Jornal Paraná Abril 2018

LuRecco

OPINIÃO

A surpreendente reviravolta do etanol

O mercado de biocombustível

vem atravessando um momento

completamente oposto ao

observado pelo açúcar

LUIZ GUSTAVO

JUNQUEIRA FIGUEIREDO (*)

Nos últimos anos, o

Brasil se tornou um

grande player no mercado

internacional de

açúcar, com volumes que representam

até a metade de tudo

que é transacionado no mundo.

Essa dominância tem gerado

reflexos nem sempre favoráveis

em outros países produtores,

que tentam se defender da alta

competitividade que encontramos

aqui, com uma combinação

de solo e clima que raramente

encontra paralelo em outras

regiões.

Fatores exógenos ao ambiente

de proteção, como políticas públicas

e interesses comerciais,

têm inibido a penetração da

commodity em destinos com

alto potencial de consumo, o

que é um dos maiores desafios

na nossa indústria.

A China, um mercado extremamente

promissor, subiu as tarifas

de importação no ano passado

de 50% para 95%. A Índia,

temendo uma queda de preço

no seu mercado doméstico,

adotou uma tarifa de 100%, o

que torna as exportações do vizinho

Paquistão inviáveis. O aumento

no protecionismo ocorre

em meio a um crescente desejo

desses países em protegerem

seus produtores rurais, na

maioria pequenos lavradores

que dependem da atividade para

sobreviverem. Preços elevados

de matéria-prima, fixados pelo

governo, são amplamente utilizados

para isso.

Apesar do fim nobre, temos

presenciado uma dicotomia

entre preços livres e regulados,

pois, à medida em que se protege

demais um mercado, não

são dados sinais claros para

que haja uma diversificação de

lavoura em anos de superoferta.

Dessa forma, as indústrias desses

países acabam, em algum

momento, não conseguindo

arcar com os pagamentos da

matéria-prima, forçando o governo

a subsidiar pesadamente

a atividade, na forma de exportações

com prejuízos aos cofres

públicos.

Não raro, o mercado doméstico

desses países se torna alvo de

importações via contrabando,

mostrando que excessos de

proteção incitam consequências

indesejáveis. Também espanta

a maneira como os produtores

de açúcar europeus

precificaram a beterraba para os

próximos anos. Muitos contratos

de fornecimento foram feitos

a um preço fixo por até três

safras. Sabemos que o mercado

mundial é notório em surpreender

os agentes em grandes

oscilações de preço. O resultado

dessa política desastrosa

é a manutenção da produção

europeia em níveis elevados,

a despeito de uma

queda colossal de

preços nos últimos

meses.

O mercado de etanol

vem atravessando

um momento

completamente

oposto. Desde que

a política de preços

dos derivados

de petróleo no

Brasil começou a

seguir as cotações

internacionais, tivemos

um enorme interesse dos produtores

em alocar um maior

mix de produção ao biocombustível.

De uma hora para outra,

tivemos um mercado livre,

com efeitos imediatos na demanda,

que respondeu favoravelmente

aos preços praticados.

O robusto crescimento econômico

global, aliado a uma restrição

de oferta de petróleo da

OPEP e da Rússia, colocou os

fundamentos e os preços em

patamares bem melhores do

que se imaginava. Ao mesmo

tempo, o componente dolarizado

do mercado de petróleo

acabou tornando o etanol sensível

ao câmbio. Como a maioria

das usinas possui dívidas em

dólar, ter um produto em estoque

que se valoriza quando a

cotação da moeda americana

dispara é um grande alívio em

momentos de estresse financeiro.

Aliado à grande liquidez, o etanol

não deve nada hoje a commodities

mais sofisticadas,

sendo possível obter proteção

de preço (hedge) de longo

prazo, através de operações financeiras

no mercado de gasolina

internacional. Essa visibilidade

de preços está ajudando

os contratos de derivativos

de etanol a aumentar a

sua liquidez, criando um círculo

virtuoso.

A recente aprovação do RenovaBio

só fez aumentar ainda

mais o interesse dos produtores

em direcionar cada vez mais a

sua produção e os seus investimentos

no combustível renovável.

Temos visto vários anúncios

de ampliação de capacidade

em usinas brasileiras, apesar

de, surpreendentemente, essa

expansão estar sendo atendida

por plantas de milho.

Como o Brasil se tornou um

grande exportador do cereal,

essa abundância de oferta se

traduz em custos de aquisição

extremamente interessantes.

Aliado ao fato de que muitos

equipamentos são comuns aos

dois produtos nas usinas de

cana, o investimento inicial é

baixo, e a produção é complementar

à cana, aumentando o

faturamento com o mesmo número

de funcionários.

Ainda é cedo para

quantificar os efeitos

do RenovaBio

nas decisões de

ampliação, mas,

certamente, a

previsão de crescimento

sustentado

do PIB brasileiro

nos próximos

anos ajudará

muito a criar

um ambiente favorável

a novos investimentos.

Há percalços no caminho?

Sim, e não podem ser desprezados.

Os preços do petróleo

podem sofrer uma forte correção

caso a restrição de oferta

não continue. Além disso, sabemos

da crescente importância

dos carros elétricos e híbridos

na matriz de produção

das grandes montadoras mundiais

nos próximos anos. No

curto prazo, porém, essas

ameaças não parecem conter

o entusiasmo com uma demanda

aquecida e revigorada

de combustíveis no Brasil.

