Revista Mais Sebrae - Maio 2018

maissebrae

A revista Mais Sebrae é uma publicação trimestral do Sebrae RS e destaca as principais novidades e informações sobre empreendedorismo e negócios no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Maio 2018

Ano 4 | Nº 10

A REVISTA DO EMPREENDEDOR GAÚCHO

HORA DE APOSTAR NA

CADEIA DA SAÚDE

Como funciona a cadeia produtiva que movimenta cerca de

10% do PIB anual do Brasil e tem atuação do Sebrae RS em

todos os seus elos. Pág. 24

Coletividade: Troca de experiências entre

empresários estimula crescimento dos

negócios. Pág. 18

Vitivinicultura ganha força na Fronteira Sul: Segmento

está em plena expansão a partir de seu potencial de

produtividade e de enoturismo Pág. 26

1


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desempenho do seu negócio com demais

empreendimentos do seu segmento.

Oportunidades

para expansão

A Revista Mais Sebrae chega a sua décima edição. Um

marco importante para esta publicação, que surgiu em

2015 e segue com a proposta de levar informação relevante

sobre o cenário empresarial e o mundo dos negócios,

mostrando cases e oportunidades para quem

deseja empreender.

Entre os destaques desta edição está uma reportagem sobre

a cadeia produtiva da saúde, que movimenta cerca de

10% do Produto Interno Bruto (PIB) anual do Brasil e que

representa grande potencial de expansão no Rio Grande do

Sul, já que o Estado é o segundo polo hospitalar do País.

A atuação do Sebrae RS nessa área é relativamente nova:

há dois anos estamos aprimorando conhecimentos e especializando

nosso corpo técnico para atuarmos em todos

os seus elos, com programas de desenvolvimento e

iniciativas nos setores da indústria, comércio e serviços.

Nessa matéria, buscamos aprofundar como funciona

essa cadeia produtiva, mostrando também de que forma

ela se relaciona com startups e empresas de tecnologia.

laboração pode ser uma saída para empresas, uma

oportunidade para otimizar recursos e fundir conhecimentos,

desenvolver parcerias e até criar novos

produtos e serviços, principalmente neste momento

de retomada gradual da economia.

A revista traz ainda um apanhado com as principais

tendências apresentadas na Retail’s Feira Big Show, a

maior feira de varejo do mundo, que acontece anualmente

em Nova York, promovida pela National Retail

Federation (NRF). Também trata de assuntos como as

mudanças no Simples Nacional; a Mercopar – feira de

subcontratação e inovação industrial que ocorre em outubro;

além de apresentar uma série de cursos online e

gratuitos para empreendedores, nas áreas de gastronomia,

varejo e moda.

Boa leitura!

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já as mudanças necessárias

na sua empresa.

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Os leitores também poderão conferir uma reportagem

sobre o crescimento da vitivinicultura na Fronteira Sul

do Estado e o trabalho para que o “Terroir da Campanha

Gaúcha” se consolide e seja reconhecido pela qualidade

em vinhos finos e espumantes. Recentemente, o Sebrae

RS ampliou sua atuação na região e vem incentivando a

atividade, auxiliando os produtores rurais e empresários

para que a cultura se torne ainda mais rentável.

Outro destaque fica por conta da matéria sobre

projetos coletivos, mostrando que a cultura da co-

GEDEÃO SILVEIRA PEREIRA

Presidente do Conselho Deliberativo

Estadual (CDE) do Sebrae RS

2 3


CONSELHO DELIBERATIVO

Presidente Conselho Deliberativo: Gedeão Silveira Pereira

• Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A – BANRISUL

Titular: Luiz Gonzaga Veras Mota

Suplente: Irany de Oliveira Sant’Anna Júnior

• Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – FIERGS

Titular: Gilberto Porcello Petry

Suplente: Marco Aurélio Paradeda

• CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Titular: Edilson Zanatta

Suplente: Fábio Müller

• Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – CIERGS

Titular: André Vanoni de Godoy

Suplente: Marlos Davi Schmidt

• Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia-SDECT

Titular: Márcio Biolchi

Suplente: Evandro Fontana

• BANCO DO BRASIL S/A

Titular: Edson Bündchen

Suplente: Vanderlei Barbiero

• Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul –

FEDERASUL

Titular: Simone Diefenthaeler Leite

Suplente: Olmiro Cavazzola

• Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul – FARSUL

Titular: Gedeão Silveira Pereira

Suplente: Fábio Avancini Rodrigues

• Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande

do Sul – FECOMÉRCIO

Titular: Luiz Carlos Bohn

Suplente: Zildo De Marchi

• Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE

Titular: José Paulo Dornelles Cairoli

Suplente: Pio Cortizo Vidal Filho

• Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI/RS

Titular: Alexandre De Carli

Suplente: Ricardo Coelho Michelon

• Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul – FAPERGS

Titular: Odir Antônio Dellagostin

Suplente: Marco Antonio Baldo

• SENAR - RS - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural

Titular: Gilmar Tietböhl Rodrigues

Suplente: Valmir Antônio Susin

• FCDL- Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul

Titular: Vitor Augusto Koch

Suplente: Fernando Luis Palaoro

• BADESUL Desenvolvimento S/A - Agência de Fomento/RS

Titular: Susana Maria Kakuta

Suplente: Paulo Odone Chaves de Araújo Ribeiro

CONSELHO FISCAL

Presidente Conselho Fiscal: José Benedicto Ledur

Titulares

• FEDERASUL: José Benedicto Ledur (Presidente);

• FIERGS: Gilberto Brocco;

• FCDL/RS: Jorge Claudimir Prestes Lopes.

Suplentes

• FECOMÉRCIO: Ivanir Antonio Gasparin;

• Caixa Econômica Federal: Pedro Amar Ribeiro de Lacerda.

DIRETORIA EXECUTIVA

Diretor-Superintendente: Derly Cunha Fialho

Diretor Técnico: Ayrton Pinto Ramos

Diretor de Administração e Finanças: Carlos Alberto Schütz

EXPEDIENTE

A revista Mais Sebrae é uma publicação do

Sebrae RS desenvolvida pela Gerência de

Comunicação e Marketing.

Coordenação Geral:

Ana Finkler

Produção Executiva:

Renata Cerini e Ivana Gehlen

Produção, conteúdo e execução:

Caetano Teles e Raphaela Donaduce

Flores – Dona Flor Comunicação

Edição:

Raphaela Donaduce Flores

Reportagem:

Carolina Hickmann e Josine Haubert

Revisão:

Flávio Dotti Cesa

Design Gráfico e Editoração:

Leandro Bulsing – Fale Marketing

Foto de Capa:

iStock Fotos

Tiragem:

5 mil exemplares. Aplicativo da revista Mais

Sebrae disponível para Android e iOS.

FALE COM A REDAÇÃO:

sebraeimprensa@sebrae-rs.com.br

CONTATOS COM O SEBRAE:

• 0800 570 0800 - atendimento

gratuito de segunda a sexta-feira, das

8h às 19h.

• www.sebraers.com.br

O visitante pode fazer download de

publicações e no link “Agência Sebrae de

Notícias” ficar sabendo das novidades da

instituição.

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Sebrae Nacional

• Espaço Pesquisa Sebrae RS

O acervo de livros, revistas, vídeos e

dicas de oportunidades de negócios

enfocando gestão empresarial podem

ser consultados em todas as unidades

regionais do Sebrae RS. Encontre

a unidade mais próxima de você na

página Encontre o Sebrae do portal do

Sebrae RS (sebraers.com.br).

SUMÁRIO

6

10

12

14

18

AGRONEGÓCIO

A expansão da vitivinicultura nas regiões da

Campanha, Fronteira Oeste e Sul do Estado

INDÚSTRIA

Gilberto Petry e Ayrton Ramos falam sobre a

retomada da indústria em 2018

INDÚSTRIA

27ª edição da Mercopar ocorre em outubro,

em Caxias do Sul

COMÉRCIO E SERVIÇO

Mobilidade e conectividade: tendências apresentadas

no maior evento mundial de varejo

INDÚSTRIA, COMÉRCIO E

SERVIÇO

Coletividade: Troca de experiências estimula

crescimento dos negócios

Como funciona a cadeia produtiva que movimenta cerca de

10% do PIB anual do Brasil e tem atuação do Sebrae RS em

todos os seus elos. Pág. 24

Fev/2018

a Abr/2018

Ano 4 | Nº 10

A REVISTA DO EMPREENDEDOR GAÚCHO

HORA DE APOSTAR NA

CADEIA DA SAÚDE

Coletividade: Troca de experiências entre

empresários estimula crescimento dos

negócios. Pág. 18

Vitivinicultura ganha força na Fronteira Sul: Segmento

está em plena expansão a partir de seu potencial de

produtividade e de enoturismo Pág. 26

32

36

44

48

52

56

58

24

ENTREVISTA

Fábio Antoldi, professor da Alta Escola

de Empresa e Sociedade da Universidade

Católica de Milão (ALTIS)

EMPREENDEDORISMO

Sebrae RS oferece cursos online e gratuitos

para empreendedores

POLÍTICAS PÚBLICAS

As alterações do Simples Nacional e seus

impactos nas organizações

CASES DE SUCESSO

Como a Colmeia Containers expandiu seu

negócio e conquistou a internacionalização

SIGA O EXEMPLO

Relatos de empresários que obtiveram

grandes resultados com o apoio do Sebrae RS

FATOS E FOTOS

Principais fatos envolvendo o Sebrae RS

FRASES EM DESTAQUE

Frases dos líderes e empresários que merecem

destaque

CAPA

Entenda como funciona a cadeia

produtiva da saúde, seu potencial de

expansão e a atuação do Sebrae RS

em cada um de seus elos

4 5


AGRONEGÓCIO

Vitivinicultura

ganha força na Fronteira Sul

Segmento está em plena expansão a partir de

seu potencial de produtividade e de enoturismo,

características que levam o Sebrae RS a ampliar

a atuação local

Localizada no principal paralelo do plantio de

uva do Hemisfério Sul, na mesma linha de países

consolidados na indústria do vinho, como

Uruguai, Argentina, África do Sul e Austrália, a

vitivinicultura na Fronteira Sul, região que engloba

Campanha, Fronteira Oeste e Sul do Estado,

possui condições edafoclimáticas favoráveis (características

de clima, relevo, temperatura, umidade

do ar, radiação e tipo do solo, por exemplo).

Invernos rigorosos e verões quentes e secos,

alta luminosidade e baixa precipitação no verão,

grande variação no gradiente de temperatura entre

os dias e as noites são características propícias

para produção de uvas para vinhos finos e

espumantes de qualidade. Isso permite exibir sua

marca no mundo dos vinhos: o “Terroir Campanha

Gaúcha”.

Outra vantagem da região é ter grandes extensões de

terra ainda com potencial de abrigar a cultura, e é esse

um dos fatores que estão norteando a atuação do Sebrae

RS, promovendo o estímulo à entrada de novos

produtores na vinicultura e a ampliação de negócios de

quem já entrou na atividade. Como há áreas disponíveis

para plantio, o produtor consegue agregar a atividade à

propriedade sem interromper as culturas já tradicionais,

como grãos e pecuária. “Na Fronteira Sul a expansão

da cultura não é limitante por território, pois ainda tem

áreas disponíveis com aptidão para a produção de uva.

E as características peculiares da região, como relevo

plano ou levemente ondulado, facilitam a mecanização

do processo”, ressalta André Luis Bordignon, que atua

na gerência setorial de agronegócio do Sebrae RS.

A produção de uvas viníferas na região já responde por

cerca de 15% da produção nacional, de acordo com o

Cadastro Vitícola da Embrapa Uva e Vinho, e envolve

mais de 100 famílias em pelo menos 12 municípios,

como Candiota, onde uma das referências é a vinícola

Batalha Vinhas & Vinhos. O empresário e engenheiro

agrônomo Giovâni Peres explica que a indústria tem

capacidade de produção de

mais de 40 mil litros por ano e

está em fase de ampliação. “A

meta é chegar a cerca de 120

mil garrafas por ano. Iniciamos

a produção em 2010 com três

hectares e dois funcionários,

hoje estamos com seis hectares

de vinhedos, seis funcionários

e compramos uvas de produtores

da região para incrementar

a produção do vinho”, conta

Peres, que está conquistando a

Os vinhos e

espumantes

brasileiros

possuem

mais de

2.000 medalhas

internacionais.

expansão de seu negócio em curto espaço de tempo.

O gestor está envolvido com programas do Sebrae RS

ligados ao agronegócio, como o Programa LIDER e o

projeto de incentivo ao enoturismo na região, além do

Programa Juntos para Competir, que é uma ação integrada

entre Farsul, Senar/RS e Sebrae RS.

