11.05.2018 Views

L+D 68

Edição: maio | junho de 2018

Edição: maio | junho de 2018

SHOW MORE
SHOW LESS

You also want an ePaper? Increase the reach of your titles

YUMPU automatically turns print PDFs into web optimized ePapers that Google loves.

PAUL HASTINGS (SÃO PAULO)

RESTAURANTE KITCHIN JK (SÃO PAULO); SUFFOLK HEADQUARTERS (SÃO FRANCISCO); T GALLERIA ANGKOR (SIEM REAP);

LIGHT + BUILDING E LUMINALE 2018 (FRANKFURT); FOTO LUZ FOTO: RAFAELA NETTO 1


2 3


4 5


SUMÁRIO

maio | junho 2018

edição 68

36

42 48

52 58 68 74

10

¿QUÉ PASA?

36

42

48

52

58

PAUL HASTINGS

Espaços corporativos, luz acolhedora

RESTAURANTE KITCHIN JK

Minimalismo contemporâneo

SUFFOLK HEADQUARTERS

Caixa de pensar

T GALLERIA ANGKOR

Equilíbrio entre o vernacular e o contemporâneo

LIGHT+BUILDING 2018

Luz domada, futuro indomado

68

LUMINALE 2018

74

FOTO LUZ FOTO

Rafaela Netto

6 7


Romulo Fialdini

Thiago Gaya

publisher

PAUL HASTINGS

Iluminação: Illumination Strategic

Design Group

Foto: Leonardo Finotti

Orlando Marques

editor-chefe

PUBLISHER

Thiago Gaya

COMO UM MUTANTE

EDITOR-CHEFE

Orlando Marques

DIRETORA DE ARTE

Thais Moro

Nos últimos 12 anos, a Light+Building, a maior feira de iluminação do mundo,

tem apresentado a evidente e incansável dedicação dos fabricantes de luminárias

e fontes luminosas em domar a qualidade da luz do LED e aperfeiçoar o desenho

de seus equipamentos. Muitas dessas conquistas foram comprovadas neste ano.

Desde a edição de 2016, como desdobramento da “luz digital”, testemunhamos

a mudança de propósito e de protagonismo das funções originais dos equipamentos

de iluminação, o que também se intensificou neste ano. Em nossa cobertura da

Light+Building 2018, trazemos um pouco dessa percepção, por meio dos depoimentos

de diversos profissionais de iluminação atuantes no Brasil e em outros países.

Apresentamos também uma seleção dos produtos que mais se destacaram, na

opinião desses profissionais e na nossa.

A L+D 68 marca também o início da colaboração da arquiteta e lighting designer

Mariana Novaes. Selecionada este ano como uma das 40 mais proeminentes lighting

designer abaixo dos 40 anos, Mariana é titular do escritório parceiro Atiaîa Design,

com sede em Belo Horizonte. Além de colaborar para a revista, Mariana é também

responsável pela comunicação e pelas parcerias do LEDforum. Com mestrado em

Arquitetura da Iluminação pelo Instituto Real de Tecnologia em Estocolmo (KTH),

na Suécia, é também diretora de Relações Sociais da AsBAI e membro do comitê

do EILD 2019, a ser realizado em Colônia do Sacramento, no Uruguai.

E, claro, trazemos nossa usual seleção de projetos no Brasil, com destaque para

nossa capa – a sede no Brasil do escritório de advocacia Paul Hastings, com autoria

da Ilumination Strategic Design Group e projeto de interiores da Gensler –, e outros

espalhados pelo mundo, até no Camboja.

REPORTAGENS DESTA EDIÇÃO

Débora Torii, Fernanda Carvalho,

Gilberto Franco, Orlando Marques, Mariana Novaes,

Valentina Figuerola, Thiago Gaya

REVISÃO

Débora Tamayose

CIRCULAÇÃO E MARKETING

Márcio Silva

PUBLICIDADE

Lucimara Ricardi | diretora

Avany Ferreira | contato publicitário

Paula Ribeiro | contato publicitário

PARA ANUNCIAR

comercial@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

PARA ASSINAR

assinaturas@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

ADMINISTRAÇÃO

administracao@editoralumiere.com.br

T 11 3062.2622

Boa leitura! ou !

Orlando Marques e Thiago Gaya

TIRAGEM E CIRCULAÇÃO AUDITADAS POR

O escritório Marcos

Castilha Iluminação

é o convidado para

a coedição do

¿Qué Pasa? duplo.

Eles apresentam o

trabalho do designer

André Ramirez na criação

da luminária Versa.

PUBLICADA POR

Editora Lumière Ltda.

Rua João Moura, 661 – cj. 72, 05412-001

São Paulo SP, T 11 3062.2622

www.editoralumiere.com.br

8 9


Noortje Knulst

Hanneke Wetzers

¿QUÉ PASA?

(I)MATERIAL

É comum as pessoas associarem emoções a determinadas

formas, cores e até odores. O designer holandês Nick

Verstand, porém, foi além da simples associação e criou, em

colaboração com Salvador Breed, Naivi, TNO, EagleScience,

VPRO Medialab, uma instalação audiovisual que materializa

as emoções. Trata-se de Aura, exibida durante a Dutch

Design Week em outubro do ano passado, como parte do

projeto We Know How You Feel, do laboratório de mídias

VPRO Medialab.

Estimulados por determinadas composições musicais, os

visitantes utilizavam múltiplos biossensores, que captavam

e registravam suas ondas cerebrais, variações na frequência

cardíaca e alterações na resistência elétrica da pele (um dos mais

sensíveis marcadores de estimulações emocionais, diretamente

ligado à atividade do Sistema Nervoso Simpático). Um sistema

científico desenvolvido em colaboração com a Netherlands

Organisation for Applied Scientific Research (Organização

Holandesa para Pesquisa Científica Aplicada) analisava e traduzia

os dados em representações simbólicas por meio da luz.

Assim eram geradas as composições orgânicas com

luzes pulsantes, de diferentes formas, cores e intensidades,

apresentadas em Aura. O objetivo do designer com a

instalação foi explorar a maneira como esse processo

perceptivo influencia o entendimento dos indivíduos em

relação a si mesmos e também uns em relação aos outros, já

que as respostas emocionais individuais eram visíveis a todos

ali presentes. “A instalação simboliza a materialização do

espaço metafísico (interno) em um espaço físico (externo)”,

resume Verstand, cujas criações costumam abordar as

temáticas do comportamento humano e da percepção, por

meio de composições de luz e de som. O vídeo da instalação

pode ser acessado em vimeo.com/238056353. (D.T.)

10 11


Lightly Technologies

¿QUÉ PASA?

ULTRAFINO

Fundador e CEO da companhia Lightly Technologies,

sediada em Dublin, Irlanda, o jovem engenheiro Matt Hanbury

embarcou, no início de 2016, na missão de tentar superar as

limitações da tecnologia OLED que seguem inviabilizando

sua comercialização. Tendo como base sua experiência como

engenheiro mecânico na fábrica de OLEDs da Philips, na

Alemanha, e também seu trabalho na sede da Apple do Japão

– onde trabalhou no desenvolvimento dos displays LCD para o

iPhone 6S –, Hanbury criou uma solução que utiliza a tecnologia

LED combinada com a reconstrução das mais recentes

tecnologias de displays LCD para a criação de um produto

destinado ao mercado da iluminação.

Enquanto se assemelha muito ao OLED na aparência e na

forma, o módulo criado pela Lightly Technologies – chamado

Hikari SQ – supera aquela tecnologia em todos os parâmetros,

incluindo no fluxo luminoso, na eficácia, na vida útil, na

uniformidade, no controle de facho, na estabilidade cromática

e na espessura, além de ter garantida sua compatibilidade

com os protocolos de dimerização dos sistemas de controle

existentes. Um dos grandes desafios relatados por Matt foi a

obtenção de um fluxo luminoso funcional a uma temperatura

de cor padrão, considerando que os displays LCD fornecem

menos de 100 lumens a 8.000 K. Cada módulo de 100 mm ×

100 mm do Hikari SQ terá 300 lumens de fluxo e eficácia de

80 lm/W e estará disponível nas opções 2.700 K, 3.000 K

e 4.000 K, com IRC > 90.

O grande diferencial do novo módulo é o fluxo luminoso

que, aliado a um ofuscamento minimizado, pode permitir sua

aplicação de maneira funcional por meio da utilização de diversos

módulos em conjunto, o que não foi alcançado pelos OLEDs até

o momento. Hanbury prevê que a maioria das aplicações dessa

nova tecnologia será em produtos voltados aos seg mentos de

varejo, hospitalidade e comerciais de alto padrão. “Enxergamos

a maioria dos nossos clientes, fabricantes de luminárias, utilizando

nossos módulos no desenvolvimento de pendentes

modernos, luminárias aplicadas e luzes de tarefa, otimizando

ao máximo a utilização do perfil ultrafino”, vislumbra Matt.

Os kits iniciais (contendo quatro módulos e um driver) estão

disponíveis para desenvolvedores e interessados desde fevereiro,

podendo ser solicitados diretamente na página da Lighty

Technologies (lightly.tech).

O engenheiro transformou sua extensa pesquisa no artigo

“Ultrathin Surface Light Sources: Picking up where OLED

stalled” (“Fontes de luz superficiais ultrafinas: recomeçando de

onde o OLED parou”), apresentado durante a edição de 2017

da feira e conferência de iluminação LuxLive em Londres, Reino

Unido, e que rendeu a ele o prêmio de Young Lighter of the

Year, oferecido pela Society of Light and Lighting (SLL). (D.T.)

12 13


¿QUÉ PASA?

EMOÇÕES CINÉTICAS

Imagens: Ralph Larmann

Conhecido pela instalação Lichtgrenze – concebida por

ocasião do 25º aniversário da queda do Muro de Berlim –,

o designer alemão Christopher Bauder, à frente do estúdio

WHITEvoid, apresentou mais um ousado projeto no início

deste ano. Trata-se de Skalar, uma instalação em grande

escala que explorou o complexo impacto da luz e do som na

percepção humana.

Skalar foi exibida como parte do CTM Festival 2018, um

evento de arte, música e cultura realizado anualmente em Berlim,

na Alemanha. O local escolhido não poderia ser mais adequado:

o Kraftwerk Berlin, antiga estação de energia, contemporânea

ao muro, que posteriormente foi transformada em espaço

cultural, abrigando inúmeros shows e eventos desde 2006. Sua

massiva arquitetura industrial confere ao espaço a escuridão

ideal para a exibição da obra, proporcionando uma experiência

verdadeiramente imersiva à plateia, desconectando-a do mundo

exterior durante a exibição do espetáculo.

A instalação pode ser definida como uma intensa jornada

pelo ciclo das emoções humanas básicas. Foram utilizados

65 espelhos motorizados, cujos movimentos perfeitamente

sincronizados a 90 projetores tipo “moving lights” banhavam o

espaço de 45 m × 20 m com luzes de diferentes tonalidades.

O diferencial da instalação está no tratamento da luz como

elemento sólido, que pode ser esculpido e moldado, desenhando

o espaço arquitetônico em completa harmonia com a iridescente

trilha sonora desenvolvida pelo músico e compositor

experimental Kangding Ray.

Assim como os infinitos ciclos do dia e da noite, que

definem a percepção humana do tempo e, consequentemente,

influenciam suas emoções, os criadores da instalação buscaram

evocar e explorar as mais diversas sensações, exploradas

também de maneira cíclica, proporcionando aos espectadores

uma experiência emocional coletiva e, ao mesmo tempo,

totalmente individual.

Além das exibições contínuas, que ocorreram diariamente

durante todo o mês de fevereiro, foram oferecidas também seis

performances ao vivo, nas quais foram apresentadas versões

intensificadas do ciclo da instalação – com início, fim e narrativa

predefinidos –, que contaram com a operação dos equipamentos

e dos sons, em tempo real, por Bauder e Ray, tornando cada

apresentação única. (D.T.)

14 15


Divulgação

Anders Bobert

Henrique Gualtieri

Isabel Villar

¿QUÉ PASA?

