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evokerevista

SET2014

BSB Nº3

A nova geração

da cidade fala dos

desafios do DF

FUTURO

Marina Serra, 17 anos


Expoart DF

O seu negócio é artesanato. O nosso é ajudar você a crescer.

Já imaginou contar com consultorias e cursos

para aprimorar o seu negócio de artesanato?

Então, conte com o Expoart DF. Um projeto que

tem o apoio do Sebrae no DF e visa desenvolver

a gestão dos artesãos de todo o Distrito Federal,

promovendo a melhoria de processos produtivos,

aumentando a competitividade dos produtos e

valorizando o artesanato local. É a sua chance

de ser mais que um artesão: ser também um

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AUTOMÓVEIS 46

ADRENALINA 50

CINEMA 72

FITNESS 52

MODA 76

SET2014

BSB Nº3

CAPA

Jovens e o futuro de Brasília

Evoke conversou com quatro

jovens sobre os principais

desafios da cidade

MUDANDO DE ASSUNTO

Ministro do TCU, José Múcio

Música, além da rotina de

processos e fiscalizações do

Tribunal de Contas da União

ENTREVISTA

Juiz Márlon Reis

Um dos maiores defensores

da lei da Ficha Limpa critica

o sistema eleitoral

COTIDIANO

Comodidade e praticidade

Destacamos serviços que

são oferecidos em casa,

ao gosto do cliente

MUNDO PET

Cães, gatos e cia. movimentam o

mercado de pet shops da cidade e

ganham espaço aqui na revista

CIDADE 28

GASTRONOMIA

60

DIREITO

82

CIÊNCIA E TECNOLOGIA 44

NUTRIÇÃO

64

EVOKE CLICKOU

86

SAÚDE 68


Conversamos também com um dos

“arquitetos” da lei da Ficha Limpa, o

juiz maranhense Márlon Reis, que fez

uma análise realista e ácida da atual

legislação eleitoral e da composição

partidária brasileira.

No Mudando de Assunto, descobrimos

e revelamos a veia musical do ministro

José Múcio, do Tribunal de Contas da

União (TCU). Ele deixou um pouco de

lado os processos e as fiscalizações

que fazem parte da sua rotina para mergulhar

no mundo da MPB e falar do cd

que está preparando.

Editor

Estevão Damázio

Executivo de Negócios

J.R. Felix

E estamos lançando nesta terceira edição

a coluna Cão, Gato e Cia, para ressaltar

um mercado que cresce em progressão

geométrica aqui no DF, o de pet

shops e clínicas. A jornalista Vanessa

Silvestre assina o novo espaço.

Além disso, trazemos as colunas do

advogado Paulo Roque e do médico cardiologista

Renault Ribeiro Junior, que

entram no nosso time de articulistas, e

jogamos luz nos serviços aqui em Brasilia

que são oferecidos na própria casa do

consumidor, explorando a comodidade e

a pessoalidade. Eles vão desde corte de

cabelo até arrumação de armários.

Repórteres

Basília Rodrigues

Vanessa Silvestre

Denise Ribeiro

Fotógrafos

Rodrigo Lopes

Studio André Leal - Ghiva

Foto de Capa

Kazuo Okubo

Projeto Gráfico

PHDesign

Impressão

Athalaia Gráfica e Editora

OO que será do amanhã?

Responda quem souber!

Como diz a letra da famosa

música, o futuro instiga,

fomenta discussões e teses, gera ansiedade.

E por mais que, na maior parte das

vezes, possamos nos sentir impotentes

diante do destino que está sendo desenhado,

temos a oportunidade de, através

do voto, exercermos o protagonismo

na construção do futuro da nossa Brasília.

E neste contexto, nada melhor do

que ouvir os jovens, a nova geração de

brasilienses que estampa a capa desta

terceira edição da Evoke. Conversamos

com quatro universitários sobre temas

dos mais variados, que representam

grandes preocupações no dia-a-dia da

população. Entre os quais, saúde, mobilidade,

mercado de trabalho. Apesar

de uma certa desilusão com a política, a

juventude quer ser ouvida.

Boa leitura.

ESTEVÃO DAMÁZIO

Tiragem

30 mil exemplares

Contato: 61 3435-1014

www.revistaevoke.com.br

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EVOKEAGO2014

EVOKEAGO2014


MARCIA ZARUR

CIDADE

RENAULT RIBEIRO JUNIOR

SAÚDE

DEiLYS GONZALEZ

NUTRIÇÃO

ANDRÉ KAURIC

CIÉNCIA E TECNOLOGIA

WEIMAR PETTENGIL

ADRENALINA

CRIS NÓBREGA E MICHELE MOURA

MODA

SIMON LAU

GASTRONOMIA

ALLAN LUCENA

FITNESS

JOHIL CARVALHO

CINEMA

JEFFERSON NASCIMENTO

AUTOMÓVEIS

PAULO ROQUE KHOURI

DIREITO

VANESSA SILVESTRE

VIDA ANIMAL


Estevão Damázio

Evoke conversou com o magistrado

maranhense que se

transformou em referência na

luta contra a corrupção nas eleições.

Márlon Reis, 43 anos, foi um dos

fundadores, em 2002, do Movimento

de Combate à Corrupção Eleitoral, que

culminou mais tarde com a aprovação

da Lei da Ficha Limpa. Recentemente,

lançou o livro O Nobre Deputado, onde

através de um personagem fictício, o

político Cândido Peçanha, relata os bastidores

das falcatruas eleitorais Brasil

afora. “O personagem é fictício, mas as

práticas não”, explica ele, que entrevistou

uma dezena de políticos e assessores,

com a garantia do anonimato.

EVOKE O livro que o senhor lançou

recentemente tem mais ficção ou realidade?

A política brasileira está suja?

MÁRLON REIS A política brasileira está

comprometida por um sistema eleitoral

falho e por uma forte cultura clientelista

que teima em sobreviver. Hoje é literal-

mente possível comprar um mandato,

e isso pode acontecer em qualquer estado

da federação, embora haja algumas

regiões em que isso é mais fácil de

acontecer. Isso abre margem para a participação

eleitoral vitoriosa de pessoas

capazes de desviar verbas públicas ou

assumir compromisso com empresas

interessadas em desviar o orçamento.

EVOKE Quais os caminhos para evitar

e enfrentar as mazelas da política retratadas

na sua obra?

MÁRLON REIS Temos que começar pela

reforma política. Nosso sistema eleitoral

está morto. Ele foi pensado na década de

30 para um país analfabeto, rural, pobre e

onde a mulher precisava autorização dos

pais ou do marido para praticar atos da

vida civil e política, como votar. Passados

mais de 80 anos, temos o convívio de um

Brasil moderno, totalmente diferente daquele

do passado, mas que convive anacronicamente

com regras eleitorais que

não mais servem ao nosso País.

Juiz Márlon Reis

O DINHEIRO É O

FATOR ELEITORAL

MAIS IMPORTANTE

NO ATUAL SISTEMA

EVOKESET2014

EVOKESET2014


EVOKE A lei da Ficha Limpa realmente

pegou? A exigência da condenação em

segunda instância por um colegiado não

a enfraquece?

MÁRLON REIS A Lei da Ficha Limpa é

uma realidade irrenunciável. Nas eleições

passadas, 1200 pessoas viram

seus projetos eleitorais desfeitos pela

incidência dessa que considero a mais

relevantes das nossas leis eleitorais. A

exigência de que a condenação se dê

em âmbito colegiado agrega respeito

aos direitos do candidatos, reduzindo

os riscos de injustiça.

EVOKE Teremos, de fato, eleições limpas

no que diz respeito ao nível de consciência

do eleitor? O brasileiro está preparado

para, se for o caso, protestar nas

urnas e não nas ruas?

MÁRLON REIS Estou convicto de que

a parcela do eleitorado que vota de forma

realmente livre e consciente está

aumentando. Vejo isso em minhas

palestras pelo País. Há mais gente interessada

na qualidade da nossa democracia.

Espero que isso se converta

em votos mais conscientes e em luta

cívica pela transformação do vigente

sistema eleitoral.

NOSSO

SISTEMA

ELEITORAL

ESTÁ MORTO.

É DA DÉCADA

DE 30!

EVOKE O sr. é favorável à discussão

do fim do voto obrigatório? Alguns ministros

do Supremo, entre os quais,

Marco Aurélio Mello, já afirmaram que a

irrisória multa de três reais para quem

não votou nem justificou, na prática,

derruba a tese do voto obrigatório.

MÁRLON REIS Sou por princípio a

favor do voto facultativo, mas ele não

pode ser implantado no Brasil sem a

prévia mudança do sistema eleitoral.

É que hoje os políticos que compram

votos utilizam técnicas de monitoramento

para confirmar se o eleitor que

vendeu o voto realmente compareceu

à sessão eleitoral. Ali, de posse do Boletim

de Urna, verificam se o voto apareceu.

Se adotássemos hoje o voto facultativo

facilitaríamos ainda mais esse

monitoramento.

EVOKE E a reforma eleitoral? Quais devem

- ou deveriam - ser os pilares dela?

Não tem partido demais no Brasil?

MÁRLON REIS Não vejo problema

em termos muitos partidos. O problema

está em que temos muitos

partidos de aluguel. Há partidos que

não têm o menor compromisso com

qualquer programa. Servem apenas

para permitir as negociatas dos seus

dirigentes. Por isso precisamos de um

sistema eleitoral que enfatize os partidos

políticos, não os indivíduos, como

acontece hoje. Quanto ao sistema eleitoral,

defendo um modelo de votação

proporcional em dois turnos. No primeiro

se vota no partido, fortalecendo

o debate programático; no segundo

se vota no candidato, assegurando ao

eleitor a palavra final sobre os eleitos.

É um modelo que simplifica, barateia

e aumenta o caráter programático das

eleições e dos partidos.

EVOKE Na opinião do senhor como deve

ser o financiamento das campanhas no

Brasil? Há algum país-modelo?

MÁRLON REIS Não há um modelo inquestionável.

Defendo um sistema híbrido,

em que parte dos recursos provenha

do Fundo Partidário e parte venha de pequenas

doações individuais. Mas o mais

importante é a transparência. O dinheiro

da campanha deve circular por contas

abertas, expostas na internet em tempo

real. O maior fator de inibição do “caixa 2”

é a mais ampla abertura ao controle oficial

e social.

EVOKE Com a notoriedade que conquistou

como um dos artífices da Lei da

Ficha Limpa, o sr. pretende se candidatar

algum dia? Tem medo de ser taxado

como oportunista?

MÁRLON REIS Não tenho planos de

me candidatar. Hoje vivo exatamente

como sempre desejei. Conquistei uma

posição que me permite falar mesmo

a verdade mais inconveniente para os

poderosos. E gosto de lutar pelo aprimoramento

do sistema político. A posição

em que me encontro me ajuda a seguir

nessa missão.

EVOKE O que faz hoje uma pessoa se

candidatar: poder, dinheiro ou, de fato,

boas intenções?

MÁRLON REIS O dinheiro - e nada mais

que isso - é o fator eleitoral mais importante

no sistema que vigora hoje no Brasil.

EVOKESET2014


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Basília Rodrigues

O FUTURO

DE BRASÍLIA

Nome: Marina Serra

Idade: 17 anos

Cidade: Asa Sul

Escolaridade: 3º ano do segundo grau

Profissão: Cantora e compositora

Um ano após as manifestações nas ruas e a

falta de confiança nos políticos ter se espalhado

pelo país, quais as expectativas do jovem eleitor

brasiliense? Evoque reuniu alguns deles para falar

de temas como segurança, trabalho e educação.

EVOKESET2014

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Nome: Wladimir Gramacho

Idade: 17 anos

Cidade: Lago Sul

Escolaridade: 3º ano do segundo grau

Profissão: É diretor em um grêmio estudantil. Quer ser engenheiro de computação.

Marina Serra e Wladimir Gramacho

têm 17 anos. Ela

mora na Asa Sul, é cantora,

compositora e adota o

nome artístico de Marina Saint-hills. Ele

mora no Lago Sul, é do grêmio estudantil

da escola e sonha em se formar em engenharia

da computação.

“Eu não deveria pesquisar quem não é

corrupto, pois o político deveria dar o

exemplo de como ser um bom cidadão e

nos proteger dos ‘vilões’. Eu gostaria de

ver políticos dispostos a reformular o

sistema educacional com mais espaço

para a arte, pois o sistema atual é muito

atrasado”, afirma Marina sobre perfil

ideal de candidato a cargo público. Já

Wladimir não quer saber de promessas.

“O candidato tem que mostrar o que

é possível fazer com base em dados.

Precisa ter espírito de liderança, humildade,

boa oratória e conhecer os movimentos

sociais. Além dessas virtudes

pessoais, precisa trazer propostas sólidas

para três áreas prioritárias: transporte,

educação e saúde”, diz o jovem.

Para Marina, um bom começo para um

novo governo é ver ruas mais iluminadas.

“A falta de iluminação nos deixa mais

inseguros. Durante a greve da polícia, estive

perto de situações de assaltos e sequestros.

Alguns amigos meus já foram

assaltados na frente da minha escola,

que fica em um dos bairros mais nobres

de Brasília”. Wladimir observa ainda que

a escolha do próximo governador vai ser

determinante para o futuro do estádio

Mané Garrincha: “Com a Copa do Mundo,

Brasília recebeu um estádio de futebol

moderno e de dimensões consideráveis.

Dependerá dos próximos governos o que

será feito com a arena, podendo esta se

tornar em um vetor para o entretenimento

e o turismo”.

