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Eleições Gerais

Eleições Gerais 2018 – orientação a candidatos e eleitores Somente com a superação da descrença na política, será possível avançar: a) numa melhor relação entre representante e representado, b) na qualidade dos serviços públicos, com reflexos positivos na vida das pessoas, c) na relação entre governo e contribuinte, que exige bom emprego dos recursos arrecadados compulsoriamente da sociedade (tributos), d) no controle sobre juros e inflação, e e) na geração de emprego e renda. Essa é a tarefa dos candidatos e dos eleitores para superar a descrença na política e contribuir para o aperfeiçoamento da democracia e para a aceleração da prestação jurisdicional, indispensável à efetivação da justiça. E a imprensa é fundamental nesse processo. 2.1 - Pós - verdade Se, em períodos normais, o resgate da política e da defesa de interesses republicanos já é, ao mesmo tempo, uma necessidade e um desafio, em momentos de pós-verdade, aí é que se faz fundamental. Vivemos um momento de pós-verdade no Brasil e no mundo, no qual em lugar de se valorizar o debate de ideias, de programas e soluções para os problemas, busca-se despertar as reações, os sentimentos e os comportamentos mais primitivos do ser humano. A racionalidade, a verdade, o debate de conteúdo, nada disso interessa. O que importa, nesse ambiente, é dividir as pessoas, interditar o debate, manipular emoções e opiniões políticas e despertar reações e sentimentos de rejeição ou até de ódio às pessoas ou instituições que defendem ideias e propostas que contrariem os interesses do capital financeiro. A forma de fazê-lo é sofisticada, tanto para a esquerda quanto para a direita.Emprega-se uma estratégia de comunicação que consiste, no caso das forças de mercado e de direita, em associar movimentos, partidos ou instituições que defendem os interesses coletivos, a solidariedade, a justiça, o humanismo, a proteção dos mais necessitados, com práticas que agridem a fé, os valores, os costumes e a moral de milhões de brasileiros. No caso da esquerda, consiste em considerar “golpista” todos, na sociedade, que apoiaram o processo de impeachment da ex-presidente Dilma, como se 13

Eleições Gerais 2018 – orientação a candidatos e eleitores todos tivessem ideia de que o novo governo manteria práticas iguais ou até piores que a existente anteriormente no campo ético, além de promover mudanças em desfavor dos mais vulneráveis, alegando dificuldades fiscais. Portanto, é uma tática ardilosa, que interdita o debate ao substituir o exame do conteúdo do tema pelo julgamento moral, pela contestação, pela desqualificação, pela condenação, formando exércitos de fundamentalistas, que utilizam as redes sociais para manipular pessoas, espalhar boatos e polêmicas alarmistas, fatos inexistentes e mentiras, notícias falsas e não checadas contra as pessoas que pensam diferente. O volume de informações que se recebe diariamente, a especialização das notícias, a forma de divulgação por blocos ou cadernos que não guardam coerência entre si, facilitam essa estratégia, porque é praticamente impossível processar essa avalanche de “notícias” sem um método que permita identificar o que é verdade do que é manipulação. Por isso, todo cuidado é pouco, tanto de parte dos candidatos quanto dos eleitores, na leitura do noticiário, recheado de notícias falsas ou não checadas, que são veiculadas, além das redes sociais, nos veículos da imprensa comercial. 2.2 - Necessidade de educação política A forma mais eficaz de combater esse processo de manipulação é com educação, com civismo, com formação para a cidadania. Voltar a fazer, com regularidade, análise de conjuntura, é outra forma de identificar esses interesses e reagir a eles. Mas, infelizmente, nos últimos anos, a escola, a imprensa, os partidos, as igrejas e os movimentos sociais não têm investido nem priorizado a educação para a cidadania. As pessoas não sabem o que são, o que fazem e nem como funcionam as instituições. E quem não sabe a importância do papel do Estado, além de não poder ser considerado cidadão, na medida em que não tem pleno conhecimento de seus direitos e obrigações, poderá ser facilmente manipulado. O Estado, enquanto não inventarem outra forma de organização social 14