Apesar de a cultura ter ganhado força como alternativa

de renda, especialmente a partir do final dos anos 1990,

cultivar uvas localmente nas estâncias era um hábito já

no século XIX. Tanto que há registros de atividade de

produção de vinho em 1888, em Bagé, da Cantina Marimon,

uma das primeiras produtoras de vinhos do Estado,

de acordo com Antônio Conte,

agrônomo da Emater. Hoje, os

principais municípios produtores

da Fronteira Sul são Santana

do Livramento, Encruzilhada

do Sul, Bagé, Candiota, Dom

Pedrito e Pinheiro Machado.

Ainda segundo a Emater, a

área total cultivada com uva na

Metade Sul é de aproximadamente

1,7 mil hectares, com produção

de 11 mil toneladas anuais e

potencial de aumento.

6 7


AGRONEGÓCIO

20 mil famílias estão

envolvidas no plantio de

videiras, só no RS.

Segundo o presidente da Associação de Vinhos Finos

da Campanha Gaúcha, René Ormazabal Moura, o desenvolvimento

do segmento nos últimos anos está

ligado não somente ao volume de produção como

também ao reconhecimento da qualidade da matéria-prima.

“Em 2018, por exemplo, teremos uma das

melhores safras dos últimos cinco anos. O que também

é reflexo de nossa busca constante por aperfeiçoamento

e de estarmos localizados em uma região com

condições climáticas ideais para o cultivo de videiras”,

destaca.

Um dos objetivos do Sebrae RS e do Programa Juntos

Para Competir é o aumento de produtividade de produtores

rurais e empresariais com foco na qualidade,

para que a cultura se torne ainda mais rentável. Apesar

de exigir um pouco mais de mão de obra e algum investimento

inicial, o faturamento bruto por hectare da

produção de uva é superior ao de outras culturas praticadas

na região, como a produção de grãos. Por este

motivo o Sebrae RS vem incentivando a vitivinicultura

local, que se consolida como boa opção de diversificação

da matriz produtiva, além de contribuir para o

desenvolvimento regional.

Turismo como expansão

do modelo de negócios

Com as vinícolas se tornando conhecidas pela

qualidade de seus produtos, é hora de expandir os

modelos de negócios para aproveitar o potencial de

O Brasil é o sexto maior

produtor do Hemisfério Sul, com o

cultivo de mais de 240 diferentes

variedades de uva no Brasil.

turismo da região. Com apoio do Sebrae RS, diferentes

empresas estão se estruturando para receber

público de outras localidades do Estado e do País.

Explorar as paisagens do pampa gaúcho aliando o

vinho com as carnes bovinas e ovinas típicas da região

é uma tendência local com boas possibilidades

de agregar valor ao negócio.

A aposta no enoturismo envolve empresas como a

Vinícola Peruzzo, negócio familiar de Bagé. Com 15

hectares da fruta, a família Peruzzo iniciou plantio

de seus parreirais ainda em 2003 e hoje produz em

torno de 60 mil litros de vinho por ano, mas pretende

expandir estes números no curto prazo, uma

vez que há a possibilidade de estocagem de cerca

de 210 mil litros em sua indústria. Além disso, a

empresa também vinifica uvas para outros produtores

que não contam com estrutura própria. “Somos

uma vinícola pequena, artesanal, e queremos

aumentar qualidade sempre”, relata a empresária

Clori Peruzzo, que está atenta às possibilidades do

enoturismo como nova fonte de desenvolvimento

para seu negócio e também para a região.

Clori participou do Programa LIDER do Sebrae RS

entre 2015 e 2017 e participa do projeto de incentivo

ao enoturismo. Atualmente sua empresa recebe

visitantes que podem conhecer a cave da vinícola

para degustação de produtos, e também realiza

passeios em meio ao parreiral de sua propriedade

mediante reserva de data pelas redes sociais da

empresa. A empresária lembra que o Sebrae RS ajudou

a valorizar o entorno de sua propriedade para o

turismo. A vinícola está localizada em privilegiada

região histórica, o que expande as possibilidades

de passeios daqueles que por ali passam. “Nossa

região faz parte da história do Brasil, estamos localizados

muito próximos do Forte de Santa Tecla, onde

deixamos de ser colônia espanhola e passamos a

ser portuguesa”, explica.

Entraves são compensados

pelo potencial do mercado

Apesar dos muitos diferenciais positivos, a Fronteira

Sul do Estado, como qualquer outra localidade, tem

seus gargalos para avanço da vitivinicultura – muitos

deles vêm sendo diminuídos pela ação do Sebrae RS

na região. Dentre esses entraves destacam-se a falta

de mão de obra qualificada, uma logística deficitária

e a concorrência com os importados que se agrava

na região pela proximidade com a fronteira.

A Campanha Gaúcha

conta com 1.550 hectares

de vinhedos em

municípios como Alegrete,

Bagé, Candiota, Dom

Pedrito, Hulha Negra,

Itaqui, Lavras do Sul,

Maçambará, Quaraí,

Rosário do Sul, Santana

do Livramento e

Uruguaiana.

** dados da Embrapa, 2015

Direcionando seus esforços na localidade desde 2015,

o principal objetivo da organização é o desenvolvimento

territorial, focando na região como um todo, para

expandir seus potenciais, consolidar os negócios das

empresas, fortalecer a economia local e atrair cada vez

mais consumidores e investidores para lá. Confiantes

neste potencial, os produtores trabalham para se desenvolver

e tornar o “Terroir da Campanha Gaúcha” conhecido

por vinhos finos e espumantes de qualidade.

O foco dado por esses empresários contribui para a

consolidação das marcas em torno da produção de

vinhos e espumantes. Para isso, participam cada vez

mais de concursos e buscam certificações. O potencial

da região é maior para o plantio de uvas de clima

temperado da espécie vitis vinifera, com castas específicas

para produção de vinhos e espumantes e de

maior valor agregado.

Porém, uma mudança cultural nos hábitos de consumo

da população ainda é necessária. Diferentemente

de outros países da América Latina produtores

de vinho, o consumo de vinho no Brasil é inferior

a 2 litros por habitante ao ano. O volume é muito

baixo se comparado a outras bebidas como cerveja,

superior a 60 litros per capita. “Existe um grande

potencial de expansão da atividade, o mercado do

vinho e espumante é bastante promissor e a vitivinicultura

desenvolve-se na região como uma excelente

opção de diversificação da matriz produtiva”,

avalia o técnico do Sebrae RS André Bordignon.

8

9


INDÚSTRIA

O ano da retomada da

O diretor Técnico do Sebrae RS, Ayrton Pinto Ramos,

lembra que a queda na taxa de juros e a retoindústria

Indicadores de produção

e índices de confiança

projetam que em 2018 o

setor, que corresponde a

25% do PIB nacional,

voltará a crescer

Após anos de expansão não natural pela suplementação

de crédito, o setor industrial passou por

período de crise atrelada à conjuntura econômica e

aos grandes escândalos políticos. O ano de 2018,

porém, promete sinalizar a retomada deste segmento,

que é responsável por cerca de 25% do Produto

Interno Bruto (PIB) nacional.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado

do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Petry,

lembra que entre 2014 e 2016 a atividade industrial

gaúcha teve queda de 25,6% do faturamento no período.

Assim, a ligeira alta de 0,1% observada na

comparação dos dados de 2017 ante 2016 passa a

ser significativa. Da mesma maneira, as projeções

de fechamento de 2018 são mais positivas. “No

momento a indústria está equilibrada, mas projetamos

um crescimento mais expressivo para este

ano”, aponta.

Os primeiros sinais de que 2018 pode ser de retomada

foram observados ainda em janeiro. O índice

que mede a evolução da produção na indústria gaúcha,

medido pela Fiergs, alcançou 52,8 pontos no

mês. O índice não era visto acima dos 50 pontos

no primeiro mês do ano desde 2013. No mesmo levantamento,

o indicador de número de empregados

atingiu 53 pontos e teve seu primeiro crescimento

para o mês em oito anos.

mada dos principais índices de confiança são decisivos

para este momento no setor. “É a confiança

empresarial que faz a engrenagem do mercado andar,

mas a confiança só é possível em circunstâncias

favoráveis, que foram atingidas com a queda

da taxa de juros e outras medidas recentes”, lembra

Ramos. A partir disso, diz, sinais menos tradicionais

de um crescimento consolidado começam

a ser observados. “Passamos recentemente a exportar

automóveis; e as fundições, que são a base,

estão crescendo, o que faz com que toda a cadeia

cresça”, relata.

Os anos de dificuldade econômica, porém, podem

trazer oportunidades de melhoria. Com as adversidades,

o ritmo de tiradas de encomendas não era

o mesmo dos tempos de altos investimentos no

segmento. Assim, foi preciso rever estratégias. “Entre

2015 e 2017 o Sebrae RS atuou fortemente na

questão comportamental de vendas, para que os

empresários passassem do modelo de apenas receber

pedidos, que vigorou durante os anos de boas

condições econômicas pelo aquecimento do setor,

para um modelo de busca de mercado a partir de

estratégias de venda.”

Superado esse período, a abordagem do Sebrae RS

para o segmento também mudou. “Agora identificamos

nichos de mercado específicos e empresas

complementares”, comenta Ramos. Já que um elo

da cadeia pode ter suas dificuldades sanadas pela

expertise de outro. O diretor cita o exemplo hipotético

de uma microcervejaria com problemas de

envase que podem ser superados com o auxílio de

desenvolvimento de produtos pela indústria. Desta

maneira a produção industrial também se aquece e

ambas as empresas saem ganhando.

Nessa conjuntura, as projeções da Confederação

Nacional da Indústria (CNI) também dão conta de

que a economia, para este ano, crescerá em torno

de 2,6%, consolidando a trajetória iniciada no ano

passado. Os investimentos, que estão há quatro

anos em queda, devem consolidar alta de 4% e taxa

média equivalente a 15,8% do PIB. Na avaliação de

Petry, este é um momento propício para buscar parcerias

e promover seus produtos.

10 11


INDÚSTRIA

Crédito da foto: Eduardo Rocha.

Mercopar

MERCOPAR 2018

Data e Horário: 2 a 4 de outubro de 2018, das 13h às 20h

Onde: Centro de Eventos da Festa da Uva, em Caxias do Sul

CONTATO

Telefone: 51 3216-5215

E-mail: sheila@sebrae-rs.com.br

Desta vez, o evento será no Centro de Eventos, para

oportunizar a utilização de um espaço mais moderrevitalizada

27ª edição da feira ocorre entre os dias

2 e 4 de outubro no Centro de Eventos

da Festa da Uva, em Caxias do Sul

“Historicamente, a Mercopar vem tendo bons resultados

em volume de negócios gerados. Em 2017,

mesmo com as condições da economia não tão

favoráveis como as deste ano, mais de R$ 70 milhões

foram movimentados”, afirma Sheila Wainer,

responsável pela organização da feira no Sebrae RS.

Boa parte desse valor sai de uma das principais

atrações da feira, o Projeto Comprador, que envolve

grandes players do segmento com o público participante

em dois dias de rodadas de negócios. No

ano passado, as negociações entre 48 compradores

e 218 vendedores culminaram em mais de 1,6 mil

reuniões, as quais movimentaram cerca de R$ 15

milhões. Nesse espaço, empresas como Stihl e Tramontina

procuram novidades.

Além das rodadas de negócio, outra importante

atração da mostra é o Salão de Inovação, que, para

este ano, promete trazer temas relevantes ao setor,

como os avanços da indústria 4.0, abordados a partir

de palestras e desafios.

As principais novidades da indústria serão apresentadas

na 27ª edição da Mercopar, feira de subcontratação

e inovação promovida pelo Sebrae RS, que

ocorre entre os dias 2 e 4 de outubro, no Parque de

Exposições Mario Bernardino Ramos, em Caxias do

Sul – 2º principal polo metalmecânico do País.

no e atender à expansão da área de atividades, que

passa a ser de 6,7 mil metros quadrados. A feira

também terá novo horário de funcionamento, que

antes era das 14h às 21h e agora passa a ser das

13h às 20h, por demanda dos expositores.

O intuito do evento é promover a integração de

empresas de alcance nacional e internacional com

micro, pequenas, médias e grandes empresas.

APOIO

As micro e pequenas empresas participantes dos projetos coletivos do Sebrae RS recebem apoio no

valor do espaço contratado para a feira, que este ano será comercializado por R$ 380,00 para micro

e pequenas e R$ 405,00 para médias e grandes por m² sem montagem. Os primeiros compradores

podem escolher os locais de maior destaque, além de terem melhores condições de pagamento.