40UNDER40

Lançado em 2016 em comemoração aos 40 anos

dos Lighting Design Awards, o programa internacional

40under40 promove o reconhecimento e a celebração de

jovens e promissores talentos do universo da iluminação.

Por meio dessa iniciativa, são selecionados, anualmente,

40 lighting designers com menos de 40 anos que se

destacam pela contribuição para o crescimento e a

continuidade da profissão.

Neste ano, foram selecionados, dentre mais de 350 can didatos,

22 homens e 18 mulheres de 12 diferentes nacionalidades,

todos representantes de uma nova geração, considerada mais

curiosa, mais colaborativa e mais apaixonada do que nunca e

cujos trabalhos têm impulsionado cada dia mais os padrões de

criatividade e de qualidade dos projetos de iluminação. O júri da

edição de 2018 foi formado por Suzanne Tillotson (fundadora

do Tillotson Design Associates), Kai Piippo (titular do ÅF

Lighting), Jill Entwistle (editora da revista Lighting), Jason

Vaughan (chefe do departamento de Lighting Solutions da

Osram no Reino Unido e na Irlanda) e Ray Molony (publisher

da revista Lighting).

Dentre os premiados, estão o italiano Federico Favero,

diretor do Master em Design de Iluminação Arquitetural

do Lighting Laboratory, no Royal Institute of Technology,

em Estocolmo, Suécia; a lighting designer chilena Isabel

Villar, colaboradora do escritório sueco White Arkitekter; e

as brasileiras Helena Gentili, à frente do escritório Helena

Gentili Lighting Design, em Milão, e a lighting designer

Mariana Novaes, titular do escritório mineiro Atiaîa Design e

colaboradora da revista L+D, responsável pela comunicação

do LEDforum e diretora de relações sociais da AsBAI.

Os prêmios foram entregues durante a cerimônia dos

Lighting Design Awards 2018, em Londres, no dia 3 de maio.

Nossos parabéns aos selecionados, em especial à nossa

querida Mariana! (D.T.)

16 17


1 2

3

Imagens: MONA/ Jesse Hunniford

4 5 6

¿QUÉ PASA?

PHAROS

Localizado em Hobart, capital da Tasmânia, o Museum

of Old and New Art (MONA) é o maior museu particular da

Austrália e foi fundado pelo filantropo e colecionador de arte

David Walsh em 2011 para, inicialmente, exibir sua coleção

privada – que compõe, até hoje, a mostra permanente

Monanism, em constante remodelação.

Dedicado à arte antiga, moderna e contemporânea,

o estabelecimento abriga, desde 2015, um dos cerca de

80 Skyspaces do artista norte-americano James Turrell,

Amarna – o maior e mais meridional de todos eles. A presença

do trabalho do light artist no museu ganhou uma importante

ampliação ao final de 2017, com a inauguração de uma nova

ala construída para abrigar quatro novas obras desenvolvidas

por Turrell especialmente para o museu. Chamado Pharos, em

homenagem ao farol homônimo de Alexandria, o novo setor é

descrito por Walsh como “um depoimento sobre o poder da

luz como arte – não apenas como um meio para obras de arte,

mas como um objeto em si”.

O percurso começa por Unseen Seen 1 2 , a maior

de sua série de “Perceptual Cells”, que propõem uma

experiência de efeitos luminosos caleidoscópicos que

privam os participantes de seus sentidos perceptivos. Em

seguida, os visitantes são conduzidos para a obra Weight

of Darkness, uma espécie de “espaço negativo”, no qual

se sentam por cerca de 14 minutos, em total escuridão e

silêncio. Em contrapartida, Beside Myself 3 4 se apresenta

como um túnel de luz que provoca nos visitantes a sensação

de flutuar no espaço, ao atravessá-lo. A última – e talvez

mais impactante – instalação é Event Horizon 5 6 , um

ambiente em que a iluminação em cores ultravioletas

saturadas, aliada à ausência de bordas, de cantos e de

referências visuais – que compõem o entendimento da

perspectiva espacial –, resulta na total perda da percepção

de profundidade e até mesmo em alucinações, conhecidas

como “efeito Ganzfeld”.

Pharos apresenta também trabalhos individuais dos

artistas Richard Wilson, Jean Tinguely, Randy Polumbo e

Nam June Paik e oferece ainda o restaurante Faro – onde está

localizada a obra Unseen Seen –, que proporciona belas vistas

para a baía de Berriedale. (D.T.)

18 19


1

2

Imagens: Arturo Ortiz

¿QUÉ PASA?

CÉUS ARTIFICIAIS

“Promover experiências sensoriais, cognitivas e viscerais

transformadoras”: é assim que a croata Maja Petric define seu

objetivo como artista. Em suas obras, Petric costuma abordar

a conexão humana com a natureza e elementos naturais

– como paisagens e luz – utilizando tecnologias de ponta

como ferramenta. A história de vida da artista, cuja infância

foi marcada pelos violentos conflitos separatistas da antiga

Iugoslávia, tem forte influência sobre a temática e sobre a

maneira como apresenta suas criações.

Sua mais recente exposição Skies deriva da fascinação da

artista pelo hábito humano de olhar em direção ao céu em busca

de propósitos e de orientações. Em cartaz durante os meses

de fevereiro e março deste ano na galeria Winston Wächter

Fine Art, em Seattle, Estados Unidos, a mostra apresentou dois

trabalhos de sua série de “objetos de arte dinâmicos”, criados a

partir de tecnologias de inteligência artificial e de luz.

Em Skies Epitomized of War and Peace 1 , a artista apresenta

imagens do céu visto em alguns dos locais tidos como os

mais pacíficos do mundo, como a Islândia e a Nova Zelândia,

justapostas ao que pode ser observado em áreas de conflito,

como a Síria e o Iraque. Os epítomes dos céus de cada um

desses locais são criados por meio de um algoritmo que

busca milhares de imagens por meio de palavras-chave

predeterminadas. O software é capaz de identificar diferentes

propriedades das imagens (como pontos de vista, horários e

localizações), gerando, a partir disso, um resumo contendo

variadas perspectivas, composto de partes extraídas dessas

fotos. Esses fragmentos são utilizados como pincéis que

“pintam” uma imagem dinâmica, que parece brilhar por meio

de retroiluminação.

Já a obra Lost Skies, Climate Change through the Eyes of a

Skeptic 2 é composta de diversas caixas luminosas que

representam visões do céu baseadas na sua interpretação

da perspectiva de um cético quanto à questão das mudanças

climáticas. Utilizando como ferramenta o software de inteligência

artificial AIEye, foi desenvolvido um algoritmo que

busca por imagens-modelo do mundo afetado pelas mudanças

climáticas. O software então combina diversos pontos de vista e

gera uma composição que demonstra a essência desses mesmos

locais vistos pelos olhos daqueles que negam o problema.

“O céu é um só, mas as maneiras de enxergá-lo e de

interpretá-lo são infinitas”, declara a artista. (D.T.)

20 21


Imagens: Yann Deret/ Peer Lindgreen

¿QUÉ PASA?

A ELEGÂNCIA DO COBRE

Localizada na tradicional Avenida Champs-Élysées, em Paris,

a luxuosa loja de conveniência Publicis Drugstore oferece a seus

consumidores uma grande variedade de produtos – de livros e joias

a artigos de confeitaria e champagne – desde 1958, quando foi

inaugurada pelo publicitário Marcel Bleustein-Blanchet, fundador

da famosa agência Publicis Group. No centro do estabelecimento

de 350 metros quadrados está o recém-remodelado restaurante

Le Drugstore, cujo projeto ficou a cargo do Design Research

Studio, parte do grupo inglês de design Tom Dixon.

Inspirado na decoração clássica das brasseries francesas,

o projeto teve como conceito a utilização de elementos

tradicionais de maneira não convencional. O uso de uma ampla

paleta de materiais e acabamentos simples, porém luxuosos – como

a madeira nas paredes e o mármore na bancada do bar –, remete a

um sofisticado e glamoroso ambiente da década de 1960, porém

com um toque contemporâneo. Já o lounge do restaurante teve

sua decoração inspirada nos antigos escritórios e bibliotecas

residenciais, cujo mobiliário – incluindo uma série de poltronas

e banquetas desenvolvidas com exclusividade para o projeto –

contribui para a criação de uma experiência íntima e relaxante.

As luzes em tom branco frio na área da cozinha contrastam

com a aconchegante iluminação proveniente das dezenas de

luminárias instaladas no forro de caixões perdidos. As peças

do modelo Melt Surface, recém-lançado na edição deste

ano do Salone del Mobile, em Milão, conferem iluminação

de tom branco quente à toda a área do salão, em conjunto

com alguns outros modelos do estúdio inglês – todos com

acabamento de cobre, sua marca registrada. (D.T.)

22 23


¿QUÉ PASA?

RELEITURAS

Imagens: Kenichi Sonehara

O Noguchi Museum, em Nova York, Estados Unidos,

foi fundado em 1985 pelo escultor norte-americano Isamu

Noguchi para exibir seus trabalhos mais representativos. Uma

das mais célebres criações do artista, que era descendente de

japoneses, é a série de luminárias Akari: uma vasta coleção

de lanternas de papel dobráveis que é objeto de uma das

exposições em cartaz no museu até janeiro de 2019.

Paralelamente, o museu exibe também a mostra Akari

Unfolded: A Collection by YMER&MALTA, que apresenta uma

série de 26 luminárias criadas pelo estúdio de design francês

homônimo em parceria com seis designers contemporâneos,

de acordo com os princípios de Akari.

Noguchi esculpia a maioria de suas obras diretamente na

pedra. As lanternas Akari, no entanto, eram consideradas por

ele espécies de “esculturas luminescentes”. Inspirados por

esses dois fatores, os designers do estúdio japonês nendo,

um dos seis participantes convidados da exposição, concebeu

Light-Fragments: uma série de objetos que parecem esculpidos

diretamente da luz.

O processo de execução de cada uma das peças foi

bastante minucioso, partindo de placas de acrílico branco

esculpidas de modo manual e gradativo até que se tornassem

extremamente finas e translúcidas. Os fragmentos obtidos

desse processo foram então envelopados em cubos de acrílico

transparente, transformando-se em fragmentos luminosos

flutuantes ao serem iluminados desde o exterior do cubo.

Os designers levaram em conta ainda o significado da

palavra “Akari”, que quer dizer “luz” e, na escrita japonesa,

é grafada por meio de dois kanjis: 明 . Separados, esses

caracteres são traduzidos como “Sol” ( 日 ) e “Lua” ( 月 ).

Replicando a relação entre a estrela e o satélite, os fragmentos

de acrílico de Light-Fragments são vistos iluminados em

decorrência da reflexão da luz incidente em suas superfícies,

cuja iluminação é gerada por uma fonte de luz que não pode

ser vista de maneira direta – assim como o Sol nunca é visto

enquanto a Lua brilha no céu.

Os LEDs das luminárias foram instalados em um tubo de

alumínio com 8 milímetros de diâmetro, que concentra a luz

na peça de acrílico, acentuando seu brilho. Seu acabamento na

cor preta remete às icônicas pernas em arame que estruturam

as Akari de mesa e de piso. (D.T.)

24 25


Louis Poulsen

1 2 3

Mathias Peter Christian v. Kongshaug Production

out-sider as

Mathias Peter Christian v. Kongshaug Production

4 5

Mathias Peter Christian v. Kongshaug Production

¿QUÉ PASA?

ILUMINANDO O INVERNO ESCANDINAVO

Com a sensação de já ter existido antes, a primeira edição

do Copenhagen Light Festival iluminou as noites mais longas e

escuras do inverno da capital dinamarquesa entre os dias 2 de

fevereiro e 2 de março deste ano. Concebido pelo governo da

cidade em parceria com o tradicional parque de diversões Tivoli

e com a associação sem fins lucrativos Danish Lighting Center,

o festival teve como principal patrocinadora a renomada marca

dinamarquesa Louis Poulsen.