Um contraponto a essa expectativa em

torno do próximo governador é o relato

de Luciana Santos, também de 17 anos.

Ela mora em Taguatinga e quer ser professora.

Até essa entrevista para a Evoque,

Luciana nem estava preocupada em

tirar o título de eleitor. Mas ela vai completar

18 anos tres dias antes da votação.“Se

eu sou obrigada, vou votar nulo.

Quando eu estou assistindo à televisão,

nunca vejo notícia de que a pessoa teve

sucesso porque o governo ajudou. É

sempre notícia de que alguém morreu,

foi assaltado, está no hospital. Eu não

confio nos políticos que estão aí”.

A falta de motivação de Luciana explica

a queda no número de eleitores de 16

ou 17 anos em todo país. Em 2010, os

eleitores facultativos somavam 2,3 milhões.

Para essas eleições, há 1,6 milhão

de jovens com título.

Com 18 anos, Rhuan Nunes vai votar pela

primeira vez agora. Ele mora em Vicente

Pires, acabou de concluir o segunco grau

e quer seguir carreira militar. Das amizades

que fez na escola, ficou um grupo de debate.

“ Não voto em ficha suja. Na escola, eu e

meus amigos que têm entre 16 e 20 anos

conversávamos sobre muitos assuntos. E

sempre discutíamos lados de direita e esquerda.

Quando vimos o que estava acontecendo

em Brasília, ficamos mais envolvidos

com eleição”, explica.

Agora que você, leitor, já conhece os

jovens entrevistados, acompanhe o

que eles pensam sobre temas específicos

da cidade:

EDUCAÇÃO

Marina Saint-hills: “Todos nós queremos

ir para faculdades públicas, mas a concorrência

é tão grande que precisamos

estudar nas melhores escolas particulares

e nos melhores cursinhos. Isso

minimiza exponencialmente a chance

de um aluno de escola pública entrar em

uma faculdade pública, e é esse aluno

que provavelmente necessita mais dos

serviços públicos. A competição é injus-

ta. Para entrar na faculdade, tínhamos

que analisar o histórico da pessoa, as

notas, cartas de recomendações de professores,

trabalho voluntário, talentos

individuais, essas características que

realmente dizem quem a pessoa é, ao

invés de um simples número”.

Wladimir Gramacho: “É preciso mudar

o aspecto de muitas escolas, como por

exemplo o CEF 15 de Taguatinga. Muitas

delas se parecem com centros penitenciários,

algo lastimável. Trazer tecnologia

para as escolas é algo viável e necessário,

pois os alunos se encontram

em escolas arcaicas que não condizem

com sua geração. É preciso reconhecer

o trabalho de professores de destaque,

desde o ensino básico ao superior para

que a carreira seja incentivada”.

Luciana Santos: “Sou quase a mais

velha da minha turma. Mas isso foi por

culpa dos meus pais, sempre brigando,

viajando. Eu acho que o nível de aproveitamento

nas escolas é baixo porque

também não há muitos investimentos.

Os professores ficam desanimados e a

gente sai prejudicado”.

Rhuan Nunes: “A falta de professores

é muito frequente. Estudei toda minha

vida em colégio público. Mas a minha

mãe sempre pesquisou muito para me

colocar nas melhores escolas públicas

de Brasília. Nunca tive vergonha disso

ainda mais porque os professores sempre

foram muito qualificados”.

SEGURANÇA

Mariana Saint-hills: “Me sinto sempre

insegura em Brasília, ainda mais

quando estou andando ou correndo à

noite ou em uma área vazia. Eu gosto

muito de correr, porém desfruto pouco

do Parque da Cidade já que meu

horário livre para esporte é entre 18

e19 horas e é bem nesse horário que

começa a anoitecer. Mulheres são

um alvo mais fácil para assaltos e

estupro”.

Wladimir Gramacho: “É rotineiro pensar

em vários caminhos para escolher

o mais seguro (ou menos perigoso)

nas ruas. Com o crescimento da cidade

e pelas características do país,

é natural que a segurança pública

peque em alguns momentos, mas é

preciso ver o problema de uma forma

mais ampla e não somente visando

reprimir violentamente. Acho que a

segurança no DF estagnou nos últimos

anos, aumentando os índices de

criminalidade”.

Luciana Santos: “Eu nunca fui assaltada,

mas conheço várias pessoas que já

sofreram assaltos principalmente nos

ônibus. É preciso mais rondas policiais.

A segurança não é boa”.

Rhuan Nunes: “Já fui assaltado umas

4 vezes à luz do dia. Está complicado, a

falta de policiamento nas ruas é o principal

fator pra isso estar acontecendo”.

EVOKESET2014

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Nome: Luciana Santos

Idade: 17 anos

Cidade: Taguatinga

Escolaridade: 1º ano do segundo grau

Profissão: É estagiária do TJ-DF. Quer ser professora

MERCADO DE TRABALHO

Marina Saint-hills: “Eu quero ser artista.

Quero seguir uma carreira musical

sendo compositora e produtora dos

meus trabalhos, além de produzir vídeos

de diversos temas, como política.

Porém o sistema educacional brasileiro

dá pouco valor à arte”.

Wladimir Gramacho: “Pretendo cursar

engenharia da computação, uma área

que tem muito ‘campo’ para crescer no

país todo. Quero estudar engenharia

para desenvolver tecnologia para a educação

principalmente. Brasília pode ser

modelo de educação para o país, e isso

é um sonho que almejo realizar”.

Luciana Santos: “Se não fossem programas

como o Jovem Aprendiz, eu

acho que hoje não teria emprego. Hoje

sou estagiária no Tribunal de Justiça.

Mas uma hora o programa acaba. Quero

ser professora e continuo pensando em

outras profissões”.

Rhuan Nunes: “Vou fazer concurso

público na área militar. Acho que terei

condições de morar sozinho em 4 anos.

Mas eu não me vejo morando em Brasília,

não gosto daqui. A minha primeira

opção seria voltar para o Rio de Janeiro.

Eu poderia ir também para o Nordeste

para seguir carreira militar”.

O TEMPO NÃO PARA

Para o doutor em Ciência Política, formado

pela Unb, Leonardo Barreto, o jovem

mais crítico é um sinal dos tempos. “A

gente analisou algumas pesquisas que

mostram que o jovem é o percentual da

população que tem uma visão mais crítica

do governo e da sua realidade. Em

grande medida, isso pode ser explicado

pelo fato de que ele é uma pessoa que

não pegou tanto o período inflacionário

nem de alto desemprego lá atrás. Então,

a base de comparação dele é uma

base mais exigente. Ele já nasceu numa

democracia, de economia estabilizada.

É uma pessoa mais informada”, destaca

o cientista político.

Com base nos dados da justiça eleitoral

e nas respostas dos nossos entrevistados,

o especialista destaca o descrédito

dos adolescentes na classe política.

Barreto analisou o perfil do jovem que

usou as manifestações para pedir mudança

no país e concluiu: “Há o grupo

de pessoas que acha que o problema

é do partido que está no governo, do

prefeito, do governador e que essa situação

pode ser alterada com o voto. E há

também aquelas pessoas que pensam

que a forma com que o sistema está

montado não permite qualquer tipo de

mudança. O voto, nesse caso, não é um

elemento de transformação. Por isso,

elas acham que ir pras ruas é mais eficiente

do que votar”.

Nome: Rhuan Nunes

Idade: 18 anos

Cidade: Vicente Pires

Escolaridade: 2º grau completo. Faz cursinho pré-vestibular

Quer ser: Militar ou jornalista

EVOKESET2014

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Márcia Zarur

O PODER DO VOTO

Há um ano os jovens tomavam

as ruas com a empolgação e

a energia próprias da idade.

O sonho de quem acha que

vai mudar o mundo. E às vezes muda

mesmo! Será que o Brasil teria conseguido

eleições diretas sem a massa

nas ruas? Será que o presidente acusado

de corrupção teria deixado o cargo

se não fossem os caras pintadas?

As mudanças poderiam até acontecer,

mas certamente demorariam mais sem

as manifestações populares. Então

porque ainda não sentimos os efeitos

das passeatas que pararam as grandes

cidades no ano passado? Um dos

motivos talvez seja a pauta difusa, sem

foco. Reclamou-se de tudo, e com toda

a razão. O Brasil estrangula o cidadão

com impostos e não oferece uma contrapartida

à altura nos serviços públicos.

Trabalhamos quase meio ano só

para pagar tributos e temos uma péssima

qualidade na saúde, educação,

segurança e transporte.

As manifestações do ano passado

serviram para mostrar essa insatisfação

generalizada e para intimidar os

políticos e exibir o quanto esta classe

está desacreditada, ligada a interesses

individuais, corrupção e falta de ética.

E foi só. Mudanças concretas não foram

sentidas no dia a dia da população,

pois enquanto o brasileiro não vincular

ao voto as transformações que tanto

deseja, elas não vão acontecer.

Nem a campanha do TSE conclamando

‘Vem pra urna, vem’ surtiu efeito. Somente

25% dos jovens de 16 e 17 anos,

para quem o voto é facultativo, tiraram o

título e vão poder participar das eleições

deste ano. Sinais claros de desinteresse

pela política, indiferença, descrença

e desilusão. Um contraste gritante ao

engajamento demonstrado nas ruas e

uma leitura completamente distorcida

da realidade. Aspirações por mudanças

e eleições são indissociáveis.

Os ciberativistas chamaram a atenção

na charge que invadiu as redes sociais

sugerindo: ‘não adianta reivindicar

como um leão e votar como um jumento.’

Porém, pelo jeito, a sátira não transcendeu

o papel. Há ainda muitos eleitores

que votam sem saber quase nada

da vida ou dos projetos dos candidatos.

Ou, o que pra mim é absolutamente incompreensivel,

quem elege fichas sujas

se apoiando no pseudo argumento

do “rouba, mas faz”.

Mas talvez o pior de todos os pecados,

neste caso, seja a omissão. Não

participar significa deixar uma lacuna

para que outros a preencham.

Significa compactuar com o que há

de errado, ficar ausente quando vc é

chamado a participar, não se mexer

tendo a chance de caminhar na direção

que escolheu.

Pela primeira vez o país terá mais eleitores

idosos, acima de 60 anos, do que

com idades entre 16 e 24 anos, segundo

dados do TSE. O voto para os idosos

é facultativo, mas a maioria faz questão

absoluta de ir às urnas. Talvez pelo

fato de já terem vivido em uma época

em que não tinham este direto no

Brasil. Quando jovens eles também já

tomaram ruas com manifestações. Na

época o sonho era ter eleições diretas

e agora sabem como ninguém o valor

desta conquista.

Não temos os candidatos perfeitos,

nem o sistema eleitoral ideal, muito

menos a ilusão de que todas as mazelas

do país serão resolvidas num piscar

de olhos. Mas isso não é desculpa para

não participar. Então, se você mostrou

a sua cara nas ruas, é hora de mostrar

a sua voz nas urnas.

EVOKESET2014

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André Kauric

REFLEXÕES

SOBRE A CIÊNCIA

NO DF DURANTE O

PERÍODO ELEITORAL

conhecimento e as ações de inclusão

social e digital sucumbem em um mar

de informações, que não geram comunicação,

conhecimento, muito menos

oportunidades e inclusão. Confundem

informação e acesso à tecnologia com

aquisição do conhecimento e formação.

Apesar do exposto, curiosamente, é

durante o período eleitoral, quando a ciência

e a tecnologia viram discurso político,

que o esquecido setor é lembrado

como base para um futuro promissor e

estratégico para desenvolvimento de

soluções para as questões de segurança

pública, ambientais, transporte público

e, principalmente, de saúde, para,

logo depois, se transformar em prioridade

secundária nas pautas políticas.

O eleitor precisa estar ciente do marketing

por detrás desse belo discurso.

Vende-se o futuro em uma cidade na

qual a ciência e a tecnologia respiram

por aparelhos devido a esforços da comunidade

científica, acadêmica e empreendedora

da capital. A ausência do

governo ou a presença parcial e reativa

é inaceitável. Exige-se o mínimo de dignidade

para o setor e pro atividade na

geração de políticas.

De quatro em quatro anos, O

discurso político sobre ciência,

tecnologia e inovação

como alicerces para um futuro

promissor da cidade, contrasta com a

nebulosa e cada vez mais preocupante

realidade socioeconômica do setor no

Distrito Federal. Enquanto postulantes

a cargos eletivos salivam a importância

dos avanços científicos e tecnológicos

para o desenvolvimento da capital em

discursos inflamados pelo marketing

político durante visitas públicas, a comunidade

científica, acadêmica e empresarial

da cidade clama por apoio básico à

pesquisa e ao desenvolvimento. Pior, os

discursos ocultam o distanciamento de

uma parcela significativa da população,

principalmente jovens, microempresários

e pessoas em condições de miséria,

do conhecimento técnico e científico.

O retrato do descaso político com a pesquisa

e o desenvolvimento na capital

do país é gritante e pode ser retratado

na imagem da única agência pública de

fomento à pesquisa do DF, a Fundação

de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal

(FAPDF). Fruto da luta de expoentes e

pensadores da ciência no DF, a Fundação,

para muitos o único refúgio para a continuidade

de estudos, projetos, negócios e

pesquisas, é refém da alternância de poder

motivada por interesses e decisões

políticas unilaterais, sem a participação

dos principais interessados e beneficiários:

a comunidade científica e o cidadão,

respectivamente. Diversos gestores

públicos que passaram pela administração

da instituição, muitos oriundos da

academia, ficam de mãos atadas e não

conseguem desempenhar um papel que

atenda aos anseios dos principais envolvidos.

