Views
1 week ago

Manufatura digital | O Mundo da Usinagem - 118

Soluções de Usinagem 1: MANUFATURA HIPERCONECTADA; Como a fabricação baseada em nuvem melhora a qualidade na produção. RITCH, Francis Página: 04 Soluções de Usinagem 2: RAMPA HELICOIDAL; Técnicas específicas asseguram maior produtividade e precisão ao processo. CAVICHIOLLI, Francisco Página: 10 Produtividade: NEM SÓ DE TECNOLOGIA VIVE A ERA 4.0; Importantes players do setor refletem sobre os significados por trás dos avanços da indústria mundial. NATALE, Vera Página: 14 Entrevista: ENTENDA A REFORMA TRABALHISTA; Convidamos um expert para elucidar as novas regras e os impactos sobre empresas e funcionários. PEREIRA, Inês Página: 20 Negócios da Indústria 1: O AMANHECER DO CONSUMIDOR PHYGITAL; O modelo de negócios que combina a desintermediação do digital com a experiência sensorial do meio físico. ALONSO, Júlio Página: 24 Negócios da Indústria 2: MEGATENDÊNCIA TECNOLÓGI CA; A conectividade estará presente em toda a cadeia produtiva da indústria automotiva.

produtividade Flavio Lima expôs as soluções da Renault para atender, sobretudo, às deliberações mundiais referentes à redução das emissões de CO 2 , bem como às necessidades das novas gerações de consumidores, os nativos digitais, para os quais importa mais ter um smartphone do que um carro. Frisou igualmente o quanto essa realidade afeta a “nova” indústria automotiva por assim dizer, seja em seus processos produtivos, seja em sua forma de fazer negócios — um desafio e tanto, mas sem dúvida uma grande oportunidade para novos negócios. “Hoje temos 1.7 bilhões de usuários de smartphones, em 2020, teremos 6 bilhões, sendo 2/3 desse montante só nos países emergentes”. Essas demandas impactam diretamente a indústria automotiva que já tem em seu escopo, e cada vez mais, a produção de carros elétricos, híbridos e autô- “Falamos que nossa indústria é defasada e conservadora, mas ela precisa ser desafiada. E as empresas têm mostrado interesse em mudar esse cenário”. (Anita Dedding, da Abimaq) nomos, hiper conectados, bem como a oferta de serviços de car sharing, por exemplo. E ainda vão além — ultrapassam as fronteiras da indústria, permeando toda a cadeia de valor. Lima comentou da premente necessidade de remodelar a infraestrutura das cidades para oferta de estradas preparadas para condução autônoma, pontos de carregamento e respectivas regulamentações, novos modelos de distribuição de energia elétrica etc. Ficou claro aos participantes que a palavra de ordem dessa transformação digital é Conectividade. Porém, há necessidade de se criar uma nova mentalidade de negócios, em que o foco de atenção não se centre apenas no investimento e na implantação das novas tecnologias digitais em si, mas em todos os benefícios que proporcionam como os almejados maiores ganhos de produtividade e maior eficiência operacional. Também se tornou imperativo capacitar os profissionais, sejam os novos ou os que já atuam na indústria da manufatura, para fazer o melhor uso dessas novidades tecnológicas digitais. Ambas as montadoras já atuam junto às universidades do país em prol de mudanças nas grades curriculares dos novos cursos técnicos, e também na oferta de cursos de extensão para atualização dos já formados. Anita Dedding pontuou que a Abimaq, com sua habilidade “A transformação digital tem que considerar a interação de tecnologia e pessoas, a complementação e expansão de suas tarefas com o apoio da tecnologia” (Jose Egreja, da Dassault) de articulação junto ao Governo e às universidades, também tem interferido para a mudança das grades curriculares de instituições como SENAI, FEI e Instituto Mauá, por exemplo, com foco nas novas aptidões que o mercado vai demandar. Outra iniciativa da entidade, nessa direção de aprimorar as competências dos profissionais da indústria, é a idealização do projeto batizado MOVI (da palavra “movimento”), focado em aproximar as startups para trabalhar em conjunto com as indústrias tradicionais. O propósito é gerar benefícios de mão dupla: para as indústrias ditas “tradicionais”, maior agilidade nessa transformação digital; e para as startups, por sua vez, a possibilidade de identificar novas necessidades e oportunidades, promovendo suas soluções tecnológicas e novos processos. “A ideia é que 16 o mundo da usinagem novembro/dezembro.2017/118

as startups ocupem os gaps (lacunas) que essas empresas apresentam, acelerando o processo de digitalização. (…) O papel da Abimaq é cuidar dessa comunicação e interação para aproximar os dois lados, diminuindo barreiras”, afirmou a gerente. Por onde começar? Todos os participantes do painel que encerrou o encontro — Anita Dedding/Abimaq, Flavio Lima/Renault Brasil, Celso Placeres/Volkswagen Brasil com mediação de Egreja/Dassault Systèmes — foram praticamente unânimes em afirmar que a digitalização da indústria, base da Indústria 4.0, é um caminho sem volta. E traz, em igual peso, oportunidades de novos negócios/ mercados bem como desafios: a capacitação sendo um deles, o entendimento e a adequação dessas tecnologias à realidade da sua fábrica, independentemente do porte, aliado à integração com os demais pares da cadeia, outros fatores não menos importantes. Melhor explicando, de nada adianta implementar novas tecnologias conectadas, para ficar alinhado às tendências 4.0 globais, sem antes rever o que de fato é mais adequado para alavancar a competitividade. Revisitar processos para analisar o que é necessário, a capacidade do seu negócio, bem como onde se pretende chegar e o que se quer alcançar. Parece básico, “Nós precisamos desmistificar a Indústria 4.0. Ela não é só robô, não é só automação” (Celso Placeres, da Volkswagen) mas é fundamental. Celso Placeres, da Volkswagen, foi feliz em sua colocação: “Nós precisamos desmistificar a Indústria 4.0. Ela não é só robô, não é só automação. Você pode ganhar produtividade e competividade em postos manuais, fazendo por exemplo, um poka-yoke [à prova de erros, em japonês]”. Ou seja, em determinados momentos, aplicar uma ferramenta de gestão como o pokayoke, criado na década de 1960 pelo Sistema Toyota de Produção e que impede que erros se transformem em defeitos lá na frente, ainda pode ser surpreendentemente eficaz. Uma solução barata que minimiza desperdícios e retrabalhos e gera, portanto, redução de custos. A Abimaq, que representa cerca de 7.500 empresas, tem proposto diversas iniciativas no sentido de desmistificar o conceito da Indústria 4.0. Anita Dedding diz que a maior preocupação da entidade é traduzir conceitos em atividades práticas. As feiras são uma ótima vitrine, nesse sentido — já apresentaram, em 2016 e 2017, uma célula de manufatura avançada em que tiveram que empreender o conceito de engenharia compartilhada entre as empresas que integraram o projeto e que repercute positivamente até hoje. “Falamos que nossa indústria é defasada e conservadora, mas ela precisa ser desafiada. E as empresas têm mostrado interesse em mudar esse cenário”. Flavio Lima, da Renault, também sustenta que “a grande questão não é mergulhar de cabeça e ver a IoT (Internet of Things – Internet das Coisas) como uma panaceia. Temos que racionalizar. Antigamente, Para Durant (acima) e Egreja, ambos da Dassault Systèmes, a digitalização da indústria é um caminho sem volta novembro/dezembro.2017/118 o mundo da usinagem 17