Como parte das atrações do festival, a marca convidou

o artista Jakob Kvist para intervir na fachada de sua sede em

Gammel Strand, no centro da cidade, criando a instalação

Honouring a Master of Light 1 , composta de uma série de LEDs

tubulares que formavam uma escala de cores fluorescentes,

numa espécie de tributo ao legado de Poul Henningsen, criador

das icônicas luminárias PH e um dos principais responsáveis

pela consolidação da marca e pela maneira como ela trata a luz.

“Com essa instalação eu quis criar uma experiência visual que

honrasse a dedicação de Henningsen ao estudo da luz e o seu

entendimento incomparável quanto a suas propriedades e seus

efeitos. Assim como as criações da Louis Poulsen, o conceito

da instalação busca um equilíbrio entre simplicidade e impacto

visual”, explica Kvist.

Espalhadas pela cidade em locais nobres, como o porto

e edifícios históricos, as demais instalações que integraram o

festival puderam ser apreciadas gratuitamente por moradores e

turistas, por meio de visitas guiadas feitas a pé, com bicicletas

ou por meio de barcos que transitavam pelos canais da cidade.

Algumas das mais marcantes foram SOS 2 , de Christian

Lemmerz, que transformou o edifício do Ministério da Cultura

em uma “mansão fantasma” que parecia emitir um sinal de

emergência; Orb Family 3 , que foi transformada em instalação

permanente e apresenta uma “família” de luminárias flutuantes,

cuja luz reage a estímulos sonoros; e Laser Beam 4 , um tributo à

energia da luz por meio de um potente laser verde que conectava

o parque Tivoli ao pináculo da galeria de arte Nikolaj Kunsthal,

a 65 metros de altura, unindo os dois extremos da rota formada

pelas instalações do festival. Destacou-se ainda a performance

Please analyze, volumize, moisturize me 5 , concebida pelo

designer Henrik Vibskov e iluminada pelo lighting designer Jesper

Kongshaug, que propôs uma crítica à cultura do corpo ideal. (D.T.)

26 27


Imagens: Juliana Sícoli

¿QUÉ PASA?

MAGMALUZ

A fotógrafa mineira Juliana Sícoli busca, de maneira

delicada e sensível, demonstrar a sua forma de enxergar o

mundo por meio de seus registros fotográficos. Sua primeira

exposição solo, Magmaluz, foi realizada durante o último mês

de março na Gabriel Wickbold Studio & Gallery (GWS&G), em

São Paulo, com curadoria do fotógrafo Gabriel Wickbold.

O nome da coleção é uma junção das palavras “magma”

e “luz”, em alusão ao “vulcão de ideias” expresso pela artista

nas imagens, que revelam cores, formas, texturas e detalhes

sob a luz natural. Para compor as imagens, Juliana buscou

captar a maneira como as formas dos objetos retratados eram

realçadas a partir da luz refletida em suas superfícies: “A luz é

o ponto central das imagens. Ou foi o efeito que a luz causou

nesses elementos ou foi o efeito provocado por ela ao entrar

na minha lente. Deixei a luz entrar e tentei desenhá-la com a

minha lente. Luz é isso. Desenhar com a luz”, declara a artista.

Para a exposição, algumas das imagens foram impressas

em metacrilato e outras em papel de algodão fine art,

utilizando pigmentos minerais. Os registros foram feitos

em alguns jardins em Minas Gerais e também durante as

duas últimas visitas de Juliana a Portugal e Espanha, tendo

utilizado elementos como peças de concreto, cabos de aço e

plantas – esta última tida como uma das grandes inspirações

da artista.

Uma característica marcante em todas as imagens da

fotógrafa é o uso da luz natural, que ela considera exercer

um papel central em todo o seu trabalho: “Seja com

pouca luz, seja com muita luz. É ela quem dá o grande

efeito final. Luz para minha vida é vida. É tudo. É com ela

que a gente desenha, é com ela que a gente brinca e é

com ela que sentimos a sombra, a falta de luz. E esse jogo

é incrível”. (D.T.)

28 29


Imagens: Kyung-sub Shin/ Luke Hayes

¿QUÉ PASA?

ESCURECENDO PYEONGCHANG

“Seria possível criar um edifício tão negro quanto o espaço

sideral?” Ao buscar a resposta para essa questão, ainda em 2013, o

arquiteto britânico Asif Khan encontrou uma pesquisa da empresa

britânica Surrey NanoSystems, que trabalhava no desenvolvimento

do pigmento mais escuro do mundo. O trabalho dos cientistas

culminou na criação do Vantablack, pigmento composto de

nanotubos de carbono, capaz de absorver 99,965% da luz nele

incidente – publicado na edição 63 da L+D – cujos direitos de uso,

no entanto, foram concedidos, com exclusividade, ao artista visual

Anish Kapoor.

O lançamento posterior de uma versão em spray do material,

o Vantablack VBx2 – que absorve “somente” 99% da luz visível e

cujos direitos de uso são livres – viabilizou sua aplicação em grandes

superfícies, tornando possível a materialização do desejo de Khan.

Assim nasceu o Hyundai Pavilion construído em ocasião dos Jogos

Olímpicos de Inverno de 2018, em Pyeongchang, na Coreia do Sul.

Apesar de parecer, à primeira vista, um simples cubo negro, a

estrutura externa do edifício é, na verdade, formada por paredes

parabólicas, nas quais foram instaladas mais de 2 mil hastes com

LEDs em suas extremidades, criando uma ilusão tridimensional

do espaço sideral. “A ilusão de óptica criada pelas luzes sobre

as paredes curvas 99% pretas é quase complexa demais para o

entendimento da mente humana”, declara Khan.

O conceito do projeto foi apresentar o uso do hidrogênio

para a alimentação de veículos elétricos da montadora de

automóveis sul-coreana. Assim, os ambientes no interior do

pavilhão representaram as etapas da produção da célula de

combustível, que começa e termina com a água. Ao entrar, os

visitantes foram recebidos em um grandioso espaço dedicado

justamente a esse elemento e que, em contraste com a fachada,

apresentou-se totalmente branco, iluminado por luz difusa

e uniforme, remetendo à pureza do elemento. O ambiente

seguinte, dominado pela tonalidade dourada, demonstrava

a utilização da energia solar na separação das moléculas de

hidrogênio e de oxigênio que compõem a água. Em seguida, os

visitantes percorriam espaços que representavam as moléculas

de hidrogênio, flutuando na forma de bolhas cromadas, e a

formação das células de combustível, representadas por meio

de uma infinidade de pontos luminosos de fibras ópticas.

O pavilhão ficou aberto para visitação durante os meses de

fevereiro e março e foi concebido por Asif Khan em conjunto

com a Creative Works, braço interno de design da Hyundai. O

arquiteto confessa que contemplou a fachada por horas: “de

longe, o que você vê é apenas uma superfície de escuridão. Me

interessa o sentimento sublime de abrir a janela da realidade. É

uma outra maneira de vivenciar a arquitetura”. (D.T.)

30 31


32 33


¿QUÉ PASA?

EQUILÍBRIO VERSÁTIL

Multifuncional, versátil e curioso nato, o designer André

Ramirez não cansa de inventar, reinventar ou simplesmente

consertar tudo o que vê pela frente. Para ele, não existe a

palavra descarte. Tudo tem uma função e um reúso. Em

sua oficina no bairro Sumaré na cidade de São Paulo, ele dá

vida às suas criações, muitas provenientes de ferro velho.

Tatuador hà 25 anos, desde sempre estudou a arte em todos

os seus segmentos. Paralelamente, participou de exposições

coletivas e leilões junto da Fiesp, tendo obras arrematadas e

revertidas ao comitê de responsabilidade social. Além disso,

trabalhou em oficinas de customização motociclística. De

alguns anos para cá, passou a criar suas próprias luminárias,

com os mais diversos materiais e estilos.

A luminária VERSA, escolhida por nós como destaque no

¿Qué Pasa? duplo da L+D, vem da antiga admiração que o artista

tem pela Escola Bauhaus. Don, como é também carinhosamente

chamado, desejou criar algo com alma. E buscou o melhor

equilíbrio entre a estética simples, a fabricação descomplicada

e o material acessível. “É muito fácil ter uma peça incrível,

usando os melhores materiais e alta tecnologia. O difícil é criar

com pouco recurso, com facilidade de execução e ao alcance de

todos. Onde há o excesso, falta essência”, explica o artista.

E foi assim, com dois pedaços de cano e uma barra

de ferro largada no canto da oficina, que ele começou o

desenvolvimento dessa peça sensacional. Moldou nessas

formas puras alguns detalhes para gerar o mais importante:

o equilíbrio. Aliás, essa é a palavra-chave. Equilíbrio não só

na estética, mas principalmente na física. A peça não tem

parafusos ou soldas. Tudo é encaixado. Ela se sustenta através

do atrito entre os materiais. Proporcionando a flexibilidade do

seu uso, através 7 posições diferentes.

O cabeamento seguiu o mesmo raciocínio, com recortes

elegantes, executados na fresa, usados com uma forma de

fixação maleável. O interruptor é revestido por uma capa de

Kydex (produto moldável termicamente) em formato de um

clipe para fixá-lo à luminária, quando necessário.

A luminária pode ser produzida com diversos materiais: tubo

de cobre, latão, PVC, teflon, bronze, inox, alumínio, cerâmica,

fibra de carbono, proporcionando muitas combinações. Por ter

toda essa versatilidade, surgiu seu nome VERSA.

“É fundamental que o designer crie as facilidades que a

humanidade necessite. E essa luminária cumpre exatamente esse

propósito, usando materiais e ferramentas simples, para qualquer

poder aquisitivo.”, conclui Don Ramirez. (por Castilha Iluminação)

34 35


A parede multifacetada de madeira

é valorizada por módulos lineares de

LED 3.000 K, 6 W, 630 lm, ocultos

em canaletas pretas que arrematam

a composição. A volumetria da

bancada de mármore é evidenciada

pela linha de LED 3.000 K, 2,6 W,

210 lm, embutidas em um nicho

especialmente criado para o projeto,

com difusor que ajuda a distribuir a

luz de maneira uniforme, sem marcar

o piso pontualmente.

ESPAÇOS

CORPORATIVOS,

LUZ ACOLHEDORA

Texto: Valentina Figuerola | Fotos: Leonardo Finotti

Um dos objetivos do escritório de iluminação Illumination

Strategic Design ao criar o projeto de iluminação do

escritório internacional de advocacia Paul Hastings,

em São Paulo, foi conceber, em conjunto com o escritório

Gensler, autor da arquitetura de interiores, o desenho gráfico

criado pela luz. Além de atender às necessidades dos espaços

corporativos, a iluminação assume um caráter confortável e

acolhedor, sobretudo na sala de espera do lobby e na sala

de reuniões.

No lobby, as superfícies lisas de mármore branco que

revestem pisos e bancadas convivem harmonicamente com

o marcante painel multifacetado de madeira da recepção,

desenhado pelo arquiteto Nicolas Salto, da Gensler.

A iluminação do painel de madeira confere ao espaço

aconchego e sofisticação. “Na sala de espera do lobby, optamos

pela luminária de piso decorativa Cantante de Piso, projeto

36 37


À esquerda, a parede de madeira texturizada foi iluminada pela luz rasante de perfis lineares de LED 3. 000K, 6 W, 630 lm, escondidos

em uma canaleta preta no forro, junto à parede. No espaço comum que dá acesso às salas dos sócios e associados, pendentes decorativos

de iluminam o plano da bancada dos arquivos. A luz ambiente, difusa e indireta, é emitida por luminárias lineares de LED 3.000 K,

5.2W, 410 lm, instaladas verticalmente nos montantes dos caixilhos das divisórias. A obra de arte ao fundo é lateralmente iluminada

por luminárias lineares de LED 3.000 K, 5.2 W, 410 lm, embutidas em nichos. Acima, a sala de espera do lobby foi iluminada pela

luminária decorativa Cantante de Piso, desenhada pela Claudia Moreira Salles para a Etel Design e por luminárias embutidas no forro.

da arquiteta Claudia Moreira Salles para a Etel Design, que

deixa o ambiente mais intimista”, comenta o lighting designer

Rodrigo Jardim, titular da Illumination Strategic Design.