A situação se repete em diversas

instâncias do setor público.

E é dessa forma que os resultados da

ciência, da tecnologia e da inovação

se tornam plataforma política para discursos

efusivos, enquanto cientistas e

pesquisadores de renome são obrigados

a desembolsar recursos próprios

para dar continuidade às pesquisas;

recém-doutores, mestres, especialistas,

técnicos e iniciantes na vocação

científica têm de cumprir jornada dupla

para continuarem uma produção cientifica

e tecnológica, para quem sabe,

algum dia, terem seu nome reconhecido

em alguma descoberta; e jovens microempresários,

motores da economia

criativa e responsáveis por transformar

a economia da capital para base tecnológica,

esbarram em burocracias, ficam

sujeitos a estelionatários e disputam

ferrenhamente os escassos incentivos

financeiros para comercializarem

ideias, inventos e soluções inovadoras.

A situação se complica ainda mais

quando diz respeito ao aspecto social,

principalmente no que tange ao principal

beneficiário dos avanços científicos

e tecnológicos: o cidadão. São raras as

políticas que diferenciam informação de

EVOKESET2014

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salta-se também a logística otimizada,

principalmente no tocante à transporte

de funcionários, a qual garante o mencionado

processo de produção contínuo.

OURO VERDE

AGRONEGÓCIO:

plantando florestas,

construindo riquezas!

A OURO VERDE AGRONEGÓCIO é uma companhia

de investimento de base florestal. A

empresa tem investidores de diversas partes

do país e foi fundada pelos empresários

Anísio Ramos e Flávio Basílio. As fazendas

do grupo localizam-se ao norte do estado

de Goiás, na entrada do famoso oeste baiano.

Quando se fala em quatrocentos hectares

de madeira de lei de reflorestamento

temos a dimensão do sucesso obtido

pelos parceiros empreendedores da Ouro

Verde Agronegócio. São mais de trezentas

mil árvores de madeira nobre, plantadas na

Fazenda Água-Marinha.

Em torno desse expessivo resultado, há

uma grande estrutura operacional e administrativa,

responsável pela qualida-

de impecável do processo de produção

florestal. Aliam-se a isso as condições

da região, que geram excelente produtividade:

clima, solo, altitude, índice

pluviométrico e, fundamental, muitas

horas anuais de luz solar.

Administrativamente, citamos a capacitação

constante dos funcionários, a presença

permanente de profissional em

segurança no trabalho e o planejamento

do uso de novas tecnologias para o monitoramento

das florestas. Os parceiros

empreendedores tem conhecimento direto

da grande capacidade operacional

da empresa. O processo de manejo é

planejado, contínuo e estruturado. Res-

Em outra frente operacional, partem agora

para a construção das florestas na Fazenda

Água-Marinha II, a qual conterá mais de

cem mil árvores de madeira de lei.

“Estamos crescendo solidamente, de

maneira alicerçada, com planejamento e

visão de mercado. Agradecemos a todos

os parceiros empreendedores por esse

sucesso e continuaremos intensamente

a trabalhar a qualidade em todos os nossos

processos” afirma Flávio Basílio.

O Brasil está se tornando uma potência

mundial no tocante à produção florestal

sustentável e processos subsequentes.

Basta ver a força da EXPOFOREST 2014,

maior feira dinâmica da América Latina,

realizada em março, no interior de São

Paulo, que contou com a participação

de mais de 30 países da América, Europa,

Ásia e Oceania. No processo de manufatura,

referenciamos a realização da

Movesul Brasil, maior feira de móveis

da América Latina, ocorrida em março,

no interior do Rio Grande do Sul. Contou

com 300 expositores e movimentou a

significativa cifra de trezentos milhões

de dólares. Países como Estados Unidos,

Inglaterra, Chile, Colômbia, Panamá, dentre

outros, estavam presentes. No surgimento

de novas tecnologias citamos

os drones, cada vez mais utilizados no

monitoramento das florestas plantadas.

Empresas como a Eldorado e a holding

J&F (dona do frigorífico JBS) monitoram

suas florestas plantadas usando a tecnologia

dos robôs voadores.

É notório que o sólido investimento em

madeira de lei tem em suas bases um

mercado aquecido e em expansão, uma

estrutura de produção consolidada e o

interesse mundial em sustentabilidade

e proteção do planeta.

Mais informações sobre o lucrativo

investimento em madeira de lei podem ser

colhidas em reuniões de negócios com os

gestores da OURO VERDE AGRONEGÓCIO,

agendadas através do email:

atendimento@ouroverdeagronegocio.com

ou pelos telefones: (61) 8266-1017,

(61) 8433-7017 e (62) 96895491.

EVOKESET2014

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Jefferson Nascimento

Seu carro e seu

bolso agradecem

FREIOS, PASTILHAS, DISCOS, FLUIDOS

E LONAS DE FREIO Na manutenção

preventiva a troca das pastilhas, por

exemplo, sai entre 150 e 650 reais, dependendo

do veículo.

Quando as pastilhas se desgastam em

excesso, já entrando no campo da manutenção

corretiva, há tambem grande

desgaste dos discos de freio, cujo custo

vai de 175 a 1350 reais.

Vale destacar ainda o fluído de freio, um

líquido responsável pelo bom funcionamento

do sistema de freios. Não trocá-

-lo no período correto o deixa corrosivo

também precisa ser trocado dentro dos

prazos estabelecidos, pois o seu entupimento

gera problemas para o motor e

a possibilidade da queima da bomba de

combustível. E temos ainda o filtro de

cabine, conhecido como filtro de ar condicionado,

que evita ou minimiza o risco

de doenças respiratórias e alérgicas

dentro do veículo. Muitas vezes, o equipamento

é desprezado nas revisões.

SISTEMA DE INJEÇÃO - BICOS INJE-

TORES, VELAS DE IGNIÇÃO, SENSO-

RES, CORREIAS E TENSORES A manutenção

preventiva deste sistema vai de

300 a 600 reais.

MANUTENÇÃO

PREVENTIVA

MANUTENÇÃO

CORRETIVA

Grande parte dos motoristas

se esquece ou até mesmo

negligencia a hora de fazer

as revisões programadas no

manual (só para destacar, aquele caderninho

que fica, geralmente, no porta-luvas).

Além de onerar drasticamente o custo, a

manutenção, sendo feita de modo corretivo,

pode causar desde pequenos transtornos,

como um simples aumento no

consumo de combustível, até casos mais

graves, como uma retífica no motor.

Todas as montadoras têm um padrão

de manutenção que pode ser por tempo

ou por quilometragem e elas ainda moldam

essa manutenção em caso de uso

extremo, como por exemplo, carros de

frotas, táxis ou carros que rodam constantemente

em estradas de terra.

Para chamar sua atenção, caro leitor,

pesquisei os preços médios dos serviços

mais demandados nas oficinas e fiz

uma comparação entre os custos das

manutenções preventiva e corretiva.

ALINHAMENTO O custo deste serviço,

respeitando-se o que destacam os manuais,

gira de 30 a 120 reais. Para efeito

de comparação, em caso de manutenção

corretiva, com os procedimentos-

-padrão sendo ignorados, em termos da

prevenção, o que gera desgaste irregular

dos pneus, nos leva a um gasto entre

300 e 800 reais o par. Isso sem falar no

aumento do consumo de combustível e

no desgaste prematuro das borrachas,

buchas e balanças de suspensão que o

alinhamento tardio ou fora do prazo acarreta

para o veículo.

e abrasivo, estragando as pinças e os

cilindros (mestre e de rodas), aumentando

ainda mais o desgaste das lonas

e pastilhas e ainda com o risco iminente

da perda da frenagem.

TROCA DE ÓLEO E FILTROS O custo

do serviço dentro da validade dos produtos

vai de 120 a 1.550 reais. Quando

os prazos destacados nos adesivos

fixados no alto do pára-brisa são ignorados

o óleo pode se transformar em borra,

com risco iminente de fundimento

do motor. Neste cenário, os gastos vão

de 3 mil a 15 mil reais.

Já em relação ao filtro de ar, a troca do

mesmo evita o aumento do consumo

de combustível e o desgaste prematuro

do motor. O filtro de combustível

No campo da manutenção corretiva, a

vilã, podemos dizer, é a correia dentada.

O custo da troca da correia e do tensor, por

falta de prevenção, gira de 350 a 1.200

reais. E se essa correia dentada quebrar o

custo vai de 2.500 a 8.500 reais.

Em relação aos bicos injetores, não limpá-los

com frequência pode ocasionar excesso,

aumentando o consumo e a queima

do mesmo. A falta de manutenção dos

cabos, velas de ignição e dos sensores

também ocasiona aumento de consumo,

perda de potência e falhas no motor.

Ciente dessas informações vamos então

fazer a manutenção preventiva.

Você vai gastar menos, poluir menos

e ainda não vai ficar na mão. De fato, a

prevenção é o melhor negócio.

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Caro leitor, gostaria de dividir

com você uma grande aventura

da qual não fui o protagonista,

mas o coadjuvante

de um grande guerreiro, de apenas

14 anos, o Pedro Ayres. Tudo começou

quando recebi a ligação do pai

dele - um grande amigo - me pedindo

para acompanhar o garoto em um dos

maiores desafios da auto-superação, o

Audax 200, a primeira de cinco etapas,

onde, em 12 horas, você tem que pedalar

200 km, passando pelos pontos

obrigatórios de checagem. Ou seja, um

grande “passeio” por Brasília e pelo DF.

O desafio que rende certificados emitidos

por uma entidade com sede em Paris

chega na última etapa a 1.200 km.

Um dia, quem sabe, possa acompanhar

o garoto nesta!

Weimar Pettengil

CRÔNICA DE

UM DESAFIO

SUPERADO.

AOS 14 ANOS!

Portanto, leitor, o convido a viajar na

leitura abaixo. Tomara que ela sirva de

inspiração para a realização dos seus

sonhos, no esporte e na vida.

AUDAX 200KM

- Capitão, preciso contratar um Pai de

Aluguel.

- Como assim?

- Pepeu quer fazer o Audax 200km, semana

que vem.

- Uai, e você?

- Capitão! Não é má vontade. Queria demais.

É que nem na roda dele eu consigo

andar mais.

- Nesse caso, aceito a empreitada.

Ele, o Pepeu, tentou ser simpático. Me

ligou para tentar marcar ao menos um

treino juntos. Ligou para pedir dicas de

alimentação. Dicas de pedal.

- Pepeu, estou ocupado, já te ligo.

Nunca retornei. E me arrependi quando,

na véspera do AUDAX 200km, às

23h45, ele chegou para dormir na minha

casa, já que teríamos que acordar

às 4 da madrugada.

- Quanto você pesa, moleque?

- 40kg, tio.

- Primeiro, esquece o “Tio”. Segundo,

isso é peso de gente? Quer dizer, dá pra

respirar e pensar, ao mesmo tempo? E

quanto você mede?

- 1,65, tio, quer dizer, Weimar.

- 1,32? Com esse chassis de grilo

depois da redução de abdomen e

essas pernas de borboleta marombeira,

você acha mesmo que dá pra

pedalar 200km?

- Não sei...

O dia será longo, pensei.

Chegamos atrasados na largada. Meia

hora para ser preciso. Orientados pelo

organizador do Audax 200km, não fizemos

a primeira alça de 17km no Lago

Norte - deixamos para o final, seguimos

para o pelotão, por questões de

segurança.

Com 3 min de pelotão:

- Tudo bem contigo, rapá? Vamos nessa?

- Acelera!

Atacamos.

- Moleque, algumas poucas pessoas

me chamam de Sem Noção. Então é

o seguinte: Vamos no seu ritmo. Se eu

forçar, me avise. Você tem que ficar um

pouco acima da zona de conforto. Se

passar, me grite.

- Pode diminuir, só um pouquinho, então?

Falou já chegando no Colorado, no final

da subida. Seguimos rumo à Torre Digital,

com Brasília ainda iluminada, no

breu, à direita. À esquerda, o sol teimando

em nascer, novamente. Ali, naquela

crista de visão privilegiada, é que me

dei conta do que estávamos fazendo.

Pedalar 200km aos 14 anos de idade

é um grande feito. Mas sob minha responsabilidade?

Vou caprichar.

- Fica na roda, doido. Vamos voar.

Quase não segurei as lágrimas de emoção.

Ele não vai esquecer tão cedo esse

dia, se depender de mim. DF001, Itapoã,

Paranoá, Barragem, Ermida, Lago Sul,

Gama. E ele feito carrapato, na roda. Na

dignidade. Sofrendo calado. Projeto de

ogro. A certa hora, no plano, olhei para o

Garmin: 42km/h!

- Tudo certo aí, Pepeu?

- Pode diminuir, só um pouquinho?

Baixei para 39km/h. Se diminuir muito,

acomoda. Deixa ele sofrer. É assim

que se aprende.

Confesso. Judiei. Amassei, esfolei, ataquei.

E ele na roda. Lembrei do coração

de mãe, da bondade eterna com a

cria. Quase pude ver Sra. Mãe do Pepeu,

olhos mareados, no soluço que antecede

o pranto convulsivo:

- Wei, o que você está fazendo com o

meu bebê?

E não aguentei o apelo da matrona, na

esfera mental. Acelerei.

- Toma moleque. Devia estar inscrito no

curso avançado de Code Full para GTA.

Ou na turma básica de plié avançado de

Ballet pós-moderno. Preferiu pedalar?

Então segura mais uma. Toma. E toma

novamente. Mais uma, só pra não perder

o costume.