12 13


COMÉRCIO E SERVIÇO

Integração entre os canais de venda é uma

das tendências apresentadas no maior

evento de varejo do mundo, que acontece

anualmente em Nova York, promovido pela

National Retail Federation (NRF)

Mobilidade e

conectividade

Com as constantes transformações tecnológicas, o

empresário precisa ficar atento às novidades, sob

pena de ser deixado para trás pelos seus concorrentes.

Neste aspecto, uma das principais mudanças

fica por conta da fusão entre o mundo físico

e o digital. Recente pesquisa global da consultoria

Deloitte, que mediu a integração de canais do varejo,

mostra que 56% das compras nas lojas físicas

são influenciadas por interações digitais; e que

42% das compras virtuais haviam sofrido influência

da loja física.

“A tendência para esta pesquisa é de que cada vez mais

esses valores se igualem. Os dois mundos não podem

ser dissociados, as diferentes jornadas do consumidor

já exigem esta integração”, explica o técnico do

Sebrae RS Fabiano Zortea, que participou da Retail’s

Feira Big Show – evento que acontece anualmente em

Nova York, promovido pela National Retail Federation

(NRF) e reconhecido como a maior feira de varejo do

mundo. Para Zortea, o movimento é consequência da

tendência crescente de mobilidade e conectividade.

A fusão de canais é facilmente observada a partir

da busca do gigante do varejo físico Walmart pelo

meio digital. A bandeira reconhecida mundialmente

adquiriu a Bonobos, grande e-commerce de vestuário,

e o Jet.com, ligado ao comércio online de eletrônicos,

para expandir a sua arrecadação online, que

hoje responde por 12% do faturamento da marca.

Em um caminho oposto, a potência do varejo online

Amazon.com faz esforços para se consolidar

no mundo físico. Diferentemente do Walmart, que,

56% das

compras nas

lojas físicas são

influenciadas

por interações

digitais

14 15


COMÉRCIO E SERVIÇO

por conta de seu tamanho,

encontra barreiras na consolidação

da integração de

canais, a Amazon parece ter

alcançado o balanço entre os

dois mundos.

Nas livrarias físicas da marca,

medidas simples foram

tomadas para a fluidez entre

o físico e o digital. Ao notar

que a exibição de livros no

mundo virtual se dava com

a capa e não com a lombada

do livro à mostra, a Amazon

mudou a disposição de seus

produtos, colocando-os com

suas capas visíveis nas prateleiras.

“Faz sentido essa

exposição para os dois tipos de varejo, afinal, é a

parte mais atrativa do livro”, comenta.

Além disso, a Amazon optou por posicionar

QR-Codes impressos em papel junto aos livros, o

que permite que o comprador em potencial acesse

as avaliações do produto em seu smartphone

pela leitura do código. “Estas são medidas simples,

que não exigem grande aporte financeiro,

tomadas por um varejista global, mas que podem

ser implantadas por qualquer empreendedor”,

avalia Zortea.

Redes sociais aplicadas ao varejo

EDUARDO SASSO,

empresário do comércio popular

Lojas Sasso, participou da NRF

e decidiu intensificar a presença

das lojas em redes sociais

Não é só a integração entre o mundo físico e virtual

que a tendência de mobilidade imprimiu ao varejo.

Com acesso fácil à rede por meio de dispositivos móveis,

é imprescindível que o lojista esteja apto a suprir

as demandas do consumidor de maneira online.

“É um caminho sem volta. A experiência de compras

está muito ligada ao celular; e o cliente procura informações

sobre um produto de dentro da loja com

o acesso de dados”, comenta o Gerente de Indústria,

Comércio e Serviços do Sebrae RS, Fábio Krieger.

Fabian Gloeden/Divulgação Lojas Sasso

O empresário Eduardo Sasso,

do comércio popular Lojas

Sasso, esteve em Nova York

junto ao Sebrae RS para

acompanhar as atividades da

feira da NRF e voltou de lá

inspirado. “Já tínhamos uma

presença online importante,

mas voltei decidido a ampliá-

-la”, relata. A partir da mostra,

Sasso intensificou a sua presença

nas redes sociais, em

especial no Instagram. “Fazemos

vídeos ao vivo agora, e

nos preocupamos em manter

um bate-papo em tempo real

com os clientes pela plataforma”,

explica o empresário,

que passa informações sobre

disponibilidade de modelos, preços e cores de seus

produtos pela ferramenta.

“A intenção, com as redes sociais, é criar identificação

e fidelizar os clientes. Quem não gosta de

ser bem atendido em qualquer canal?”, questiona

Sasso. Além disso, o empresário observou, durante

o período em que esteve nos Estados Unidos, que o

varejista brasileiro ainda tende a ter uma preocupação

excessiva com o lucro. “Temos que satisfazer o

cliente, só assim o lucro vem. E isso passa por um

bom atendimento online também”, considera.

Krieger relata que a experiência de compra está

diretamente ligada à presença da marca online.

“O mobile passou a fazer parte da empresa, tanto para

se comunicar com o consumidor quanto para facilitar

processos internamente”, diz. O gerente lembra

que hoje é possível atrelar a máquina de pagamento

a um smartphone para que o vendedor possa fazer a

cobrança, reduzindo, assim, a necessidade de enfrentar

filas nos caixas. “Isso já foi praticado por grandes

marcas e também está incluído na tendência de reduzir

atritos que possam frustrar a compra. E nada impede

que um pequeno empresário, com organização,

inclua o processo”, pondera.

Confira outras tendências

observadas na NRF

Gestão de pessoas

Com acesso online facilitando as informações dos produtos, é comum

que consumidores tenham mais conhecimento sobre determinada

peça do que os vendedores. Então, a tendência passa a ser

organizar a equipe por área de conhecimento.

Funcionários em primeiro lugar

A valorização do funcionário é tendência para que ele auxilie na

fidelização do cliente. Grandes marcas do varejo, como Walmart,

já implementam ações para que o primeiro a ser fidelizado seja o

seu atendente. O pequeno varejista pode incluir em suas tarefas

uma imersão na indústria fornecedora. Assim, os funcionários

podem observar os cuidados tomados com aquilo que vendem

e criar vínculos.

Experiência no centro de compra

Agregar valor à marca pela experiência que o produto traz ao

consumidor. A marca de mochilas para trilha Cotopaxi promove

eventos e desafios ligados à cultura da marca. As pessoas

compram ingressos e cumprem as tarefas pela publicação de

fotos nas redes sociais com as hashtags das marcas.

Parceria como plataforma de negócios

A empresa de aviação Lufthansa e o grupo Rewe de alimentação

entenderam que os passageiros, em especial de voos

longos, chegavam em casa sem ter o que comer. Ao observar

essa necessidade, uniram-se. O passageiro da companhia

aérea que desejar pode encomendar comida ainda em

voo, para receber no hotel do destino ou em sua casa.

Visão periférica

Estar atento à necessidade do cliente também pode significar

atrelar um serviço, de maneira gratuita, a um produto.

O The Magic Wallpaper é um papel de parede com

personagens escaneáveis, tecnologia semelhante àquela

utilizada por QR Codes. Cada um deles mostra uma

história diferente a ser contada às crianças na hora de

dormir. Com esta diferenciação, a marca agregou valor

ao seu produto.

FIQUE ATENTO

PARA PARTICIPAR DA

FEIRA EM NOVA YORK

O Sebrae RS faz trabalho de curadoria

de conteúdo para empresários

que queiram participar da

Retail’s Feira Big Show, a maior feira

de varejo do mundo, que acontece

anualmente em Nova York,

promovida pela National Retail

Federation (NRF) e conhecida por

apresentar as principais tendências

para o segmento.

Na edição de 2018 foram 20 empresários

apoiados em uma delegação

composta por 32 pessoas,

nas quais estavam representadas

as entidades parceiras CDL-Porto

Alegre, Sindilojas-Porto Alegre,

Fecomércio, Senac e FCDL. Os

participantes visitaram 16 dos

principais pontos comerciais de

Nova York em dois dias, além de

assistirem a palestras e estarem

próximos de líderes mundiais do

varejo. Aqueles com interesse

em participar da próxima missão

precisam estar atentos à chamada

pública que acontece nos próximos

meses, em Editais e Licitações no

site www.sebrae-rs.com.br. Para

mais informações, é possível entrar

em contato com o técnico

responsável, Fabiano Zortea,

fabianoz@sebrae-rs.com.br.

16 17


INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇO

Troca de experiências entre

empresários estimula

crescimento dos negócios

Desenvolver novos produtos, firmar parcerias e até mesmo

atingir metas mais simples podem virar desafios em momentos

de retomada gradual da economia. Nestas situações

a tendência mais óbvia para o empresariado é de apego ao

tradicional, porém especialistas garantem que essas circunstâncias

são as mais favoráveis para a inovação. Com

as alternativas de crédito ainda encolhidas devido à crise,

a saída pode estar na cultura da colaboração, que, apesar

de recente, apresenta benefícios que sugerem a sua permanência.

No ambiente empresarial a noção de como atingir competitividade

no mercado começa a ser reinventada pela integração

de grupos de empresas que querem otimizar recursos

e fundir know-hows. Ciente desse caminho sem volta, o

Sebrae RS desenvolve anualmente projetos coletivos setoriais,

que vêm crescendo em números e em resultados

com agilidade, tanto na indústria quanto no comércio e na

área de serviços.

Coletividade

ganha espaço nas empresas

No momento, cerca de 350 grupos, com diferentes propósitos,

estão em andamento pelo Rio Grande do Sul. Cada

um deles recebe atendimento customizado pelas suas necessidades

e pelo objetivo principal diagnosticado em sua

formação. “Antes do início dos projetos, realizamos uma

análise dos setores e das empresas da região, a fim de

identificarmos as principais necessidades das empresas

para atuarmos sobre elas”, comenta o gerente de Indústria,

Comércio e Serviços do Sebrae RS, Fábio Krieger.

Como exemplo, ele lembra que, tratando-se de pequenos

negócios, nem sempre as parcerias precisam ser de alto

grau de comprometimento. “Às vezes um restaurante que

precisa melhorar o seu ambiente interno pode se juntar

com um fotógrafo que sente necessidade de divulgar seu

trabalho”, sugere.

O especialista ressalta que alguns grupos optam pelo desenvolvimento

de produtos e outros, inclusive, por parcerias

na construção de serviços em áreas que não fazem

parte do know-how principal de seus negócios. “O contato

18 19


INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇO

entre empresários é um

dos grandes ganhos para

aqueles que participam

de projetos coletivos.

A interação entre empresas

cria uma relação positiva

capaz de desenvolver

parcerias e gerar novos

produtos e serviços”, explica

Krieger, ao ressaltar

que qualquer ação se dá

por livre adesão e não há

impeditivos na desvinculação

de projetos.

Por outro lado, Krieger

lembra que esses benefícios

acabam impactando,

inclusive, o aspecto pessoal

dos gestores envolvidos

nesses projetos, o que define a permanência

dos empresários no grupo. “Nossa última pesquisa

apontou que aproximadamente 70% dos envolvidos

relataram um aumento de sua qualidade de vida, já

que seu negócio estava mais organizado e não tão

dependente do seu olhar”, enfatiza. Em sua trajetória

no Sebrae RS, o gerente lembra que inúmeras vezes

se deparou com empreendedores exaustos, sem tirar

férias desde que abriram suas empresas. Após

adequações na área de gestão, puderam se afastar

momentaneamente de suas tarefas para aproveitar

momentos de lazer.

Além desse dado, pesquisa realizada pelo Sebrae RS

aponta que empresas que participam de projetos coletivos

têm duas vezes menos predisposição a fechar

as portas do que a média do restante do mercado,

além de contratarem também acima da média. Isso,

na avaliação de Krieger, pode ser reflexo de outra

constatação: mais de 90% dos gestores envolvidos

se sentem mais preparados para gerir um negócio.

“É interessante destacar ainda que aproximadamente

85% acreditam que, de fato, com o aumento da

troca de experiências entre os gestores houve acrés-

FIQUE ATENTO

Interessados em fazer parte

dos projetos coletivos devem

procurar o Sebrae RS

na região mais próxima de

sua empresa. No setor de

agronegócios, também é

possível procurar o responsável

no SENAR, através do

Sindicato Rural de seu município,

já que a instituição,

juntamente com a Farsul, é

parceira do projeto.

cimo de capacidade de

competitividade de seus

produtos e serviços a partir

dessas relações humanas”,

enfatiza. Esse é um

dos objetivos principais

desses projetos, que são

focados no fomento de

cadeias produtivas importantes

para a economia do

Estado, ou no auxílio à estruturação

daquelas que

contam com potencial de

transformação de nossa

economia no longo prazo.