A melhora nos fundamentos do

etanol irá continuar trazendo um

maior interesse dos produtores

em explorar seus atrativos, enquanto

o mercado de açúcar ficará

refém dessas políticas danosas

e ultrapassadas de artificialismos

de precificação de

matéria-prima, tornando mais

lenta e mais dolorida a solução

de sobreoferta mundial que enfrentaremos

neste próximo ciclo

de 2018/2019.

(*) Diretor Comercial da Usina

Alta Mogiana. Artigo publicado

originalmente na Revista Opiniões

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SAFRA

Outono pode ser mais chuvoso

Só quatro usinas do Paraná tinham retomado a moagem até 1ª quinzena de março,

e a perspectiva é que a maior parte só opere na primeira quinzena de abril

Até a 1ª quinzena de

março só quatro unidades

industriais do

Paraná tinham retomado

a moagem do novo

ciclo, produção contabilizada

ainda como da safra 2017/18.

A perspectiva é que a maior

parte das indústrias só esteja

em operação na primeira

quinzena de abril.

Segundo o presidente da Alcopar,

Miguel Tranin, as usinas

paranaenses têm postergado

a retomada da colheita

nos últimos anos buscando

corrigirem o ciclo do canavial,

além da falta de cana bisada,

que sobra de um ano para o

outro no campo. Também, as

chuvas mais intensas, um

maior período de insolação e

as temperaturas mais altas

aceleraram o crescimento da

cana-de-açúcar, mas, diminuiu

a concentração de açúcar

neste momento.

A preocupação agora é com

relação ao ritmo da safra. A

estação do outono este ano,

iniciada no último dia 20 de

março, pode ser um pouco

mais chuvosa do que o normal,

preveem os especialistas.

No Paraná, historicamente,

o outono é uma estação

onde os acumulados das chuvas

começam a diminuir e as

ondas de frio são mais constantes,

favorecendo a maturação

da cana e o andamento

da safra.

Mas a maioria dos modelos

divulgados para o trimestre

abril-maio-junho de 2018 predizem

que a La Niña decairá e

ingressará no ENOS-Neutro

durante outono. O consenso

dos prognósticos também favorece

a uma transição durante

o outono com a condição

de neutralidade até o inverno,

no segundo semestre

do ano.

De acordo com a previsão

disponibilizada pelo Instituto

Nacional de Meteorologia

INMET em meados de março,

observa-se que, para os estados

do Sul, ocorre uma recuperação

das chuvas em

relação aos últimos meses,

ou seja, mesmo com probabilidades

baixas, 35 % a 45%,

há uma expectativa de que

ocorra um pequeno aumento

das chuvas no sul do continente.

Confirmando a expectativa de

safra da Alcopar, até a primeira

quinzena de março tinham

sido esmagadas 36.749.318

toneladas de cana. Embora o

volume de cana seja menor

nesta safra, o rendimento industrial

compensou em parte

com uma produção de etanol

e açúcar maior: 2.916.329

toneladas de açúcar e 1,246

bilhão de litros de etanol,

sendo 570.711 milhões de litros

de anidro e 675.319 milhões

de hidratado.

Para a safra 2018/19, a expectativa,

diz Tranin, é repetir

os números da safra 2017/18

processando entre 36 a 37

milhões de toneladas de

cana-de-açúcar. O canavial

continua envelhecido e o percentual

de renovação ficou

aquém do considerado ideal.

Tranin comenta ainda que os

canaviais paranaenses têm

sofrido bastante com o avanço

da mecanização da lavoura,

prejudicando a produtividade.

Mas, acredita que o problema

deva ser resolvido assim que

as antigas variedades forem

sendo substituídas por outras

mais adaptadas à mecanização

e for usado os espaçamentos

adequados, além da

entrada de máquinas mais

modernas com avanços tecnológicos.

Jornal Paraná 3


INVESTIMENTO

Cooperval é pioneira na produção

de etanol de milho no Paraná

A capacidade atual é de produzir 50 milhões de litros/ano de etanol de cana-de-açúcar

e superará a 100 milhões com a produção adicional do de milho

ACooperval - Cooperativa

Agroindustrial

Vale do Ivaí Ltda, localizada

no município

de Jandaia do Sul - PR, deu

início à operação de uma

planta de produção de etanol

de milho, com capacidade de

150 mil litros por dia, sendo a

pioneira neste segmento no

Estado do Paraná.

A capacidade atual de produção

de etanol de cana-de-açúcar

é de aproximadamente 50

milhões de litros/ano e com a

produção adicional de etanol

de milho, a capacidade mais

que dobrará passando a ser

superior a 100 milhões de litros,

segundo o diretor presidente

da Cooperval, Fernando

Fernandes Nardine.

Além da produção de etanol

de cana-de-açúcar e de milho,

a primeira usina flex do Estado

também produzirá cerca de 70

toneladas/dia de DDG (Dried

Destillers Grain), um composto

residual de milho e levedura

que apresenta elevado teor de

energia e proteína, utilizado na

composição de ração animal,

principalmente para alimentação

bovina e suína.

A tecnologia de produção de

etanol e DDG é similar ao processo

utilizado nos Estados

Unidos e Canadá. Para isto, a

Cooperval mantém cooperação

tecnológica com empresas

de projeto e de tecnologias

industriais.