Na segunda vez que subimos a Barragem

do Paranoá em direção à Ermida,

com 168km percorridos, ele balançou:

- Weimar, acho que preciso alongar. Estou

começando a ter cãibras nos dedos

dos pés.

De olho na caramanhola dele, cheia de

Gatorade, disse bem sério:

- Moleque! Cãimbra no dedo do pé é bom sinal,

sempre tenho e nunca acontece nada.

Agora, nós precisamos achar algum líquido

vermelho para você beber, urgente.

- Eu tenho aqui!

- Então beba tudo, agora.

Ou fiz a maior descoberta do Planeta

Terra, ou descobri uma forma de fazê-lo

acreditar. Eu já estava com os

piores prognósticos para o final do

nosso pedal, quando acessamos a L2

Norte. Quando meu parceiro renasceu

das cinzas.

Lembrava os rituais de passagem das

tribos peruanas. Solta o menino no

meio do mato, sem nada. Se voltar,

volta homem. Ali, andando novamente

a 40km/h, não era mais o Pepeu, filho

do meu amigo / irmão de uma vida inteira.

Não era mais o moleque de 14

anos, criança, ainda. Quem estava na

minha roda, ainda na dignidade que

só o sofrer calado proporciona a um

homem era o meu novo parceiro, brother,

o Pedrão.

Subi o Lago Norte no sprint, ele na

roda, em pé, assim como eu. No quilômetro

186 a chuva caiu forte, para

lavar a alma e abençoar as pernas.

Voamos juntos, peito inchado que não

cabia tanto orgulho.

Terminamos os 200km com 7h20 de

roda girando, e paradas para 02 pneus

furados e um açaí levantador de espírito.

Dia bom. Inesquecível. Bem-vindo ao

time Ogro, Pedrão.

E enquanto você acaba de ler esse texto,

o Pedrão voa da Espanha para Brasília.

Aos 14 anos, depois de pedalar 200km

comigo, levou o pai ali, para fazer o Caminho

de Santiago de Compostela.

- Vá, Pedrão. Vá conquistar seus sonhos.

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Allan Lucena

A PRIMEIRA VEZ

TEM QUE SER FEITA

COM CONSCIÊNCIA!

Este é o ano de eventos e acontecimentos

para o Brasil. Muitos

presenciaram a Copa do Mundo

pela primeira vez, torceram pelo

desempenho da nossa seleção que não

levou - embora tenhamos chegado longe

- e fizeram uma linda festa. Estamos

agora em uma segunda etapa, outra festa,

com um diferente teor e que traz para

muitos a nova experiência de participar

ativamente da decisão do poder de um

país. Falo dos adolescentes que tanto

na C opa, quanto nas eleições tiveram

experiências novas e se sentirão importantes

no desenvolvimento do Brasil,

participando efetivamente e com grande

esperança depositada em suas torcidas.

Mediante tantas primeiras experiências

em um ano, chamo a atenção dos

pais e dos próprios adolescentes para

se doarem em uma nova fase de vida:

os primeiros cuidados com a saúde.

Hoje ao se falar em resultados rápidos

pensamos logo em Terapia de Equilíbrio

Hormonal Bioidêntica ou não, que são

recursos para uma vida melhor e um

dia a dia livre dos malefícios que podem

surgir com a menopausa e o envelhecimento.

Evidente que pessoas com corpos

muito perfeitos são focos de desejo

de todos. São pessoas com um acompanhamento

muito detalhado e seguro,

que englobam endócrino, nutricionista

e treinadores, uma verdadeira equipe

de saúde pronta para detalhar o estudo

do corpo do indivíduo e com isso lhe trazer

segurança e resultados.

Qual o problema identificado nesse tipo

de terapia? Nenhum, se as coisas forem

feitas com cautela, equilíbrio e planejamento.

Mas nem sempre é assim.

É preciso saber escolher o tipo de profissional

para confiar a sua saúde, pois

além de tudo, ainda existem vários, de

qualquer área da saúde, que fogem à

regra da cautela e responsabilidade e,

literalmente, exageram nas doses.

Aí começamos uma série de problemas

em cadeia, aonde a epidemia de desvio

comportamental e psicológico pode levar

alguns casos à Vigorexia (a pessoa

forte se acha magra) ou Anorexia (a pessoa

magra se acha gorda), pois a busca

pela perfeição nesses tipos de casos

são extremamente comuns, aliada ainda

a uma comparação excessiva com o

corpo de ícones da mídia. Nesse sentido,

o desejo maior passa a ser o que o outro

têm, sem lembrar que cada ser é único

e responde de uma forma, com um metabolismo

diferente e biótipos variados.

Nesse sentido cabe o alerta maior aos

pais, profissionais da saúde e também

aos amigos. Devemos ficar atentos aos

sinais de exagero com o corpo. Quando a

busca pela perfeição começa a ser notada

na sua rotina, mostrando o quanto ela se

tornou mais prática ou mais rigorosa, devemos

observar se os exercícios são feitos

de forma saudável ou compulsiva; observar

principalmente se a pessoa abre

mão constantemente de compromissos e

de ter uma vida social. São sinais simples

que podem identificar possível exagero

no culto ao corpo. Sinais que aparecem

lentamente e, muitas vezes, é preciso que

pessoas próximas alertem para a mudança.

Em casos mais extremos, a associação

de vários profissionais, como médico,

treinador, psiquiatra ou psicólogo e nutricionista

é o caminho a ser trilhado.

O que devemos entender é que os objetivos

devem ser sempre pessoais, os resultados

nunca devem ser comparados

e o objetivo deve se encaixar dentro da

realidade e da capacidade de cada um.

Respeite-se e se aceite. Assim tudo fica

mais fácil!

EVOKESET2014

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Denise Ribeiro

Rodrigo Lopes

não tinha afetado o mercado da beleza.

Foi o suficiente para Valente, que

até então vendia carros, procurar um

curso para cabeleireiros.

Na época, o baiano – que se mudou

para Brasília aos nove anos de idade

– vivia em João Pessoa com a mulher.

Lá, percebeu que pessoas com deficiências

tinham muita dificuldade para ir

a um salão de beleza por causa da falta

de acessibilidade. Foi quando ele teve a

ideia de montar um carro adaptado com

quase todos os equipamentos de um

salão de beleza para ir até a casa dos

clientes. Com o fim do casamento, Valente

decidiu voltar para Brasília, onde

colocou o plano em ação. Em 30 dias,

equipou um Fiorino com materiais para

cortar e cuidar dos cabelos.

Em pouco mais de um mês, Valente

conquistou cerca de 30 pessoas sem

fazer propaganda. Apenas utilizou adesivos

no carro avisando que o serviço

é oferecido em casa e que é acessível

– o que chamou a atenção de pessoas

com dificuldade de locomoção. O corte

de cabelo é oferecido todos os dias, até

nos fins de semana e feriados.

pa, descarta o que não é necessário e

monta 20 looks. Por último, marca um

dia de compras no shopping.

TUDO EM ORDEM Antes de abrir a

empresa que presta serviço de limpeza,

Ruti Silva Martins foi babá, empregada

doméstica, funcionária de

embaixada e, por último, gerente de

imobiliária. Quando saía do trabalho,

às 18 horas, fazia faxina. O expediente

só acabava por volta das 23 horas. Foi

aí que Ruti decidiu abrir uma empresa

de limpeza. No começo, contou com a

ajuda dos familiares porque não tinha

dinheiro para tocar o negócio. Mas a

ideia deu certo, e agora a empresária

conta com 12 funcionários.

A empresa funciona em um condomínio

no Park Sul. A maioria dos clientes mora

no local. Os apartamentos são pequenos

– têm entre 27 e 36 metros quadrados.

Para facilitar a vida dos moradores,

equipes fazem a limpeza em até duas

horas. Cada funcionário tem uma função:

um lava o banheiro, outro limpa o

quarto, enquanto um colega lava as louças.

Quem termina primeiro migra para

outra atividade.

A personal stylist Karol Stahr também Para o público exigente, no entanto, não

aderiu ao serviço em domicílio. Há basta ter a casa limpa. Ela também precisa

estar bem organizada, com tudo no de-

Valente: foco em clientes especiais

seis anos, ela iniciou o trabalhou de

consultoria em uma emissora de televisão:

vido lugar. Para resolver o problema, basta

cuidava da maquiagem, cabelo contratar uma personal organizer. Renata

Em 2006, o baiano José Ferreira e roupas dos apresentadores. Depois Muniz e o marido deixaram a vida acadêmica

em 2007. Tiveram a ideia de traba-

Valente decidiu mudar de profissão,

depois de assistir a um por conta própria. Hoje, ela oferece três lhar nas casas dos clientes depois que

de deixar a empresa, decidiu trabalhar

telejornal. A reportagem dizia serviços. O primeiro é de consultoria,

se casavam e não sabiam, e nem tinham

que o mercado automobilístico passava

por uma crise, e as concessionárias

estavam com dificuldade para vender

que inclui a análise do cliente. Ela

avalia a rotina, o trabalho e o tempo de

cada um. Depois, vai até a casa da pessoa,

tempo, para organizar os presentes do

casamento. Fizeram cursos, procuraram

qualificação e hoje são referência no mercado

brasiliense. A organização pode

TUDO EM

os veículos. Por outro lado, a “tal crise”

CASA

analisa as peças do guarda-rou-

ser

Em busca de qualidade de vida, a procura por serviços

em domicílio aumentou na capital. As opções vão desde

uma organização dos armários e dos demais ambientes

até serviços direcionados aos bichos de estimação,

como pet sitter, uma babá para o animal.

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feita em alguns cômodos da casa ou em

toda a residência. No quarto, por exemplo,

a dupla arruma o guarda-roupa, deixa

as roupas separadas por cores e estilo,

orienta o cliente a descartar as peças que

ele já não usa e dá dicas de objetos que

ajudam a manter o local organizado. Em

apartamentos pequenos, o grupo garante

que consegue otimizar o local e ganhar

até 20% de espaço.

Os consultores também auxiliam nas mudanças.

Foi o caso da advogada Viviane de

Castro. Em junho deste ano, ela se mudou

para um apartamento de 144 metros quadrados

em Águas Claras. A servidora pública

mora sozinha e não teria tempo para

colocar a casa em ordem. Decidiu, então,

procurar alguém que pudesse fazer o serviço

e ficou surpresa com o resultado. Em

quatro dias, toda casa estava arrumada, e

as roupas couberam nos armários. Antes,

Viviane nem sabia direito o que tinha. Ela

não usava algumas peças porque não

encontrava no armário e, todos os dias,

tinha que passar roupa porque elas amassavam

de tão apertadas no guarda-roupa.

Viviane ficou pasma quando encontrou

quase 20 meias-calças. “Eu ia comprar

porque achei que não tinha”, conta rindo.

FACILIDADE NO PRATO A nutricionista

Fernanda Penha trabalha como

personal diet. Ela decidiu deixar o consultório

para se dedicar somente ao

atendimento em domicílio. Fernanda dá

dicas de higienização dos alimentos e

da geladeira, ajuda a organizar a despensa,

ensina a montar a mesa para a comida

ficar mais atraente e mostra como

congelar os alimentos de forma que eles

não percam nutrientes. A qualificação

dos empregados também faz parte do

serviço. Desde 2007, a profissional dá

consultorias, inclusive em restaurantes.

Decidiu sair do consultório depois que

aprendeu em um curso que grande parte

das intoxicações alimentares acontecia

dentro de casa. “Fiquei assustada

com esse dado e quis passar isso para

os clientes”, comenta. Fernanda atende

um público diversificado: pessoas que

moram sozinhas, famílias e idosos.

Outra opção para quem busca uma

alimentação saudável é o delivery de

frutas. A empresa seleciona os alimentos,

higieniza, monta kits e leva até

a casa ou trabalho do cliente. A Frugt

Frutas entrega no Plano Piloto. A empresária

Keli Cristina Ferreira deixou o

serviço público há um ano para montar

o negócio com o marido e um sócio.

“Brasília tem um público diferenciado,

as pessoas estão preocupadas com

a alimentação e consomem produtos

saudáveis”, explica. Por dia, três frutas

são selecionadas. O cliente também

tem a opção de fechar pacotes mensais

e coletivos.

COMPANHIA ANIMAL Com serviço

especializado em praticamente todas

as áreas, é claro que os companheiros

dos brasilienses não poderiam ficar

de fora. Para cães e gatos, os serviços

oferecidos são os de Pet Sitter, uma

espécie de babá, e Dog Walker, que caminha

com o cachorro. João Luiz Barbosa,

de 25 anos, se formou em artes

cênicas em São Paulo, mas, depois de

voltar para Brasília, decidiu se dedicar

aos animais. Montou uma empresa e,

diariamente, vai à casa dos clientes

para brincar com cães ou gatos, dar

água e comida, trocar a caixa de areia,

entre outras tarefas.Também oferece

passeios individuais e coletivos, para

até quatro cachorros. Se o dono do

bicho precisar viajar, a companhia e o

cuidado são garantidos.

Renata e Rodrigo: arrumação é o negócio do casal

Rodrigo Lopes

EVOKEAGO2014


Simon Lau e Fabiana Pinheiro

RECRIANDO

A FESTA DE BABETTE

NO CERRADO

A

nossa história gastronômica

desta edição está baseada

no filme franco-dinamarquês

de 1987, A FESTA DE

BABETTE, que se passa em uma pequena

vila na Dinamarca no ano de 1871.

