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Almanaque2

Almanaque número 2, com o conteúdo completo das edições nº 7 a nº 12 da Revista Mensal Peripécias Contendo as Seções Destaques, Túnel do Tempo, Sociais, Turismo, Literatura, Sala de Leitura, Teatro, Arte, Personalidades, Poesias, Atualidades, do Fundo do Baú, Fotografia, Formaturas, Humor, Culinária, Esportes, Curiosidades, Aniversariantes, Classificados, Biblioteca, História de Família e Espaço do Leitor.

A Alfaiataria era na

A Alfaiataria era na Avenida Gomes Freire 55-A, no Centro-RJ. O Clube de Roupas era uma espécie de consórcio, você pagava uma mensalidade, por um determinado tempo, e se não fosse sorteado pelo número de sua inscrição, (não sei dizer como era o sorteio) no final do pagamento você tinha direito a um terno. Acho que tinha direito a escolher a fazenda para o terno. Sei que meu pai pertencia ao Clube de Roupa e em 1931, (veja a criatividade naquela época) paga $30:000 (trinta mil reis) por mês. Tenho anotações dele sobre isso. Além de ter sido Diretor do Clube Ginástico Português do qual foi fundador, com o irmão Antonio Alves Martins Corrêa, também foi com esse irmão, dono de uma Distribuidora de Bebidas. O fato de eu ter estudado com minha prima Maria Helena, na mesma turma na Escola Leitão da Cunha, na Rua Major Ávila, estreitou ainda mais o meu convívio com o tio Joaquim, porque por vezes fui à casa dele estudar com a Maria Helena matéria para provas. Nessa época que me deu uma caneta tinteiro que já mostrei em outro nº de PERIPÈCIAS e também deu uma para minha prima. A minha era marrom e a da Maria Helena era azul. Depois do estudo ainda jogávamos, bola de meia (com enchimento de retalhos de panos da costura do alfaiate) que tinha um manequim em casa e levava serviço para adiantar em casa. Quem jogava? Eu e o Oswaldinho, ou o Fernando e Carlos, a Maria Helena não. Após o banheiro, tinha um quarto nos fundos da casa que o tio Joaquim costurava, onde ficava o manequim. Encostávamo-lo na parede, e jogávamos bola com a mão um em cada lado do quarto. Não havia perigo de quebrar nada, só tinha pano. Era muito legal. Para que essa logística funcionasse de forma azeitada, por trás disso tudo estava a tia Virginia Sá Corrêa Alves, que dava conta de toda a Administração da Casa para essa turma realizar seus desejos, de trabalho, estudo e lazer E assim relembrando, homenageio nesse mês meu tio Joaquim, um grande amigo, que partiu muito cedo. Aliás, Francisco (meu pai), Antônio e Joaquim partiram com 59 anos. Mas tenho absoluta certeza que estarão em bom lugar.

O CAMINHO DE VOLTA... (Teta Barbosa - jornalista, publicitária e mora no Recife) Colaboração: Luciano Andrade Já estou voltando. Só tenho 50 anos e já estou fazendo o caminho de volta. Até o ano passado eu ainda estava indo... Indo morar no apartamento mais alto, do prédio mais alto, do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundasfeiras. Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe! Mas, com quase cinquenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo? No que ninguém conseguiu responder. Eu imaginei que quando chegasse lá, ia ter uma placa com a palavra "fim". Antes dela, avistei a placa de "retorno" e, nela mesmo, dei meia volta. Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo). É longe que só a gota serena! Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe. Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo. E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm para cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou). Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo), abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz: "a internet voltou!", já é tarde demais, porque o livro já está melhor que o Facebook, o Instagram e o Snapchat juntos. Aqui se chama "aldeia" e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar... Aí eu me lembro da placa "retorno", e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: "retorno – última chance de você salvar sua vida!" Você, provavelmente, ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: "Compre um e leve dois". Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta..."

Almanaque nº 1
Peripécias 12