No corredor de acesso ao lobby, a parede de madeira texturizada

foi especialmente valorizada pela luz rasante de módulos lineares de

LED que permanecem ocultos em canaletas pretas especialmente

criadas para o projeto. Essa solução também fornece a iluminação

geral ao espaço por meio da luz que é refletida pelo piso de

mármore”, acrescenta Jardim.

O caráter escultórico, a textura e a unidade arquitetônica da

parede multifacetada de madeira foram valorizados pelo projeto.

Em busca da harmonia visual, as canaletas pretas contornam todas

as faces do elemento de madeira, arrematando a composição. “Por

também possuírem uma função estética, de acabamento, nem

todas as canaletas possuem luminárias”, explica o lighting designer.

A logomarca do escritório não ganhou destaque com a

iluminação na parede de madeira por trás da recepção. “Não

queríamos que ele fosse o elemento principal do painel; além

disso, as pessoas já estão dentro do escritório. Não se trata de

uma fachada”, esclarece o autor do projeto.

Assim como o painel de madeira, a bancada de mármore é

multifacetada e teve sua volumetria valorizada por luminárias de

LED embutidas em um nicho especialmente criado para o projeto,

com difusor que ajuda a distribuir a luz de maneira uniforme, sem

marcar o piso pontualmente.

Aliás, um dos maiores cuidados do projeto de iluminação

foi evitar o reflexo da luz nos revestimentos, especialmente no

mármore polido, material que é recorrente em todo o projeto. A

iluminação se “funde” a elementos arquitetônicos, por exemplo,

forros de ambientes como a sala de reuniões, onde luminárias

lineares nascem ortogonalmente do piso e percorrem o teto,

separando o forro acústico do forro de gesso. “Além de proporcionar

a iluminação geral do espaço, as linhas luminosas fazem uma

transição harmônica entre materiais”, explica Jardim.

38 39


Usada para reuniões, almoços e jantares, a sala de reuniões dispõe de pendentes dimerizáveis de LED Barra D’oro, da Viabizzuno,

cuja altura é regulada manualmente, assim como a sua temperatura de cor e a intensidade luminosa. O nicho lateral da bancada é

iluminado por perfis de LED 3.000 K, 5,2 W, 410 lm, que contornam o painel suspenso de mármore sobre a bancada e o aparador

do armário de documentos. A iluminação também se “funde” a elementos arquitetônicos como forros, nos quais luminárias lineares

de LED 3.000 K, 20 W, 2.550 lm nascem ortogonalmente do piso e percorrem o teto, separando o forro acústico do forro de gesso.

Abaixo, à direita, a iluminação geral nas salas dos sócios é oriunda de luminárias lineares que, assim como na sala de reuniões,

fazem a transição entre o forro acústico e o de gesso.

A sala de reuniões também é usada socialmente, em almoços

e jantares, o que exigiu do projeto uma solução de iluminação mais

acolhedora, por meio da especificação de pendentes dimerizáveis

Barra D’oro, projeto de Peter Zumthor para a Viabizzuno, cuja

altura é regulada manualmente, assim como a sua temperatura

de cor, que assume uma tonalidade quente e aconchegante

durante as refeições.

Na sala de reuniões, o nicho lateral é iluminado por perfis

de LED que contornam o painel suspenso de mármore sobre a

bancada que serve de suporte para documentos e também como

aparador para as refeições.

No espaço comum que dá acesso às salas dos sócios e dos

associados, a luz ambiente, difusa e indireta, é emitida por luminárias

lineares instaladas verticalmente nos montantes das divisórias.

“Com exceção das luminárias pendentes, não há nenhum outro

equipamento de iluminação no teto. Ao fundo, a obra de arte é

lateralmente iluminada por luminárias de LED embutidas em

nichos”, afirma Jardim.

Nas salas dos sócios da empresa, a luz geral é oriunda de

luminárias lineares que, assim como na sala de reuniões, fazem

a transição entre o forro acústico e o de gesso.

Em sintonia com o partido adotado pelo projeto de

iluminação, a copa é iluminada de forma homogênea e uniforme

por equipamentos lineares de LED que percorrem parede e

teto. A bancada de refeições é iluminada por pendentes, e a

superfície de trabalho, por sua vez, recebe luz das luminárias

de LED embutidas no forro de gesso.

O trabalho alinhado entre os escritórios Illumination Strategic

Design e a Gensler garantiu a funcionalidade e o acolhimento

dos espaços do escritório, onde a luz linear predomina como

estratégia agradável de iluminação geral, compondo elementos

da arquitetura.

O projeto foi premiado em duas categorias da quinta edição do

IIDA Best Interiors of Latin America and the Caribbean Competition,

realizado pela International Interior Design Association (IIDA):

Best of Competition e Corporate Space Small.

PAUL HASTINGS

São Paulo, Brasil

Projeto de iluminação:

Illumination Strategic Design Group

Rodrigo Jardim (arquiteto titular)

Projeto de arquitetura de interiores:

Gensler

Cynthia Calia, Nicolas Salto

Fornecedores:

Erco (e:light), Etel, Viabizzuno (e:light)

40 41


Para se chegar ao salão principal, percorre-se

um corredor com ambientação de luz suave

e difusa. Alguns planos verticais receberam

tela translúcida tensionada, iluminadas por

trás por fitas de LED 2.700 K, 4,2 W/m.

Cordas de fibra natural que cobrem as

demais paredes receberam luz do piso

com LED 3.000 K e facho de 33°,

valorizando a volumetria.

MINIMALISMO

CONTEMPORÂNEO

Texto: Fernanda Carvalho | Fotos: Rafaela Netto

A

nova unidade do restaurante de culinária japonesa

Kitchin, recém-inaugurado no Shopping JK, em São

Paulo, consegue surpreender o visitante ao chegar.

O ambiente intimista e sofisticado parece um refúgio de

calma dentro da movimentação de um shopping center. Os

ingredientes inusitados nesta receita são essencialmente

arquitetônicos e lumínicos: grandes superfícies envidraçadas

que criam uma forte conexão com o entorno do edifício e a

entrada abundante de luz natural. Outro elemento incomum é

o isolamento físico do restaurante em relação aos corredores

principais do shopping, permitindo tempo e espaço suficientes

para que o longo percurso de chegada ao salão principal

garanta ao visitante o tempo necessário para se aclimatar.

42 43


Aproveitando-se dessas características inusitadas, o projeto

de arquitetura conseguiu preservar a linguagem visual original

do primeiro restaurante, garantindo a identidade visual da rede.

A primeira modificação significativa foi o aproveitamento da luz

natural, abundante no espaço, e a relação de permeabilidade com

a rua, fato incomum tanto para um espaço dentro de shopping

center quanto para um restaurante japonês. Ainda assim, o projeto

como um todo conseguiu preservar a ambiência intimista que a

experiência da gastronomia nipônica pede.

Para o processo criativo da identidade arquitetônica da

rede, o arquiteto Felipe Troncon, titular da Suite Arquitetos,

inspirou-se em elementos visuais e simbólicos explorados em

viagem ao Japão. Além de observar texturas, transparências

e sobreposições de tramas, usou como principal referência

a elegância e a leveza do “tori”, o portal japonês que, no

xintoísmo, representa a passagem entre o mundo terreno e o

sagrado. Como material principal do projeto, utilizou cordas

de fibras naturais que, apesar de presentes na arquitetura

japonesa, raramente são exploradas plasticamente em projetos

de interiores. Felipe viu nesse material possibilidades de

usos variados e inusitados, com baixo custo de aquisição.

A forma de usar o material também aproxima a proposta

arquitetônica de um Japão contemporâneo e cosmopolita,

com um minimalismo que atende à estética de sofisticação.

Outros materiais presentes são o mármore, o aço carbono

e as madeiras tramadas para criar painéis em uma clara

referência à arquitetura nipônica.

Um efeito de grande impacto foi criado

nas bandeiras que estruturam painéis de

correr. Perfis de LED 45° com difusor,

2.700 K e 7,8 W/m foram instalados

na parte inferior, criando um degradê na

superfície que fica por trás da trama de

madeira. Para completar a ambiência

e conferir brilho às mesas, foram

acrescentadas downlights dimerizáveis

de LED de 15 W e 3.000 K.

44 45


No centro do salão uma grande escultura luminosa chama a atenção e adiciona uma camada de luz quente e fraca ao ambiente.

A peça foi desenhada em conjunto pelas equipes de arquitetura e lighting design, que escolheram o metal como material

para a estrutura modular e lâmpadas incandescentes claras de 7 W, dimerizadas a menos de 30%, o que lhes confere uma

temperatura de cor bastante quente.

O fundo do bar tem prateleiras com iluminação por trás da estrutura, que incide sobre uma superfície metálica e brilhante.

O resultado da luz emitida pelos perfis de LED 2.700 K e 7,8 W/m com difusor é uma luz concentrada que cria um efeito gráfico.

O lighting designer Marcos Castilha, responsável pelo

projeto de iluminação, enfatiza a importância de trabalhar de

forma simbiótica com a arquitetura, integrando os efeitos de

luz com as soluções construtivas de forro e mobiliário. Procurou

explorar no projeto uma luz minimalista que combina discretas

soluções técnicas com efeitos cênicos sutis, complementados

pela grande luminária escultórica criada em conjunto com a

equipe de arquitetura.

Desenvolvido desde o estudo preliminar de arquitetura,

o projeto de iluminação buscou criar efeitos luminosos

combinados às texturas dos materiais propostos – cordas,

madeiras, tramas –, além da peça luminosa do salão principal.

Downlights funcionais embutidos no forro garantem boa

iluminância nas mesas e na circulação e garantem conexão

entre os espaços. O fato de o ambiente ter teto e piso escuros

colaborou para a distribuição não homogênea e bem contrastada

entre as superfícies iluminadas.

Dentre os detalhes de luz criados, destaca-se a solução para

a prateleira do bar, que recebe perfis de LED escondidos atrás de

montantes metálicos. A luz projetada para trás é refletida pela

chapa de aço que reveste o fundo da parede, criando reflexos

intensos. Outro detalhe que chama a atenção é o efeito de backlight

criado para o painel localizado no corredor de entrada. Com

trama de madeira sobreposta pela frente, recria através de tela

tensionada o efeito clássico da arquitetura japonesa dos “shojis”.

A intensidade luminosa do ambiente de estar é controlada

por sistema de dimerização, o que permite criar cenas distintas

para o dia e a noite. As intensidades são balanceadas criando

harmonia com a luz natural que invade o espaço durante o dia,

ao mesmo tempo que no período noturno são dimerizadas para

enfatizar o clima delicado pretendido. Dessa forma, a iluminação

passa a ser ferramenta fundamental para permitir a flexibilidade

de ambientações luminosas de que o restaurante precisa.

RESTAURANTE KITCHIN JK

São Paulo

Projeto de iluminação:

Castilha Iluminação

Marcos Castilha (arquiteto titular)

Brenda Lelli, Carina Tavares, Larissa Oliveira

(arquitetas colaboradoras)

Projeto de arquitetura e interiores:

Suite Arquitetos

Carol Mauro, Daniela Frugiele, Filipe Troncon

Caio Assis (arquiteto colaborador)

Construtora:

Link Construtora

Fornecedores:

Brilia, Dimlux, Lucchi, Serralheria Spaletti, Tensoflex

46 47


CAIXA DE PENSAR

Texto: Gilberto Franco | Fotos: Vittoria Zupicich Photography

O

projeto de interiores dos escritórios da Construtora

Suffolk, um conjunto de 900 m² em São Francisco,

EUA, teve como referência a materialização dos

princípios de inovação que norteiam a empresa, conhecidos

como “building smart”, e com os quais ela se apresenta ao

mercado norte-americano. Assim, as recomendações do

cliente à equipe incluíram uma restrição orçamentária maior

do que usualmente praticam, aliada a uma busca por exceder

normas e sustentabilidade, tudo isso sem deixar de perseguir

respostas estéticas inovadoras e criativas que pudessem

reforçar a imagem da empresa.

Logo na entrada do escritório, o visitante depara com uma

grande moldura retangular, revestida de carpete vermelho em

todas as suas superfícies (teto, paredes, piso), que enquadra uma

bonita vista dos edifícios da baía de São Francisco, muitos dos quais

construídos pela própria empresa.

