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dissertação parcial r1 11042018 formatacao igor rev02

TÍTULO DA HORA COM

TÍTULO DA HORA COM MUITAS LINHAS! humor para as mais variadas transformações diárias da metrópole eram capazes de observas as reais mudanças que o ambiente a sociedade metropolitana passavam. Sobre os cronistas que realizavam tais leituras da cidade, Saliba destaca: [...] em lugar da urbanização, eles enxergavam a especulação e as ruínas; em lugar do crescimento, eles reiteravam o abandono e dezenraizamento; em lugar dos monumentos, projetavam anedotas e imagens divertidas; em vez de se apegarem a cronologias e fundações, bagunçavam com o tempo e o calendário, misturando passado e presente. Bem antes dos modernistas e contrariando até mesmo a propalada sisudez paulista, invertiam todas as coisas, viravam São Paulo de ponta cabeça e divertiam-se com tudo. (SALIBA, 2004. P.580-581) Em 1932 os já famosos cantores de rádio Cornélio Pires e Honório da Silva compõe uma canção (dita “sertaneja” ou “caipira”) onde tratam com certo humor o transporte nos bondes da capital, que na verdade pode ser compreendida como uma metáfora da própria cidade, sempre cheia e tumultuada. Apesar de dizer que São Paulo é muito bonita, logo de início já reclama do transporte e de como se sente aprisionado dentro dos bondes. Compara o balanço dos bondes com os carros de boi, antigo meio de transporte e trabalho no campo, sempre muito rudimentar e nada confortável, características que não se espera encontrar em um transporte tão moderno para a época. A música termina fazendo uma ◊ 108 ◊

São Paulo: a metrópole do “pogréssio” crítica ao fato da companhia Light and Power, concessionária responsável pelo abastecimento de energia e pelo transporte dos bondes elétricos serem abusivas em suas cobranças, e aos passageiros apenas cabia reclamar: Se você tiver em São Paulo / De certo se arregalará por lá / Homem, São Paulo é lindo, é uma boniteza / Mas tem um tal de bonde Camarão / Pra chacoalhar o corpo da gente tanto / Oh, peste dos quintos, é pior que carro de boi / Então nóis fizemos uma moda de viola relaxando ele / Mas escuta essa moda... / Aqui em São Paulo o que mais me amola / É esse bonde que nem gaiola / Cheguei, abri uma portinhola, / Levei um tranco, quebrei a viola / Inda pus dinheiro na caixa de esmola / [...] / Eu vô m’imbora pra minha terra, / Esta paquera inda vira em guerra / Este povo inda sobe a serra, / Pra mó de a Laite que os dente ferra, / Nos passagêro que grita e berra11 O sentimento de saudosismo aparecia em canções caipiras e estava também presente nas festas típicas nos bairros de imigrantes, nas comidas que tentavam trazer à tona sentimentos e lembranças de outros tempos, na insistência em 11 “Bonde Camarão”, composição de Cornélio Pires e Honório da Silva, de 1932, in: MORAES, José Geraldo Vinci de. Metrópole em sinfonia: História, cultura e música popular na São Paulo dos anos 30. São Paulo: Estação Liberdade, 2000. P. 220-222. ◊ 109 ◊

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