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Boletim BIOPESB 2017 - Edição 28

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Boletim Biopesb

Ciência, meio meio ambiente e e cidadania em em suas suas mãos ISSN - 2316-6649 - Ano 7 - Nº 28 - 2017

tecnologia

MULHERES

E sua representativade nas

pesquisas científicas no Brasil

LITRO DE LUZ

aprenda a criar uma lâmpada

ecológica com garrafas PET

Aplicativo ajuda

a monitorar

atropelamento de

animais em rodovias

serra do

brigadeiro

Páginas 4 e 5

Conheça a

importância

das Zonas de

Amortecimento para

as unidades de

Conservação

Páginas 2 e 3

patrimônio

cultural

Capela no PESB

aguarda projeto de

restauração

Página 6 Página 7

Página 8

FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE MINAS GERAIS


Entrevista

Editorial

A ciência sempre contou

com importante contribuição

feminina, o que proporcionou

avanços importantes na

tecnologia e impacto na

melhoria da qualidade

de vida da sociedade.

Citando três exemplos

de cientistas que tiveram

seu mérito reconhecido

ainda quando a presença

masculina era dominante

neste meio, podemos

destacar: a matemática

espanhola Maria Gaetana

Agnesi (1718-1799), com

grande contribuição para a

álgebra, sendo a primeira

a ser convidada para ser

professora de matemática

em uma universidade. A

cientista polonesa Marie

Curie (1867-1934), famosa

por sua pesquisa pioneira

sobre a radioatividade, foi a

primeira mulher a ganhar o

Prêmio Nobel de Física. Curie

chegou a trabalhar como

governanta e professora

para poder pagar os

estudos da irmã mais

velha. Na ciência brasileira,

destaque para a agrônoma

Johanna Dobereiner (1924-

2000). De origem da antiga

Checoslováquia, após a

Segunda Guerra Mundial,

sua população de língua

alemã foi intensamente

perseguida. Em 1950, a

doutora Johanna emigrou

para o Brasil, passando

a realizar pesquisas

fundamentais para que o

país se tornasse um grande

produtor de soja. Seu

estudo sobre fixação de

nitrogênio permitiu que mais

pessoas tivessem acesso a

alimentos mais baratos, lhe

rendendo uma indicação

para o Nobel de Química

em 1997. Com a intenção

de homenagear e ressaltar

a representatividade da

mulher na ciência, o BioPESB

entrevistou a Magnífica

Reitora e pesquisadora da

UFV, profa. Nilda Soares.

Nesta edição, você também

poderá conhecer ideias

de brasileiros que estão

trazendo benefícios para a

sociedade, como a lâmpada

ecológica e um aplicativo

que visa monitorar e reduzir

o atropelamento de animais

em rodovias.

Boa leitura

João Paulo Viana Leite

Editor

Boletim Biopesb

Redação: Alunos do PET-Bioquímica

da UFV (Bianca Reis, Dalila Soares,

Fernanda Rebellato, Graziela Paulino,

Isabella Costa, Isabela Paes, Isabella

Britto, Ítalo Bianchini, Júlia Coelho,

Lucas Almeida, Luiz Arruda, Paula Sudré,

Raíssa Castro e Yan Clevelares)

Diagramação: Intermídia - EJ de

Comunicação

www.biopesb.ufv.br

Ano 7, n°28 - Pág 2

BRASIL E A REPRESENTATIVIDADE D

Bianca Reis

Isabella Costa

A igualdade de gênero é uma questão que paira no contexto de diversas discussões

no mundo atual. Este é um assunto importante e que reflete o nível do empoderamento

de mulheres frente aos obstáculos presentes na sociedade. Um setor que impressiona

bastante é o da ciência, no qual podemos notar um aumento significativo da participação

feminina ao longo dos anos. E é sobre esse assunto que a entrevista dessa edição do

BioPESB com a Magnífica Reitora da UFV, profª Nilda Soares, irá tratar.