O investimento necessário

para participar dos

grupos está relacionado

ao objetivo de cada projeto,

bem como às ações a serem desenvolvidas para

atingir a meta traçada. No entanto, pelo intuito de

fomento à economia local, parte significativa do valor

dessas ações é subsidiada.

DESTAQUES

64% dos envolvidos relataram um

aumento de sua qualidade de vida

91% se sentem mais

preparados para gerir um negócio

82% aumentaram a troca de

experiências com empresários

96% indicariam para um amigo

82% acreditam que com o aumento da

troca de experiências entre os gestores

houve acréscimo de capacidade de competitividade

de seus produtos e serviços a

partir dessas relações humanas

Setor Energético

Aspectos regulatórios recentes aos pequenos negócios

da matriz energética, como os sistemas de

compensação e os incentivos fiscais do governo

estadual, têm contribuído para as possibilidades de

negócios e, consequentemente, expansão da cadeia

no Estado. Com essas mudanças, o projeto colaborativo

Energia Mais, que tem como objetivo ampliar

oportunidades da cadeia de energias renováveis e

soluções de eficiência energética, ocupa local de

destaque.

A cadeia energética do Rio Grande do Sul é decisiva

para a economia do Estado e tem se voltado

gradualmente para energias renováveis. Este fator

e a configuração do segmento contribuem para a

expansão das empresas de pequeno porte, segundo

o gerente de Indústria, Comércio e Serviços do

Sebrae RS. “Temos poucas grandes empresas

atuando no setor, e elas dependem do restante da

cadeia. As maiores movimentam o mercado, mas

cada vez mais elas dependem do pequeno para

encontrar novas soluções e difundir seus negócios”,

comenta. Essas pequenas empresas dispõem

de potencial inovador relevante, na avaliação de

Krieger, e podem aproveitá-lo por meio de parcerias.

Dentro de um grupo do Energia Mais, que teve início

sem a pretensão do desenvolvimento de produtos,

quatro empresários se juntaram para formular

uma luminária LED resistente às mais variadas intempéries

que promete competir fortemente com

as já consolidadas no mercado. Conforme o gestor

da indústria Kaballa, Jones Pellini, o produto está

sendo desenvolvido para suprir as necessidades

da iluminação industrial, resistindo a grandes alterações

climáticas, como chuva, neve, vento e sol,

além de poder ser utilizado em ambientes internos

ou externos e até mesmo em residências.

A diferença desse produto para os já disponíveis é,

justamente, a qualidade dos materiais utilizados,

afirma Pellini. “Vamos competir com os produtos

chineses, uma vez que eles dominam o mercado.

20 21


INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇO

O material que eles utilizam em alguns componentes

é mais frágil do que aquele que estamos nos

propondo a oferecer no mercado”, explica. Na divisão

de tarefas, a Kaballa ficou responsável pela injeção

de lentes em acrílico, enquanto a Conlink irá

prover a placa de LED e a CMD a placa de alumínio.

Já a comercialização será responsabilidade da Geral

Eletro, de Caxias do Sul. Ainda não há previsão

de data para lançamento do produto.

Pelo diagnóstico de Jones, o grande mérito do programa

Energia Mais passa pela mudança da percepção

de rivalidade entre empresas do segmento que,

inclusive, podem ter expertises complementares,

como no caso de suas parceiras. Krieger lembra que

no Estado existe uma cultura acirrada de competição

entre empresas, que está, aos poucos, dando

espaço à cultura da colaboração. “Quando se fala

de uma mudança cultural não é por uma visão romantizada

de colaboração, é uma necessidade, à

medida que o empresário observa que há ganhos

nela”, enfatiza.

Rede Colaborativa

Ponto importante dos projetos coletivos é que

cada empresa inserida tem liberdade de dosar a

sua participação e o seu grau de comprometimento

com o objetivo do projeto, segundo Krieger.

Por vezes, a interação entre os participantes é tão

positiva que, a partir do projeto, desenvolvem-

-se parcerias capazes de gerar novos produtos e

serviços complementares ao portfólio inicial das

empresas.

A Rede Cooperada Brasil Solar nasceu a partir do

projeto Energia Mais e, hoje, está em mais de 50 cidades

do Estado, representada por sete empresas

interligadas para a expansão de seus negócios. O

empresário Igor Cunha, da empresa integrante da

rede Bonsai Energia Solar, relata que desde 2016

tem contato com os projetos do Sebrae RS. No

ambiente do projeto, a rede nasceu por iniciativa

dos próprios empreendedores. “Percebemos que

o mercado estava ficando cada vez mais competitivo

e decidimos nos juntar para aumentarmos o

nosso potencial”, relata Cunha.

sável pela elaboração do projeto, Vinicius Ayrão,

ministrou uma série de palestras sobre a norma,

que deve ir a consulta pública em breve.

Outro encontro focado em aperfeiçoamento de

técnicas foi realizado em Santa Maria, no final do

mês de março. Nele, os engenheiros discutiram as

possibilidades de proteção contra raios em instalações

fotovoltaicas. A rede conta com escritórios em

nove cidades do Estado, o que amplia suas possibilidades

de qualificação de profissionais, além de

aumentar o alcance de suas ações de marketing e

seu relacionamento com fornecedores de equipamentos.

“Se isso não aumenta a competitividade,

não sei o que poderia ajudar”, conclui.

“Não é somente

uma questão de

volume e valor de

compra; como

estamos juntos,

conseguimos

negociar melhores

condições.”

IGOR CUNHA

Empresário da rede

Bonsai Energia Solar

“Quando se fala de

uma mudança cultural

não é por uma visão

romântica de

colaboração, é uma

necessidade, à medida

que o empresário

observa que há

ganhos nela.”

FÁBIO KRIEGER

Gerente de Indústria, Comércio

e Serviços do Sebrae RS

Com essa união, os empresários fortaleceram as

suas marcas e mudaram seu relacionamento com

fornecedores. “Não é somente uma questão de

volume e valor de compra, como estamos juntos

conseguimos negociar melhores condições”, explica

Cunha. Ele enfatiza que os membros da rede

conseguem garantir reposição imediata de alguns

equipamentos para seus clientes graças a acordo

firmado com fornecedores para que haja aparelhos

disponíveis até que questões de garantias

sejam resolvidas.

Preocupada em qualificar seus profissionais, a

Rede Cooperada Brasil Solar investe em treinamentos.

Em parceria com o Sebrae RS, nos dias

16 e 17 de março, engenheiros ligados ao grupo

e demais participantes do programa Energia Mais

estiveram reunidos em Porto Alegre para debater

as novas resoluções de instalações fotovoltaicas.

Na oportunidade, o membro da ABNT e respon-

22 23


CAPA

Micro e pequenas

empresas compõem mais

de 99,4% do segmento,

que tem atuação do

Sebrae RS em todos

os seus elos

Hora de apostar na

cadeia

da saúde

A cadeia produtiva da saúde movimenta cerca de

10% do Produto Interno Bruto (PIB) anual do Brasil.

A maior fatia deste número é fruto de desembolsos

do segmento privado, que correspondem a 56% dos

investimentos, contra 44% provenientes das três

esferas do poder público. Os grandes players desse

mercado, em geral, são os hospitais, com participação

significativa nesses valores.

Como em outras cadeias, as maiores empresas do

setor são bastante dependentes das menores – ainda

mais em um contexto no qual 99,4% do segmento

é composto por micro e pequenas empresas (MPE),

como no caso da saúde, de acordo com a Relação de

Informações Sociais (Rais), pesquisa realizada pelo

Ministério do Trabalho. Ainda assim, esses negócios

não estão próximos aos grandes players somente

para servi-los, uma vez que também revolucionam

processos e aprimoram metodologias utilizadas pelos

grandes.

O Rio Grande do Sul, nesse contexto, apresenta o terceiro

maior índice de leitos hospitalares por mil habitantes

no País. Além disso, é o quarto estado com

maior número de médicos, sendo 2,37 profissionais

para cada mil habitantes, segundo o Conselho Federal

de Medicina (CFM). Quase 61 mil empresas ligadas

ao segmento são responsáveis por mais de 300 mil

empregos diretos.

O Sebrae RS tem como objetivo integrar esses agentes.

“Estamos há dois anos com atuação na área da

saúde, com programas de desenvolvimento em todos

os seus elos”, relata a técnica da Gerência de Indústria,

Comércio e Serviços, Ana Paula Rezende. Nesse

24 25


CAPA

período, o Sebrae RS vem aprimorando conhecimentos

e especializando seu corpo técnico para atuação

focada em iniciativas nos setores de indústria, serviços

e comércio.

A carteira, relativamente nova para a entidade, apresenta

grande potencial de expansão no Rio Grande

do Sul, uma vez que o Estado é o segundo polo hospitalar

do País. A Capital, com seus 33 hospitais, por

outro lado, não é o único município com importante

núcleo hospitalar – com igual potencial de desenvolvimento,

cidades como Passo Fundo, Santa Maria,

Caxias do Sul e Pelotas têm destaque. O Estado conta,

atualmente, com cerca de 380 estabelecimentos

hospitalares, entre públicos e privados, distribuídos

por 274 dos 496 municípios.

Com o Projeto Conexão Saúde, programa voltado ao

desenvolvimento de micro e pequenas indústrias da

Região Metropolitana de Porto Alegre, Vale do Sinos

e Serra Gaúcha, o Sebrae RS busca promover a aproximação

comercial e a geração de negócios junto ao

mercado de atuação dessas empresas do setor produtivo.

No setor do Comércio, a organização atua a

partir de redes de cooperação, nas quais empresas

com afinidades juntam-se para atingirem objetivos

em comum – como redes de farmácias tradicionais e

de manipulação, além de redes de laboratórios clínicos

e de imagem –, que se aproximam para conquistar

poder de negociação em condições de pagamento

e melhora de preço de compra de sua mercadoria.

Esse programa tem uma abordagem personalizada a

partir dos anseios de cada grupo de empresários.

“Já no setor de serviços está o maior número de micro

e pequenas empresas fomentadas pelos grandes

players, como hospitais e operadoras de planos de

saúde”, ressalta Ana Paula. Nesse elo também se destaca

a atuação do Sebrae RS especialmente junto a

instituições de longa permanência para idosos e atividades

de apoio especializado à saúde, além dos segmentos

mais tradicionais, como laboratórios, clínicas

médicas e demais serviços de apoio ligados à saúde.

Cluster de Tecnologia para Saúde RS

O Projeto para o desenvolvimento do Setor da Saúde é uma iniciativa do governo

do Estado que reúne os principais agentes públicos e privados, entre

empresas, universidades, parques tecnológicos e outras instituições – as quais

dedicam esforços, sem recursos financeiros externos, para desenvolver trabalho

de prospecção para a cadeia. A iniciativa, que tem como um dos seus principais

parceiros o Sebrae RS, foi firmada a partir de acordo entre o governo gaúcho e

o Instituto Central de Engenharia Biomédica da Alemanha (ZiMT).

Conexão Saúde

O programa é voltado para micro e pequenas indústrias da Região Metropolitana de Porto

Alegre, Vale do Sinos e Serra Gaúcha que produzam máquinas, equipamentos, artigos,

utensílios, produtos e soluções relacionadas à cadeia produtiva da saúde. A intenção desse

projeto é desenvolver essas indústrias, preparando-as comercialmente e promovendo

a conexão às oportunidades de mercado a que, dificilmente, empresas de pequeno porte

teriam acesso – como contato direto com hospitais de referência. O Conexão Saúde é uma

iniciativa do Sebrae RS que tem como parceiros o Cluster de Tecnologias para a Saúde do

Estado e a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos,

Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO), com apoio do Sindicato dos Hospitais e

Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA).

StartupRS Health

Programa que objetiva validar novos modelos de negócios de startups digitais na área de

saúde, bem como preparação para vendas, aproximação com a cadeia da saúde e acesso

a investimentos. Dentro do escopo do projeto está o acompanhamento de tendências de

mercado, regulamentação do setor, marketing digital e de vendas, além da preparação

para pitch – apresentação de produto para investidores e clientes. O projeto também trabalha

com consultorias individuais e de acompanhamento com a Grow+ Aceleradora de

Startups Premium.

