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Peregrinando dentro de um olhar - II

Fotografias e pensamentos que ilustram as notas autobiográficas de Plinio Corrêa de Oliveira

atuação nos meios

atuação nos meios católicos. Assim narra ele a situação: “Foi- -me, então, confiada a direção do “Legionário”, órgão da Congregação Mariana da Paróquia de Santa Cecília. No quadro redatorial desse semanário formou-se gradualmente um grupo de amigos [...]. O “Legionário” não se destinava ao grande público, mas tão somente a esse imenso meio, um tanto fechado, que era o movimento católico. [...] Realçava ainda essa influência a situação pessoal de meus colaboradores e a minha, no movimento católico, pois fazíamos parte da direção das entidades mais marcantes da juventude católica de São Paulo, isto é, da cidade mariana por excelência. [...] Tudo prometia, pois, um porvir de trabalhos fecundos e pacíficos”. 2 Na direção do “Legionário”, que se tornou mais tarde órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, permaneceu Dr. Plinio de 1933 a 1947. Em suas páginas publicou inúmeros artigos analisando a situação internacional, tanto do ponto de vista religioso, como político e social. Suas previsões sobre o curso dos acontecimentos tornaram-se famosas não só pelo acerto, como pela improbabilidade de sua realização. Foi, por exemplo, o caso do prognóstico relativo à assinatura do Pacto Ribbentrop-Molotov, de 23 de agosto de 1939, entre a Alemanha nazista e a Rússia comunista, do qual, na época, ninguém suspeitava.Tal aliança foi prenunciada por Dr. Plinio com meses de antecedência. 3 Muitos se perguntavam, então, surpresos, como conseguia ele fazer tão acertadas previsões. Baseava-se, simplesmente, na análise sapiencial, lógica e arquitetônica, feita à luz da fé, do desenrolar dos fatos noticiados pela imprensa. Era essa luz sobrenatural que 2) Ao serviço de Deus e da Santa Igreja. In: Revista Dr. Plinio, Ano XI, n. 129, dezembro de 2008, p. 18-19. 3) Entre o passado e o futuro. In: “Legionário”, Ano XII, n. 329, de 1/1/1939, p. 2: “Efetivamente, enquanto todos os campos se definem, um movimento cada vez mais nítido se processa. É a fusão doutrinária do nazismo com o comunismo. A nosso ver, 1939 assistirá à consumação dessa fusão”. Pelas páginas do “Legionário”, Dr. Plinio denunciou destemidamente tanto os erros do comunismo como os do nazismo e do fascismo, assim como seu caráter totalitário e anticristão. 8

lhe permitia discernir no caos dos acontecimentos um rumo claro que mais ninguém via. Bem se pode medir o prestígio que isso lhe acarretava. Nesse período, Dr. Plinio assumiu também a cátedra de História da Civilização na Faculdade de São Bento e na Faculdade Sedes Sapientiæ, instituições que passaram a compor a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e no Colégio Universitário da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (da Universidade de São Paulo). Exerceria ele a função docente até o início da década de 1960. Dedicou-se também a seu conceituado escritório de advocacia, que contava entre os clientes a Cúria Arquidiocesana de São Paulo, a Ordem do Carmo e o Mosteiro de São Bento. Em 12 de maio de 1940 foi empossado como Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo. No desempenho deste cargo, em 7 de setembro de 1942, no encerramento do IV Congresso Eucarístico Nacional, Dr. Plinio discursou no Vale do Anhangabaú para cerca de 500 mil fiéis ― ato transmitido por rádio para todo o País ― arrancando entusiásticos aplausos da multidão. Foi uma verdadeira apoteose para umder católico de 33 anos. Diante de tais êxitos, a atitude invariável de Dr. Plinio era de um exemplar desapego e humildade, compenetrado de que sem a graça o homem é incapaz de obrar o bem. Comentando o fato anos depois, observava: “O Brasil inteiro me ouviu, o Brasil inteiro me aplaudiu e dois dias depois o Brasil inteiro me esqueceu!”. 4 Situação que aceitou com serena resignação, certo de que, como afirmava ele, “quando Nosso Senhor e Nossa Senhora querem nos condecorar, põem-nos uma cruz às costas! Os grandes sofrimentos são os grandes lances da vida”. 5 4) Conferência, 11/9/1982. 5) Conferência, 26/8/1983. 9