessárias.

Assim, é válido considerar os aspectos

envolvidos no desenvolvimento do projeto, dando

atenção em especial ao processo de formação

do coordenador pedagógico, dos profissionais

em cada instituição, dos técnicos da Secretaria

de Educação e de como este ciclo formativo

contribuirá para a melhoria no atendimento

de qualidade à criança da Educação Infantil.

4 O CICLO FORMATIVO E SEUS SUJEITOS

A formação no Paralapracá passou

a acontecer de forma sistemática nos cinco

municípios já citados, tendo como sujeito

central o coordenador pedagógico que atua

como formador junto aos profissionais em

cada instituição participante do projeto.

Para tanto, a Avante – Educação e Mobilização

Social, ao início de cada Eixo, realizava “ações

formativas com as assessoras e supervisoras com o

intuito de garantir o desenvolvimento do projeto”.

(BRASIL, 2013, p.12). Posteriormente, a Gerente da

Educação Infantil no município também passou

a fazer parte dos encontros, fato que contribuiu

para a escuta mais específica de questões da

Política Municipal e posteriores encaminhamentos.

Ao priorizar a formação com o coordenador

pedagógico, o projeto busca resgatar a essência

de sua função social no ambiente escolar, ou

seja, o responsável pelas ações formativas

junto aos professores e demais profissionais

da Instituição, função muitas vezes sufocada

pelas atividades burocráticas ou administrativas

ou ainda devido à falta de clareza quanto as

atribuições de sua função, se for elencar, se

encontrará um leque de razões ou subterfúgios

que atropelam o fazer pedagógico do coordenador.

Como profissional inserido no cotidiano

da instituição de Educação Infantil, o coordenador

pedagógico precisa dar sentido a sua prática.

Nesse sentido, o Caderno de Orientação

o Coordenador Pedagógico e a Formação

Continuada, evidencie essa questão ao destacar:

Aliado às demandas contemporâneas por

mais qualidade na educação das crianças,

o projeto Paralapracá insere-se como

uma ação cuidadosamente planejada que

visa promover mudanças relevantes no

cotidiano dos coordenadores das instituições

participantes. Considera os coordenadores

como agentes de mudanças por excelência

e, por isso, investe na formação desse

profissional para que o mesmo possa exercer

sua principal função junto aos professores: a

de formador (CHAVES E LOIOLA, 2013, p.8).

Nesta perspectiva, o Paralapracá investe

na formação do coordenador pedagógico e

entende como uma ação estratégica que apoia

este profissional por fomentar práticas formativas

e ainda oportunizar a troca de experiências

em que o saber da prática é enriquecido pelo

saber da teoria, exigindo do coordenador a

compreensão e encaminhamentos das demandas

advindas do contexto da formação, quer

enquanto formando, quer enquanto formador.

Assim, os dois encontros de formação

realizados mensalmente com a assessora e os

coordenadores pedagógicos resultavam em mais

dois encontros com os educadores infantis nas

Instituições. A metodologia formativa do Projeto

não se configura em repasse, do contrário, considera

as temáticas abordadas nos Eixos formativos

como ponto de partida para cada instituição.

O coordenador pedagógico antenado

com a realidade e necessidades de seu grupo,


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elabora uma pauta reflexiva, problematizadora

propícia à escuta da experiência e favorável a um

ambiente colaborativo no qual a teoria se transpõe

para a prática. E assim, se dar a homologia dos

processos, compreendida no Paralapracá como:

… uma concepção que rompe com a ideia

de “repasse” de “alguém que sabe ensinando

a outros que não sabem”, de algo pronto

que precisa ser multiplicado. Ao contrário,

defende a “autoria” de cada sujeito da

formação que, a partir das experiências

vividas, elabora e produz novas experiências

(INSTITUTO C&A; AVANTE, 2013, p.34).

Para implantar uma prática formativa desse

porte é importante que os sujeitos nela envolvidos

possam transitar entre os saberes da prática e os da

teoria ampliando e ressignificando seu repertório

sociocultural, experiencial e profissional tendo

instituição como lócus da formação em que as

experiências e conhecimento da equipe pedagógica

contribuem para sua formação bem como para o

desenvolvimento das crianças por ela atendidas.