A função desse “gesto” arquitetônico não se resume a isso: a cor

vermelha visa expressar a marca da empresa, o uso do carpete ajuda

a reduzir a passagem de ruído de um ambiente a outro, e, princi -

palmente, o espaço formado no interior dessa moldura, com seu

mobiliário casualmente distribuído, apresenta-se como um inte ressante

ambiente de interação e colaboração, um estímulo à criatividade.

48 49


Foi com base nesses princípios que o arquiteto e lighting

designer brasileiro Claudio Ramos, do escritório Electrolight

EUA, concebeu a iluminação. O que chama a atenção nesse

trabalho é sua simplicidade e sua poesia. Anéis de luz de

diferentes tamanhos, com iluminação apenas em sua lateral

externa, repousam sob o teto acarpetado, distribuídos de

forma aleatória e criando uma inesperada “topografia” de

sombras, de círculos negros e bordas de luz dissipante. A

iluminação side-light ajuda a ressaltar a textura do carpete,

além de iluminar uniformemente as demais superfícies.

A escolha dessa tipologia satisfez também questões

técnicas, já que nada se podia embutir no teto de carpete em

razão das instalações existentes. O fato de serem sobrepostas

ajuda também a preservar a integridade visual do elemento

em carpete.

Outros ambientes do escritório surgem como continuidade

desse descrito. A copa – integrada à área de staff – recebeu

três imensos círculos difusos, consistentes com a ideia de

“ruptura” proposta na iluminação do outro ambiente. As demais

áreas seguem os princípios esperados em área de escritório:

conforto visual, aproveitamento de luz natural, eficiência, etc.

“Projetar de modo inteligente (designing smart) foi um

importante passo para atender ao conceito de “building smart”,

abordagem do cliente destinada a facilitar o processo de construção.

Além disso, fez desse escritório em São Francisco um lugar de

trabalho incrível e gratificante”, resume Claudio Ramos.

Nas páginas anteriores, a grande moldura retangular de

carpete vermelho, cor da logomarca da empresa, recebeu

anéis luminosos de diferentes tamanhos, caracterizando uma

atmosfera de socialização e colaboração para funcionários e

visitantes. A iluminação lateral desses anéis confere relevo e

dinamismo ao ambiente. À esquerda, a emissão lateral de luz

pelos anéis ajuda também a criar uma curiosa “topografia” para

o carpete vermelho. Acima, painéis 62,5 cm × 62,5 cm, com

alta eficácia e controle antiofuscamento, iluminam as áreas de

trabalho. O aproveitamento da luz natural consegue reduzir em

50% o consumo de energia nessa área no período diurno.

Na cafeteria, abaixo, à esquerda, três grandes círculos difusos

remetem à ideia de ruptura expressa também no outro ambiente.

Na sala de apresentações, abaixo, à direita, downlights

embutidos de alta eficácia fornecem iluminação adequada ao

plano de trabalho, enquanto um wallwasher contínuo ilumina o

quadro branco nas horas em que não há projeção.

SUFFOLK HEADQUARTERS

São Francisco, EUA

Projeto de iluminação:

Electrolight EUA

Claudio Ramos (arquiteto titular)

Projeto de arquitetura:

Steinberg Hart Architecture

Fornecedores:

OCL, Prudential Lighting, Tech Lighting

50 51


À esquerda, a instalação Khsai Ponnareay,

ou Fita Luminosa, recebe iluminação

lateral para leve destaque de suas formas

e suas cores. Os projetores orientáveis de

LED 13°, 2.700 K, 12 W e IRC90 foram

instalados entre os montantes verticais

dos painéis de madeira que circundam

a abóboda do espaço. Esses elementos

também integraram perfis de LED 2.700 K,

10 W/m e IRC90 com difusor translúcido

para efeito de retroiluminação.

EQUILÍBRIO ENTRE

O VERNACULAR E O

CONTEMPORÂNEO

Texto: Mariana Novaes | Fotos: DFS, Hong Kong

A

T Galleria Angkor foi inaugurada em junho de 2016 em

Siem Reap, cidade dos Templos Angkor, Patrimônio

Mundial da Unesco no Camboja. Empreendimento

do grupo DFS, conhecido na Ásia por suas luxuosas lojas de

departamento, a loja de 8 mil metros quadrados distribuídos

em dois andares é hoje compartilhada com o Museu Nacional

Angkor em um belo e conservado exemplar da arquitetura

Khmer, que identifica o período do Império Khmer na história

do país, entre os séculos VIII e XV.

52 53


Sancas perimetrais iluminadas ajudam a estruturar e delimitar os ambientes, fornecendo iluminação indireta difusa e homogênea

com perfis de LED 2.700 K, 19,2 W/m e IRC90. Nichos entalhados nos pilares recebem miniprojetores orientáveis de LED 2.700 K,

10°, 2 W e IRC90. Downlights orientáveis de LED 3.000, K 29 W, 12° ou 24° e IRC90 embutidos no forro complementam a

iluminação de destaque dos espaços, permitindo flexibilidade para eventuais mudanças de layout.

Os expositores receberam temperaturas de cor variadas e foram coordenados com as marcas dos produtos expostos. Acima, nichos

para exposição de acessórios de moda são iluminados por temperaturas de cor mais quentes, entre 2.700 K e 3.000 K.

Com projetos de design de interiores do escritório australiano

Dos quase dois anos utilizados para o desenvolvimento e

pelos designers, a escultura pode ser vista de todos os ângulos do

iluminação de destaque dos espaços, permitindo flexibilidade

PMDL e de iluminação do suíço Lichtkompetenz, o complexo

a conclusão do projeto, seis semanas foram dedicadas in loco

espaço, circundada por elementos verticais revestidos de madeira

em eventuais mudanças de layout.

oferece aos viajantes uma experiência integrada de varejo de

pela equipe de lighting designers, durante os diferentes estágios

que remetem à arquitetura vernacular e recebem um sistema de

Enquanto a iluminação arquitetural e os ambientes de moda

produtos locais e internacionais, hospitalidade e lazer, além

de construção.

iluminação indireta, revelando sua silhueta.

receberam temperaturas de cor mais quentes, entre 2.700 K e

de amenidades que atendem aos clientes em um cenário

O projeto de iluminação contou com a expertise e a sutileza

O espaço conta com a combinação de diferentes recursos de

3.000 K, a iluminação integrada no mobiliário para produtos de

contemporâneo. Ao mesmo tempo, o empreendimento busca

de seus designers para equilibrar as diversas informações visuais

iluminação para a caracterização das diversas áreas e marcas que

beleza recebeu temperaturas neutras. Acessórios, como relógios

fazer uma transição sutil e ininterrupta com o Museu existente,

do novo espaço: a arquitetura em si, as várias marcas e tipos de

compõem a T Galleria. Sancas perimetrais iluminadas estruturam os

e joias, receberam temperaturas de cor mais frias.

considerando os recursos de iluminação de destaque, utilizados

produto exposto, assim como as composições decorativas, uma

ambientes, enfatizam suas alturas e trazem leveza ao fornecer uma

Na sessão de souvenires, uma instalação especial se soma

no museu para acentuar o contexto espacial e as obras de

alusão aos elementos regionais.

iluminação difusa e homogênea para as diversas superfícies verticais.

às demais, com telas retroiluminadas com motivos regionais

arte na galeria comercial. Os novos espaços também se inspiram

Por exemplo, uma instalação de arte de quase 18 metros

Os demais nichos foram posicionados sobre expositores

fazendo fundo para os produtos de artesãos locais expostos.

na arquitetura e em referências locais, como as cores do contexto

de comprimento, inspirada nos matizes das vestes de monges

e recebem projetores orientáveis em trilhos, para o devido

Trata-se de soluções de visual merchandising desenvolvidos pelo

da região, instalações de arte com motivos tradicionais Khmer,

budistas, foi instalada no forro do átrio abobadado da loja e

destaque dos produtos. Mobiliários e displays para exposição

grupo DFS em colaboração com as equipes de design da PMDL

entalhes nas paredes e pilares esculpidos em arenito da galeria,

sutilmente iluminada lateralmente para não se destacar em relação

de produtos recebem iluminação integrada e específica.

e a de iluminação. Mais um recurso para a ênfase dos produtos

assim como esculturas tradicionais cambojanas.

ao restante da loja. Intitulada de Khsai Ponnareay, ou Fita Luminosa,

Downlights embutidos no forro orientáveis complementam a

e da marca T Galleria.

54 55


Telas retroiluminadas na parte posterior das estantes servem de fundo para os souvenieres com motivos locais. Foram

desenvolvidas pela equipe de visual merchandising da DFS com o suporte dos lighting designers e dos arquitetos do projeto. Os

projetores LED 3.000 K, 12° ou 24°, 29 W e IRC>90 embutidos no forro são orientados para destaque dos diversos produtos, ora

nos expositores verticalizados e próximos das paredes, ora nos expositres espalhados pelo mall.

Acima, além da iluminação dos expositores, peças decorativas customizadas caraterizam seções e ambientes específicos, como

os pendentes para a perfumaria.

Outra característica interessante na colaboração entre as

equipes foi a adoção de parâmetros LEED GOLD para todos os

projetos DFS como uma política geral da Lichtkompetenz. Segundo

Jörg Frank Seeman, responsável pelo projeto, “Uma vez que não

existem regulamentações cambojanas em relação ao consumo

de energia, usamos as normas internacionais e garantimos DPIs

(densidade de potência instaladas) gerais aceitáveis para espaços

de varejo de ponta, como as referências do Título24 Californiano

(um código de conservação energética). Por isso desenvolvemos

também uma gama especial de downlights LED em linha com os

padrões de iluminação da LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy),

incluindo a elaboração personalizada de produtos e processos

especiais de licitação, o que facilita o gerenciamento de custos,

qualidade e serviços em países como o Camboja, onde a importação

é tão complexa quanto a compra de um parafuso, que dirá para

luminárias e componentes eletrônicos”.

Como o orçamento de execução do projeto não permitiu

a inclusão de um sistema de controle de iluminação para a

harmonização dos diferentes níveis de iluminância dos espaços e

para a dimerização individual das luminárias, a equipe considerou

o uso de downlights especiais feitos para o uso combinado

de filtros de densidade neutra, utilizados de acordo com a

necessidade de redução ou aumento de níveis de iluminância

demandados em cada espaço e situação. Ou seja, o design de

iluminação buscou equilibrar intensidades luminosas de forma a

promover os produtos como principal foco sem deixar de conferir

à arquitetura um caráter contemporâneo e aos seus visitantes,

o devido conforto visual.

Esse recurso permitiu ao escritório equilibrar a percepção da

visualização das propagandas dos produtos ao criar ilhas para a

exposição deles dentro de corredores, assim como áreas de estar

relaxantes em meio ao varejo. De acordo com os designers, os

recursos e as soluções utilizados fazem com que “a loja pareça

um museu onde se pode comprar os objetos expostos”.

Localizado dentro de um parque verdejante, a iluminação

exterior dos pagodes da T Galleria comunica sua presença e

assegura sua visibilidade noturna a longa distância. A iluminação

da fachada é complementada com persianas retroiluminadas no

primeiro andar, que equilibram a visualização de painéis de vídeo

LED. Os portais de entrada também recebem destaque por meio de

uplights que destacam suas texturas, enquadrando e contrastando

com a logomarca do empreendimento.