Nilda Soares - Reitora da UFV

e acordo com

Destudo

“Gender

in the Global Research

Landscape”, publicado na

revista Elsevier, o Brasil

se tornou um destaque

em relação à igualdade

de gênero nesse ramo,

deixando para trás União

Europeia, Estados Unidos,

Portugal, México e Chile.

Ainda, segundo o

estudo, no cenário atual

do país, 49% dos artigos

científicos produzidos

são de mulheres. Apesar

disso, a maioria dos

estudos publicados

por mulheres ainda se

concentram nas áreas da

saúde e social. Campos

como física, informática

e das engenharias ainda

mostram uma baixa

representatividade

das mulheres. Contudo,

as mulheres ainda

precisam lidar com

obstáculos tais como a

desigualdade salarial,

pouca representatividade

em cargos de chefia e

violência. Conversamos

com a Magnífica reitora

da Universidade Federal

de Viçosa Profª. Nilda de

Fátima Ferreira Soares

para saber sua opinião

sobre o assunto. A reitora

possui formação em

Engenharia de Alimentos

pela UFV, além de possuir

linha de pesquisa na área

de avaliação toxicológica

e funcional de vegetais e

embalagem de alimentos.

Qual sua visão sobre a

representatividade das

mulheres na ciência, no

contexto atual?

As mulheres têm

avançado muito em

todas as áreas. Hoje

nós temos mulheres

com oportunidades de

administrar diferentes

órgãos, entidades. Ao

mesmo tempo, temos

as mulheres também

sendo professoras

e, naturalmente, de

universidades, com a

possibilidade de serem

pesquisadoras. Então eu

acho que, ao longo do

tempo, em especial depois

que a mulher conseguiu

a possibilidade de votar,

isso foi caminhando. A

mulher foi conquistando

os seus espaços pouco a

pouco, mas conquistou-os.

De uns tempos para cá,

eu não saberia precisar

exatamente quando,

o número de mulheres

que ingressam nas

universidades, e eu estou

falando um número da

Federal de Viçosa (UFV), é

maior do que o dos homens.

Hoje estamos tendo de

51% de mulheres e 49%

de homens. O número de

mulheres que diplomam

é ainda maior do que o

dos homens. Às vezes você

tem algumas explicações

para isso, como por

exemplo, as mulheres

têm uma determinação

muito grande, focam

muito no trabalho que

estão fazendo. Então isso

faz com que elas lutem

mais por aquilo que elas

querem. Com isso tudo,

com esse novo sistema,

as mulheres ingressando

em ensino superior, tendo

mais oportunidades

em processos seletivos,

por se capacitarem, se

encherem de conhecimento

Editores-Chefes: João Paulo Viana Leite e

Tiago Antônio de Oliveira Mendes

Telefone: (31) 3899-3044

E-mail: biopesbufv@gmail.com

Endereço: Departamento de Bioquímica e

Biologia Molecular - UFV

CEP 36570-900, Viçosa - MG - Brasil

Tiragem: 1.000 exemplares

Apoio: Projeto financiado pelo Edital de

Popularização da Ciência, da Tecnologia e

da Inovação da Fapemig


Entrevista

e, portanto, em qualquer

processo seletivo elas

também estão aptas

para serem aprovadas

da mesma forma que os

homens. É uma sequência de

fatos, que não ocorreram

hoje, que fizeram com que

hoje as mulheres pudessem

estar nesse patamar.

De que forma a senhora

acha que as mulheres

poderiam ser inseridas em

áreas como, por exemplo,

das exatas, mais efetivamente,

dado que a maior

parte delas se encontra

nas áreas da saúde e ciências

sociais?

Eu acho que esse

problema começa lá

na base, lá no ensino

fundamental, médio,

infantil, onde às vezes

as mulheres fogem um

pouco da área de exatas,

falam que não gostam de

física, matemática. Então

precisamos arranjar uma

maneira, um modelo, ou

processos pedagógicos,

onde a mulher tenha

interesse por essas áreas.

Também, por muito tempo,

se colocou na cabeça das

pessoas, em especial nas

do sexo feminino, das mães,

de que mulheres eram

feitas para atividades mais

leves, para atividades com

habilidades mais finas.