Faturamento será bem maior, dando maior sustentabilidade a cooperativa e a seus cooperados

A nova unidade da usina flex é

composta pelos setores de recepção

e armazenagem de

milho, moagem, cozimento e

propagação de fermento, fermentação,

destilaria e secagem

do DDG. No empreendimento,

foram utilizados

recursos financeiros próprios

e parte dos equipamentos foi

financiada pela linha Finame/

BNDES.

Também, boa parte dos equipamentos

(cozedores, tanques

de propagação, peneiras,

ciclones, tubulações, estruturas

de suportação (pipe-rack),

instalações elétricas, montagem,

etc), foram fabricados e

montados pelos mecânicos,

caldeireiros, operadores e técnicos

da própria Cooperval e

as construções civis (moega

de recebimento do milho, bases

de equipamentos, parte

dos prédios da indústria e pisos)

foram executadas pela

equipe de manutenção civil da

cooperativa.

A diretoria e o grupo gerencial

da Cooperval estão muito otimistas

com o novo empreendimento.

“Nesta oportunidade

queremos elogiar e agradecer

imensamente nossa equipe de

colaboradores pela excepcional

dedicação e pela competência

demonstradas na execução

dos serviços de fabricação

e montagem dos equipamentos”,

disse Nardine. Da

mesma forma, ressaltou “estamos

muito contentes com o

desempenho dos operadores

na partida deste novo processo

industrial”.

4 Jornal Paraná


Vantagens são muitas

Vários fatores importantes pesaram

na decisão da Cooperval

de implantar uma usina flex

na região. Um deles é que como

essa estrutura pode operar

o ano inteiro, os riscos inerentes

ao segmento sucroalcoleiro,

relativos ao clima (chuvas

em excesso ou falta, geadas),

serão praticamente eliminados,

permitindo produzir

etanol 360 dias por ano, afirma

o diretor presidente da Cooperval,

Fernando Fernandes

Nardine.

A região Norte/Noroeste do Paraná,

onde a usina está instalada,

tem grande produção de

milho, o que facilita a sua aquisição

para o processamento e

produção de etanol. Além de

abrir mercado para os produtores

de milho da região do

Vale do Ivaí, a Cooperval possui

muitos cooperados que

além da cana, produzem bastante

milho, sendo duplamente

beneficiados.

Outro ponto fundamental é que

com a produção adicional de

etanol de milho e DDG (ração

animal), o faturamento será

bem maior, o que permite melhor

sustentabilidade da cooperativa

e de seus cooperados. A

comunidade local também será

beneficiada com maior renda,

mais geração de empregos

e desenvolvimento social da

região.

A Cooperval possui 130 cooperados

produtores de canade-açúcar

e a usina de açúcar

e etanol tem capacidade

de processamento de 1,3 milhão

de tonelada de cana por

ano. Com a nova unidade

operando o ano todo, poderá

processar adicionalmente

uma média de 138 mil toneladas

de milho, ou seja, 2,3

milhões de sacas de 60 kg

que serão adquiridas nos

municípios vizinhos.

Usina flex terá capacidade de processar 1,3 milhão de tonelada

de cana por ano e 138 mil toneladas de milho

A Cooperval gera 1.300 empregos

diretos e tem um faturamento

superior a R$ 200

milhões por ano, contribuindo

com aproximadamente R$ 26

milhões em impostos, encargos

sociais e assistência médica/hospitalar.

“Com a nova

unidade, esperamos aumentar

a geração de empregos e proporcionar

maiores oportunidades

de desenvolvimento sucroeconômico

de nossa região”,

afirmou Nardine.

Jornal Paraná 5


EVENTO

Usina Bandeirantes e

CTC promovem dia de campo

Foram expostas variedades que estão sendo testadas pela usina e ministrada

palestra sobre o uso de mudas pré-brotadas e meiosi, para reduzir custos

DA ASSESSORIA

DE COMUNICAÇÃO

AUsina Açúcar e Álcool

Bandeirantes

S.A. (Usiban) realizou,

no último dia 2

de março, o primeiro Dia de

Campo para parceiros e fornecedores

de cana, na cidade

de Bandeirantes (PR), em

parceria com o Centro de Tecnologia

Canavieira (CTC), empresa

100% nacional com foco

em pesquisa, desenvolvimento

e comercialização de

variedades de cana-de-açúcar.

Durante o evento, foram expostas

variedades de cana

desenvolvidas pelo CTC e que

estão sob análise da Usiban

para incorporação no seu planejamento

de renovação do

canavial. Os produtores puderam

conhecer mais sobre as

variedades CTC9001,

CTC9005HP, CTC4, CTC20,

CTC9003 e CTC9002, assim

como sobre o trabalho do

CTC, que, por meio de variedades

de alta performance e

atendimento especializado,

busca ajudar o produtor rural

a ampliar a produtividade, a

sanidade e a longevidade do

canavial, resultando em aumento

de receitas e potencial

redução de custos.

Na oportunidade, também foi

ministrada palestra pelo engenheiro

agrônomo Ivo Francisco

Bellinaso, especialista

em Tecnologia Agroindustrial

do CTC, que abordou o uso

de mudas pré-brotadas

(MPB) e do Método Interrotacional

Ocorrendo Simultaneamente

(meiosi) como forma

de redução de custos no plantio

da cana. Durante sua apresentação,

o agrônomo explicou

o uso dessas técnicas

para a redução de custos na

etapa de plantio da cana.