Duas irmãs, extremamente religiosas,

que pregavam a salvação através da

renúncia, acolhem uma senhora refugiada

da guerra civil francesa, Babette,

que aceita trabalhar como cozinheira

em troca de um lugar onde morar.

Babette observa que todos na vila não

se preocupam com o ato de comer, o alimento

para eles era apenas um elemento

necessário para a sobrevivência, não

importando o sabor, a aparência ou qualquer

outro aspecto dos pratos servidos.

Certo dia, depois de quatorze anos morando

na Dinamarca, Babette recebe a

noticia de que havia sido premiada na

loteria francesa e decide gastar todo o

dinheiro para oferecer um jantar para

as senhoras que lhe acolheram e seus

respectivos convidados.

O evento movimenta toda a aldeia, desde

a seleção dos alimentos, à entrega de

caixas vindas do exterior. As movimentações

são visíveis a todos, devido às proporções

gigantescas que assumem.

O jantar acontece aos moldes franceses,

com um menu harmonizado composto

por pratos servidos em ordem específica,

com talheres, prataria, copos e taças

postos à mesa, um ritual nunca visto até

então pela maioria dos convidados.

MENU ORIGINAL

• Consommé de tartaruga verdadeira.

• Blinis Demidoff com smetana (creme azedo)

e ovas de salmão.

• Cailles en sarcophage (codornas recheadas

com trufas de verão e foie gras,

dentro de massa folhada).

• Brie de Meaux au lait cru Andre Collet

Comte Le Montagnard.

• Baba au rhum com frutas secas.

• Café com petit-fours.

Pouco a pouco, os participantes começam

a perceber um prazer com a comida

que não parecia estar associado ao

conceito de pecado. Durante o jantar, os

personagens se sentem mais felizes,

conversam entre si e enfrentam o medo

já arraigado em seu imaginário e deixam-se

seduzir pelos prazeres da vida.

O filme expõe o papel da religião como

“regulador” dos vícios da sociedade, a

fim de organizar e doutrinar segundo

sua perspectiva. O tema central gira em

torno aos hábitos da sociedade por trás

do alimento e deixa claro a diferença

entre a gula e o comer bem.

BABETTE E A REALIDADE DE BRA-

SÍLIA Divulgar ”A Festa de Babette”,

que é uma das maiores homenagens

à arte da culinária e ao prazer de servir

e se deliciar com cada detalhe das

refeições, é importantíssimo para

rever o atual contexto gastronômico

de Brasília, não só por destacar a importância

de uma boa comida, mas

principalmente porque este ano várias

casas fecharam suas portas na capital.

Restaurantes tradicionais e contemporâneos

encerraram suas atividades

por motivos variados que vão desde a

escassez de mão de obra qualificada,

passando pela violência urbana até

a dificuldade com o fornecimento e

pontualidade dos fornecedores. Mas o

principal fator sem dúvida está associado

ao comportamento da clientela

local, cada vez menos propensa a reservar

parte do seu tempo à desfrutar

da alimentação fora do lar.

MENU RECRIADO

Babette, uma mulher marcada pela

tragédia econômica e política do seu

tempo, perdeu tudo, o marido, o filho, a

pátria, a profissão de chef de um sofisticado

restaurante francês e se exilou

na Jutlândia (Dinamarca). Mas na primeira

oportunidade demonstrou que

o que parecia ser incondicionalmente

linear e monótono na vida das pessoas

podia mudar graças a um momento único

proporcionado pelo prazer oferecido

nos pratos servidos.

FESTA NO CERRADO Há mais de

10 anos venho oferecendo a “Festa

de Babette” aqui na capital federal.

No evento, os convidados assistem

ao filme e degustam o menu original

preparado por Babette. Mas sempre

me pergunto como a francesa criaria

seus incríveis pratos no Cerrado: usaria

os produtos locais para dar sutis

toques às suas receitas, ou quem

sabe, recriaria um menu com produtos

nativos a partir das técnicas culinárias

francesas?

Nossa única certeza é que no jantar

seria preparado um menu sem compromissos

com a nova cozinha nórdica

ou com a nova cozinha brasileira.

Madame Babette seria transportada

no tempo, desde a remota Jutlândia

até o Planalto Central, e com suas

técnicas artesanais de quase 150

anos atrás se depararia com produtos

exóticos e surpreendentes e lhes prepararia,

sem preconceitos ou culpas,

com um único propósito: de servir

com excelência.

• Sopa de tartaruga do rio Araguaia, servida

com mangaritos, bolinhas de tartaruga,

taioba e crocante de polvilho.

• Timbale de Tucunaré com purê de palmito

e crosta de pão.

• Pamonha com guariroba,

moelas na lata e redução de pato.

• Queijo de cabra trufado com geleia de Cajá-manga.

• Sorvete de coco com cachaça

sobre geleia de cajuzinho do cerrado.

• Café com petit-fours.

EVOKESET2014

EVOKESET2014


PARA EMAGRECER

VOCÊ TAMBÉM PRECISA

DE ESTRATÉGIA

O

emagrecimento é um dos

objetivos mais procurados

em consultórios de nutrição.

Mas não existe milagre!

O caminho para o corpo desejado

é árduo. Não adianta procurar atalhos,

como as dietas muito restritivas. Elas

podem comprometer a sua saúde. Na

balança, o resultado pode até ser satisfatório,

mas junto com os quilinhos perdidos

vão, também, a qualidade de vida

e o bem-estar.

Para otimizar e acelerar a mudança corporal,

a nutrição estética e a prática regular

de exercícios são ótimos aliados. Além

disso, nada melhor do que estratégia,

para alcançar os objetivos. Então, que tal

três passos diários para o sucesso?!

Deilys Gonzalez

PASSO 1: FRACIONE A ALIMENTAÇÃO

Faça de 6 a 7 refeições por dia, ou seja,

coma de 3 em 3 horas. Essa é uma recomendação

bem batida, né?! Mas é

uma das mais importantes. Isso porque

o jejum prolongado resulta em perda

de massa muscular e aumento dos

estoques de gordura, principalmente,

na região abdominal, os famosos e desagradáveis

pneuzinhos. Além disso, o

período sem comer provoca um enorme

aumento da fome, fazendo com que

você exagere na próxima refeição e,

com isso, tenha maior acúmulo de gordura

corporal. Então como colocar isso

em prática? Programe o alarme do celular

de 3 em 3 horas, para lembrar que

está na hora de uma refeição; separe

15 minutos na noite anterior, antes de

dormir, para preparar seus lanchinhos

do dia seguinte. A chave para alcançar

os objetivos é a organização; e leve

sempre na bolsa algumas opções de

lanche, como mix de castanhas, frutas

secas, barra de proteína, iogurte ou fruta,

para os momentos de urgência.

PASSO 2: CONSUMA PEQUENAS

PORÇÕES EM CADA REFEIÇÃO Muitas

pessoas devem pensar: vou comer mais

vezes no dia, não vou passar fome, mas

com isso não vou engordar? Esse racio-

cínio é lógico

se as refeições

forem desregradas.

A estratégia,

que torna o fracionamento

efetivo no emagrecimento,

é consumir pequenas porções

em cada refeição. E quanto é isso?

Uma forma prática de comer pequenas

quantidades é seguir a regra do RUM. Não

fique animadinho! Essa não é a bebida.

Até porque álcool não ajuda a emagrecer.

Na verdade, o U significa unidade, ou seja,

escolha sempre uma unidade (fruta, fatia,

colher, etc.) do alimento que for consumir.

O M significa média. Uma banana média,

uma fatia média de bolo, uma colher média

de arroz e assim por diante. Não vale

trapacear, viu?! E se não é média, então,

temos o R, de rasa. Consuma uma colher

(aquela de servir a comida) Rasa.

PASSO 3: CUIDE DO EQUILIBRIO

DAS REFEIÇÕES Toda refeição deve ser

equilibrada. Mas como fazer isso? Olhe

para o seu prato e veja se nele tem fontes

de carboidratos, proteínas e lipídios. Sim,

você leu carboidratos e lipídios. Esta é a

hora de colocar o RUM em prática. Na medida

certa, esses macro-nutrientes não

são os grandes vilões. Muitos acreditam

que, para emagrecer e ganhar massa muscular,

só as proteínas importam. Elas são

fundamentais, mas uma dieta com níveis

exagerados de proteínas pode ter efeitos

prejudiciais ao organismo, assim como um

cardápio muito baixo em carboidratos e

gordura. Para você entender melhor, os carboidratos

têm a função de fornecer energia

ao organismo, manter a glicemia e evitar

perda de massa muscular. Na quantidade

certa, eles são necessários para que a gordura

possa ser utilizada adequadamente.

Em outras palavras, o carboidrato é essencial

para o emagrecimento. O segredo

é escolher as opções saudáveis e de baixa

caloria, como frutas (maçã, banana, pêra,

etc.), legumes (batata doce, lentilha...)

e alimentos integrais (arroz,

pães, torradas). As proteínas

cumprem

diversas

funções

no corpo necessárias

para sintetizar

enzimas e hormônios,

por exemplo. Mas nada de abusar!

Na hora de escolher, leve em conta as

formas de preparo do alimento, evitando

as frituras e os empanados, e priorizando

cozidas, grelhadas ou assadas. E quanto

às gorduras? Bom, o papel delas, também,

é importantíssimo, pois participam da síntese

dos hormônios sexuais e da estrutura

das membranas de todas as células do

corpo. Acredite se quiser! Uma das táticas

mais importantes na perda de gordura

localizada é consumir gordura. Mais uma

vez, o segredo está em saber escolher as

fontes alimentares. Vamos às recomendações:

diminua o consumo de gordura

saturada e colesterol; evite ao máximo ou,

se possível, elimine a gordura trans e aumente

a ingestão de gordura do tipo monoinsaturada

e ômega-3 (azeite de oliva,

castanha de caju, amêndoas, avelã, nozes,

abacate, linhaça, peixes como o salmão,

atum, truta e sardinha).

Então, é isso! Agora ficou mais fácil,

né?! Mas não esqueça de sempre procurar

um especialista. Uma boa orientação

gera resultados mais rápidos e,

principalmente, mais permanentes.

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Renault Ribeiro Junior

DEIXE O

PACIENTE FALAR!

ELE LHE DARÁ O

DIAGNÓSTICO.

A estratégica

relação entre

médico e paciente

Sempre me fascinei por esse

tema, tão esquecido ao longo

dos últimos anos. Qual a

razão disso?

Infelizmente a medicina sofreu mudanças

na sua prática, levando o médico a

desvalorizar a relação com o paciente,

chegando algumas vezes a abandoná-

-la ou, porque não dizer, a desprezá-la.

Medicina mercantilista, mecanizada ou

financeira, seja lá como preferem defini-la,

ela virou negócio e, com isso, a

relação médico-paciente ficou prejudicada

junto com outros valores do nosso

juramento de Hipócrates.

Durante meu curso, tive dois grandes

mestres na questão sobre a relação

médico-paciente. Um radiologista e

um psiquiatra.

Clinico de formação, dr. Osmar Bello,

durante suas aulas magníficas de radiologia,

sempre nos ensinou a valorizar

a queixa principal do nosso paciente, a

conduzir uma história clínica coerente,

levantar hipóteses diagnósticas e condutas

adequadas sempre embasadas

no raciocínio clínico e bom senso.

Apesar de hoje vivermos na era da medicina

baseada em evidências, lembro-me

sempre dos conselhos do grande professor:

“Tenha respeito e compromisso com

seus pacientes. Você deve acordar e dormir

como médico. Doença não tem hora

para aparecer e também não se sabe se

é dia ou se é noite, domingo ou feriado.

Por isso, seu paciente deve ser prioridade,

independente do dia na folhinha !”

O meu segundo grande mestre, Sebastião

Vidigal, me ensinou o valor da psicologia

médica. Em suas aulas sempre assistíamos

a filmes interessantes onde

a relação médico paciente era sempre

abordada e discutida calorosamente.

Até hoje sou capaz de lembrar o mestre

dizendo: “deixe seu paciente falar, ele

lhe dará o diagnóstico”.

Hoje tenho a plena convicção da importância

em acolher meu paciente no

consultório e incentivá-lo a falar, sempre

com o objetivo de entendê-lo como

um todo para depois fazê-lo acreditar

que, muitas vezes, a sua dor de cabeça

, a sua palpitação ou a elevação de sua

pressão podem ser frutos de um quadro

emocional abalado.

E é justamente nesses momentos que

precisamos reforçar a nossa relação, para

aumentar a confiança de nosso paciente.

O tratamento não depende única e

exclusivamente de boa medicação.

Depende muito da confiança que o paciente

deposita no seu médico e da segurança

que este lhe passa.

Tudo isso mestre Vidigal me ensinou.

E assim se passaram 20 anos de formado,

mas não poderia deixar de mencionar meu

maior professor, meu pai, dr. Renault.

Desde pequeno, assisti meu pai pregando

a importância de se valorizar

as queixas do indivíduo, examinar o

paciente da cabeça aos pés (sempre

me disse que os pacientes adoram

quando pegam nos pés: “esse médico

examina a gente!”); solicitar exames

somente quando necessários e

não medir esforços para oferecer o

melhor tratamento ao paciente.

Por fim, gostaria de dizer que ainda

acredito na medicina onde a relação

médico-paciente nunca deixará de

ser a principal forma de iniciar um

tratamento adequado, reduzir grande

parte do sofrimento de nossos

pacientes e, porque não, curar uma

grande parte deles.

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Exame

em qualquer idade as crianças são examinadas

rotineiramente por oftalmologistas

pediátricos após a instilação de

colírios para a dilatação pupilar.