Então, existe toda uma

história que foi construída

na área feminina e que leva

tempo para ser mudada.

As mulheres vão caminhar

com certeza para áreas

de exatas como a física,

a matemática, a química,

áreas mais duras. Mas

nós precisamos também

trabalhar um pouco no

ensino médio, fundamental,

fazendo com que elas não

repudiem essas áreas.

É preciso mostrar para

elas exemplos, que é

possível, que as mulheres

podem entrar nessas

áreas também. Eu penso

que em mais uma ou duas

gerações nós teremos

muitas mulheres em uma

área que, por exemplo,

chama a atenção, é a de

informática. É uma área

praticamente de homens.

Raramente temos na

colação de grau mulheres

formando em ciência da

Ano 7, n°28 - Pág 3

AS MULHERES NAS PESQUISAS CIENTÍFICAS

computação, informática.

É uma área que também

precisa ser incentivada.

Se mulheres são tão capazes

quanto os homens,

por que isso não reflete

em igualdade de oportunidades

para o estímulo

à inovação e competitividade?

Eu sou daquela pessoa

que não gosta muito de

jogar a culpa no sistema,

dizer que os homens têm

mais oportunidades que

as mulheres. Eu acho que

o que nós temos que fazer

o agora, por causa desse

período tão grande em

que a mulher não teve

a oportunidade de se

educar com a mesma

facilidade. Se você pensar

em famílias a 50, 60 anos

atrás, era natural que o

pai e a mãe dissessem

que o filho iria estudar

e a filha aprenderia a

costurar, a cozinhar. Nada

contra ser costureira nem

cozinheira, mas fechavase

àquela pessoa outras

oportunidades. Ali já

se pautava a vida da

pessoa, se você fosse do

sexo feminino, não teria a

oportunidade de estudar.

Então você tem um registro

histórico muito grande,

volto a afirmar isso. Hoje,

isso está anos-luz a frente

da oportunidade que se

tinha antigamente. Então

eu acho que daqui a uma,

duas gerações para frente,

nós vamos ter iguais ou

até mais oportunidades.

Eu acho que as mulheres

estão avançando muito em

várias áreas que antes nós

não alcançávamos. Temos

muitas mulheres dirigindo

empresas, dirigindo

universidades, até a UFV é

um ótimo exemplo disso. Eu

acho que isso é porque nós

estamos nos capacitando

para isso. Não adianta as

mulheres quererem chegar

à frente se elas não se

capacitarem, se elas não se

encherem de conhecimento.

Nós não queremos ser

chefes, coordenadoras,

diretoras, se nós não

formos capacitadas

para isso. Não queremos

simplesmente chegar por

sermos mulheres, não é essa

a nossa luta. Nós temos que

lutar é para que nos deem

oportunidade de estudar,

de se capacitar, porque na

hora em que um processo

seletivo for feito, julgado,

vai ser uma disputa par a

par. Tanto o homem como

a mulher irão mostrar seu

conhecimento, o mesmo

nível de competência. Nós

não podemos é querer

chegar lá simplesmente

por sermos mulheres. Acho

que esse não é o caminho.

Temos que reverter isso

que ficou preso por tanto

tempo da mulher não ter a

oportunidade de estudar.

Estamos caminhando na

história para fazer a

diferença.

Qual conselho motivador

daria as mulheres que

desejam alcançar sucesso

nas carreiras acadêmica e

científica?

Estudem. Capacitem.

Encham-se de conhecimento.

Porque, se vocês

fizerem isso, as oportunidades

virão, sem sombra

de dúvida. Em qualquer

processo aonde tiver um

homem e uma mulher com

a mesma capacitação,

com certeza a eficiência

do que for melhor ali

vai surgir. Não porque é

homem ou mulher. Você

vai ter dois seres humanos

cheios de conhecimento e

de capacidade, e eles vão

mostrar que naquele momento

consegue mostrar

mais aptidão para aquela

atividade que está se pleiteando.