T GALLERIA ANGKOR

Siem Reap, Camboja

Projeto de iluminação:

Lichtkompetenz Zürich

Joerg Krewinkel e Jörg Frank Seemann (titulares)

Ticia Sarries (designer junior)

Projeto de arquitetura e interiores:

PMDL, Hong Kong

Aino Kavantera, Simon Fallon

Cliente:

DFS Group, Hong Kong

James Poon, Kevin Roach

Fornecedores:

iGuzzini, IMS 512 ltd., LVMH Lighting, Neoz,

Prolicht/Artheos, Secante, Shenzhen Rico Lighting

56 57


LUZ DOMADA, FUTURO INDOMADO

Texto: Orlando Marques, Thiago Gaya | Fotos: Divulgação

Aconteceu em Frankfurt, entre os dias 13 e 18 de março, a

última edição da Light+Building, que reuniu aproximadamente

2.714 expositores e 220 mil visitantes, vindos de nada

Para compreender a edição de 2018, é necessário um rápido

retrospecto dos últimos dez anos, durante os quais observamos

o grande empenho dos fabricantes, sobretudo os de LED, para a

segura – conveniente”, seguiu os caminhos ainda incertos da

tecnologia de controle e comunicação, ainda que alguns conceitos

e ferramentas, cabe ressaltar, já estejam sedimentados, como o

conceitos e ferramentas antes reservados aos equipamentos

luminotécnicos ou arquiteturais.

Como bem sintetizou a arquiteta Cláudia Borges Shimabukuro

menos que 177 países – vale lembrar que o planeta tem 206

sua melhoria em aspectos quantitativos – eficácia, pacote de luz,

tunable white (branco dinâmico), warm dimming (dimerização

em seu depoimento para a L+D, a edição 2018 da Light+Building

países. Isso dá conta da abrangência e da relevância desse que

gerenciamento térmico, etc. – e qualitativos – IRC, temperatura

“quente”), independentemente de sua qualidade.

foi bastante centrada, “sem arroubos tecnológicos, priorizando

é, sem dúvida, o mais importante acontecimento do mundo da

de cor, binagem, conforto visual, etc. Essa foi a tônica das edições

Por outro lado, é inegável que, na edição deste ano, também

o ser humano em meio à luz domada: sem ofuscamento,

iluminação e que cresce a cada ano.

de 2008 a 2014. Em 2016, como bem observou o arquiteto

pudemos constatar, em meio aos bits and bytes da “luz digital”,

com intensidade, com cor, definição de fachos e formato

Simultaneamente à Light+Building, aconteceu a Luminale,

Carlos Fortes em sua matéria de cobertura daquela edição para

a maturidade dos equipamentos de iluminação no que diz

desejados, em uma interface de controle fácil e intuitiva para

Bienal de Lighting Art and Urban Design, que neste ano reuniu

a L+D, ocorreu uma mudança de rota: a busca pela “luz perfeita”

respeito à qualidade das fontes de luz e à melhoria de seus

o usuário final”.

149 instalações de luz, projetos, performances e discussões

pareceu ficar em um segundo plano, perdendo espaço para as

conjuntos ópticos e do conforto visual. Outro aspecto notável,

Para a cobertura da Light+Building 2018, convidamos alguns

acerca de cinco categorias: arte, comunidade, estudo, soluções e

inúmeras possibilidades da “luz digital” e sua conectividade.

cuja tendência se evidenciou na Euroluce 2017, é o encontro do

profissionais de iluminação que estiveram em Frankfurt para

cidades melhores. Aproximadamente 240 mil pessoas visitaram

De fato, a rota da indústria de iluminação foi recalculada

design com a tecnologia: luminárias com desenho elaborado,

dividir com nossos leitores as experiências vividas nesses

as atrações espalhadas pelas cidades de Frankfurt e Offenbach.

em 2016 e a Light+Building 2018, cujo mote foi “conectada –

com apelo decorativo, ganham funções técnicas, incorporando

dias intensos de estímulos diversos e, neste ano, muita neve.

58 59


DEPOIMENTOS

CLAUDIO RAMOS

Electrolight

Para nós, lighting designers e especificadores, esse

tipo de experiência e a vasta gama de produtos que a feira

exibe tendem a ser regeneradores. O contato direto com

a variedade de equipamentos que a feira apresenta e a

inspiração que eles podem trazer tornam nossa visita a esse

evento indispensável.

FABIO KEITI

Omega Iluminação

O que caracterizou a L+B 2018 foi a consolidação de soluções

em conectividade e no bem-estar do usuário, ideias que foram

introduzidas em 2016 e agora foram traduzidas em produtos.

Consolidaram-se também o aprimoramento de luminárias com

maior eficiência, os controles de ofuscamento, a evolução do

conjunto óptico e a miniaturização das fontes de luz.

ANA KARINA CAMASMIE

Foco luz e desenho

Dois pontos me chamaram atenção: primeiro, ficou claro

o protagonismo da informática no mundo da iluminação. Seja

pela possibilidade digital de endereçamento dos drivers, seja por

uma inteligência holística de todo o sistema. Depois, o olhar

mais voltado para o ser humano, principalmente quando

falamos em LEDs já com a ausência do espectro azul, e

várias outras questões tão fundamentais para o bem-estar.

ANTONIO CARLOS MINGRONE

Mingrone Iluminação

A L+B nos coloca sempre diante da poesia e da técnica

que se pode efetivar em termos de iluminação. Há cuidados e

aprimoramentos de técnica até mesmo nos produtos decorativos.

A questão eletrônica vem muito forte: a conectividade foi o

grande tema. A luz passa a ser programada, acionada, efetivada

em termos de nível de iluminação, tom de luz, cor de luz.

Observamos também uma tendência pouco praticada

no Brasil, principalmente para escritórios, em que se tem a

iluminação incorporada ao plano de trabalho. Imagine trabalhar

em um escritório em que no teto não há nenhum ponto de luz,

nem pendente, nem embutido, nem de sobrepor?

Outro ponto foram os tetos luminosos que representam o

céu. A fonte de luz se assemelha à luz natural. E o mais incrível:

tetos nessa condição representando a luz noturna, a luz da Lua.

Ir à feira é um verdadeiro paraíso profissional!

CARLOS FORTES

Estudio Carlos Fortes

L+B 2018 reafirma caminhos traçados em anos anteriores.

Os sistemas modulares lineares com poníveis, com elementos

difusos, diretos ou indiretos, velhos co nhe cidos nossos, parecem

ter se tornado commodities, com diversas variações. Conexões

imantadas, famílias completas de embutir ou sobrepor compõem

um amplo espectro de opções. A apresentação de conjuntos

ópticos de alta performance e controle do ofuscamento sugere

um caminho definitivo na substituição do velho refletor duplo

parabólico na iluminação de escritórios.

Também se sedimentam os conceitos de Tunable White,

Human Centric Lighting e IoT, com sistemas de automação e

conectividade cada vez mais elaborados.

CELSO TISSOT

Luxion

Cada vez mais a tecnologia do LED, aliado à conectividade,

mostra o dinamismo e a inovação das empresas líderes de

mercado mundial.

O universo dos produtos de iluminação expandiu suas

fronteiras para incorporar soluções muito além da iluminação

em si, com avanços significativos para a saúde e o bemestar

do ser humano, do design arrojado e da experiência de

compra no novo varejo.

CLARISSA BONOTTO

LD Studio

Foi minha primeira vez na L+B e fiquei impressionada com

a diversidade de produtos expostos. A sala de exibição The

Light Experience, no estande da iGuzzini, me encantou com a

sincronização de luz e som.

A tecnologia/inteligência empregada nas luminárias da

Occhio também foi ponto alto da feira. Pude ver ainda novidades

interessantes para área externa, especialmente as portáteis,

com soluções a bateria.

CLÁUDIA BORGES SHIMABUKURO

Lit Arquitetura de Iluminação

Essa edição da L+B me pareceu bastante centrada, sem

arroubos tecnológicos, priorizando o ser humano em meio à luz

domada: sem ofuscamento, com intensidade, com cor, definição

de fachos e formato desejados, em uma interface de controle

fácil e intuitiva para o usuário final, mas que requer uma grande

complexidade de projeto e design para ser alcançada.

Observou-se também a continuidade de tendências vistas

em edições passadas, como a integração às demais disciplinas

da arquitetura, como luminárias com funções acústicas, soluções

integradas ao método construtivo e soluções mais elegantes de

iluminação para o crescimento e a sobrevivência das plantas.

Outra ideia presente foi a miniaturização e o pensamento

em sistemas de iluminação como solução global no projeto, em

vez de luminárias individuais.

DANIELE VALLE

LD Studio

O que mais me chamou a atenção nessa edição da

feira foi a miniaturização dos produtos, indo de encontro

à tendência de incorporar as luminárias à arquitetura de

maneira muito discreta. Foram apresentadas várias soluções

de miniprojetores, miniperfis de LED, além de wallwashers e

nichos de gesso bastante estreitos.

DÉBORA ESPOSTO

Estudio Carlos Fortes

O que mais caracterizou a L+B 2018 foram os sistemas

de flexibilização da iluminação. As inúmeras possibilidades

de projetores, linhas de luminárias difusas, focos e

pendentes, tudo combinado de forma a oferecer aos lighting

designers não só a capacidade de desenvolver o melhor

projeto, mas também para que ele possa se reinventar ao

longo do tempo, adaptando-se a novas necessidades.

EDER FERREIRA

LiD – Light In Design

Nessa feira vi um LED consolidado, permeado cada vez

mais no mundo da interação, da inteligência artificial, por

meio de um simples controle de intensidade, passando pelo

branco dinâmico, até a interação com outras frentes, como o

controle de presença inteligente (hotmaps) ou o próprio Li-

Fi. Nada disso é novidade, mas é cada vez mais presente em

todos os tipos de produto para todos os bolsos. Acredito que,

dessa forma, o LED vai ser como o celular, agregando cada

vez mais inteligência, mas sua função principal terá de dividir

espaço com todas as demais. Isso é fato!

FERNANDA CARVALHO

Design da Luz Estúdio

Após a euforia que o mundo da iluminação viveu na última

década, a tecnologia LED parece ter alcançado um platô de

inovação nos quesitos eficiência e qualidade de espectro, ainda

que melhorando em ritmo contínuo, mas sem grandes revoluções.

Qualidade de luz está acessível a quem pode pagar, não é mais

exclusividade de um ou outro fabricante. Fica clara a divisão

dos fabricantes em dois grandes blocos: aqueles que realmente

investem em inovações pontuais, e os que apenas seguem a maré.

Fabricantes com tradição de trabalhar em parceria com lighting

designers parecem ter conseguido se destacar do segundo

bloco, investindo em melhorias ópticas, na miniaturização dos

equipamentos e na criação de sistemas com bom design. Fachos

mais “bem-comportados”, preocupação com ofuscamento e

variabilidades fotométricas em famílias de produtos ganharam

o espaço que merecem. O melhor mesmo da feira é encontrar

as pessoas e ter um distanciamento do dia a dia de projeto para

refletir sobre o que fazemos e por que fazemos.

GUINTER PARSCHALK

Studio ix

Trazer a luz digital para mais próximo da luz natural foi

talvez a grande popularização da L+B 2018.

O branco dinâmico nos LEDs invadiu vários estandes e

pavilhões da feira, apontando que em breve quase tudo será

incandescentemente digitável.

60 61


DEPOIMENTOS

GUSTAVO MAFRA

Iluminar

Em nossa área, de iluminação técnica planejada, nota-se

cada vez mais afinidade de nosso estilo ortodoxo clean com

a tendência mundial. Privilegiam-se a qualidade e os efeitos

da luz na arquitetura, com o mínimo de interferência estética.

Mantra que a Iluminar repete há 40 anos.

Na área tecnodecorativa, a VIBIA mais uma vez é um dos

destaques da feira, apresentando soluções inovadoras que

aliam design e tecnologia. As linhas componíveis lançadas

nessa edição possibilitam ao arquiteto iluminar grandes

espaços residenciais ou comerciais a partir de um único

ponto de alimentação elétrica.

INES BENEVOLO

iluz studio de iluminação

Os diferenciais da L+B 2018 foram o surgimento de

luminárias com facho dinâmico/multifoco e sua possibilidade

de alteração do facho da luminária tanto manualmente

como por meio de sistema de automação. Em um pésdireitos

mais baixos, por exemplo, essa funcionalidade pode

ser prescindível sem maiores investimentos em sistema

de automação. Em pés-diretos mais altos, no entanto, o

multifoco pode ser um aliado da flexibilidade durante o

processo de focalização.

Outra característica comum pela feira foi ainda a

miniaturização das luminárias lineares embutidas, com

vários fluxos e intensidades, precisão de facho e rigoroso

controle antiofuscamento.

