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4 months ago

Almanaque2

Almanaque número 2, com o conteúdo completo das edições nº 7 a nº 12 da Revista Mensal Peripécias Contendo as Seções Destaques, Túnel do Tempo, Sociais, Turismo, Literatura, Sala de Leitura, Teatro, Arte, Personalidades, Poesias, Atualidades, do Fundo do Baú, Fotografia, Formaturas, Humor, Culinária, Esportes, Curiosidades, Aniversariantes, Classificados, Biblioteca, História de Família e Espaço do Leitor.

Festa de Aniversário de

Festa de Aniversário de 3 anos do meu primo. Colaboração: José Francisco S. Corrêa Fomos convidados para a comemoração do aniversário de 3 anos de meu primo Jayme José, filho de meu Padrinho e tio Izaías, irmão de minha mãe, que foi realizada em julho de 1953. Nessa época tinha 12 anos de idade. As recomendações habituais de minha mãe, antes de sair, eram: Comporte-se, fique sentado perto de mim, não fique em correria pela casa com as outras crianças, etc, etc, conforme de praxe, para alertar os mais levados. Chegamos à residência, era um apartamento térreo em que tinham duas áreas. A de serviço, ficava próximo da cozinha e era toda cimentada e tinha um tamanho suficiente, para acolher todos os homens que estavam na festa, onde ficaram comendo e bebendo à vontade sem interferências. No fundo, no quarto do casal tinha uma porta que dava para outra área, onde tinha um jardim e uma parte cimentada que abrangia toda a largura do apartamento. Conforme recomendado, e criança obediente que era, fiquei sentado ao lado de minha mãe, na sala onde se posicionavam cadeiras ao redor da sala, e no centro a mesa com doces e o bolo de aniversário. Minha irmã Neuza, também estava e meu irmão Jeremias, padrinho do aniversariante. Realmente não me lembro se minha irmã Nilda e meu cunhado Manuel já tinha chegado, a filha dela Maria José tinha feito três anos em março, Ana Maria com 2 meses e minha cunhada Edina com as filhas Maria Regina com 4 anos e Maria da Penha com dois anos também já tinham chegado com meu irmão Nilson. Aliás, não sei se foram, acho que sim. Estavam presentes ainda a tia e madrinha do aniversariante, irmã da mãe e a avó Materna. Uns quinze minutos após nós chegarmos, entraram, meus primos Geraldo- 14 anos, José Mariano 12 anos, Maria Aparecida 11 anos, João Alberto 10 anos, Maria Lúcia 9 anos, Maria de Fátima 7 anos e Maria de Lourdes 4 anos, juntamente com a mãe, a Tia Elvira. Meu tio João chegou mais tarde, pois estava ainda trabalhando. Todos ficaram sentados em redor da sala e comportados. A Lourdes estava no colo da Tia Elvira. Era pequena. Acontece que a Festa era mais para adulto do que criança. A conversa girava em torno de um Padre que tinha sido convidado, e aguardavam ansiosos. Estava recém-chegado da Ilha Terceira, era amigo de meu tio Padre Jeremias e a preocupação era maior com a recepção que fariam a ele, do que com o aniversário de meu primo. O Jeremias e o Geraldo, acho que se encaminharam para o portão do prédio e foram conversar num lugar mais arejado, olhando as meninas passarem. A Avó do aniversariante, com mais idade que minha mãe, disse assim: As crianças levantem das cadeiras e vão lá para a área dos fundos, a conversa aqui é para adultos. Fiquem lá. Olhei para minha mãe, que acenou com a cabeça que sim. Afinal era a mãe da dona da casa que estava nos expulsando. Acho que ela não era muito amiga de crianças. Nisso chega o tal do Padre, que se não me engano, chamava-se Domingos. Nos dirigimos ao quarto do meu tio, menos a Lourdes que ficou no colo da Tia Elvira. Sentamos na soleira da porta do quarto que dava para o jardim e ficamos conversando, brincando de berlinda, coisa que se fazia na época, e outras distrações próprias que costumávamos brincar. Pois tínhamos muita

