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6 days ago

Revista Desporto&Sports ed 13 (versão gratuita)

A comunicação externa

A comunicação externa é um elemento crítico da vida do clube, ajuda a ganhar e a perder jogos, ajuda a ganhar e a perder campeonatos. Uma dessas modalidades de comunicação externa são os Mind Games. Ferguson é o técnico mais vitorioso da história do futebol inglês, considerado o melhor treinador de todos os tempos - em 39 anos de carreira, ganhou 49 títulos. Nos 27 anos que treinou o Manchester United (1986- 2013), conquistou 38 títulos, transformando-se numa lenda viva com direito a uma estátua no emblemático estádio do Manchester United. Ferguson sempre manifestou um talento nato para a comunicação, sentindo-se verdadeiramente como peixe na água. Os “Mind Games” são a prova cabal e inequívoca da inteligência emocional e do talento de Ferguson para passar a sua mensagem aos outros, um instrumento que o escocês sabia utilizar como ninguém. O Manchester United adquiriu uma dimensão mundial com Alex Ferguson, transformou-se num dos clubes mais mediáticos, o objetivo em todos os jogos era apenas um, vencer. Outro resultado não é espetável. A obrigatoriedade de vencer acarreta muita pressão para o clube. O objetivo dos “Mind Games” do treinador era retirar o máximo de pressão dos seus jogadores e, colocar essa pressão nos clubes adversários. É isto que confessou Andy Cole, ex avançado do clube inglês (Lourenço e Guadalupe, 2017: 110):“O objetivo de Ferguson era proteger o clube, afastando a pressão dos seus jogadores, ele era muito bom a fazer cair a pressão no treinador e nos jogadores das outras equipas. Tratava-se de um mecanismo de defesa que nos motivava pois éramos nós, o nosso pequeno mundo, o Manchester United contra o resto do mundo. Com a sua experiência, ele aproveitava os percalços e ia “para cima” dos nossos adversários mas conseguia lidar muito bem com a tensão que daí resultava. “Quando ele apontava para o relógio era obviamente para passar uma mensagem. Esta mensagem variava consoante o resultado no momento e podia ser dirigida para nós, para o nosso adversário ou até para os árbitros. Quando apontava para o relógio era um sinal que faltava pouco tempo, se estivéssemos a ganhar por apenas um golo num jogo equilibrado era sinal para mantermos a posse da bola. Se estivéssemos a perder ou empatados era sinal que chegava a altura de dar tudo o que tínhamos na procura do golo e da vitória " Nicky Butt - ex-atleta de Ferguson Muitos treinadores não sabiam lidar com os “Mind Games” dele e isso afetava-os, ele voltava-se e dizia: “estás na minha mão”. Ele usava a imprensa, sempre no intuito de tentar tirar algum proveito disso, tentando abalar os nossos opositores, limitandoos, pressionando-os e fazendo-os pensar. Enquanto tudo isto se passava nós permanecíamos no nosso círculo, motivados, confiantes, concentrados no que tínhamos de fazer para vencer.” Depois deste exemplo elucidativo sobre a forma como os seus jogadores viam e sentiam os “Mind Games” do treinador escocês, tenhamos em consideração a própria opinião de Fergie, (Ferguson, 2013: 247): “Por vezes joguei os meus trunfos. Dizer que acabávamos sempre as nossas campanhas numa passada larga e com maior capacidade para resolver os jogos poderia ser classificado como uma armadilha e, fiquei admirado por ver Carlo Ancelotti, treinador do Chelsea, cair nela no inverno de 2009. Cito-o “Alex diz que o United é mais forte na segunda metade da época, mas nós também”. Eu repetia-o ano após ano: “Esperem pela segunda metade da época.” Funcionou sempre. Fervilhava na cabeça dos nossos jogadores e criava receios nos adversários.

Alex Ferguson com alguns dos seus atleta mais famosos: Cantona, beckham e Ronaldo. Nessa segunda metade, o United surgiria como uma força invasora, jorrando fogo nos olhos de todos. Tornou-se uma profecia que nos realizava.” O treinador dá-nos outro exemplo, relembrando um episódio que aconteceu na temporada de 94/95, (Ferguson, 2013): “Quando o Kenny (Dalglish) estava no comando do Blackburn Rovers e eles saíram na frente da corrida para o título, contei: “Bem, esperamos que sejam como um Devon Loch, (famoso cavalo de corrida que no Grand National em Aintree, a cerca de 40 metros da chegada, comandava a corrida confortavelmente quando, caiu, perdendo a vitória).” Em cheio. Todos os artigos de jornais passaram a falar de Devon Loch e o Blackburn começou a perder pontos. Devíamos de ter ganho o campeonato mas o Rovers aguentou-se, ficámos a 1 ponto do título. Não há dúvidas que lhes tornamos a vida mais difícil ao agitar o fantasma do cavalo e daquele falhanço em Aintree.” Para que não restem quaisquer dúvidas sobre o talento de Ferguson para comunicar, vejamos um dos episódios mais marcantes dos “Mind Games” do escocês, o “Fergie Time” (Ferguson, 2013: 248): “Tocar no relógio era outra artimanha psicológica. O objetivo era provocar efeitos no adversário (...) Ao verem-me tocar no relógio e gesticular, os opositores assustavam-se. Pensavam logo que o árbitro iria dar mais 10 minutos, ou assim. Toda a gente sabia que o United era especialista em marcar golos tardios. Ao verem-me apontar para o relógio, os nossos adversários sentiam que teriam de defender durante um período de tempo que, para eles, pareceria uma eternidade. Sentiam-se encurralados. Sabiam que nós nunca desistíamos e que estávamos fadados para dramas ao cair do pano.” “LIDERATOR | A EXCELÊNCIA NO DESPORTO” é um livro que apresenta de uma forma inspiradora, objectiva e prática todos os principais factores da liderança desportiva de sucesso, bem como a transposição e aplicação ao universo das empresas e organizações. Contando com a participação especial de, entre outros, José Mourinho, Leonardo Jardim, Andy Cole e Nicky Butt, descodifica a “arte de liderar” de três casos de sucesso através da caracterização dos traços de personalidade de Alex Ferguson, José Mourinho e Guardiola, tornando esta obra indispensável para quem deseje conduzir uma equipa – desportiva/ empresarial – rumo aos objectivos. FB: @liderator

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