“Os métodos de multiplicação

são muito importantes porque

trazem vantagens para o dia a

dia do produtor. O principal

benefício do sistema de meiosi

é a multiplicação rápida de

materiais novos, sadios e de

alto desempenho agrícola.

Com ele, os produtores economizam

mudas e reduzem

gastos com logística, já que a

muda se encontra no mesmo

local onde será plantada”,

disse Bellinaso.

“Neste dia de campo foi possível

mostrar aos participantes

o que o melhoramento

genético em cana-de-açúcar

pode proporcionar. Por meio

de dinâmicas em campo provamos

a superioridade em

TCH e ATR das variedades

mais novas do CTC, como a

série 9000, frente aos padrões

atuais de mercado”,

avalia Bruno Planas, representante

técnico de vendas do

CTC.

“A Usiban entende que os fornecedores

de cana constituem

a base do setor sucroalcooleiro

e que a união entre

as partes deve ser sempre

desenvolvida com transparência

e confiança. No dia de

campo buscamos fortalecer

os laços com nossos fornecedores,

estimulando o aprimoramento

contínuo de processos

agrícolas e manejo

varietal”, afirma Marcelo Pinheiro,

gerente agrícola da

usina.

O CTC – Centro de Tecnologia

Canavieira é uma empresa

100% nacional com foco em

pesquisa, desenvolvimento e

comercialização de variedades

de cana-de-açúcar e outras

tecnologias. Tem como

acionistas o BNDESPar e os

principais grupos do setor sucroenergético,

representando

mais de 60% da produção de

açúcar e etanol do Brasil.

Foi possível mostrar

aos participantes o

que o melhoramento

genético em canade-açúcar

pode

proporcionar

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OPORTUNIDADE

Alcopar investe em capacitação

Além do programa de Residência em Engenharia Agronômica no Paraná,

inicia em abril o Curso de Especialização em Produção Vegetal

Investir em capacitação

da equipe é investir no

sucesso do negócio,

pois resulta em redução

de custos, menor rotatividade

de pessoal, maior produtividade

e competitividade.

Por isso a Alcopar sempre

prioriza os investimentos

em capacitação dos

profissionais de suas associadas.

Este ano, em parceria com

a Universidade Federal do

Paraná (UFPR) e a Universidade

Federal Rural do Rio de

Janeiro (UFRRJ), realiza a

décima edição do programa

de Residência em Engenharia

Agronômica no Paraná,

com início dia 1 de abril.

As provas de seleção foram

realizadas em março na

sede da Alcopar em Maringá,

no Paraná e na sede

da UFRRJ, no Rio de Janeiro.

Voltado para engenheiros

agrônomos formados

há no máximo três

anos, o programa, que iniciou

em 2005, tem como

objetivo promover o aprimoramento

de conhecimentos,

habilidades e atitudes indispensáveis

ao exercício da

Agronomia especializada

em cana de açúcar, e é desenvolvido

nas usinas sucroenergéticas

paranaenses

através de intensivo treinamento

profissional em serviço,

sob supervisão.

Equipe de profissionais das usinas e professores que participaram da seleção de candidatos a residência

Através da residência já foram

capacitados centenas

de profissionais de todo o

País, servindo de porta de

entrada no mercado de trabalho.

Cerca de 90% dos residentes

foram absorvidos

pelas usinas do Estado, ressalta

o professor da UFRRJ,

Eduardo Lima, coordenador

do programa. “É um trabalho

que se destaca pela

qualidade na formação de

mão de obra. O Paraná se

tornou um celeiro de engenheiros

agrônomos especializados

no setor sucroenergético”,

afirmou.

Além das aulas práticas, durante

o primeiro ano será

ofertado aos residentes um

curso de aperfeiçoamento,

com 200 horas aula e o residente

receberá uma bolsa

de estudo no valor equivalente

a, no mínimo, a uma

bolsa de aperfeiçoamento

dos Órgãos Financiadores

de Pesquisa do Governo Federal

e um seguro pessoal.

Em paralelo, em abril iníciará

o Curso de Especialização

em Produção Vegetal

elaborado especialmente

para o setor no Paraná. Ministrado

pelos professores

da UFPR E UFRRJ é voltado

para engenheiros agrônomos

vinculados as unidades

industriais paranaenses.

As aulas são ministradas na

Estação Experimental da

Universidade Federal do Paraná,

em Paranavaí.

O assunto abordado na especialização

é o mesmo da

residência, mas com um nível

maior de aprofundamento.

O objetivo é capacitar

as equipes das usinas

em novas e modernas tecnologias

da cultura canavieira,

buscando respostas

para os problemas que tem

surgido na cultura. O curso

se encerra em março de

2019.

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BIODIESEL

Com B10, produção

deve ser 29% maior

O volume deve chegar a 5,4 bilhões de litros este ano, frente aos 4,2 bilhões de litros no ano passado

Apartir de março,

todo o diesel comercializado

no

Brasil deve ser

B10, com 10% de biodiesel.

A medida, prevista na

Lei 13.263/2016, é mais

um passo rumo à transição

energética para fontes renováveis.

A União Brasileira do Biodiesel

e Bioquerosene

(Ubrabio) calcula que a

evolução da mistura - que

era de 8% - deve elevar em

29% a produção de biodiesel

em 2018, em relação a

2017, ajudando na recuperação

da indústria e agregando

valor às matériasprimas.

