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dissertação parcial r1 11042018 formatacao igor rev02

TÍTULO DA HORA COM

TÍTULO DA HORA COM MUITAS LINHAS! -Me diga uma coisa Charutinho? O qual que é a receita para fazer uma letra de samba? -Bom, pá escrevê uma boa letra de samba, a gente tem que ter uma condição principal. -É saber fazer rimas, é? -Não. Pá escrevê uma boa letra de samba, sentida... humana... A gente tem de sê, em primeiro lugal... narlfabeto. Só se for narlfabeto, escreve bem. 22 No diálogo simples, interpretado por Adoniran Barbosa e Maria Tereza, a conclusão, por simples que possa parecer carrega inúmeros significados e associações. A princípio esperase que para compor a letra de um samba seja necessário saber rimar, visto que rimas são comuns em músicas populares, e tornam mais fácil a adesão. Porém alógica se inverte e fica complexa quando se chega a conclusão que na verdade o necessário é ser analfabeto, ou “narlfabeto”! Para saber escrever um bom samba é primordial não saber escrever! Isso se, a letra for “sentida” e “humana”, ou seja, para ser sensível e ter relação com o público. Público esse que era, portanto, analfabeto. Para que haja grau de identificação e que o público é necessário ser como o público, e portanto, ser analfabeto. A tristeza e ironia andam juntas nessas simples frases que carregam a reflexão para outro nível. 22 Esterzinha de Souza & Orquestra Ciro Pereira (reg.), LP História das Malocas,São Paulo, Chantecler, s/d. in ROCHA, Francisco, Adoniran Barbosa: O Poeta da Cidade. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. P. 105. ◊ 204 ◊

Adoniran Barbosa e a lírica do “pogréssio” Não são todas as canções de Adoniran que apresentam desvios de norma culta de linguagem, e quando há, são propositalmente colocados de modo que a sonoridade das palavras seja tão importante quanto seu significado. Embora não tenha sido bom aluno, e por isso largara a escola aos treze anos de idade, Adoniran sempre fora bem informado, lia muitos jornais, conversava com muitas pessoas, além de ser um comunicador no rádio. Sua profissão exigia certo grau de conhecimento, ao menos da língua falada, para que pudesse se expressar das mais diversas maneiras, tantas quanto sua imaginação e de Osvaldo Moles permitissem criar. Para que seja feito o processo de tradução de uma situação cotidiana, em realidade, é necessário possuir também certo conhecimento exterior a ela. Ou seja, para que as letras de músicas com desvios de norma culta de linguagem ficassem equilibradas sem soarem caricatas, era necessário grande domínio da língua. Somente sabendo qual seria a maneira correta de pronunciar “progresso”, por exemplo, é que Adoniran pode “remodelar” a pronúncia da palavra, de modo que, não apenas a grafia signifique crítica social, mas o som emitido pela pronúncia seja mais adequado aos ouvintes. Ao dizer que acreditava que algumas palavras ditas fora dos padrões da norma culta seriam mais agradáveis, Adoniran está fazendo um processo de tradução e adaptação que é ◊ 205 ◊

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