Para que a visão da criança possa desenvolver-se

normalmente, é importante

que não haja qualquer obstáculo à

formação de imagem nítida na retina de

cada um dos olhos até que a acuidade visual

esteja completamente estabelecida,

o que ocorre em torno dos seis anos de

idade. Quando existem alterações oculares

como a catarata, o estrabismo, as

oclusões palpebrais, ou a anisometropia

(diferença entre os dois olhos de erros

refrativos maiores do que três graus), a

captação de estímulos visuais é dificultada.

Se essa insuficiente estimulação

dos centros ópticos ocorrer durante o

período de treinamento visual, estabelece-se

a ambliopia, que é a baixa visão decorrente

de alterações visuais surgidas

na infância e que torna-se irreversível se

não for tratada precocemente.

A acuidade visual do recém-nascido

se desenvolve muito rapidamente nos

primeiros três meses de vida e ainda

melhora até os 3 ou 4 anos de idade,

quando acredita-se que o sistema visual

esteja totalmente desenvolvido.

A estimulação visual é ainda possível

até os oito ou dez anos de idade para

a melhora da visão, mas a partir deste

período o tratamento da ambliopia terá

poucos resultados.

Existem inúmeras doenças oculares

que surgem na infância e que podem

prejudicar o desenvolvimento visual. Algumas

delas estão presentes já no momento

do nascimento, enquanto outras

se desenvolvem durante os primeiros

anos de vida, e na maioria dos casos essas

enfermidades não são percebidas

pelos pais ou familiares.

A visão é um dos mais importantes sentidos

no desenvolvimento neuropsicomotor

normal da criança. A deficiência

visual compromete o desenvolvimento

da motricidade e da capacidade de comunicação

na criança porque gestos e

condutas sociais são aprendidos pela

informação visual.

O exame oftalmológico preventivo e o

tratamento precoce de possíveis doenças

oculares são a melhor maneira de

proporcionarmos à criança um adequado

desenvolvimento visual e uma melhor

integração com o seu meio.

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Oftalmológico

Dra. Virgínia Delacroix Cury

em Crianças

Ainda nos dias de hoje, algumas perguntas

são feitas freqüentemente no

consultório oftalmológico: É possível

realizar o exame em crianças que ainda

não estão alfabetizadas? Quando

a criança deve ser levada ao primeiro

exame oftalmológico? Em que idade a

criança passa a ter visão semelhante

à do adulto? É necessário realizar o

exame em crianças que não mostrem

sinais de baixa visão?

Embora o exame em crianças apresente

algumas peculiaridades relacionadas

à sua imaturidade e pouca colaboração,

A primeira avaliação oftalmológica

pode ser realizada já no berçário pelo

pediatra, através do teste do reflexo

vermelho na pupila, para avaliar se o

eixo visual está livre. Aos dois meses

de idade a criança deve ser examinada

pelo oftalmologista para excluir a

presença de catarata congênita, e aos

seis meses de idade é necessária nova

avaliação para avaliar o alinhamento

ocular e realizar o exame de fundo de

olho. Depois disso, a criança deverá

retornar ao oftalmologista a cada seis

meses para avaliações periódicas.

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Estevão Damázio

José Múcio

ministro do Tribunal de

Contas da União (TCU)

Rodrigo Lopes

UM CANTINHO

E UM VIOLÃO

A

música sempre esteve presente

na vida do ministro

José Múcio Monteiro, do Tribunal

de Contas da União, o

TCU. Desde o dia em que, com 10 anos de

idade, ganhou um acordeon de presente

da avó materna. Tudo bem, não conseguiu

aprender a tocar o instrumento. Mas

a velha sanfona despertou no garoto a

sensibilidade que, anos depois, iria ajudar

a moldar a sua carreira política. Hoje,

em meio à rotina do tribunal, recheada

por relatórios, julgamentos e apreciações

de contas governamentais, a música é

uma grande terapia e o violão um amigo

inseparável. “Toco e canto duas vezes

por dia. Quando acordo e à noite, quando

chego do trabalho”, conta o ministro, fã

de ícones da MPB, como Chico Buarque e

Roberto Carlos. Lupicínio Rodrigues é outra

grande referência musical.

REGINALDO, ALCEU E A DITADURA

Os avós, de fato, tiveram grande responsabilidade

na formação musical de

Múcio. Além do acordeon, recebido na

infância, o avô, com quem foi morar

quando perdeu o pai em um acidente

aéreo, era fã de novelas. “ Ele sempre

dizia que a arte imita a vida e eu adorava

as trilhas musicais que marcavam

os personagens centrais das tramas”,

lembra. O gosto musical, no entanto,

ganhou impulso nos tempos da facul-

dade de Engenharia em Recife, nos movimentos

estudantis e na convivência

com amigos como Alceu Valença, que

cursava Direito, e Reginaldo Rossi. Os

encontros e bate-papos regados à música

obviamente entravam no contexto

da política à época, os chamados anos

de chumbo da ditadura militar. E o estudante

de engenharia e compositor Jose

Múcio também foi vítima da censura.

Aconteceu durante o Festival Universitário

MPB Nordeste, em 1968. Apesar

da música de sua autoria intitulada O

Golpe coincidir com o período do AI-5,

que fechou o Congresso, Múcio esclarece

que a letra falava na verdade de um

“golpe de amor”. “Todas as censuradas

falavam de política, menos a minha”.

Ele reconhece, no entanto que expressões

como “vou fazer uma resolução” e

“vá prestando continência”, incomodaram

os censores.

BALANÇO SONORO Se a carreira musical

foi, digamos, interrompida naquele

festival, a vida pública deslanchou. Ganhou

a primeira eleição com 30 anos de

idade, para prefeito de Rio Formoso, foi

secretário municipal de planejamento

da capital pernambucana, secretário

estadual de transportes, teve cinco

mandatos com o deputado federal, líder

do governo Lula no Congresso, ministro

das Relações Institucionais, até ser in-

Múcio na sala do apartamento em Brasília

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A VOCAÇÃO

HARMONIOSA

DA MÚSICA

ME AJUDOU

A MOLDAR

NA POLÍTICA

UM PERFIL

MODERADO,

CONCILIADOR

E PACIENTE.

dicado pelo ex-presidente petista para o

TCU. “A vocação harmoniosa da música

me ajudou a moldar na política um perfil

moderado, conciliador e paciente”,

destaca o ministro, para quem, ironicamente,

uma derrota é um dos principais

destaques da sua vida política. Foi para

o ex-governador Miguel Arraes, na disputa

pelo governo pernambucano. Com

37 anos de idade, e no PFL, Múcio teve

quase um milhão e 400 mil votos. “Há

vitórias que lhe sepultam e derrotas

que lhe promovem”, filosofa.

E para relembrar e comemorar esta trajetória,

aos 66 anos, ele resolveu lançar

um CD, para dar aos amigos e familiares.

“Em vez de uma biografia, quis destacar

os sons da minha vida”, justifica. O título

já está escolhido – Para quem eu gosto

– e será composto por 10 músicas, nove

das quais de autoria do próprio Múcio. “A

faixa Dedicado a você foi composta por

Nando Cordel e Dominguinhos”, complementa

o ministro, com um brilho no olhar

só comparável às menções aos três

filhos e cinco netos, cujos retratos merecem

um painel no amplo gabinete que

ocupa no tribunal. Ao lado deles, um quadro

com uma petição do ex-govenador

da Paraíba e advogado, Ronaldo Cunha

Lima, para liberar um violão apreendido

em um processo. A peça jurídica ( no box

ao lado ), na verdade, é uma poesia e

sensibilizou, claro, o “doutor juiz”.

HABEAS PINHO

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara desta Comarca :

O instrumento do crime que se arrola

Neste processo de contravenção

Não é faca, revólver nem pistola.

É simplesmente, doutor, um violão.

Um violão, doutor, que na verdade

Não matou nem feriu um cidadão.

Feriu, sim, a sensibilidade

De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,

Instrumento de amor e de saudade.

Ao crime ele nunca se mistura.

Inexiste entre eles afinidade.

O violão é próprio dos cantores,

Dos menestréis de alma enternecida

Que cantam as mágoas e que povoam a vida

Sufocando suas próprias dores.

O violão é música e é canção,

É sentimento de vida e alegria,

É pureza e néctar que extasia,

É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório,

Porém seu destino se perpetua.

Ele nasceu para cantar na rua

E não para ser arquivo de Cartório.

Mande soltá-lo pelo Amor da noite

Que se sente vazia em suas horas,

Para que volte a sentir o terno açoite

De suas cordas leves e sonoras.

Libere o violão, Dr. Juiz,

Em nome da Justiça e do Direito.

É crime, porventura, o infeliz,

cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, e afinal, será pecado,

Será delito de tão vis horrores,

perambular na rua um desgraçado

derramando na rua as suas dôres?

É o apelo que aqui lhe dirigimos,

Na certeza do seu acolhimento.

Juntando esta petição aos autos nós pedimos

e pedimos também DEFERIMENTO.

Ronaldo Cunha Lima, advogado.

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Johil Carvalho

Nessa edição conversamos

com o diretor Jimi Figueiredo.

Com 33 anos de experiência

na área cinematográfica,

hoje é um dos diretores mais

atuantes de Brasília, indo dirigir seu

terceiro longa-metragem.

????????????

Isso me ajudou muito a trabalhar com

orçamentos maiores, pra que o dinheiro

não acabe antes do filme terminar.

É preciso adaptar seu roteiro à sua realidade

de produção, otimizar locações,

planejar o que você pode fazer de verdade,

não o que você imagina que pode.”

O INÍCIO “Eu frequentava cineclubes e

queria ver como é que aquilo funcionava

de verdade. O super 8 era a ferramenta da

época, e exigia que você aprendesse um

pouco de tudo: filmar, montar, emendar

com fita adesiva, sonorizar e exibir. Por

ser película, você tinha que pensar bem

antes de rodar. Errar custava muito caro.

O movimento estudantil naquela época

era, ao mesmo tempo, rebelde e romântico.

Ninguém acreditava que os estudantes

brasileiros iriam cercar o segundo homem

mais importante do mundo (Henry

Kissinger, diplomata americano ganhador

do Prêmio Nobel da Paz), embaixadores,

ministros e políticos e jogar ovos e tomates.

Até o Vladimir Carvalho, que era meu

professor, duvidou. O filme (“Kiss Kiss

Kissinger”) fez sucesso não por ser político,

mas por ser irreverente, e trouxe literalmente

o cinema pra minha vida”

SOBRE SUAS OBRAS “O amor é

o que dá sentido à vida, mas viver a

dois é sempre um desafio. “Jogo da

Memória”, o filme que rodei agora,

tem um casal (Dalton Vigh e Vivianne

Pasmanter) que está junto, mas cada

um em seu mundo, e talvez isto seja

o que os mantenha juntos, até que

a ex-mulher dele (Simonia Queiroz)

surge e desequilibra esta equação. É

uma história sobre memória, sobre

como as nossas lembranças nos tornam

pessoas que não existem mais,

e como cultuamos o passado de uma

forma tão mórbida.

Ele deve ser lançado nos festivais

de cinema neste semestre, e entrará

em circuito nos meados de 2015.

Estamos trabalhando justamente a

questão da distribuição, que hoje é

um gargalo ainda estreito para a produção

nacional.”

NOSSAS LEMBRANÇAS

NOS TORNAM PESSOAS

QUE NÃO EXISTEM MAIS

PRÓXIMOS PROJETOS “O filme se

chama “A Crônica dos Mortos-Vivos”,

mas não é sobre zumbis rs rs. É a história

de dois irmãos apaixonados pela

mesma mulher. Vai ser rodado a partir

de outubro (2014), e estamos em pleno

processo de produção.”

Jimi Figueiredo, cineasta

SER DE BRASÍLIA “Brasília tem

pouca história, mas muita arte. Não

existe uma fórmula, nós não retrabalhamos

o passado – até porque

não temos passado, mas carregamos

o fardo de retrabalhar o moderno,

porque a cidade é isso em sua

essência. Vivemos uma efervescência

cultural - o FAC (Fundo de Apoio

a Cultura do Distrito Federal) é um

bom termômetro desta situação,

mas ainda precisamos buscar nossa

identidade, se é que ela existe.

Precisamos ousar. Não falar mais

alto, mas falar diferente.

Não há como ser profissional sem por a

mão na massa. E os investimentos que

foram feitos aqui contribuem para a criação

de um mercado. Mas isso não impede

de trazermos os bons profissionais

que estão lá fora e trabalharmos com

eles. Precisamos garantir nosso espaço

sem sermos, todavia, provincianos.

O mercado de Brasília está em expansão.

Vivemos um bom momento e já

podemos fazer e administrar projetos

inadmissíveis dez anos atrás. No ano

passado, conseguimos filmar quatro longas

num mesmo período, com equipes

diferentes. Isso mostra a maturidade e o

profissionalismo do nosso cinema.”

TRABALHAR COM CINEMA “A arte

não é um hobby, é algo que tem que

ser levado muito a sério. Você pode não

ter dinheiro, mas tem que ser sempre

profissional e buscar as pessoas que

pensam como você. Não adianta chamar

uma turma de amigos pra dar uma

força num projeto, tem que chamar os

experts, os bons, e convencer esses caras.

“Cru” foi feito com pouco dinheiro,

mas com uma equipe de primeira, uma

boa câmera e amor ao que se faz.

