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Revista +Saúde - 10ª Edição

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EPILEPSIAS EPILEPSIAS Epilepsia é um distúrbio caracterizado pela predisposição persistente do cérebro a gerar crises epiléticas e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais dessa condição. Uma crise epilética isolada não define epilepsia. O diagnóstico da doença depende da recorrência das crises, do achado de eletrencefalograma com anormalidades epileptiformes ou de achados de neuroimagem, que estejam em concordância com a história clínica. As síndromes epiléticas foram classificadas de acordo com a Liga Internacional Contra Epilepsia (ILAE) em 1981. Essa classificação é continuamente revista. A nova proposta de classificação foi estabelecida pela ILAE em 2017. Considera a forma de apresentação e a evolução das crises, a topografia e a etiologia. É avaliado, por exemplo, se a crise é parcial ou generalizada, se cursa com sintomas motores, sensoriais ou psiquiátricos, se há ou não alteração de nível e conteúdo de consciência. Exames complementares identificam anormalidades cerebrais funcionais e/ou estruturais, provocando um desequilíbrio entre os fenômenos elétricos celulares de excitação e inibição. A incidência de epilepsia varia de 24/100.000 a 53/100.000 pessoas ao ano e a prevalência aproximada é de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. A epilepsia ocorre em qualquer idade, porém apresenta maior incidência durante os primeiros meses de vida e em pessoas com idade avançada. As principais etiologias de epilepsia são: congênita, infecciosa, tóxico-metabólica, pós-traumatismo, neoplásica, vascular, autoimune ou medicamentosa. Entretanto, apesar de extensa investigação clínica, um terço das epilepsias é de etiologia idiopática. O diagnóstico das crises e epilepsias é predominantemente clínico, baseado na história e exame físico. O elemento fundamental para diagnóstico é a anamnese, interrogando informações tanto do paciente, quanto de acompanhantes que presenciaram a crise. O diagnóstico diferencial deve ser atenciosamente pesquisado e, assim, apresentações clínicas secundárias a distúrbios cardíacos, psicológicos, psiquiátricos ou metabólicos devem ser consideradas. A maioria das crises epilépticas remite espontaneamente em minutos. A ocorrência de crises prolongadas ou repetitivas estabelece o diagnóstico de Estado de Mal epilético, emergência neurológica com protocolo de tratamento específico intra-hospitalar. O tratamento farmacológico depende da topografia do foco epileptogênico, da classificação da síndrome epiléptica, idade, comorbidades e demais condições clínicas do paciente, devendo ser individualizado. São ponderados eficiência, eficácia e efetividade do tratamento, considerando a disponibilidade do paciente para receber gratuitamente ou custear a farmacoterapia proposta. No curso da evolução, podem ocorrer complicações relacionadas ao próprio distúrbio (disfunções neurobiológicas consequentes da própria epilepsia), complicações do estado de mal epilético, ocorrência de morte súbita inexplicada e comorbidades psiquiátricas, presentes em 44 a 71% dos pacientes. Há, ainda, complicações relacionadas às drogas antiepiléticas, como efeitos adversos agudos e crônicos. O diagnóstico e tratamento adequado possibilitam reduzir o risco de complicações, proporcionando melhora da qualidade e da expectativa de vida desses pacientes. Não há forma de evitar e frequentemente não existe cura para a Epilepsia. Porém é possível evitar as crises epiléticas e suas complicações. Portanto, existe possibilidade de controle clínico da doença, o que justifica a importância do estudo e tratamento adequado das epilepsias. Dra. Claudia Soares Alves CRM/GO: 12.452 | CRM/MG: 4.100 | RQE: 7879 Médica Neurologista – Titular Academia Brasileira de Neurologia; *Neurologia; *Perícias; *Clínica de dor; *Eletroencefalografia; *Neuropsiquiatria; *Mapeamento cerebral. MAIS INFORMAÇÕES CONSULTE NOSSO GUIA NAS PÁGINAS 06 E 07 ,95

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