O volume deve chegar a

5,4 bilhões de litros este

ano, frente aos 4,2 bilhões

de litros no ano passado. O

total esperado está dentro

da capacidade autorizada

pela Agência Nacional do

Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

(ANP) para

produção de 7,9 bilhões de

litros por ano.

A preços atuais, a produção

e o consumo de 5,4

bilhões de litros de biodiesel

em 2018 equivalem a

economia de cerca de US$

2,8 bilhões na balança comercial

brasileira, pois cada

litro de biodiesel substitui

um litro de diesel de

petróleo.

Ampliar o uso do biodiesel

significa contribuir

com a interiorização e

verticalização da produção.

Além das externalidades

sociais e ambientais,

o aumento para B10

resultará em benefícios

econômicos mais imediatos,

já que a necessidade

de importação de óleo

diesel será menor.

Também, o aumento no

volume necessário de biodiesel

para suprir a demanda

nacional movimentará

a economia nos setores

de produção e transporte

e contribuirá para

racionalização da logística.

As usinas de biodiesel

estão espalhadas pelo interior

do país em todas as

regiões, enquanto as refinarias

de petróleo estão situadas

majoritariamente

na faixa litorânea.

Além disso, com a perspectiva

de crescimento da

demanda de diesel, o país

precisará importar mais

combustível fóssil, utilizando

uma infraestrutura portuária

que está no limite. O

biodiesel, combustível limpo

e sustentável, será importante

para mitigar essas

limitações.

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Jornal Paraná


Mais segurança energética e alimentar

A produção de biodiesel de

soja, no ano, deve ser de 3,7

bilhões de litros, absorvendo

17 milhões de toneladas de

soja, em média 15% dos 110

milhões de toneladas esperados

no Brasil.

Desde sua criação, um dos

pilares do programa de biodiesel

tem sido a inclusão social

através do selo "Combustível

Social", concedido

pela Secretaria Especial de

Agricultura Familiar e do Desenvolvimento

Agrário (vinculada

à Casa Civil da Presidência

da República) aos produtores

de biodiesel que adquirem

matéria-prima da agricultura

familiar e asseguram

assistência e capacitação

técnica.

O selo é o maior programa de

transferência de renda para a

agricultura familiar no Brasil.

São 38 usinas que o detém.

Em 2016, mais de 72 mil famílias

de agricultores forneceram

matérias-primas e receberam

assistência técnica

e insumos. O valor alcançou

R$ 4,3 bilhões em 2016. Este

número deve ser superior em

2017 (ainda não divulgado) e

ainda maior em 2018, com o

incremento para B10, auxiliando

o desenvolvimento de

regiões envolvidas na cadeia

produtiva do biodiesel.

A ampliação do uso do biodiesel

vai estimular o processamento

interno de soja.

Com as sucessivas safras recordes

de soja, o Brasil possui

capacidade de ampliar o

percentual de processamento

para produzir mais óleo e farelo

para incrementar a produção

de alimentos.

O aumento do consumo de

óleo para biodiesel viabiliza a

expansão da produção de farelo

para a cadeia proteica,

que é a verdadeira demanda

crescente da alimentação

global; dinamiza a produção

de proteínas estendendo a

oferta às demais cadeias derivadas

de proteínas animais:

Só de biodiesel de soja serão 3,7 bilhões de litros

bovinos, aves, suínos, ovos,

lácteos, peixes e derivados.

Produzir mais biodiesel significa

gerar mais segurança

energética e também segurança

alimentar.

Qualidade de vida e do ar

Outro fator destacado pela

Ubrabio é a melhoria na qualidade

do ar e redução de

emissões de gases de efeito

estufa. A substituição de

combustíveis fósseis por renováveis

é uma tendência

mundial. Entre 2005 e 2017,

54 milhões de toneladas de

CO 2 foram evitadas, o equivalente

ao plantio de 395 milhões

de árvores, o suficiente

para ocupar uma área como a

Bélgica.

Ao final de 2018, serão 63,2

milhões de toneladas de CO2

evitadas, ou 462 milhões de

árvores novas. ¨Isto é qualidade

de vida", explica o diretor

superintendente da Ubrabio,

Donizete Tokarski.

nações públicas decorrentes

da poluição.

Em termos de custos, seriam

economizados cerca de R$

745 milhões nessas regiões

com custo de mortes e mais

de R$ 22 milhões com internações,

apenas na rede pública.

A substituição de combustíveis fósseis por renováveis é uma tendência mundial

O B10 pode reduzir em termos

de custos com internações,

afastamentos do trabalho e

mortes decorrentes de problemas

de saúde causados pela

poluição. Segundo estudo do

Instituto Saúde e Sustentabilidade

(2015), considerando o

uso do B10 durante uma década,

apenas nas regiões metropolitanas

de São Paulo e Rio

de Janeiro, seriam evitadas

4,5 mil mortes e 9,6 mil inter-

Estima-se que serão gerados

47 mil empregos diretos e indiretos

ao longo de toda a cadeia

produtiva, inclusive com

a retomada de empreendimentos

que estão parados. Segundo

estudo realizado pela

FIPE, em comparação ao diesel

fóssil, a capacidade do biodiesel

de gerar empregos é de

113% maior. Já em relação ao

Produto Interno Bruto (PIB), o

potencial é 30% maior.

