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Rolf Neubarth Dissertacao Defesa FINAL REVISADO

22 intrínsecos da

22 intrínsecos da companhia. A empresa é vista como gerenciadora de meios e recursos, porém percebe a necessidade de realização de bons acordos externos, com stakeholders eficientes, para a boa operacionalização de seus recursos (HILLMAN; CANELLA; PAETZOLD, 2000). Ultimamente, o papel dos acionistas na governança corporativa tem sido percebido como essencial para encorajar executivos e diretores na adoção de práticas que atendam aos interesses desses acionistas. Nesta visão, a boa gestão de uma companhia e a implementação de boas práticas de governança podem ser recompensadas por um pacote de benefícios que visa tanto o estímulo a essas práticas como a construção de um corpo executivo de longo termo e confiabilidade (DAILY; DALTON; CANNELLA, 2003; TRICKER, 2015). Em adição, Jensen (2010) afirma que o principal elemento para a maximização de valores volta-se para a tomada de decisão dos gestores, os quais devem decidir levando em conta os interesses de todas as partes interessadas de uma empresa, incluindo não só os agentes financeiros, mas também funcionários, clientes, comunidade, as organizações sociais e o governo. Entretanto, a criação de valor para a empresa não envolve apenas a disposição dos altos gestores para estimular empregados e gerentes, mas também a criação de posicionamentos estratégicos e métodos alinhados à empresa, unificando as células da corporação na criação de um todo valioso (JENSEN, 2010). 2.1.3 Práticas de governança corporativa Os pesquisadores da área, geralmente, emergem em paradigmas que estreitam suas descobertas e conceituam a governança com modelos e teorias que reduzem suas estruturas a realidades pouco práticas (DAILY; DALTON; CANNELLA, 2003). Cabe, assim, a cada empresa utilizar as boas práticas de governança em seu cotidiano, não apenas como uma ferramenta de construção documental e teórica, mas como instrumento de práticas de bom desempenho que evoque os recursos financeiros, tecnológicos e humanos, com ênfase nos ambientes políticos globais (MECKLING, 2015). A maioria dos estudos sobre o tema governança corporativa incluem pesquisas e análises de empresas privadas. Pontualmente, em um estudo de caso junto ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), empresa do setor público brasileiro, De Abreu Campanário, Muritiba, Muritiba e Ribeiro (2014) analisaram a implementação de boas práticas de governança corporativa em um ambiente desse setor. A pesquisa proporcionou a elaboração de um modelo teórico (construído a partir das proposições relacionadas na pesquisa) que visa

23 facilitar a implementação da governança corporativa em empresas públicas. A pesquisa também apresentou, entre os resultados, que empresas públicas devem considerar, na implantação dos preceitos de governança, conceitos específicos, como a adaptação às normas da legislação própria desse setor, associação do começo dos projetos relacionado ao assunto de governança corporativa ao início de mandatos governamentais, a profissionalização dos conselhos e o resguardo da influência político-partidária na empresa. Para Silva (2006), quando há uma proposição de governança corporativa, fala-se diretamente de valores intrínsecos como transparência em contas, padrões uniformes de registro contábil, exigências de divulgação ligadas a um forte processo ou comitê de revisão, controles internos e auditoria e é fundamental que as companhias prestem contas à sociedade como um todo. As melhores práticas tanto em empresas públicas quanto privadas se deparam, em sua implementação, com a complexidade inerente a cada corporação. Quanto mais unidades de negócios uma empresa possui, maior será o nível de complexidade ao qual está exposta. Múltiplas unidades de negócios estão focadas em produtos de mercado diversos, mas precisam também estar conectadas entre seus setores e unidades. Nesses casos, as centrais de controle são responsáveis por estratégias que motivam e controlam a empresa para o alcance de seus objetivos (EISENHARDT; PIEZUNKA, 2011). De acordo com essas autoras, qualquer empresa, em qualquer nível de complexidade, com muita ou pouca estrutura, deve focar no equilíbrio entre eficiência e flexibilidade, em consonância com o cenário político vigente. Ou seja, a adequação de qualquer prática ou tática passa, essencialmente, pela escolha das empresas de participarem do cenário global, de acordo com suas avaliações de obtenção de benefícios (EISENHARDT; PIEZUNKA, 2011; MECKLING, 2015). Com relação ao cenário brasileiro, as empresas se orientam pelos princípios básicos da governança corporativa, segundo o Código de Boas Práticas de Governança Corporativa, publicado pelo IBGC, em 2015. São eles: Transparência (transparency): mais do que a obrigação de informar, é o desejo de disponibilizar, para as partes interessadas, as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. A adequada transparência resulta em um clima de confiança, tanto internamente quanto nas relações da empresa com terceiros. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem à criação de valor.

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