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Peregrinando dentro de um olhar - II

Fotografias e pensamentos que ilustram as notas autobiográficas de Plinio Corrêa de Oliveira

Com efeito, ainda na

Com efeito, ainda na década de 1940, a conjuntura dos meios católicos começaria a mudar profundamente, e os novos ventos que sopravam da Europa acabariam por afastar Dr. Plinio da posição de liderança que ocupava até então: “A noite densa de um ostracismo pesado, completo, intérmino, baixou sobre aqueles meus amigos que continuaram fiéis. O esquecimento e o olvido nos envolveram, quando ainda estávamos na flor da idade: era este o sacrifício previsto e consentido. [...] Imagine-se um pugilo dederes já sem liderados, um grupo que já cumpriu sua missão, sobreviveu a ela e fica sobrando. Esta era a nossa situação, quando o mais velho de nós tinha [menos de] 40 anos e o mais jovem 25! Resolvemos continuar unidos [...]. Estudos doutrinários em comum. Convívio fraterno e cordial. Assim, a Providência colocava as condições ideais para nos unir. Veio daí tal enrijecimento de nossa coesão no pensar, no sentir e no agir, como mais seria difícil imaginar. Escondida na terra, a semente germinava”. 6 De líderes do movimento católico, esse pugilo de amigos relegados ao esquecimento ficou conhecido como o “Grupo do Plinio”. No isolamento, estava Dr. Plinio dando origem a uma família espiritual que se tornaria com o tempo vasta e influente. Como seu fundador, encontrava-se “na situação de ter que ir contra a corrente e ser sinal de contradição [...] feito palavra viva, que se converte em denúncia com sua própria vida e ação, atraindo o ódio e a perseguição dos que se sentem ameaçados no seu cômodo viver”. 7 Aos superiores desígnios da Providência, se submetia Dr. Plinio com toda docilidade, pois, dizia ele: “há períodos da vida em que a ascese nos faz vestir o hábito negro da seriedade; mas depois se percebe que ele é dourado”. 8 6) Ao serviço de Deus e da Santa Igreja. In: Revista Dr. Plinio, Ano XI, n. 129, dezembro de 2008, p. 18-19. 7) CIARDI, Fabio. Los fundadores, hombres del Espíritu, p. 274-275. 8) Conferência, 13/8/1983. 10

Em 1951, a criação do jornal “Catolicismo”, órgão da Diocese de Campos (RJ), de cujo corpo redatorial fazia parte o chamado “Grupo do Plinio”, possibilitou a retomada do apostolado, com a constituição de uma rede de simpatizantes em todo o País. Renovaram-se as esperanças. E de 1953 até 1959, várias Semanas de Estudos de Propagandistas de Catolicismo foram realizadas, reunindo centenas de participantes. O “Grupo do Plinio” passou então a ser conhecido como o “Grupo de Catolicismo”, com ponderável influência nos meios católicos. Com efeito, os fatos comprovavam como “a semente germinava”... Nas páginas de “Catolicismo”, em seu número 100, foi publicada em abril de 1959 “Revolução e Contra-Revolução”, obra-mestra de Dr. Plinio, na qual ele analisa o processo multissecular que vem destruindo, desde a Idade Média, a Civilização Cristã, por meio de quatro grandes Revoluções: a 1ª conformada pelo Humanismo, Renascença e Protestantismo; a 2ª, pela Revolução Francesa; a 3ª, pelo Comunismo; a 4ª, pela Revolução da Sorbonne, em Maio de 1968. 9 A grande originalidade da obra está na explicitação do papel das tendências, e dos ambientes e costumes, para a formação das ideias, as quais, por sua vez, gerarão os fatos. Também apontava a unicidade e a universalidade do processo revolucionário. Neste estudo definiu Dr. Plinio o mal que assola a civilização, discernido por ele desde menino em sua inocência, sem contudo conseguir na época dar-lhe um nome ― Revolução ―, e apontar-lhe as causas mais profundas ― uma explosão de orgulho e sensualidade. Em seu parecer sobre o livro, o conhecido teólogo Pe. Anastasio Gutiérrez, CMF, declara: “É uma Obra profética no melhor sentido da palavra; mais ainda, que seu conteúdo deveria ensinar-se nos centros superiores da Igreja”. 10 9) A explicitação da 4ª Revolução foi incluída pelo Autor na reedição da obra em 1977. 10) CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Revolução e Contra-Revolução, 2008, 6 ed. São Paulo: Editora Retornarei Ltda., p. 7. 11