Por isso é que eu

digo estudem, que é o

melhor caminho, capacitem-se,

aproveitem todas

as oportunidades. Se eu

pudesse dirigir as nossas

estudantes, as que estão

dentro da universidade e

as que virão, eu diria para

que aproveitem todas as

oportunidades que vocês

têm. Se tem um curso de inglês,

vá fazer, se tem uma

oportunidade de iniciação

científica, faça, lute por

ela, se tiver um curso fora,

um seminário fora, um

congresso fora, lute para

participar. Aproveite essas

oportunidades agora que

você está no seu momento

de capacitar, de se encher

de conhecimento, porque

seu momento é agora.

Você está aqui na fonte

do conhecimento, então

agarre todas as oportunidades

que você tem.

Com certeza, a hora que

você for testada, seja por

um processo seletivo, por

uma entrevista, qual que

seja o modelo de mostrar

seu conhecimento, não importa

que estará ao seu

lado, homem ou mulher,

você estará capacitada

e mostrará sua eficiência,

sua competência e será selecionada.

Imagem Reprodução


Ciência

Ano 7 n°28 - Pág 4

TRANSFORMANDO O LIXO EM LUZ:

como criar uma “lâmpada” ecológica com garrafas pet

Fernanda Rebellato

Isabela da Silva Paes

Raissa Castro

Imagem Reprodução

No período entre

2001 e 2002,

devido à falta de

investimento no setor

energético do país,

o Brasil sofreu com a

maior crise energética

da história, sendo

necessário um longo

período de racionamento

da energia elétrica para

prevenir a ausência

completa desta nas

residências, escolas,

estabelecimentos

comerciais, dentre

outros. Contudo, o que

era um grande problema

para todo o país foi, na

verdade, o que motivou

um mecânico mineiro

a desenvolver um

método de iluminação

alternativo e que

mudou a vida de muitas

pessoas.

Alfredo Moser é um

mecânico da cidade de

Uberaba, Minas Gerais,

e foi o responsável

pela criação da “luz

engarrafada”. Essa

ideia baseia-se no

reaproveitamento de

garrafas PET e na

utilização de água para

amplificar a luz solar,

criando uma “lâmpada”

com potência entre 40

e 60 watts, as mesmas

de uma lâmpada

incandescente.

Devido ao grande

potencial desta invenção,

a ONG My Shelter

Foundation, das Filipinas,

em parceria com o MIT

(Instituto de Tecnologia

de Massachusetts) e com

o inventor brasileiro,

criou o projeto Litro de

Luz, que visa fornecer

um meio econômico e

sustentável de obtenção

de luz para pessoas

que vivem sem acesso à

eletricidade.

O projeto já instalou

as “luzes engarrafadas”

em mais de 15

países, melhorando

a qualidade de vida

de muitas pessoas, e

ganhou diversos prêmios

internacionais.

Ele também atua

no Brasil (www.

litrodeluz.com), sendo

que a ideia das luzes

engarrafadas foi

aprimorada com painéis

solares e lâmpadas

de LED, para que elas

também pudessem ser

aplicadas durante a

noite, principalmente nos

postes das ruas de locais

que não tem acesso à

iluminação elétrica. Estas

ideias já melhoraram a

qualidade de vida de

muitas pessoas no Brasil,

desde Santa Catarina

até a Amazônia.

Além de ajudar o

meio ambiente, por

serem construídas a

partir de materiais

reaproveitados, as

luzes engarrafadas

podem gerar uma

grande economia no

consumo de energia

elétrica para o usuário.

Considerando uma

residência que utilize,


Ciência

Ano 7, n°28 - Pág 5

aproximadamente,

iluminação elétrica

por 12 horas por dia,

o consumo previsto

é de 25,2 KWh/mês

por lâmpada acesa,

segundo simuladores

para o uso de lâmpadas

incandescentes.

Entretanto, com o sistema

de luzes engarrafadas,

a necessidade de

iluminação elétrica

ocorre apenas no

período da noite, por

volta de 5 horas por dia,

devido a isso o consumo

previsto é reduzido

para 9 KWh/mês por

lâmpada incandescente

acesa, revelando

assim uma redução de

aproximadamente 64%

de KWh/mês para

iluminação elétrica.