Jornal Paraná 9


DOIS

PONTOS

Renovabio

A futura negociação de créditos

de descarbonização

estabelecida pelo RenovaBio

tende a ficar restrita a produtores

de biocombustíveis e

distribuidoras, embora uma

eventual participação de outros

agentes pudesse levar liquidez

a esse mercado, avalia

lideranças do setor. Um

primeiro decreto com orientações

gerais foi publicado,

mas ainda serão definidas as

metas de descarbonização e

a forma como serão negociados

os chamados CBIOs,

créditos que as distribuidoras

terão de adquirir junto a

produtores de biocombustíveis

para o cumprimento de

objetivos anuais de redução

de emissões. Pelos termos

do decreto, a distribuidora

que não atingir seu objetivo

anual, comprovado via compra

de CBIOs, poderá ser

multada em até 50 milhões

de reais. A expectativa é de

que o Conselho Nacional de

Política Energética divulgue

essas metas até junho, dentro

do prazo de seis meses

após a sanção da lei.

Toyota

Etanol de milho

Duplicação

A Toyota quer ser a primeira montadora a produzir um veículo

capaz de rodar com gasolina, álcool ou eletricidade. A empresa

apresentou o Prius Hybrid Flex, que ainda é um protótipo. O

desenvolvimento está sendo feito por engenheiros brasileiros,

que já conhecem o sistema bicombustível dos carros nacionais.

O casamento com o motor elétrico ocorre da mesma

forma que no Prius convencional, a gasolina. O protótipo é

capaz de rodar consumindo apenas eletricidade no trânsito urbano.

As baterias são recarregadas durante desacelerações ou

por meio do motor a combustão, mais usado na estrada e nos

momentos em que é preciso mais potência.

CTC

Já iniciou no Brasil o plantio

da primeira cana geneticamente

modificada com genes

de Bt (Bacillus thuringiensis)

para resistência à

broca. De acordo com o

Centro de Tecnologia Canavieira

(CTC), foram implantados

os primeiros 400 hectares

da cultura em 100 unidades

do País. Em um primeiro

momento essa cana

não será moída nesta temporada.

O objetivo é que as

usinas trabalhem primeiro na

sua multiplicação à espera

da aprovação dos países importadores

de açúcar. Projeta-se

um prazo de cerca de

três anos de multiplicação

no campo para só então

atingir o plantio em escala. O

CTC planeja submeter à

CTNBio mais duas variedades

da planta resistente à

broca na safra 2018/19.

A produção de etanol de

milho deverá atingir 830 milhões

de litros neste ano no

Brasil, 58% mais do que em

2017, conforme estimativa

da consultoria Datagro. Em

2021, a produção deverá

atingir 3 bilhões de litros,

com a utilização de 7,1 milhões

de toneladas do cereal.

Os dados levam em consideração

projetos já em andamento

e os que estão para

ser instalados.

Centro-Oeste

O Centro-Oeste encontrou

no etanol um caminho para

verticalizar parte de sua

crescente produção de milho,

que em sua maior parte

vai para exportação. Agricultores,

usinas de cana e investidores

estrangeiros estão

tirando do papel projetos de

usinas do biocombustível à

base do cereal que deverão

acrescentar mais de 1 bilhão

de litros de capacidade até

2019, volume equivalente a

quase um mês de consumo

de etanol hidratado no país.

Ao menos seis usinas do gênero

deverão ser construídas

ou ampliadas em 2018 na

região, a partir de cerca de

R$ 2 bilhões em investimentos.

Quando todas estiverem

operando a pleno vapor, sua

demanda por milho deverá

superar 3 milhões de toneladas

por ano, ou cerca de 6%

da safra do Centro-Oeste.

Hoje, as usinas que usam

milho para fabricar etanol demandam

aproximadamente 1

milhão de toneladas - 2% da

oferta da região.

Cana transgênica

A FS Bioenergia, a primeira

usina de etanol 100% do

milho do Brasil, iniciou a

obra de duplicação da planta

de Lucas do Rio Verde. O

investimento é de R$ 350

milhões, gerando mais 720

empregos diretos e indiretos.

A planta, inaugurada em

2017, apresenta bons resultados,

surpreendendo positivamente

nas vendas de

DDGS e etanol. Com a ampliação

da planta, a previsão

é que sejam moídas 1 milhão

e 300 mil toneladas de

milho por ano, com produção

anual de 530 milhões

de litros de etanol, 400 mil

toneladas de farelo de milho,

15 mil toneladas de óleo

de milho e capacidade de

cogeração de energia de

132MW/h, suficiente para

abastecer uma cidade de

cerca de 55 mil habitantes.

A Embrapa Agroenergia assinou

contrato de parceria de

quatro anos para a produção

de uma nova variedade transgênica

de cana resistente à

broca, maior praga da cultura,

e ao herbicida glifosato, o mais

usado no setor. A expectativa

é que em até quatro anos a variedade

esteja disponível para

negociações. A diferença dessa

cana será a combinação de

dois modos de ação para ampliar

a proteção contra a broca

e oferecer resistência ao herbicida.

A broca é responsável

por perdas que chegam a R$ 5

bilhões por ano ao reduzir as

produtividades agrícola e industrial

e a qualidade do açúcar,

além de gerar custos com

inseticidas. O objetivo de incluir

a resistência ao glifosato tem

como objetivo diminuir o total

de aplicações do herbicida, reduzindo

o gasto com o produto

e mão de obra no campo. Os

primeiros testes de campo começarão

em dois anos e deverão

durar mais dois anos.

