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Almanaque2

Almanaque número 2, com o conteúdo completo das edições nº 7 a nº 12 da Revista Mensal Peripécias Contendo as Seções Destaques, Túnel do Tempo, Sociais, Turismo, Literatura, Sala de Leitura, Teatro, Arte, Personalidades, Poesias, Atualidades, do Fundo do Baú, Fotografia, Formaturas, Humor, Culinária, Esportes, Curiosidades, Aniversariantes, Classificados, Biblioteca, História de Família e Espaço do Leitor.

Por várias vezes o

Por várias vezes o Nilson cantava uma música que era assim: O lagarto mais a cobra, tarará, tarara-rará. Fizeram uma patuscada, tarará-rará O lagarto comeu tudo, tarara,´tarararará E a cobra ficou sem nada, tarará-rará E eu acabava dormindo até a hora do café. O Nilson, também, gostava muito de bananada, e meu Pai tomava Água Prata (Mineral com gás). E por algumas vezes eu atendi ao telefone, era meu pai dizendo: Pergunta para sua mãe o que precisa levar para casa. Ia perguntar o que ela queria, e acrescentava: Traz Água Prata pra Papai e Bananada pra TATU. Lembro-me do Nilson fazendo balão, no corredor da garagem, com uns amigos dele. Soube depois que um era o Filho do Arthur da Costa e Silva, que foi Presidente, e da Yolanda, que era filha do Coronel Severo que morava na casa de número 20. Também me recordo, do dia em que fez prova na Faculdade de Odontologia em Niterói, estava um pouco preocupado em não passar. Realmente não passou. Chegou a casa dizendo: Não quero estudar mais. Vou trabalhar e ganhar dinheiro. Ficou trabalhando com o meu Pai no Hotel Cruzeiro do Sul. Mas vinha almoçar em casa. Só que por vezes, antes passava pelo Instituto de Educação para pegar a Edina e acompanhá-la até em casa. Ela quando começou a namorar o Nilson, morava na Rua São Francisco Xavier, perto da Rua Visconde de Itamarati. Depois morou na Santa Luiza, nº 45, e ultimamente na Rua Felipe Camarão 151- no Maracanã. Meu tio Izaías, também trabalhou no Hotel Cruzeiro do Sul. Tinha chegado no Brasil em 1940. Conversando com meu Pai, falou que tinha vontade de comprar um Bar que tinha visto no Grajaú, na Av. Engenheiro Richard, onde nessa época, trabalhava com o irmão João Simões, em um bar, que meu pai tinha dado um suporte financeiro para João comprar. O Nilson soube e propôs a meu Pai, ser sócio de Izaias no Bar. Meu Pai entrou em entendimento com o cunhado, expondo a situação do Nilson, e o negócio foi realizado. Ambos foram sócios no Bar por algum tempo. Meu Pai teve uma morte súbita em 21.06.1946. O Baluarte de todos, nos deixou. Ficamos atônitos. Quem assumiu o comando, da parte financeira da casa foi meu irmão Nilson, através de uma procuração de minha Mãe lhe dando Plenos Poderes. Uma condição que interferiu um pouco na situação do Inventário de meu Pai, foi o fato de minha avó paterna, ter falecido em 1943, minha tia Rosa em 1945. Meu Pai era o inventariante de minha avó. Prolongaramse os prazos ideais. Mas o Nilson com sua integridade, perseverança, e habilidade de negociação conseguiu resolver todos os problemas, sempre apresentando religiosamente todos os dados a minha mãe e aos irmãos maiores. Eu e o Jeremias ainda, éramos bem pequenos, 5 e 10 anos respectivamente. Em 1947, minha Mãe ficou doente, teve anemia profunda. Ficou internada 3 meses no Hospital da Ordem Terceira de São Francisco de Paula. Quem comandou o Barco? O Timoneiro Nilson. Sempre presente, amigo e protetor dos irmãos. Nossa tia Maria Alves irmã de meu pai, se ofereceu a prestar os serviços de administração doméstica, uma vez que

minhas irmãs se revezavam em acompanhar minha mãe no Hospital. O preparo da alimentação ficava a cargo da tia Maria, uma vez que a Marina, que trabalhava lá em casa, quando meu Pai ainda era vivo, tinha saído para casar. Eu e o Jeremias, às vezes nos desentendíamos com as tarefas que tínhamos de fazer, além do dever de estudar. Alertado pela tia Maria, o Nilson, estabeleceu que: numa semana, um varre o quintal e o outro lava a louça e passa a ferro, pano de prato, toalha de rosto etc. Na outra semana invertem-se as tarefas. E assim entramos no eixo. O respeito que sempre tive pelo Nilson foi como para um segundo Pai. E sempre foi meu amigo, de todas as horas. E não somente meu, mas de todos nós. Sempre pedi opinião a ele, além de minha Mãe, em assuntos que queria empreender. Sempre obtive respostas sinceras. Ora dizia: Não vale a pena, pensa bem. Observe isso, e mais isso e mais aquilo. Outras vezes dizia: Muito bom, deve fazer. O carinho e respeito que o Nilson tinha com minha Mãe, eram muito grandes. Todo domingo levava de carro minha mãe à missa, e mais quem fosse junto, também. Meus Pais fariam Bodas de Prata em 26.01.1947, e o projeto era comemorar na Ilha Terceira, na Igreja de São Jorge, nas Doze Ribeiras, onde casaram. Quando viajássemos, seria feita a reforma da casa. Mas Deus o chamou em junho de 1946. Em 15.04.1948, o Nilson casou com Edina. Em 1949, o Tio João, viajou com a família para a Ilha Terceira, onde ficou durante 4 anos e o Tio Izaías, ficou comandando o Bar do tio João, ficando assim impossibilitado de continuar trabalhando no bar do Nilson. Em 1952 ele se mudou lá de casa, porque a família estava crescendo, ia nascer mais uma criança. Chegou o José Geraldo. Já era o terceiro filho. Queria o Nilson ter sua casa própria, pois morava com a família lá no noventa desde 1948, quando casou. Antes, ainda chegou a comandar uma reforma na casa, que estava prevista para ser feita um ano antes. Nilson sempre foi um comerciante, assíduo, cumpridor de seus deveres. Coordenava ainda as atividades do Hotel Cruzeiro do Sul, que tinha delegado, ao José Rocha Alves (o Zé Gordo) que era filho do Tio Manuel Alves Corrêa, o segundo sócio. O terceiro sócio era o Tio João Alves Corrêa, e o Sócio Majoritário, meu Pai. Nilson, sempre seguiu as orientações deixadas por nosso Pai, e bem coordenadas por minha mãe, que cobrava a retidão de atitudes. As quais foram absorvidas por todos os irmãos. Do mais velho ao mais novo. Antoninho, sempre que podia nos visitava, e sempre acompanhava o desenrolar de nossa situação. Sua afinidade conosco sempre foi muito grande, e viceversa. Felizmente, podemos dizer que soubemos apreender os ensinamentos que nosso Pai nos deixou, e o Nilson soube trazer a felicidade para minha Mãe, do dever cumprido, que ela lhe outorgou com a Procuração. Assim, desejamos que onde se encontre nosso querido irmão Nilson, possa receber a Homenagem que queremos prestar, registrando para os descendentes e familiares, a gratidão a quem por nós se preocupou, em transmitir os princípios morais elevados de conduta e comportamento.

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