Visando a redução

no consumo da energia

gasta com iluminação,

este sistema mostrase

muito vantajoso em

diferentes localidades,

destacando-se,

entretanto, as áreas

rurais, visto que são

regiões amplas, isto é,

mais expostas à luz solar,

e com predominância

de residências com

um único pavimento.

Assim, levando-se

em conta o grande

potencial ecológico

desse novo sistema de

iluminação, acreditase

que sua aplicação

em áreas como do

território rural Serra do

Brigadeiro possa trazer

um grande impacto na

redução dos gastos

energéticos da região e

corrobore com os ideais

de sustentabilidade

disseminados nos

arredores do PESB.

Recentemente,a

invenção voltou a ganhar

destaque. Moser foi

convidado a participar

de uma exposição no

Museu do Amanhã, no

Rio de Janeiro, que reúne

brasileiros inventores.

Segundo ele, este tipo

de reconhecimento nem

é o principal; mas sim a

satisfação de conseguir

Faça você mesmo!

Imagem Reprodução

melhorar a qualidade

de vida de algumas

famílias, com ajuda das

lâmpadas.

“A gente quer ver a

população feliz, alegre.

Teve um senhor que me

falou que a luz ‘custa o

olho da cara’, de tão cara

que é. E a mulher dele

estava esperando uma

criança e, com o dinheiro

que ele economizou,

ele conseguiu comprar

o enxoval do filho. Isso

emociona a gente”,

comentou Moser.

Para aproveitar esta idea na

sua casa, você vai precisar de:

- 1 garrafa PET transparente de

2L

- 4 colheres de água sanitária

- 2L de água

- Serra tico-tico

- Massa plástica ou cola de resina

- Pote plástico preto

1. Encha a garrafa com a

água, adicione a água sanitária

para evitar a proliferação

de algas e tampe a garrafa;

2. - Faça um furo circular no telhado,

encaixe a garrafa e vede

com massa plástica ou resina para

evitar a ocorrência de goteiras;

3. Prenda o potinho sobre a

tampa para evitar o seu ressecamento

e quebra. Pronto, a sua

iluminação natural está feita!


MeioAmbiente

Ano 7, n°28 - Pág 6

Aplicativo desenvolvido por pesquisadores

mineiros ajuda a monitorar atropelamento de

animais em rodovias

O aplicativo

Urubu foi criado Sistema

pelo

Centro Brasileiro de Estudos

em Ecologia de Estradas

(CBEE), da Universidade

Federal de Lavras (UFLA),

com intuito de reunir

informações a respeito da

mortalidade de animais em

rodovias e ferrovias. Além

disso, o aplicativo pode

servir como uma ajuda ao

governo sobre medidas

contra esta mortalidade

da fauna. Todas as

pessoas que possuem

o aplicativo podem

contribuir com informações,

que posteriormente

são analisados por

especialistas em

identificação de espécies.

Para o usuário contribuir

pelo Urubu Mobile precisa

enviar uma foto do animal

atropelado, sendo este

registro encaminhado

para o Banco de Dados

do Sistema e, em seguida,

classificado pelo Centro

Brasileiro de Estudos em

Ecologia de Estradas.

Os avaliadores do

aplicativo, com os registros

em mãos, realizam a

identificação taxonômica

mais detalhada, enquanto

o Urubu Web verifica

estas avaliações para que

ocorra a aprovação final

da “denúncia”. Depois de

aprovado, o registro se

integra às estatísticas e

se torna disponível para

ser visualizado através do

Urubu Map, o qual permite

a visualização de todos os

dados públicos do Sistema

Urubu no mapa do Brasil.

Com essa aba, é possível

verificar a distribuição dos

dados, estudar mapas com

informações ecológicas,

analisar informações

ou apenas ver as fotos

enviadas ao Sistema.

Pelo Urubu Info é possível

visualizar tabelas com

dados públicos do Sistema,

visto que são atualizados

diariamente e mostram o

número de atropelamentos

registrados, separados

GRAZIELA PAULINO

ISABELLA BRITTO

PAULA SUDRÉ

por classe, estado e

unidades de conservação.

