Views
6 months ago

Revista VOi 151

entrevista Para

entrevista Para começar, quais projetos para este ano? Estou voltando devagar para o ar com a participação na novela Orgulho e Paixão. Faço uma enfermeira, são poucos capítulos, mas é um começo. Morei fora três anos, tem um ano e meio que voltei, e tudo mudou. Produtores, atores, necessidades. Demorei um pouco a entender isso. Estava com uma peça em cartaz, mas a TV agora é meu foco. Fiz cinema nos EUA (Estados Unidos da América) que era o que queria. Você foi para os EUA estudar cinema? No início era só para aprender inglês, um curso de três semanas. Antes de ir achava que falava muito, e quando cheguei descobri que na verdade não falava nada. Resolvi ficar mais seis meses. Fui ficando e quando vi tinham passado três anos. Meu filho também se mudou comigo. Fiz o curso para aperfeiçoar o inglês e aproveitei para estudar cinema. Fiquei muito encantada com a indústria de Hollywood. Por que decidiu voltar? Estava me sentindo sozinha. No Brasil eu e meu filho sempre tivemos muitos amigos, e lá via ele sozinho, sempre no computador. Chegou uma hora que percebi que éramos muito só nós dois. As crianças lá não têm esse relacionamento de ir à casa dos amigos. Morou fora e retornou, quais são as principais diferenças no estilo de vida? Adoro o brasileiro e descobri isso lá. A gente tem uma descontração própria, vai para o barzinho, senta toma uma caipirinha, fica até o garçom te expulsar. Lá não tem isso. O americano é frio. Uma coisa que não tem comparação é a segurança, lá é muito melhor, isso é fato. Mas escuto das pessoas muitas comparações do tipo: “ah se fosse nos EUA, não estaria nessa fila, o imposto seria menor, o policial seria mais educado;” e não é bem assim. Tem todos os mesmos problemas. A segurança é o único ponto que não tenho o que reclamar. Aproveitando que tocou no assunto segurança. Hoje mora no Rio de Janeiro (RJ), qual seu sentimento em relação ao que a cidade se transformou? Destruíram a cidade maravilhosa. O Rio precisa urgentemente nascer de novo. É muita corrupção. Infelizmente, eu como cidadã, sou obrigada a conviver com miliciano, traficante. E isso é normal para os moradores, mas não deveria ser. Perderam-se os valores. Teria que reconstituir a polícia. É triste porque sou refém dentro da minha cidade. Uso carro blindado, evito sair sozinha e voltar muito tarde. Destruíram a cidade maravilhosa. O Rio precisa urgentemente nascer de novo. É muita corrupção Qual sua relação com seu filho? Meu filho é a melhor pessoa do mundo. Às vezes penso que não mereço ele, porque tenho um gênio explosivo. Ele é muito calmo, mantém o meu centro. Ele também é muito dedicado, estudioso. Ele joga futebol, já está fazendo testes para times profissionais. Apoia ele ser jogador? Apoio, porque o futebol é a vida dele. Vou aos treinos e aos jogos. Quando não posso ir sempre mando minhas amigas me representando. E ele não tem relação com o pai, então acaba que sou mãe e pai. Este mês tem Festival de Curitiba, que é o maior do Brasil no gênero. Você já participou dele há um tempo, o que acha de se apresentar para o público curitibano? Curitiba é uma cidade muito culta. A gente sempre fala que se der certo aqui dará certo em qualquer lugar, porque é um público muito exigente. Você é do Paraná. Quando decidiu que queria ir embora para ser atriz? Sou de Laranjeiras do Sul, é do lado de Cascavel. Meu avô mora lá ainda. Comecei com 12 anos em Curitiba, fiz balé no Teatro Guaíra. Com 19 anos fui embora do Paraná. Já tinha feito muito comercial aqui. Me mudei para o Rio de Janeiro. Cheguei na Globo, falei que queria deixar meu material, sem agendamento nem nada. A pessoa da recepção olhou para mim e disse que eu precisaria estudar um texto e gravá-lo. Ela foi muito querida porque me deu o texto, marcou a entrevista comigo, e fiz isso. Não deu nem 10 dias e já estava na Turma do Didi, com o Renato Aragão. 32 abril 2018 revistavoi.com.br

Por falar nisso, depois deu vida a Dona Gegê, um personagem cômico do Zorra Total. Gosta desse gênero? A última peça que fiz é uma comédia. É diferente, porque não sou uma pessoa engraçada normalmente, sou mais fechada, séria. Mas me chamam o tempo todo para comédia. Ela é difícil porque se perder o momento certo fica muito exagerado. A comédia brinca muito com o público, que é exigente. Tem piada que funciona para uma pessoa, mas não funciona para outra. Aí não adianta insistir. Qual papel mais te marcou? E qual gostaria de fazer? Meu primeiro papel foi na novela das 21h (horas), que foi em O Clone. Tanto pela Glória Perez ter me dado a oportunidade, quanto pela importância da novela. Tenho um carinho especial pela Beta. Sobre o futuro, queria fazer uma mulher muito ruim, feia, que fosse preciso me transformar muito. Não ter que me preocupar com a beleza, sabe? A TV você corta, pode melhorar, regravar e o próprio diretor está lá te orientando. No teatro não! É a improvisação abril 2018 33