26 27


CAPA

CADEIA DA SAÚDE

Indústria

Comércio

Serviços

Indústria

farmacêutica

Distribuição de

medicamentos

SERVIÇOS

COMPLEMENTARES

Serviços móveis

de atendimento

PROMOÇÃO

DO BEM-ESTAR

Residencial

geriátrico

Clínica de exames

diagnósticos

Atuação do

Sebrae RS

Produção de

próteses e

órteses

Drogarias e

farmácias

Assistência

social

337 hospitais

no Estado

Serviços de apoio

ligados à saúde

Academias

Equipamentos

médicos

Lojas

especializadas

Operadoras de

planos de saúde

Atividades

especializadas de

apoio à saúde

Transversalidade com a

cadeia de TI

O dia de um complexo hospitalar envolve diversos pequenos

e grandes problemas que dificultam o seu bom

andamento. Sanar estas adversidades, muitas vezes, só

é possível com o envolvimento de outras cadeias de

valor, como a da Tecnologia da Informação, que tem

potencial de desenvolver soluções inovadoras para problemas

cotidianos dos negócios da saúde.

“Isso exige que no Sebrae RS também tenhamos uma

atuação transversal, unindo startups e empresas de

tecnologia da informação com foco na área de saúde

com hospitais e outras empresas consolidadas no

mercado”, afirma a Coordenadora dos Programas de

TI e Startups do Sebrae RS, Débora Chagas. Ela lembra

que, por vezes, empresas pequenas e startups não têm

acesso facilitado a grandes players.

Com a finalidade de conectar esses pequenos negócios

a problemas reais de mercado, o Sebrae RS desenvolveu

um método conhecido como Startup Lab Sebrae.

A metodologia permite gerar essa aproximação com

grandes players. Em um formato de 2,5 dias, equipes

de empreendedores da área de TI, negócios e técnicos

como profissionais da área de saúde são estimulados

a criarem soluções importantes para necessidades já

existentes no mercado. Em edição do evento que buscava

atender às demandas do Complexo Hospitalar

Santa Casa de Misericórdia, um dos desafios era o controle

de higienização de mãos nas Unidades de Tratamento

Intensivo (UTI).

A solução foi encontrada pela BeeIT, empresa de TI que

hoje participa do projeto Conexão Saúde. O empreendedor

Sandro Pinheiro explica que a partir de dispositivo

bluetooth implantado no crachá do corpo médico

e também nos dispositivos higienizadores é possível

diagnosticar falhas no processo. A ferramenta foi criada

durante o Startup Lab Sebrae – Edição Saúde, e está

em fase de testes. O responsável pela organização do

evento no Hospital, Carlos Klein, que é ligado à área de

pesquisa e desenvolvimento da Santa Casa, comemora

o sucesso da parceria. “Desta maneira agora podemos

“Isso exige que no

Sebrae RS também

tenhamos uma atuação

transversal, unindo startups

e empresas de tecnologia

da informação com foco

na área de saúde com

hospitais e outras empresas

consolidadas no mercado.”

DÉBORA CHAGAS

Coordenadora dos Programas

de TI e Startups do Sebrae RS

diagnosticar colaboradores que não cumpram o processo

e encaminhá-los para trabalhos de conscientização”,

relata.

A aproximação com a Santa Casa, onde esse sistema

está instalado, permitiu o desenvolvimento e aperfeiçoamento

da solução – o que levou à consolidação da

BeeIT como empresa no mercado. “O Sebrae RS nos

abriu muitas portas que nos levaram a conseguir investimentos

junto ao Badesul para consolidação e divulgação

de nossas soluções”, conta Pinheiro.

Há duas edições a BeeIT participa da Feira Hospitalar de

São Paulo, segunda maior mostra ligada ao segmento

da saúde globalmente, com o apoio dessas entidades.

“Em 2018 iremos para o terceiro ano no estande coletivo

organizado pelo Sebrae RS”, comemora Pinheiro.

“Uma startup pequena, dentro de Porto Alegre apenas,

não tem visibilidade”, relata, ao elencar motivos para

participar do evento.

Além do mais, o histórico de participações da empresa

em feiras tem saldo positivo. “Em uma dessas

28 29


CAPA

feiras tivemos contato com a multinacional Sodexo,

que está presente em 80 países, e eles nos selecionaram

para sermos parceiros oficiais na América

Latina para inovação”, comenta o empresário, ao

salientar que o contrato não seria firmado sem o respaldo

da parceria com a Santa Casa na implementação

de seus softwares.

Esse é um dos objetivos do trabalho do Sebrae RS

junto a esses negócios. “Essa é a nossa intenção,

uma micro ou pequena empresa passou atuar na cadeia

da saúde, auxiliando no desenvolvimento de empreendimentos

ligados à área”, enfatiza Ana Paula.

A vez das startups

O avanço tecnológico imprime a necessidade de

atualizações constantes em práticas tidas como consolidadas

pelos mais diversos setores. No caso da

cadeia da saúde, decisiva para o bem-estar da população,

é ainda mais importante – já que a conexão

com startups é fundamental para o desenvolvimento

de novas soluções que tragam inovações na área.

Com esse norte, a Wbio, que desenvolve equipamentos

e sistemas para a área de saúde, conta com

software que agiliza diagnósticos em exames laboratoriais.

“A análise de um determinado exame, que

antes teria custo de R$ 100 e tempo médio de espera

de duas horas, com o programa fica pronta em 15

minutos e tem custo de R$ 20”, enfatiza o empreendedor

Lucas Sperb, responsável pelo projeto.

Recentemente os empreendedores da Wbio foram

destaques do programa StartupRS Health do

Sebrae RS, que fomenta a resolução de problemas

reais da cadeia da saúde. Sperb relata que os trabalhos

realizados junto ao Sebrae RS, bem como a consultoria

prestada pela Grow+, foram decisivos para o

sucesso da empresa. “Sou biomédico, não tenho experiência

na área de negócios, e com o programa fui

entendendo aos poucos como tudo funcionava”, diz.

As ferramentas utilizadas pelo programa, por outro

lado, garantiram o destaque da startup. A blockchain,

tecnologia utilizada que garante a precisão da análise

do exame, é a mesma que garante o sucesso de transações

monetárias. Desta maneira, o diagnóstico é

assegurado com 95% de precisão, sendo necessário

que o técnico apenas ateste o resultado. Além disso, a

empresa é pioneira ao lançar a primeira criptomoeda

ligada à saúde. Ela é empregada nas transações em

decorrência do uso do software.

O produto está em fase experimental em hospital

do Estado, mas ainda passa por regulamentação.

O próximo passo para a WBio é participar do programa

StartupRS Scale, que objetiva trabalhar a escala

de vendas com foco comercial. A técnica da Gerência

de Indústria, Comércio e Serviços do Sebrae RS,

Ana Paula Rezende, salienta que os desafios na área

da saúde são diversos. “Questões como o envelhecimento

populacional – os idosos são o grupo ocupacional

que mais cresce e quase triplicou de 1980

a 2000 –, além de dificuldades na área de ensino e

pesquisa e até mesmo falta de integração entre os

elos do setor”, elenca. Neste sentido, a atuação da

entidade junto ao segmento se faz ainda mais indispensável.

“Além de cuidar da saúde das pessoas é

importante cuidar da saúde das empresas, garantindo

a competitividade e sua manutenção no mercado”,

conclui.

“Além de cuidar da

saúde das pessoas é

importante cuidar da

saúde das empresas,

garantindo a

competitividade e

sua manutenção no

mercado.”

ANA PAULA REZENDE

Técnica da Gerência de Indústria,

Comércio e Serviços do Sebrae RS

30 31


ENTREVISTA

Desenvolvimento

é resultado de um

esforço coletivo

Entrevista com Fábio Antoldi, professor

da Alta Escola de Empresa e Sociedade

da Universidade Católica de Milão (ALTIS)

O italiano Fábio Antoldi, professor da

Alta Escola de Empresa e Sociedade da

Universidade Católica de Milão (ALTIS),

é um defensor da união de empresas,

sociedade e poder público pelo desenvolvimento

territorial. Desde 2016,

ele apoia o Sebrae RS na execução do

Programa LIDER - Liderança para o Desenvolvimento

Regional nas regiões da

Campanha, Fronteira Oeste e Sul do Rio

Grande do Sul. Nesta entrevista à revista

Mais Sebrae, ele compara o trabalho

de desenvolvimento territorial realizado

na Itália com o que está sendo executado

aqui e projeta crescimento para

aquela região do Rio Grande do Sul.

Comparativamente, quais as semelhanças

entre o trabalho de desenvolvimento

regional realizado na Itália e este aqui

no Rio Grande do Sul?

Fábio Antoldi: Há muitas ligações históricas entre

a Itália e o Rio Grande do Sul, principalmente

no que se refere à imigração, mas existem também

muitas diferenças, não apenas em relação à

natureza, mas à história e na conformação territorial.

No Rio Grande do Sul temos 10,8 milhões de

habitantes e na Itália temos mais de 60 milhões

de habitantes. Esse número já nos mostra uma

densidade populacional completamente diferente.

A Itália é composta de um conjunto de inúmeras

cidades e vilarejos de pequenas dimensões,

mas todos próximos uns dos outros. Em algumas

zonas do Rio Grande do Sul, entre as quais

a região da Fronteira Oeste, passam 60, 70, 100

quilômetros antes de encontrarmos uma cidade

ou vilarejo. Isto modifica o conceito de território

e povos de colaboração. Além disso, a Itália teve

uma fase de desenvolvimento econômico muito

intenso no século passado, nos anos 60, portanto

é uma estrutura econômica consolidada, rica de

empresas, de associações empreendedoras, rica

de espírito empreendedor. O Brasil está vivendo,

nos últimos 20 anos, um percurso de crescimento.

Logo, historicamente, estamos em duas situações

diferentes.

Por meio do Programa LIDER estamos procurando

trazer para cá a experiência de iniciativas,

projetos e também de estrutura de toda a Europa;

construindo, acima de tudo, consciência do protagonismo

das comunidades quando assumem

o desenvolvimento do próprio território. Anterior

ainda às políticas, aos planos de ação, à infraestrutura

para o desenvolvimento, é preciso criar

um sentimento comum nas pessoas para que

assumam em conjunto a trajetória de desenvolvimento.

Considerando o cenário político, econômico

e cultural do Rio Grande do Sul, é

possível projetar um ambiente de desenvolvimento

local a curto prazo?

Fábio Antoldi: O Estado vive uma situação de crise,

e há vantagens e desvantagens em relação a

isso. Comecemos com as desvantagens: obviamente

existem menos postos de trabalho e menos

riqueza. Mas há vantagens, como o fato de

as pessoas perceberem um clima de urgência – a

necessidade de ajudarem umas às outras para encontrarem

uma solução compartilhada. Portanto,

a noção de desafio, a noção de emergência que

se percebe coletivamente, porque se experimenta

o sofrimento, é um bom incentivo para dar início a

um processo coletivo de desenho do futuro.

Algumas cadeias produtivas foram menos afetadas

pela crise econômica. A parte Sul do Rio Grande

do Sul, tendo muita agropecuária, tipicamente

um produto que sofre menos com a crise, é uma

boa base de partida para construir um percurso de

desenvolvimento. É por isso que as lideranças do

Rio Grande do Sul elegeram esse segmento como

ponto de partida do Programa LIDER através de

um projeto-piloto. Está se trabalhando com a carne,

o leite e com o turismo, já que ali há um grande

potencial ligado à natureza e à história.

32 33


ENTREVISTA

Dentro desse contexto, qual a perspectiva

de desenvolvimento para aquela região?

Fábio Antoldi: O que se percebe, para quem, como

eu, vem de fora e encontra nesse momento a gente

do Rio Grande do Sul mobilizada, é que as lideranças,

desde 2015, ativaram um percurso virtuoso de

mobilização social, por meio da primeira fase do

projeto, nas três diferentes regiões. O Sebrae RS

fez um ótimo trabalho de envolvimento dos atores

locais, de diálogo e de discussão. Foram criadas

relações entre as pessoas e são elas que carregam

históricos de empreendedorismo e de responsabilidade

em associações políticas, como prefeitos,

responsáveis por associações rurais, de sindicatos

rurais ou de comerciantes, etc.

Nós, agora, estamos intervindo, efetivamente, com

percursos de desenvolvimento econômico ligados

às cadeias de valor; trabalhando sobre essa construção

social muito forte e sobre essas expectativas

de mudanças. É um caminho lento e difícil porque

diz respeito à construção de relações entre as pessoas

e abertura da mente. Por se tratar de uma área

rural, a região é prevalentemente menos exposta em

comparação às áreas metropolitanas à vivacidade

cultural, à ideia de mudanças, à contaminação de

gêneros de pessoas, etc. No entanto se respira um

clima muito positivo. Agora estamos na fase do “fazer”,

e, para fazer, o Sebrae RS e todo o sistema

de governo estão se munindo de instrumentos e de

organismos que possam passar para a fase de elaboração

e implementação dos planos de mudança.