Sabe-se que os pequenos

vertebrados são os

animais com maior índice

de atropelamento, em

especial os anfíbios (sapos

e pererecas) e répteis

(pequenas cobras e

algumas tartarugas), além

de aves (passarinhos) e

mamíferos (roedores). O

motivo desta diferença é

simples: animais maiores

são mais facilmente

localizados pelos usuários

das rodovias e pelas

equipes de monitoramento,

principalmente

devido a velocidade.

Navegando pelo site do Sistema Urubu

Navegando pelo site

do Sistema Urubu, por

se tratar de um sistema

atualizado, é possível

estudar como se encontra o

quadro de atropelamentos

de animais nas rodovias.

Ao acessar o Sistema

no dia 09/07/2017,

nossa equipe do BioPESB

pode verificar que até

nesta data existia o

alarmante dado de 3.379

répteis atropelados,

9.770 mamíferos, 3.813

aves, 1.410 anfíbios, 2

indefinidos, chegando em

um total de 18.374 animais

atropelados e registrados.

Atualmente, o número

de animais vítimas

desses atropelamentos

em locais de trânsito

rápido é enorme e, com

esse fato, os corredores

ecológicos mostramse

uma alternativa

importante, podendo

ajudar a diminuir este

número de acidentes. Com

estes corredores, a fauna

teria maior espaço para o

seu habitat natural, tendo

alimentos e recursos como

boa condição ambiental

para reprodução

ou sobrevivência.

Segundo a monitora

ambiental do PESB

Lauriellen, alguns

funcionários do PESB

já foram capacitados

para o uso do Sistema

Urubu, o que poderá

auxiliar no levantamento

de dados sobre

atropelamento de animais

nas estradas que cortam

a Serra do Brigadeiro.

Segundo Lauriellen,

a gerência do Parque

passou a ter conhecimento

do sistema Urubu em uma

divulgação via internet. Ao

perceberem que o Sistema

apresentava grande

potencial para auxiliar

no monitoramento dos

atropelamentos ocorridos

pelas rodovias que passam

pelo território Serra do

Brigadeiro, os funcionários

do Parque participaram de

uma campanha chamada

de ‘’ Dia Nacional de

Urubuzar’’, realizada

em nível nacional. Nessa

campanha, os funcionários

do Parque abordaram

transeuntes da MG 482,

no trecho que passa

dentro da área do

parque, para divulgar o

aplicativo e sensibilizar

sobre a importância do

motorista obedecer a

velocidade estabelecida

nos trechos das rodovias.

De acordo com Lauriellen,

o Sistema Urubu é uma

excelente ferramenta,

mas a melhor arma para

auxiliar na preservação

ambiental é a mudança

de atitude em prol do

meio ambiente. Ainda há

interesse em continuar a

instruir os funcionários e a

fazer mais campanhas de

divulgação do aplicativo

e de conscientização

sobre os cuidados ao

trafegar nas rodovias.

Mas para que isso seja

possível, é importante a

ajuda de voluntários, já

que o fluxo nas férias

e no final de semana

nas rodovias é intenso.

Fique ligado

Caro leitor, para

baixar o aplicativo

do Sistema Urubu

acesse o link : http://

sistemaurubu.com.br/

pt/#atropelometro.


Serra do Brigadeiro Ano 7, n°28 - Pág 7

Zona de amortecimento: expandir para proteger

Dalila Soares

Júlia Coelho

Yan Clevelares

Você sabe ou já

ouviu falar sobre

“Zonas de Amortecimentos”

e a sua importância

para uma Unidade de

Conservação (UCs)? E no

caso do Parque Estadual

da Serra do Brigadeiro,

você sabe como elas podem

influenciar a vida

dos moradores do entorno?

As Zonas de

Amortecimento, ou Zona

Tampão, englobam

regiões importantes

para a preservação

de Unidades de

Conservação. São áreas

que circundam as UCs.

