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Revista Desporto&Sports ed 13 (versão gratuita)

Como consequência, o

Como consequência, o EIR tem um impacto directo nos processos de identificação de talentos em desportos de invasão, onde há competição pelo espaço (como é o caso do Futsal). A selecção de jogadores é, normalmente, baseada na altura e no desempenho físico e os jogadores cronologicamente mais velhos, especialmente na infância e na adolescência (Baker et al., 2010; Mazzardo et al., 2016), encontram-se em níveis mais avançados de crescimento e maturação, tanto física como cognitiva. Este efeito pode levar a uma discriminação negativa dos jogadores que apresentam menos desenvolvimento ao serem excluídos prematuramente do processo de selecção de talentos e, inclusivamente, conduzir ao abandono da modalidade devido à desmotivação e à baixa percepção de competência (Baker et al., 2010). A vantagem proporcionada aos mais desenvolvidos para a idade em termos de prática pode ter não só um efeito de curto prazo (imediato) na selecção de talentos, mas também um efeito acumulado (a longo prazo) em termos de oportunidade para desenvolver treinos mais completos e de maior qualidade, associados aos estímulos motivadores da percepção de competência – factor determinante da participação desportiva, que se reflectirão no nível a atingir no futuro (Mazzardo et al., 2016). Estudo aplicado ao Futsal em Portugal O EIR tem sido documentado em diversas modalidades desportivas, nomeadamente, no Hóquei no Gelo (Pierson et al., 2014), no Basquetebol (Arrieta et al., 2016), no Futebol (Delorme, 2014) e também no Futsal no Brasil (Penna et al., 2012). Neste estudo pretendeu-se avaliar se o EIR se faz sentir no Futsal em Portugal ao nível das selecções nacionais e das selecções distritais. Foram consideradas duas subamostras num total de 711 jogadores portugueses de Futsal: uma constituída pelos 219 jogadores de Futsal internacionais “AA” por Portugal (143 masculinos e 76 femininos), com base na informação disponibilizada no site oficial da Federação Portuguesa de Futebol (http://www.fpf.pt/pt/ Jogadores); outra constituída por jogadores Sub 17 (264) e jogadoras Sub 19 (228), que integraram em 2017 as selecções distritais de Futsal nos respectivos torneios inter-associações. Os jogadores foram agrupados por mês de nascimento em 4 trimestres: 1º Trimestre- nascidos entre Janeiro e Março; 2º Trimestre- nascidos entre Abril e Junho; 3º Trimestrenascidos entre Julho e Setembro; 4º Trimestre- nascidos entre Outubro e Dezembro. Os gráficos das figuras 1 e 2 mostram a distribuição de frequências por trimestres no caso dos internacionais “AA” de Futsal em Portugal, masculinos e femininos, respectivamente. A análise estatística dos resultados mostrou, na selecção masculina (gráfico da figura 1), significativamente maior frequência de jogadores nascidos no primeiro trimestre, relativamente aos restantes, enquanto, na selecção feminina (gráfico da figura 2), não se verificaram diferenças significativas entre trimestres. Este diferencial entre géneros pode reflectir a diferença entre os processos de Futsal masculino e feminino. O rácio do número de internacionais “AA” masculinos versus femininos é da ordem dos 2:1. É normal que quanto maior for o número de praticantes numa dada modalidade, maior seja a probabilidade de ocorrer o EIR, devido à maior pressão de selecção, à maior concorrência por um lugar (Mazzardo et al., 2016). Na verdade a prática do Futsal feminino em Portugal é relativamente recente, com muito menor número de praticantes do que no sector masculino. Os gráficos das figuras 3 e 4 mostram a distribuição de frequências por trimestres no caso dos jogadores(as) de Futsal das selecções distritais em 2017, Sub 17 masculinos e Sub 19 femininos, respectivamente. No caso masculino (gráfico da figura 3), o efeito é significativo, verificandose ao longo do ano (do 1º para o 4º trimestre) uma progressiva diminuição da frequência dos jogadores, o que parece acentuar o EIR nesta nova geração de potenciais internacionais “AA”. No caso feminino (gráfico da figura 4), o efeito é apenas significativo entre as jogadoras nascidas nos 3 primeiros trimestres e as nascidas no 4º trimestre do ano, com menor frequência do 4º trimestre, o que de certa forma confirma o que se verificou ao nível das internacionais “AA”. REFERÊNCIAS DO TEXTO: -Andronikos, G., Elumaro, A. I., Westbury, T., Martindale, R. (2016). Relative age effect: implications for effective practice. Journal of Sports Sciences, 34 (12), 1124–1131. -Arrieta, H., Torres-Unda, J., Gil, S., Irazusta, J. (2016). Relative age effect and performance in the U16, U18 and U20 European Basketball Championships. Journal of Sports Sciences, 34 (16), 1530–1534. -Baker, J., Schorer, J., Cobley, S. (2010). Relative age effects: An inevitable consequence of elite sport? Sportwiss, 40, 26–30. -Delorme, N. (2014). Do weight categories prevent athletes from relative age effect? Journal of Sports Sciences, 32 (1), 16–21. -Mazzardo, O., Jacob, B. S., Dognini, T. G. L., Campos, W. (2016). A magnitude do efeito da idade relativa no Futsal. Caderno de Educação Física e Esporte, 14(1), 31–40. -Penna, E. M., Costa, V. L., Ferreira, R. M., Moraes, L. C. (2012). Efeito da idade relativa no Futsal de base de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 34(1), 41–51. -Pierson, K., Addona, V., Yates, P. (2014). A behavioural dynamic model of the relative age effect. Journal of Sports Sciences, 32 (8), 776–784. 40 •

