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O Andarilho 1Trimestre 2018

Grupo Espírita

Grupo Espírita Caminheiros SENHORES DE NOSSOS DESTINOS Por Eliana Haddad Um dos maiores infortúnios humanos é a culpa e não há como ser feliz com o malestar existencial constante do pecado, do remorso, do medo e do castigo pela violação de regras impostas por uma divindade nem sempre tão fácil de ser compreendida. A sociedade vive momentos de conflito e, entre o mito, a fé e a razão, ainda não sabe muito bem como encontrar e explicar Deus. Conscientes de nossas limitações e negligentes ainda ante a alegria passageira e aparente, torna-se também um verdadeiro suplício tal ameaça. Bem orgulhosos ainda, muitos sequer cogitamos saber o que realmente se passa no nosso interior. Culpa, receio e arrependimento fazem parte da livre caminhada do ser. Porém, juízes de nós mesmos e senhores dos nossos destinos, não fomos jogados por Deus num mundo de responsabilidades estranhas e impossíveis de serem cumpridas. Afinal, se por definição, a palavra culpa se refere à responsabilidade dada à pessoa por um ato que provocou prejuízo material, moral ou espiritual a si mesma ou a outrem, vale ressaltar a profundidade do ensino dos Espíritos transmitido ao codificador Allan Kardec, na pergunta 636 de O livro dos espíritos – a lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende principalmente da vontade que se tenha de praticá-lo. O peso da nossa responsabilidade, portanto, está atrelado ao grau de conhecimento que possuímos da lei natural, pois também fora explicado que o homem é tanto mais culpado quanto melhor sabe o que faz. Acrescenta ainda Allan Kardec à resposta 637 que as circunstâncias dão relativa gravidade ao bem e ao mal. “Muitas vezes o homem comete faltas que, embora decorrentes da posição em que a sociedade o colocou, não são menos responsáveis. Mas a sua responsabilidade é proporcional aos meios de que ele dispõe para compreender o bem e o mal. É por isso que o homem esclarecido que comete uma simples injustiça é mais culpado do que o selvagem ignorante que se entrega aos instintos”. Fica esclarecido, assim, que Deus jamais poderia impor um sofrimento, por vingança ou capricho, nem conceder alegrias por privilégios, porque não seria nem justo, nem perfeito. Nem Deus. E os famosos jargões tolos e preconceituosos do “está pagando”, “não aprendeu por bem, está aprendendo por mal” são incompatíveis com a beleza da lógica do amor e só podem vir mesmo das cabeças confusas e pouco esclarecidas dos homens, numa sociedade que ainda deixa bastante a desejar tanto em conhecimento espiritual teórico como em conquistas morais, onde a caridade ainda passa bem longe dos corações. O Andarilho – 1°Trimestre 2018 4

Grupo Espírita Caminheiros O espiritismo bem compreendido é um alento, uma bússola para a transformação social, que passa a entender a engrenagem universal de uma forma fraterna, um instrumento para que não haja acomodação e indução à preservação da ignorância humana, persistindo-se no preconceito religioso, no ranço de um passado de medo de um Deus vingador. As ideias espíritas são realmente libertadoras, devendo por isso ser divulgadas na sua excelsa ética, da qual se deduz logicamente que Deus não julga, não cobra e não castiga. Ele não joga dados, como já tão bem afirmara o cientista Albert Einstein. Diz, sim, a doutrina espírita que “Deus não trabalha caprichosamente e que tudo no Universo se rege por leis, em que a Sua sabedoria e a Sua bondade se revelam”. Ninguém nasce para sofrer. Ser feliz é a nossa destinação. Não como fim, mas como caminhada constante, dependendo de nós a qualidade do impulso engendrado, também, na regeneração social da Terra. Vale lembrar que até podemos nos acomodar irresponsavelmente nessa linda morada azul. Porém, como não podemos retroceder, seremos inevitavelmente despertos para recomeçarmos justamente de onde havíamos desistido. O papel social da divulgação das ideias espíritas constitui-se de suma importância. Conserte-se o homem e a sociedade não precisará de reparos. Pela variedade de experiências e escolhas de cada um, a liberdade constitui-se também importante item de evolução e aprendizado. Escolhe melhor quem progrediu mais, por maior amplitude de visão. Isso explica as opções redentoras por reencarnações de sofrimentos ou limitações temporárias, onde a dor pode ser mera coadjuvante diante da grandiosidade do cenário da prova vencida, em que o sofrimento não é efeito de maldade anterior, de lição mal feita, de crimes hediondos ou de resgate abusivo de quem abusou da Lei, mas de coragem e maior missão. Espíritos que já galgaram os degraus da evolução, por amor ao próximo, podem ter em suas existências a tarefa de exemplificar ou despertar famílias, grupos e sociedades inteiras, haja vista Jesus. Sabedor dessa verdade, aliás, advertira ainda o grande mestre sobre a análise equivocada das dificuldades humanas: Não julgueis. O Andarilho – 1°Trimestre 2018 5

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