Elas surgiram devido

à necessidade de

minimizar a influência

humana ou qualquer

fator externo, tais como

erosão, poluição, ruídos

e desmatamento, que

podem desestabilizar

o ecossistema local de

uma UC, seja em sua

estrutura ou composição

de espécies.

A implantação dessas

Zonas de Amortecimento

é regida pelo artigo

2º, inciso XVIII da

Lei do SNUC (Lei nº

9.985/2000). Suas

especificações de

extensão variam de

acordo com a UC e

são determinadas pelo

Instituto Chico Mendes

de Conservação da

Biodiversidade (ICMBio),

no momento em que a

UC é criada. As Zonas

de Amortecimento não

são parte da UC, mas

estão localizadas em seu

entorno imediato.

No Parque Estadual da

Serra do Brigadeiro, a

Zona de Amortecimento

possui um raio de 10 km

ao longo do entorno do

parque, ocupando parte

de municípios adjacentes

aos que já compõem a

área do PESB. Esses municípios

são Santa Margarida,

Jequeri, Pedra

Bonita, Sericita, Orizânia,

Divino, Araponga,

Fervedouro, Canaã, São

Francisco do Glória, Miradouro,

Ervália, Muriaé,

Rosário da Limeira

e São Sebastião da

Vargem Alegre, somando

uma área total de

143.365,69 ha.

Além de proporcionar

um maior controle sobre a

preservação, já que são

estabelecidas normas

que regem as atividades

nesses locais, as zonas de

amortecimento também

envolvem questões

socioeconômicas,

visando não prejudicar a

cultura e a economia das

populações tradicionais

que já habitavam o local

antes de sua criação.

De acordo com Plano

de Manejo do PESB de

2007, como a agricultura

familiar e agropecuária

são as principais fontes

de renda para diversas

famílias que residem

nas regiões em que

se encontra a Zona

de Amortecimento, as

normas precisam ser

implementadas aos

poucos, de acordo

com a realidade

local. Não permitir

que essas atividades

sejam realizadas seria

muito prejudicial às

pessoas que dependem

delas. Por isso, é

aconselhável que, aos

poucos, essas práticas

sejam substituídas

por atividades que

não influenciam

negativamente na

preservação ambiental

do parque, como por

exemplo a agroecologia,

o artesanato e o turismo

consciente.

A delimitação da

Zona de Amortecimento

ao redor do PESB visa

também proporcionar

proteção adicional

ao Parque, como,

por exemplo, da

atividade mineradora

que acontece em seu

entorno. De acordo com

análises de dados do

Departamento Nacional

Guilherme Queiroz

da Produção Mineral

(DNPM), disponível na

internet (http://www.

dnpm.gov.br), 16%

(49.575,69 ha) da Zona

de Amortecimento do

PESB está situada em

áreas de concessão

das mineradoras Rio

Pomba Mineração,

CBA, Mineração MMX e

Mineradora Curimbaba.

Como as atividades

exercidas pela mineração

podem ser causadoras

de impactos erosivos

no solo, degradação

de recursos hídricos e

depreciação da biodiversidade

da região,

justifica a importância

da regulamentação das

atividades dentro da

Zona de Amortecimento

do PESB. Para estas

questões, a participação

do Conselho Consultivo

das UCs é de grande importância,

uma vez que

os seus membros tomam

conhecimento e são colocados

a opinar sobre

os processos de licenciamentos

existentes na

zona de amortecimento.


Turismo

Ano 7, n°28 - Pág 8

Símbolo da religiosidade local e Patrimônio Cultural, a Capela

Ermida Antônio Martins no PESB aguarda projeto de restauração

Italo Bianchini

Luís Vinícius

Lucas Filipe

Ermida Antônio Martins,

a famosa “capelinha”

localizada no interior

do Parque Estadual da

Serra do Brigadeiro, é

um verdadeiro centro

de referência turística e

religiosa do município de

Fervedouro. Criada em

1908, ela atrai católicos

de vários locais que fazem

questão de deixarem suas

preces e agradecimentos

ao falecido que, por

muitos, é visto como um

santo.

