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dissertação parcial r1 11042018 formatacao igor rev02

TÍTULO DA HORA COM

TÍTULO DA HORA COM MUITAS LINHAS! 3.2.11. Despejo na favela (1969) Em 1969, Adoniran Barbosa compõe uma canção que trata, dentre outros elementos, das relações de cumprimento com as obrigações sociais impostas a um determinado grupo de habitantes metropolitanos. Despejo na favela (1969) Quando o oficial de Justiça chegou / Lá na favela / E contra seu desejo / Entregou pra seu Narciso / Um aviso uma ordem de despejo / Assinada, seu doutor / Assim dizia a petição / Dentro de dez dias quero a favela vazia / E os barracos todos no chão / É uma ordem superior / Ôôôô meu senhor / É uma ordem superior / Não tem nada não, seu doutor / Não tem nada não / Amanhã mesmo vou deixar meu barracão / Não tem nada não, seu doutor / Vou sair daqui / Pra não ouvir o ronco do trator / Pra mim não tem problema / Em qualquer canto me arrumo / De qualquer jeito me ajeito / Depois, o que eu tenho é tão pouco / Minha mudança é tão pequena / Que cabe no bolso de trás / Mas essa gente aí, hein / Como é que faz? A canção trata de um momento específico dentro de uma favela, que é chegada do oficial de justiça ao local com a notificação de despejo. Nota-se a preocupação do narrador da ◊ 182 ◊

Adoniran Barbosa e a lírica do “pogréssio” história (autor) com a desocupação e como esse processo se transcorrerá. Logo no início da canção tem-se a notícia de que será um processo forçado, e a ideia de que a lei de alguma forma comanda todo o processo, “[...] Dentro de dez dias quero a favela toda vazia/ e os barracos todos no chão/ É uma ordem superior [...]”. Também fica claro que o próprio oficial de Justiça não gostaria de estar realizando tal ação de despejo, dando ao mesmo um caráter mais humano, e não mais como Instituição. Há ainda a noção de que o oficial de Justiça é um mero representante legal, e que a ordem veio de cargos superiores a ele próprio, “[...] É uma ordem superior/ Ôôôô meu senhor/ É uma ordem superior [...]”. Nota-se como a Justiça, como instituição legal, opta por exigir a desocupação e o desmonte do que poderia ser uma comunidade inteira, e assim contribui no desenho do território urbano. O que também chama a atenção na canção é como a cidade – no sentido de seus órgãos públicos gestores - reage às questões relacionadas ao sentimento de pertencimento de um cidadão a um determinado território. O processo de despejo da favela desconsidera qualquer vínculo que os indivíduos possam ter estabelecido com o lugar. E claro, além de anular a necessidade (e o direito) à moradia. O narrador assume a posição de morador do local e traz a ideia de pertencimento ao grupo de moradores locais, pois ◊ 183 ◊

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