10 Jornal Paraná


Desafio

O maior desafio aos produtores de cana é recuperar a produtividade

da cultura. Essa foi a avaliação de representantes

do setor reunidos em simpósio realizado pela Embrapa, em

Ribeirão Preto (SP). A produtividade da cultura começou a

recuar após o boom de investimentos no setor, entre 2003

e 2010, após o advento dos veículos flex fuel. A disparada

na produção de etanol trouxe um avanço desordenado no

cultivo das lavouras.

Safra menor

A safra de cana 2018/19 no

Centro-Sul do Brasil será

“certamente” menor ante a

2017/18, dado o envelhecimento

e o desenvolvimento

não pleno das plantações,

disse o sócio-diretor da consultoria

Canaplan, Luiz Carlos

Corrêa Carvalho. A renovação

inadequada dos canaviais,

12% em vez dos 20%

demandados, reflexo das dificuldades

financeiras pelas

Diesel

quais ainda passa o setor,

tem levado a um envelhecimento

contínuo das plantas,

acarretando em perda de produtividade.

Já o “atraso” é resultado

de uma estiagem entre

setembro e outubro do

ano passado, que retardou o

desenvolvimento da cana no

campo. O quão menor a safra

será neste ano dependerá do

desenrolar climático nos próximos

meses.

A Toyota vai parar de vender

carros a diesel na Europa, iniciando

a eliminação gradual

ainda neste ano. Cada vez

mais cidades europeias estão

investindo em projetos para

melhorar a qualidade do ar urbano,

limitando o número ou

os modelos de automóveis

que podem circular nas zonas

centrais. Grandes cidades,

como Paris, anunciaram planos

para proibir o diesel, enquanto

um dos principais tribunais

alemães abriu, no mês

passado, o caminho para as

cidades também proibirem.

Em julho do ano passado, a

Volvo anunciou que todos os

seus modelos terão motores

elétricos a partir de 2019, o

que a tornou a primeira montadora

de automóveis convencional

a decretar o fim dos

veículos movidos apenas por

motores de combustão. Outras

montadoras fazem movimentos

similares.

Mais quentes

Os três últimos anos, 2015,

2016 e 2017, foram os mais

quentes já registrados, e o

ritmo do aquecimento global

constatado durante este período

foi "excepcional", advertiu

a ONU. É

utilizado o período

1880-1900

como referência

para as condições

existentes na era

pré-industrial. Segundo

os últimos dados, a

OMM constatou que a temperatura

média na superfície

do globo em 2017 e 2015 ultrapassou

em 1,1°C a da

época pré-industrial. Dos 18

anos mais quentes, 17

pertencem ao século

21, e o ritmo de aquecimento

constatado

nestes três últimos

anos é excepcional.

A produção mundial de açúcar

deve atingir recorde de

178,698 milhões de toneladas

na safra atual 2017/18,

que termina em setembro

deste ano segundo a Organização

Internacional do Açúcar.

O aumento da oferta no

ciclo será de mais de 6%, ou

10,470 milhões de toneladas

O Supremo Tribunal Federal

(STF) julgou constitucional o

Código Florestal de 2012. Dos

22 dispositivos questionados

nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade

da Procuradoria-Geral

da República e do

PSOL, apenas dois foram declarados

inconstitucionais e

Com maior demanda, etanol

tem preço mais rentável, enquanto

açúcar apresenta

queda no preço desde 2017.

Setor prevê menos cana na

lavoura, mas clima deve ajudar

a manter qualidade da

matéria-prima. Diante de

uma maior procura pelo etanol

nos postos, a região

em relação à safra anterior,

apesar de uma queda "significativa"

da oferta projetada

para o Brasil. Há a expectativa

de "ganhos de produção

maciços" na China, na União

Europeia e na Índia. Para a

Tailândia, em especial, a expectativa

é de produção recorde.

Código Florestal

Investimento mundial em

energia limpa totalizou US$

333,5 bilhões no ano passado,

uma alta de 3% em relação

a 2016 e segundo

maior investimento anual da

história, levando o montante

acumulado desde 2010 para

Recorde

outros quatro receberam interpretação

conforme a Constituição.

Todos os outros temas,

de enorme relevância

para o produtor rural, foram

mantidos intactos pelo STF. O

Supremo pôs término, assim,

a um longo período de insegurança

jurídica.

Energia limpa

US$ 2,5 trilhões. China impulsionou

o investimento

global em energia limpa em

2017 com um crescimento

extraordinário nas instalações

fotovoltaicas. Brasil investiu

US$ 6,2 bilhões, alta

de 10%.

Açúcar

Centro-Sul do país deve deixar

de produzir até 5 milhões

de toneladas de açúcar na

safra 2018/2019, estima a

Unica, que ainda não divulgou

sua projeção para a

safra 2018/2019. Segundo a

Datagro, essa produção deve

atingir 577 milhões de toneladas.

FPA

Tomou posse a nova diretoria

que vai compor a gestão

da Frente Parlamentar da

Agropecuária (FPA) em

2018. A deputada Tereza

Cristina (DEM/MS) assume

a presidência, no lugar do

deputado Nilson Leitão

(PSDB/MT), que assumiu a

liderança do partido na Câmara

dos Deputados. Tereza

deixa o cargo de vicepresidente,

posição que

ocupou em 2017.