IVONE MAGALHÃES SZABÓ

MS+M Associados

Em toda visita à feira, vamos em busca de aprendizado,

de inovações tecnológicas e de design, uma vez que estamos

no meio dos maiores fabricantes do mundo da iluminação.

Nessa edição constatamos a tecnologia da luz do LED

consolidada e muitas outras aparecendo, o que nos deixou

um questionamento: qual é o papel do lighting designer

nesse universo expandido da iluminação?

JUNIA AZENHA

Foco luz e desenho

A feira mostrou não somente um LED com eficácia

consolidada, mas também suas características a serviço

do ser humano, com tecnologia que possibilita, de forma

simples, a alteração de temperatura de cor em função do ciclo

circadiano das pessoas. Destaque também para luminárias

decorativas adaptadas à tecnologia LED e a conectividade

aliada a todos os sistemas de automação.

LETÍCIA MARIOTTO

Lit Arquitetura de Iluminação

Não apesar de toda a evolução tecnológica, mas em

conjunto e por causa dela, a L+B deste ano foi muito mais

humanizada e focada no usuário, levando em conta, de fato,

suas necessidades biológicas, seu conforto físico e visual,

seus hábitos e experiências, permitindo a personalização

dos controles de forma mais fácil e intuitiva. Uma surpresa

bem positiva nessa feira, da qual, a princípio, eu não

esperava muito.

LUIS STELUTTI

Steluti

Na área de automação, foram apresentadas muitas

novidades que ainda precisam ser testadas para criar

confiabilidade. A Lutron demonstrou um sistema de

tunnable white com um driver com o qual você regula a

temperatura de cor e dimeriza.

MARTINA WEISS

Licht Kunst Licht

O que mais impressionou foi o revolucionário, ainda que

supersimples, novo uso para os trilhos eletrificados trifásicos e

fixação de luminárias lineares difusas, por exemplo. Genial!

O conceito “Human Centric Light” realmente ajudou a

impulsionar projetos de luminárias bacanas e tecnologicamente

inovadoras para o mundo corporativo.

MONICA LOBO

LD Studio

É sempre muito bom ir à Frankfurt a cada dois anos,

respirar a evolução da indústria, rever amigos e colegas e

tentar entender os rumos da nossa profissão.

Nessa edição tentei fazer uma visita sem muitos agendamentos

e reuniões, justamente para deixar a sen sibilidade mais

aguçada para entender o que está rolando na nossa indústria.

Senti certa descontinuidade nas identidades e nas direções

dos fabricantes, o que a princípio me pareceu negativo e, de

certa forma, um sintoma de fragilidade. No entanto, evoluindo

um pouco mais, concluí que isso pode ser a indústria ouvindo

mais o mercado e todos os que dele fazem parte.

NUNO MATOS

Osvaldo Matos

Em um mundo em mudança permanente, imprevisível e

instável, uma certeza temos quanto à luz: é o tempo dos seres

humanos e de sua relação com ela.

Como era esperado, a L+B 2018 apresentou as últimas

tendências de design e tecnologia em iluminação. Assistiu-se,

a exemplo de outras indústrias, ao fenômeno da digitalização

a abrir o caminho para uma nova dimensão na concepção

de luminárias e, finalmente, às inovações em tecnologia, que

estão a colocar no centro as pessoas e suas necessidades, o

tal “Human Centric Lighting”. Falamos de efeitos da luz sobre

as pessoas e sobre sua saúde, seu bem-estar e sua capacidade

de desempenho. Como seres humanos, estamos, portanto, no

bom caminho, e a L+B 2018 foi testemunho disso mesmo.

PASCAL CHAUTARD

Limarí Lighting Design

Passei grande parte da L+B 2018 no tradicional hall 3

dos grandes fabricantes. Em geral, senti falta de uma identidade

própria das grandes marcas deste pavilhão, notei a

homogeneização de diversas linhas de equipamentos e, em

muitos casos, a miniaturização de equipamentos será difícil

de melhorar.

O Bluetooth parece ser o protocolo de controle/

comunicação sem fio com o futuro mais promissor.

PAULA CARNELÓS

Acenda

Aspectos qualitativos da tecnologia do LED não são mais o

foco principal. A evolução desse tipo de fonte de luz alcançou

um patamar e parâmetros de qualidade que permitem às

empresas investir no comportamento da luz com design e

ópticas específicas para essa tecnologia, e não mais como uma

insistência maciça em adaptá-la ao sistema convencional. Isso é

um início de caminho que pode indicar o que será apresentado

nos próximos dois anos.

RAFAEL BERTOLUCCI

Cia da Iluminação

Miniaturização, luminárias auto matizadas, fachos ajustáveis,

sistemas modulares, multigerenciamento e interação

entre drivers e usuários. Realmente o setor de iluminação não

para de evoluir e de nos surpreender. Mais uma vez a L+B se

mostrou essencial para todos profissionais do nosso setor.

REGINA BRUNI

Studio Regina Bruni

É sempre uma delícia mergulhar nas tendências da L+B. Em

cada edição fica mais clara a importância da interação da luz, da

emoção e do bem-estar com a informação e com a inteligência

artificial, da miniaturização das formas e do conforto visual, do

controle do movimento, do tempo, das temperaturas de cor... A

subjetividade da luz cada vez mais presente de forma elegante

no nosso contexto.

Acender a luz já não é nem será mais o ato em si de iluminar.

Trata-se de criar uma experiência sensorial com a qual não vemos

mais somente com os olhos, mas com todos os nossos sentidos.

REGIS PINA

Verani

Essa edição mostrou que a inovação é o tema central e

ela levará a iluminação, nas suas diversas áreas de aplicação,

para algum lugar muito melhor e muito distante de onde

estamos hoje. Como ocorreu com o WWW, o futuro nos

reserva ótimas surpresas.

62 63


EQUIPAMENTOS LIGHT+BUILDING 2018

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

ARTEMIDE

Vencedor do prêmio Pritzker 2016, o arquiteto chileno

Alejandro Aravena projetou para a italiana Artemide a luminária

“O” 1 2 , “uma tentativa de reconciliar as necessidades do

ambiente natural e o urbano”. Com versão pendente ou de piso

e IP para áreas externas, a luminária emite fluxo de 2.780 lm e

possui temperatura de cor de 2.700 K.

Outro lançamento é a luminária para luz difusa Discovery,

com versão pendente ou de parede 3 , desenho do designer e

fundador do Grupo Artemide, Ernesto Gismondi.

CASAMBI

A principal característica da finlandesa Casambi 4 é a

interoperabilidade. Sua tecnologia promete funcionar com

todos os fabricantes de iluminação, com as mais relevantes

fontes luminosas e métodos de controle, incluindo DALI, 0-10

V, 1-10 V, Forward Phase, PWM, tanto de fontes luminosas

quanto de motores. Com suas unidades de controle, é possível

agrupar luminárias de forma intuitiva e controlá-las em grupo ou

individualmente. Possui sensores de presença e de luminosidade

e relógio astronômico. Pode ser operada no local, por meio de

interruptores Casambi ou dos seus parceiros, ou remotamente,

por meio de aplicativos via Bluetooth. Sincroniza de maneira

automática luminárias novas com unidades Casambi. Também é

possível agrupar um número infinito de redes Casambi e controlar

temperaturas de cor e intensidade luminosa de fontes de luz.

DELTA LIGHT

Nascida da fascinação dos arquitetos do escritório

holandês OMA pela linha, pelo ponto e pela superfície,

características-chave do discurso arquitetônico, a coleção

XY 180 5 , criada para a belga Delta Light, apresenta a

família Punk, com versões de projetores 6 7 , arandelas

8 e pendentes 9 . Outro destaque é a cachoeira de luz da

Kaskade com versão arandela de 3 quedas (2.200 lm) 10

ou 4 quedas (2.600 lm) 11 e iluminação indireta (400 lm)

(4). É possível customizar comprimentos de acordo com a

arquitetura. Superloop 12 é um sistema modular componível

de luminárias fixadas por meio de encaixe, sem a necessidade

do uso de ferramentas; com projetores orientáveis para luz

direta, fixos para luz direta e indireta com cúpula translúcida,

com luminária difusa linear da coleção XY 180 e com linha

luminosa contínua difusa nas laterais das bases pendentes

circulares em quatro diâmetros diferentes e também bases

quadradas ou retangulares com dois tamanhos cada.

ERCO

Com o tema “Luz é a quarta dimensão da arquitetura”,

a empresa alemã apresentou nesta edição o Erco Individual,

serviço de individualização ou adaptação de certa linha de

seus produtos de acordo com necessidades específicas

dos projetos, incluindo prazo de entrega e custo. Além

de temperatura de cor, ou outras fontes luminosas, como

o LED COB, a empresa pode desenvolver sistemas de

fotometrias modulares, uma recente tendência no mercado

de iluminação. Destaque para as linhas Optec 13 , e

Quintessence 14 , com a nova double focus para ambientes

com pés-direitos acima de 8 metros. Já os projetores da

linha Stella 15 agora conseguem entregar até 4.430 lux no

plano, com distância de até 10 metros.

Em breve a empresa vai lançar solução de controle e

conectividade em rede via Casambi na linha Optec para

trilho, além de lentes de focalização (zoom lens) para fachos

circulares e elípticos.

FLOS

O sistema com projetores motorizados Fast Track 16

foi a grande atração da italiana Flos. É possível orientar e

definir suas posições no trilho, além de dimerizá-los por

meio de aplicativo. O sistema miniaturizado Zero Track 17 é

composto de um trilho de sobrepor de 15 mm de largura e de

luminárias difusas como a Atom e projetores Find Me. Para

áreas externas, o versátil balizador Landlord possui dois

modelos de cúpula, um para iluminação difusa 18 e outro

para projetor 19 . Possui também diversos acessórios para o

projetor, como grelhas antiofuscamento, difusores e lentes.

Pode ser fixado em quatro alturas diferentes de haste, em

base de concreto ou espeto.

FLUVIA

A espanhola Fluvia lança a luminária componível Loop

20, arandelas sem moldura embutidas na parede com fonte

OLED em temperatura de cor 3.000 K, fluxo de 77 lm e ORC

90. Permite a rotação de 360° e a composição de padrões

de luz e sombra nas paredes ou no forro.

IGUZZINI

Este ano a italiana de Recanati, iGuzzini, apresentou, em

seu Light Experience Room, mais uma instalação do lighting

designer espanhol Maurici Ginés. Com a miniaturização

bastante presente em seus equipamentos, a empresa

apresentou uma sala dedicada a Laser Blade XS ou The Blade,

com novas Laser Blade XS LV 21 para trilho e a Laser Blade

XS pendente 22 . Outra novidade são os projetores Palco 23

para iluminação de destaque, agora em versão com 19 mm

de diâmetro, e a Palco Framer 24 , com conjunto óptico com

foco definido e preciso. O balizador com IP 66 de pequenas

dimensões Walky 25 foi apresentado em três formatos:

circular (50 mm), retangular e quadrado (45 mm) com LED

de 270 lm a 2.800 lm.

13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

25

64 65


EQUIPAMENTOS LIGHT+BUILDING 2018

26 27 28

29 30 31 32 33 34

INGO MAURER

O designer apresenta Blow Me Up

26 , luminária

inflável linear de 1.800 mm para fita de LED disponível em

temperaturas de cor 3.000 K e 4.000 K e fluxo de 4.000 lm,

com acabamento interno para reflexão da luz em prateado,

azul, violeta e verde 27 . Possui sensor sem toque para ligar e

desligar. Durante a feira a cobertura do estande do designer

foi revestida pelas luminárias com fita de LED RGB, sendo

cada cor controlada individualmente.

LENSVECTOR

Os norte-americanos da LensVector 28 apresentaram

sua tecnologia de lente de células de cristal líquido em pelo

menos cinco fabricantes de luminárias, dentre eles a italiana

Targetti e a alemã WILA. A tecnologia permite alterar um

facho de luz dinamicamente, por meio do alinhamento do

eixo das moléculas das células de cristal líquido com a

alteração da curvatura de um campo elétrico.

