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PERFIL Montagem com duas

PERFIL Montagem com duas Marianas. “Eu comigo retratando a minha improdutiva atrapalhando minha produtividade”. FEMINISMO E REPRESENTATIVIDADE pelas lentes de Mariana Smânia A fotógrafa e jornalista, de 23 anos, fala da importância em se declarar lésbica e sobre seu fotolivro, que retrata os pêlos no corpo feminino. 6 | DEZ 2017 | N. 1 | LILLA

A criciumense radicada em Florianópolis é uma pessoa divertida e “sem esforço para condutas adultas”. Ela diz que pode não passar uma imagem profissional, mas não pretende mudar seu jeito pois, afirma que sua espontaneidade lhe ajuda a criar um ambiente confortável e de interação com as pessoas fotografadas. O que Mariana mais gosta em seu trabalho é poder registrar emoções e sentimentos, que vão mudando conforme as fotos vão sendo revisitadas ao longo do tempo. Como lésbica, se entendeu e se assumiu na época da faculdade. Para ela é importante reafirmar sua sexualidade como forma de resistência e representatividade. Numa tarde de terça-feira, na Universidade Federal de Santa Catarina, a artista pede um açaí, conforta a repórter tímida e conta sobre sua vida e trabalho. Ela não lembra bem quando começou a se interessar pela fotografia. Supõe que foi pelos 14 anos, quando conseguiu de primeira captar as amigas pulando, imitando a cena do cartaz do filme High School Musical. Elas ficaram surpresas com o resultado. Com uma câmera digital continuou com o hobbie, praticando e fazendo fotos que a incentivaram a seguir nesse caminho. O estudo na área veio com a faculdade de Jornalismo, onde teve disciplinas voltadas à fotogra- “Ser mulher no mercado de trabalho é você se auto sabotar o tempo todo e é muito perigoso isso.” fia e ao fotojornalismo. Na mesma época, começou a fotografar eventos de amigos e de uma loja, o que ela considera sua primeira experiência como profissional. Apesar de já fazer trabalhos na área, se autodenominar profissional não foi fácil. “Ser mulher no mercado de trabalho é você se auto sabotar o tempo todo e é muito perigoso isso. As pessoas consideravam aquilo [a fotografia] um trabalho, as pessoas me consideravam fotógrafa, mas eu não conseguia. E aí, era o tempo todo assim e eu via constantemente meu trabalho sendo colocado pra trás pra trabalhos de homens que eu não considerava que fotografavam melhor que eu”, conta a fotógrafa. A falta de representatividade de mulheres na fotografia foi importante para Mariana se definir como fotógrafa, mas também foi um dos fatores que dificultou o processo de criação do seu trabalho de conclusão de curso, o fotolivro “Pelos Pelos Por Elas: a fotografia como forma de militância”, que entre fotos e textos Chaveiro escrito “Keyring”. Homenagem à uma amiga, quando a fotografia era um hobbie. Balada Lez Girls Party, para lésbicas. Primeira experiência fotografando baladas. LILLA | N. 1 | DEZ 2017 | 7