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Boletim BIOPESB 2017 - Edição 28

Entrevista Editorial A

Entrevista Editorial A ciência sempre contou com importante contribuição feminina, o que proporcionou avanços importantes na tecnologia e impacto na melhoria da qualidade de vida da sociedade. Citando três exemplos de cientistas que tiveram seu mérito reconhecido ainda quando a presença masculina era dominante neste meio, podemos destacar: a matemática espanhola Maria Gaetana Agnesi (1718-1799), com grande contribuição para a álgebra, sendo a primeira a ser convidada para ser professora de matemática em uma universidade. A cientista polonesa Marie Curie (1867-1934), famosa por sua pesquisa pioneira sobre a radioatividade, foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Física. Curie chegou a trabalhar como governanta e professora para poder pagar os estudos da irmã mais velha. Na ciência brasileira, destaque para a agrônoma Johanna Dobereiner (1924- 2000). De origem da antiga Checoslováquia, após a Segunda Guerra Mundial, sua população de língua alemã foi intensamente perseguida. Em 1950, a doutora Johanna emigrou para o Brasil, passando a realizar pesquisas fundamentais para que o país se tornasse um grande produtor de soja. Seu estudo sobre fixação de nitrogênio permitiu que mais pessoas tivessem acesso a alimentos mais baratos, lhe rendendo uma indicação para o Nobel de Química em 1997. Com a intenção de homenagear e ressaltar a representatividade da mulher na ciência, o BioPESB entrevistou a Magnífica Reitora e pesquisadora da UFV, profa. Nilda Soares. Nesta edição, você também poderá conhecer ideias de brasileiros que estão trazendo benefícios para a sociedade, como a lâmpada ecológica e um aplicativo que visa monitorar e reduzir o atropelamento de animais em rodovias. Boa leitura João Paulo Viana Leite Editor Boletim Biopesb Redação: Alunos do PET-Bioquímica da UFV (Bianca Reis, Dalila Soares, Fernanda Rebellato, Graziela Paulino, Isabella Costa, Isabela Paes, Isabella Britto, Ítalo Bianchini, Júlia Coelho, Lucas Almeida, Luiz Arruda, Paula Sudré, Raíssa Castro e Yan Clevelares) Diagramação: Intermídia - EJ de Comunicação www.biopesb.ufv.br Ano 7, n°28 - Pág 2 BRASIL E A REPRESENTATIVIDADE D Bianca Reis Isabella Costa A igualdade de gênero é uma questão que paira no contexto de diversas discussões no mundo atual. Este é um assunto importante e que reflete o nível do empoderamento de mulheres frente aos obstáculos presentes na sociedade. Um setor que impressiona bastante é o da ciência, no qual podemos notar um aumento significativo da participação feminina ao longo dos anos. E é sobre esse assunto que a entrevista dessa edição do BioPESB com a Magnífica Reitora da UFV, profª Nilda Soares, irá tratar. Nilda Soares - Reitora da UFV e acordo com Destudo “Gender in the Global Research Landscape”, publicado na revista Elsevier, o Brasil se tornou um destaque em relação à igualdade de gênero nesse ramo, deixando para trás União Europeia, Estados Unidos, Portugal, México e Chile. Ainda, segundo o estudo, no cenário atual do país, 49% dos artigos científicos produzidos são de mulheres. Apesar disso, a maioria dos estudos publicados por mulheres ainda se concentram nas áreas da saúde e social. Campos como física, informática e das engenharias ainda mostram uma baixa representatividade das mulheres. Contudo, as mulheres ainda precisam lidar com obstáculos tais como a desigualdade salarial, pouca representatividade em cargos de chefia e violência. Conversamos com a Magnífica reitora da Universidade Federal de Viçosa Profª. Nilda de Fátima Ferreira Soares para saber sua opinião sobre o assunto. A reitora possui formação em Engenharia de Alimentos pela UFV, além de possuir linha de pesquisa na área de avaliação toxicológica e funcional de vegetais e embalagem de alimentos. Qual sua visão sobre a representatividade das mulheres na ciência, no contexto atual? As mulheres têm avançado muito em todas as áreas. Hoje nós temos mulheres com oportunidades de administrar diferentes órgãos, entidades. Ao mesmo tempo, temos as mulheres também sendo professoras e, naturalmente, de universidades, com a possibilidade de serem pesquisadoras. Então eu acho que, ao longo do tempo, em especial depois que a mulher conseguiu a possibilidade de votar, isso foi caminhando. A mulher foi conquistando os seus espaços pouco a pouco, mas conquistou-os. De uns tempos para cá, eu não saberia precisar exatamente quando, o número de mulheres que ingressam nas universidades, e eu estou falando um número da Federal de Viçosa (UFV), é maior do que o dos homens. Hoje estamos tendo de 51% de mulheres e 49% de homens. O número de mulheres que diplomam é ainda maior do que o dos homens. Às vezes você tem algumas explicações para isso, como por exemplo, as mulheres têm uma determinação muito grande, focam muito no trabalho que estão fazendo. Então isso faz com que elas lutem mais por aquilo que elas querem. Com isso tudo, com esse novo sistema, as mulheres ingressando em ensino superior, tendo mais oportunidades em processos seletivos, por se capacitarem, se encherem de conhecimento Editores-Chefes: João Paulo Viana Leite e Tiago Antônio de Oliveira Mendes Telefone: (31) 3899-3044 E-mail: biopesbufv@gmail.com Endereço: Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular - UFV CEP 36570-900, Viçosa - MG - Brasil Tiragem: 1.000 exemplares Apoio: Projeto financiado pelo Edital de Popularização da Ciência, da Tecnologia e da Inovação da Fapemig