OCCHIO

A família Mito 29 da fabricante alemã Occhio está

disponível em três tamanhos nas versões pendente,

aplicada e de piso. Além do desenho elegante, o destaque

é a possibilidade de controle da intensidade luminosa, da

temperatura de cor, da emissão direta e/ou indireta, no caso

dos pendentes, e até da altura do pendural, por meio de

sensores sem toque ou de aplicativo via Bluetooth. Possui

três diâmetros, 205 mm, 400 mm e 600 mm, e fluxos que

variam de 2.220 lm a 3.300 lm.

O/M

One Plus 30 , um dos lançamentos da fabricante portuguesa

Osvaldo Matos – que possui fábrica no Brasil –, é uma

luminária orientável de embutir que promete aproveitamento

de 90% da sua intensidade luminosa no facho e UGR zero.

Em dois tamanhos e versões de fixação com e sem moldura,

a linha possui dois tipos de facho para cada tamanho, com

orientabilidades vertical de 30° no facho de 32° e de 25° no

facho de 46°, e horizontal de 355° em ambos os fachos.

PHILIPS

A marca acaba de lançar luminárias com a tecnologia

LiFi (Light Fidelity), que permite a transmissão de dados de

internet de até 30 Mb por segundo por meio do espectro visível

da luz, em vez de radiofrequência WiFi, que são, em geral,

transmissões congestionadas e com muitas interferências.

Luminárias com essa funcionalidade podem ser utilizadas

em locais onde a radiofrequência causa interferência com

outros aparelhos, como hospitais ou ambientes subterrâneos.

A transmissão LiFi é mais segura do que a WiFi por não

atravessar paredes. As primeiras luminárias com LiFi são da

família Philips PowerBalance gen2 e Philips LuxSpace 31 .

SANTA & COLE

Lámina 32 , do designer Antoni Arola para a espanhola Santa

& Cole, é um pendente com cúpula curva fina de papel para

iluminação indireta, difusa e suave. Disponível em tamanhos

diferentes, a luminária é suspensa por cabos de aço finos e

quase invisíveis, parecendo flutuar no espaço.

SIMES

A alemã Simes lançou a linha de balizadores Ghost 33 34 com

tecnologia para sua total integração ao tecido arquitetônico, seja em

concreto armado, em alvenaria ou em painéis de isolamento térmico.

TARGETTI

Novo membro da família Zeno, o pequeno projetor Zeno

Small com versão para trilho 35 e de sobrepor 36 com driver

remoto, possui fachos de 7°, 11° e 30°, 48° e 60°, temperaturas

de cor 3.000 K e 4.000 K com Ra 97 e fluxos de até 1.443 lm.

Pode ser controlado por DALI e Bluetooth via Casambi. Outra

atração foram os projetores com a função de facho dinâmico,

o Dynamic Beam Shaper, por meio de tela de cristal líquido da

LensVector, controlados pelo aplicativo.

TRILUX

Com projeto do escritório de iluminação Licht Kunst

Licht, o fabricante alemão Trilux lançou a luminária de mesa

Bicult LED 37 , com emissão direta para o plano de trabalho

e indireta para cima. Na porção indireta, a luminária possui

fluxo de 5.000 lm e, para baixo, de 500 lm. Possibilita rigoroso

controle antiofuscamento, por meio do Sistema Triplo de

Controle de Ofuscamento (Triple Glare Control System), que

consiste na combinação de três sistemas ópticos.

Cada luminária pode ser controlada individualmente ou

em grupo por meio de botão na luminária ou de aplicativo.

Possui sensor de presença integrado, podendo ligar um grupo

de luminárias ou uma delas por vez. Pode ser dimerizada e

possui branco dinâmico de 2.700 K a 6.500 K. A altura da haste

pode ser ajustada, e sua base dispõe de tomada USB para o

recarregamento de celular.

VIBIA

A espanhola Vibia apostou na linha componível Stick 38 ,

desenhada pelo designer Arik Levy e que ainda está em fase de

protótipo, o qual foi exposto no estande da marca. O sistema é

alimentado em um único ponto elétrico, permitindo flexibilidade

nas composições no espaço arquitetônico. Cada segmento da

Stick é orientável independentemente, possibilitando escolher a

direção para a emissão da luz.

XAL

Além de apresentar as luminárias mais faladas da feira,

o estande “XAL Cidade da Luz” destacou-se por apresentar

um plano de visitação espaçoso e inteligente, com salas

autoexplicativas e de fácil compreensão. Apontada por

muitos lighting designers como o principal destaque da

L+B, a luminária de embutir UNICO 39 permite combinar na

mesma peça diferentes tipologias de fachos e fotometrias,

incluindo fachos circulares, retangulares, elípticos simétricos

e assimétricos tipo wallwasher e diferentes fluxos. É possível

também alterar a temperatura de cor e a intensidade das

combinações de maneira individual ou em conjunto, por meio

de aplicativo via Bluetooth.

O projetor para trilho PACO 40 possui tecnologia de

facho dinâmico, por meio de “óptica de cristal adaptativa”,

controlado por meio de aplicativo via Bluetooth. Com isso é

possível alterar dinamicamente o tipo de facho de circular a

elíptico, com variação de 10° a 50° de abertura.

A luminária tubular difusa PIVOT 41 e a de efeito

STREAK 42 43 são peças do sistema MOVE IT de trilhos

imantados, com fixação por meio de encaixe, que permitem

flexibilidade na composição de efeitos de luz nos espaços.

35 36 37 38 39 40 41 42 43

66 67


LUMINALE 2018

Texto: Débora Torii

Fotos: Leandro de Carvalho, Ralph Larmann, MESO

Silêncio. Como sinal de respeito, de contemplação, de

curiosidade, o silêncio ecoava em meio à numerosa plateia

que marcou presença, fielmente, durante as seis noites em

que aconteceu a mais recente edição da Luminale, em Frankfurt

e em Offenbach, na Alemanha. Já em sua 9ª edição, o festival

– concebido em 2002 pela Messe Frankfurt e realizado a cada

dois anos, paralelamente à prestigiosa feira Light+Building – é

considerado, por moradores e visitantes, um dos maiores e

mais esperados eventos da região, recebendo cerca de 200 mil

visitantes a cada edição.

68 69


3 3

2

Meso

1

4

Neste ano, a Luminale foi promovida ao status de “Bienal

de Light Art e Desenho Urbano”, deixando de oferecer apenas

instalações de arte com luz e buscando abranger um discurso

mais amplo e interdisciplinar, envolvendo a cidade e seu futuro

nos aspectos social, ecológico, tecnológico e artístico. “Nossa

intenção é a construção de iniciativas de design urbano sustentável

em longo prazo”, afirma a diretora do festival, Isa Rekkab,

apoiada por Peter Feldmann, prefeito da cidade de Frankfurt

e padrinho do festival.

Os 149 projetos apresentados neste ano, foram, como parte

do novo conceito, divididos em cinco categorias: “Art” (que

apresentou projetos artísticos marcantes envolvendo luzes e a

cidade), “Community” (que também reuniu instalações de light

art, porém abertas à experimentação e à interação, buscando o

envolvimento do público), “Solutions” (que abrangeu cinco noites

de debates e apresentações temáticas acerca do desenvolvimento

urbano nas escalas local e global), “Study” (cujo foco foi a produção

de jovens e criativos talentos locais) e “Better City” (dedicada a

projetos que serão mantidos permanentemente, com o intuito de

beneficiar a cidade nos âmbitos ecológico, social e cultural). O

novo formato do festival incluiu ainda o inédito oferecimento de

uma série de visitas guiadas por rotas especialmente elaboradas

pelos organizadores.

Dentre as mais de 50 instalações de arte espalhadas por Frankfurt

e sua vizinha Offenbach, o segmento Community trouxe algumas

gratas surpresas, como a obra Illusion_Line 1 , da artista sul-coreana

Jeongmoon Choi, em sua segunda participação no festival, que

propôs a exploração dos limites entre a proteção do espaço privado

e o isolamento social, por meio da criação de um novo espaço

conformado apenas por fios coloridos e luzes ultravioletas. Já a

divertida (POP)KORNMARKT 2 , da agência alemã Wirz & Hafner

Werbeberatung em parceria com os designers da MESO Digital

Interiors, transformou uma das fachadas do Kormarkt Arkaden – um

grandioso empreendimento comercial e residencial em construção

– na maior máquina de pipoca do mundo, utilizando projeções

interativas e sensores de movimento inteligentes.

70 71


5 6

8

7 9 10

Seguindo a tradição dos anos anteriores, as intervenções

transformaram completamente alguns dos maiores símbolos

arquitetônicos de Frankfurt, como a sede do Banco Central

Europeu (ECB), cujas fachadas receberam a obra Cross Hatch

3 4 , um show de aproximadamente 10 minutos no qual as

ilustrações do berlinense Andreas Preis foram animadas

e projetadas pelo coletivo artístico alemão Urbanscreen,

simbolizando dois princípios de design, o histórico e o moderno,

e sua inter-relação, em alusão à arquitetura do próprio edifício

do ECB.

Outro grande destaque foi a emocionante Changing Times

5 6 , do estúdio italiano Karmachina, que contou a história

do edifício da Alter Oper (Antiga Ópera) – pela primeira vez

incluído na Luminale –, por meio de trilha sonora específica e

de projeções mapeadas em sua própria fachada, representando

as fases de sua inauguração, em 1880, de sua destruição durante

a Segunda Guerra Mundial e de sua posterior reconstrução.

Igualmente tocante, a instalação Katherinen+Passion 7 , criada

pela artista vienense Victoria Coeln, transformou o interior da

igreja St. Katharinenkirche em uma obra artística analógica

por meio de expressivas projeções desenhadas à mão –

acompanhadas também de música em alguns momentos –,

aludindo à transformação da dor e do sofrimento em novas

perspectivas e na transcendência.

Nem mesmo o frio atípico e intenso para um início de

outono foi capaz de afastar o público que lotou, durante

todas as noites da Luminale, a praça Römerberg, considerada

um dos cartões-postais da cidade. Sem dúvida, o principal

destaque da programação de 2018 foi a instalação Frankfurt

Fades 8 9 10 , que transformou por completo as fachadas de

Römer – edifício do século XV que abrigou a antiga prefeitura

da cidade – e de outros edifícios do entorno, por meio da

projeção mapeada de palavras e de ilustrações que aludiam à

significância do Império Romano. As palavras eram projetadas

também sobre todo o piso da praça e em cortinas de fumaça

que eram lançadas em seu centro, de tempos em tempos, cuja

imaterialidade servia de metáfora da efemeridade. O ambiente

imersivo da instalação transformou seu próprio público em

suporte para a obra, que a contemplava e admirava quase

que em transe. Em silêncio.

72 73


FOTO LUZ FOTO

Trata-se de

RAFAELA NETTO

Fiz esta foto com uma grande angular, que me permitiu

mostrar a iluminação do restaurante, que era o objeto deste

ensaio, e o movimento do preparo da comida. Como a iluminação

é baixa depois do por do sol e a foto foi feita à noite, meu ojetivo

foi manter o foco no balcão dos sushimen, abraçados pelos

painéis iluminados e pela iluminação do balcão.

Os sushimen usam a mesma roupa e têm mais ou

menos a mesma altura, como se fossem fragmentos

desembaraçados de um só; um tênue espalhamento. Seus

movimentos rápidos e, ao mesmo tempo, delicados no

preparo da comida japonesa vêm à tona com a velocidade

baixa escolhida para fazer esta imagem.

Usei uma Canon 5D Mark II montada no tripé,

objetiva Canon 24mm TS-E II com abertura f/8, iso 320 e

velocidade de exposição 1,3 s. A pós-produção foi feita em

Adobe Photoshop CS6, sem tratamentos muito radicais –

ajustei um pouco o contraste e amenizei as diferenças de

temperatura de cor.

Rafaela Netto nasceu em São Paulo em 1986, é formada em Arte e Cultura Fotográfica pelo Senac e trabalha como fotógrafa de arquitetura desde 2014.

74 75


76

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully !

Ooh no, something went wrong !