Especificamente sobre o trabalho do Sebrae,

como o senhor está percebendo

esse trabalho de desenvolvimento daquela

região?

Fábio Antoldi: O Sebrae RS está planejando, levando

adiante todo esse movimento, porque é portador

de competências específicas sobre o desenvolvimento

econômico e territorial e goza de uma

reputação muito forte junto às lideranças locais.

É normal que existam interesses divergentes entre

as instituições, entre as pessoas nos territórios,

nas nossas comunidades, nas nossas vidas comuns,

nas nossas famílias. É importante, portanto,

ter uma entidade de referência, como é o Sebrae,

capaz de convocar as instituições, convocar as

pessoas e fazê-las sentar-se à mesma mesa de diálogo.

Então, sem o Sebrae RS esse trabalho não

teria sido iniciado.

E como as micro e as pequenas empresas

podem se inserir nesse contexto de desenvolvimento

territorial, local, que está

sendo trabalhado?

Fábio Antoldi: O envolvimento das empresas, em

alguns casos, é direto, porque os empresários estão

nos grupos de trabalho e desde o início levaram

suas expectativas, suas esperanças, suas dificuldades

e seus problemas ao Programa. Sendo assim,

as micro e pequenas empresas não serão apenas as

beneficiárias, mas as protagonistas desse desenvolvimento.

Serão envolvidas por vezes em grupos, por

vezes individualmente e darão a sua contribuição.

Isso apoiado por experts do território, como as Universidades,

os centros de pesquisa e de serviços, e

também apoio externo, já que alguns projetos precisarão

de consultoria externa especializada e que o

Sebrae RS está colocando à disposição.

Qual a percepção sobre os grupos de governança,

que iniciaram as atividades no

fim do ano passado?

Fábio Antoldi: A percepção foi muito positiva, porque

foi um passo adiante no programa, passando

do processo de diálogo para a etapa operacional. Foi

quando de fato os grupos começaram a trabalhar e

deram início à produção dos projetos. É uma fase

crítica, porque há uma promessa que não pode ser

traída. Porém, todos contribuíram, as universidades

estão fortemente envolvidas, expostas com seus reitores,

as duas Embrapas, que têm na área de agropecuária

e a outra do Bioclima Pampa, e os centros

de pesquisa. Em suma, diria que tudo isso serviu para

definir que deste momento em diante se trabalha concretamente

e não mais simplesmente se confrontando

a respeito de uma visão, uma missão.

Existe uma relação entre a hélice tríplice e

essa região?

Fábio Antoldi: Certamente. O modelo da hélice tríplice

versa sobre a possibilidade de transferir e promover

inovações no território. Estas inovações, que são o motor

do desenvolvimento econômico e empreendedor,

derivam da interação entre três almas: o setor público,

as universidades e os centros de pesquisa e as empresas,

não só as micro e pequenas, mas as grandes

também. Resumindo: temos o Sebrae, que, por meio

do Programa LIDER, criou uma adicional possibilidade

para que esses três componentes da hélice tríplice

possam trabalhar pelo território.

Entenda o Programa LIDER

O Programa LIDER foi implementado pelo Sebrae RS com o objetivo

estimular o desenvolvimento das regiões Campanha, Fronteira

Oeste e Sul, cuja economia representa 10,6% do PIB do Rio Grande

do Sul, por meio de suas lideranças. Teve início em abril de 2015,

e em cada uma das regiões, grupos compostos por representantes

dos setores público e privado e terceiro setor foram estimulados

a elencar as prioridades locais para, juntos, construírem um plano

de desenvolvimento regional. Toda esta caminhada foi orientada

pela metodologia desenvolvida pelo Sebrae em oito encontros de

desenvolvimento grupal e planejamento. Em 2016, o trabalho teve

continuidade em encontros bimestrais de acompanhamento e monitoramento

de resultados. No ano passado, o LIDER atingiu sua

etapa de maturidade e execução.

34 35


EMPREENDEDORISMO

Cursos online

e gratuitos

para empreendedores

Videoaulas com especialistas, e-books,

infográficos e conteúdos práticos acessíveis

por smartphones podem fazer a diferença

para aqueles que buscam aperfeiçoamento,

mesmo na correria diária

Conhecer um pouco da realidade dos empreendedores

do Vale do Silício, encontrar novas ferramentas

e, até mesmo, entender o funcionamento de

toda uma cadeia – essas possibilidades podem criar

diferenciais nos mais diversos negócios e são viáveis

a partir da plataforma de e-learning do Sebrae

RS. Neste ano, dez novos cursos foram lançados

e outros 28 seguem disponíveis no portal (www.

sebrae-rs.com.br). Com temas como organização,

pessoas, mercado e vendas, inovação, cooperação,

empreendedorismo e finanças, as soluções são

gratuitas e contam com materiais de apoio, como

e-books, infográficos e outras ferramentas.

A responsável pelo projeto de Educação a Distância

na organização, Marie Christine Fabre, explica que,

nos últimos dois anos, o Sebrae RS tem se voltado

à criação de cursos online com foco prático que

possam impactar o dia a dia dos empreendedores.

“São cursos baseados em videoaulas com especialistas,

complementadas com depoimentos de empreendedores

dentro dos seus próprios negócios,

para transportar o espectador àquela realidade”, enfatiza.

Assim, o formato de aprendizagem torna-se

dinâmico, com média de seis horas de duração, que

podem ser assistidas por qualquer meio digital, inclusive

por dispositivos móveis, como smartphones

e tablets, já que a plataforma é responsiva.

Marie esclarece que o dinamismo aplicado às soluções

é uma exigência da rotina acelerada dos empresários.

“Facilitar acesso ao aprendizado é uma

necessidade em expansão, visto que, muitas vezes,

o empreendedor é sozinho na gestão de sua empresa”,

lembra. Quem dita a velocidade com que

as lições serão tomadas é o próprio aluno, uma

vez que elas podem ser pausadas e recuperadas

quando for mais conveniente, respeitando o prazo

máximo de 15 ou 30 dias para a finalização de cada

curso. “São aulas leves que podem ser assistidas

no intervalo do almoço ou entre um cliente e outro”,

comenta Marie.

36 37


EMPREENDEDORISMO

EMPREENDEDORISMO

Vale do Silício:

inspire-se para inovar

EMPREENDEDORISMO

Zoom no

Cliente

O curso “Vale do Silício: inspire-se para inovar”

foi desenvolvido em modelo de entrevistas com

empresários da região do Vale do Silício, nos Estados

Unidos. A técnica da Gerência de Soluções

do Sebrae RS, responsável por sua implementação,

Tanara Souza, explica que, em duas horas-

-aula, o empreendedor possui contato com micro

e pequenas empresas da região, conhecida como

a mais inovadora em seus negócios. “A ideia é

de inspiração, observando a prática diária desses

empresários, com suas percepções e ações

nas quais é possível realizar a reflexão de como

estamos atuando, buscando o diferencial e proporcionando

experiência para nossos clientes”,

comenta.

A abordagem do curso é a partir da ótica de diferenciação

de cinco negócios de abordagem inicialmente

tradicional: dois cafés, uma lavanderia,

um restaurante e uma casa de chás. “Por vezes a

inovação nem precisa ir para o lado da tecnologia

ou de um grande aporte de valores. A lavanderia

estudada identificou que ter um ambiente agradável

e confortável, com acesso a wi-fi, comercializando

café, aumentaria a demanda do local”,

relata Tanara. Ao final das lições, os empresários

são convidados a preencher a ferramenta de canvas

de persona, que instiga a inserção de novas

possibilidades em um modelo de negócio.

O curso Zoom no Cliente: como criar valor

para o mercado tem como objetivo instigar a

reflexão sobre a forma de se relacionar com

o cliente e entregar valor a ele. “A atenção do

curso é voltada para a inovação em modelos

de negócio, a reflexão de qual modelo de sucesso

deve ser adequado à realidade de cada

empreendimento, bem como a experimentação

para identificar a melhor tomada de decisão”,

explica Tanara Souza, técnica da Gerência de

Soluções do Sebrae RS. “A intenção é justamente

agregar valor criando conexão entre as

necessidades reais do cliente e o que o produto,

de fato, entrega”, diz.

Em quatro módulos que totalizam duas horas-aula,

o aluno é convidado a refletir sobre

a cultura da inovação e experimentação. “Com

filmes e lições práticas, o curso mostra a importância

de vivenciar ações que acreditamos

que possam criar diferenciais aos negócios”,

ressalta. No último módulo, o empresário

preenche a ferramenta da proposta de valor –

oportunidade de visualização e compreensão

das necessidades e desejos dos clientes para

ocorrer o encaixe, quando a empresa poderá

criar, entregar e capturar valor.

38 39


EMPREENDEDORISMO

360º

Cadeia Produtiva

da Moda

VAREJO DE MODA

O Ponto de Venda

como Experiência

Para os empresários da indústria e varejo de

moda que desejam uma melhor compreensão

sobre essa cadeia produtiva, desde a criação até

a comercialização do produto, passando pela

identidade de marca, o curso 360° – Um Olhar

Sobre a Cadeia de Moda é uma excelente opção.

Lançado no início do ano, mostra como a cadeia

está estruturada, em 12 horas-aula na modalidade

a distância.

O gestor do Sebrae RS responsável pela plataforma,

Ivandro Moraes, esclarece que a intenção

do curso é diminuir possíveis lacunas que afetam

o bom andamento da cadeia produtiva, ao

evidenciar os pontos de ligação entre a indústria

e o varejo de moda: “É um curso inteiramente

produzido e filmado no Rio Grande do Sul, com

conteúdo dinâmico e com histórias de marcas

que estão dando certo”.

O conteúdo mescla conceitos teóricos e muita

aplicação prática. “O melhor jeito de mobilizar e

apresentar o que é relevante para o setor é através

da troca de experiências, pelo depoimento

de outros empresários e pela visão da prática”,

avalia Moraes.

Para aqueles empresários que pretendem tornar

suas lojas mais atraentes aos olhos do seu público

e oferecer produtos capazes de despertar desejo

e de atender a suas necessidades, a sugestão

é o curso Varejo de Moda: O Ponto de Venda

como Experiência. “Neste curso apresentamos

ao empresário métodos eficazes para a aplicação

de ferramentas utilizadas na organização do

mix de produtos e na elaboração de estratégias

mercadológicas, além das formas de impulso

para realização das vendas na sua loja”, explica

Ivandro Moraes.

Para melhor apresentação dos conteúdos – que

envolvem gestão visual, pontos de contato, decisão

de compra e experiência de compra –, o curso

foi gravado em quatro lojas: uma de vestuário,

uma de calçados, uma sob medida e uma de

acessórios. Apresenta também quatro histórias

de empresárias que tiveram sucesso na elaboração

de estratégias para oferecer melhor experiência

de compra aos seus clientes, tornando o

visual de suas lojas mais atrativo e competitivo.

40 41


EMPREENDEDORISMO

GASTRONOMIA

Engenharia de Cardápio

As soluções digitais do Sebrae RS

também estão disponíveis para o setor

da gastronomia. Por meio do curso Engenharia

de Cardápio, o empresário irá

aprender a elaborar um cardápio capaz

de aumentar sua lucratividade. O curso

apresenta estratégias que podem ser

adotadas para vender os produtos que

trazem maior lucro e técnicas para deixar

o cardápio mais atrativo.

Cristina Correia, responsável pelo

produto no Sebrae RS, explica que o

cardápio é o cartão de visitas do restaurante

e uma ferramenta de venda

muito importante, pois pode influenciar,

e muito, o consumo dos clientes.

No entanto, às vezes, não recebe a devida

atenção. “Com um cardápio efetivo

e vendedor é possível aumentar o

ticket médio do restaurante”, explica.

levantamento do custo de cada preparação,

análise de histórico de vendas e

na classificação dos pratos conforme

a metodologia.

Em sua avaliação, o diferencial desse

curso está, justamente, no seu caráter

prático. “Além disso, o empresário

terá acesso a um infográfico, que

sintetiza as principais informações do

curso, e um e-book, com dicas para

produção fotográfica, destinado àqueles

que querem produzir suas próprias

fotos para valorizar o cardápio”, conclui

Cristina.

O curso é composto por videoaulas

com abordagem prática, algumas foram

gravadas dentro de um restaurante,

explicando todo o método utilizando

um case. Com 12 horas-aula,

apresenta o que é e como aplicar o

método Engenharia de Cardápio, disponibilizando

ferramentas para que o

empresário faça download ao longo

do curso. Tais ferramentas auxiliam no

42 43


POLÍTICAS PÚBLICAS

Modificações no teto de

permanência na declaração

simplificada e novas regras

de interligação entre fiscos

precisam de atenção

De olho no novo

Simples

Nacional

As alterações na Lei Geral do Simples Nacional causaram

diversos impactos nas corporações – alguns

deles ainda merecem especial atenção dos empresários.