Antônio Martins da Silva

era um comerciante ambulante

que viajava por

diversas cidades. Em uma

de suas visitas ao fazendeiro

Manoel Bittencourt

Godinho, morador de São

Miguel do Araponga, se

apaixonou por Manuela,

filha do fazendeiro.

Eles viveram um intenso e

proibido romance, e após

engravidar Manuela, decidiram

fugir juntos para a

cidade de Divino.

O fazendeiro, enfurecido,

ordenou que jagunços,

junto com um irmão

de Manuela e um coronel

que era seu amigo próximo,

perseguissem o casal.

Alcançando-os, eles capturaram

a moça e torturaram

Antônio até a morte.

O corpo de Antônio foi

deixado em pedaços até

que um peregrino avisou

aos moradores locais,

na estrada de Araponga

para Fervedouro, sobre o

cadáver.

A brutalidade envolvida

na morte de Antônio Martins

tocou os habitantes das

proximidades que criaram

empatia pela situação e

começaram a fazer orações

em prol dele. Algum

tempo depois, começaram

a surgir relatos de pessoas

doentes que haviam sido

curadas após orarem por

sua alma. Desde então,

Antônio adquiriu sua fama

milagreira e no local de

sua morte foi fundada a

famosa capela.

Devido à história e fama

da capela, a Prefeitura

de Fervedouro resolveu

tombá-la como bem cultural

imóvel do município.

Educação Ambiental em Pauta

Segundo Patrícia Laviola,

Secretária Municipal de

Cultura do município de

Fervedouro, o tombamento

da Ermida Antônio Martins

foi realizado em 2014

mediante o Decreto do

Executivo Municipal, sendo

aprovado em 2015 pelo

Instituto Estadual do Patrimônio

Histórico e Artístico

de Minas Gerais (Iepha-

MG). A iniciativa para

o tombamento partiu do

Conselho Municipal de Proteção

do Patrimônio Cultural

de Fervedouro que,

Fórum Regional de Educação Ambiental

O (ForEA), criado em 2006, ocorre de forma

itinerária entre os municípios em torno do Parque

da Serra do Brigadeiro e do Parque Nacional do

Caparaó e municípios da Zona da Mata. O evento

tem o intuito de discutir questões ambientais e

capacitar gestores municipais, principalmente

do setor de educação, para que eles possam

realizar ações de intervenção ambiental nos

diversos âmbitos da sociedade. Esse ano, XXV

ForEA - Edição Prata ocorrerá nos dias 21 e

22 de setembro, no município de Miradouro,

com 500 participantes no ForEA de Gestores e

200 no ForEA Mirim. A programação está sendo

finalizada e conta com novidades. O evento é

organizado pela Comissão Interinstitucional de

Educação Ambiental da Zona da Mata ( CIEA

MG ZM) e IEF- Regional Mata em Ubá. Para mais

informações é possível contactar a organização

pelo telefone (32)99076498.

Guilherme Queiroz

conhecedor das histórias

acerca de Antônio Martins

e da construção da capela

que o homenageia, decidiram

tombá-la como bem

de valor histórico e cultural.

As regras de uso da

capela permanecem as

mesmas de antes do seu

tombamento: usar sem

danificar. No entanto,

processos de intervenção,

conservação e restauração

serão feitos e agora

dependem da aprovação

do Conselho Municipal de

Proteção do Patrimônio

Cultural. Ainda segundo

Patrícia, a Secretaria de

Cultura de Fervedouro

está se fundamentando em

orientações do Iepha-MG

e pretende contratar uma

equipe de arquitetos especializados

em patrimônio

cultural para a realização

do projeto de restauração.

Assim que elaborado,

o projeto será inscrito no

Fundo Estadual de Cultura

(FEC) de 2018. Enquanto

esses objetivos não são

alcançados, a Prefeitura

de Fervedouro, por meio

do Fundo Municipal de

Preservação do Patrimônio

Cultural (FUMPAC), destina

anualmente parte de seus

recursos para a manutenção

e limpeza do bem, assim

como foi feito em 2016

e será feito em 2017.

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