Entrevista e, portanto, em qualquer processo seletivo elas também estão aptas para serem aprovadas da mesma forma que os homens. É uma sequência de fatos, que não ocorreram hoje, que fizeram com que hoje as mulheres pudessem estar nesse patamar. De que forma a senhora acha que as mulheres poderiam ser inseridas em áreas como, por exemplo, das exatas, mais efetivamente, dado que a maior parte delas se encontra nas áreas da saúde e ciências sociais? Eu acho que esse problema começa lá na base, lá no ensino fundamental, médio, infantil, onde às vezes as mulheres fogem um pouco da área de exatas, falam que não gostam de física, matemática. Então precisamos arranjar uma maneira, um modelo, ou processos pedagógicos, onde a mulher tenha interesse por essas áreas. Também, por muito tempo, se colocou na cabeça das pessoas, em especial nas do sexo feminino, das mães, de que mulheres eram feitas para atividades mais leves, para atividades com habilidades mais finas. Então, existe toda uma história que foi construída na área feminina e que leva tempo para ser mudada. As mulheres vão caminhar com certeza para áreas de exatas como a física, a matemática, a química, áreas mais duras. Mas nós precisamos também trabalhar um pouco no ensino médio, fundamental, fazendo com que elas não repudiem essas áreas. É preciso mostrar para elas exemplos, que é possível, que as mulheres podem entrar nessas áreas também. Eu penso que em mais uma ou duas gerações nós teremos muitas mulheres em uma área que, por exemplo, chama a atenção, é a de informática. É uma área praticamente de homens. Raramente temos na colação de grau mulheres formando em ciência da Ano 7, n°28 - Pág 3 AS MULHERES NAS PESQUISAS CIENTÍFICAS computação, informática. É uma área que também precisa ser incentivada. Se mulheres são tão capazes quanto os homens, por que isso não reflete em igualdade de oportunidades para o estímulo à inovação e competitividade? Eu sou daquela pessoa que não gosta muito de jogar a culpa no sistema, dizer que os homens têm mais oportunidades que as mulheres. Eu acho que o que nós temos que fazer o agora, por causa desse período tão grande em que a mulher não teve a oportunidade de se educar com a mesma facilidade. Se você pensar em famílias a 50, 60 anos atrás, era natural que o pai e a mãe dissessem que o filho iria estudar e a filha aprenderia a costurar, a cozinhar. Nada contra ser costureira nem cozinheira, mas fechavase àquela pessoa outras oportunidades. Ali já se pautava a vida da pessoa, se você fosse do sexo feminino, não teria a oportunidade de estudar. Então você tem um registro histórico muito grande, volto a afirmar isso. Hoje, isso está anos-luz a frente da oportunidade que se tinha antigamente. Então eu acho que daqui a uma, duas gerações para frente, nós vamos ter iguais ou até mais oportunidades. Eu acho que as mulheres estão avançando muito em várias áreas que antes nós não alcançávamos. Temos muitas mulheres dirigindo empresas, dirigindo universidades, até a UFV é um ótimo exemplo disso. Eu acho que isso é porque nós estamos nos capacitando para isso. Não adianta as mulheres quererem chegar à frente se elas não se capacitarem, se elas não se encherem de conhecimento. Nós não queremos ser chefes, coordenadoras, diretoras, se nós não formos capacitadas para isso. Não queremos simplesmente chegar por sermos mulheres, não é essa a nossa luta. Nós temos que lutar é para que nos deem oportunidade de estudar, de se capacitar, porque na hora em que um processo seletivo for feito, julgado, vai ser uma disputa par a par. Tanto o homem como a mulher irão mostrar seu conhecimento, o mesmo nível de competência. Nós não podemos é querer chegar lá simplesmente por sermos mulheres. Acho que esse não é o caminho. Temos que reverter isso que ficou preso por tanto tempo da mulher não ter a oportunidade de estudar. Estamos caminhando na história para fazer a diferença. Qual conselho motivador daria as mulheres que desejam alcançar sucesso nas carreiras acadêmica e científica? Estudem. Capacitem. Encham-se de conhecimento. Porque, se vocês fizerem isso, as oportunidades virão, sem sombra de dúvida. Em qualquer processo aonde tiver um homem e uma mulher com a mesma capacitação, com certeza a eficiência do que for melhor ali vai surgir. Não porque é homem ou mulher. Você vai ter dois seres humanos cheios de conhecimento e de capacidade, e eles vão mostrar que naquele momento consegue mostrar mais aptidão para aquela atividade que está se pleiteando. Por isso é que eu digo estudem, que é o melhor caminho, capacitem-se, aproveitem todas as oportunidades. Se eu pudesse dirigir as nossas estudantes, as que estão dentro da universidade e as que virão, eu diria para que aproveitem todas as oportunidades que vocês têm. Se tem um curso de inglês, vá fazer, se tem uma oportunidade de iniciação científica, faça, lute por ela, se tiver um curso fora, um seminário fora, um congresso fora, lute para participar. Aproveite essas oportunidades agora que você está no seu momento de capacitar, de se encher de conhecimento, porque seu momento é agora. Você está aqui na fonte do conhecimento, então agarre todas as oportunidades que você tem. Com certeza, a hora que você for testada, seja por um processo seletivo, por uma entrevista, qual que seja o modelo de mostrar seu conhecimento, não importa que estará ao seu lado, homem ou mulher, você estará capacitada e mostrará sua eficiência, sua competência e será selecionada. Imagem Reprodução

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