Com vistas a favorecer o desenvolvimento

infantil, os conteúdos abordados no processo

formativo foram organizados por Eixos: Assim

se brinca, assim se faz arte, Assim se faz música,

Assim se explora o mundo, Assim se organiza

o ambiente e Assim se faz literatura. Os

referidos eixos estão articulados entre si, tanto

nas ações formativas quanto na prática. Uma

vez que defendem a criança como sujeito de

direito, seu protagonismo que produz cultura.

Vivenciar cada Eixo foi uma experiência

enriquecedora, reveladora de novas possibilidades

para os diversos atores em cada instituição. Os

encontros reafirmavam certezas, incertezas, desafios

a serem superados na coletividade, com os pares.

Em maior parte da trajetória do Paralapracá

foi possível ver a concretude de ações pertinentes

à constituição do coordenador pedagógico

enquanto formador de professores, a presença

das múltiplas linguagens, maior participação

dos pais e comunidade, integração das

instituições, maior aproximação da Secretaria de

Educação, enfim foram experienciadas diversas

situações que colocaram a criança como centro

do planejamento pedagógico, respeitando

suas singularidades e suas especificidades

O Projeto foi ganhando espaço nos

municípios parceiros. O Instituto C&A e a Avante

sabiamente acrescentaram à ciranda, o Ambiente

Virtual de Aprendizagem (AVA), com o mote

Educação à distância sem distância, favorecendo um

intercâmbio entre os coordenadores pedagógicos,

assessoras, equipe técnica e Secretarias de

Educação, além de realizar vários cursos e

campanhas, investindo na formação, provocando

novas reflexões, sempre tendo como preocupação

principal a criança e consequentemente o seu

direito a uma Educação Infantil de qualidade.

Nos cinco anos (2013-2007) de Paralapracá

em Maracanaú, aconteceram várias possibilidades

formativas e de aprendizagens, como também

encontros e desencontros, principalmente fica a

certeza do caminho, pois o referido projeto ajudou

a construir e conquistar, sempre com muito apoio

no fazer consciente e coerente com a realidade.

Sobretudo ficou claro o desejo que as crianças do

município de Maracanaú vivenciem uma infância feliz

e que sejam respeitadas em suas singularidades.

5 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Um ciclo formativo intenso “Delapracá” e

“Daquipralá”, tem sido o Paralapracá, por onde

passou, vivenciado com muita intensidade pelos

profissionais de “LÁ” e de “CÁ”. Semelhante à busca

pela autoafirmação e identidade aconteceu essa

ciranda que deu forma à ação (formação) e ao

profissional (coordenador pedagógico) em solo

fértil ou em situações adversas, movidos pela

paixão, crença, busca constante de qualificar


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suas práticas, ser um profissional melhor.

Conquistas, avanços e não retrocessos. Os

sujeitos envolvidos no processo estão melhores, mais

qualificados profissionalmente. O Paralapracá vem

contribuindo significativamente com a Educação

Infantil de Maracanaú, visto que cumpriu sua meta:

o coordenador pedagógico enquanto formador de

professores se empoderou ainda mais e a equipe

técnica da Secretaria de Educação com uma postura

formadora, mediando os processos, ora sujeito da

formação, ora fomentadora de práticas formativas.

Considerando o fim do Termo de Cooperação

Técnica, encerra-se a parceria Instituto C&A, Avante

e Maracanaú, o que não deve significar o fim do

trabalho da Educação Infantil na Rede Municipal,

pois ainda há muito a conquistar, com vistas a uma

etapa que garanta às crianças maracanauenses o

direito e o acesso a uma escola equitativa, plural

e promotora de aprendizagens. E assim, o legado

Paralapracá em Maracanaú está nas pessoas, que

com certeza fomentarão outros movimentos

formativos para que a Educação Infantil tenha

cor, sabor e significado para as crianças.

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