FILMOGRAFIA

Jogo da Memória (2014)

Cru (2011)

Verdadeiro ou Falso (2009)

Quase de Verdade (2008)

Pequena Fábula Urbana (2008)

Daminhão Experiença (2007)

Kiss Kiss Kissinger (2007)

Paralelas (2006)

Superficie (2004)

ONDE ENCONTRAR?

www.cinemacinema.com.br

www.jimifigueiredo.blogspot.com

EVOKESET2014

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Depressão

versus

Nutrição

Luiz Tannuri

Nutricionista Esportivo

CRN∕1 - 9449

Desde o século IV a.c. Hipócrates já afirmava

“seu remédio é seu alimento e seu

alimento é seu remédio”. Por essa razão,

tudo que ingerimos afeta diretamente

o funcionamento do corpo, tanto fisicamente

quanto a parte mental e emocional.

Sendo assim, alguns problemas

mentais, como a depressão, podem ser

atenuados, ou até curados, utilizando-se

os nutrientes corretos e necessários ao

bom desempenho do organismo.

A depressão, que atinge 19% da população,

pode ser provocada pela dificuldade

de transmissão dos impulsos nervosos

de um neurônio para outro, que

se faz por intermédio dos neurotransmissores,

principalmente a serotonina.

70% da serotonina corporal é produzida

no intestino pelos lactobacilos

vivos. Dessa forma, a depressão pode

ser evitada pelo bom funcionamento

intestinal, ao invés do uso abusivo de

medicamentos antidepressivos, que

têm o efeito de preservar a serotonina

existente no cérebro.

É importante um equilíbrio em relação

às bactérias que habitam o intestino, as

benéficas (lactobacilos) e as prejudiciais

(Clostridium). Todos necessitam consumir

alimentos para o desenvolvimento

dos lactobacilos. Por isso, é importante

ingerir bastante água, para que se tenha

uma boa hidratação das fibras, facilitando

o fluxo do bolo fecal. Acreditem, todos

têm problemas intestinais em algum

nível. Muitas das vezes, excreta-se nutrientes

que deveriam ser absorvidos e,

outras vezes, absorve-se moléculas que

deveriam ser excretadas. Este desequilíbrio

é chamado Disbiose.

As principais causas da Disbiose são:

alimentação desequilibrada, uso indiscriminado

de medicamentos como

antibióticos, anti-inflamatórios e laxantes,

uso abusivo de álcool e cigarro. As

constipações, um mal que atinge muitas

mulheres, ou diarreia frequentes

também na vida de muita gente, são

fatores que influenciam o equilíbrio do

trato gastrintestinal, causando sintomas

como: excesso de gases, queda

de cabelo, enfraquecimento das unhas,

dores de cabeça, candidíase de repetição

e irritabilidade. Esses sintomas

poderiam ser perfeitamente evitados se

fossem seguidas algumas orientações

nutricionais para o bom funcionamento

intestinal e para produção de serotonina,

tais como: aumento do consumo

de alimentos como couve-flor, repolho,

chicória, cebola, alho-poró, cenoura,

brócolis, abacate, amêndoas e grão de

bico, frutas de todos os tipos (de preferência

devem ser consumidas com casca)

e cereais integrais como arroz integral,

aveia, sementes de linhaça e chia

e granola; ingestão de cerca de 3 litros

de água por dia; consumo diário de glutamina,

responsável pelo fortalecimento

das células intestinais. A prática de

exercícios físicos regulares, também é

de fundamental importância para a manutenção

da boa saúde física e mental.

Sob orientação de um nutricionista,

também devem ser usados produtos

fontes de lactobacilos, como leites fermentados,

iogurtes especiais, ou suplementos

nutricionais, sempre prescritos

por profissionais especializados.

O simples ato de comer, que é necessário

para a sobrevivência das pessoas,

também pode provocar males ao organismo,

que poderiam ser evitados pela

aquisição de bons hábitos alimentares.

Muitas vezes as carências emocionais

são recompensadas pelo excesso de ingestão

de alimentos cheios de açúcar,

gorduras e com baixo teor de nutrientes.

Portanto, comer bem, tomar líquidos e

diminuir o ritmo agitado da vida pode

evitar muitas doenças presentes no

mundo atual, como a depressão.

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Vanessa Silvestre

Rodrigo Lopes

Famílias brasilienses que

abriram suas casas para

receber turistas têm como

legado as novas amizades

PODE ENTRAR, A

PORTA ESTÁ ABERTA!

Luiz Mauro e família: novos amigos e chapéu Panamá

Mudanças na rotina, novas

experiências e amizades.

Assim foi a Copa

do Mundo para as 151

famílias brasilienses que abriram as

portas de casa para receber os turistas

que vieram aproveitar o Mundial na

capital federal. Elas participaram do

Programa de Hospedagem Alternativa

Cama e Café, lançado pela Secretaria

de Turismo do GDF e coordenado pela

Associação dos Dirigentes de Vendas

e Marketing do Brasil. Ao todo, mais

de 100 visitantes usaram o serviço. A

idéia era oferecer aos turistas não apenas

um lugar para ficar, mas também

uma forma diferente de viver a cidade.

“Muitas vezes a hospedagem convencional

inibe grupos interessados em

usufruir da viagem como um verdadeiro

intercâmbio cultural, além de tarifas

mais acessíveis,” como explica o coordenador

do projeto Newton Garcia.

E os preços realmente eram mais em

conta. O valor médio da diária ficou em

R$ 200,00. O tempo de permanência

ficou em média dois dias.

Dos que optaram pela hospedagem alternativa,

52% eram brasileiros e 48%

estrangeiros de pelo menos oito países

diferentes. E quem não se lembra

do “mar amarelo e vermelho” que invadiu

as ruas da capital? Os colombianos

tomaram conta da cidade e eles foram

34% dos usuários desse serviço.

A família de Firmino da Silva Amaral recebeu

tres deles, além de uma americana

e dois paulistas. Ele conta que o povo

é muito alegre. “A gente conseguia se

entender, não falamos muito espanhol,

mas sempre dá para se virar.”

Firmino, que já é aposentado, mora

com a esposa e freqüentemente os

três netos visitam o casal. Para os

pequenos foi uma diversão só. Os

hóspedes gostavam muito de brincar

com as crianças.

Além disso, Firmino levava e buscava

os novos amigos na visitação aos

pontos turísticos. E para recebê-los

foram compradas roupas de cama novas

e outras melhorias que somadas

custaram cerca de três mil reais. O

aposentado disse que conseguiu recuperar

o valor gasto, mas não quis

revelar qual foi o lucro.

A família diz que a troca de experiências

foi muito rica. E para eles o grande legado

da Copa foi a amizade que se manteve,

mesmo todos voltando para casa.

“Nos comunicamos quase diariamente.

Pela internet já conhecemos a família.”

A troca de carinho também foi vista na casa

do servidor público Luiz Mauro. Só que para

eles a idéia foi mostrar como realmente

vive uma família de Brasília. Por isso, não

mudaram a rotina com as filhas - uma de

quatro e outra de cinco anos. “A gente queria

que eles vissem a intimidade da família

brasileira. Por isso não mudamos nada e

também puxávamos muito pelo português

porque eu acredito que quem vem

visitar o nosso país tem que conhecer a

nossa língua também,” relata a técnica do

judiciário, Eliane Ferreira dos Santos.

A família recebeu na casa onde moram

na 716 Sul dois equatorianos, um colombiano

e dois casais do Paraná.

Como boa mineira apenas comidas típicas

no cardápio: pão de queijo, canjica e

outros pratos genuinamente brasileiros.

“Foi uma experiência ótima. É muito bom

conhecer outras culturas, principalmente

a colombiana. Sempre quisemos conhecer

a Colômbia e até nos ofereceram hospedagem

por lá. De presente nos deram

os chapéus do Panamá”, conta Eliane.

Até agora, o Cama e Café tem para oferecer

aos turistas casas em até 15 regiões diferentes.

A maioria delas fica na Asa Sul e no

Lago Norte. Outras 203 ainda aguardam a

aprovação da visita técnica do programa.

EVOKESET2014

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Vanessa Silvestre

PETSHOPS: UM MERCADO

EM EXPANSÃO

A solidão ou a opção de morar sozinho

tem movimentado um mercado

inesperado aqui no Distrito Federal:

o mundo pet. Cada vez mais pessoas

que vivem só têm escolhido como

companhia um bichinho de estimação.

Tanto é que o Distrito Federal se tornou

a segunda unidade da federação onde

mais cresce o mercado de petshops

- 14% de elevação ao ano -, perdendo

apenas para São Paulo. Crescimento

acima da média nacional que tem uma

estimativa de alta de 8,2% para 2014.

Em um comparativo com outros segmentos,

a projeção do mercado pet

representa 0,34% do PIB nacional. Com

esses números fica à frente dos setores

como os de geladeiras e freezers,

componentes eletroeletrônicos e produtos

de beleza. Por aqui, já são 1.100

estabelecimentos.

De acordo com a Associação Brasileira

da Indústria de Produtos para Animais

de Estimação, atualmente no Brasil

existem aproximadamente 37,1 milhões

de cães e 21,3 milhões de gatos. Se forem

somados outros animais como

peixes, aves e répteis a população sobe

para mais de 106 milhões de pets.

ração passar a ser Premium o montante

chega a R$ 859,98. Para quem tem

gatos, o valor total mensal fica em até

R$ 84,19, com produtos standard. Produtos

de linhas premium podem chegar

a R$ 278,12 para gatos.

BANCO DE SANGUE ANIMAL

Que os nossos animais de estimação

nos ajudam a superar os problemas

diários e até doenças não é novidade,

mas vocês sabiam que eles podem

salvar vidas entre eles? Assim como

acontece com os humanos, a doação

de sangue ocorre também entre os

animais. O uso do sangue é feito não

somente em cirurgias e em casos de

acidentes, mas também como terapia

no tratamento de doenças.

Brasília tem o único banco de sangue

animal da região Centro-Oeste. Hoje ele

funciona em uma parceira com uma clínica

no Jardim Botânico, mas uma sede

está sendo construída em Taguatinga.

Os animais doadores são cadastrados.

Eles passam por exames freqüentes e

as vacinas são oferecidas pelo próprio

banco. Tudo para garantir a segurança

dos receptores. Atualmente estão cadastrados

150 cães e apenas 25 gatos.

A Universidade de Brasília também prepara

o próprio banco de sangue animal.

Ainda não há previsão para que comece

a entrar em funcionamento, mas a idéia

é de que seja público.

A LUTA PELA TRANSPARÊNCIA

Em quatro anos, mais de 8.900 animais

foram mortos pelo Centro de Controle

de Zoonoses do Distrito Federal.

E para saber os motivos um grupo de

proteção animal está lutando para conseguir

a criação de um comitê de transparência.

O CCZ afirma que as mortes

foram necessárias por causa de doenças.

Já ONGs questionam a decisão. Anderson

Valle, um dos responsáveis pela

tentativa de implantação do comitê e

que mantém uma página no Facebook

sobre o assunto diz que hoje não existem

políticas no DF para garantir o bem

estar animal no órgão. “Queremos saber

se a eutanásia desses animais está

correta. Muitas vezes o animal pode ser

encaminhado para um lar e ser tratado.”

O projeto encaminhado pelos protetores

e que hoje, segundo a gerência da Zoonoses

está em estudo na secretaria de

saúde, estabelece que organizações da

sociedade civil participem das decisões

do CCZ no que se refere a eutanásia.

E esse fenômeno não escolhe classe

social. Os animais de estimação estão

presentes nos lares de classes altas e

baixas. Os gastos com rações dominam

o orçamento de quem tem um animalzinho

de estimação.

Com cães os gastos mensais podem ir

de R$ 133, com raças pequenas, até R$

314, com os de porte grande. Agora se a

O intervalo para cada doação é de dois

a três meses em cachorros e de três

em gatos.

Para serem doadores, os cães precisam

ter entre um e oito anos, além de

ter mais de 27 quilos. De cada coleta

sai uma bolsa de 500 ml. Já os felinos

precisam ter quatro quilos e meio para

obter uma bolsa de apenas 60 ml.

O gerente da Zoonoses, Jadir Costa,

afirma que a eutanásia não é adotada

como forma de controle populacional.

“Animais que apresentam graves doenças

e que podem ser um risco para

a saúde pública acabam sendo eutanasiados.

O nosso foco é saúde. AAqui

trabalhamos com diversos casos, acionados

pela população, para evitar que

doenças se espalhem.”

MUNDO CÃO, GATO E CIA...

EVOKESET2014

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Paulo Roque Khouri

BUROCRACIA ESTÁVEL

CONTRA A FARRA

DOS COMISSIONADOS

Ao contrário da impressão

negativa que o termo suscita

em um primeiro momento,

como sinônimo de

lentidão e ineficiência, uma burocracia

estável seria um grande reforço na busca

por serviços públicos de qualidade e

eficientes. Na concepção de Max Weber

uma burocracia profissionalizada no

comando da máquina pública permitiria

uma organização com divisão bem

delimitada de tarefas; especialização

do trabalho; hierarquia; eficiência. Fundando-se

não na autoridade pessoal do

chefe ou no carisma do monarca, mas

na autoridade racional da lei, Weber

também já advertia para os riscos do

fracasso do modelo: criação excessiva

e contraditória de regras, comprometendo

a clareza, a simplicidade e a

segurança; a burocracia como um fim

em si mesmo, descuidando do cidadão

como seu destinatário e tratando-o

como coisa; excesso de indicações e

influencias políticas.