Dobrar

O consumo de biocombustíveis

no Brasil deve dobrar

até 2040 em relação ao patamar

de 2016, o que deve

aumentar a participação

das fontes renováveis na

matriz energética nacional,

de acordo com estimativa

da companhia britânica BP,

em suas previsões para o

mercado global de energia.

A BP estimou que os biocombustíveis

terão uma

participação de 24% em todo

o consumo de combustíveis,

ante 15% em 2016.

Jornal Paraná 11


CANA-DE-AÇÚCAR

Paraná demanda maturação induzida

Mas é preciso escolher bem o

maturador para obter o máximo de

eficiência agronômica, atentando

também aos demais fatores

No Paraná e na região

sudeste do

Brasil, o processo

natural da maturação

ocorre na entrada do

outono e se intensifica no

inverno, principalmente em

variedades precoces, chegando

num ponto máximo

na curva de maturação em

setembro. A diminuição da

temperatura e redução de

chuvas sinalizam para cultura

a necessidade de acúmulo

de sacarose, acentuando

o processo de maturação

fisiológica natural,

explica o pesquisador e engenheiro

agrônomo, doutor

Anderson Gualberto, da

UEM e diretor do Instituto

de Tecnologia Agropecuária

de Maringá.

Mas, ressalta, nos estados

do Paraná e Mato Grosso do

Sul, que apresentam mais

umidade mesmo com a chegada

do inverno, em relação

a outros estados produtores

de cana-de-açúcar, pode se

observar um comportamento

eco fisiológico da cana

menos propenso a maturação

natural. “Levando em

conta os fatores edafoclimáticos,

faz se necessário, praticamente

durante toda a

safra, a técnica de maturação

artificial ou induzida,

com uso de produtos químicos,

denominados maturadores”,

afirma.

No inicio de safra, diz, justifica-se

o uso de maturadores

para reforçar a maturação fisiológica,

antecipando ciclo

e melhorando o acúmulo de

sacarose; no meio de safra,

auxilia a maturação natural; e

no final de safra, para manter

e garantir a qualidade ganha

nos meses anteriores, não

impondo stress vegetativo

irreversível a planta.

O pesquisador explica que

os maturadores alteram a

atividade de enzimas (invertases)

que catalisam o acúmulo

de sacarose nos colmos,

além de promover alterações

morfológicas e fisiológicas

na planta, podendo

implicar em modificações na

qualidade e na quantidade da

produção. Pode diminuir ou

não o crescimento da planta,

aumentar o teor de sacarose,

dar precocidade de maturação

e aumentar a produtividade.

“Sua aplicação no sistema

de produção da cana tem

Gráfico 1. ITAM-UEM, 2017. Relação da ação de maturadores com

produtividade da cana de açúcar em três anos subsequentes.

proporcionado maior flexibilidade

no gerenciamento da

colheita, altamente relevante

para o planejamento da produtividade

da cultura, além

de propiciar a industrialização

de matéria-prima de melhor

qualidade”, destaca Anderson.

A eficiência agronômica dos

maturadores depende da escolha

do produto químico a

ser utilizado, da época de

aplicação, da condição climática

e das características

intrínsecas a variedade explorada.

“É importante monitorar

esses fatores durante a

safra, dividindo em três épocas

distintas para maturar: no

inicio, meio e no final de safra”,

comenta Anderson.

Dentre os produtos para maturação

usados no Paraná,

há três grupos distintos: herbicidas,

reguladores de crescimento

e nutricionais. Os

herbicidas atuam sobre sistemas

enzimáticos ou proteínas

específicas das plantas

alterando sua funcionalidade.

Atuam nas rotas fundamentais

para o crescimento e

desenvolvimento vegetal, de

forma que o seu bloqueio

promove a paralisação do

crescimento ou a morte das

plantas. Anderson alerta que

mesmo quando há um bloqueio

parcial destas rotas,

com uso de doses subletais

dos herbicidas, também pode

haver implicações importantes,

alterando o balanço

de processos metabólicos

nas plantas.

Já os reguladores de crescimento

atuam como maturador

e inibidor de florescimento.

Eles reduzem temporariamente

a produção da Giberelina

Ativa (GA1) e induz

a cultura a carrear a maior

parte da sacarose produzida

para o colmo, onde é armazenada.

Provoca a redução

da velocidade de crescimento

nos internódios mais

novos do terço superior do

colmo, mas não afeta significativamente

a produtividade

de matéria prima.

O grupo nutricional é o mais

recente, diz o pesquisador,

sendo registrados como fertilizantes

e tendo em sua

composição principalmente

micronutriente (zinco, cobre,

ferro, manganês, boro e molibdênio)

e aminoácidos.

Ainda é pouco estudado no

Paraná.

“É importante classificar e

distinguir os produtos utilizados

como maturadores, pois

têm uma relação análoga,

tem a mesma função, mas

com mecanismo de ação

distintos. Maturadores herbicidas,

mesmo utilizados em

subdoses, induzem a um

stress irreversível na cana. E

no caso do Glifosato, ainda

impõe efeitos indesejáveis

nas soqueiras subsequentes

da cana, ocasionando perda

de produtividade e longevidade

do canavial”, ressalta o

pesquisador.

O gráfico ao lado demonstra

a ação do herbicida Glifosato

aplicado por três anos consecutivos

como maturador e

seu efeito na produtividade

agrícola (TCH).

12 Jornal Paraná

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