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COTIDIANO Rejeição

COTIDIANO Rejeição familiar mais um obstáculo na vida dos homossexuais Entre medos e incertezas, sair do armário é uma situação complicada para grande parte do público LGBT. 37% dos brasileiros não aceitariam um filho ou filha homossexuais, segundo pesquisa de 2013 do Instituto Data Popular. 4 | DEZ 2017 | N. 1 | LILLA

Foto: Pexels’ “quando minha mãe bebia ela era agressiva demais e falava que eu era uma vergonha pra familia” Todo homossexual, que aceita sua sexualidade, em algum momento da vida passa pelo constrangimento de ter que se assumir para amigos e familiares. As reações são imprevisíveis e entre pais que aceitam e pais que toleram há também os que rejeitam os filhos. Quando a mãe da Luciana Alves, 25, soube que a filha era lésbica ela aceitou mas na convivência foi mostrando rejeições e em um determinado dia expulsou a filha de casa. “Eu sabia que tinha a ver um pouco com o fato do alcoolismo. Porém ela nunca tinha chegado ao ponto de dizer sai da minha casa. Eu nunca esperei reação negativa porque ela sempre conviveu com gays e lésbicas, tinha gente na família e ela sempre tratava muito bem.” conta Alves. Ser rejeitado por ser homossexual é o medo de 57% dos internautas, gays e lésbicas, ouvidos pelo Ibope, em pesquisa de 2013. Desses, 14% tem medo de serem expulsos de casa. Entre as inúmeras questões que podem levar a família a rejeitar uma filha homossexual está a aceitação perante a sociedade, expectativas frustradas e homofobia. No grupo no facebook Odisseia de Morar Sozinho membros que sofreram homofobia em casa contaram que foram expulsos de casa ou optaram por sair pela falta de respeito ou violências. “Não fui expulsa. Minha mãe prefere não tocar no assunto, nunca aceitou o fato, acho que ela ainda sonha em me ver casada com um homem.” conta uma participante do grupo. A maioria dos relatos demonstram que sair do ambiente tóxico é bom mas as dificuldades financeiras acabam pesando. Por esse mesmo motivo, muito adiam a saída ou contam com a ajuda de amigos ou outros familiares. Muitos gays e lésbicas não se aceitam e não se entendem, por preconceitos enraizados, na criação e ambientes que frequentam, e falta de representatividade, onde podem enxergar que ser gay/lésbica também é normal. Somar essa auto- -rejeição com a rejeição da família pode ter sérias consequências. Adolescentes LGBTs estão cinco vezes mais propensos a tentativas de suicídio do que adolescentes héteros, segundo estudo da Universidade Columbia. No Brasil, a realidade não é diferente. Um estudo de 2013 da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) revela que, entre um grupo de homossexuais e bissexuais, de 12 a 60 anos, 49% dos entrevistados disse ter desejado não viver mais. Desses, 15% teriam coragem de tirar a própria vida e 10% já teve vontade ou tentou o suícidio. As pesquisas apontam que entre os inúmeros fatores que podem levar uma pessoa LGBT a esse ato, estão: o preconceito, a indiferença, a falta de apoio espiritual e influência do ambiente que vivem. Entender que a orientação sexual não é uma escolha ou uma moda é um problema frequente. Recentemente, uma liminar da justiça permitiu que a homossexualidade fosse tratada como doença, mesmo tendo saído da lista de doenças da ONU em 1990. A ideia de que terapias de “reversão sexual” podem mudar a sexualidade de alguém é uma forma de agressão e desrespeito. A procura por esses tratamentos geralmente não vem do homossexual querendo mudar sua orientação mas de familiares, como conta a psicóloga Marisa de Abreu, no canal Psicólogos em São Paulo no Youtube. “Ele (homossexual) pode ser acolhido em psicoterapias caso tenha outras questões para serem tratadas. Como por exemplo: a sua dificuldade de se colocar, se expressar, de se relacionar com outras pessoas, de se relacionar com a dificuldade das outras pessoas” afirma Abreu, que completa aconselhando que familiares que não aceitam a orientação sexual alheia podem ser acolhidos nas psicoterapias para trabalhar essa dificuldade e a necessidade de mudar o outro. LILLA | N. 1 | DEZ 2017 | 5