convivência, tanto lá em casa no 90, como na casa deles, no Grajaú. Só que o tempo foi passando e ninguém aparecia para trazer uma empada ou cachorro quente que acho que nem tinha. Naquela época festa de criança ainda não tinha cachorro quente e nem pipoca. Estavam preocupados em atender ao Padre. Esqueceram de nós. Fomos ficando meio irritados. Tinha chegado mais pessoas. Eis que eu e o Mariano percebemos que tinha em cima de uma cômoda no quarto um prato cheio daquelas balas de coco, embrulhadas com papel, que tem uma franja desfiada, sabe qual? Muito comum em festas. E as franjas do papel saiam penduradas, ornamentando o prato. O que fazer para distrair? Tirar uma bala e chupar. Diz o João Alberto, também quero. E todos quiseram. Esperem aí, disse eu. Assim vai esvaziar o prato. Vamos fazer o seguinte: Procurem pedrinhas pequenas no Jardim e vamos a cada bala que chupar substituir por uma pedra. O Mariano aprovou. Uma prima ficou na porta do quarto para o corredor, vigiando se vinha alguém. Outro pegava a bala. E outro embrulhava a pedra que as outras primas achavam na terra do jardim. E assim chupamos todas as balas e deixamos o prato cheio e enfeitado como estava, só que cheio de pedras. Pouco tempo disso, nos chamaram para cantar os parabéns (já tinham chamado o Jeremias e o Geraldo), comer bolo e os doces que estavam na mesa. Juntamo-nos ao grupo dos adultos, alguns homens vieram da outra área, engrossar o coro, apagaram-se as luzes, o Jayme meio acordado meio que dormindo, conseguiu apagar a vela. Estava no colo da Mãe ao lado do Pai. Enquanto, ficou escuro o Mariano tirou uns doces e colocou no bolso da minha calça, eu peguei uns coloquei na frente do João Alberto, quando acenderam as luzes os pratos de doces estavam meio bagunçados, e comemos doces e bolo após a primeira fatia, que acho foi dada ao Padre. Não afirmo, tamanho era o burburinho, com um monte de gente com sotaque português. Nisso, o padre que já tinha sido paparicado de tudo e sei lá mais o que, e comido alguns doces, ouve a Sra. Mercedes, a avó do meu primo dizer, naquele sotaque da Algalva, uma Freguesia que fica lá na Ilha Terceira. Aceita uma balinha? E o Padre. Oh, sim! Olhei para o meu primo Mariano, ficamos parados e dissemos um ao outro. É agora....... Quando o Padre viu a pedra deve ter pensado, será milagre? Conseguiram fazer a bala virar pedra? A Sra. Mercedes quase caiu sentada. A filha dela solteira, pegou outra bala abriu, outra pedra, ficaram pálidas. Chamaram a tia Estela esposa do Tio Izaias e as três começaram a gritar: Izaiaaas! Izaiaaas! Izaiaaas!, naquele sotaque português fino e cantado. O Padre estava meio assustado, e acho que rezou umas dez Ave-Maria. Meu tio veio da área lateral onde estava com os outros amigos e parentes, soube do acontecido, chamou-me e também ao José Mariano, lá na área e falou: por que vocês fizeram isso? Eu respondi: Esqueceram de nós lá atrás! Meu padrinho, deu-nos aquela chamada geral, e disse nem sei o que fazer com vocês. Pedimos desculpas e entramos. Alguns minutos depois fomos embora. A Festa estava acabando. Já tinham cantado os parabéns! Mas o Padre ainda ficou lá. Minha mãe ao chegar em casa perguntou, por que fizeram isso? Respondi que estava quieto ao lado dela e meus primos também, mas fomos intimados a sair da sala. E esqueceram de Nós. Ela não disse uma palavra.

Almanaque nº 1