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7 months ago

lilla

etrata os pêlos no

etrata os pêlos no corpo feminino. Ela explica: “eu tava fazendo [o TCC] sobre o corpo feminino e a única pessoa que tinha pra me orientar era um cara, um fotógrafo. Foi aí que eu comecei a ver, onde está a mulher na fotografia? Que representatividade a mulher tem na fotografia? Você vai pra pesquisa, quais os maiores nomes da fotografia? homens”. Mas esse não foi o único perrengue do TCC, Smânia conta que ficou em “colapso emocional e apática a tudo” quando a melhor amiga, Amanda - a quem ela se refere “A gente (lésbicas) ama mulheres, a gente não gosta de mulheres como homens.” como uma base - se mudou para Inglaterra, no mesmo período do projeto. Além disso, ela desenvolveu crises de ansiedade e em uma delas, indo pra banca de aprovação do seu trabalho, percebeu que precisava de um respiro e depois de apresentar o projeto, viajou para Londres com a certeza de que estar com a amiga, que é a segunda pessoa nos agradecimentos do TCC, traria equilíbrio e calma no processo difícil. Na volta, o trabalho começou a ser executado e, como lésbica, a fotógrafa acredita que retratar os corpos femininos aconteceu com uma visão diferente do tradicional, que mostra mulheres fragilizadas ou sensualizadas. “A gente [lésbicas] ama mulheres, a gente não gosta de mulheres como homens, a gente ama mulheres porque a gente ama mulheres. A partir do momento que você tem uma visão diferente sobre o corpo de outras mulheres você faz isso [as fotos] organicamente”, explica. Smânia ainda conta que teve dificuldade em ter segurança e aceitar que não estava sendo egóica ou “se achando o máximo” ao falar do seu trabalho. E ser mulher, lésbica e artista ainda exige muitos questionamentos. Durante o processo ela era perguntada sobre o porquê de não falar também de homens que se depilam ou o que tinha de jornalístico no tema. Tanto que ela descreve o processo de criação como doloroso e “desvio da sanidade mental” e que chegou a ser vencida pelo cansaço em alguns momentos. Com o trabalho concluído, e avaliado com a nota máxima, ela diz que que se afastou do projeto e só conseguiu falar de novo sobre ele na semana anterior à entrevista, quando fez uma palestra em um evento de design. A melhor amiga, Amanda, em Brighton no último dia juntas na Inglaterra. No aniversário de 90 anos da avó em Morro Grande Santa Catarina. 8 | DEZ 2017 | N. 1 | LILLA

Mariana pelos olhos de Amanda. “Feliz e realizada descobrindo muitas coisas sobre mim mesma”. Em Londres, Inglaterra. A fotografia é uma paixão que ela diz ter o privilégio de ter como trabalho, mas durante um período deste ano ela pensou em desistir por conta de uma depressão. “Eu não sei onde eu tava, eu me enfiei num buraco. Eu sei que aconteceu porque minha carreira continuou mas eu não estava ali”, relata. As amigas, que são sua rede de apoio, foram importantes nesse período dando apoio que ela precisava. Esse período também serviu para que ela reformulasse a carreira e isso começou com a consciência do seu espaço e de que é necessário lutar por ele. “Nós, como mulheres e lésbicas, temos que fazer isso [lutar pelo seu espaço] quase que o tempo todo. No mercado de trabalho ainda mais porque a gente sempre vai ser sabotada, quando não é pela gente é pelas outras pessoas”, conclui. Mesmo com os problemas ao longo da vida pessoal e profissional ela conta que tem planos para projetos fotográficos pessoais. Um deles é o que ela tira uma foto todo dia de algo que fez. Começou em seu aniversário, dia 20 de outubro, e vai até o próximo ano, na mesma data. “Caracteriza o que eu fiz. Depois de um ano eu posso não lembrar, mas eu tenho uma prova de que eu tava ali, eu tava viva, eu tava fazendo alguma coisa”. Pode parecer simples, mas é justamente na simplicidade que suas fotografias se mostram encantadoras e cumprem a missão de registrar emoções e sentimentos. Como falou sua avó quando pediu que ela fotografasse seu aniversário de 90 anos: “existem vários fotógrafos por aí, mas nenhum tem a delicadeza e a sensibilidade da Mariana”. Simetria no corredor do metrô em Londres. Primeiro ensaio com estrutura de ensaio. Em Florianópolis, Santa Catarina. LILLA | N. 1 | DEZ 2017 | 9