Estes resultados abrem boas perspectivas para a realização de estudos mais alargados em termos de escalões e de regiões do país, às selecções jovens de Portugal e às selecções distritais, masculinas e femininas, que participam anualmente nos torneios inter-associações de Futsal. Interessará avaliar, por um lado, se o EIR tende a diminuir à medida que os escalões de formação se aproximam do escalão sénior, onde o diferencial de maturação tende a esbater-se (Mazzardo et al., 2016), e, por outro, se este efeito é mais evidente nos distritos do país onde o Futsal tem mais praticantes e onde o nível competitivo é mais elevado (realidades diferentes, litoral versus interior). Também importa confirmar se o EIR é específico apenas do género masculino em Portugal ou se a tendência de crescimento da participação feminina nesta modalidade também conduz à exacerbação deste efeito. Pode ser ainda interessante incluir neste estudo a análise em função da posição que os jogadores ocupam no campo, particularmente relevante se forem consideradas diversas abordagens ao modelo de jogo: desde o tipo de defesa (individual, zona, misto, pressionante ou não) ao sistema de jogo (em “GR+4:0”, em “GR+3:1” ou ainda em “GR+2:2”). Confirmando-se o EIR no Futsal, torna-se pertinente que as políticas de fomento e desenvolvimento da modalidade em Portugal perspectivem medidas que diminuam o impacto do mesmo. É fundamental que, sempre que possível, se organizem campeonatos e selecções distritais/nacionais por ano de idade e não por escalão e, preferencialmente por nível de maturação física e cognitiva. Por outro lado, será fundamental que a identificação de talentos possa estender-se até períodos mais tardios (nomeadamente nos escalões de Juvenis ou de Juniores) e que a revisão dos critérios utilizados passem a incluir características sólidas, não transitórias. FIGURA 1- Distribuição de frequências por trimestres no caso dos internacionais “AA” (masculinos) de Futsal em Portugal. FIGURA 2- Distribuição de frequências por trimestres no caso das internacionais “AA” (femininos) de Futsal em Portugal. FIGURA 3- Distribuição de frequências por trimestres no caso dos jogadores de Futsal das selecções distritais masculinas Sub 17, em Dezembro de 2017. FIGURA 4- Distribuição de frequências por trimestres no caso dos jogadores de Futsal das selecções distritais femininas Sub 19, em Fevereiro de 2017. • 41

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