Além de criar uma faixa transitória para a saída

do regime e alterar as alíquotas de tributação tornando-as

mais vantajosas, a nova legislação também

gerou integração entre os fiscos federal, estadual ou

municipal, que agora contam com maior facilidade

na permuta de informações.

A técnica em gerência de políticas públicas do

Sebrae RS Claudia Cittolin avalia que as mudanças

são positivas em termos globais, por outro lado,

conjuntamente, reiteram a necessidade de gestores

e empresários estarem atentos também à área

contábil de suas corporações. “Por vezes se deixa

apenas na mão do contador o conhecimento da parte

fiscal, mas, cada vez mais, é necessário que o empresário

esteja atento a sua escrituração contábil”,

relata Claudia, ao citar a relação de proximidade que

passou a existir entre as três esferas das Fazendas

Públicas – e, assim, poderão checar informações

prestadas em divergência de forma facilitada.

Ainda assim, outras questões devem ser alvo de

atenção dos gestores, conforme o entendimento de

Claudia. A partir deste ano, a legislação elevou o teto

anual de receita bruta de pequenas empresas optantes

pelo regime de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões

– o equivalente à média mensal de R$ 400 mil

em receita. Aquelas que têm faturamento entre estes

valores encontram-se em uma zona de transição tributária

e terão ICMS e ISS recolhidos pelo regime

geral. Os microempreendedores individuais (MEIs)

também tiveram o teto elevado para permanência no

Simples, o valor passou de 60 mil para R$ 81 mil,

ou seja: uma média de ganhos mensais de R$ 5 mil

para R$ 6,75 mil.

Claudia explica que, pela nova regra, a tributação segue

progressiva, mas é preciso estar atento às alterações

nas alíquotas, que passaram por diminuição

no número de faixas, caindo de 20 para apenas seis.

No caso do comércio, o percentual de tributação tem

início em 4% para empresas que obtiveram receita

bruta de R$ 180 mil em 12 meses. A maior incidência

se dá, justamente, na faixa de transição criada

este ano, com 19% de taxação para empresas que

faturam entre R$ 3,6 milhões e R$ 4,8 milhões.

Pelo histórico, esta é a sétima alteração da Lei Geral e

só é menos significativa do que a ocorrida em 2014,

quando houve uma espécie de universalização do

Simples. “As alterações atuais foram criadas justamente

para que as empresas não ficassem estagnadas

nos R$ 3,6 milhões em faturamento e pudessem

passar por um período de adaptação com a carga

tributária”, comenta Cláudia, ao expor o potencial da

legislação em eliminar as barreiras de crescimento

das micro e pequenas empresas.

A legislação, promulgada ainda em 2016, também

contou com alguns dispositivos de vigência imediata,

como o parcelamento de débitos adquiridos em 120

meses que vigorou naquele ano. Além da possibilidade

de fragmentação das dívidas, em 2017 foi criada

a possibilidade de participação de um investidor anjo

em empresas optantes pelo Simples, sem que haja a

possibilidade de desenquadramento, já que o aporte

de capital injetado por esse investidor não integra o

capital social da empresa. A remuneração por seus

aportes e sua porcentagem na distribuição dos lucros

são reguladas pelo contrato de participação, mas não

podem exceder o prazo máximo de cinco anos ou a

porcentagem de 50% dos lucros, respectivamente.

“Por vezes se deixa

apenas na mão do

contador o conhecimento

da parte fiscal, mas, cada

vez mais, é necessário

que o empresário

esteja atento a sua

escrituração contábil.”

CLAUDIA CITTOLIN

Técnica em Gerência de Políticas

Públicas do Sebrae RS

44 45


POLÍTICAS PÚBLICAS

Linha do tempo - Simples Nacional

Criação do Simples Federal, forma simplificada

de recolhimento de tributos que antecedeu

1996

o Simples Nacional. Contemplava microempresas

com faturamento até R$ 240 mil ao

ano e EPPs com limite de faturamento até R$

2,4 milhões ao ano. Criação do Simples Nacional, com extensão

da regra para algumas atividades de serviços

2006

– entrou em vigor a partir de 2007.

Alteração da Lei Complementar nº 123/2006

para tratar de assuntos como a exclusão das

empresas optantes que omitem da folha de

pagamento da empresa ou de documentos

informações previdenciárias, trabalhistas ou

tributárias do trabalhador avulso ou contribuinte

individual que lhe preste serviço.

Aumento do limite de faturamento anual do

Simples, em vigor a partir de 01/01/2012,

para MEI (R$ 48 mil anuais), ME (R$ 360 mil

anuais) e EPP (R$ 2,4 milhões para R$ 3,6

milhões anuais).

Aumento do limite de faturamento anual do

Simples, em vigor a partir de janeiro deste

ano, e limite de faturamento da MEI expandido

de R$ 60 mil para R$ 81 mil ao ano e EPP

de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões ao

ano. Mudança nas tabelas do Simples, com a

inserção de alíquotas progressivas, tal como

no modelo do Imposto de Renda das Pessoas

Físicas, que suavizam o aumento de impostos

quando a empresa cresce.

2007

2008

2011

2014

2016

2017

Criação do microempreendedor individual,

nova figura jurídica optante do Simples, com

registros válidos a partir de 2009 e limite de

faturamento até R$ 36 mil ao ano.

Redução da substituição tributária sobre

parte dos optantes do Simples e universalização

pela extensão a todas as atividades de

serviços, exceto as vedadas em lei.

Possibilidade de não enquadramento de

investidores anjos sem que haja o risco de

desenquadramento da empresa.

2018

- Diminuição de 6 para 5 tabelas de tributação;

- Diminuição de 20 para 6 faixas;

- Teto de R$ 4,8 milhões de reais;

- Adoção de alíquotas progressivas, nas quais o acréscimo de tributação somente

se dá com relação ao valor que ultrapassar a faixa de tributação, nos mesmos

moldes do Imposto de Renda Pessoa Física;

- ICMS e ISS para empresas com receita bruta superior a R$ 3,6 milhões se dará

por meio do regime geral;

- Sublimite único do ICMS em R$ 1,8 milhão para estados com participação de até

1% do PIB

Inclusão de fabricantes

de bebidas

Micro e pequenas cervejarias, vinícolas

e produtores de cachaça, bem como

produtores de licores, poderão optar

pelo regime de tributação do Simples

Nacional. Deverão ser registradas no

Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento, bem como obedecer às

normas de Vigilância Sanitária e da Receita

Federal.

Microempreendedor

Individual

Aumento do limite para R$ 81 mil anuais,

uma média de R$ 6.750 mensais.

Também foi criada a possibilidade de

empreendedores do meio rural optarem

pela sistemática do MEI. Além disso,

a regra exclui arquivistas, contadores,

técnicos contábeis e personal trainers

do rol de profissões enquadradas no

Simples 2018.

Salão Parceiro

Valores repassados a profissional de

beleza contratado por meio de parceria

não integrarão a receita bruta da empresa

contratante para fins de tributação; a

empresa contratante deve fazer retenção

e recolhimento dos tributos devidos

pelo contratado.

Redução do Depósito

Recursal

ME e EPP terão direito a redução do valor

do depósito recursal na Justiça do

Trabalho, na ordem de 50%.

Estímulo à Exportação

por MPE

Optantes do Simples podem se beneficiar

de Regimes Aduaneiros Especiais.

46 47


CASES DE SUCESSO

Colmeia passou de

5 para 500 funcionários

e conquistou sua

internacionalização,

após contato com

o Sebrae RS

Sem medo da

expansão

Ultrapassar o limite do Simples Nacional muitas

vezes pode causar algum receio, especialmente

por parte das pequenas empresas que participam

do modelo simplificado de recolhimento de tributos.

No entanto, travar o potencial de investimento

de um negócio pode acabar custando mais caro.

“O empresário precisa entender que tem duas alternativas:

expande ou corre risco de fechar a empresa”,

comenta o diretor comercial da Colmeia

Containers, Julio Delfino, empresa familiar que recentemente

atingiu faturamento superior ao limite

de R$ 4,8 milhões da regra de transição do sistema,

que vigora desde o início do ano.

Mas nem sempre foi este o pensamento de

Delfino, que precisou encarar o mercado para criar

esta consciência. O empresário tornou-se taxativo

quanto às alternativas empresariais por um motivo:

ao se deparar com possibilidades de crescimento

foi relutante, mas acabou compreendendo que

o futuro da Colmeia dependia da perda do que ele

próprio reconhece como medo de expansão. “Meu

pai é engenheiro e acabou se envolvendo em uma

obra em São Paulo, pela qual começamos a vender

contêineres utilizados no canteiro”, relata, ao citar

os primeiros passos de crescimento da empresa,

que, até então, era uma pequena loja de materiais

de construção.

Com matriz em Esteio (RS), atualmente a Colmeia

Containers, empresa especializada em módulos

habitáveis e soluções com contêineres para áreas

de alojamentos em canteiros de obras, conta com

filiais em Candiota (RS) e Tanguá (RJ), além de um

escritório no Uruguai voltado para projetos interna-

48 49


CASES DE SUCESSO

cionais. O empresário relata que

o faturamento mensal do ano

passado se igualou ao valor total

arrecadado em 2015, o que,

em seu entendimento, demonstra

que a empresa chegou “em

outro nível”.

Com fluxo de caixa mais significativo

a partir do novo modelo de

negócios, a necessidade de maior

planejamento e profissionalização

tomou forma. Ainda assim,

Delfino e o restante da diretoria

da empresa relutaram em aceitar

o convite do Sebrae RS para participar de um projeto

de capacitação e qualificação de fornecedores da

cadeia de Petróleo e Gás, em parceria com a Petrobras.

“A imagem que tínhamos era de que não seria

proveitoso, achávamos que estávamos bem daquele

jeito, só nós três. Acabamos comparecendo de última

hora à primeira reunião do projeto”, explica.

JULIO DELFINO,

diretor comercial da Colmeia

Containers, participou dos projetos

do Sebrae RS e viu sua empresa

crescer, com faturamento excedendo

os limites do Simples Nacional

A partir daí os planos da empresa começaram a tomar

forma. Delfino relata que, à época, houve muita

demanda da cadeia do petróleo que estava a pleno

vapor no Estado. “Com o apoio do Sebrae RS começamos

a aprimorar nossos controles financeiros,

aprendemos noções de fluxo de caixa, como montar

o nosso mark-up, e participamos

de muitas rodadas de

negócios e visitas em feiras”,

relembra o empresário. As capacitações

realizadas no projeto

do Sebrae RS incluíram tópicos

como formação de preço de

vendas, noções de marketing,

Gestão de Qualidade, implementação

da ISO 9001, entre outros.

“A cada projeto encarado fomos

percebendo uma evolução importante

da empresa. Para nós

da Colmeia, participar dos projetos

do Sebrae era muito mais do

que só aprendizado. Esta organização acreditou no

nosso potencial em todos os momentos. Estiveram

conosco em cada conquista”, relata.

A este ponto, a Colmeia, que já havia participado de

feiras internacionais, entre elas a Feira Industrial de

Hannover, na Alemanha, em 2009, aderiu em 2013

ao QUALIMUNDI (2013/2015), programa de internacionalização

de empresas do Sebrae RS. O gestor

da organização Cleverton da Rocha, que acompanhou

a Colmeia durante o programa, detalha o tipo

de assistência recebida pelos empresários. “Nosso

objetivo era formar empresas de classe mundial, ou

“Para nós, da Colmeia, participar dos projetos do Sebrae RS era muito

mais do que só aprendizado. Esta organização acreditou no nosso potencial

em todos os momentos. Estiveram conosco em cada conquista.”

seja, oferecer condições para que elas pudessem

ser mais competitivas no ambiente internacional”,

comenta.

A partir das ações do projeto, a diretoria da Colmeia

pôde entender que sua internacionalização não necessariamente

precisaria ter início pela Europa ou

Estados Unidos. “Temos mercado em potencial na

América Latina e outras localidades”, relata. A primeira

oportunidade internacional surgiu em um voo para

o Rio de Janeiro, no qual Delfino cumpriria agenda

em um dos cursos Sebrae. “O avião deu problema e

acabei pegando um táxi para o outro aeroporto com

um representante internacional de estruturas militares

que virou meu parceiro de negócios”, conta.

