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Almanaque2

Almanaque número 2, com o conteúdo completo das edições nº 7 a nº 12 da Revista Mensal Peripécias Contendo as Seções Destaques, Túnel do Tempo, Sociais, Turismo, Literatura, Sala de Leitura, Teatro, Arte, Personalidades, Poesias, Atualidades, do Fundo do Baú, Fotografia, Formaturas, Humor, Culinária, Esportes, Curiosidades, Aniversariantes, Classificados, Biblioteca, História de Família e Espaço do Leitor.

material de

material de construção, criando a “Casa Três Irmãos”. Ele chegou a convidar o Antoninho para que fosse “Casa Quatro Irmãos”, mas ele declinou porque estava com planos de ir para Brasília por força de sua carreira militar. Infelizmente o negócio não deu certo devido à concorrência e a crise governamental da época, mas felizmente não houve prejuízo. E para concluir, registro minha gratidão ao Nilson por ter proporcionado a mim uma outra oportunidade: a de aprender um ofício. O OFÍCIO No ano de 1950, o Nilson apareceu a tarde em casa (morávamos no noventa da Santa Luiza) com um caminhão para descarregar uma máquina tipográfica manual, uma estante com tipos para composição, material de apoio, guarnições para impressão, rolos de gelatina para distribuição de tinta na mesa rotativa, etc. “O que aconteceu” - perguntou minha mãe? E o Nilson explicou que uma pessoa que estava lhe devendo um dinheiro, não tendo como pagar, lhe ofereceu aqueles equipamentos como pagamento, e que ele havia aceitado. Assim que acabaram de descarregar e colocar os objetos na garagem, logo que as pessoas saíram fiquei curioso em ver os objetos; mais ainda o José Francisco que, por ser 5 anos mais novo que eu, tinha curiosidade maior. Da análise e limpeza do material, conversando com o Nilson, demonstrei interesse em aprender o ofício, visto que em 1950 eu já estava terminando o ginasial, próximo às provas finais. Ele então prontamente se propôs a conversar (se é que já não havia falado...) com um senhor que conhecia no Grajaú e que trabalhava em uma gráfica na rua Teodoro da Silva, Sr. Atílio Menegoto, combinando com ele de ir em nossa casa na parte da noite para me ensinar a utilizar os materiais e equipamentos. Assim foi feito, e após 3 meses já estava sabendo fazer composição e impressão, diga-se de passagem, com o José Francisco sendo minha sombra... Então falei com o Nilson que não precisaria mais pagar ao Sr. Atílio porque já sabia como fazer. Apresentei a seguinte sugestão ao Nilson: na parte da noite, o “professor” continuaria indo lá em casa para ver o meu desempenho, corrigir qualquer possível falha e eu o ajudaria a fazer o cálculo dos pedidos de serviços que ele costumava trazer – custo de material (papel ou cartão), preço do tempo que um operário usaria para fazer a composição, preço do acerto da máquina, correção, tempo de execução na máquina, percentagem de ganho sobre o somatório obtido – chegando ao preço final. Do valor a ser cobrado, 10% seria do vendedor (então

esta parcela automaticamente passaria a ser despesa) e então chegaríamos a um outro valor que seria assim distribuído: 50% para o Nilson (que entrara com o maquinário), 25% para o executor e 25% para o professor, Sr. Atílio. Por uma coincidência, ou destino, um professor de Física, Leon Lifchit, do Colégio Felisberto de Menezes, sabendo que eu lidava com tipografia, me chamou para ir trabalhar na gráfica que tinha comprado; a fim de fazer um trabalho diferente, o de corrigir um “empastelamento” feito por um operário ao saber que havia sido demitido. Até comecei a empreitada, mas acabei desistindo, pois seria tarefa árdua e demandaria muito tempo. Próximo ao final do ano de 1952, no segundo ano do curso científico, o professor de português, chamado José Aguirre, convidou a turma – convite mais voltado aos rapazes - para fazer uma visita ao SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), na Rua Costa Lobo, em Benfica, que abrigava a parte mecânica e o parque gráfico. Após a visita, recebemos o convite para inscrição no curso de retocador e dentre os doze alunos visitantes fui o único a aceitar esta chance, iniciando as aulas em janeiro de 1953, em tempo integral. Nesta época a minha rotina ficou bastante assoberbada, porque em função deste curso em horário integral, a solução foi cursar a noite o terceiro ano científico. No final de 1954, o curso chegou ao fim. Fiquei muito feliz em poder comparecer à solenidade de entrega do diploma, acompanhado de minha mãe, que muito me apoiou. A esta altura da vida, eu já havia ressarcido ao Nilson o dinheiro que ele tinha aplicado de forma indireta no equipamento inicial. Também já havia pago à minha mãe o dinheiro que ela havia me emprestado para eu dar de entrada na compra de uma máquina elétrica e ia levando a tipografia com aquisições de uma guilhotina maior e máquina de picotar. Apenas não pude indenizar o Nilson pela ocupação da garagem, que ele mandou fazer para guardar o primeiro carro, Austin A40; assim, o segundo (Austin A16), não teve este mesmo conforto para seu estacionamento. A gráfica ia bem, eu tinha até um ajudante, o Floriano, que ficava encarregado da parte de impressão. Assim, eu também tinha mais tempo livre para ir ao centro da cidade comprar papel em fornecedores que eram retalhistas, levar facas para afiar, entregar encomendas, visitar fregueses. Depois me associei a dois amigos que também tinham gráfica, Wanderlin e Eduardo, os quais deram bom impulso ao negócio, porque tinham bons relacionamentos com a UBC (União Brasileira de Compositores), com a SBACEN e outras instituições. Fiz um acordo de utilização da gráfica, tendo eles assumido o meu funcionário, Floriano. Nesta época eu já me via as voltas com o serviço militar, pois fui classificado no C.P.O.R para Arma e Infantaria, cursando no oitavo pelotão. Fui diplomado em 1956 na turma Santos Dumont, na patente de Aspirante a Oficial da reserva. A convivência com diversos colegas de famílias e profissões diversas propiciaram a oportunidade de bons trabalhos gráficos.

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