Views
7 months ago

Almanaque2

Almanaque número 2, com o conteúdo completo das edições nº 7 a nº 12 da Revista Mensal Peripécias Contendo as Seções Destaques, Túnel do Tempo, Sociais, Turismo, Literatura, Sala de Leitura, Teatro, Arte, Personalidades, Poesias, Atualidades, do Fundo do Baú, Fotografia, Formaturas, Humor, Culinária, Esportes, Curiosidades, Aniversariantes, Classificados, Biblioteca, História de Família e Espaço do Leitor.

As rodas eram cilindros

As rodas eram cilindros giratórios com uma grande cavidade lateral que se colocavam junto às portarias dos conventos. As rodas existiam sobretudo nos mosteiros de clausura mas também em alguns conventos. Inicialmente serviam de meio de comunicação entre o interior e o exterior do convento. Na abertura lateral, eram colocados objetos pelas pessoas que se encontravam no exterior do convento. Após a colocação do objeto, aquele que se encontrava no exterior tocava uma sineta e a irmã "rodeira", no interior do convento, aí fazia girar a roda, retirando de seguida os objetos aí colocados. Mais tarde começaram a colocar crianças enjeitadas ou fruto de ligações "inconvenientes". Estes "filhos de ninguém" eram, muitas vezes, filhos de raparigas pobres, fruto de relações proibidas, ou mesmo crianças encontradas por eremitas que as recolhiam e as educavam até as colocarem na Roda. Por vezes as mães dos enjeitados deixavam algumas marcas identificativas (fitinhas, pequenos bordados com monogramas, medalhinhas), a fim de, um dia mais tarde, as poderem recuperar. Quando atingiam a idade de aprendizagem, as crianças eram transferidas para a Casa Pia, uma instituição de acolhimento que as educava e preparava para a vida adulta. De tanto ser usada, a roda acabou por se tornar legítima chegando a ser oficializada nos finais do século XVIII e a receber a designação de Roda dos Expostos ou dos Enjeitados . O intendente geral da Polícia do Reino, Pina Manique, reconheceu oficialmente a instituição da roda através da circular de 24 de maio de 1783, com o objetivo de pôr fim aos infanticídios e acabar com o horroroso comércio ilegal de crianças portuguesas na raia, onde os espanhóis as vinham comprar. A Roda dos Enjeitados passou a existir em todas as terras, vindo a perder a sua importância e uso com o advento do Liberalismo em Portugal, na primeira metade do século XIX.

Nilson Simões Alves Corrêa Colaboração: José Francisco Simões Corrêa Sempre gostei de todos os meus irmãos. Aprendi muito do que sei, com todos eles, afinal sou o caçula. Mas hoje a homenagem que faço é para meu irmão Nilson, o Aniversariante do mês. A época mais distante que me lembro do Nilson, foi quando ele ainda estudava no Colégio Vera Cruz, na Rua São Francisco Xavier, ao lado do Edifício Corrêa Nunes. Outro fato que lembro bem era quando o Nilson marchava todo o dia pelas ruas do Maracanã. Estávamos na época da Guerra. Onde era Sede do Tiro de Guerra, não sei bem. Se na Casa que foi do Victor Fernandes, e tinha sido doada para Sede da FEB – Força Expedicionária Brasileira ou no antigo Derby Club, atual Estádio Mário Filho – o célebre Maracanã. Lembro-me dele em casa estudando física, em um livro grosso, que tinha as iniciais dele no dorso das folhas. Lembro também do dia da Formatura do Nilson. O Baile foi no Colégio Vera Cruz, a Nilda já estava pronta, meu pai colocando a gravata borboleta no colarinho postiço e engomado que se usava na época, e o Nilson, ainda não tinha acabado de se aprontar. E a Nilda falava, anda Nilson vamos chegar atrasados. Daqui a pouco a orquestra vai começar a tocar. E quando iniciou o Baile deu para ouvir lá de casa. Certo é que passavam sempre pela Rua Santa Luiza, de manhã marchando, e eu corria para a janela, para ver a turma passar. E tinha uma banda tocando bumbo, tarol e corneta. Quase na hora do Almoço, estava ele chegando em casa com o uniforme que tinha nas pernas as chamadas perneiras de couro. O uniforme era caqui e as Perneiras de couro preto. Nessa época, chamava o Nilson de TATU. Após o almoço, ainda tirava um sono, (tinha 3 para 4 anos) e para dormir, alguém tinha que cantar.

Almanaque nº 1
Peripécias 12