A burocracia do Estado brasileiro parece

padecer dos grandes vícios apontados

por Weber. Há hoje um grande número

de funcionários com cargos em comissão,

ditos de “confiança”- cerca de 23

mil-, alojados na máquina pública, a

maioria por indicação dos partidos da

chamada base de apoio do governo. Em

sua maioria também os indicados foram

nomeados em cargos estritamente técnicos

mais por conta do critério político

da escolha. O Brasil sozinho tem mais

cargos ditos de “confiança” de livre nomeação

de não concursados que os Estados

Unidos (9 mil), França (4 mil) Inglaterra

(500), Chile (400) e Alemanha

(300). Nos governos estaduais a farra

ainda é maior: são 108 mil cargos em

comissão de livre nomeação. Essa grande

quantidade de pessoas estranhas

à máquina pública torna mais dificil a

profissionalização da administração,

torna mais vulnerável a máquina às influências

do dinheiro e do caixa dois das

campanhas dos partidos. Em entrevista

à revista Carta Capital, em 2011, o sociólogo

e professor da Unicamp, Valeriano

Costa, faz a seguinte constatação: “Se

recuperarmos as operações da Polícia

Federal, encontraremos pessoas em

cargos estratégicos para aprovação de

contratos e distribuição de recursos

que não poderiam ser funcionários indicados

porque vêm de empresas e setores

da economia interessados. Esse

é filé mignon da distribuição política.

O problema não está na politização da

secretária-executiva, chefia de gabinete

e assessores, mas no Dnit (Departamento

Nacional de Infraestrutura de

Transportes), na Conab (Companhia

Nacional de Abastecimento), nos órgãos

de implementação das políticas que distribuem

os recursos. É um indício claro

de má intenção. Os locais que cuidam da

distribuição de recursos é que interessam

e não os cargos de decisão. Aliás,

às vezes, tomar a decisão é até ruim.

Por isso, caso um ministro desses partidos

seja cortado, isso não terá importância

desde que mantenham os cargos

no baixo escalão.”

A farra dos cargos em comissão no Brasil

só não é maior porque o STF continuamente

vem barrando a tentativa dos estados

de criarem mais cargos sem concurso

público para funções estritamente

técnicas. Ao julgar ação direta de inconstitucionalidade

afeta ao estado de Goiás,

o Supremo entendeu violado o artigo 37,

inciso segundo, da Constituição, pois

havia sido aprovada lei que criava cargos

de provimento comissionado para as atividades

de perito médico-psiquiátrico,

perito médico-clínico, auditor de controle

interno, produtor jornalístico, repórter

fotográfico, perito psicólogo, enfermeiro,

motorista. Através de outra ação, o STF

também considerou inconstitucional lei

do estado de Tocantins que criou cerca

de 35 mil cargos comissionados, quando

o número de servidores concursados no

estado era de 45 mil.

Um burocracia efetivamente estável

interessa a todos os cidadãos. É instrumento

poderosíssimo de controle de

governos mal intencionados e garante

a continuidade dos serviços públicos

aos cidadãos, como ocorre na Europa,

mesmo diante das transições políticas

pós eleitorais. O funcionário deve ser de

confiança do Estado, da sociedade, não

de governos ou partidos.

EVOKESET2014

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Rose Borella

Há tantos anos trabalhando e aprendendo sobre alimentos

e bebidas e só agora busquei mais informações

sobre a nossa cachaça! Quantas vidas, músicas e causos

em torno dela!

As cachaças, produzidas pelo Engenho São Luiz em Lençóis

Paulista, pelo segundo ano consecutivo, ficaram entre

as melhores do país recebendo as medalhas de bronze,

nas categorias cachaça branca e cachaça carvalho e

madeiras, para orgulho dos lençoenses..

Degustar uma São Luiz é provar uma cachaça que em

2014 entre outros produtos do mundo todo, obteve o

selo de qualidade internacional conferido pelo iTQi (InternationalTtaste

& Quality Institute) no “SUPERIOR

TASTE AWARD”.

O prêmio é o reconhecimento do processo cuidadoso e

diferenciado da cachaça Engenho São Luiz. Toda a cana-

-de-açúcar utilizada é de produção própria e variedades

especialmente cultivadas para esse fim.

O processo de fabricação da cachaça do Engenho São

Luiz começa na colheita manual da cana-de-açúcar crua,

o que garante a qualidade da fermentação e proteção ao

meio ambiente.

A destilação feita em alambiques de cobre permite

que só a parte mais nobre do destilado seja utilizada

nos produtos finais.

Isso somado a tradição e a qualidade conquistada há

mais de cem anos fazem jus à posição entre as melhores

cachaças do país.

Assim, desde a sua concepção, o Engenho São Luiz foi

cuidadosamente projetado para produzir cachaça de

alambique através de processos rigorosamente controlados

e com volume de produção restrito, para garantir

sua qualidade única.

PROCESSO Na moagem, separa-se a garapa (caldo) do

bagaço (fibra da cana). Depois da decantação, inicia-se o

processo de fermentação natural em dornas de aço inox,

em que o açúcar presente no caldo é transformado em

álcool e gás carbônico, resultando em um produto denominado

“vinho” ou “mosto”.

Não são utilizados aditivos químicos para o controle da

fermentação no Engenho São Luiz, o que assegura a qualidade

final do produto. Já o bagaço é reaproveitado como

combustível para geração de vapor e energia consumidos

no engenho.

Uma das maiores preocupações do Engenho São Luiz é o

respeito com o meio ambiente. Por isso, todos os resíduos

de sua atividade são cuidadosamente tratados, a fim

de evitar a contaminação da água e do ar.

PRODUTOS 600 ml 42% vol

CACHAÇA BRANCA Descansada por seis meses em

toneis de amendoim com capacidade para 20.000 litros.

CACHAÇA AMARELA 100% envelhecida por 18 meses

em barris de carvalho de 200 litros. A Cachaça Engenho

São Luiz envelhecida pode ser vendida por unidade ou

em caixas de 6 garrafas. É uma cachaça muito nobre de

paladar espetacular.

Estas cachaças você encontra na

Ready Beef, no Sudoeste

CLSW 303 Bloco C, Lojas 2/8. Fone: 3039-4040

Cachaça!

Sim, é uma bebida

tipicamente brasileira!

EVOKEAGO2014

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Sérgio Luz

sócio do Base Atacadista

EQUILÍBRIO E VISÃO

PARA CRESCER

Se em 1974 alguém perguntasse

à Sergio Luz o que ele

queria ser quando crescesse,

provavelmente receberia uma

resposta certeira: empresário, dono

do próprio negócio. Pudera! Então com

nove anos de idade, quando chegou em

Brasília com a família vindo do interior

de Goiás, o garoto Sérgio já brincava de

empreendedorismo, com os canhotos

dos cheques do escritório de contabilidade

do pai, e vendia para a mercearia

da esquina onde morava em Taguatinga

os saquinhos de papel que pegava

dos hipermercados, após estes serem

devidamente desamassados. Garrafas

usadas também eram comercializadas

pelo pequeno “empresário”, que, obviamente,

jogava bola e andava de bicicleta,

quando possível.

Hoje, aos 49 anos, casado, dois filhos, comanda,

ao lado de dois sócios, uma das

maiores empresas no setor de Atacado

no DF: o Base. São quatro lojas, um mix de

6 mil e quinhentos produtos comerciali-

A trajetória do empresário

que administra um negócio que

vende mais de seis mil itens

zados e um quadro enxuto, porém, bem

treinado de funcionários: 340 pessoas.

A primeira loja, em Taguatinga Norte, foi

aberta em 2004, com a visão inovadora

de unidades menores para atender micro-regiões,

dado ao crescimento vertiginoso

do DF nas últimas décadas e a

problemas do cotidiano como deslocamentos

cada vez mais complexos e engarrafamentos.

Já a quinta loja deverá ser

aberta ano que vem no Taquari. O nome

Base, explica o empresário, foi escolhido

por ser curto, forte e passar conceitos

e valores como solidez, ética e transparência

nos negócios. E que se encaixam

como uma luva também na base familiar

do empresário, cujos pilares atendem

pelos nomes de Carmita, a mãe, já falecida,

e Erika, a esposa. “Herdei o espírito

empreendedor de dona Carmita. Era uma

guerreira. Já Erika sempre me apoiou.

Nunca duvidou da minha capacidade. Ao

contrário. Seja mais leve, irresponsável,

dizia ela, quando ainda namorávamos”,

recorda, destacando ainda o equilibrio

como chave na tomada de decisões.

IMÓVEIS E FLORES Os pais também

apostaram e deram um empurrão no

jovem, o emancipando para que, ainda

menor, pudesse abrir o primeiro negócio,

uma imobiliária. Isso após sofrer a frustração

de não ter conseguido, aos 16 anos,

entrar para o concorrido estágio do então

Banco Real, por conta de um mês. “Completei

a idade já fora do limite que o processo

seletivo exigia 30 dias antes de ser

chamado”, destaca Sérgio. Um ano mais

tarde, porém, entrou na Católica para cursar

Administração e começou a trabalhar

como office boy em um escritório de advocacia.

“Sempre li e estudei muito. Pegava

o Gran Circular e ficava lendo dentro

do ônibus, cujo trajeto era extenso, da W3

para L2 e vice-versa”, lembra o empresário,

que devorava revistas como Exame e

Pequenas Empresas, Grandes Negócios,

além de livros de ícones da Administração,

como Jack Welch, o famoso CEO da

General Electric.

Mas os 14 anos que passou na Câmara

dos Deputados, primeiro como

assistente de gabinete parlamentar,

depois como chefe de gabinete, foram

um divisor de águas na vida de Sérgio.

Mesmo com a atribulada agenda, ele

nunca deixou de tocar projetos paralelos

e chegou a ter uma floricultura.

“Saía de casa de terno às 5 da manhã

para comprar flores em locais como o

Ceasa, deixava na loja e ia para o Congresso.

Depois, voltava à noite para

fechar a floricultura”.

Ao mesmo tempo em que o salário da

Câmara lhe dava estabilidade financeira,

o seu inquieto espírito o incomodava.

“Não queria envelhecer como chefe

de gabinete. Anda não tinha encontrado

um negócio que me despertasse

paixão. Mas sabia que queria a iniciativa

privada”, conta.

Sérgio na loja da EPTG

RECICLAGEM DE VIDA Mas a amizade

com o filho do dono do Elo Atacadista,

de Anápolis, que chegou a ser o

terceiro maior do país, ajudou Sérgio a

dar uma guinada na vida e a deixar a

“segurança salarial” da Câmara. Fábio,

o amigo, o convidou para ser sócio na

compra de uma firma de reciclagem

de papel em Taguatinga. Na época, em

1997, a reciclagem já era uma tendência.

O negócio da Excel Recicláveis deu

tão certo que incomodou a concorrência

e rendeu um convite para que Sérgio

assumisse a gestão da unidade da

Elo Atacadista em Arapiraca, Alagoas,

estratégico centro distribuidor para

o Nordeste. Foram três anos longe

da esposa e do primeiro filho recém-

-nascido. Após ajudar a implantar um

escritório da empresa em Recife, uma

decisão dos donos do Elo, de mudarem

de ramo – deixarem o Atacado

e entrarem no segmento industrial,

com uma marca própria, a Cremom do

Brasil – provocou uma nova guinada

na vida de Sérgio. “Praticamos a chamada

Reengenharia e ajudei na coordenação

do processo de compra de

fábricas obsoletas de gigantes como

a Parmalat, até chegar à aquisição

da poderosa Mococa, do interior paulista”,

relembra. Aliás, este é um capítulo

à parte. O fato de uma indústria

do interior de Goiás adquirir uma indústria

paulista rendeu matérias nos

cadernos de economia da imprensa e

uma peregrinação aos grandes bancos

para levantar o financiamento necessário

– em torno de 50 milhões de

reais à época. “Fui sabatinado pelas

cúpulas das instituições financeiras

na apresentação do projeto”, recorda.

Quando estava em uma posição mais

do que confortável, como diretor financeiro

e administrativo da Mococa em

Goiânia, a vida deu nova virada. O fato

da esposa ter passado em um concurso

em Brasília despertou, ao mesmo

tempo, o temor de ficar de novo longe

da família e o desejo de abrir o próprio

negócio. Estava plantada a semente do

Base Atacadista. E após muitas reuniões

com os dois sócios em 2003, um

ano depois veio a abertura da primeira

loja em Taguatinga. Hoje Sérgio fala do

negócio como se fosse um filho. Está

sempre presente, circulando nas quatro

lojas e conta com a maior naturalidade

que mesmo ao sair para praticar

um dos seus hobbies, as trilhas de jipe,

não desliga totalmente. “Da última vez,

no caminho para Pirenópolis, visitei

meus dois concorrentes e depois, em

plena trilha, cobrei da minha equipe

as ações necessárias”. Com equilíbrio,

é claro. No melhor estilo do slack

line, esporte que chama sua atenção.

Afinal, quem pode criticar a paixão do

empresário pelo seu negócio?

Rodrigo Lopes

EVOKESET2014

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dústria paulista rendeu matérias nos

cadernos de economia da imprensa e

uma peregrinação aos grandes bancos

para levantar o financiamento necessário

– em torno de 50 milhões de

reais à época. “Fui sabatinado pelas

cúpulas das instituições financeiras

na apresentação do projeto”, recorda.

Quando estava em uma posição mais

do que confortável, como diretor financeiro

e administrativo da Mococa em

Goiânia, a vida deu nova virada. O fato

da esposa ter passado em um concurso

em Brasília despertou, ao mesmo

tempo, o temor de ficar de novo longe

da família e o desejo de abrir o próprio

negócio. Estava plantada a semente do

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