O encontro culminou em um negócio fechado para

exportação de contêineres com finalidade de servirem

de moradia para militares no Haiti. Como um contrato

leva a outro, a empresa foi levada a Montevidéu. “Naquele

ano fechamos um contrato de US$ 1 milhão por

lá”, relata Delfino. Mesmo que a empresa ainda esteja

focada no segmento da Construção Civil, a utilização

do produto é bastante abrangente e chega a servir de

casa para veranistas nas praias do país vizinho.

ao Projeto Energia Mais do Sebrae RS. O projeto tinha

como objetivo inserir as empresas na cadeia de

energia renováveis e eficiência energética. “A Canteiros

do Sul se inseriu neste projeto pelas características

sustentáveis de seus produtos, questão cara

à cadeia de energia”, relata Rocha.

“As oportunidades estão aí, e nós as aproveitamos”,

afirma Delfino, orgulhoso da trajetória da empresa.

“No início não sabíamos exatamente do que precisávamos,

com o passar do tempo fomos diagnosticando

e ampliando nossa capacidade e maturidade

de gestão. Costumo dizer que, se não fosse o

pessoal do Sebrae, a Colmeia, se ainda existisse,

continuaria como uma pequena loja de materiais de

construção.” Assim, a fase de inseguranças da empresa

foi superada. Hoje a Colmeia conta com 500

funcionários e com um faturamento que excede os

limites do Simples Nacional tem planos de expansão.

“O Sebrae foi, de verdade, nos tirando o medo

de crescer. Daqui para a frente a Colmeia estará em

outros territórios. Deixamos de ser pequenos, mas

os ensinamentos ficaram”, conclui.

Mas a inquietude e o faro para boas oportunidades

são características de Delfino, que em 2017 voltou a

procurar o Sebrae RS, agora de olho nas oportunidades

do mercado de eficiência energética e geração

de energia a partir de fontes renováveis. A Canteiros

do Sul, empresa do Grupo Colmeia, aderiu em 2017

100

Projetos

2

Filiais

500

Funcionários

50 51


SIGA O EXEMPLO

LUANA CASTRO E

ROSANA STEFFENS

A sua Mercê, Porto Alegre

Inovação e tecnologia para

pequenos negócios

Empreendedores de A sua Mercê, Visa

Flex e Prolight Alimentos conseguiram

qualificar processos e produtos com o

apoio do programa SebraeTec

A empresária Luana Castro sempre se destacou pelo caráter inovador de seus negócios.

Fundadora da Cuca Haus, que exibiu um cardápio diferenciado e inspirado na gastronomia

dos imigrantes alemães, no bairro Santana, na Capital, ela vendeu o negócio para se

lançar em outra criação. Com Rosana Steffens, abriu a padaria e mercearia de produtos

orgânicos A sua Mercê, no mesmo bairro. Depois de aberta ao público, mesmo com

pesado investimento no projeto, as duas empreendedoras se depararam com um concorrente

invisível a corroer ganhos: a energia elétrica. Mesmo com menos equipamentos

em relação ao negócio anterior, a empresa consumia energias e recursos financeiros

proporcionais. “Investi em uma consultoria para revisar um projeto elétrico que era para

ser perfeito mas que, na prática, não resolvia meus problemas. Havia algo errado. Conseguimos

otimizar alguns equipamentos e reduzir a conta de luz, que era nosso principal objetivo”,

explica Luana. O novo consultor mapeou equipamentos, identificou onde poderia

ter redução de curto e longo

prazos e sugeriu ajustes no

processo. Já no primeiro mês

a empresa registrou queda

de 21,92% no consumo em

relação ao anterior, com o direcionamento

do SebraeTEC.

Agora, Luana e Rosana trabalham

na próxima etapa rumo

a uma maior otimização de

recursos para a área tributária.

Elas estudam uma melhor

classificação fiscal da empresa,

o que pode representar

redução na alíquota de ICMS

que incide sobre o insumo.

“Investi em uma consultoria para

revisar um projeto elétrico que era

para ser perfeito mas que, na prática,

não resolvia meus problemas. Havia

algo errado. Conseguimos otimizar

alguns equipamentos e reduzir a

conta de luz, que era nosso

principal objetivo.”

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CASES DE SUCESSO

JOSÉ OLDEMAR LEMOS

Visa Flex, Bento Gonçalves

CARLA RICALDE

Prolight, Porto Alegre

Nelmo e Carla Ricalde são assíduos

demandantes de consultorias do

SebraeTEC a partir da criação da

Prolight Comércio de Alimentos

LTDA. Desde 2015, com auxílio de

consultores indicados eles fizeram

a empresa crescer, se consolidar e

ganhar mercado. O primeiro apoio

veio para estruturar o mix de produtos

da empresa, direcionada a

necessidades alimentares específicas

de dietas restritivas. Assim se

consolidou a Prolight, uma startup

de alimentos funcionais ultracongelados

a vácuo. Após a primeira

consultoria, o casal seguiu com a

diferenciação no mercado de alimentação

funcional e saudável para

todos os tipos de público, e não somente

adeptos fitness. A ideia é dar uma opção prática, saudável e com muito sabor por meio

da tecnologia do ultracongelamento e vácuo, com variedade e flexibilidade na composição dos

cardápios individuais, boa parte planejada com apoio técnico do Sebrae RS. Entre as ações

realizadas estiveram a adequação da cozinha às Boas Práticas de Fabricação, requisitos obrigatórios

de preparo e comercialização de produtos e ampliação dos horizontes do negócio.

“Não há como dissociar o nosso crescimento do apoio oferecido por essas consultorias, com

bom custo-benefício e os insights dos consultores envolvidos nos atendimentos”, afirmam

Nelmo e Carla.

Gerenciada por três sócios, a fabricante de móveis infantis Visa Flex, de Bento Gonçalves,

produz berços para crianças, um mercado repleto de exigências de qualidade

e segurança. E para não correr riscos nem colocar clientes em risco, a empresa se

pautou pela busca de certificações a partir de 2013, quando passou de fornecedora

de componentes a fabricante do produto. Ao buscar a consultoria SebraeTEC de qualidade

e normatização do Sebrae RS, logo surgiram os primeiros sinais de problema.

Um deles era não ter controles de produção implantados e operar com métodos de

fabricação em desacordo com a padronização exigida. “Os consultores nos pediram

um check list total”, relembra José Oldemar Lemos, um dos sócios da Visa Flex.

O trabalho, que abrangeu a adequação dos processos da empresa para obter a certificação

de berços pelo Inmetro, teve resultado surpreendente. “Os consultores já nos

deram novas sugestões, eles sempre trazem coisas novas”, comemora o empresário.

A fabricante de móveis, apenas seis meses após a padronização, comemorou crescimento

de 200% nas vendas. E, nesse caso, a experiência de Lemos com o processo

ISO foi fundamental. Atualmente,

a marca comercializa

cerca de 300 unidades

de produtos diversos. E o

plano é ultrapassar as mil

peças entregues até o fim

do ano.

A fabricante de móveis, apenas

seis meses após a padronização,

comemorou crescimento de

200% nas vendas.

“Não há como dissociar o nosso

crescimento do apoio oferecido por essas

consultorias, com bom custo-benefício

e os insights dos consultores envolvidos

nos atendimentos.”

FIQUE ATENTO

SOBRE O SEBRAETEC

O Programa SebraeTEC facilita o acesso a serviços de inovação e tecnologia, apoiando atividades

voltadas à melhoria de processos e produtos dos pequenos negócios por meio de

consultorias e soluções nas temáticas de produtividade, design, sustentabilidade, alimentos

e eficiência energética.

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FATOS E FOTOS

O diretor Técnico Ayrton Pinto Ramos representou a

organização na cerimônia de entrega do Prêmio Marcas

de Quem Decide. O Sebrae RS foi eleito pela terceira vez

consecutiva como a marca mais lembrada e preferida dos

gaúchos quando o assunto é Apoio ao Empreendedor.

O Sebrae RS apoiou a participação de 34 empresas na

Expodireto Cotrijal, e os resultados foram surpreendentes.

Em cinco dias de evento, foram gerados mais de

R$ 18,5 milhões em negócios, R$ 1,9 milhão durante

a feira e R$ 16,5 milhões como expectativa para os

próximos 12 meses. Esta foi a 19ª edição da feira em

Não-Me-Toque.

O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Silveira Pereira,

68 anos, é o novo presidente do Conselho Deliberativo

Estadual (CDE) do Sebrae RS. A eleição seguida de

posse ocorreu em fevereiro, durante reunião extraordinária

na sede da organização, em Porto Alegre.

Marcio Fernandes, ex-presidente da Elektro, maior

companhia de energia elétrica da América Latina, foi a

grande atração do Seminário Gestão de Pessoas, promovido

pelo Sebrae RS em novembro de 2017.

O executivo falou sobre projetos futuros e seu novo

livro “O Fim do Círculo Vicioso”.

Na Couromoda, em janeiro, o estande coletivo do Rio

Grande do Sul contou com 42 empreendedores, que

conquistaram R$ 9,5 milhões em vendas. Foram comercializados

207.836 pares de calçados e realizados

2.282 contatos com compradores. O espaço é uma

parceria entre as ACIs de Novo Hamburgo, Campo

Bom e Estância Velha, a Secretaria do Desenvolvimento

Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT) e o

Um grupo de empreendedores, apoiados pelo Sebrae

RS, participou da NRF 2018, maior feira do varejo

mundial. Além das atividades na feira (palestras e expositores),

os empresários realizaram visitas técnicas

em lojas-referência do varejo americano. O objetivo é

trazer boas práticas e novidade para as lojas gaúchas.

O Sebrae RS reuniu a imprensa da Capital e do Interior

do Estado em encontro dia 27 de março, em Porto

Alegre. Na ocasião foram apresentados os principais

resultados de 2017 e as novidades para 2018.

Em novembro, no município de Bagé, lideranças dos

43 municípios das regiões da Campanha, Fronteira

Oeste e Sul do Estado participaram do encontro do

Programa LIDER. Na ocasião, foram apresentados os

principais avanços e entregas do LIDER.

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FRASES EM DESTAQUE

“São 450 mil microempreendedores individuais,

300 mil microempresas e 92 mil empresas de

pequeno porte no Rio Grande do Sul. São estes

milhares de empreendedores que promovem o

crescimento do nosso Estado, e é para eles que

nós trabalharemos com afinco até o fim desta

gestão.”

GEDEÃO PEREIRA, presidente do Conselho

Deliberativo do Sebrae RS.

“Muito além da estrutura e do apoio para se

apresentarem bem na Expodireto, o trabalho

do Sebrae RS tem foco na preparação das

pequenas empresas para que efetivem vendas e

estejam no alvo de quem procura por produtos

de qualidade.”

DERLY FIALHO, diretor-superintendente do Sebrae RS

na Expodireto Cotrijal.

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Conte com o nosso conhecimento

para transformar os resultados da

sua empresa, onde você estiver.

Para o presidente do Sebrae,

Guilherme Afif Domingos, as micro e pequenas

empresas representam a força dos empregos.

“O pequeno empresário representa o Brasil real,

o Brasil que continua gerando emprego e renda,

que precisa negociar suas dívidas para continuar

apostando na retomada da economia.”

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GUILHERME AFIF DOMINGOS, presidente do Sebrae, analisando o

fato de que os pequenos negócios em fevereiro foram responsáveis

pela geração de 56 mil empregos no País.

“Esse reconhecimento é resultado da

proximidade que construímos, apoiando os

empreendedores e incentivando a

transformação dos pequenos negócios.”

AYRTON PINTO RAMOS, diretor Técnico do Sebrae RS,

ao representar a organização na cerimônia de entrega do

Prêmio Marcas de Quem Decide.

“Unidos somos mais fortes e efetivos na criação

e no fortalecimento de um ambiente mais

empreendedor na região, tradicionalmente

conhecida por sua gente trabalhadora e

inovadora.”

CLAUDIO PEITER, gerente da Regional Serra do Sebrae RS,

comentando sobre encontros que realizou na região para

fortalecer as parcerias.

“Estamos começando como empresa, e as consultorias e

mentorias do projeto foram fundamentais para entendermos

melhor os processos de vendas e de gestão, que permitiram a

criação desse novo sistema.”

LUCAS SPERB, sócio da Wbio, comentando sobre como a atuação do Sebrae RS

está contribuindo, inclusive, no desenvolvimento de outros produtos da empresa.

CONFIRA AS NOVIDADES:

- Vale do Silício: inspire-se para inovar

- 360º - um olhar sobre a cadeia da moda

- Varejo de moda: o ponto de venda como experiência

- Zoom no cliente: como criar valor para o mercado

- Engenharia de cardápio

- Lucro na balança - preço no setor de alimentos e bebidas

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